Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 124 Online

↫─Capítulo 124
Em resposta à sua pergunta, o pai balançou a cabeça.
— Hein? Oh, não. Eu não toquei nisso. Estava escuro demais para ver qualquer coisa… Não peguei nada. Não sou o tipo de pessoa que rouba as coisas dos outros.
— ……
Os lábios de Shinu se pressionaram firmemente. O pai ergueu as sobrancelhas como quem diz: “Satisfeito agora?”. Então, ele desapareceu rapidamente. Shinu ficou parado, encarando o corredor por onde o pai havia sumido. Depois, voltou seu olhar para o cooler que repousava sozinho.
Ele caminhou até o cooler. Abrindo a tampa, iluminou o interior com sua lanterna. Uma sacola plástica preta era visível. As formas redondas e longas lá dentro eram provavelmente as maçãs e os pepinos que o pai mencionara.
Também estavam lá dentro os dentes de Devorador que Taebaek e Shinu haviam removido da janela do carro no dia anterior. Dentes grossos, afiados e ensanguentados, tão ameaçadores quanto grotescos. Apenas olhar para eles era o suficiente para sentir repulsa.
— ……
Mas algo estava errado. Por que os dentes estavam em cima da sacola plástica, como se alguém tivesse acabado de colocá-los ali?
Shinu fechou o cooler com um clique. Então, sem expressão, encarou o corredor por onde o pai havia desaparecido.
Eram quatro da manhã. A chuva ainda caía implacavelmente. Julgando pela situação, parecia improvável que conseguissem partir ao amanhecer novamente hoje. Shinu puxou o cobertor de Taebaek até o peito dele. Em seguida, limpou a testa latejante com as costas da mão.
Shinu ponderou continuamente até que o relógio de pulso que Taebaek lhe dera se aproximou das cinco horas.
O pai teria tocado nos dentes de Devorador? Julgando pelo fato de a sacola plástica estar debaixo dos dentes, parecia provável. Por que ele mentiria dizendo que não tocou? Seria apenas porque não queria ser suspeito de mexer nos pertences de outra pessoa? Ou talvez ele tenha espetado a mão nos dentes?
Não, espere. Será que ele sequer reconheceria que eram dentes de Devorador no escuro? O ruído que Shinu ouvira fora o som dele fechando o cooler, não um grito de susto. Se ele tivesse percebido o que era, certamente teria gritado.
O mais provável era que ele tivesse visto vagamente o formato e tocado, mas, sem muito interesse, colocou de volta junto com a sacola e saiu imediatamente.
A questão era se os dentes haviam cortado a palma ou a mão do pai. Os dentes de Devorador eram extremamente afiados. Se ele os agarrasse descuidadamente no escuro, seria fácil se espetar. Mesmo que tivesse sorte, provavelmente se arranhou em algum lugar.
Isso significaria… que o pai tinha grandes chances de estar infectado com o vírus. Assim como o homem de óculos de armação de tartaruga, ele mudaria gradualmente.
Ah, o homem de óculos fora ferido na perna. O ferimento do pai era na mão. O vírus chegaria ao cérebro dele ainda mais rápido.
Pensando até esse ponto, Shinu não podia mais ficar parado. Esqueça a segurança de Taebaek e a dele mesmo por um momento — aquela família estava em perigo. Se ele ignorasse a situação e ficasse calado, três vidas inocentes que conseguiram sobreviver até agora seriam perdidas de uma só vez.
Com os lábios firmemente cerrados, Shinu balançou Taebaek gentilmente para acordá-lo.
Com rostos sombrios, Shinu e Taebaek dirigiram-se ao outlet onde a família estava abrigada. Shinu segurava a mão de Taebaek com a que não estava segurando a arma. Taebaek sorriu fracamente.
Quando os dois chegaram, observaram brevemente os movimentos da família. Sob a luz forte, a família dormia profundamente, completamente exausta. Como o pai estivera perto da barraca deles depois da uma da manhã, eles deviam ter pegado no sono há pouco tempo.
Em uma pequena sacola plástica no canto, havia itens de lixo como a embalagem do samgyetang e as tigelas de mingau. As tigelas e o fogareiro que Taebaek lhes dera haviam sido lavados e organizados com esmero.
A família dormia próxima uns dos outros, coberta por mantas que pegaram na loja de roupas de cama. O pai, o filho, a mãe e a filha dormiam nessa ordem. Apesar das circunstâncias, pareciam uma família reconfortante.
Shinu suspirou repetidamente enquanto observava o pai. O pai não parecia estar em nenhuma condição particularmente incomum. Seu rosto parecia um pouco pálido, mas nada excessivamente suspeito.
Shinu entrou cautelosamente para ver o pai de perto. Se os dentes tivessem cortado a mão dele, a reação ao vírus logo apareceria. Ele precisava verificar sintomas como orelhas avermelhadas ou lábios tremendo prestes a se fenderem.
O som da chuva batendo nas janelas ecoava agudamente na aurora silenciosa. Shinu e Taebaek passaram pelas fileiras de balcões, mascarando seus movimentos com o som da chuva, como se estivessem rastejando pela grama alta em direção ao território inimigo. A garganta de Shinu estava seca de tensão.
Finalmente, Shinu alcançou a família, parando em frente ao pai. No momento em que ia abaixar a cabeça para olhar mais de perto o rosto do homem —
— O que… o que vocês estão fazendo?
Uma voz aguda cortou o silêncio pesado como uma faca. Shinu arquejou e deu um passo atrás, apontando sua arma na direção da voz. Taebaek o seguiu rapidamente, pronto para atirar.
A voz pertencia à filha. Seus olhos injetados de sangue encaravam Shinu e Taebaek como se quisesse matá-los.
— Mãe! Mãe, acorda! Pai!
Ela gritou, sacudindo sua família para acordá-los. A mãe e o filho acordaram primeiro, e o pai acordou um momento depois.
Eles imediatamente assumiram uma postura defensiva, prontos para enfrentar os intrusos com armas improvisadas que mantinham perto dos travesseiros. Seus olhos exaustos estavam cheios de medo e hostilidade.
Em um instante, Shinu e Taebaek tornaram-se intrusos desprezíveis e sombrios. Era uma situação constrangedora. Sem saber ao certo o que fazer, Shinu decidiu simplesmente dizer a verdade.
Parado com Taebaek às suas costas, ele tirou a mão da arma e ergueu as palmas para mostrar que não tinha intenção de fazer mal. Apesar disso, a família permaneceu em alerta máximo. Ignorando a desconfiança deles, Shinu começou a falar em voz baixa.
— Dois dias atrás, antes do temporal, encontramos um grupo de Devoradores .
Diante dessa revelação repentina, os olhos da família se fixaram no rosto de Shinu como se estivessem olhando para um louco. Inabalável, Shinu continuou.
— Um dos Devoradores agarrou-se ao nosso carro, cravando os dentes na janela e recusando-se a soltar. Conseguimos lidar com o Devorador, mas os dentes dele ficaram profundamente encravados no vidro. Como não podíamos parar o carro, os trouxemos até aqui. Assim que chegamos, removemos os dentes com cuidado.
— ……
— Colocamos os dentes removidos no cooler. Como o vírus pode se espalhar através dos dentes, não podíamos simplesmente deixá-los jogados por aí.
Enquanto Shinu terminava sua explicação, os olhos do pai se arregalaram em choque. Sua boca se abriu e seu olhar caiu para baixo. Ele estava começando a perceber o que havia tocado no escuro.
— Algumas horas atrás, ao colocar as maçãs no cooler, parece que você tocou nos dentes de Devorador.
Antes mesmo de Shinu terminar de falar, todos os olhares da família dispararam em direção ao pai. O pai, com o rosto ficando pálido, balançou a cabeça em negação.
— Não, não, não é nada disso. Eu só olhei lá dentro. Você não se infecta só de tocar. Não se preocupem. Eu lavei as mãos também.
— Pai…
— É, filho. Eu estou bem…
— Pai, suas orelhas… elas estão vermelhas…
O filho gaguejou, apontando para a vermelhidão nas orelhas do pai. O pai cobriu as orelhas rapidamente, mas era tarde demais — todos já tinham visto suas orelhas tornarem-se de um vermelho profundo e antinatural, como se estivessem mergulhadas em sangue. A mãe, ainda mais pálida que o pai, rastejou em direção a ele em pânico.
— Talvez seja apenas febre. Você disse que não estava se sentindo bem, certo? Você tem tossido também.
— Hein? Oh, certo. Talvez seja apenas um resfriado.
— Deixe-me ver suas mãos.
— Minhas mãos? Elas estão bem. Sério.
— Deixe-me vê-las. Precisamos conferir.
— O que há de errado com você? O quê, você acha que eu vou virar um Devorador ou algo assim?
— Deixe-me ver as suas mãos!
A mãe gritou de repente, sua voz cheia de fúria. O som ecoou por todo o outlet. Seus olhos, vermelhos e transbordando lágrimas, fulminaram Shinu .
— Por que vocês deixaram algo assim jogado por aí! Deveriam ter jogado fora! Deveriam ter se livrado disso!
— …Nós não sabíamos que vocês viriam para cá.
Shinu aceitou calmamente a raiva mal direcionada da mãe. Ela rangeu os dentes, mas não lançou mais acusações contra ele. A família, dominada pela confusão, logo se agarrou ao pai e começou a chorar.
— Ah, não… ah, não… O que vamos fazer agora…?
— Pai… snif… Pai…
Eles choravam amargamente, enojados com o mundo infernal em que viviam, lamentando as dificuldades que haviam suportado obstinadamente até agora, chorando porque tudo era difícil e injusto demais, e finalmente pela tristeza de como tudo havia terminado.
Se esse infortúnio fosse resultado de uma má ação, talvez pudessem aceitá-lo como uma punição justa ou ao menos sentir arrependimento. Mas fora um erro nascido de boas intenções, e isso tornava tudo ainda mais injusto.
Taebaek esfregou os olhos rudemente com as costas da mão. Se ao menos ele tivesse colocado algo pesado em cima do cooler. Se ao menos o tivesse empurrado para longe. Se ao menos tivesse colocado um aviso para não abrir.
Esses arrependimentos, já tardios, apunhalavam dolorosamente seu coração. A morte do pai não seria apenas a perda de uma pessoa, mas o colapso de toda a família.
Todos estavam em lágrimas, exceto Shinu , cujo rosto permanecia inexpressivo. Ele se ajoelhou com um joelho no chão em frente à família.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive