Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 104 Online

↫─Capítulo 104
Os dois comeram sem dizer muita coisa. A comida estava deliciosa, repleta de itens raros de se encontrar neste mundo, mas nenhum deles se sentia animado. Arroz era apenas arroz, carne era apenas carne e a sopa era apenas sopa.
Quando terminaram a refeição, passava pouco das 13h. Taebaek esticou as pernas e desembalou uma barra de chocolate, colocando-a na boca. Enquanto isso, Shinu estendeu um mapa, mas as bordas continuavam dobrando com a brisa do rio. Taebaek colocou um pedaço da barra de chocolate em cada canto para mantê-lo esticado.
Shinu apontou para Cheongju no mapa com uma caneta tampada.
— Se cruzarmos a ponte Yeam, o Aeroporto Internacional de Cheongju estará logo à frente. Muitas das pessoas que não conseguiram chegar ao Aeroporto de Incheon provavelmente se reuniram lá. Se não seguiram para Mokpo…
— Teriam se tornado comida.
— Sim. E provavelmente haverá carros capotados e obstáculos também. É melhor evitar.
— Então vamos dar meia-volta.
Shinu assentiu em concordância.
— Há dois caminhos de volta. Podemos contornar Cheongju até a cidade de Sejong ou seguir pelas montanhas até a cidade de Mungyeong.
Shinu traçou o caminho ao redor da cidade densamente povoada com sua caneta, parando em Sejong, e depois apontou para Mungyeong, o que exigia cruzar as montanhas. Taebaek tocou as montanhas no mapa com os dedos.
— Mungyeong não seria melhor, mesmo que demore um pouco mais? Sejong é uma cidade grande.
— Sim, é verdade. Mas… a Baekdu-daegan percorre a área entre Cheongju e Mungyeong.
— Baekdu-daegan…?
Taebaek inclinou o queixo para frente, confuso com a palavra desconhecida. Não era algo que ele já precisara dizer antes. Apesar de fazer trilhas e viajar frequentemente pelas montanhas, ele nunca havia realmente considerado de qual cordilheira elas faziam parte.
Vendo a confusão de Taebaek, Shinu começou a desenhar as principais cadeias de montanhas da Península Coreana com sua caneta, acrescentando mais explicações.
— Sim, a crista principal da Baekdu-daegan é alta e remota. A crista principal das Montanhas Sobaek também passa por ali. As montanhas que cruzamos até agora não se comparam. É muito mais íngreme e acidentado, com penhascos de verdade.
— …A escola sequer ensina essas coisas? Por que eu não sei nada disso?
Taebaek respondeu com uma expressão intrigada, como se estivesse ouvindo uma língua estrangeira. É claro que ele sabia o que eram a Baekdu-daegan e as Montanhas Sobaek. Mas, de alguma forma, ele nunca as tinha imaginado como algo real e tangível.
Embora entendesse que a cordilheira cercava Cheongju e era traiçoeira com seus penhascos, era difícil visualizar de fato. Talvez viver em Seul o tivesse deixado ainda mais desconectado de tais realidades.
A expressão de Shinu também se tornou incerta. A escola ensinava isso? Eles podem ter abordado vagamente na aula de geografia, mas não parecia importante o suficiente para cair em uma prova.
— Uh… não tenho certeza.
— Se você nem se lembra de ter aprendido, como sabe tão bem?
— Porque eu treinei fazendo trilhas em todas as montanhas da Coreia — Shinu respondeu com naturalidade. Taebaek ergueu as sobrancelhas. Naquele momento, uma lufada de vento varreu a passagem sob a ponte, prendendo uma pequena folha na bochecha de Taebaek.
Enquanto Taebaek franzia levemente a testa, Shinu se inclinou para frente, apoiando uma das mãos no chão, e removeu a folha para ele. Então, como se nada tivesse acontecido, continuou falando.
— Enfim, como a Baekdu-daegan e a Sobaek se sobrepõem, o terreno é difícil. Também não há iluminação pública.
Taebaek fechou os olhos com força antes de reabri-los, focando intensamente no mapa.
— Não estamos na era Joseon. Mesmo que o terreno seja acidentado, deve haver estradas pavimentadas, certo?
— Mas a estrada é apenas uma rodovia de duas pistas. O resto é tudo montanha.
O mapa mostrava estradas esparsas na área montanhosa tingida de azul. As cidades próximas tinham um emaranhado de linhas amarelas e brancas representando ruas, mas as montanhas mal tinham dez estradas no total.
— …Então, se uma estrada estiver bloqueada, não há saída?
— Exatamente.
Taebaek mordeu o lábio inferior. Uma estrada de duas pistas era estreita, e ainda mais se serpenteasse por uma montanha. Se um carro ou ônibus estivesse capotado, eles não teriam escolha a não ser voltar. Se a noite caísse, as coisas ficariam ainda piores.
Mas passar por uma cidade o lembrava dos eventos que já haviam enfrentado. Se encontrassem outra situação como a da cidade de Yongin, ele preferiria voltar ao resort de golfe e viver de qualquer jeito até que um míssil eventualmente os matasse.
Taebaek soltou um suspiro pelo nariz.
— Eu farei o que você disser. Estou bem com qualquer coisa, contanto que eu não tenha que me separar de você.
— …
Os olhos de Shinu se arregalaram ligeiramente. Foi uma declaração bastante romântica. No entanto, aquele que a disse, Taebaek, parecia inteiramente indiferente. Como resultado, Shinu se viu apertando a caneta com força. Esfregando os olhos com as costas da mão, Shinu finalmente se decidiu.
— Se ficarmos presos nas montanhas, ficaremos sem opções. Se perdermos o carro ou nos perdermos, não haverá onde se esconder nem onde descansar. Então, embora seja um pouco arriscado, acho que a cidade, onde temos mais lugares para escapar, é a melhor escolha.
— Tudo bem.
— Vamos seguir o rio Mihocheon em vez de cruzar a ponte Yeamgyo. O rio fluirá entre nós e a estrada para o aeroporto, então talvez evitemos mais desses Devoradores.
— Ok.
Os dois rapidamente se prepararam para partir. Guardaram os restos da refeição, dobraram a toalha de mesa, enxaguaram a boca com enxaguante bucal, fizeram uma verificação rápida em suas armas e voltaram para o carro.
Logo, o carro estava a caminho.
Nos primeiros cinco minutos, dirigiram suavemente como de costume, seguindo pela via expressa Jungbu. Cruzaram o rio e estavam prestes a sair para uma estrada lateral.
Mas algo parecia errado.
Normalmente, rodovias e estradas nacionais são separadas por barreiras — de plástico ou pedra — especialmente sobre rios onde pontes separadas são construídas. O vão não é enorme, mas é largo o suficiente para que ninguém consiga simplesmente pular.
No entanto, cerca de dez caminhões e ônibus haviam capotado, espalhando-se pela estrada. Não parecia haver obstáculos que pudessem ter causado um acidente. A estrada estava completamente limpa. Poderiam ter derrapado e batido sozinhos? Não parecia certo.
Como uma dúzia de veículos poderia derrapar na mesma direção? A maneira como estavam atravessados na via expressa e na estrada nacional lembrava uma ponte improvisada.
Shinu e Taebaek cruzaram a estrada inquietos. Mas, ao chegarem ao fim, foram forçados a parar.
Ambos soltaram longos suspiros diante da visão à frente. Taebaek encostou a testa no volante, resmungando.
— Ah… acho que vou ter estresse pós-traumático.
Shinu deu um tapinha leve em seu braço em uma tentativa de confortá-lo.
E não era para menos. Uma barricada bloqueava a estrada à frente. Quatro carros foram alinhados horizontalmente, empilhados com portas de carros arrancadas, cadeiras, sofás de couro rasgados, placas de sinalização, armações de cama e muito mais, formando uma barreira rudimentar. Atrás dela, uma tenda grande era visível, grande o suficiente para acomodar pelo menos oito homens adultos, assemelhando-se a uma tenda militar.
E acima da barricada havia uma ponte. Felizmente, ao contrário da cidade de Yongin, não havia corpos pendurados nela. Era apenas uma ponte limpa e vazia.
Mas a estrada bloqueada, o caminho manchado de sangue, os veículos capotados, a ponte e…
— Ei, porra. Ainda tem gente vindo, hein?
— Eu te disse, as rodovias são tiro e queda.
— Carro legal. Parece brilhante. Talvez tivessem uma vida boa.
— Acham que têm comida? Spam ou algo assim?
— Idiota. Eu não disse que gente rica não come esse tipo de porcaria? São os moderadamente pobres que sobrevivem em tempos assim.
— Quem se importa. Tem mulher? Vejam se tem mulher.
— Não dá para ver daqui.
— Ei, 0817! Por que você não sai do carro?
Cerca de cinco homens. O suficiente para despertar memórias desagradáveis. Havia também membros humanos desmembrados espalhados pela barricada, como se ali fosse um açougue.
Todos os homens vestiam o mesmo estilo de jaqueta universitária. Jaquetas de universidade. O corpo era de um vermelho escuro com mangas brancas, fazendo-os parecer uma gangue truculenta.
Apesar das jaquetas, os homens pareciam jovens. Seus olhos eram estreitos, as maçãs do rosto proeminentes e os rostos marcados por cicatrizes de acne, fazendo-os parecer rapazes do ensino médio ainda passando pela puberdade.
Eles seguravam tacos de beisebol, machadinhas e martelos. Tinham pregado pregos rudimentares nos tacos de beisebol e enrolado fita nos cabos de seus machados e martelos. Sangue — fosse humano ou dos comedores — manchava suas armas.
Mas o que mais chamava a atenção… eram os Devoradores. Dois Devoradores, inchados a ponto de suas barrigas terem estourado, vagavam perto da barricada. Seus pescoços haviam sido perfurados e amarrados à barricada com correntes, seus braços cortados e suas bocas amordaçadas como cães de ataque. Embora um Devorador pudesse facilmente rasgar as mordaças com os dentes, suas mandíbulas haviam sido amarradas firmemente para que não pudessem abrir a boca. Parecia surpreendentemente seguro.
Os Devoradores debatiam seus corpos em direção aos homens, sangue escorrendo pelos buracos em seus pescoços. Mas os homens não lhes davam atenção. Pareciam acostumados com aquilo e nem sequer lhes dirigiam o olhar. Eles apenas encaravam intensamente o carro de Taebaek.
Como Shinu e Taebaek permaneceram dentro do carro sem sair, um homem que estava sentado de mau jeito em um sofá no meio da barricada pulou no chão, segurando um taco de beisebol. Ele então pegou a corrente de um dos Devoradores da mão de outro homem.
Ele se aproximou do carro com o passo confiante de um modelo de passarela. Embora mal passasse de 1,70 m de altura, ele irradiava confiança. Com aquela altura e aparência, ele normalmente seria excluído de um grupo de homens, mas de alguma forma ele se encaixava ali.
— É aquele cara com aqueles olhos…
Taebaek murmurou enquanto observava o homem se aproximar. O brilho de loucura em seus olhos assemelhava-se ao do Pastor Sung.
A memória era atormentadora. Estivesse aquela pessoa morta ou viva, ela permaneceria para sempre gravada em sua mente. Ele sentia que os rostos do Pastor Sung e de Yeongik surgiriam esporadicamente diante dele no futuro.
Taebaek estremeceu, seus ombros tremendo. O almoço que acabara de comer pareceu que estava prestes a subir.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive