Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 1.5 Online

↫─ Capítulo 1.5
Ir embora? Para onde? Em breve? Os termos embolaram-se em sua mente, formando um bolo confuso. Seu estômago instantaneamente embrulhou, como se tivesse engolido algo indigesto. Assim como no dia anterior, Valeri estava despejando coisas que ele jamais sequer ousara imaginar.
— Eu encontrei um patrocinador. O que significa que não preciso mais ficar aqui. Vou para Nova Iorque e, antes disso, vou devolver todo o dinheiro sujo que você gastou comigo.
Alexei encarou os olhos verdes do irmão, que transbordavam de desprezo. Patrocinador. Nova Iorque. Não passava de intuição e hipóteses, mas, assim que ouviu aquilo, uma pessoa veio à mente, ligando as duas coisas.
— Foi o Lian Vinter que ofereceu dinheiro para você se encontrar com ele?
Valeri, que vinha retrucando asperamente, sobressaltou-se naquele momento. Seus olhos contorcidos se arregalaram e ele se aproximou rapidamente, perguntando como se estivesse prestes a agarrá-lo pelo colarinho.
— Por que você saberia sobre o Lian…?!
Mas logo, como se tivesse adivinhado, Valeri voltou a exibir um olhar repleto de aversão. Na verdade, Alexei o vigiara durante toda a sua adolescência, quando Igor desgostava dele, e Valeri, considerando tal comportamento de Alexei como uma obsessão maluca, sentia nojo disso.
— Pare de ver esse desgraçado. Estou falando sério. Se você está perambulando por clubes porque precisa de um Ômega, eu arranjo um para você. Então, corte contato com ele agora mesmo.
Os olhos verdes de Valeri brilharam intensamente de raiva. Ele encarou Alexei de cima a baixo com os olhos arregalados e então abriu a boca. Era uma expressão que mal conseguia conter algo que borbulhava por dentro.
— Eu não quero.
— Não vou repetir duas vezes.
Quando ele respondeu secamente, sem recuar, Valeri também o enfrentou; então, mordeu o lábio, deu um sorriso torto e disparou:
— E vai fazer o quê, já que não vai repetir? Vai me espancar até a morte como da última vez? Vá em frente. Já que você ia me matar de qualquer jeito, pare de bancar o hipócrita.
Valeri escolheu uma arma eficaz.
Alexei ficou mudo. Com a expressão congelada, ele fitou os olhos verdes de Valeri. As palavras para rebater desfizeram-se como pó em um instante. Um evento do passado, sobre o qual não conversavam há muito tempo, fluiu de Valeri em um momento inesperado.
Valeri, aos treze anos, ficou em coma por várias semanas.
Ele foi o responsável por deixar a criança naquele estado. O irmão mais velho, que deveria ser um guardião, não protegeu a criança; ao invés disso, a empurrava para a beira da morte. Havia muitos motivos. Coisas demais estavam entrelaçadas. Mas, no fim das contas, havia apenas uma conclusão.
Alexei quase matou Valeri. E ainda acrescentou, com crueldade, um comentário que a criança jamais esqueceria.
— Cada vez que você age com tanta hipocrisia, isso me deixa louco de nojo. Quer você queime este lugar seguindo esse seu temperamento terrível, quer você me tranque e me espanque, faça o que quiser. Eu ainda não vou te ouvir.
A ameaça de fazê-lo obedecer por meio de espancamentos não funcionou com Valeri. Alexei batera em Valeri uma única vez no passado, pela primeira e última vez. Houve vezes em que o agarrou pelo colarinho depois disso, mas, ao ver o ódio nos olhos de Valeri, não ousou levantar a mão.
Porque foi o próprio Alexei quem tornou Valeri assim.
— Não importa o que você faça, eu vou me encontrar com o Lian. Então, nem pense em bancar o irmão mais velho patético.
Valeri deu um passo para trás. Olhou com o rosto irado para Alexei, que permanecia em silêncio, desligou a música bruscamente, pegou uma toalha e saiu primeiro da sala de ensaios. A porta bateu com força.
