Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 58 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 58

— …O quê?

— Você não quer matar essas pessoas?

— Bem, sim, mas…

A mulher hesitou em pegar o castiçal. Parecia lastimável que ela estivesse hesitando por causa de apenas um castiçal, quando não era uma faca ou uma arma. Shinu falou com uma voz plana, sem emoção, de forma firme e fria.

— Se você quiser matá-los, você pode. Eles vieram aqui porque queriam fazer o mesmo com você.

— …

— Não há polícia ou juiz neste país agora. Não há ninguém para manter a justiça ou corrigi-la. Então você é livre para administrar o julgamento por si mesma.

— …

— O que quer que você faça, nós ficaremos parados apenas observando.

Han Taebaek , que ouvira em silêncio, assentiu em concordância. Apesar disso, a mulher hesitou. A ideia de cometer um assassinato, mesmo que a vítima fosse uma pessoa ruim, era perturbadora. Assassinato era um crime grave e difícil de justificar, não importavam as circunstâncias.

Shinu estava prestes a sugerir que ela poderia batê-los o quanto quisesse. No entanto, uma mulher um pouco menor ao fundo pegou o castiçal. Ela aparentava ter entre vinte e poucos anos.

— Irmã. Eu realmente quero matar esses bastardos.

— Hye-in…

— Se você não quiser, apenas assista. Eu farei isso.

— Mas ainda assim—

— Irmã. Nós também somos mulheres. Nós podemos matar pessoas. Nós nos contivemos porque fomos racionais. Mas com um mundo assim, ainda devemos nos conter? Eu não quero.

Hye-in, falando de forma ríspida, caminhou em direção aos homens deitados no chão com o castiçal. Shinu falou com ela por trás.

— Evite o pescoço, o esterno e a parte do peito onde ficam os pulmões. O sangue pode bloquear as vias aéreas e causar a morte rapidamente.

— …Obrigada.

Hye-in parou na frente dos homens. Naquele momento, a mulher alta, que estivera inquieta, virou as costas para segui-la. Shinu a impediu.

— Espere um momento…

— Sim?

— Podemos levar aquela pessoa conosco? Temos algumas perguntas para ele.

Shinu apontou para o homem frágil que havia desabado no canto. Ele era o mais sortudo, que fora nocauteado por Han Taebaek e, assim, evitou a punição de Shinu.

…Ou talvez ele fosse o azarado.

***

O nome do homem frágil era Jeong-mun. Água fria foi despejada sobre seu rosto enquanto ele recuperava a consciência. Tinha um cheiro úmido e de peixe, como a água do lago. Entrou em seu nariz e ele ofegou ao abrir os olhos.

Estava escuro à sua frente. A brisa fresca da noite de outono roçava suas orelhas, e o som dos insetos noturnos era audível. Ele sentiu uma dor tremenda na nuca, tão severa que nem conseguia gritar. Ele nunca sentira tal dor antes.

Enquanto Jeong-mun se contorcia em agonia, ele finalmente sentiu a presença de outros. Duas figuras escuras surgiram diante dele. Pareciam ser homens, um com cabelo amarelo brilhante. Não, loiro platinado. Mesmo no escuro, sua presença era distinta.

O homem loiro ligou uma lanterna e a apontou para o teto. O quarto ficou muito mais iluminado. Os rostos dos dois homens desconhecidos foram revelados, e Jeong-mun pôde ver onde estava. Ele estava em uma sala de moinho, com uma pedra de moinho usada para moer bolos de arroz.

Jeong-mun olhou em volta com uma expressão de tontura. Ele então percebeu que seu corpo estava amarrado. Uma camisa xadrez, que não era sua, fora rasgada ao meio e usada para prender seus pulsos e tornozelos.

Jeong-mun não conseguia entender o que estava acontecendo. Sua última lembrança era um borrão. Enquanto olhava para os homens desconhecidos, um deles, vestido de terno, arrastou Jeong-mun. Ele colocou as pernas de Jeong-mun sob a pedra do moinho. O homem loiro parou em uma das extremidades da pedra e a levantou.

Jeong-mun inclinou a cabeça em confusão. Naquele momento, o homem de terno gesticulou para o loiro. O homem loiro removeu o pé da pedra do moinho. A pedra pesada caiu com estrondo, esmagando a canela de Jeong-mun.

— Uaaaargh!

Jeong-mun gritou em agonia.

Em menos de dez minutos, os membros de Jeong-mun estavam todos quebrados. Ele mal conseguia se sentar e teve que se deitar no chão. Shinu, que o observava com indiferença, voltou seu olhar para Han Taebaek .

— Han Taebaek , você pode sair se quiser.

— …Eu estou bem.

Han Taebaek balançou a cabeça. Shinu olhou para ele com preocupação. Era provável que muitas outras cenas brutais se desenrolassem. O pensamento de Han Taebaek testemunhando tudo o deixava inquieto. Ele não queria mostrar tamanha violência entre as pessoas.

No entanto, Shinu não insistiu em persuadi-lo. Não se sabia se tais coisas não aconteceriam novamente até chegarem a Mokpo. Talvez fosse melhor para Han Taebaek se adaptar ao sangue e à violência.

Shinu sentou-se na pedra do moinho e olhou para baixo, para Jeong-mun. Jeong-mun olhou para Shinu com olhos aterrorizados. Shinu falou em um tom plano, mas gentil.

— Por favor, apresente-se.

— O quê? O quê?

— Apresente-se. Seu nome, idade, onde mora e sua ocupação. Esse tipo de coisa.

— …P-Por que você quer saber? Não, não, eu conto. Eu conto.

Shinu colocou o pé sobre o joelho de Jeong-mun. Jeong-mun, cujo rosto ficara pálido, balançou a cabeça vigorosamente. Engolindo a saliva seca, Jeong-mun falou com os lábios trêmulos.

— Meu nome é Choi Jeong-mun. Tenho quarenta e um anos. Sou dono de um posto de gasolina e moro no Distrito de Giheung, cidade de Yongin…

— Ótimo. Sr. Jeong-mun. Vou lhe fazer várias perguntas agora, então, por favor, responda-as bem, exatamente como tem feito.

— Qualquer coisa, qualquer coisa que queira saber… Só me poupe. Me poupe… Como diabos eu vivi até agora…

O rosto de Jeong-mun se contorceu em angústia. Os dias de sua luta intensa passaram diante de seus olhos. Shinu, tranquilizando-o, removeu o pé da perna de Jeong-mun.

— Muito bem. Se responder bem, eu o pouparei.

— O que, o que você quer saber?

— Primeiro, por que fomos aprisionados aqui?

— Uh… uh… Reféns, reféns. Não, oferendas. Uh, oferendas.

— Oferendas? Para que essas oferendas são usadas?

— Para que são usadas? Oferendas para o domingo.

— Domingo? Você está se referindo a cultos na igreja?

Shinu franziu a testa para a resposta de Jeong-mun, que estava fora do senso comum. Ao mesmo tempo, os olhos de Jeong-mun se arregalaram. O branco de seus olhos se destacava mesmo no escuro.

— …O quê? Vocês vieram de fora?

— Sim. Viemos de Seul.

— Quando?

— Há cerca de vinte e oito horas.

Shinu olhou para o relógio de Han Taebaek e notou as manchas de sangue, limpando-as com o polegar. Ele verificou o relógio sob a luz fraca para garantir que não tivesse sido danificado no caos das últimas horas. Felizmente, o relógio estava intacto.

O peito de Jeong-mun subia e descia rapidamente. Ele sacudiu o corpo como um peixe e empurrou o rosto em direção a Shinu. Han Taebaek se aproximou de Jeong-mun com uma expressão irritada e o empurrou de volta com as pontas dos pés.

— Não chegue tão perto.

Mas Jeong-mun se contorceu para frente novamente.

— Onde? Por onde vocês entraram? Existe uma saída? Um jeito de ir embora? Me digam. Por favor, me digam.

— Bem, uma vez que soubermos tudo o que precisamos, então pensaremos sobre isso.

— Mas—

— Agora, vamos voltar ao assunto. O domingo a que você se refere é um culto na igreja?

— Sim. Sim, é.

— E as oferendas são usadas lá?

— Sim.

— Oferendas humanas?

— Sim.

— Por que usar humanos como oferendas?

Jeong-mun, que vinha respondendo prontamente, hesitou. Seus olhos iam de um lado para o outro, como se estivesse debatendo entre a verdade e a mentira. Shinu sutilmente levantou o pé. Jeong-mun endireitou as costas e respondeu.

— Para… os mártires… comerem.

— …Mártires? Os mártires comem pessoas? Como os Devoradores?

Desta vez, Han Taebaek perguntou, com o rosto cheio de desgosto. A noção de pessoas comendo pessoas era detestável. Seria porque não havia mais nada para comer? Independentemente do motivo, era um fato repugnante. A expressão de Shinu não era diferente. Jeong-mun riu de forma oca em resposta aos dois.

— Vocês realmente não sabem de nada, não é?

— O que nós não sabemos?

— As pessoas aqui pensam que os Devoradores são representantes dos deuses.

— O quê?

— Os Devoradores eram crentes devotos em vida. Quando os demônios atacaram, eles lutaram em nosso lugar para nos proteger e se tornaram Devoradores. Então, os Devoradores são mártires.

— Isso é…

— Droga, eu sei que parece bobagem! Mas é assim que as coisas são aqui. Essa é a verdade.

— …

— Então, todo domingo, humanos são oferecidos aos Devoradores. Não a quaisquer Devoradores, mas aos que estão na igreja. Alguns daqueles Devoradores eram pastores, algumas eram freiras, e alguns são familiares dos altos escalões da igreja. Eles recebem as oferendas. E os fiéis assistem.

— Eles… mantêm os Devoradores na igreja sem matá-los?

— Exato. Eles intencionalmente não os matam. É simbólico. Eles sabem o quão devotas aquelas pessoas foram em vida, então os fiéis confiam nisso. Eles os cobrem com um pano embebido em água benta e prendem seus tornozelos e pescoços com grilhões antes de amarrá-los ao altar. Dizem que isso suprime o demônio preso dentro do mártir, ou algo assim…

— ……

Shinu esfregou os olhos com as costas da mão. Era uma história sufocante. Seria melhor se Jeong-mun estivesse mentindo, mas, dado o fluxo contínuo e sem interrupções de seu relato, não parecia mentira.

Eles haviam entrado na cidade errada. Se as estradas estivessem bloqueadas, deveriam ter retornado para Seul. Não parecia fácil escapar. Shinu suspirou e perguntou novamente em uma voz cheia de resignação.

— Então você está dizendo que as pessoas aqui estão sendo mantidas como comida para esses mártires?

— Sim, é isso mesmo.

— Então por que aqui, de todos os lugares?

— O quê?

— Não deveria faltar espaço para manter reféns na igreja. Ou eles poderiam ser confinados em um prédio ou porão próximo. Seria mais conveniente. Por que nos soltar neste lugar vasto?

— O pastor disse que deveria ser feito desta forma. Os sacrifícios devem ser criados como gado livre vagando pelos campos.

— Então, o motivo de vocês terem vindo hoje foi para nos levar como sacrifícios?

— Não, hoje… hoje… nós só viemos para nos divertir.

Jeong-mun baixou o olhar como se reconhecesse a própria culpa.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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