Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 89 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 89

Era enfurecedor como eles sempre davam o primeiro soco, escondiam rapidamente as mãos e depois se faziam de vítimas inocentes. Eles claramente ainda acreditavam que havia carne para arrancar dos ossos do velho. Recusando-se a desperdiçar mais um pensamento com o enxame de fantasmas famintos que se contorciam lá dentro, Jo Yeon-oh saiu pela entrada principal e pisou nas pedras do jardim. O Gerente Yoo imediatamente o acompanhou.

— O que é isso? Você ficou aqui fora sem comer?

— Eu comi. Quem bebeu em vez de comer foi você, Diretor — respondeu o Gerente Yoo, balançando a cabeça. Sem se dar ao trabalho de discutir, Jo Yeon-oh estendeu a mão, e o Gerente Yoo prontamente colocou uma pasta parda em sua palma.

— Esta é a lista de promoção da época da baixa militar do Sr. So. — Levou um tempo considerável para extrair esse único documento. O mero atraso fora suficiente para azedar completamente o humor de Jo Yeon-oh.

Segurando a pasta, Jo Yeon-oh instintivamente apalpou o interior do paletó, lembrando-se apenas tardiamente de que havia parado de fumar algumas semanas atrás. Ao seu lado, o Gerente Yoo ofereceu: — Quer que eu lhe dê um? — Jo Yeon-oh balançou a cabeça e depois desviou o olhar para encarar intensamente o subordinado.

— …Por que está me olhando assim?

— Hum, não é nada.

Ele ancorou o olhar de volta no documento. O papel estava repleto de nomes de absolutos bastardos. Mesmo que ele os arrastasse todos amarrados como uma fieira de corvinas secas e os forçasse a se ajoelhar diante de So Gi-hyeon, ele não podia garantir que o fantasma que mancava no tornozelo totalmente curado de Gi-hyeon desapareceria.

Em vez disso, havia algo que ele queria mostrar aos nomes daquele papel, não a So Gi-hyeon. Dobrando o documento com cuidado, Jo Yeon-oh enfiou-o no bolso interno onde costumava ficar o seu maço de cigarros. Ele pretendia plenamente carregá-lo por aí, pressionado contra o peito por um tempo, como um homem que acabara de receber uma carta de amor apaixonada.

Refletindo em silêncio por um momento, ele falou: — Devo fazer algo legal para o Sr. Seong-cheol?

— Você está se referindo ao pai do Diretor Jo Yeon-shin?

Jo Yeon-oh assentiu, franzindo a testa como se estivesse mergulhado em pensamentos antes de continuar: — Não disseram que as negociações trabalhistas na divisão Química estavam estagnadas? Os trabalhadores do sindicato devem estar passando por dificuldades; por favor, enriqueça um pouco a vida deles. Junte alguns advogados de peso à causa deles.

Se eles se sentissem fortalecidos o suficiente para iniciar uma greve generalizada, melhor ainda. Uma corporação só poderia sobreviver se seus trabalhadores prosperassem, tornando isso um ato altamente significativo de sabotagem corporativa. O Gerente Yoo inclinou a cabeça em sinal de entendimento, mas depois hesitou, lutando para dar voz a um pensamento repentino.

— Parece que o Presidente já sabia antes mesmo de o Diretor Jo mencionar. Ele ordenou um teste de DNA no filho do Sr. So.

— Ah, você está realmente compartilhando isso comigo? Isso deve ter colocado você em uma posição bastante difícil. — Jo Yeon-oh soltou uma risada seca. Um calafrio profundo percorreu a espinha do Gerente Yoo. Era flagrantemente óbvio que Jo Yeon-oh já havia antecipado que Jo Gyu-deok faria um movimento. Sendo o guardião de um segredo infinitamente maior, o Gerente Yoo não pôde deixar de se sentir aterrorizado.

— Não é tão difícil, então apenas resolva isso para ele. Eles não fazem amniocentese ou algo assim enquanto a criança ainda está no útero? Apenas compre os resultados do teste de outra pessoa quando chegar a hora. — Ouvindo o murmúrio desdenhoso, o Gerente Yoo percebeu que Jo Yeon-oh ainda não tinha ficado sabendo do pacto secreto que ele havia feito com Gi-hyeon.

Ele havia escondido isso de Jo Gyu-deok por precaução, mas a situação estava se tornando volátil rapidamente. Preso por sua promessa a Gi-hyeon, o Gerente Yoo não podia revelar a verdade facilmente. Completamente alheio à tempestade que rugia dentro de seu subordinado, Jo Yeon-oh murmurou apaticamente: — Hoje… vamos apenas para casa.

— …Você não vai para Ilsan? — Quando o silêncio foi sua única resposta, o Gerente Yoo abandonou a pergunta, descendo os degraus para abrir a porta traseira do sedã. Ele observou Jo Yeon-oh entrar antes de fechá-la e dar a volta no capô.

Embora o verão estivesse se afastando progressivamente, o ar-condicionado do carro ainda soprava uma brisa gelada. Jo Yeon-oh lançou um olhar fugaz para os enormes portões da propriedade visíveis através da janela antes de se desviar.

O que eu deveria fazer? Qual é o movimento certo aqui? Amigos? Olhando para trás, o próprio conceito de serem “apenas amigos” era apenas uma desculpa parasitária que ele usara para sugar com confiança o afeto de Gi-hyeon.

Jo Yeon-oh conhecia a pele nua de Gi-hyeon. Ele conhecia a textura exata de suas paredes internas. Ele sabia o quão completamente encharcadas suas membranas mucosas podiam ficar, como era o toque de seus lábios e como seus mamilos perfeitamente redondos endureciam sob o roçar de uma língua.

“Então por que você pediu para voltar a ser amigos naquele exato momento? Desde que descobri a doçura maldita e inebriante dentro de você, tornei-me totalmente incapaz de voltar a qualquer outra coisa. Qual é a diferença entre você, que consegue reverter isso facilmente, e eu, que estou preso para sempre?”.

Com um baque firme, a porta do lado do motorista se fechou. Observando o Gerente Yoo apoiar a mão na alavanca de câmbio, Jo Yeon-oh cuspiu uma ordem impulsiva: — …Vamos para Ilsan.

O Gerente Yoo colocou o carro em movimento sem fazer uma única pergunta. Saindo de Seongbuk-dong, o sedã entrou na rodovia Gangbyeonbuk-ro, acelerando em direção a Ilsan. Apesar de ter declarado que não iria hoje, Jo Yeon-oh encarou o relógio digital brilhando no painel central e fez uma pergunta.

— Ouvi dizer que as pessoas dormem muito no início da gravidez. Quero chegar lá antes que ele durma; isso é possível? — Prometendo fazer o seu melhor, o Gerente Yoo acelerou. Dada a hora tardia, o trânsito estava escasso, permitindo-lhes entrar no centro de Ilsan em tempo recorde. Então, outro pensamento atingiu Jo Yeon-oh.

— Eu estou cheirando a álcool? Ele está tão sensível ultimamente, não sei dizer se é enjoo matinal ou o quê. — O Gerente Yoo se perguntou brevemente se o “ele” a quem Jo Yeon-oh se referia era So Gi-hyeon ou o feto dentro dele, mas optou por uma resposta brutalmente honesta: — …Sim, bastante.

— Me dê um chiclete ou pastilhas de hortelã se tiver.

— Não tenho nenhum comigo. Devemos parar em uma loja de conveniência?

Como proprietário do veículo, Jo Yeon-oh nunca fora do tipo que comia dentro do carro. Pedir chiclete quando ele geralmente nunca mastigava era altamente incomum. Quando lhe foi oferecida a parada na loja de conveniência, Jo Yeon-oh pareceu verificar as horas novamente antes de ficar em silêncio. O Gerente Yoo deu por si ocupado monitorando simultaneamente o humor de Jo Yeon-oh pelo espelho retrovisor e pisando no acelerador.

Eles estavam a apenas um quarteirão e a uma única curva à esquerda da vila de Gi-hyeon quando Jo Yeon-oh de repente ordenou que ele encostasse. Ligando o pisca-alerta, o Gerente Yoo parou junto ao meio-fio. Jo Yeon-oh pulou para fora imediatamente, caminhou até a janela do passageiro e enfiou a mão lá dentro.

— Você está com o meu cartão, certo? — Ele devia ter deixado a carteira para trás, presumindo que estava apenas visitando a propriedade principal. O Gerente Yoo puxou o cartão corporativo de Jo Yeon-oh de sua própria carteira e o entregou. Agarrando-o, Jo Yeon-oh virou-se e marchou rapidamente para dentro de uma loja de guiozas bem iluminada.

— …Guiozas fritos? — Inclinando-se um pouco para a frente, o Gerente Yoo leu o letreiro iluminado da loja através da janela. Era um estabelecimento especializado em guiozas fritos e tteokbokki, não em guiozas cozidos no vapor padrão. Perdendo o interesse, o Gerente Yoo estava traçando ociosamente o emblema do volante do sedã com o dedo indicador quando a porta traseira se abriu e Jo Yeon-oh subiu de volta.

— O que você comprou?

— Tteokbokki. Ele gosta desse tipo de coisa. …Porra de paladar barato. — Embora tenha resmungado a reclamação para si mesmo, não soou como uma repreensão; na verdade, ele parecia estranhamente satisfeito, fazendo o Gerente Yoo engolir um suspiro. Desde que ele anunciara que estavam indo para Ilsan, a atmosfera opressiva no banco de trás havia se dissipado consideravelmente, tornando a viagem muito mais fácil.

A vila estava perto.

Dando a seta, o Gerente Yoo entrou no complexo residencial e estacionou em uma vaga adequada. Olhando para trás enquanto Jo Yeon-oh se preparava para sair, ele perguntou: — Quer que eu leve isso lá para cima para você?

— Sim, por favor, faça isso. Vou fazer setenta anos depois de amanhã, então mal tenho forças para levantar uma colher. — Reconhecendo o sarcasmo irônico como uma rejeição clara — essencialmente desafiando-o a tentar —, o Gerente Yoo perguntou com um toque de apatia: — Devo esperar?

— Traga minhas roupas pela manhã. Cancele a reunião de café da manhã. — Deixando para trás as palavras que as secretárias mais odiavam, Jo Yeon-oh saiu e bateu a porta. O Gerente Yoo balançou a cabeça enquanto observava Jo Yeon-oh carregar as sacolas plásticas pretas que pareciam pesadas em direção à entrada da vila, digitando a senha comunitária com facilidade praticada.

Ainda assim, era um alívio terem vindo para Ilsan. Quando recebera a lista pela primeira vez, Jo Yeon-oh havia secado o ar com feromônios assassinos o suficiente para matar, mas no momento em que ordenara que fossem para Ilsan, ele os havia contido completamente. Conter esse tipo de poder não deve ter sido fácil, deixando o Gerente Yoo se perguntando se havia sido um esforço consciente ou puramente instintivo.

Provavelmente era porque os exames feitos após o retorno a Seul confirmaram a extrema vulnerabilidade de Gi-hyeon aos feromônios dominantes de Jo Yeon-oh. — …Pensando bem, os resultados detalhados dos exames devem sair em breve.

Como agora ele também estava gerenciando pessoalmente os registros médicos de Gi-hyeon, precisava acompanhar as datas. Puxando o telefone do bolso interno, o Gerente Yoo abriu seu aplicativo de calendário. — Viu? É realmente em breve. — Uma consulta para os resultados estava agendada para a próxima quinta-feira. Resolvendo lembrar Jo Yeon-oh do compromisso ao entregar seu terno amanhã de manhã, o Gerente Yoo afastou suavemente o sedã do meio-fio.

No entanto, logo no dia seguinte, o Gerente Yoo nunca chegou à vila de Gi-hyeon. Ele simplesmente recebeu uma única e concisa mensagem de Jo Yeon-oh ordenando que ele não fosse.

Ele estava na metade da digitação da senha quando se lembrou da exigência irritada de Gi-hyeon de que ligasse antes.

Detendo-se, ele apertou a campainha em vez disso. Enquanto esperava, ele sacudiu o peito e as mangas. Se o fedor de álcool ou a pesada permanência de seus feromônios ainda estivessem grudados nele, sem dúvida irritariam Gi-hyeon, que era surpreendentemente sensível, apesar de seu comportamento geralmente descontraído.

De repente, o peso das sacolas plásticas em suas mãos se fez notar. O pensamento fugaz de que estavam pesadas e que ele queria largá-las rapidamente dominou sua mente. Incapaz de suportar a breve espera, Jo Yeon-oh digitou impacientemente a senha na fechadura de qualquer maneira. Culpando as sacolas caídas, ele escondeu rapidamente suas próprias emoções patéticas e desesperadas atrás da desculpa esfarrapada. Ele até murmurou em voz alta, como se tentasse provar isso para um público invisível.

— Por que ele está demorando tanto?

Com um bipe eletrônico, a porta se destrancou. Jo Yeon-oh entrou, murmurando desculpas para o ar vazio. A casa estava num silêncio mortal. A porta do corredor interno estava escancarada e, bem no momento em que ele tirou os sapatos para dar o passo definitivo para dentro…

— …So Gi-hyeon?

Ele congelou instintivamente. O ar na sala de estar estava sufocantemente espesso com feromônios. Tão densos que quase tinham uma textura física, os feromônios apegaram-se ao corpo de Jo Yeon-oh com uma velocidade surpreendente.

— Que porra é…

Murmurando em absoluto perplexidade, Jo Yeon-oh cobriu o nariz e a boca com o antebraço e avançou mais para o interior. Ele chamou o nome de Gi-hyeon repetidamente, mas não houve resposta. A sala de estar estava vazia. A porta do quarto principal estava firmemente fechada e não havia sinal de movimento no closet ou no quarto do bebê.

Só havia um lugar onde ele poderia estar. No momento em que Jo Yeon-oh virou a cabeça em direção ao quarto e pousou as sacolas na mesa de centro, os feromônios atingiram um pico tão intenso que arderam seus olhos. Percebendo o que estava acontecendo, Jo Yeon-oh recolheu freneticamente seus próprios feromônios. O sistema ômega de Gi-hyeon claramente reconhecera a presença de um alfa próximo.

Quando havia sido o último check-up de Gi-hyeon? Ele sabia que o hospital lhes dissera para retornar assim que os resultados detalhados dos exames saíssem, e esse dia estava se aproximando rapidamente. Ele deveria ter insistido com Gi-hyeon para visitar o médico antes; isso era inteiramente culpa dele.

Não havia como o cronicamente indiferente Gi-hyeon ter cuidado adequadamente de seu próprio corpo. Basta olhar para esta maldita casa — estava completamente cheia de coisas exclusivamente para o bebê. Como Gi-hyeon não sabia como priorizar a si mesmo, Jo Yeon-oh deveria ter sido muito mais obsessivo em cuidar dele. Claramente, ele falhara em monitorar a situação, permitindo que ela se transformasse nesse desastre absoluto.

Enraizado no lugar, Jo Yeon-oh colidiu com um dilema afiado como uma navalha. Ele deveria se virar e ir embora agora mesmo ou deveria abrir aquela porta fechada do quarto? A indecisão agonizante fez as pontas de seus dedos formigarem de pavor.

Ele nem sequer precisava abrir a porta para saber exatamente o que estava acontecendo. Porque no exato segundo em que pousara as sacolas na mesa, ele havia ficado dolorosamente duro. Um volume espesso e pesado forçava o tecido fino de suas calças de terno. Acariciando inconscientemente a ereção tensa, Jo Yeon-oh arrastou essa mesma mão para cima para cobrir o rosto.

— …Porra.

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.

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