Ler Projection (Novel) – Capítulo Parte 09 Online


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Projection Vol. 2.9

No final de janeiro, durante um almoço com Shin Kyo-yeon e seu secretário, Chae Beom-joon, Cheon Seju tocou no assunto que vinha querendo abordar há tempos.

— O ambiente já se estabilizou bastante, e Kim Dong-gil está liderando bem os garotos. Não há mais conflitos internos entre eles como antes. Sendo assim, acho que já posso me retirar da Shinsa Capital, não acha?

Diante das palavras de Cheon Seju, Shin Kyo-yeon inclinou o copo que segurava e ergueu uma das sobrancelhas. Diante daquela reação sutil, Chae Beom-joon interveio ao seu lado para endossá-lo:

— O fato de o pessoal da Capital ter sido destituído já se espalhou por todas as outras subsidiárias, diretor. O chefe Cheon tem razão. Como as outras áreas não demandam intervenções imediatas por enquanto, acho que o chefe Cheon já pode focar exclusivamente em suas próprias funções a partir de agora.

— Entendo….

Shin Kyo-yeon, que ouvia as palavras de Chae Beom-joon em silêncio, encostou as costas profundamente na cadeira e virou a cabeça. Encarando o olhar afiado dele, Cheon Seju ergueu a xícara de chá que estava à sua frente sem dizer nada. Enquanto ele bebia o chá exibindo uma expressão de quem aceitaria qualquer decisão, Shin Kyo-yeon finalmente concedeu a autorização:

— Sendo assim, retire-se daquela área e passe a monitorar o gerente Kang da sede. Correm boatos de que ele anda frequentando bastante os cassinos de Hong Kong, e há suspeitas de que aquela área seja de propriedade sob nome falso de um executivo que mantém relações desfavoráveis com Liu.

— Entendido. Vou direcionar todo o foco para essa área.

Assim que Cheon Seju assentiu com a cabeça, Shin Kyo-yeon indicou o término da conversa e endireitou o corpo. Ele ajeitou o guardanapo deixando-o sobre o lugar e se levantou, vestindo o paletó que Chae Beom-joon segurava com movimentos fluidos. Em seguida, lançou um olhar para Cheon Seju que estava de pé para se despedir dele. Os olhos desprovidos de emoção encararam Cheon Seju fixamente e, por volta do momento em que Cheon Seju sentiu estranheza diante daquele olhar, ele o chamou com a voz calma:

— Cheon Seju.

— Sim, pode falar, diretor.

Cheon Seju abaixou a cabeça exibindo uma fisionomia séria e sem sorrisos. Para ele que mantinha o olhar fixo na mesa em silêncio, Shin Kyo-yeon disparou em tom casual:

— Não crie pontos fracos.

— ……

O motivo de conseguir compreender instantaneamente o significado contido naquela frase ambígua era o fato de o próprio Cheon Seju ter consciência de que Kwon Sejin já não era mais alguém insignificante para si. No entanto, tratava-se de um vínculo temporário. Restava menos de um ano de tempo compartilhado com Sejin. Exibindo um sorriso polido, Cheon Seju ergueu a cabeça e sorriu:

— Vou garantir que o senhor não tenha motivos para se preocupar.

Shin Kyo-yeon soltou uma risada nasalada diante daquela postura e deixou o reservado disparando uma última frase:

— Deve ser difícil suportar perder algo precioso pela segunda vez. Cuide-se bem.

— ……

A porta de correr se fechou sem ruídos. “Aquele desgraçado de merda…” Cheon Seju xingou mentalmente enquanto encarava a direção por onde Shin Kyo-yeon havia desaparecido. Enquanto exibia uma expressão gélida por um bom tempo naquela mesma posição, Chae Beom-joon, que estava sentado em seu lugar digitando no celular, estalou a língua e disse:

— Francamente, a porta não vai se abrir só por causa disso. Devia ter ido lá e desferido um soco na nuca dele, chefe Cheon. Um soco bem dado para fazer até a memória da agressão sumir, eu não pediria mais nada.

