Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 90 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 90

O xingamento escapou por entre seus dentes. Ele ergueu a mão, pretendendo apenas afrouxar a gravata, mas acabou arrancando-a por completo. Com um sibilar agudo como o de uma cobra rastejante, a gravata de seda soltou-se, finalmente concedendo algum ar à sua garganta comprimida. Flexionando em punhos os dedos que ainda formigavam e soltando-os, Jo Yeon-oh finalmente deu um passo à frente. Ele precisava verificar a situação e agir.

Os feromônios que saturavam o ar eram tão acres que pareciam pegajosos contra a sua pele. A única razão para aquilo não ser esmagadoramente repulsivo era porque o aroma estava explicitamente moldado de acordo com as preferências mais profundas de Jo Yeon-oh, tornando a sensação inebriante em vez disso. Mas, fundamentalmente, não era diferente de sufocar com a fumaça que saía de um incêndio violento.

Fechando os olhos com força e abrindo-os de repente, Jo Yeon-oh finalmente estendeu a mão e segurou a maçaneta do quarto. O metal estava congelante contra a sua palma, fazendo-o ficar agudamente ciente de quão perigosamente alta a sua própria temperatura corporal havia subido. As dobradiças — recentemente substituídas, ao que parecia — abriram a porta sem um único rangido.

— So Gi-hyeon.

Como um homem que deixa sua hesitação no limite do portal, Jo Yeon-oh deu um passo audacioso para dentro do quarto. Ele ficou em silêncio, encarando a cama com a expressão resignada de um homem que enfrenta sua ruína predeterminada. Encolhido firmemente em meio aos lençóis violentamente emaranhados — evidência de uma luta desesperada — estava o ex-namorado de Jo Yeon-oh.

— Hah…

— …

No momento em que seus olhos se encontraram, Gi-hyeon soltou um gemido febril e ofegante.

Assustado com o som que rasgava sua própria garganta, Gi-hyeon rolou preguiçosamente, enterrando o rosto no colchão e virando as costas para Jo Yeon-oh. Era uma reação impossivelmente estúpida — como um faisão que enterra a cabeça na neve, acreditando que se não puder ver a ameaça, a ameaça não poderá vê-lo —, mas um suspiro doce e indefeso escapou por entre os dentes de Jo Yeon-oh.

Com o rosto sendo uma máscara perfeita de desespero misturado a puro desejo, Jo Yeon-oh falou em um murmúrio baixo: — …Você não deveria estar tendo um ciclo de cio durante a gravidez.

— Eu… eu estou instável… por isso isso… ngh—

Vendo um telefone descartado no chão perto da cama, Jo Yeon-oh deduziu que Gi-hyeon já havia tentado ligar para o hospital. Ele claramente tentara o seu melhor para lidar com a situação, mas o suor frio que brotava em sua testa provava que qualquer conselho que recebera fora totalmente inútil.

— Porque estou… grávido… disseram que não posso usar supressores, ngh… eu só tenho que aguentar, ah…

Claro. Pelo conhecimento de Jo Yeon-oh, não havia solução médica melhor.

Com o rosto se contorcendo em frustração, Jo Yeon-oh puxou o próprio telefone e fez uma ligação. Gi-hyeon murmurou fracamente, implorando para que ele não ligasse para o Hospital Haeseong. Supondo que Gi-hyeon estivesse aterrorizado com a propagação de boatos entre seus colegas no centro de reabilitação, Jo Yeon-oh lançou-lhe um olhar rápido antes de sair do quarto. Ele discou para o professor de obstetrícia com quem o Gerente Yoo o havia conectado anteriormente.

Enquanto descrevia brevemente os sintomas de Gi-hyeon, Jo Yeon-oh voltou para o quarto para pressionar a mão contra a testa de Gi-hyeon, verificando a febre. Mesmo aquele breve toque foi uma batalha brutal contra uma onda avassaladora de puro impulso. Ele foi forçado a recuar para a sala de estar, praticamente fugindo do aroma.

— Será doloroso, mas ele simplesmente precisa aguentar. Isso acontece ocasionalmente, mas mesmo que ele venha ao hospital, não há nada que possamos prescrever. A única opção é o parceiro do paciente grávido acalmá-lo. A intimidade física com o parceiro ajudará na estabilização, por isso aconselho fortemente a utilização desse método, se possível. Apenas aguentar nem sempre é a resposta. Se ele tentar suprimir isso à força, o sistema de feromônios pode se distorcer ainda mais, levando a complicações graves, por isso você deve ser extremamente cuidadoso.

O diagnóstico do professor não era diferente do que Gi-hyeon provavelmente havia ouvido. Não, era significativamente pior. O professor estava prescrevendo explicitamente intimidade física com um alfa. E o único alfa em qualquer lugar perto de So Gi-hyeon era Jo Yeon-oh. Deixar outro alfa chegar perto dele estava absolutamente fora de cogitação.

Encerrando a chamada, Jo Yeon-oh arrastou lentamente a borda do telefone pelo osso da sobrancelha, com a cabeça baixa. Mesmo durante aquela breve conversa, as veias de seu pescoço haviam saltado violentamente. Ele podia sentir sua artéria carótida martelando freneticamente contra o colarinho. Sem uma palavra, ele esticou a língua para molhar o lábio inferior e voltou para o quarto.

— …

Ele congelou instantaneamente ao ver Gi-hyeon se contorcendo na cama, arquejando pesadamente em agonia. Uma mancha escura de umidade havia florescido na coxa da calça de terno de Jo Yeon-oh. Talvez seu corpo se lembrasse do aroma inebriante do ômega que outrora possuíra, porque o líquido pré-ejaculatório já estava vazando livremente. Lutando para limpar sua visão subitamente estonteante, Jo Yeon-oh aproximou-se da cama mais uma vez.

— …O que você quer que eu faça? Devo apenas ficar ao seu lado?

— Hah…

Gi-hyeon não tinha condições de manter uma conversa. Quando Jo Yeon-oh chegou, ele conseguia ao menos juntar as palavras, mas agora seus olhos estavam completamente desfocados, transbordando de um calor febril e nebuloso.

Pensando bem, ele também não estava exatamente lúcido quando Jo Yeon-oh entrou. Ele nem sequer pensara em esconder sua excitação, esfregando desavergonhadamente sua metade inferior contra o colchão. Fora um movimento sutil, mas perceber que ele estava fazendo aquilo inteiramente sem consciência fez a espinha de Jo Yeon-oh queimar. Ele estava tão duro que seu pau doía com uma dor latejante e pesada.

Portanto, So Gi-hyeon, o homem que havia declarado explicitamente que eram apenas amigos, nunca se comportaria voluntariamente assim na frente dele. Mesmo quando estavam namorando oficialmente, Gi-hyeon nunca se mostrara completamente nu. Exibir uma excitação sexual tão flagrante não era algo que o Gi-hyeon que ele conhecia faria de bom grado.

O que tornava a visão de Gi-hyeon olhando para ele com aquela expressão encharcada de febre inimaginavelmente perigosa. Jo Yeon-oh queria desesperadamente fazer algo por ele, mas o homem diante dele havia perdido completamente toda a razão.

— P-Por favor, me…

Gi-hyeon murmurou, suas palavras se derretendo em um gemido. Jo Yeon-oh enterrou o rosto nas mãos, esfregando a pele secamente. “Não posso confundir isso com os verdadeiros sentimentos de Gi-hyeon”. So Gi-hyeon havia perdido o juízo; Jo Yeon-oh era o único nesta sala ainda capaz de pensamento racional.

Mas o professor havia alertado que deixá-lo assim era fisicamente perigoso. Decidindo tentar algo, Jo Yeon-oh liberou cautelosamente seus próprios feromônios, esperando acalmá-lo, mas Gi-hyeon não mostrou sinais de se tranquilizar. No mesmo instante em que o remexer de Gi-hyeon se intensificou, um aroma vertiginosamente potente e excessivamente doce explodiu no ar.

— Hah, você…

Segurando o ombro de Gi-hyeon, Jo Yeon-oh calmamente o rolou de costas. O cós de sua calça de moletom cinza estava encharcado. A ponta de sua glande, espiando diagonalmente, estava viscosa com um fluido branco-leitoso, como se alguém tivesse derramado iogurte sobre um pedaço de fruta.

Jo Yeon-oh começou a tirar a camisa. Ele desabotoou a metade superior, deixou os três botões inferiores presos e simplesmente a rasgou para abrir. O estalo agudo dos botões atingindo o chão ecoou no quarto; eles rolariam para os cantos, perdidos para sempre. Em seguida, ele soltou as abotoaduras das mangas rasgadas e esfarrapadas. Seus lábios estavam secos como osso, forçando-o a molhá-los constantemente com a língua enquanto finalmente descartava por completo a camisa arruinada.

— Hah, ngh…

Mesmo através de tudo isso, Gi-hyeon ainda estava se contorcendo de dor. Apoiando um joelho no colchão ao lado de Gi-hyeon, Jo Yeon-oh puxou o cinto. Então, ele abriu o zíper da braguilha. Sua coxa ainda estava desconfortavelmente úmida. Mesmo enquanto tentava desesperadamente negar a realidade da situação, seu pau claramente estivera vazando líquido pré-ejaculatório continuamente.

Quando ele finalmente empurrou as calças para baixo, ficou vestindo nada além de suas meias sociais — seguradas por suspensórios de meia — e sua cueca boxer. Como fora forçado a prender sua enorme ereção para baixo contra a coxa, o mero comprimento e a circunferência dela agora faziam a cabeça saltar com força por baixo da faixa da perna de sua cueca. Sem se dar ao trabalho de ajeitá-la, Jo Yeon-oh apoiou ambos os joelhos no colchão, posicionando-se diretamente sobre Gi-hyeon, prendendo-o entre suas coxas enquanto olhava para ele.

— So Gi-hyeon.

— …Ngh…

Gi-hyeon ainda parecia completamente fora de si. Ele se remexia sem descanso, esfregando a nuca contra os lençóis e encolhendo o corpo para dentro. Com a expressão contorcida, Jo Yeon-oh murmurou sombriamente: — Quando você finalmente recuperar os seus sentidos mais tarde.

— …

— Saiba que fui eu quem fez tudo isso.

Gi-hyeon piscou os olhos nebulosos. Não parecia que ele estava perguntando o que Jo Yeon-oh queria dizer; o movimento era inteiramente desprovido de significado. Seu olhar não conseguia se fixar em nada.

Mesmo quando olhava na direção de Jo Yeon-oh, seus olhos pareciam ver através dele. O desejo avassalador de lamber aqueles olhos vidrados e entreabertos fez Jo Yeon-oh franzir a testa. Seus desejos eram imundos, e o homem deitado sob ele era de tirar o fôlego de tão lindo.

Sem quebrar o contato visual, Jo Yeon-oh prendeu os dedos no cós da calça de moletom e da cueca de Gi-hyeon, arrastando-as para baixo. O tecido amontoou-se e prendeu-se levemente nas coxas firmes de Gi-hyeon; quando Jo Yeon-oh as arrancou com um puxão brusco, um som molhado e pegajoso ecoou por entre as pernas de Gi-hyeon, e algo viscoso pingou, manchando instantaneamente os lençóis da cama com uma mancha escura e circular de umidade.

— …Isso vai me deixar a porra de um louco.

Jo Yeon-oh fechou os olhos com força e os abriu novamente. Sentia que seu pau também ia explodir. Exausto pelas sensações avassaladoras, Gi-hyeon começou a ganir continuamente. Jo Yeon-oh sabia por experiências passadas que Gi-hyeon tendia a agir de forma manhosa quando a estimulação física se tornava excessiva para suportar, mas vê-lo agora o encheu de um prazer tão intenso e distorcido que ele mal conseguia se conter.

— Gi-hyeon-ah, está demais?

Sem entender a pergunta, Gi-hyeon pareceu acenar debilmente. Cada vez que ele piscava, revelando aqueles olhos brilhantes de febre, ele parecia deslumbrantemente lindo, completamente alheio à maneira escura e faminta como o olhar de Jo Yeon-oh se arrastava pelo seu rosto. Outros poderiam descrever as feições de Gi-hyeon como classicamente masculinas e sólidas, mas para Jo Yeon-oh, sempre houvera um tom estranhamente erótico em seu rosto. Deixá-lo sozinho em qualquer lugar parecia um risco profundo.

Se alguém o pressionasse, Gi-hyeon normalmente apenas suspiraria e ajustaria sua postura, tolerando. Mas, apesar de seu comportamento normalmente controlado, ele possuía um lado profundamente impulsivo, ocasionalmente explodindo, declarando que havia terminado e simplesmente indo embora. Ele era extremamente imprevisível nesse aspecto. Essa mesma contradição — a paciência estoica combinada com a impulsividade explosiva — atraía enxames de pragas. …Seja no exército ou no trabalho, So Gi-hyeon sempre parecia atrair psicopatas absolutos como Jo Yeon-oh.

Especialmente em ambientes fechados e hierárquicos como o militar, essas pragas pareciam cercá-lo implacavelmente. O Gerente Yoo estava investigando o incidente no momento, mas relatórios iniciais sugeriam que Gi-hyeon fora ostracizado após recusar as exigências sexuais de um oficial superior. Sem dúvida, outro bastardo demente exatamente como Jo Yeon-oh reconhecera a vulnerabilidade subjacente de Gi-hyeon e se fixara nele como um parasita. “Vou moer os ossos dele até virarem pó e dá-los de comer aos cachorros”, prometeu Jo Yeon-oh silenciosamente.

Independentemente disso, Gi-hyeon fora forçado a suportar sanguessugas drenando seu sangue por toda a vida. E, neste exato momento, a história estava se repetindo.

Plenamente consciente de que o que estava fazendo era praticamente um roubo, Jo Yeon-oh enterrou o rosto na curva do pescoço de Gi-hyeon e inspirou profundamente. O aroma era tão intensamente excitante que fazia sua metade inferior latejar, mas, simultaneamente, assentava um peso pesado e confortante em seu peito, preenchendo-o com uma sensação profunda de alívio. Jo Yeon-oh abaixou-se lentamente sobre Gi-hyeon, alinhando suas virilhas, e começou a se esfregar contra ele.

— Ah, ah—!

A reação foi instantânea. Gi-hyeon desferiu ambas as mãos na bunda de Jo Yeon-oh e empurrou para baixo com força, aumentando violentamente a fricção entre seus paus. Era a primeira vez que Gi-hyeon iniciava o contato, exigindo-o ativamente. Faíscas explodiram na visão de Jo Yeon-oh. Ele sentiu que estava perdendo o juízo.

— Gi-hyeon-ah, So Gi-hyeon…

Ele proferia o nome de Gi-hyeon como uma prece. Ele não conseguia controlar o volume puro de feromônios que inundavam seu corpo. O desejo primitivo e visceral de dominar completamente So Gi-hyeon e reivindicá-lo como seu ômega sequestrou totalmente o seu pau.

— Está gostoso, hm?

Apesar da pergunta sôfrega e desesperada, Gi-hyeon só conseguiu responder com a mandíbula trêmula. A sensação de Gi-hyeon se esfregando contra ele através da barreira da cueca era impossivelmente boa, mas o desejo desesperado pelo contato pele com pele venceu. Jo Yeon-oh parou de se esfregar, empurrou-se para cima e empurrou sua cueca para baixo.

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.

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