Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 83 Online

↫─Capítulo 83
— ……
Yeongik estremeceu. Shinu ergueu a cabeça lentamente e sussurrou com uma voz plana.
— E eu vou matar seu irmão, Park Yeongmin, que ainda está naquele canteiro de obras.
Os olhos de Shinu, calmos e compostos, estavam tão desolados e frios quanto uma noite no deserto. Não um deserto qualquer, mas um tão encharcado de sangue que nem mesmo um grão de areia se agitaria com o vento — um deserto infernal, estranhamente silencioso.
A ameaça era palpável, não apenas um mero blefe. A mandíbula inferior de Yeongik tremeu, e sua mão moveu-se para frente mais uma vez.
Shinu levantou levemente os cantos da boca, como se para elogiar. Ele sabia da pistola no bolso de trás de Yeongik desde que ele embrulhou a estátua de ouro. Era óbvio pelo formato volumoso em seu jeans.
A razão pela qual Shinu não a havia tirado antes era que ele não tinha dúvidas de que poderia desarmar Yeongik, mesmo que ele segurasse a arma desajeitadamente com a mão esquerda, sem dar a ele a chance de puxar o gatilho.
— Quem é você? — Yeongik perguntou.
— Sou alguém que protege quem precisa de proteção e mata quem precisa ser morto — Shinu respondeu enquanto ajustava o cano de seu fuzil K2. Yeongik franziu a testa diante da resposta ambígua, e Shinu aproveitou a oportunidade para fazer sua própria pergunta.
— Vou perguntar de novo. Os militares espalharam o vírus?
— Os militares disseram que a infecção veio do exterior…
— Sim. O surto do vírus pode não ter sido a intenção dos militares. Mas será que os militares… ignoraram a propagação do vírus?
— Por que… você acha isso?
A resposta de Yeongik foi uma pergunta audaciosa, sem qualquer compreensão da situação. Shinu raspou a língua contra o céu da boca. Deveria dar um soco na cara dele por sua insolência? Não, ele decidiu explicar seus pensamentos para esclarecer as coisas.
— Pela minha observação desta cidade, ela estava sob controle estrito. Nem um sussurro de notícia, muito menos qualquer informação sobre o vírus ou os infectados, conseguia escapar.
— ……
— No entanto, pessoas infectadas viajaram de Bundang para Seul, direto para o coração da Teheran-ro em Gangnam. Isso foi coincidência?
— Ao fugir,
— Eles deveriam ter ido para o aeroporto ou para um porto, não para Seul.
— ……
— É como se tivessem sido transportados para Seul como mísseis, algo planejado e deliberado. Estou certo?
— ……
A boca de Yeongik se apertou em uma linha fina, o que condizia com uma resposta positiva. Shinu moveu sua cadeira para mais perto do sofá e dirigiu-se a Yeongik calmamente.
— Vou contar uma história.
— ……
— Um soldado das forças especiais, infectado com o vírus D no Afeganistão, voltou para casa. Quando o helicóptero pousou, ele estava totalmente infectado e havia devorado os soldados a bordo. Os outros tornaram-se presas e mais um foi infectado, totalizando dois indivíduos infectados.
— ……
— Os militares, ao encontrarem o local da queda, capturaram um dos infectados, mas perderam o outro, que havia desaparecido ou escapado.
— ……
— No dia seguinte, surgiram relatos de pessoas sendo mordidas por outras pessoas ou por ursos. Os militares teriam ido à área do relato, avaliado a situação e informado aos superiores.
— ……
— Os superiores, de olho no infectado já capturado, teriam decidido deixar o vírus se espalhar.
— ……
— O objetivo era um golpe.
As pálpebras de Shinu se ergueram de maneira dramática.
Um golpe. Um termo que é ao mesmo tempo desconhecido e familiar. Qualquer um que tenha estudado história já o teria encontrado de uma forma ou de outra.
No mundo de hoje, um golpe parece fora de lugar, mas em um meio militar fechado e opressivo, não é algo tão distante. Ao contrário dos recrutas entediados e pavorosos, os soldados profissionais têm um padrão de pensamento diferente.
Soldados seguem ordens e esperam complacência em troca. A obediência a ordens superiores é obrigatória.
À medida que as patentes sobem, essa tendência torna-se mais pronunciada, e eles se veem como reis diante das patentes inferiores.
— Rei.
Aqueles que nunca experimentaram tal poder mal podem imaginá-lo.
O poder é mais doce que chocolate, mais emocionante que uma montanha-russa e tão viciante quanto drogas. Shinu viu muitos soldados viciados nesse poder ao longo de suas décadas no exército.
Mesmo soldados que não são “reis” podem provar esse poder. Encaixa-se perfeitamente com as imagens de sargentos vistas na mídia. Aqueles que intimidam subordinados e fingem ser submissos aos superiores.
O comportamento sádico contínuo no exército hoje é movido por esse jogo de “rei”.
Fora da sociedade, existem distinções claras entre os poderosos e os fracos. Os soldados não são nenhum dos dois. Então, quando agem como reis lá fora e são recebidos com desrespeito ou constrangimento, fazem comentários amargos.
— Aqueles que não conseguem nem dizer uma palavra depois de um único tiro…
— Se ao menos tivessem uma arma…
— Eles só vão cair na real quando houver uma bala na cabeça deles.
— Eu arrisco minha vida com uma arma para proteger o país, e esses caras riem. Eles nem sabem o quão gratos deveriam ser…
— Enquanto estamos presos neste exército fedorento, esses bastardos…
A Coreia do Sul proíbe a posse de armas. Assim, os soldados pensam que são pequenos “reis” apenas por segurarem uma arma e sentem-se muito descontentes com civis que não se curvam a eles.
Assim, o pensamento deles regride ao passado.
— Eu quero sair com uma arma.
— Talvez o militarismo não seja tão ruim.
— Pelo menos eu viveria melhor que aquele bastardo, sendo tratado como um nobre.
Tais pensamentos perigosos surgem. Especialmente entre soldados com estrelas nos ombros, eles frequentemente alimentaram tais ideias. Esses pensamentos tornam-se mais frequentes e, à medida que se multiplicam, surgem situações como a atual.
— Os militares pretendiam paralisar Seul e tomar a soberania. Cortando a comunicação, bloqueando os olhos e ouvidos das pessoas e instilando o medo por todos os meios.
— ……
— Confie apenas nos militares. Os militares vão salvar você. Os militares vão resolver isso. Os militares, os militares.
— ……
— No processo deste golpe, o Pastor Sung na cidade de Yongin teria sido de grande ajuda. Ele empurrou as pessoas para um medo mais profundo, forneceu comida e segurança sob o pretexto da igreja, fez lavagem cerebral nelas e controlou o fluxo de informações.
— ……
— O Pastor Sung teria preferido que o vírus devastasse a Coreia. À medida que o vírus se espalhasse e o mundo mergulhasse no caos, sua própria corrupção seria naturalmente enterrada. Coisas como extorsão, abuso sexual, evasão fiscal e suborno.
— ……
Yeongik cerrou o punho com força. Seus lábios tremeram incontrolavelmente. A lista de acusações contra o Pastor Sung não o agradou. Shinu ignorou a reação de Yeongik, adotando uma atitude de “O que você vai fazer a respeito?”.
Shinu cutucou o tornozelo do Pastor Sung inconsciente com sua bota e continuou.
— Claro, ele não esperava que o país ficasse tão devastado. Os militares provavelmente planejaram deixar o país doente para depois salvar os cidadãos com armas e tanques, governando como reis até que os Devoradores fossem completamente aniquilados.
— ……
— Mas os Devoradores foram mais fortes do que o esperado, a infecção espalhou-se a uma velocidade incrível e todos os planos falharam.
— ……
— Agora, os poucos cidadãos restantes provavelmente estão trabalhando duro para evitar que a Coreia do Sul desapareça da história. A responsabilidade por isso, no entanto, não cabe àqueles que planejaram o golpe, mas aos soldados sensatos.
— ……
— O que você acha da minha história?
Shinu perguntou com um sorriso agradável. Yeongik, com um olhar amargo, zombou do rosto aparentemente revigorado de Shinu.
— Mesmo que suas palavras sejam verdadeiras, nada mudará agora.
— Sim. Nada mudará. Mas agora você tem um novo padrão para julgar no que acreditar e no que não acreditar.
— ……
Yeongik encarou Shinu. Shinu retribuiu o olhar. Naquele momento, Han Taebaek aproximou-se, estendendo uma garrafa de água gelada para Shinu. A tampa já havia sido removida.
— Hyung, bebe um pouco de água.
— E você, Han Taebaek ?
— Eu já bebi.
— Obrigado, Han Taebaek .
Shinu aceitou a água com um sorriso. A água gelada descendo por sua garganta foi um choque para seu cérebro. A sensação refrescante da água límpida espalhando-se por suas veias era revigorante. Seus pulmões e órgãos, antes abafados e sufocantes, agora pareciam limpos.
Shinu olhou para trás brevemente. A aparência de Hyeseong havia melhorado desde que bebera água. Hyein estava vasculhando o dormitório em busca de itens úteis, e Hyemin ainda estava de guarda na porta dos fundos.
Shinu olhou para Yeongik novamente e ofereceu a garrafa de água pela metade para ele. Yeongik não a aceitou. Shinu não insistiu e colocou a garrafa sobre a mesa.
— Como saímos da cidade de Yongin?
Yeongik olhou para sua mão dilacerada em resposta à pergunta. Então, de repente, ele agarrou a mão que balançava e a arrancou com um estalo. Os tendões e veias que estavam obstinadamente conectados foram rompidos, e a mão foi completamente destacada. O sangue espirrou.
Sem soltar um único gemido, Yeongik jogou a mão decepada aos pés de Shinu, como se estivesse descartando restos de comida para um cachorro ou jogando fora lixo.
— Ninguém pode sair.
— ……
— Não há saída.
— ……
— Ninguém tem permissão para deixar a cidade de Deus.
Yeongik parecia ter desistido da vida. Ele parecia ser um homem morto, não sentindo nem medo nem dor. Shinu encarou a mão decepada, que havia formado uma pequena poça de sangue ao seu redor.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive