Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 75 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 75

— Hyung, se acalme.

Shinu tentou suprimir seu corpo trêmulo.

— O que nós fazemos… O que nós fazemos…

Hyein, aterrorizada, falou fracamente como se fosse desmaiar a qualquer momento. Tanto Taebaek quanto Shinu olharam nervosamente para o homem de óculos sentado longe.

Agora, ele precisava mudar. Não havia tempo. Eles tinham que atrair a atenção, e rápido.

Naquele momento, o Pastor Sung removeu com força o pano vermelho que cobria o Devorador mais próximo. O mártir foi totalmente revelado.

— Graaaagh!

O primeiro Devorador era um homem jovem. Sua boca rasgada escancarava os dentes em direção à congregação que gritava. Suas ações eram predatórias, mas os fiéis gritavam ansiosamente — Amém — como se estivessem em glória. Um homem com barba parado no canto do pódio recuou horrorizado.

Um grande pedaço de papel com uma cruz desenhada estava pendurado no pescoço do Devorador. Conforme o Devorador se movia, um sino tilintava. Suas roupas, no entanto, eram comuns — um moletom com o logotipo de uma marca esportiva famosa. Eles provavelmente não tiveram tempo de trocar suas roupas antes dele ser devorado.

Os braços e o peito do Devorador estavam amarrados com correntes douradas, embora não fossem de ouro real, mas provavelmente correntes comuns pintadas com spray dourado. Era uma tentativa medíocre de decepção.

Um de seus braços estava faltando, provavelmente comido, e sua barriga estava grotescamente inchada, tão grande quanto o monte Namsan. Era um milagre que não tivesse estourado com o ingurgitamento. Parecia que o glutão havia consumido muitas oferendas como um mártir nesta igreja perturbada.

Se perdessem mais tempo, Hyesung certamente acabaria naquela barriga também. Shinu rangeu os dentes com força.

O Pastor Sung então revelou os panos vermelhos que cobriam os outros Devoradores. Os panos flutuaram no ar como uma onda sangrenta. Todos os doze mártires estavam agora totalmente expostos.

Segurando o pano vermelho, o Pastor Sung gritou a plenos pulmões.

— Maldito! Filho de Satã! Afaste-se de mim e entre no fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos!

— Amém!

— Sede sóbrios e vigiai!

— Amém!

— O diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Resisti-lhe firmes na fé!

— Amém!

— Sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo!

— Amém!

Os Devoradores ficaram excitados e começaram a se debater a cada grito da congregação. O barulho servia apenas como um estimulante para eles. O apetite deles aumentou conforme as endorfinas percorriam seus corpos, com seus dentes projetando-se ainda mais. Suas mandíbulas se esticaram para trás como as de crocodilos, expondo o interior de suas bocas escancaradas em uma exibição pavorosa.

No meio de seu sermão apaixonado, o Pastor Sung subitamente ficou em silêncio. Ao mesmo tempo, a congregação parou. Em um instante, todo o salão foi preenchido pelo silêncio, como se o som do mundo tivesse evaporado. A única coisa audível era a respiração pesada dos Devoradores.

Yeongik aproximou-se do Pastor Sung e cobriu seu rosto com um pano preto. Era igual aos usados pela congregação, mas grande o suficiente para cobri-lo até os pés. Os homens que seguravam as correntes dos glutões também colocaram seus próprios panos.

Naquele momento, Shinu percebeu por que a congregação usava os panos pretos.

Era para evitar parecerem humanos. Assim, os Devoradores poderiam se concentrar apenas em suas oferendas, sem serem distraídos pela visão deles. Isso permitia que testemunhassem o assassinato de forma mais pacífica e segura.

Shinu soltou um suspiro silencioso.

Eles eram todos loucos. Essas pessoas não eram humanas. Eles temiam e se protegiam contra Satã, mas já haviam aberto bem os braços para recebê-lo.

Parado ali naquele pódio horrível, neste inferno nascido da humanidade, onde Deus estava ausente e os demônios prosperavam, Shinu não conseguia nem começar a imaginar quantas vidas haviam sido tiradas.

Enquanto ele fechava os olhos com força contra o desespero, um som abafado e fora de lugar ecoou no salão. Em um espaço preenchido apenas por ruídos planejados, aquela era uma interrupção inesperada.

Todos os olhos naturalmente se voltaram naquela direção.

Lá estava um membro da congregação — ou melhor, o homem de óculos — que havia se levantado abruptamente. Ele se levantou com tanta força que toda a fileira de bancos tremeu.

A figura de óculos estava com a cabeça erguida, mas ela lentamente se inclinou para trás. Então, com um som de rasgo, sangue vermelho escuro escorreu debaixo de seu pano preto, pingando lentamente como sorvete derretido.

Sua cabeça inclinou-se mais e mais para trás e, conforme o pano que cobria seu rosto escorregava, revelando sua transformação monstruosa, as pessoas arfaram coletivamente.

Sua cabeça havia girado tanto que seu nariz apontava para trás, e sua boca, grande o suficiente para engolir uma bola de basquete, abriu-se amplamente. Dezenas de dentes afiados saltaram para fora, suas mandíbulas cerrando e abrindo repetidamente, como se estivesse ansioso para morder.

A figura de óculos havia se tornado totalmente um Devorador.

Ele examinou os arredores e, de repente, mordeu a cabeça da pessoa ao seu lado. Não porque reconheceu a pessoa como humana — o pano preto obscurecia sua identidade — mas porque estava no meio de um frenesi de mordidas. Como a senhora idosa que Shinu encontrara na casa de Taebaek, que havia roído os móveis, o Devorador simplesmente mastigava o que estava à sua frente. O infeliz fiel apenas estivera no lugar errado.