Amigo de três décadas de Shin Kyo-yeon e responsável por acompanhá-lo em cada passo, Chae Beom-joon acumulava mais ressentimentos contra ele do que Cheon Seju. Embora Chae Beom-joon também fosse um sujeito insuportável, ele compartilhava uma afinidade com Cheon Seju no que diz respeito a achar o gênio terrível de Shin Kyo-yeon irritante.

Cheon Seju soltou uma risada nasalada de desdém diante das palavras de Chae Beom-joon, mas mexeu os dedos ao sentir uma vontade genuína de fazer exatamente aquilo. Diante do gesto de abrir e fechar o punho, Chae Beom-joon soltou uma gargalhada espalhafatosa. No momento em que exibia uma expressão de desagrado diante daquela risada sempre estridente, o homem se levantou, aproximou-se de Cheon Seju e questionou com uma fisionomia séria:

— Então, o novo amante está dormindo bem? Ele já estava com 19 anos, não é? Vai ter que cultivar por mais um ano para conseguir devorar. Está conseguindo se conter bem, chefe Cheon? Ou por acaso já aproveitou o banquete?

Tendo tido acesso aos dados de Sejin devido ao incidente no Ihwaghag, Chae Beom-joon já tinha certeza de que Kwon Sejin era o novo amante de Cheon Seju devido à longa permanência dele no 41º andar. Sendo um pensamento típico que apenas libertinos como Chae Beom-joon teriam, Cheon Seju franziu a testa e se afastou em direção à janela.

Ao abrir a janela e colocar um cigarro na boca, Chae Beom-joon se aproximou do nada e estendeu um isqueiro aceso em sua direção. Cheon Seju inclinou a cabeça alinhando-se ao jogo do homem cuja intenção estava bem óbvia. Ele tragou o filtro mantendo o olhar fixo no dele. A fumaça do cigarro começou a escapar pela fresta da janela aberta e Cheon Seju falou:

— Meça suas palavras ao se referir a um menor de idade. E a minha tolerância é de no máximo 5 anos de diferença.

Sua fala indicava que não tinha interesse em pessoas jovens demais. Diante das palavras de Cheon Seju, Chae Beom-joon apoiou-se no batente da janela e puxou o próprio cigarro. Ele acendeu o cigarro e, mantendo o tabaco na boca, olhou para ele exibindo um sorriso marcante que evidenciava as covinhas na bochecha:

— Eu sou exatamente 5 anos mais velho que o chefe Cheon.

Ele dizia aquilo mesmo sabendo que a restrição se referia a alguém 5 anos mais novo. Cheon Seju mordeu o filtro ao encarar Chae Beom-joon que exibia uma fisionomia cínica. “Se este homem não tivesse o cérebro guiado pelo pênis……” Resgatando a memória da briga física que teve com Chae Beom-joon no passado, Cheon Seju exibiu um sorriso de escárnio e sussurrou para ele:

— Mas o chefe Chae é virgem por trás. E eu prefiro os que já estão mais rodados……. Vá aprender a usar a retaguarda primeiro, aí quem sabe eu penso no assunto. Embora cinquentões que estão quase nos quarenta não façam o meu tipo.

Chae Beom-joon soltou uma risada irônica diante daquela postura de quem concedia um favor. Ele apagou o cigarro que mal havia tragado no cinzeiro e estendeu a mão em direção à bunda firme de Cheon Seju.

— Se nós dois fôssemos para a cama, o mais experiente deveria ficar por cima, não acha? Acho que eu me sairia melhor do que o chefe Cheon nesse aspecto……. Além disso, embora eu goste dos rodados, os iniciantes também não são ruins. Dá gosto de ensinar.

A mão grande foi contida antes de atingir a calça de Cheon Seju. Bloqueando o avanço de Chae Beom-joon, Cheon Seju afastou a mão dele com uma fisionomia de profundo asco.

— Que porra, por que está tentando passar pano sujo onde nem sequer tem sujeira?

— Nossa, pano sujo…… magoou.

Chae Beom-joon piscou um dos olhos fingindo-se ofendido diante daquela fala ríspida. Achando ridícula a encenação de quem tentava parecer magoado sem se importar minimamente com o insulto, Cheon Seju virou o corpo antes que ele disparasse mais alguma asneira. Apagou o cigarro no cinzeiro que estava sobre a mesa e dirigiu-se imediatamente para a porta de saída. Chae Beom-joon despediu-se dele soltando uma risada sarcástica em direção às suas costas:

— Se precisar de novas experiências, é só ligar a qualquer hora, chefe Cheon.

— Vá lamber sabão.

Cheon Seju ergueu o dedo médio para trás e deixou o reservado sem olhar para trás. Entregou uma gorjeta para os funcionários que aguardavam do lado de fora para fazer a limpeza e dirigiu-se direto para o estacionamento.

Durante todo o trajeto na direção, uma linha profunda se manteve marcada em seu cenho atraente. O fato de finalmente se retirar da Shinsa Capital era positivo, mas as palavras de Shin Kyo-yeon o incomodavam. Aquela fala soou como uma clara ameaça para Cheon Seju. O significado de que o próprio Shin Kyo-yeon se encarregaria de eliminar qualquer ponto fraco caso ele o criasse…….

“Ou será que não?” Pensando profundamente enquanto se dirigia à Shinsa Capital, Cheon Seju inclinou a cabeça para o lado. “Ou será que significava para eu me preparar para o caso de sofrer ataques de terceiros caso um ponto fraco fosse descoberto…?”

— Ah, que porra.

Soltando um suspiro de irritação, ele encostou a cabeça no banco e praguejou mentalmente. Era difícil demais compreender a linha de raciocínio daquele psicopata. Levando em consideração o gênio terrível de Shin Kyo-yeon, parecia a primeira opção, mas pensando no fato de ele zelar por ele e por Chae Beom-joon à sua própria maneira, também parecia carregar o significado da segunda opção…….

De qualquer forma, havia algo muito mais importante do que a real intenção contida na fala de Shin Kyo-yeon. O verdadeiro problema era o próprio Cheon Seju, que associou instantaneamente o termo ponto fraco ao rosto de Sejin mesmo sem nenhuma menção a nomes.

Isso não significava que o próprio Cheon Seju considerava Sejin bastante importante?

— Kwon Sejin tem um significado tão grande a ponto de se tornar minha fraqueza? É difícil de acreditar.

Cheon Seju via Sejin como os irmãos mais novos do orfanato. Achava bonitinho o jeito dele de responder de volta e pensava nele com frequência, mas nunca o havia considerado com afeto profundo.

No entanto, diante dessa situação, começou a se perguntar se não se importava com Sejin mais do que imaginava. Não apenas como um irmãozinho que morava na mesma casa, mas pela existência de Kwon Sejin em si.

Era ridículo. Ele não achava que lhe restava espaço emocional para nutrir afeto por alguém…

Cheon Seju chegou a Gangdong-gu com uma expressão indiferente. Passou pela Escola Secundária Dongseoul Nam, onde as aulas de reforço deveriam estar acontecendo, e estacionou em frente à Shinsa Capital. Contudo, parado diante de sua Lamborghini, havia um carro elétrico que ele sentia já ter visto em algum lugar. Onde teria sido?… Cheon Seju tentou se lembrar, mas nenhum rosto lhe veio à mente. Pensando ser apenas uma impressão boba, ele saiu do carro.

— Seja bem-vindo, chefe!

Ao ver os idiotas o cumprimentando calorosamente, Cheon Seju soltou um breve suspiro interno. Já havia dito mais de dez vezes para não o chamarem de “chefe”, e o fato de continuarem fazendo isso provava que eram apenas macacos em pele humana. Não, chimpanzés não. Os chimpanzés certamente seriam mais inteligentes que eles.

Com as mãos enfiadas nos bolsos, ele caminhou em direção ao interior daquele edifício antigo, um lugar ao qual não pretendia retornar. Passou pelo corredor onde conheceu Sejin pela primeira vez e entrou no elevador barulhento. Assim que desceu no terceiro andar, deparou-se com um rosto que detestava ver: Han Jong-hyun.

— ….

— ….

Aquele desgraçado está aqui de novo. Irritado, Cheon Seju olhou fixamente para Han Jong-hyun sem se mover. A porta, que havia se aberto completamente, começou a se fechar lentamente. No momento em que Seju estendeu a mão para apertar o botão do primeiro andar, Han Jong-hyun enfiou a mão na fresta milimétrica, forçando a entrada com seu rosto cínico. A porta do elevador velho estremeceu e se abriu novamente.

— Você não cumprimenta o diretor quando o vê?

O tom era extremamente ríspido. Engolindo um xingamento, Cheon Seju inclinou levemente a cabeça.

— Olá.

Em seguida, passou direto por Han Jong-hyun e caminhou em direção ao escritório. Sua intenção era dar as últimas instruções a Kim Dong-gil e depois buscar Sejin. Porém, mais uma vez, Han Jong-hyun foi mais rápido. Movendo suas longas pernas, ele bloqueou o caminho de Cheon Seju e inclinou a cabeça de lado com um sorriso.

— Quanto tempo, hein?

Fazia quase quatro meses desde o último encontro deles em uma boate, no início de outubro. Diferente daquela época, quando ele estava seminu e sob o efeito de drogas, hoje a aparência de Han Jong-hyun estava mais humana. Ele vestia uma camisa com todos os botões fechados, uma gravata estreita e um terno de três peças com listras azuis claras bem discreto.

Tanto quanto Chae Beom-jun — ou talvez ainda mais —, Han Jong-hyun tinha uma vida promíscua, mas seu rosto era inegavelmente bonito. Enquanto Chae Beom-jun emanava a aura de um apresentador de telejornal, Han Jong-hyun exibia um ar limpo e calmo, parecendo o primeiro amor de faculdade de qualquer um. Isto é, desde que ficasse de boca fechada e imóvel como uma estátua.

— Que porra… É mais difícil ver o rosto do gerente do que o do presidente?

As palavras vulgares que saíam de sua boca sempre rebaixavam o caráter de Han Jong-hyun, tornando até seu rosto desagradável de se olhar. Acostumado com aquele sarcasmo, Cheon Seju respondeu friamente, mantendo a expressão impassível:

— Tem algo a dizer?

— Ora, se eu não tiver nada a dizer, não posso nem falar com uma pessoa tão nobre? Peço desculpas por não ter percebido, ó grande gerente que toca os céus.

Diante do deboche persistente sobre seu cargo, Cheon Seju o encarou com um olhar cheio de desprezo. Sem receber resposta ao seu olhar gelado, Han Jong-hyun tossiu secamente de forma sem jeito, olhou para ele e perguntou:

— Ei, vamos comer algo juntos.

— ….

Esse cara enlouqueceu? Eles não tinham uma relação próxima o suficiente para sentarem e comerem juntos. Toda vez que se cruzavam, saíam irritados; qual era o sentido de sugerir uma refeição? A menos que estivesse ansioso por uma indigestão, era uma proposta que não merecia consideração.

Cheon Seju o encarou por um momento e, enquanto abria a porta do escritório, respondeu:

— Acabei de almoçar com o presidente. Fica para a próxima.

— Cheon Seju.

Clack. A porta que estava prestes a se abrir foi segurada por Han Jong-hyun. Era a terceira vez. Em menos de cinco minutos, ele teve suas ações bloqueadas por Han Jong-hyun três vezes. Era por isso que ele não conseguia suportar aquele homem. Os dois simplesmente não combinavam de jeito nenhum.

Cheon Seju olhou para a mão dele segurando a maçaneta e engoliu um suspiro. Parecia ser um dia de azar. Han Jong-hyun questionou rigidamente:

— Ei, com que autoridade você me recusa?

— ….

— Se o diretor manda fazer, você faz. Gerente Cheon, estou errado?