Somente após alguns minutos Alexei se moveu lentamente. Ele tirou um cigarro e, mantendo-o apenas entre os lábios, caminhou vagarosamente em direção à parede. Olhou através da janela de vidro e viu Valeri caminhando em direção ao estacionamento. Apoiando a cabeça contra a parede, Alexei permaneceu imóvel por um longo momento até que o outro entrou no carro e desapareceu de vista.
Yurij deve voltar logo. Ele pensa no que tem a fazer. As coisas que tem de fazer todos os dias para sobreviver. As coisas que tem feito a vida inteira, a ponto de estar farto delas. A coleira de cão, determinada desde que ele estava no ventre da mãe, apertava-lhe o pescoço sem deixar saída e o puxava. É algo familiar.
Ele tinha talento para o trabalho sujo. Desde que Valeri não precisasse pisar neste mundo desgraçado, Alexei estava satisfeito. Mesmo que o único ser que ele ama no mundo o odeie tanto, está tudo bem.
De qualquer forma, ambos precisam estar vivos para fazer qualquer coisa, certo?
Sim, eles precisam viver.
Alexei meteu a mão no bolso interno do terno e tirou o celular. Discou um número familiar e esperou pelo sinal de chamada. Logo, a ligação foi conectada.
— T-Mac, selecione todos os Ômegas que você conhece.
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A caminho da casa de T-Mac, ele recebeu uma ligação. Era de Ivan, filho de Igor. Murmurando um xingamento curto, ele deu meia-volta com o carro. Não sabia se o aquecedor do bloco do motor havia quebrado durante a noite ou se havia algum problema com o cabo que ele havia conectado, mas o gerador pifou no meio do caminho. Recentemente, o clima continuava abaixo de -31°C, então o carro agia assim se ele fosse minimamente descuidado.
Era um dia de azar.
Alexei tirou um cigarro e segurou o telefone entre o ombro e a orelha. Pelo menos o carro havia parado a uma distância de cerca de dois pontos de ônibus. Depois de desligar a ignição, ele ligou para Yurij. Assim que o sinal tocou duas vezes, a ligação foi atendida.
[— …Alyosha.]
— Você voltou?
Clique, ele acendeu o isqueiro.
[— Sim.]
— Como está o Vasily?
Vasily é o pai de Yurij. Ele foi amigo dos pais de Alexei quando estavam vivos, mas estava destinado a ser um homem morto após cair em desgraça com Igor. Alguns dedos foram perdidos no processo de fuga, mas esse era um preço barato por uma vida.
[— Ele está bem. Onde você está?]
— A caminho da casa daquele filho da puta. Yurij, venha aqui. Na 10ª Rua Sul, perto da lavanderia do velho. O carro pifou.
[— Você deve ter esquecido de carregá-lo de novo.]
— Provavelmente é um problema no pneu dessa vez.
Uma voz baixa e risonha foi ouvida. Alexei também soltou uma risada silenciosa e saiu do carro. Yurij teria a chave do veículo, então, se o deixasse ali, ele cuidaria disso.
[— Você não comeu nada, não é?]
— É um incômodo.
[— Burrito?]
— Não sou fã de mexicanos ultimamente, por causa daqueles caras. Qual você acha que é o motivo de o Ivan estar ligando? Deve ser sobre o lado do Diego. Ele vai te ligar em breve também, só para você saber.
Enquanto mantinha uma conversa trivial, chegou ao ponto de ônibus. O cigarro havia se apagado nesse meio tempo. Ele pensava em pegar um táxi, mas, justo nessa hora, um ônibus chegou. Naquele maldito inverno, os ônibus frequentemente encerravam o serviço mais cedo e partiam em vez de circular com frequência, por isso ele teve sorte.
“Já que está esse frio dos infernos, se eu caminhar com esta roupa, vou morrer congelado.” A sua linhagem vinha de um lugar gélido, mas Alexei odiava terrivelmente aquele clima.
Uma idosa parada no ponto de ônibus tomava seu tempo. Enquanto o ônibus abaixava a altura por causa do andador dela, Alexei praguejou, mas ajudou a senhora com a bagagem. Ele não sabia o que ela havia comprado tanto na Home Depot, mas, mesmo depois de encher a sacola plástica em seu andador, ainda tinha uma pilha de bagagem.
Ignorando a senhora idosa que lhe agradecia, ele subiu no ônibus. Quando estendeu uma nota de dez dólares, o motorista o fuzilou com o olhar. “Fique com o troco”, disse, encarando-o fixamente, e ouviu um xingamento sobre ter de aturar todo tipo de desgraçado maluco.
A generosidade por ali realmente não é grande coisa.
Apesar de pensar assim, Alexei passara a vida inteira ali. Se lhe perguntassem se algum dia tivera vontade de ir embora, teria de responder que não havia pensado nisso. Porque ele não conseguiria escapar.
Para quem tenta escapar do jugo de Igor, só existe a morte. Era por isso que Vasily quase morrera, e seus pais…
Ele quase perdeu sua parada, por isso apertou o sinal com força. Desceu pela porta que se abria e dirigiu-se ao clube de Ivan. Provavelmente era o maior clube não apenas em Saratov, mas em toda a Dakota do Norte.
Passando pelos funcionários que carregavam bebidas, Alexei desceu para o porão. Ivan estava sentado no palco. Ao lado dele estava um Ômega que ele nunca havia visto antes. Um rosto novo. Era um Ômega homem, bonito, de cabelos loiros e olhos verdes que fortemente lembravam Valeri.
Se Valeri não fosse um Alfa, Ivan já teria posto as mãos nele há muito tempo.
Felizmente, há uma regra na família de Igor. Trata-se de uma regra geral entre os imigrantes russos: sua religião proíbe severamente que Alfas se relacionem com outros Alfas. Se forem pegos, são criticados não apenas por sua família, mas por toda a comunidade de imigrantes. Todos que cresceram em Saratov consideravam isso garantido. O motivo de Ivan não ter tocado em Valeri era graças ao fato de ele ser um Alfa. Havia também o fato de que o Valeri adulto era muito mais alto.
— Você chegou, Alyosha?
— Sim.
Ivan era um ano mais novo que ele, mas Alexei usava tratamento formal. A maneira como ele o chamava por seu apelido era repugnante. Seus olhos saltados, que herdara de Igor, fuzilaram-no.
— Liguei para ver como estava indo o trabalho que você andava fazendo. Faz tempo que não te vejo também. Ver seu rosto bonito depois de muito tempo é um verdadeiro deleite para os olhos.
Alexei forçou um sorriso e parou na frente dele. Ivan lhe estendeu uma cerveja. Ele olhou para o líquido âmbar dentro da garrafa de vidro transparente e, em seguida, aceitou a bebida lentamente.
— Capturei alguns dos caras que trabalham sob as ordens de Diego Perez, mas é uma organização baseada em células, por isso não é fácil chegar ao topo de uma vez só.
— É bom você se apressar, Alyosha. Meu pai está desgostoso.
Ivan, que herdara apenas a crueldade e a impaciência de seu pai, não era tão perspicaz quanto Igor. No entanto, ele sabia muito bem como desfrutar de seu poder.
— Aquela vadia da Khaleesi continua tentando conectar o trabalho deles com o nosso, hein? Você sabe disso?
Com o surgimento de gangues mexicanas em Saratov, que originalmente era habitada apenas por imigrantes europeus e russos, uma impureza agora havia sido introduzida. Embora não transportassem metanfetamina abertamente, eles estavam gradualmente trazendo maconha e cocaína de lá de baixo, e o número de clientes que compravam o produto deles nos clubes também havia aumentado significativamente. O preço é mais barato e a qualidade é muito boa. O número de pessoas comprando drogas de Igor havia diminuído lentamente, e Igor estava louco para matar os concorrentes que haviam ousado entrar em seu território.
— Eu os encontrarei em breve.
— É bom mesmo. Não há ninguém como você, Alyosha.
Ouvir repetidamente o apelido, que nem seu próprio irmão lhe chamava, vindo de Ivan, lhe dava vontade de vomitar. Alexei, com um sorriso que curvava levemente os lábios sob seus olhos indiferentes, bebeu a cerveja de uma só vez e bateu a garrafa vazia com força na mesa.
— Então estarei a caminho.
— É, vá em frente.
Assim que o viu balançar a mão, ele virou o corpo. Ivan, que estava enfiando a mão entre as coxas do Ômega, disse “ah” para suas costas.
— Será que o Valeri está bem?
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr
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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
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