A boca grande do Devorador engoliu a cabeça coberta pelo pano preto inteiramente e, logo, o som nauseante de ossos quebrando e músculos rasgando preencheu o ar. A pele rasgou, o sangue espirrou e a mandíbula inferior, deixada pendurada para fora da boca do Devorador, era uma visão horrível.

O Devorador mordeu e mastigou furiosamente e, com um estalo doentio, decepou a mandíbula restante em uma mordida. Junto com o som de trituração, a espinha conectada às vértebras do pescoço se soltou e ficou pendurada.

— Argh!

— Aaah!

Gritos eclodiram um momento tarde demais. Os fiéis, que estavam em silêncio absoluto, pularam de seus assentos e fugiram. O Devorador de óculos, agora totalmente excitado, começou a morder a sério, mastigando, rasgando e devorando qualquer coisa em seu caminho. O sangue jorrava como uma fonte no ar.

O caos consumiu o salão em um instante. A onda de pânico espalhou-se do glutão de óculos para o resto da congregação. Bancos tombaram, pessoas tropeçaram e caíram umas sobre as outras. Logo, a onda de confusão atingiu Taebaek, Shinu e seu grupo.

Naquele momento, o pastor, parado atônito no pódio, gritou alto.

— Parem! Este é um mártir enviado por Deus! Não fujam!

Era um absurdo. Mesmo os crentes mais devotos perceberam isso, não prestando atenção enquanto corriam por suas vidas. No entanto, no caos, alguns ainda se ajoelhavam e rezavam em direção ao Devorador de óculos — não para que suas vidas fossem poupadas, mas em temor e adoração.

Era uma desordem total.

— Parem agora mesmo! Todos os que fugirem cairão no inferno! Vocês defenderão esta cidade com suas vidas!

A voz furiosa do padre ecoou pelo microfone, acompanhada pelo som de seus pés batendo no chão. Yeongik, que estava por perto, mexeu no rifle pendurado em seu ombro, mas não conseguia se decidir a mirar. Afinal, nesta igreja, o Devorador era reverenciado como outro deus. Matá-lo sumariamente causaria problemas mais tarde.

Na confusão crescente, incapazes de agir decisivamente, Shinu, Taebaek, Hyein e Hyemin levantaram-se de seus assentos e começaram a se mover como planejado.

Shinu, Taebaek e Hyemin correram em direção a Hyesung, enquanto Hyein, carregando uma bolsa grande, correu corajosamente para trás sozinha. Ela esquivou-se habilmente pelas multidões de fiéis emaranhados com sua estrutura pequena.

No entanto, não foi fácil para Shinu, Taebaek e Hyemin avançarem. Os fiéis, aterrorizados, corriam em direção à porta nos fundos, fazendo com que seus corpos fossem empurrados para trás como se estivessem tentando nadar contra a maré.

Taebaek jogou de lado irritado o pano que obscurecia sua visão e empurrou os fiéis com força usando sua estrutura e tamanho. Os fiéis caíam com gritos de — Uou…! — enquanto os bancos tombavam como dominós. Aqueles presos entre os bancos gemiam de dor.

Shinu agarrou a mão de Hyemin e subiu nos bancos tombados, e Taebaek o seguiu de perto.

Os três escalaram os bancos como se fossem escadas, pisando firmemente. Os fiéis esmagados gritavam em agonia, mas os três não lhes deram atenção. Afinal, eles haviam trazido isso sobre si mesmos.

De repente, um fiel agarrou o tornozelo de Hyemin, gritando por socorro, alegando que estava com dor. Era a mesma pessoa que havia sido mordida pelo de óculos, com o ombro horrivelmente dilacerado, com ossos e músculos expostos.

Hyemin arquejou em choque e cambaleou. Shinu rapidamente a puxou para perto de si, envolvendo a cintura dela com um braço, e pisou com sua bota no ombro rasgado do fiel ferido.

— Aaaahhh!

O fiel gritou e soltou o tornozelo de Hyemin. Shinu a posicionou na frente dele e seguiu logo atrás. Os fiéis presos sob os bancos estendiam os braços, agitando-se. Parecia caminhar sobre pedras em um poço ardente do inferno.

Depois de passar por cima de dezenas de bancos, os três finalmente alcançaram a plataforma.

Taebaek foi o primeiro a pular do banco. Ao olhar para a plataforma, seus olhos encontraram os de Yeongik.

— …

— …

No meio dos gritos, clamores e ressentimentos que enchiam a igreja, houve uma breve ilusão de silêncio. Reconhecendo o cabelo loiro de Taebaek, os olhos de Yeongik se arregalaram em surpresa, enquanto Taebaek franziu a testa em fúria.

— Seu bastardo…

O filho da puta que atropelou o nosso Shinu hyung com um carro.

O desgraçado que machucou o nosso Shinu hyung.

Como um demônio, Taebaek atirou-se contra Yeongik. Ele avançou tão rápido e ferozmente que Yeongik instintivamente puxou o gatilho sem pensar.

Bang!

O tiro ecoou, reverberando por toda a igreja. O som foi tão alto que abafou os gritos das pessoas. Até o de óculos, ocupado alimentando-se dos fiéis, ergueu a cabeça e virou-se para a fonte do barulho.

— …

Taebaek congelou, com a respiração presa na garganta.

— Taebaek!

Shinu, que acabara de alcançar a base da plataforma, gritou com o rosto pálido como a morte.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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