Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 01 Online


Modo Claro

 Capítulo 1

Lee Won estava atrasado.

Ele correu pelas ruas, os pulmões ardendo a cada golpe de ar enquanto se apressava para chegar ao seu destino. Normalmente, ele não estaria com tanta pressa ou se importaria com a caminhada extra, mas o atraso atual significava que ele não tinha o luxo de fazê-lo. Talvez devesse ter esperado pelo próximo bonde quando o seu quebrou. Mas – não, ele não tinha dinheiro para isso. Cada centavo contava.

Verificando o relógio gasto no pulso, Won reuniu suas forças e partiu em uma corrida desenfreada. Ele estava apenas a uma parada de distância; daria tempo. Claro, foi justamente quando o vento decidiu que era um bom momento para aumentar, batendo com um frio impiedoso em suas bochechas. Murmurando para o vento ir se foder, Won baixou a cabeça e se recusou a diminuir o ritmo. Os prédios passavam como um borrão, e ele mal prestava atenção para onde ia. E, mais uma vez, ele estava atrasado.

Ele não percebeu o homem alto em seu caminho até que a colisão fosse inevitável. Nos poucos momentos antes do desastre, Won teve certeza de que iria trombar de frente com o pobre coitado e fazer o celular em sua mão voar longe. Ele se preparou para o impacto.

Mas tudo o que aconteceu foi uma rápida inspiração e um ágil passo para o lado e, de repente, havia um braço firme envolvendo sua cintura. Ele teve uma súbita vontade de vomitar.

Não que os reflexos do homem não fossem impressionantes, ou que não fosse extremamente gentil da parte dele impedir que Won caísse de cara no meio da rua; mas o braço que o segurava também o esmagava contra o torso de seu salvador, e a pressão o deixava enjoado.

— Desculpe —, Won arfou, olhando para cima. E então olhou um pouco mais para cima. Foi quando ele percebeu o quão alto o outro homem era. Encontrar alguém mais alto que ele era uma raridade, e ele tinha quase certeza de que essa pessoa o superava em pelo menos uma cabeça.

Quando seu olhar finalmente alcançou o rosto do estranho, Won sentiu como se seu cérebro estivesse travando. Ele não conseguia desviar os olhos dos cabelos branco-loiros e radiantes do homem, que caíam sobre sua testa, balançando suavemente ao vento. Sacudindo-se, Won forçou-se a baixar o olhar, apenas para encontrar olhos prateados-cinzentos encarando-o fixamente – e então ele estava se afogando de novo.

Havia algo predatório no olhar do estranho. Visões de um lobo cinzento percorrendo a vasta tundra siberiana invadiram a mente de Won, e ele sentiu dificuldade para respirar.

— Tudo bem? — o homem perguntou, quebrando o feitiço do momento.

— Sim—sim, estou bem — Percebendo que estava livre do aperto do homem, Won deu um salto para trás. Um breve sorriso passou pelos traços do estranho e desapareceu, mas seu olhar lupino nunca se desviou de Won. Ele parecia uma estátua de mármore, quase brilhando sob a luz indireta do sol do norte; e Won não conseguia evitar se perguntar por que alguém com um terno extremamente chique e um enorme casaco de pele estava vagando por uma rua lateral suja.

Dentes afiados apareceram entre os lábios carnudos do homem enquanto ele esboçava um sorriso, e Won percebeu que estava encarando de forma bastante rude. — Sério, me desculpe —, ele disse rapidamente.

— Sem problemas.

O olhar do estranho manteve Won paralisado por um instante. Como se seus olhos já não fossem impactantes o suficiente, o timbre elegante e a postura intensa do homem o deixaram tenso.

— Certo, então—tchau — Não foi o adeus mais gracioso, mas Won queria ir embora. Ele se virou e começou a caminhar.

— Espere.

Won congelou, então se virou no lugar, confuso.

— Você deveria pensar em comprar óculos de sol.

Won piscou. “O quê?” Ele também tinha certeza de que o olhar do estranho não havia se movido; ainda o perfurava com a mesma intensidade, e isso dificultava seu raciocínio. Memórias vagas sobre radiação UV refletindo na neve sendo perigosa para os olhos vieram à tona em sua mente.

O inverno na Rússia durava quase metade do ano, então talvez fosse apenas um conselho normal e amigável, de um homem para outro. Mas… por quê? Nenhum deles estava usando óculos escuros. Por que dizer algo assim para alguém com quem ele literalmente esbarrou na rua poucos minutos antes? E, além disso, cores de olho mais claras (como cinza! Won resmungou para si mesmo) eram mais sensíveis, então, na verdade, nada daquilo fazia sentido. Ele sabia, porém, que os russos tinham o hábito de repreender ou criticar qualquer um, independentemente de quão bem se conheciam, e descartou o comentário como sendo apenas isso. Won esticou o que esperava ser um sorriso vagamente educado e se virou novamente para ir, decidindo esquecer o encontro por completo. Então, praguejou e começou a correr.

Ele ia se atrasar muito agora.

O homem loiro permaneceu exatamente onde estava, os olhos seguindo Won enquanto ele se afastava em disparada. Ele levou o telefone de volta ao ouvido, uma voz distorcida perguntando o que estava acontecendo. — Dmitri. Sim, estou aqui. Algo surgiu. Não, está tudo bem — Ele soltou uma risada baixa, os olhos nunca deixando o ponto onde Won desaparecera de vista. “Como pornografia ambulante.”

