Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 82 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 82

Yeongik estava do mesmo jeito. Ele ergueu a parte superior do corpo como se estivesse prestes a matar Han Taebaek em um instante.

— Meu pai, um servo de Deus, nunca cometeu atos tão vergonhosos! As mentiras vis daqueles possuídos por Satã estão corrompendo meu pai…

Shinu mirou a arma na testa franzida de Yeongik, como se ele fosse uma fera selvagem pronta para atacar.

— Não responda a perguntas que não foram feitas.

Yeongik sorriu maliciosamente e olhou para Shinu. Ele pressionou a testa contra a arma.

— … Você consegue atirar? Já matou alguém antes?

Bang!

Shinu puxou o gatilho imediatamente. Houve o som agudo de uma bala se alojando, seguido pelo respingo de sangue. Ao contrário das expectativas, o sangue jorrou de…

— Ahhhhh!

— Pai!

Da coxa do Pastor Sung. Yeongik abraçou o Pastor Sung com um rosto que parecia prestes a desmaiar. Ele pressionou a coxa do Pastor Sung com sua mão ferida para estancar o sangramento. Realmente, era uma piedade filial notável.

— Eu matei tantas pessoas quanto você, então não precisa se preocupar.

Shinu respondeu com uma voz plana. Yeongik encarou Shinu com as veias saltando nos olhos. Shinu retribuiu o olhar com indiferença enquanto acariciava suavemente a coxa de Han Taebaek.

— Han Taebaek, você poderia verificar se há algo para beber?

Shinu olhou para Hyemin e seu grupo. O rosto pálido de Hyesung mostrava sinais de fraqueza. Hyein estava sentada sob a mesa com uma placa de identificação que dizia [Pastor Sung Jinhwan], e Hyemin estava de guarda junto à porta.

Shinu suspirou em resignação. A condição de Hyesung era séria, mas eles não podiam sair ainda. Ainda havia perguntas a fazer a Yeongik e ao Pastor Sung.

— Oh, tudo bem, entendi.

Han Taebaek deu um pulo e moveu-se obedientemente como uma criança bem treinada. Shinu o observou com um leve sorriso enquanto ele se afastava. Mesmo em meio a tudo aquilo, ele o achava um tanto cativante.

Shinu ajustou o aperto na arma. Em seguida, examinou as prateleiras cheias de placas de agradecimento. As placas brilhavam como se tivessem sido polidas recentemente.

[Placa de Agradecimento — Prefeito de Yongin], [Placa de Agradecimento — Banco da Coreia, Agência Yongin], [Placa de Agradecimento — Sede de Desenvolvimento de Yongin], [Placa de Agradecimento — Residentes da Cidade de Yongin], [Placa de Agradecimento — Diretor do Orfanato Milagre].

Orfanato Milagre. O olhar de Shinu mudou para uma foto em outra prateleira. Ela retratava o Pastor Sung, parecendo cerca de dez anos mais jovem, com dois adolescentes gêmeos de cada lado. Eram Yeongik e Yeongmin. Uma mulher idosa, presumivelmente a diretora, estava com a mão no ombro de Yeongmin, e um prédio com a placa [Orfanato Milagre] era visível ao fundo.

Shinu voltou sua atenção para Yeongik e o Pastor Sung. O Pastor Sung estava escondido no abraço de Yeongik. Yeongik o segurava com força. O Pastor Sung, que tratava Yeongik mal. Yeongik, que o chamava de pai.

Ele podia adivinhar vagamente o relacionamento deles e também que não era um relacionamento feliz.

Mas isso não era preocupação de Shinu. Se eles eram um pai e filho que não podiam viver um sem o outro, ou um pai e filho que morriam de vontade de devorar um ao outro, ou um pai e filho com um dos lados sendo abusado, isso era assunto deles. O que era certo era que ambos eram pessoas más, tanto que nada mais poderia ser desejado se eles simplesmente morressem nos braços um do outro.

Shinu sentou-se à mesa onde Han Taebaek estivera. Ele observou silenciosamente os dois agarrados um ao outro como se estivessem em uma casa mal-assombrada. Então, em uma voz baixa e calma, ele falou.

— Tenho uma pergunta.

— …

— Vocês têm proximidade com os militares, não têm?

