Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 59 Online

↫─Capítulo 59
Taebaek, que estivera ouvindo em silêncio, deu um sorriso sarcástico. Ele apontou a lanterna para o rosto ensanguentado de Jeongmun. Deveria ter batido mais forte na nuca dele. Era enfurecedor o quão bem ele falava depois de levar tamanha surra.
Jeongmun franziu a testa diante da luz intensa. Taebaek, obstinado, focou a luz nos olhos dele. Jeongmun encarou Taebaek com irritação, claramente descontente com a provocação do jovem.
Shinu tocou os joelhos de Jeongmun com as pontas dos pés, sinalizando para que ele se concentrasse nele.
— Como vocês distinguem os reféns dos fiéis? É baseado na fé nos deuses?
— Não, não. Tudo bem não acreditar nos deuses. A igreja coexiste com várias religiões há muito tempo. É lamentável não acreditar nos deuses, e deveríamos converter as pessoas através do evangelismo, mas não é um motivo para matá-las. Mas…
— Mas?
— Matar um mártir é considerado um insulto e um desafio à religião. Matar um mártir significa que você está alegando que eles são demônios…
— Então… você está dizendo que as pessoas que matam os Devoradores são usadas como sacrifícios?
— Exatamente. Aqui, o Devorador é considerado um deus.
Jeongmun assentiu com a cabeça.
Shinu e Taebaek suspiraram simultaneamente diante da explicação frustrante. Pensar que um Devorador é um deus. Tantas pessoas haviam morrido, e o país, antes pacífico, estava à beira do colapso.
Enquanto Shinu processava as palavras de Jeongmun, ele começou com a pergunta mais importante.
— Como saímos desta vila folclórica?
— Uh… Se eu te contar, você me deixa ir?
— Se a resposta do Sr. Jeongmun for útil.
Jeongmun lambeu os lábios secos e olhou em volta. Ele avistou um rio não muito longe e apontou para a direita.
— Por ali, passando pelo museu folclórico, há um museu. É um lugar onde relíquias entram e saem, então há uma área de armazenamento nos fundos, uh… um lugar onde guardam pinturas, hum…
— Depósito.
Taebaek forneceu a palavra para o hesitante Jeongmun. Jeongmun assentiu repetidamente.
— É, isso mesmo. Há um caminho separado que se conecta ao depósito. Se vocês saírem por lá, não haverá nenhum Devorador. Entendeu? Agora, se você pudesse…
— Só mais uma coisa.
Jeongmun soltou um grito frustrado. — Malditos, seus bastardos, me soltem! — Ele debateu o corpo, expressando sua frustração e dor. Não importava como ele agisse, Shinu permanecia impassível.
— As pessoas que foram executadas na ponte.
— O que tem elas!
— Por que… elas não foram usadas como sacrifícios e apenas morreram?
— … Elas tentaram escapar.
— Escapar?
— O Pastor Seong disse que Yongin era uma cidade abençoada pelos deuses. Os Devoradores foram descobertos primeiro em Yongin. Então todos acreditam que esta cidade foi a primeira a abraçar a vontade divina.
— …
— Mas se não houver fiéis… se não houver deuses ou santidade, tudo é sem sentido.
— …
— Você não entende? Ah… É uma longa história, mas… hum… No início, quando os Devoradores apareceram pela primeira vez, era administrável. Deixar para trás casas, empregos e vidas não era fácil, então todos tentavam se apegar a Yongin de alguma forma. Pensavam que terminaria em algumas semanas, com soldados, polícia e cobertura da TV.
— …
— Mas logo depois, o governo anunciou que estava desistindo da Península Coreana. Disseram que lançariam mísseis e iriam para Mokpo. Após esse anúncio, as pessoas tentaram ir embora sem olhar para trás.
— E essas pessoas…
— Sim, a igreja as capturou e executou.
Shinu cerrou e depois relaxou os punhos em sinal de raiva.
— A igreja não tem o poder para massacrar centenas. Não deveria ter tal poder.
— Este lugar… este lugar é diferente. A igreja sempre foi poderosa aqui. O Pastor Seong, sendo um ex-político, tinha ampla influência, tanto poder quanto riqueza. Mesmo nas eleições para prefeito, se o Pastor Seong dissesse que alguém era bom, essa pessoa vencia. Com a palavra do Pastor Seong, eles construíram prédios e cavaram lagos. Metade desta cidade pertence a ele.
— …
— Ele é como um rei aqui, até mais poderoso que um presidente, mas se todos forem embora, ele não poderá mais brincar de rei. Ele teria que descartar tudo o que construiu, o que deve tê-lo deixado louco.
— …
— Então ele enlouqueceu. O velho perdeu o juízo.
— …
— Esta é uma cidade louca. Ninguém pode sair. Todos comem a mesma comida e trabalham juntos. Mas os do alto escalão pegam todas as coisas boas para si.
— …
— Eles até matam os deficientes. Se alguém parece um pouco estranho, eles matam. Dizem que demônios são fáceis de possuir ou algo assim… É pior do que o comunismo da Coreia do Norte.
Jeongmun estremeceu enquanto murmurava. Parecia que ele havia acumulado muitas queixas. Shinu, que ouvira calmamente, levantou-se. Já era o suficiente. Ele havia aprendido tudo o que precisava saber.
Shinu limpou as mangas de seu paletó e sinalizou para Taebaek. Taebaek, que estava encostado na parede, desligou a lanterna e parou ao lado de Shinu.
A expressão de Jeongmun iluminou-se visivelmente ao ver que os dois pareciam prontos para partir.
— Você… você vai me soltar agora, certo?
— Sim. Vamos soltá-lo. Vá para onde quiser.
Shinu acenou com a mão com desdém, um gesto para ele ir embora. Jeongmun tentou se levantar rapidamente, mas seu corpo não se movia. Seus membros estavam esmagados e quebrados, e era ainda mais absurdo pensar que ele poderia ficar de pé e caminhar.
Cada vez que tentava usar as pernas ou braços para subir, a dor era como se seus músculos estivessem se rasgando. Jeongmun sentiu um calafrio percorrer seu corpo e teve um mau pressentimento.
Ele ergueu a cabeça e olhou para Shinu e Taebaek. Seus olhos estavam cheios de medo.
— Vocês… vocês vão me levar com vocês, certo? Hein?
Taebaek olhou para Jeongmun como se dissesse: — Que tipo de bobagem você está falando?
— … Por que levaríamos?
— Eu contei o caminho para sair!
— Foram vocês que nos encurralaram em primeiro lugar. É natural que nos conte o caminho.
— O-o quê?
— Vocês sequestraram pessoas, as atropelaram com carros e as espancaram em grupo… Apenas seja grato por estarmos deixando você vivo.
— Você…
— Tsc, quanta falta de vergonha. Certo, hyung? Esse cara provavelmente nem sabe o que aconteceu com os amigos dele. Se soubesse, não estaria falando tanto.
O rosto de Taebaek, que estivera contorcido em frustração, mudou rapidamente para uma expressão alegre ao olhar para Shinu. Seu sorriso era como se tivesse colocado uma máscara diferente. Shinu riu baixinho. Realmente… Era um alívio que Taebaek fosse um aliado; se fosse um inimigo, seu comportamento irritante seria enfurecedor.
Shinu deu um toque no braço de Taebaek, sinalizando para ele parar. Antes de partir, ele estendeu um falso gesto de misericórdia em direção a Jeongmun.
— Ah, há um canteiro de obras da Hanho Construction em Pocheong, no Distrito de Cheoin. Você pode sair da cidade de Yongin por lá. É claro, você precisará voltar para Seul para ir a Mokpo, mas já que sobreviveu até aqui, deve conseguir sair.
— …
— Mas não sobreviva tão bem assim.
Com isso, Shinu se virou. Taebaek o seguiu com passos animados. Então, sutilmente virando a cabeça, Taebaek mostrou o dedo médio para Jeongmun.
Quando Shinu e Taebaek saíram do moinho, as mulheres estavam atacando violentamente o grupo da lanterna. Havia sangue espalhado no chão de terra. As duas encaravam os cadáveres com os rostos manchados de sangue, respirando pesadamente.
Como prometido, Shinu e Taebaek não disseram nada. Foi puro papel de espectador.
Shinu jogou os corpos em um amontoado de arbustos, temendo que as mulheres pudessem sentir uma culpa desnecessária se recuperassem os sentidos tarde demais. Taebaek rapidamente o ajudou a lidar com os corpos. Embora ocasionalmente sentisse náuseas diante da carne dilacerada, ele completou a tarefa com notável compostura e até recolheu pertences úteis dos cadáveres.
As mulheres, após lavarem os rostos e as mãos à beira do lago, voltaram com comida da panela da cozinha — água, leite de soja e barras de cereais. Elas entregaram tudo a Taebaek e Shinu.
— Costumávamos receber isso toda vez que aqueles bastardos luxuriosos vinham.
— É a recompensa deles. Eles precisam justificar suas ações.
— Comam. Podem ficar com tudo.
— Muito obrigado… por hoje.
As duas mulheres fizeram uma reverência profunda. Shinu e Taebaek não recusaram a comida. Afinal, a última refeição que tiveram fora o chá oferecido por Yeongik no canteiro de obras no dia anterior. Estavam com muita fome.
Os quatro se sentaram ao redor de um pequeno pavilhão na Casa Seonbi (Casa Tradicional de Eruditos Coreanos). Shinu pegou apenas uma garrafa de água, duas barras e dois leites de soja, empurrando o resto de volta para as mulheres. Elas balançaram a cabeça e recusaram.
— Estamos bem. Não estamos com fome depois de ver tais coisas…
— Peguem. Precisamos sair daqui. Carboidratos e proteínas são necessários para manter o corpo em movimento.
— Existe uma saída? Tentamos escapar, mas… há muitos Devoradores por perto. Há Devoradores na porta da frente, na porta dos fundos, no estacionamento e atrás dos muros.
— Há um jeito de sair pelo museu. Dizem que é seguro se for por lá. Não é certeza, mas é o único caminho que temos agora. Que tal virem conosco?
Diante das palavras de Shinu, as duas trocaram olhares. A resposta veio rápido: foi um sim. Ficar presa ali significava tornar-se um sacrifício ou morrer em um ataque de mísseis. De qualquer forma, era uma escolha sombria.
As duas se apresentaram como irmãs. A mulher mais alta chamava-se Hyemin, a irmã mais velha, e Hyein era sua irmã mais nova. Elas eram de Icheon, na província de Gyeonggi. Haviam perdido os pais antes do alerta de mísseis e estavam a caminho da casa da avó em Daejeon. Acabaram em Yongin antes que a cidade fosse completamente isolada e foram sequestradas enquanto vagavam pelo interior da cidade.
A situação delas não era muito diferente da de Shinu e Taebaek.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive