Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 126 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 126

— Éramos tão pobres que, mesmo quando as crianças pediam algo antes, eu nunca podia dar a elas…

— ……

— Aquilo partia meu coração na época, mas agora, depois de finalmente poder dar a elas o que querem, sinto-me em paz…

A mãe deixou escapar um sorriso tênue. Ela estendeu a mão e acariciou o rosto do filho. Então, curvou-se ainda mais e pressionou sua bochecha contra a testa dele.

— Oh… meu bebê… meu bebê precioso…

— ……

— Na próxima vida, vou me esforçar mais. Vou economizar muito dinheiro para poder te dar tudo o que você quiser, tudo o que você quiser comer.

— ……

— Então, na próxima vida, seja minha filha, meu filho de novo, está bem? Oh, meus filhos já estão tão frios… Tão frios…

Como se tentasse compartilhar seu calor, a mãe esfregou vigorosamente a bochecha do filho. Ela acariciou o queixo fino da filha, que não tinha carne, com um sorriso de dar dó.

— Estarei com vocês em breve. Esperem só mais um pouco. Eu irei logo… muito em breve…

Ela sussurrou nos ouvidos do filho e da filha. Então, puxou o cobertor para cobrir os rostos de ambos e levantou-se lentamente. Cambaleando, ela caminhou em direção a Taebaek e Shinu.

Shinu deu um passo à frente de Taebaek, apertando o cabo da arma que segurava frouxamente. O cano estava apontado para a mãe. Mas não havia medo no rosto dela. O reflexo de Shinu estava preso naqueles olhos fundos e cavos.

— Por favor… me mate.

— ……

— Você veio aqui para matar o pai das crianças de qualquer jeito, não foi? Eu o matei, então você me mata.

— Senhora, por favor, não faça isso.

Incapaz de suportar mais, Taebaek chamou por ela. Sua frustração o impulsionou para frente, mas Shinu bloqueou seu caminho. Ele também abriu a boca, prestes a dizer algo para impedi-la.

— Se a senhora fizer isso, não nos trará paz—

A mãe subitamente sorriu de leve. Uma única lágrima escorreu por sua bochecha.

— Por que você não ficaria em paz? Nada disso é culpa sua. Obrigado por terem sido gentis hoje.

— ……

— Vocês são os primeiros. Os primeiros a serem gentis conosco. Vocês não nos insultaram como velhas inúteis, ou aleijados, ou qualquer uma dessas coisas.

— ……

— Graças a vocês, tivemos uma refeição quente.

Foi um alívio tão grande poder alimentar as crianças…

A mãe baixou a cabeça. Suas palavras estavam cheias de nada além de resignação, resignação e mais resignação. Como poderiam salvá-la de uma situação tão terrível? Shinu suspirou, fechando os olhos por um momento antes de abri-los novamente.

Ele mal percebeu um objeto largo e afiado movendo-se rapidamente. Era uma faca. Shinu agarrou velozmente o pulso da mãe, mas a ponta da faca já havia se enterrado no pescoço dela. Uma única gota de sangue vermelho vivo rolou pela lâmina.

Felizmente, o ferimento não era profundo. Não havia atingido uma artéria, então não parecia que seriam necessários pontos.

Shinu apertou o pulso dela com mais força, mas a mãe, movida pelo desespero, resistiu com uma força anormal. Taebaek aproximou-se para ajudar Shinu a abaixar a mão dela. Shinu golpeou o pulso dela com a outra mão, e a faca caiu ruidosamente no chão.

A mãe desabou, tentando pegar a faca novamente, mas Shinu imobilizou ambos os seus pulsos. Taebaek pegou a faca e a jogou longe. Então, a mãe gritou tão alto que parecia que o mundo estava acabando.

— Me soltaaaa!

— Senhora!

— Me soltaaaaaaa!

Seus ombros finos sacudiam violentamente. Sua cabeça balançava de um lado para o outro, e seu cabelo ensopado de sangue pendia pesadamente. Mas, como Shinu não dava sinais de que a soltaria, ela o encarou com os olhos arregalados.

— Me solta, seu desgraçado! Me solta! Me solta!

— Não posso.

— …Por que não?

Hein? Por que você não pode? A mãe soluçava, balançando o corpo para frente e para trás como uma criança fazendo birra. Observando-a, o coração de Shinu doeu insuportavelmente enquanto ele falava com uma expressão contorcida.

— Não… morra.

— O quê?

— Morrer… não está certo. Morrer… não é a solução.

A voz de Shinu foi ficando mais baixa. Diante disso, a mãe, que estava se debatendo violentamente, parou de repente. Ela encarou Shinu intensamente antes de perguntar calmamente, revelando o quão estilhaçada sua mente havia se tornado.

— Qual é o sentido de viver quando não me resta mais família neste mundo?

— Você sequer sabe o que significa não ter família? Mesmo assim, se você continua vivendo, você segue em frente. Eu também—

— Você também não tem família?

— Sim.

— E você é feliz?

— …O quê?

Shinu perguntou como se tivesse ouvido errado. A mãe, enunciando claramente, repetiu a pergunta. Cada sílaba atingiu os ouvidos de Shinu como um martelo.

— Você é feliz vivendo sem uma família?

— ……

Shinu não conseguiu mentir. Dizer que era feliz teria sido uma falsidade. Ele duvidava que ela sequer acreditaria nele se dissesse isso. Além disso, embora ele tivesse perdido os pais, ela havia perdido os filhos. A profundidade do luto deles não podia ser comparada.

Enquanto o silêncio de Shinu se prolongava, a mãe, com o rosto banhado em lágrimas, implorou.