Era uma pergunta inesperada. Não apenas Yeongik e o Pastor Sung, mas até Han Taebaek, que estava pegando garrafas de água no frigobar, ergueu as sobrancelhas. Mas Shinu manteve sua expressão composta. Ele já ouvira o suficiente sobre a igreja de muitos fiéis e não queria saber mais. A igreja estava agora em declínio e não seria mais capaz de capturar e executar pessoas inocentes. Não havia necessidade de investigar mais.

O que Shinu estava curioso era outra coisa.

O Devorador, os militares, Yongin, Gangnam e… a suspeita.

Desde que entrara na cidade de Yongin, Shinu não conseguia se livrar da sensação de ter um espinho cravado em um dos pés. E, passando involuntariamente muito tempo nesta cidade, ele vira e ouvira muitas coisas. Assim, a suspeita transformou-se em evidência e, eventualmente, em convicção.

Agora era o momento de verificar se essa convicção era verdade ou delírio.

Shinu olhou diretamente nos olhos do Pastor Sung e falou suavemente.

— 6 de setembro, avistamento de urso selvagem perto do distrito de Cheoin.

— …

— Não era um urso; deve ter sido um Devorador.

— …

— Naquela época, era um monstro que ainda não havia sido nomeado como Devorador. Mas era um monstro que devorava pessoas, então seria difícil para a mídia revelá-lo abertamente. Além disso, Yongin acabara de ser selecionada como uma cidade de desenvolvimento intensivo e estava construindo muitas instalações culturais, incluindo apartamentos.

— …

— No meio disso, eles provavelmente não queriam criar confusão. Então, decidiram manter silêncio e divulgar relatórios falsos sobre avistamentos de ursos em vez disso.

— …

— Eu acho que essa decisão foi tomada por você e várias figuras-chave na cidade de Yongin… e os militares.

O Pastor Sung não controlava a cidade de Yongin. A destruição de edifícios e postes de utilidade pública bloqueando as estradas estava além do que os membros da igreja, ou civis, poderiam gerenciar. Exigia bombas. Em outras palavras, significava o envolvimento do Estado ou dos militares.

— Tenho mais uma pergunta. Você sabe como o vírus D começou?

— …

O Pastor Sung manteve a boca firmemente fechada. Era um gesto de silêncio. Shinu virou-se para Yeongik. Yeongik também manteve a boca fechada. Apesar de seu rosto ficar cada vez mais pálido devido ao sangramento excessivo, ele permaneceu obstinadamente em silêncio.

Mas Shinu já lidara com indivíduos mais cruéis antes. Ele pressionou o cano da arma na coxa ferida por bala do Pastor Sung. A extremidade da arma enterrou-se entre a carne rasgada.

— Ahhhhh!

O Pastor Sung gritou em agonia.

— Pai!

Yeongik tentou afastar a arma de Shinu, mas foi incapaz de resistir à força de Shinu com apenas uma mão. Seus olhos, injetados de sangue e vermelhos, encararam Shinu. Shinu encontrou seu olhar imperturbável e torceu a arma. O sangue jorrou da ferida.

— Ahhhh!

O Pastor Sung gritou novamente. As veias saltaram em seu pescoço. Então, de repente, seus olhos reviraram e ele desmaiou.

Shinu estalou a língua e coldreou a arma. Ele então perguntou a Yeongik com uma voz doce.

— Agora, deixe-me perguntar novamente. Você sabe como o vírus MB começou? Quem foi o primeiro infectado, aquele que foi chamado de urso?

— Você… Você é um demônio, não é?

Yeongik rangeu os dentes e perguntou. Era uma pergunta ingênua e casual. Shinu ergueu a arma em vez de responder. Yeongik gritou em pânico.

— Foi um soldado! Foi um soldado!

— … Um soldado? Você está dizendo que o primeiro infectado foi um soldado?

As sobrancelhas de Shinu franziram-se profundamente. Ele suspeitava disso. Se a decisão de relatar como um urso envolveu os militares, teria sido uma intervenção precoce.

Quando um cidadão é infectado com um vírus e mostra sinais de propagação, o governo e o centro de controle de doenças seriam normalmente os primeiros a responder, com os militares vindo depois. Mas se os militares intervieram antes deles, significava que os militares estavam envolvidos na origem do vírus.

Yeongik continuou com os lábios trêmulos.

— Um helicóptero caiu na Montanha Hambak, e as forças especiais a bordo eram soldados. Os militares falharam em capturá-los, então eles desceram para áreas civis, e foi assim que o vírus começou a se espalhar.

— …

Os olhos de Shinu moveram-se rapidamente. Cidade de Yongin. Queda de helicóptero. Sim, ele se lembrava de ter visto isso no noticiário. Um helicóptero retornando de uma operação no Afeganistão caiu devido a uma falha no motor. Havia marcas de balas dentro do helicóptero que pareciam estranhas.

Também houve relatos de que os sobreviventes morreram de um vírus desconhecido. Era estranho porque a doença já tinha uma vacina disponível.

Então, o surto inicial do vírus não foi na Coreia? Foi no Afeganistão? Ou em outro país? Ou o vírus Devorador não estava confinado à Coreia?

Shinu organizou as perguntas em sua mente. Então continuou com outra pergunta.

— Então, os militares estavam envolvidos e foram tão longe a ponto de disfarçar Devoradores como ursos. Por que eles falharam em conter o surto inicialmente?

— Os Devoradores eram muito… fortes…

— … Fortes?

O nariz de Shinu enrugou-se em desgosto diante das mentiras sem sentido.

Não fazia sentido. Embora uma propagação nacional de Devoradores pudesse estar além do controle dos militares, deveria ter sido controlável na cidade de Yongin quando tudo começou.

Os soldados coreanos, especialmente as forças especiais, estão entre os melhores do mundo. Suas armas, táticas e capacidades operacionais são superiores.

Portanto, era inconcebível que tivessem falhado em conter o surto inicial de apenas uma cidade…

Shinu, que estivera perdido em pensamentos, de repente parou de respirar.

…Será que não foi uma falha em suprimir o surto inicial, ou será que a supressão nunca foi tentada?

E se os militares tivessem feito vista grossa para a propagação do vírus? E se eles tivessem até encorajado sua transmissão?

Fazia sentido; no momento em que a praga se espalhou em Seul, a internet foi cortada. Primeiro, as redes sociais e os sites de vídeo foram bloqueados e, em seguida, os artigos de notícias foram controlados. O noticiário apenas relatava uma vida diária pacífica, e nada sobre a praga era conhecido.

Isso faz sentido? O governo controlou isso? Por que o governo faria isso? Para acalmar a confusão do público? Não, se fosse esse o caso… não havia benefício para o governo em esconder a existência da praga que havia chegado a Gangnam.

Pensando bem, ele não via o presidente desde o surto do vírus. Toda a informação viera do Ministério da Defesa Nacional, e todas as decisões eram tomadas pelo Ministério da Defesa Nacional.

Poderia ser… um golpe de Estado real?

O vírus surgira. Este vírus era completamente diferente de qualquer vírus que os humanos já tivessem encontrado antes. Pessoas estavam comendo outras pessoas e se transformando em monstros. A solução não era tratamento ou vacina, mas armas e facas.

Em outras palavras, significava que apenas os soldados, apenas os militares, poderiam controlar este vírus.

Shinu, baixando a cabeça, esfregou os olhos com as costas da mão. Ele precisava reorganizar seus pensamentos.

Enquanto mordia o lábio inferior, tentando organizar os pensamentos complexos em sua cabeça, Yeongik mudou o peso do corpo desconfortavelmente, olhando para Shinu. Havia uma pistola em seu bolso de trás. Era a mesma pistola que ele tirara de Shinu quando o confinou na vila folclórica.

Yeongik olhou para o outro grupo além de Shinu. Han Taebaek estava entregando água às mulheres e verificando como elas estavam. Ele parecia desinteressado neste lado.

Yeongik retirou a mão da coxa do Pastor Sung, que estava usando para estancar o sangramento, e moveu-a silenciosamente em direção ao bolso de trás. Embora a estátua de Jesus enrolada em sua frente fosse um tanto obstrutiva, ele eventualmente conseguiu tocar o cabo da pistola com o dedo indicador. Um sorriso seco de vitória surgiu nos lábios de Yeongik.

— Se você puxar essa arma, eu matarei o Pastor Sung.

Shinu falou com a cabeça ainda baixa.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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