Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 66 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 66

Não podíamos abandonar o carro. Não havia como saber quanto tempo mais levaria para chegar a Mokpo. Muitas variáveis estavam nos atrasando. O plano original era chegar a Mokpo em três dias, mas, dadas as nossas experiências até agora, teríamos sorte se chegássemos lá antes do bombardeio começar.

— …

Taebaek abriu a boca como se fosse dizer algo, mas a fechou em seguida. O carro tinha armas, comida e remédios. Deixar que os outros soubessem que tínhamos tais coisas não nos traria nenhum benefício. Shinu já havia dito antes: no momento em que você mostra que tem algo valioso, você se torna um alvo. Aqueles sentados à nossa frente, com seus rostos amigáveis, poderiam se transformar em demônios piores que os membros do culto em um instante.

— Ah… Isso é difícil…

Taebaek encostou a testa no ombro de Shinu, massageando sutilmente a coxa dele enquanto o fazia. Os músculos firmes sob sua mão não eram grossos demais, cabendo perfeitamente em seu aperto. Taebaek maravilhava-se com o fato de o corpo de Shinu combinar com seu rosto bonito.

Enquanto os dois continuavam suas deliberações inúteis, o homem barrigudo que havia voltado para a imobiliária retornou, remexendo no local antes de colocar um copo de papel cheio de um líquido marrom na frente de cada um de nós.

— Hoje em dia, café de cafeteria dissolve bem em água fria.

O homem barrigudo sorriu. Na casa dos 50 anos, sua característica marcante era a barriga, que se projetava como uma pequena colina. Apesar disso, ele não era desagradável de se olhar — era descontraído e tinha a aura de um homem de espírito jovem. Parecia um professor universitário popular entre os alunos, acessível e cordial.

Taebaek rapidamente levou o copo aos lábios, soltando um pequeno — oh. — O café frio, doce e ligeiramente amargo enviou um calafrio pela sua espinha. Cafeína. Açúcar. Indispensáveis na sociedade moderna, e ele estava há tempo demais sem isso.

Taebaek saboreou o café com felicidade genuína. Shinu, após tomar alguns goles do seu próprio, entregou-o a Taebaek, que o aceitou sem hesitação e bebeu. Shinu sorriu satisfeito, chegando a acariciar o cabelo de Taebaek.

Todos os outros estavam aproveitando o café, mas a expressão de Hyemin estava sombria. Ela cerrava e abria os punhos, lambia os lábios secos e pressionava as unhas contra os dedos.

Shinu observou-a sutilmente. Havia claramente algo errado, mas ela não dizia nada. Hyein, sentada ao lado dela, observava-a com uma expressão preocupada, mas também não dizia nada.

Shinu não as pressionou. Se elas queriam manter algo escondido, ele deixaria. Desde que não representasse uma ameaça para ele e Taebaek, não era problema seu.

Quando todos terminaram o café, Shinu pegou o mapa e se levantou.

— Vamos. Precisamos nos mover rápido.

Naquele momento, Hyemin levantou-se subitamente, atraindo a atenção de todos. Ela hesitou, com o lábio inferior tremendo enquanto falava.

— Uh…

— …

— Nós… Nós vamos seguir caminhos separados a partir daqui.

Os olhos de Shinu se estreitaram diante de suas palavras, enquanto os de Taebaek se arregalaram de surpresa. A declaração repentina encheu a imobiliária com um silêncio pesado.

A garganta de Shinu moveu-se lentamente enquanto ele engolia em seco. A decisão de Hyemin de seguir sozinha não era sábia. Seria muito mais perigoso, e ela enfrentaria inúmeras ameaças. Hyemin provavelmente estava ciente disso também.

No entanto, se ela insistia em se separar, devia haver um motivo. Talvez ela tivesse assuntos pendentes na cidade ou, como nós, tivesse um veículo escondido em algum lugar cheio de suprimentos de sobrevivência. De qualquer forma, não havia necessidade de tentar impedi-la. Ela não ouviria mesmo se tentássemos.

— …Tudo bem, então. Como desejar.

Shinu assentiu.

— Hyung.

Taebaek segurou o cotovelo dele, mas soltou rapidamente, lembrando-se de que estava ferido. — O que está acontecendo? — perguntou ele com os olhos. Shinu balançou a cabeça. Taebaek franziu a testa, sem conseguir entender, enquanto o homem barrigudo se aproximava de Hyein.

— Não, não, vocês não podem simplesmente ir embora assim. Por quê? Por que querem ir sozinhas? É perigoso. Fiquem conosco.

— Exato. Quanto mais pessoas, melhor em uma situação como esta.

O estudante do ensino médio interveio.

— Será difícil sair daqui sem um carro. Vocês podem dar de cara com o pessoal da igreja.

Taebaek também tentou persuadi-las, mas Hyein e Hyemin permaneceram em silêncio, com os rostos corados por uma mistura de raiva e frustração.

Shinu esperou por um momento, percebendo que a razão pela qual elas queriam ir sozinhas não era porque tinham algo valioso escondido para guardar apenas para si.

Então, Hyein falou, com os olhos ardendo.

— Nossa irmã foi capturada por aqueles bastardos.

— Hyein!

Hyemin tapou urgentemente a boca de Hyein com a mão, mas Hyein a afastou, lutando para se libertar.

— Me solta! Não conseguimos salvá-la sozinhas!

Taebaek deu um passo em direção a elas.

— Conte-me mais. Sua irmã…?

— Somos três irmãs. Eu sou a caçula, Hyemin-unnie é a mais velha e temos uma irmã do meio também. Ontem — não, dois dias atrás, aqueles membros do culto a capturaram para usá-la como sacrifício.

— …

— Temos que resgatá-la… Ontem, eu perguntei àqueles bastardos e eles disseram que ela ainda está viva. Eles planejam sacrificá-la no domingo, amanhã. Temos um dia restante. Vamos fazer tudo o que pudermos para salvá-la hoje. Se não conseguirmos, vamos queimar aquela igreja onde aqueles bastardos estão.

Hyein falou com uma voz cheia de veneno, os olhos injetados de sangue e o rosto vermelho de raiva.

— Por que não nos contou antes? — Shinu perguntou em voz baixa. Hyemin baixou o olhar e murmurou.

— É assunto nosso. É uma tragédia para nós, mas é um fardo e um incômodo para os outros. Especialmente em um mundo como este. Eu não queria me impor a vocês.

— …

— Por favor, finjam que não ouviram nada. Não deixem que isso pese em suas consciências. Obrigada por tudo até agora.

Hyemin fez uma reverência profunda. Então, arrastando a relutante Hyein com ela, saiu da imobiliária. Os olhos de Shinu estremeceram enquanto se moviam rapidamente de um lado para o outro. Taebaek, percebendo isso, pegou calmamente a mão dele.

— Não podemos ir com elas?

— …Taebaek-ah.

— Aquele bastardo do Park Yeongik deve estar lá também. Eu quero muito matar aquele filho da puta. Não vou conseguir dormir se deixarmos isso passar.

Perto de Shinu, Taebaek acariciou suavemente o flanco dele, onde o hematoma escuro do acidente de carro provavelmente ainda permanecia. O pensamento do que Shinu havia suportado — ser arremessado no ar, atingir o chão, contorcer-se de dor — fazia sua cabeça parecer que ia explodir.

Ele se lembrava de Shinu voando pelo ar após ser atingido por um carro. Lembrava-se dele caído no chão, gemendo de dor, o rosto contorcido em agonia.

Ele queria fazer Yeongik pagar. Estava tão desesperado que sentia vontade de se tornar um Devorador e mastigá-lo, despedaçá-lo.

— …

Os lábios de Shinu se apertaram em uma linha fina. Ele também se lembrava vividamente da cena de Taebaek sendo espancado por aqueles homens corpulentos. Pés sujos pisoteando-o, batendo nele, esmagando-o… E ele, seu suposto guarda-costas, apenas ficou parado olhando como um idiota.

Se tivesse a chance, ele quebraria de bom grado os ossos, costelas e narizes deles.

Enquanto a raiva surgia dentro dele, Shinu pressionou os lábios com força. Taebaek articulou as palavras: — Vamos juntos.

Shinu suspirou pelo nariz. Seria perigoso. O pessoal da igreja era uma força fortalecida pela religião, pelo medo e pela lavagem cerebral, capaz de cometer atrocidades indescritíveis.

Mas, se pudéssemos derrotá-los, poderíamos ganhar muito. Os líderes da igreja provavelmente sabiam como sair desta cidade. Quando os mísseis caíssem, todos morreriam, a menos que tivessem uma rota de fuga preparada. Além disso, como Jungmun disse, — os figurões guardam todas as coisas boas para si mesmos, — então poderíamos encontrar comida e outros suprimentos.

Shinu esfregou o rosto com as mãos. Então, olhando para o homem barrigudo e para o estudante, falou calmamente.

— Vamos ajudar Hyemin e Hyein a resgatar a família delas. Vocês podem seguir em frente. Podem levar a van.

O homem barrigudo e o estudante piscaram rapidamente diante de suas palavras. Shinu pegou a mão de Taebaek e saiu rapidamente da imobiliária, não querendo sobrecarregar os outros com culpa. Ele não queria arrastar pessoas alheias para o perigo.

Hyemin, que havia guardado tudo para si, provavelmente sentia o mesmo.

Assim que Taebaek e Shinu saíram, o homem barrigudo veio correndo atrás deles, ofegante.

— Eu vou com vocês. Posso não ser de muita ajuda, mas… sou forte o suficiente para carregar coisas.

Ele riu, batendo na própria barriga.

— Será perigoso — Shinu disse severamente.

— Claro que será perigoso. Mas ir para Mokpo não é tão perigoso quanto? Seja uma ou duas vezes, perigo é perigo.

— …

— Aquelas meninas parecem minhas filhas. Se elas ainda estivessem vivas, teriam mais ou menos a idade delas…

O homem barrigudo sorriu calorosamente para Hyein e Hyemin. — Se ao menos tivessem sobrevivido. — Estava claro que ele também tinha razões que não podia compartilhar. Quando Shinu assentiu, concordando em irem juntos, o estudante do ensino médio parou ao lado do homem barrigudo. Seus olhos estavam cheios de uma raiva intensa.

— Eu também. Eu também quero ir. Você disse que colocaria fogo na igreja se necessário. Eu quero muito fazer isso. Meu pai… meu pai foi executado. Ele era originalmente um membro da igreja, mas depois de ouvir a transmissão do desastre, planejou ir para Mokpo comigo. Mas ele foi pego…

O estudante cerrou os punhos com força. Hyemin, sem saber o que fazer, tentou dissuadi-los.

— Por favor, pensem bem. Algo ruim pode acontecer. Se minha irmã tivesse… morrido, eu também não teria ido. Preciso salvar pelo menos minha irmã caçula. Seu falecido pai, sua filha — eles não gostariam que vocês se jogassem em algo perigoso.

Apesar de sua persuasão fervorosa, nem o homem barrigudo nem o estudante recuaram. Uma atmosfera estranha pairava enquanto trocavam olhares, construindo um laço silencioso que as palavras não podiam expressar.

Justo então,

— Ei! Quando é que vamos embora? Não vamos partir?

O homem barbudo inclinou-se para fora da janela da van, esmurrando a porta enquanto gritava.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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