— Eu tenho que ir também… Meus filhos estão esperando por mim. Eles estão esperando por mim…

A mãe começou a ter outro surto. Taebaek ajoelhou-se ao lado dela, pronto para confortá-la e persuadi-la. No momento em que ele ia falar, houve outro estrondo de trovão.

Mas desta vez foi diferente. Não apenas o céu, mas o chão estava tremendo. A princípio, pensaram ser uma ilusão auditiva, mas logo o chão e o prédio estavam realmente estremecendo, como se um terremoto tivesse atingido o local.

Shinu e Taebaek trocaram olhares assustados. Então, à distância, uma das paredes começou a desabar. O cimento rachou e depois esfarelou como um biscoito.

Uma onda massiva de terra jorrou pela brecha, carregando pedras grandes, raízes de árvores e até móveis como escrivaninhas e sofás.

Era um deslizamento de terra. As chuvas pesadas devem ter causado o colapso da pequena montanha atrás do prédio. Ele varreu a mansão e seguiu direto para o shopping outlet.

Era uma visão inacreditável, algo que não deveria ser real. Shinu e Taebaek ficaram momentaneamente atordoados, embora tenha durado apenas cerca de três segundos.

Shinu voltou à realidade com um calafrio. Mas, assim que percebeu o que estava acontecendo, as luzes que iluminavam o outlet se apagaram, deixando-os em completa escuridão. Tudo o que ele conseguia sentir eram as vibrações intensas do solo, o peso esmagador do deslizamento, o cheiro de terra úmida e os sons de coisas quebrando e desabando por toda parte.

Naquele momento, o pulso da mãe escorregou de sua mão. No breve instante em que o aperto de Shinu enfraqueceu, ela escapou.

Shinu tateou freneticamente o ar, mas não pegou nada. Ele olhou ao redor, mas tudo o que viu foi trevas. Um frio percorreu sua espinha.

Justo então, uma mão quente e firme agarrou sua mão vazia.

— …Hyung.

Era Taebaek.

Os olhos de Shinu se abriram subitamente ao som da voz de Taebaek. Ele lembrou-se de repente de quem precisava salvar, de quem precisava proteger.

Ele ligou a lanterna acoplada ao seu rifle. A escuridão absoluta recuou um pouco, mas não havia tempo para relaxar. O estrondo do deslizamento estava ficando mais próximo e, em questão de segundos, a terra pesada e encharcada e as rochas enterrariam os dois.

Shinu segurou a mão de Taebaek com força e levantou-se. Taebaek fez o mesmo.

Eles correram o mais rápido que puderam, tentando escapar do deslizamento iminente, mas ele os alcançou em um piscar de olhos. Parecia que uma mão gigante feita de terra havia agarrado seus tornozelos. O estrondo rugia ferozmente em seus ouvidos.

Naquele momento, Shinu percebeu que escapar do deslizamento era impossível.

Então, eles teriam que sobreviver dentro dele.

Shinu esquivou-se para dentro de uma loja próxima. Era uma loja de roupas para atividades ao ar livre. Uma divisória impressa com uma paisagem de montanha estava lá dentro, com dois manequins posicionados à frente dela. A divisória estava de costas para o deslizamento que vinha.

Shinu empurrou um expositor para debaixo da divisória e fez sinal para Taebaek se sentar ao lado dele. Então, pegou uma das jaquetas de trilha de plástico do mostruário e a abriu bem, cobrindo o rosto de Taebaek. Ele também a puxou sobre si mesmo.

Taebaek agarrou-se firmemente à cintura de Shinu, enterrando o rosto em seu peito. Shinu envolveu a cabeça de Taebaek com os braços. Naquele momento, a massa pesada de terra colidiu com a divisória. Incapaz de suportar o peso, a parede desabou.

Com um estrondo ensurdecedor, o mundo pareceu se despedaçar. Então, uma onda de terra engoliu os dois.

❖ ❖ ❖

O cheiro de roupas novas misturado ao aroma de terra. Era um cheiro desagradável, mas estranhamente reconfortante. Fez com que ele pensasse: É assim que cheiraria se eu estivesse deitado em um caixão?

Shinu, que estivera se imaginando deitado em um caixão de madeira, abriu os olhos de repente.

Sua visão estava um breu total. Seu corpo parecia esmagado sob algo e respirar era difícil. No entanto, felizmente, nenhuma terra havia entrado em suas narinas. A jaqueta de caminhada cobrindo seu rosto parecia ter servido como um escudo sólido. Embora o ar fosse insuficiente, ele estava grato por não estar sufocando imediatamente sob a terra.

Shinu moveu a mão, procurando por Taebaek. Felizmente, Taebaek ainda estava com o rosto enterrado contra o peito de Shinu. Shinu acariciou gentilmente o rosto dele, tateando sua boca e nariz para ter certeza de que ele ainda estava respirando.

Através de seus dedos, ele sentiu respirações quentes. Shinu suspirou de alívio. Com afeição, ele deu tapinhas na nuca de Taebaek e então tentou pegar o rifle pendurado em seu ombro. Mas seu corpo não se movia. Pior ainda, a ponta da arma parecia estar presa em algo, recusando-se a ser puxada.

Se ao menos eu conseguisse tirar a arma, poderia pelo menos ligar a luz. Enquanto continuava a lutar, sua respiração acelerou e o ar estava acabando mais rápido. Justo quando Shinu expirou profundamente pelo nariz, ponderando como sair dessa situação, sentiu Taebaek se mexer em seus braços.

— …Hyung?

Taebaek o chamou com uma voz úmida e contida. Como se para verificar se Shinu estava vivo, Taebaek tateou o peito dele, parecendo procurar por seus batimentos cardíacos. Shinu apertou a mão dele com força em resposta.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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