Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 74 Online

↫─Capítulo 74
Para Shinu e Han Taebaek , era uma visão bizarra e ridícula. Um pastor, e não um cantor ídolo, subindo de baixo em um elevador. Mas os fiéis estavam maravilhados, como se um deus tivesse descido à terra.
Parecia que todos eles estavam… completamente loucos.
Bem, é por isso que rezavam enquanto alimentavam os Devoradores com inocentes.
Ao imaginar aquela cena, Shinu franziu a testa ligeiramente. O Pastor Sung estendeu a mão no ar com um gesto que lembrava estranhamente a saudação de Hitler. Era tão semelhante que se poderia pensar que fora propositalmente imitada. Só de olhar, ele sentia nojo.
Com um aceno da mão do Pastor Sung, o salão silenciou. A congregação, que estava se debatendo como peixes fora d’água, sentou-se novamente. Isso permitiu que Shinu e Han Taebaek tivessem uma visão mais clara do pastor.
O Pastor Sung estava vestido como um papa. Ele usava uma túnica branca adornada com bordados dourados e, talvez, com joias costuradas, já que brilhava toda vez que a luz o atingia.
— Parece que ele vai se casar hoje.
— Belo vestido — sussurrou Han Taebaek para Shinu. O comentário foi tão inesperado que Shinu quase explodiu em uma gargalhada. Ele rapidamente limpou a garganta e voltou a se concentrar na frente.
O pastor realmente parecia um deus. Ou, pelo menos, ele desempenhava o papel de forma convincente. A maneira como ele se posicionava, banhado pela luz, enquanto todos os outros usavam véus pretos; sua voz ecoando como trovão graças a um microfone escondido em suas roupas; a luz forte projetando sombras nítidas em suas feições e seu rosto imóvel e inexpressivo — tudo nele gritava uma performance ensaiada.
O pastor parecia muito mais velho do que na foto do panfleto da igreja. Mesmo com a luz iluminando seus cabelos brancos, as rugas profundas não podiam ser escondidas. Sua testa estava oleosa, e linhas de expressão profundas e bolsas sob os olhos projetavam sombras pesadas.
Mas seus olhos… Seus olhos eram brilhantes como os de recém-nascidos. Estavam cheios de ganância, desejo e teimosia. Era um tipo de calafrio diferente do olhar turvo do Devorador.
Shinu já vira aqueles olhos inúmeras vezes antes. O líder de um grupo terrorista que massacrou civis tinha aqueles olhos. Um congressista que não apenas desviou fundos públicos, mas também vazou segredos de estado tinha aqueles olhos. Um louco que fez dezenas de reféns sem motivo e lutou com a polícia tinha aqueles olhos. Um assassino em série que matou pessoas grotescamente tinha aqueles olhos.
A maioria das pessoas pode pensar que “olhos de louco” ou “olhos desequilibrados” são opacos, drogados ou encharcados de álcool, mas isso não é verdade.
Essas pessoas têm uma convicção firme e, toda vez que alcançam seus objetivos, constroem sua própria utopia dentro de si mesmas. Elas estão sempre ocupadas, movendo-se rapidamente, com um plano claro para o próximo passo que ninguém mais consegue entender.
É por isso que seus olhos brilham como crianças perdidas em um sonho.
Enquanto o Pastor Sung examinava a congregação, ele gritou de repente.
— Ah!
A congregação, com as mãos entrelaçadas, ecoou de volta.
— Ah!
O som era ensurdecedor, tão alto que fazia os tímpanos zumbirem. Aquele lugar não era mais uma igreja; era o salão de concertos de um cantor solo.
— Hoje, nos reunimos aqui para adorar a Deus, confessar nossos pecados e receber o perdão através do martírio! Quão incrível e maravilhoso é este privilégio!
— Amém!
Parecia que o culto estava prestes a começar para valer. Shinu olhava fixamente para o pastor quando Han Taebaek subitamente rangeu os dentes e agarrou sua coxa com força.
— À esquerda, é Park Yeongik.
Com isso, Shinu examinou urgentemente a área ao redor do pastor. A luz do pastor era tão brilhante que fora difícil enxergar, mas agora ele avistou Yeongik, encolhido em um manto vermelho nas sombras atrás da plataforma.
À direita de Yeongik estavam seis homens corpulentos alinhados em fila. A maioria eram rostos familiares — os capangas que haviam saído da van mais cedo. Alguns estavam ausentes, possivelmente mortos ou gravemente feridos no tiroteio com Shinu.
Eles eram mais do que apenas lacaios da igreja se tinham a confiança de guardar o Pastor Sung. Shinu soltou uma risada oca. Han Taebaek olhou para Yeongik como se quisesse matá-lo.
— Deus nos concede graça abundante.
— Amém!
— Hoje será outro dia glorioso.
— Amém!
O pastor continuou a falar sem parar, mas, se você ouvisse de perto, tudo soava praticamente igual.
Shinu continuava olhando para as costas do homem de óculos de aro de chifre. Mesmo daquela distância, ele conseguia ver o corpo do homem tremendo. Sua cabeça balançava de um lado para o outro esporadicamente. Os fiéis sentados por perto continuavam virando a cabeça em direção a ele e depois voltando para a frente, repetindo o movimento.
Parecia que ele estava perto de estar totalmente infectado. Shinu lambeu os lábios secos, preparando-se para agir quando chegasse a hora.
Então, de repente, o Pastor Sung caminhou até a beira da plataforma. Os fiéis explodiram em vivas. O pastor estendeu o braço na saudação estilo Hitler novamente, e a sala silenciou instantaneamente.
— Hoje, eu, Sung Jinhwan, me encontrei com Deus.
— Amém!
— Amém!
— …Ele não é alguém que você pode simplesmente encontrar porque quer — debochou Han Taebaek . Shinu ainda olhava fixamente para o pastor. A atmosfera parecia estranha. Especificamente, os movimentos de Yeongik. Ele de repente desceu apressadamente da plataforma e desapareceu em algum lugar. Então, outra figura emergiu da escuridão.
Enquanto Shinu estreitava os olhos, o pastor gesticulou atrás de si.
— Aqui está outro fiel que Deus nos enviou.
— Amém!
Uma figura saiu da escuridão. Quando Shinu e Han Taebaek viram o rosto, ambos se inclinaram para frente.
— …Barba?
Shinu murmurou surpreso. Era o cara barbudo, aquele de quem haviam se separado cedo naquela manhã. Aquele que teve o nariz quebrado por Han Taebaek após arrumar briga com Shinu. Uma gaze grossa estava colada sobre seu nariz.
Han Taebaek riu baixo. Já era surpreendente o suficiente que ele estivesse vivo, mas pensar que ele se juntara à igreja… Não era um bom sinal. Afinal, ele sabia que eles estavam procurando por um sacrifício.
— Este fiel nos trouxe uma mensagem de Deus.
— O que é, Pastor!
— O que Deus nos disse?
— Que glória Ele concederá a esta cidade abençoada?
O Pastor Sung chamou o barbudo. Barba aproximou-se hesitante. Ele estava vestido com uma túnica branca impecável, que contrastava terrivelmente com sua barba desalinhada e seu rosto contorcido.
O pastor fez cena de estar ouvindo atentamente o barbudo, mas o barbudo não moveu os lábios em momento algum. Apesar disso, o pastor arquejou e contorceu o corpo, como se estivesse possuído pelo Espírito Santo.
Possuído por Deus? Que conceito contraditório!
O Pastor Sung, que estivera tremendo e balançando de um lado para o outro, de repente ficou ereto como uma árvore. Então, ergueu os braços em direção ao céu. Seus olhos brilharam enquanto ele gritava, como se estivesse proferindo um grande discurso.
— Hoje! Se realizarmos a “Oração Sagrada”, receberemos o dobro das bênçãos!
— Uau!
— Amém, Amém!
A congregação de repente ficou animada. Eles bateram os pés, choraram e gritaram como almas penadas. O clamor era esmagador. O calor da empolgação deles fazia parecer que a temperatura no recinto havia subido.
Shinu e Han Taebaek , sem saber o que era a “Oração Sagrada”, examinaram rapidamente a situação para entender o que estava acontecendo.
O Pastor Sung girou, sua túnica branca flutuando graciosamente, hipnotizando a multidão ainda mais. A empolgação deles atingiu o auge quando Yeongik e seus homens reapareceram.
Eles trouxeram cerca de doze objetos cobertos com panos vermelhos, exatamente doze, acorrentados uns aos outros como salsichas, tentando avançar contra a congregação que gritava alto.
Mas homens fortes seguravam as correntes por trás, de modo que os objetos só podiam se debater no lugar. Toda vez que se moviam, manchas apareciam no pano vermelho.
— Devem ser os Devoradores — sussurrou Han Taebaek .
— …
Shinu assentiu. Ele estreitou os olhos. Yeongik e seu grupo tinham armas penduradas nos ombros, provavelmente para o caso de os “mártires” causarem problemas.
Mas por que eles trouxeram essas coisas para o palco de repente? Shinu não conseguia entender. O ritual para oferecer sacrifícios deveria ser no domingo. Hoje não era apenas um culto regular? Eles traziam os Glutões toda vez que rezavam? Mas tirá-los apenas para guardá-los de novo não seria uma tarefa pequena, pensou ele, até que…
Yeongik apareceu arrastando uma cruz tão grande quanto um carro. A cruz, de uma cor vermelha bolorenta, tinha rodas presas na base, tornando possível empurrá-la como um carrinho. E naquela cruz…
— Hyesung unnie… é ela. É a nossa irmã…
Hyesung, a irmã de Hyein e Hyemin, estava pendurada nela. Hyein, sentada no banco de trás, murmurou com a voz trêmula.
Os braços de Hyesung estavam amarrados a cada lado da cruz, exatamente como Jesus pregado na cruz. Um pano bordado com uma cruz vermelha cobria sua cabeça. Ao ver sua cabeça balançando de um lado para o outro, parecia que ela não havia perdido a consciência.
Shinu, inconscientemente, quase se levantou do assento.
Devorador. Sacrifício. Pessoas excitadas.
Ah… o Pastor Sung pretende oferecer um sacrifício hoje.
Ele olhou furioso para o cara barbudo parado ao lado do pastor, que ostentava um sorriso sinistro. Isso era obra dele. Aquele bastardo deve ter informado ao Pastor Sung que eles estavam tentando resgatar os reféns. Por isso o pastor parecia determinado a realizar o ritual hoje.
Bastardo louco. Filho da puta. Um desgraçado que deveria ser rasgado em pedaços.
Enquanto Shinu cerrava o punho, Han Taebaek agarrou seu cotovelo e o puxou para baixo.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive