Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 84 Online

↫─Capítulo 84
Taebaek, ao presenciar aquilo, soltou um pequeno som de náusea. Ele havia se adaptado a ver Devoradores sendo cortados, esmagados e despedaçados, mas não havia se ajustado a ver pessoas sendo feridas e mortas. O nojo crescente fez arrepios picarem suas bochechas.
Shinu levantou levemente o quadril da mesa e inclinou-se em direção a Yeongik. Ele então puxou uma pistola de seu cós. Com mãos praticas, Shinu desmontou o carregador para verificar as balas em seu interior. Após remontar o carregador, ele mirou a arma na cabeça do Pastor Sung.
— Então, mate o Pastor Sung…
— Mate-o.
— ……
— Meu pai e eu vamos para o céu de qualquer maneira. Então, não tenho medo da morte. Somos filhos de Deus e encontraremos o descanso eterno em Seu abraço. Você será lançado no inferno.
— ……
Shinu olhou silenciosamente para Yeongik, que sustentou seu olhar com calma.
Shinu sabia que Yeongik havia desistido de tudo. Não importava sobre o que ele fosse interrogado ou como fosse ameaçado, nada poderia ser extraído dele. Em outras palavras, ele não era mais necessário.
Então… Ele tinha que ser morto.
Deixar Yeongik vivo significava não saber o que ele poderia fazer pelas costas. Como o homem da barba havia exposto a existência deles para a igreja. Yeongik provavelmente cometeria atos ainda piores do que aquele homem insignificante. Ele era de um calibre diferente, e não no bom sentido.
Shinu baixou a pistola que havia mirado no Pastor Sung e roçou suavemente o gatilho.
Em tais situações, e em tal mundo, não deveria haver “e se”. Porque nunca se sabe no que esse “e se” pode se transformar.
— Nunca deixe um inimigo vivo por piedade. Esse inimigo pode voltar para cortar sua garganta amanhã.
Foi o que seu superior disse quando ele recém havia se tornado um agente das forças especiais. Fazia muito tempo, e ele mal se lembrava do rosto de seu superior, mas recordava vividamente da voz e do tom daquela afirmação. E ele havia aderido rigorosamente a esse conselho toda vez que saía em uma missão.
Ele não tinha se lembrado disso particularmente após a baixa. Ele havia esquecido. Mas o homem da barba o fizera lembrar.
Shinu olhou para Taebaek parado ao seu lado. Taebaek ergueu as sobrancelhas e encontrou seu olhar. Shinu o chamou com uma voz gentil.
— Taebaek.
— Sim?
— Você poderia ficar de olho na porta? Alguém pode vir.
— Ah, claro.
Taebaek moveu-se conforme instruído, sem qualquer sinal de rebeldia, exatamente como sempre fazia. Ele caminhou até a porta da frente, que se abria amplamente, não a porta dos fundos que Hyemin estava guardando. Shinu adicionou mais um pedido enquanto Taebaek se afastava.
— Não vire a cabeça, apenas observe a porta.
— ……
Diante do pedido estranho, os ombros de Taebaek ficaram tensos. Ele se virou lentamente para olhar para Shinu. Shinu sorriu de leve. No entanto, Taebaek… não conseguiu sorrir. Ele parou em frente à porta, mantendo a boca firmemente fechada.
Shinu não se esqueceu de dar um sinal a Hyemin. A perceptiva Hyemin fez com que Hyein e Hyesung desviassem a atenção para outro lugar.
A sala pastoral foi engolfada pelo silêncio. Estava tão silenciosa e fria quanto uma câmara de execução.
Shinu exalou um suspiro pelo nariz. Então, encontrou os olhos de Yeongik e murmurou com uma voz rouca.
— O Pastor Sung chamava você de Yohan, não chamava?
— …Sim.
Com a confirmação de Yeongik, Shinu assentiu sem sentido. Após alguns segundos de silêncio, ele se levantou da mesa. Sua arma estava apontada para a testa de Yeongik.
Yeongik encarou fixamente a arma apontada para ele. Ele realmente não temia a morte. Em vez disso, parecia aliviado e até satisfeito. Ele parecia certo de que iria para o céu após sua morte.
— Yohan.
— ……
— Deus vai punir você.
— O quê…
Bang!
Yeongik não conseguiu terminar a frase. Um buraco vermelho-escuro apareceu em sua testa, e ele morreu com os olhos abertos. O sangue espirrou nas placas de agradecimento alinhadas atrás do sofá.
O sangue também pingou na estátua de Jesus que Yeongik estava segurando. Ele escorreu pela bochecha de Jesus como se fossem lágrimas.
Shinu cobriu o corpo de Yeongik com o pano que o Pastor Sung havia jogado em volta do pescoço. A grande cruz de ouro bordada no tecido ficou úmida de sangue.
Shinu pensou enquanto olhava para aquilo.
Mas Deus deve saber.
Como as pessoas que você executou estão apodrecendo debaixo da ponte.
Como os sacrifícios que você sequestrou foram devorados.
Como os cidadãos de Yongin que você negligenciou morreram na miséria.
Mesmo assim, por mais misericordioso que Deus possa ser, Ele não levaria você para o céu.
O olhar de Shinu desviou-se para o lado. Ele viu o Pastor Sung, que dormia confortavelmente. Ele pegou a garrafa de água que havia deixado sobre a mesa e a despejou sobre o rosto do Pastor Sung. A água gelada caiu em um jato.
— Ugh!
Os olhos do Pastor Sung se abriram de repente quando a água fria atingiu suas narinas. Limpando o rosto freneticamente com as mãos, ele olhou para Shinu e estancou. Ele examinou os arredores para avaliar a situação. Então descobriu o Yeongik morto. Seu olhar encontrou o olho visível de Yeongik sob o pano.
— Eek!
O horrorizado Pastor Sung empurrou o corpo de Yeongik violentamente. Yeongik caiu no canto do sofá. Shinu agarrou o Pastor Sung pelo colarinho e pressionou a arma contra sua testa.
— M-Me solte! Me solte! Me solte!
O Pastor Sung implorou, agarrando a paletó de Shinu. Ele apertou os olhos e encolheu o pescoço como uma tartaruga, parecendo um velho tentando desesperadamente se agarrar à vida. Shinu abaixou a cabeça e perguntou em voz baixa.
— Como se sai de Yongin?
— O quê, o quê?
— De Yongin. Como se sai daqui?
O dedo indicador de Shinu pressionou levemente o gatilho. Vendo aquilo, o Pastor Sung respondeu de forma quase gritada.
— Pela montanha! A montanha!
— …Montanha?
Shinu franziu a testa diante da resposta inesperada.
O Pastor Sung disse que havia uma montanha chamada “Montanha Ssangnyeong”, que ficava entre a cidade de Yongin e a cidade de Anseong. Com o desenvolvimento da área ao redor em campos de golfe grandes e pequenos e o aumento da população, um túnel foi perfurado na montanha. Pouco antes de ser inaugurado, o vírus Devorador havia se espalhado. Por isso, não estava no mapa, e apenas algumas pessoas sabiam sobre ele.
Ele disse que o lugar estava intacto. Não havia casas por perto, apenas alguns reservatórios e campos de golfe, então não havia Devoradores. Se alguém passasse por ali, chegaria diretamente à cidade de Anseong.
Shinu assentiu. Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios diante da resposta satisfatória. As narinas do Pastor Sung dilataram-se. Seus dentes da frente, que estavam expostos, pareciam absurdos.
— Então você vai me poupar já que eu contei tudo, certo?
— Perdão?
— Você deve me poupar. Eu contei o caminho para sair!
— …Não me recordo de ter feito tal promessa.
Shinu olhou para o Pastor Sung com uma expressão astuta. Quando foi que eu disse isso? A ideia de oferecer uma proposta tão generosa quanto poupá-lo por fornecer direções era algo que ele nunca havia considerado. Há um limite para o delírio.
— …O quê?
O Pastor Sung olhou para Shinu com uma expressão vacante. Shinu o fez olhar para o Yeongik morto.
— Você não é pior do que esta pessoa?
— O quê…
— Mas se apenas esta pessoa morre e você sobrevive, não seria injusto demais?
— ……
Os olhos do Pastor Sung tremeram com desespero. Então ele percebeu que sua vida estava se esgotando e se contorceu como um peixe fora d’água. Mas não importava o quanto ele se remexesse, o aperto de Shinu em seu colarinho era forte demais e implacável. Ele tentou mover as pernas, mas a perna ferida pela bala não conseguia sequer mexer os dedos do pé.
Shinu o arrastou para fora do sofá. Então ele se moveu em direção à janela.
A sala pastoral ficava no segundo andar do prédio. A janela era do tipo de correr e, felizmente, a tela mosquiteira abria junto.
Shinu abriu a janela e olhou para fora.
A igreja era visível ao longe. Uma igreja com uma cruz vermelha brilhando na cidade, iluminada apenas pelo luar. Ele não conseguia dizer o que aconteceu com a congregação lá dentro. Ele apenas sentia, pela ausência de qualquer grito, que não restavam mais “pessoas” na igreja.
Shinu olhou para baixo. Confirmando que não conseguia ver a porta do prédio, ele disparou para o ar.
Bang! Bang bang! Bang! Ele continuou atirando até que não houvesse mais balas, o gatilho clicando no vazio. O som alto ecoou pelo céu da madrugada.
Logo, Devoradores começaram a se reunir de todas as direções. No começo, era apenas um ou dois, mas rapidamente, dezenas apareceram. Eles olhavam para cima, para a sala pastoral iluminada, balançando as cabeças. Seus dentes afiados eram uma demanda clara por qualquer coisa para comer.
Shinu agarrou o Pastor Sung pelo colarinho e enfiou sua cabeça para fora da janela. O rosto do Pastor Sung ficou pálido ao ver os Devoradores fervilhando lá embaixo. Lágrimas escorreram por suas bochechas flácidas.
Shinu sussurrou em seu ouvido.
— Não há mais fiéis aqui, e não há mais fé.
— Ahhhh…
— Então você não é mais necessário.
— Não, não…
— Já que as coisas chegaram a este ponto, pelo menos encha os estômagos famintos daqueles nobres mártires.
As palavras de Shinu perfuraram os ouvidos do Pastor Sung como pregos. Foi como uma sentença de morte.
O Pastor Sung balançou a cabeça vigorosamente. Ele queria gritar, mas sabia que isso apenas atrairia mais Devoradores, então não conseguiu.
Shinu empurrou o Pastor Sung pela janela como se o estivesse jogando fora. No entanto, o pastor gordinho não passou de uma vez. Embora seus pés estivessem fora do chão, sua barriga ficou presa no parapeito da janela e ele ficou ali, pendurado. Shinu suspirou irritado e, então, um vulto loiro apareceu na frente dele.
Era Taebaek.
Ele agarrou as pernas do Pastor Sung e o deu um puxão para cima. O aterrorizado Pastor Sung gritou alto.
— Ahhh! Não faça isso! Não faça isso! Não, seu bastardo!
Mas sua barriga já estava sobre o parapeito da janela. O Pastor Sung escorregou, sua túnica branca tremulando como uma miragem.
Felizmente, ou melhor, infelizmente, o Pastor Sung não se espatifou no chão. Os monstros o pegaram com suas cabeças, como se estivessem amparando uma divindade descida à terra.
O Pastor Sung flutuou brevemente no mar de Devoradores. Ele agitou os braços, tentando escapar das ondas da morte. Mas não havia escapatória. Um Devorador abriu bem a boca e mordeu a coxa do Pastor Sung. Outro monstro devorou seu ombro, e ainda outro pegou suas panturrilhas.
O Pastor Sung gritou como se o céu estivesse se partindo. O sangue espirrou para todos os lados. Os Devoradores, excitados pelo sangue quente que não viam há tempos, rosnaram e rugiram, soando como o bramido de um incêndio.
Foi assim que o Pastor Sung morreu. Como um pecador caindo nas chamas do inferno.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive