Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 01 Online

✦ Epílogo 1
A primeira vez que fui sequestrado, meu pai ficou… pensativo, quando voltei.
— Você vai precisar de treinamento.
Foi pouco mais que um murmúrio, uma reflexão tardia. Mas o modo como ele me olhou foi tudo menos casual. Uma órbita vazia escondida atrás de um tapa-olho negro, um olho brilhando prateado, volátil e austero. Seu rosto estava sombrio.
Foi ousado atacar um chefão da máfia no meio do ato, sem um pano para se cobrir, Caesar tinha que reconhecer isso. O resultado final, porém, foi decepcionante.
A mulher nem teve chance de gritar antes que seu corpo sem vida caísse sobre o colchão. Não que ela tivesse mais motivo para se importar. Nem, diga-se de passagem, Caesar também. A Beretta ainda na mão, Caesar voltou a enterrar-se nela antes que esfriasse, socadas rápidas que faziam seu corpo inerte sacudir para frente e para trás.
Ele gozou, puxou para fora, e caminhou até a porta em seu roupão salpicado de sangue.
— Digam a Dmitri que estarei lá em breve — disse aos homens que esperavam do lado de fora. Todos se arrepiaram quando ele passou, um deles saindo correndo para avisar Dmitri, os outros entrando às pressas no quarto para limpar a bagunça.
Um fio de cabelo de Caesar caiu sobre seus olhos. Ele bufou, empurrando-o para trás com a mão que segurava a Beretta. O cabelo caiu de novo. O sangue nele o deixava pesado demais para ficar no lugar.
Dessa vez, ele deixou.
Ia precisar tomar banho de qualquer jeito.
Um grupo de meninos, jovens demais para que suas vozes tivessem mudado, ficava de lado na nave, perto do santuário na frente da igreja. Eles praticavam um hino, mas seus frágeis tons em eslavo eclesiástico mal alcançavam as vigas, muito menos o céu.
“Uma pena.”
Sentado sozinho em um dos estádios perto do nártex, Mikhail percebeu alguém deslizando no assento ao seu lado.
— Devíamos ir, Sr. Lomonosov.
Mikhail não deu nenhum sinal de que ouvira o sussurro de Leo, mas antes que ele pudesse insistir novamente, Mikhail interrompeu:
— Espero que eles melhorem antes da minha próxima visita.
Leo piscou, sem entender a que seu chefe se referia, até avistar o coral perto do altar. Não tinha percebido que estavam lá, eram tão quietos. Prestes a concordar, Leo engasgou ao ver que o Sr. Lomonosov já não estava ao seu lado. Virando a cabeça, avistou Mikhail passando pelo arco e correu atrás dele.
Conseguiu alcançá-lo quando Mikhail atravessou a porta principal, no topo de uma escadaria de pedra desgastada que levava à rua. Depois da penumbra do interior, a luz do sol que os atingia era cegante.
Protegendo os olhos com a mão, Leo olhou para o pé das escadas para verificar o carro.
E ficou imóvel.
Havia pessoas reunidas na base da escada.
Homens dos Lomonosov eram esperados, mas estes não eram deles.
Tanto ele quanto Mikhail pararam abruptamente, a poucos degraus do topo. Uma figura alta destacou-se do grupo lá embaixo, uma que Leo reconheceu instantaneamente, e um calafrio de apreensão percorreu sua espinha. Aqueles olhos cinzentos penetrantes e cabelo loiro platina eram inconfundíveis.
Caesar Aleksandrovich Sergeyev.
Seus movimentos eram ágeis, mínimos. Predatórios. Ele não desperdiçava energia desnecessária, nem precisava de gestos grandiosos para impor respeito; sua simples presença comandava atenção, gritava autoridade sem emitir um som.
Leo se lembrou da primeira vez que se encontraram. Caesar era jovem então, muito mais que agora; mas seus olhos eram exatamente os mesmos, sem um traço de calor ou empatia. Como uma criança podia ter olhos daqueles? Que atrocidades ele teve que testemunhar, que sofrimentos teve que passar para adquirir aquele olhar gelado?
Leo não sabia então, e não sabia agora. Ainda assim, um fio de pavor subiu por sua espinha, deixando-o rígido, com o sangue pulsando em seus ouvidos.
Caesar era belo e terrível, tudo ao mesmo tempo.
Por um momento interminável, o rosto angelical de Caesar em sua juventude, apontando a Beretta e puxando o gatilho, sobrepôs-se ao Caesar diante dele agora.
Nenhum dos dois demonstrava emoção discernível, seja ao assassinar um inimigo ou ao subir uma escadaria.
“Leo devia tê-lo matado quando teve a chance.”
Não havia hesitação nos passos longos de Caesar; Leo começou a catalogar saídas e cantos que poderiam servir de cobertura, o clique das solas de couro na pedra arranhando seus ouvidos. No degrau abaixo, Mikhail recusava-se a ser intimidado, mantendo o olhar de Caesar, inabalável mesmo em sua velhice, enquanto Caesar se aproximava.
A poucos passos de Mikhail, a centímetros de distância, Caesar parou. Seus olhos estavam no mesmo nível.
Os homens de Mikhail ficaram tensos, mãos indo aos peitos ou cinturas, prontos para sacar no momento em que Caesar se tornasse hostil. Violência nos degraus da catedral profanaria solo sagrado, mas eles cometiam sacrilégio para manter seu chefe seguro.
Um silêncio opressivo pairou; Caesar permaneceu impassível.
— Não sabia que você frequentava a liturgia aqui — comentou.
Mikhail encarou-o com desdém.
— Este parece um lugar estranho para você, então presumo que não.
Caesar mal piscou.
— Devoção ao Senhor é primordial. Especialmente em nossa linha de trabalho.
Mikhail não pôde evitar uma risada irônica.
— Foi aqui que Sasha perdeu o olho.
Caesar murmurou em reconhecimento, mas não reagiu à insinuação de violência. Inclinando a cabeça, considerou Mikhail por um breve instante antes de falar:
— Suponho que você diria que assassinar um homem com sua própria prostituta é muito mais cavalheiresco que uma bomba, não?
Antes que Mikhail pudesse pensar em uma resposta, Caesar passou por ele e adentrou a igreja.
Mikhail observou seus homens relaxarem as posturas e então sussurrou no ouvido de Leo:
— Tentativas desleixadas só servem para deixá-lo em guarda.
Envergonhado, Leo corou e fitou o chão com um murmúrio de desculpas.
Na verdade, ele já sabia que a tentativa falhara. O primo do Czar, Dmitri, era conhecido por seu fanatismo em relação a ele. Se seu primo fosse ferido de qualquer forma, a retaliação de Dmitri seria imediata. Sua falta de reação já sinalizara o fracasso da missão.
Não impediu Leo de fazer uma oferta substancial e acender uma vela votiva na esperança de um desfecho diferente.
Ele olhou para a catedral uma última vez antes de seguir Mikhail escada abaixo.
“Até a intervenção divina falhou.”
No carro, Mikhail afundou no banco traseiro de couro macio, ruminando seus erros.
Se ao menos tivesse feito o certo durante o primeiro sequestro de Caesar, sua primeira e única chance real de matar o Czar, e ele a deixara escapar. Iria se arrepender até o dia de sua morte.
De certa forma, as ações de Mikhail naquela época foram o que fizeram de Caesar o psicopata que ele era hoje. Após sua fuga, Sasha moldara seu filho em um monstro, um demônio em carne humana. O homem, embora Mikhail hesitasse em chamá-lo assim, era quase impossível de matar. Ele nunca baixava a guarda, nunca deixava emoções ou desejos turvarem seu raciocínio, cada momento de cada dia era gasto em vigilância constante, cada ação calculada para garantir sua sobrevivência. Nenhum estratagema funcionava duas vezes.
Tornando o fracasso de hoje ainda mais amargo.
Mikhail franziu a testa, pensando no que Sasha havia feito com sua própria carne e sangue. Jogando Caesar em situações de vida ou morte quando ele mal havia começado a estudar.
Mikhail estremeceu.
“Talvez Sasha fosse o verdadeiro monstro.”
Se fosse ele, Mikhail não acreditava que poderia ter feito o mesmo. Não, não havia dúvidas: ele já havia aberto mão de tanto; sabia em seu coração que jamais seria capaz de ser tão cruel.
Uma dor surgiu em seu peito, mas veio acompanhada de um alívio repentino. Ele nunca conheceria seu filho, mas, em troca, seu filho nunca faria parte desse mundo horrível.
Seu filho estava livre. Livre para viver sua vida sem perigo, sem violência, sem brutalidade.
Era o único consolo de Mikhail por seu sacrifício, mas era o suficiente. Ele pagaria esse preço se isso significasse que seu filho nunca encontraria alguém como Caesar.
O pensamento arrancou um suspiro de seus lábios. Sasha havia se casado apenas para gerar um herdeiro.
“Talvez eu devesse ter percebido que tipo de pessoa Sasha era só por isso.” Pessoalmente, ele já havia desistido há muito tempo da esperança de abandonar seu papel como don, mas isso o deixou curioso.
Caesar entraria em um casamento de conveniência, como seu pai?
O escárnio de Mikhail foi imediato. “Uma pergunta ridícula. Claro que Caesar faria isso. Como poderia ser diferente?” Mikhail ficaria surpreso se Caesar fosse sequer capaz de amar, para começar.
Levando um charuto à boca, Mikhail baixou a cabeça enquanto acendia o isqueiro.
“Agora, eis um pensamento aterrorizante: e se seu filho fosse uma filha?” Ele se encolheu só de imaginar.
Apenas saber que um homem como Caesar existia no mundo já fazia a ansiedade subir por sua garganta. Ele faria qualquer coisa para mantê-la longe dele e ela nem sequer era real.
Fechou os olhos e deu uma longa tragada no charuto. Ele seria eternamente grato por seu filho ser um menino.
Fim Epílogo 1
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
Ler Roses And Champagne (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.