✦ ✦ ✦

— Você é completamente estúpida? A gente te disse para sair daqui até hoje! Cai fora, porra!

Homens gritavam, virando mesas, jogando cadeiras, destruindo tudo o que conseguiam alcançar. Uma mulher encolhia-se em um canto, encolhendo-se o máximo que conseguia enquanto chorava. Um grupo de curiosos havia se juntado em volta da confusão, mas nenhum deles tentou ajudá-la.

Os homens tinham partido para os pratos e copos, quase eufóricos ao jogarem pilhas deles no chão, preenchendo o ar com uma cacofonia horrível.

— A gente avisou! Avisou que se não quisesse ter a garganta cortada era melhor ter sumido! — gritou um dos brutamontes na cara da mulher. — Talvez a gente consiga enfiar um pouco de juízo em você, hein? Uma boa surra pode resolver!

O homem agressivo levantou o punho, arrancando suspiros e gritos dos espectadores.

Mas o golpe nunca veio. O homem virou a cabeça e viu seu braço preso no ar, seu corpo subitamente envolto em sombra.

— Mas que porra…?

Ele olhou mais para trás e havia uma figura ali, de costas para o sol, os traços indistintos nas sombras. Foi preciso piscar algumas muitas vezes até que os olhos do homem se ajustassem e percebessem que aquilo que pairava sobre ele era quem segurava seu braço.

O invasor era bastante alto, esguio, mas não desengonçado – músculos elegantes preenchiam perfeitamente um terno sob medida e complementavam as linhas delicadas de seu rosto.

Seus cabelos negros como tinta, com um fundo de brilho azulado, e seus olhos negros profundos definitivamente não eram eslavos. Ele era claramente mestiço, senão estrangeiro.

Olhos escuros encaravam-no com intensidade, mas tudo em que o brutamonte conseguia pensar era que aquela era a pessoa mais bonita que ele já tinha visto. Talvez a mais bonita do mundo. Era pra ele se sentir assim por um homem? Homens podiam ser tão bonitos assim? Ele nunca tinha usado a palavra erótico para descrever um homem em toda a sua vida, mas essa era a única palavra que servia para aquele que segurava seu braço. Bastava um olhar e qualquer um virava massa de modelar nas mãos dele.

O homem de cabelos escuros não deu atenção à expressão atordoada de seu prisioneiro. Aquilo não era novidade para ele.

— Extorsão é um crime federal — disse com frieza. — Sugiro que use os meios legais apropriados para conseguir o que quer.

— O-o quê…?

A mente do homem ainda estava enevoada, seus comparsas igualmente hipnotizados até se livrarem do torpor e começarem a gritar.

— Ivanov! Que merda cê tá fazendo? Derruba esse cara!

Envergonhado, Ivanov tentou um golpe desgovernado com o braço livre, mas mal teve tempo de se mover antes que o homem torcesse seu braço para trás e o puxasse pelas costas.

Os outros brutamontes ficaram tão atordoados com a cena que levaram alguns segundos para tentar socorrer Ivanov, punhos erguidos. O homem bonito empurrou Ivanov no chão e se preparou para enfrentar os outros.

Mais suspiros vieram dos curiosos enquanto olhavam, boquiabertos. Era um homem contra quatro, mas a luta era completamente unilateral.

O homem de cabelos escuros desviou agilmente de um último chute antes de enfiar o próprio pé entre as pernas do oponente. Os brutamontes saíram correndo, gemendo e claramente em estado pior do que quando chegaram.

O novo homem os observou se afastando, certificando-se de que haviam ido embora antes de ajeitar o paletó e estalar o pescoço, virando-se para procurar a mulher que estivera escondida no canto.

Ela ainda estava encolhida no mesmo lugar e soltou um suspiro quando seus olhos se encontraram, o rosto pálido. Ele começou a se aproximar, a mão estendida para ajudá-la a levantar, um sorriso gentil no rosto.

— Você está bem? Desculpe o atraso. Meu bonde quebrou e eu tive que correr o último quarteirão.

A mulher olhou para a mão, relutante em aceitá-la. Seu olhar subiu. O cabelo do homem estava úmido de suor e grudava na testa.

— O que… — Ela hesitou, engoliu em seco e recomeçou. — Você tem ideia do que acabou de fazer? De quem eles eram?

— Entendi o básico, mas ficarei feliz em saber dos detalhes.

A expressão da mulher ficou desconfiada.

— Você não fazia ideia do que estava acontecendo e simplesmente entrou no meio de uma briga de rua?! Qual é o seu problema?

— Eu não acredito em deixar valentões fazerem o que querem — respondeu ele serenamente. — Eles merecem o que recebem. Olho por olho; dente por dente; violência por violência.

Ainda o encarando com desconfiança, a mulher se levantou trêmula, ignorando a mão que lhe era oferecida.

— Mas por que me ajudar? Por que você está aqui?

Ela se enrijeceu quando o homem enfiou a mão no paletó, mas tudo o que ele fez foi entregar-lhe um cartão de visitas impecável. Ela pegou, olhando para o cartão, confusa.

— Perdoe a falta de apresentação. Você ligou para meu escritório ontem. Sou Lee Won. Nome próprio Won, sobrenome Lee.

Seus olhos se ergueram para os dele, arregalados de choque. Ele lhe deu um sorriso modesto.

— Sou advogado.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

Ler Roses And Champagne (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.

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