Ler Projection (Novel) – Capítulo Parte 10 Online

Projection Vol. 2.10
Um homem peculiar.
Essa era a definição de Kwon Sejin para Cheon Seju.
Contudo, aquela descrição era simplista para alguém que possuía tantas nuances. Carregando as caixas de leite com as duas mãos, Sejin observou Cheon Seju analisar os frios diante da geladeira do mercado.
Primeiro, Cheon Seju era extremamente bonito. Vestindo um boné, um moletom grosso, calças cargo e tênis, sua vestimenta casual o fazia parecer uma celebridade participando de um programa de TV sobre solteiros que vivem em mansões. O perfil de seu nariz imponente rivalizava com o de atores famosos de comerciais, e sua estatura elevada fazia a aba de seu boné alinhar-se com o topo da geladeira.
— Olá, com licença.
Enquanto ele analisava os produtos com seriedade, uma mulher vestindo trajes confortáveis aproximou-se e falou com ele. Demonstrando arrependimento por não estar mais arrumada ao cruzar com um homem tão atraente, ela estendeu o celular decidida a não perder a oportunidade.
Aquele era um cenário frequente sempre que frequentavam mercados ou shoppings. Tendo presenciado investidas semelhantes dezenas de vezes, Sejin já conhecia o roteiro. Cheon Seju ajeitou o boné, exibiu um sorriso brando desprovido de sua frieza habitual, olhou para Sejin e respondeu à mulher:
— Sinto muito. Estou acompanhado do meu filho…
— Oh, meu Deus! Você é casado! Parece tão jovem. Peço desculpas pela abordagem. Mas você é realmente muito bonito, e seu filho também! Tenha um ótimo dia, desculpe o incômodo!
Por que ele mencionou o filho? Significava que daria o número se estivesse sozinho? Sejin balançou a cabeça demonstrando descontentamento enquanto o observava.
Segundo, Cheon Seju possuía uma grande desfaçatez. Embora no início Sejin se irritasse com a mentira de ser chamado de filho, ele passou a ignorar a atitude. Utilizar aquela justificativa era a forma mais eficaz de encerrar abordagens persistentes que prolongavam as compras desnecessariamente.
Após elogiar Sejin para disfarçar o constrangimento, a mulher se retirou. Aproximando-se, Sejin guardou as caixas de leite no carrinho e checou o conteúdo. Não havia novidades até que Cheon Seju finalmente escolheu uma salsicha tradicional da prateleira inferior.
Terceiro, Cheon Seju apreciava alimentos simples e baratos. Apesar de analisar produtos caros, sua escolha final recai sobre embutidos com baixo teor de carne e alto teor de farinha ou leites mais acessíveis.
Observando a escolha dele, Sejin adicionou ao carrinho uma peça de presunto artesanal com 99% de carne. Sendo óbvio que o homem preferia o produto de qualidade quando este era preparado, Sejin não compreendia a insistência em levar os itens mais simples, considerando a condição financeira dele.
— Faça um ensopado de pasta de pimenta (gochujang찌개).
Conduzindo o carrinho, Cheon Seju fez o pedido de forma natural. Sejin assentiu mentalmente enquanto tentava lembrar se ainda havia batatas na geladeira da casa.
Quarto, as preferências culinárias dele eram peculiares. Ele apreciava ingredientes cortados em pedaços grandes e rústicos. O aprendizado veio por acaso: em um dia de atraso nos estudos, Sejin preparou um ensopado de forma apressada, cortando os vegetais de qualquer jeito. Apesar de manter o mesmo tempero, o homem consumiu uma quantidade muito maior do que o habitual, solicitando repetição duas vezes.
Seja no curry ou nos embutidos inteiros, Cheon Seju demonstrava preferência por preparos que remetiam a refeitórios coletivos ou porções de grande escala, um contraste com sua imagem de alguém criado em ambiente sofisticado.
— Olá.
Aproximando-se do caixa, Cheon Seju cumprimentou a atendente com cortesia. Sendo um homem atraente, seu cumprimento foi recebido com entusiasmo pela funcionária, que já os reconhecia como irmãos.
— Olá. Faz tempo que não aparecem.
— O trabalho esteve intenso recentemente. Poderia incluir dois maços de cigarro, por favor?
— Ora, você precisa largar esse vício!
— É verdade. Mas a tarefa não é simples.
O sorriso e a resposta polida de Cheon Seju geraram simpatia na funcionária, que registrou o produto. Sejin organizou as compras na sacola enquanto observava a interação.
Quinto, Cheon Seju demonstrava uma educação exemplar.
Embora a percepção contraste com o deboche inicial direcionado a ele, a conduta do homem com os mais velhos era sempre respeitosa e carismática, garantindo a simpatia alheia.
A postura atual diverge totalmente da imagem de um indivíduo de métodos questionáveis que ele exibia no primeiro encontro. No início, Sejin considerava aquela polidez uma encenação, mas com a convivência compreendeu que o homem possuía múltiplas facetas legítimas.
— Quer que eu carregue essa? Parece mais leve.
Caminhando lado a lado de volta para casa sob o clima ameno de fevereiro, Cheon Seju ofereceu ajuda com a sacola, demonstrando consideração pelo trajeto de quinze minutos.
Sexto, Cheon Seju manifestava uma gentileza sutil. Na ausência de conflitos ou erros, ele agia com uma bobeira natural, especialmente quando estavam a sós. Aquela conduta gerava um certo incômodo em Sejin, manifestando-se como uma sensação peculiar no peito.
— Eu consigo carregar.
— Carregar peso em excesso prejudica o crescimento.
— ….
Sejin lançou um olhar gélido diante da provocação. Após o estirão de crescimento no ano anterior, sua estatura mudara de 168 cm para 173 cm. Embora Cheon Seju utilizasse o fato para zombar, Sejin considerava que ainda havia potencial de crescimento, visto que seu pai biológico passava dos 180 cm e sua mãe media 167 cm.
Ignorando o comentário, Sejin apressou o passo, ouvindo a risada contida do homem que o seguia. Era o início de um fim de semana comum.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Cheon Sejoo, que não teve escolha a não ser se juntar à organização para vingar sua irmã falecida, em meio a uma vida sem esperança, conhece um jovem que o lembra de sua irmã, o que o leva a praticar um pequeno ato de gentileza.
Se ele soubesse que essa intenção leviana se tornaria tão pesada, ele não o teria trazido para sua vida.
* * *
“Eu te disse. Sempre foi você primeiro…”
Seus olhos, normalmente penetrantes, pareciam gentis hoje. O olhar de Cheon Sejoo era suave, doce e persistente.
“Então assuma a responsabilidade.”
Era sempre Cheon Sejoo quem dava o primeiro passo. Era ele quem estendia a mão para ele primeiro, quem o olhava primeiro. Sejin simplesmente pegava sua mão porque ele a oferecia, e olhava para ele porque ele lhe dava o olhar. E, ao fazer isso, ele se apaixonou por aquele homem gentil.
Sejin não queria mais ver Cheon Sejoo se afastando dele.
Se você não pode vir até mim, então eu irei até você.
“Você é tudo o que me resta agora…”
Nome alternativo: Projection