Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 125 Online

↫─Capítulo 125
— Precisamos tomar uma decisão.
— U-uma decisão sobre o quê?
A mãe perguntou de volta, embora sua expressão enquanto amparava o pai mostrasse que ela já sabia o que Shinu queria dizer com “decisão”. Assim, Shinu apenas olhou para ela em silêncio como resposta. O queixo da mãe tremeu enquanto ela lutava para processar aquilo.
— N-nós cuidaremos disso sozinhos, então não se preocupem. Apenas vão. Nós entendemos agora, sabemos da situação…
— Nós entregamos este lugar para as “pessoas”.
— ……
— Posso perguntar o que você quer dizer com cuidarem disso sozinhos?
Shinu foi implacável. Para a família, e até para Taebaek, sua falta de misericórdia era evidente. Eles achavam que ele deveria ao menos permitir algum tempo para o luto, um momento para organizar as emoções. Afinal, não era apenas um amigo; era um membro da família enfrentando a morte.
A mãe encarou Shinu, seus olhos derivando para a arma em sua mão. Ela o empurrou pelo ombro como se o estivesse enxotando.
— Saiam.
— ……
— Saiam agora.
Sua voz estava carregada de hostilidade, e Shinu levantou-se obedientemente. A decisão já havia sido tomada. Se eles iriam ou não levá-la adiante, como ela havia dito, dependia da família.
Shinu enviou Taebaek para fora da loja primeiro e depois ele também saiu. Ao partir, ele deu uma olhada no pescoço do pai. Veias escuras começavam a subir por seu pescoço, descendo em direção à clavícula. O vírus provavelmente levaria menos de uma hora para atingir o cérebro.
Uma vez fora da loja, Taebaek soltou um suspiro profundo e começou a voltar para a loja de camping. Mas Shinu de repente agarrou seu pulso e o arrastou para uma loja três portas adiante. Era a loja de sapatos que haviam visitado algumas horas antes em seu encontro. Taebaek, embora surpreso, seguiu sem resistir.
Eles se sentaram em um canto da loja. Depois de um momento, Shinu finalmente falou.
— Devemos ficar por perto, por precaução. Não conseguimos ouvir nada da loja de camping.
— …Tudo bem.
Taebaek assentiu, entendendo as implicações. Os dois ficaram sentados em silêncio por um tempo. Taebaek continuava olhando para Shinu, que encarava fixamente a escuridão na entrada da loja. Taebaek se perguntava o que Shinu estava pensando.
Ele estaria planejando atirar no pai? Bem na frente da família? É claro que essa seria a coisa certa a se fazer, mas ainda assim… não havia outro jeito? Ele sentia uma mistura de tristeza e frustração.
Taebaek, que estivera mexendo no cano da arma, chamou cautelosamente.
— Hyung.
— Sim.
Shinu virou-se rapidamente para olhar para Taebaek, e o encontro de seus olhares trouxe um leve sorriso ao rosto de Taebaek. Mas o sorriso logo desapareceu enquanto ele se aproximava de Shinu e sussurrava.
— E se… nós cortássemos a mão do pai? Nos filmes, eles cortam um membro se alguém é mordido por um zumbi, antes que o vírus se espalhe.
— É possível. Como a velocidade da infecção parece variar dependendo de onde é a mordida, cortar a área infectada poderia preveni-la.
— Sério? Então—
— E então ele morreria por perda de sangue.
— …
A boca de Taebaek se abriu, mas fechou-se lentamente de novo. Shinu acariciou gentilmente a bochecha de Taebaek.
— Não há ninguém aqui com conhecimento médico para tratar um membro decepado. Mesmo que houvesse, não há como parar o sangramento. Não temos uma faca limpa, nem ataduras estéreis para cobrir a ferida, nem antibióticos para prevenir infecção, e nenhum meio de transfundir o sangue que jorraria como uma fonte.
— …
— Os filmes tornam isso possível porque são apenas filmes.
As palavras de Shinu foram firmes. E ele estava certo. Desperdiçar tempo e arriscar vidas por uma causa perdida seria tolice. Mas, de repente, um pensamento ocorreu a Taebaek.
Se eu for mordido por um Devorador, se eu ficar infectado… Shinu me abandonaria tão friamente, sem hesitação?
Não, ele sabia a resposta. Aquela família não era nada para Shinu, mas Taebaek era alguém que Shinu amava. No entanto, o pensamento não saía de sua mente. Ele balançou a cabeça para afastar os pensamentos perturbadores e, naquele momento, Shinu afastou a franja de Taebaek e falou.
— Aquela família precisa abandonar o pai se quiser sobreviver.
— …
— Eu só espero que eles consigam tomar a decisão racional.
— E se não conseguirem?
— Então eles se tornarão Devoradores. Embora, a essa altura, mais de 80% de seus corpos terão sido comidos, então eles nem sequer serão capazes de se tornarem Devoradores completos.
A voz de Shinu estava calma como sempre. Taebaek soltou uma risada vazia. Não havia necessidade de fazer suposições tão sombrias, mas, de alguma forma, Shinu parecia distante. Era como se a pessoa que o beijara e olhara para ele com amor poucas horas atrás fosse uma pessoa completamente diferente.
O rosto de Taebaek endureceu. Era necessário ir tão longe? Ele estava prestes a dizer a Shinu que suas palavras eram duras demais quando Shinu acariciou gentilmente sua coxa e falou novamente.
— Taebaek, eu…
— …
— Eu não vou apenas ficar parado olhando alguém tomar uma decisão irracional.
— …O quê?
— Eu não vou deixar pessoas que não precisam morrer, morrerem.
— …
— Se for preciso uma pessoa ruim para garantir que a decisão certa seja tomada, eu serei essa pessoa ruim.
Ouvindo essas palavras, Taebaek não conseguiu responder. Ele tinha uma vaga compreensão do que Shinu estava pensando.
Cerca de trinta minutos depois, Shinu levantou-se lentamente. Como não havia gritos ou clamores, parecia que o pai ainda era humano. Mas, a essa altura, sua boca estaria se fendendo e seus dentes teriam crescido de forma antinatural. Esperar mais qualquer minuto poderia levar ao desastre.
Shinu estendeu a mão para Taebaek, que soltou um suspiro profundo e a aceitou, levantando-se. Os pés de Taebaek pareciam pesados, sabendo que logo testemunhariam derramamento de sangue. Ainda assim, ele não podia deixar Shinu enfrentar isso sozinho, então forçou-se a levantar.
Sem uma palavra, os dois voltaram em direção à loja de departamentos. Mas algo parecia errado. O corredor estava estranhamente silencioso. Nem mesmo o som de soluços ou conversas podia ser ouvido.
Shinu franziu levemente a testa.
Eles teriam levado o pai e partido? Sob esta chuva? Mas eles não tinham ouvido nenhum carro. Não, eles não teriam ido lá para fora. Como poderiam arrastar um membro da família se transformando em Devorador pelo temporal? Certamente não teriam tomado uma decisão tão imprudente.
Shinu acelerou o passo e Taebaek o seguiu.
Quando chegaram à loja, foram recebidos por uma cena que os deixou sem fala. O fôlego ficou preso em suas gargantas.
Os olhos de Shinu se arregalaram, enquanto Taebaek fechou os seus com força.
O chão da loja estava ensopado de sangue. Não apenas algumas gotas, mas como se alguém tivesse derrubado um balde de tinta vermelha, deixando o piso pegajoso e escorregadio.
Sobre a poça de sangue jazia um cobertor grosso e grande, estendido com cuidado. É claro que o cobertor também estava encharcado de sangue, sua cor original irreconhecível.
Debaixo do cobertor estavam o pai, o filho e a filha, com as cabeças aparecendo, olhos fechados como se estivessem apenas dormindo. Eles pareciam muito mais em paz agora do que há uma hora, quando Shinu e Taebaek vieram verificar o pai.
Apesar de estarem deitados no chão frio e duro, pareciam serenos e tranquilos.
E ajoelhada ao lado deles, a mãe estava sentada acariciando o cabelo da filha. Na outra mão, uma faca encharcada de sangue repousava levemente em seus dedos.
Era uma cena chocante. Um olhar era suficiente para entender o que havia acontecido. Não havia como negar; era brutalmente claro.
Taebaek virou o rosto para o lado, cobrindo a boca para abafar sua reação, enquanto Shinu olhava fixamente para a mãe. Sua expressão permanecia quase inalterada, mas seu peito subia e descia rapidamente, como se ele tivesse acabado de correr.
Depois de muito tempo acariciando o cabelo da filha, a mãe finalmente olhou para Shinu. Seu rosto era como a lua — não, não uma lua cheia e brilhante, mas uma meia-lua pálida e moribunda pouco antes do amanhecer. Ela parecia uma vela esgotada, com apenas o pavio restando agarrado à vida.
Seu rosto, salpicado de gotas de sangue, estava completamente desprovido de vida. Tanto que ela parecia ainda mais pálida e abatida do que os três corpos sem vida ao seu lado.
Seus lábios, tênues e pálidos, mal se moviam.
— Nossos filhos… disseram que não aguentavam mais, que não podiam mais suportar…
— …
— Neste mundo, não há ninguém que não esteja lutando… mas nós… nós realmente tivemos tempos difíceis… fugindo daqueles monstros, fugindo das pessoas…
— …
— Eu pensei em lançar o carro em algum despenhadeiro inúmeras vezes, acabar com tudo.
— …
— Mas nossos filhos, eles são tão perceptivos. Toda vez que eu tinha esses pensamentos, eles sorriam para mim, dizendo que estávamos quase chegando, que estávamos quase em Mokpo… Essas crianças pobres e inocentes estavam nos confortando.
— …
— Eles passaram dias comendo nada além de maçãs, e mesmo quando tinham diarreia ou passavam fome por dois dias seguidos, nunca reclamaram uma única vez. Eles não queriam perturbar seus pais inúteis.
— …
Shinu e Taebaek não conseguiram dizer uma palavra. Eles ainda eram incapazes de escapar do choque do desespero que se desenrolara diante de seus olhos. A voz rouca da mãe, desprovida de força, os prendia firmemente. Parecia que uma mão imensa estava apertando seus corpos, pronta para esmagá-los. Respirar era difícil e seus estômagos reviravam.
Então, o rosto anteriormente frio e rígido da mãe começou a se contorcer lentamente. Suas sobrancelhas caíram, os cantos de seus olhos se enrugaram e seus lábios se retorceram em direções aleatórias. Lágrimas rapidamente brotaram em seus olhos cavos.
— Mas mais cedo, ela disse… vamos acabar com isso aqui.
— ……
— Minha filha não chorou. Ela apenas olhou para mim com aqueles olhos lindos e me pediu para matá-la… Aquele olhar, foi doloroso demais, demais para mim. Então… eu não pude recusá-la… eu continuei pensando, quão desesperada ela devia estar para dizer algo assim para a própria mãe…?
Lágrimas pingavam enquanto ela tocava gentilmente as pálpebras firmemente fechadas da filha. Ela continuou murmurando, como um lamento dito para si mesma.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive