Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 1.4 Online


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↫─ Capítulo 1.4

O Balé Estatal da Dakota do Norte era uma pequena companhia localizada na divisa com Fargo, ligeiramente fora do centro da cidade. A área central de Saratov, um local que possuía vasta extensão, mas pouco desenvolvimento, não se parecia com um centro urbano típico e era onde ocorria a maior parte dos crimes; portanto, a zona sul, onde ficava o prédio da companhia de balé, era a mais abastada. Por isso, era uma região pela qual Alexei normalmente não tinha motivo algum para transitar.

Como Valeri detestava ao extremo esbarrar em Alexei na rua, aquela era a primeira vez que ele realmente visitava a sala de ensaios da companhia de balé. As estradas estavam bloqueadas porque uma partida iminente da NHL¹ estava programada para ser transmitida ao ar livre perto da prefeitura. Alexei contornou o beco bloqueado e estacionou o carro perto do edifício da companhia de balé.

Justo o parente de uma agente do DEA.

Onde diabos os dois se encontraram? Um bar? Um clube? Fumando um cigarro atrás do outro, Alexei caminhou em direção ao prédio. A neve acumulada até a altura das panturrilhas na calçada grudava em seus sapatos e no terno, congelando sua pele com o frio. Apesar de ser março, o clima oscilava facilmente em torno de -20°C, por isso, as pessoas sempre usavam botas de couro forradas de pele. Para Alexei, isso era algo fora de cogitação. Correr e espancar pessoas usando botas absurdamente pesadas era uma tarefa árdua até para ele.
— Você é uma pessoa autorizada? Por favor, mostre sua identidade.
Ele foi parado ao caminhar com confiança em direção ao segurança enquanto fumava um cigarro.

— Vim ver Valeri Sorokin.

Quando ele disse isso com uma expressão inexpressiva, a fisionomia do segurança mudou. Como esperado. Parecia haver mais do que uma ou duas pessoas tão insistentes quanto Alexei. A maioria delas provavelmente eram fãs ávidos de Valeri.
— Tem um cartão de visitas?
— Eu preciso de um?
Diante do tom desafiador de Alexei, o rosto do segurança se enrugou.
— Se você não é repórter ou patrocinador, é melhor dar meia-volta enquanto estou sendo educado. Há fãs mais do que suficientes como você. O senhor Sorokin está ocupado, então caia fora. Deixe de ser esquisito.

O segurança abandonou a pose formal e o ameaçou de forma intimidadora. O homem era alto como Valeri e tinha músculos consideráveis, o que indicava que haviam contratado um cara competente. E ele imaginou que o segurança o havia julgado como um perseguidor. Além disso, devia tê-lo considerado um alvo fácil com base apenas na sua aparência. Pobre Valeri. Parecia que ele já havia sido importunado por coisas assim antes. Se tivesse lhe contado, o próprio Alexei teria resolvido isso.

— Ah, você está sendo rigoroso.

Alexei pensou por alguns segundos. Primeiro, como não podia matar a pessoa, ameaçá-la com a faca que levava ou simplesmente mostrar a arma seria eficaz. Mas, é claro, o desfecho dessa atitude estúpida seria a polícia aparecer. No passado, era costume ser pego e liberado, mas agora até isso era um aborrecimento.

Outra alternativa era simplesmente desferir um golpe na cabeça do segurança, espancá-lo moderadamente e subjugá-lo, mas Valeri odiaria aquilo.

Nada é fácil.

Alexei suspirou e jogou o cigarro no chão. Em seguida, baixou a cabeça por um momento, forçou um sorriso no rosto e aproximou o rosto do nariz do segurança.
— Vá até o Lerusha e diga que o irmão dele está aqui.
— Eu mandei você cair fora.
Sem perceber as boas intenções de Alexei de resolver as coisas pacificamente, o segurança se manteve irredutível. Alexei estalou a língua e olhou de relance para o crachá de identificação do homem. O sobrenome lhe era familiar. Yeyev. Yeyev… Ah. Alguém cruzou rapidamente por sua mente.
— Você é o irmão mais novo do Anton?
— … O quê?
— Olhando para esse seu nariz feio, só pode ser. Seu irmão está bem? Da última vez, ele estava fazendo o maior escândalo sobre abrir o próprio negócio, então transformei seus joelhos em pó. Ele consegue andar um pouco agora? Diga que quero vê-lo.
O segurança piscou e soltou um palavrão enquanto cambaleava para trás. O nome de Alexei era bem conhecido, mas seu rosto e sobrenome não eram. Primeiro, porque nada de bom resultaria de sua identidade ser revelada; segundo, para evitar mostrar sua ligação com Valeri; e terceiro, porque a maioria das pessoas que via seu rosto direito não retornava.

Como todas as pessoas com quem lidava eram criminosas, Alexei sempre as visitava à noite, como um verdadeiro cavalheiro. Porque essa era a regra não escrita da indústria.
— Seja um bom menino e abra a porta.
Alexei deu um tapinha na bochecha do segurança, mostrando os dentes em um sorriso. Conforme seus olhos afiados se estreitavam e um sorriso ameaçador se revelava, o segurança apressadamente abriu a porta. Parecia que Anton, felizmente, havia educado o irmão mais novo da maneira correta.

Deixando o segurança atônito para trás, Alexei começou a examinar o interior vagarosamente. Ele nunca tinha ido tão longe porque não queria surpreender aquele rosto bonito, que faria careta até mesmo com a sua aparição em um espetáculo de balé. O local era menor e mais simples do que ele imaginava. Valeri merecia estar em um lugar muito melhor do que aquele.

Então, coisas que havia esquecido vieram à tona.

Desde o princípio, Alexei planejava mandar Valeri para outra cidade depois que ele se tornasse adulto. Economizar dinheiro e curvar-se às ordens de Igor eram ações feitas unicamente por ele. Portanto, era natural que Valeri encontrasse seu próprio parceiro e deixasse o ninho mais cedo ou mais tarde. Porém, não havia se dado conta disso porque vinha vivendo como se o futuro estivesse muito distante. E que, no fim das contas, ele ficaria completamente sozinho.

Mas, francamente, não com Lian Vinter. Se Igor viesse a saber dessa notícia, muito provavelmente, a carreira de Valeri, assim como sua vida, chegariam ao fim. Ele nem sequer conseguia imaginar de que forma horrível Valeri morreria.

Diante desse pensamento nauseante, Alexei apressou o passo. Ao subir mais um andar, ouviu uma música vindo de algum lugar. O centro ficava silencioso durante o dia. Alexei silenciou o som de seus sapatos e seguiu lentamente na direção da música. Através do vidro de uma porta fechada, ele avistou uma silhueta familiar.

Uma música clássica tocava no ambiente. Em meio à melodia serena, que não era nem espalhafatosa nem grandiosa, Valeri inclinou o corpo e ergueu os braços de forma gradual. Seus dedos eram delicados, como se estivessem flutuando no ar. As mãos e os braços, que haviam se movido para o lado acompanhando seu olhar, retornaram à posição inicial, e desta vez ele elevou suas longas pernas com total naturalidade. Fios de cabelo dourado, encharcados de suor, colavam-se à sua testa. Seus lábios avermelhados sobressaíam nitidamente.

Ele não o via ensaiar desde os tempos de infância.

Alexei apoiou-se na porta e contemplou Valeri. As apresentações públicas eram entediantes ao extremo, mas os movimentos do irmão mais novo possuíam uma elegância aterrorizante, mesmo sem saltos ou piruetas mirabolantes. Era impressionante a facilidade com que ele estendia suas longas pernas em linha reta com tanta força, mantendo uma flexibilidade impecável. Seu corpo, delineado pela roupa de balé justa, era denso e firme, assemelhando-se a uma bela escultura.

Esquecendo-se momentaneamente do verdadeiro propósito de sua visita, ele permaneceu estático observando, até que o olhar de Valeri se voltou diretamente para a porta onde ele estava. Os dois pares de olhos se encontraram através do vidro. Instantaneamente uma expressão de pura contrariedade tomou conta daquele rosto, que antes parecia relaxado. Encarando aqueles olhos transbordando de aversão explícita, Alexei abriu um sorriso preguiçoso.

Ele via aquela mesma expressão todos os dias, portanto, já deveria estar acostumado.

Apesar de tudo, Alexei sorria. Para ele, o fato de Valeri estar vivo bem diante de seus olhos já bastava. E, por isso mesmo, ele precisava agir com firmeza para garantir que o rapaz continuasse sobrevivendo.

Quando Alexei abriu a porta e entrou, Valeri caminhou em sua direção a passos largos. Contrariando a atmosfera ameaçadora que pairava no ar, a música continuava a ecoar de maneira pacífica.
— Você enlouqueceu? O que pensa que está fazendo aqui?
— Eu te mandei ir para casa, Lerusha.
Quando ele falou em um tom de voz grave, a raiva tomou conta de Valeri. O rapaz esboçou um sorriso irônico, como se estivesse farto e exausto daquilo tudo. Suas sobrancelhas atraentes franziram-se com força.
— Pelo visto, você ignorou completamente o que eu disse ontem.
Como esperado, uma sucessão de emoções cruzou o olhar de Valeri. “O que mais eu poderia esperar de você?” Coisas desse tipo. Valeri encarava Alexei com uma expressão que deixava claro que ele havia desistido há muito tempo e sentia um profundo nojo. De todas as reações possíveis que Valeri costumava ter, aquela era a que Alexei mais odiava. Para ser exato, aquele vazio que nem sequer demonstrava desapontamento causava-lhe uma dor lancinante.
— Ouça com atenção quando eu estiver falando. Valeri Sorokin.
Ele deu uma ênfase especial ao sobrenome Sorokin. Alexei desmanchou o sorriso do rosto e aproximou-se de Valeri. Podia notar perfeitamente a irritação borbulhando naquelas feições lindas que o fitavam de cima. Alexei encarou em silêncio os lábios vermelhos do irmão. Seria com aqueles mesmos lábios que ele havia chupado e lambido Lian Vinter?
— Quem disse que você podia ir ao clube?
A contrariedade estampou-se no rosto de Valeri antes de dar lugar a um sorriso de canto.
— Pelo jeito, você ainda continua mandando pessoas me vigiarem, não é?
— Apenas responda à minha pergunta.
— Já passei há muito tempo da idade tola de seguir suas ordens. Sou um adulto e não tenho motivo algum para dar ouvidos às suas baboseiras.
A quem ele puxou para falar de forma tão insolente e petulante? Alexei pensou em um elogio e em um xingamento ao mesmo tempo.
— Passei a vida inteira limpando a sua barra, então eu tenho esse direito.
Valeri, mantendo o sorriso torto, soltou uma risada abafada.
— Vou devolver aquele dinheiro sujo em breve e, a partir desse momento, desapareça da minha vida. Eu vou embora daqui em pouco tempo.
Alexei piscou. Suas sobrancelhas escuras franziram-se levemente. Seus olhos afiados, de um tom azul-acinzentado, faiscaram. As palavras que acabara de ouvir soavam completamente descabidas.
— Repita o que disse.

↫─☫ Continua….

ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr

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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
Nome alternativo: 1 The First Commandment

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