Ao trazer à tona o título de diretor, era impossível recusar. Na estrutura da organização, Cheon Seju estava logo abaixo da autoridade máxima, mas em termos de cargos formais concedidos por essa autoridade, ele estava bem abaixo de Han Jong-hyun. Se ele não tolerava intimidades nem mesmo com Chae Beom-jun, que tinha o mesmo cargo que ele, desobedecer a Han Jong-hyun — a quem Shin Kyo-yeon protegia sem motivo aparente — certamente traria problemas.

Ah, hoje o dia está um lixo. Cheon Seju passou a língua pelos dentes, contendo a irritação, e finalmente assentiu:

— Entendido. Tenho um assunto no escritório, por favor, aguarde um momento.

— Vou esperar no carro, não demore.

— Sim.

Com um risinho de deboche, como quem sabia que Seju iria ceder, Han Jong-hyun se afastou, e Cheon Seju abriu a porta do escritório novamente.

A Shinsa Capital, que Cheon Seju vinha gerenciando há mais de seis meses, finalmente estava operando de forma fluida como antes do incidente. O escritório estava barulhento com o som de digitação e telefonemas.

Ao entrar, ele sentiu o olhar hesitante dos funcionários comuns contratados com dificuldade. Cheon Seju exibiu um leve sorriso para não assustá-los e seguiu para os fundos. Como a sala de contabilidade havia sido movida para fora recentemente e a sala de descanso transferida para o interior, os homens corpulentos como Kim Dong-gil tinham menos chances de cruzar com os funcionários comuns. A porta dos fundos, que antes ficava trancada, agora servia como entrada e saída, de modo que os encarregados das cobranças raramente precisavam passar pela área principal.

— Ah! Você veio, chefe!

Lá dentro, ele encontrou Kim Dong-gil. Largado no sofá, comprando e vendendo criptomoedas pelo celular, ele se levantou entusiasmado ao ver Cheon Seju. Suas olheiras profundas indicavam que ele vinha sendo bastante atormentado por Han Jong-hyun, sugerindo que o diretor já estava ali há um bom tempo.

Cheon Seju bebeu o chá verde que Kim Dong-gil preparou e o repreendeu calmamente. Na verdade, foi uma ameaça velada: disse que, se ele causasse outro problema, ele mesmo o despedaçaria, então era melhor controlar os subordinados para que ele nunca mais precisasse ser chamado ali. Cheon Seju estendeu a conversa com Kim Dong-gil de propósito, esperando que o impaciente Han Jong-hyun desistisse da refeição e fosse embora.

No entanto, a alegria de ver o corredor vazio durou pouco. Ao sair do prédio, Cheon Seju avistou Han Jong-hyun sentado no capô do carro elétrico estacionado bem em frente à sua Lamborghini, reclamando da demora. Ele soltou um xingamento mental. Havia esquecido que aquele desgraçado não fazia nada da vida e tinha tempo de sobra.

— Siga-me.

— Sim.

Felizmente, ele não sugeriu que fossem no mesmo carro. Cheon Seju entrou em seu veículo e seguiu o carro elétrico à frente. Já passava das 4 horas. Enquanto esperava o sinal abrir, ele pegou o celular para enviar uma mensagem a Sejin, dizendo para ele ir para casa de metrô hoje. Contudo, já havia uma mensagem de Sejin.

> Vira-lata
> Vou atrasar hoje porque vou encontrar um amigo… Pode ir na frente
> 15:11

Os olhos de Cheon Seju se estreitaram. Que mentira inédita é essa?, pensou. Enquanto o sinal abria e ele pisava no acelerador, ativou o comando de voz e disse:

— Onde você teria um amigo?

> nigga amigo onde está

— Ah, que porra.

Tornando-se um racista involuntário por causa do corretor, Cheon Seju praguejou e apertou o botão de apagar repetidamente. Com a tela limpa, ele fez uma curva à esquerda seguindo Han Jong-hyun e falou novamente:

— Você não tem amigos.

> Você não tem amigos

Desta vez, o texto saiu correto. Ele apertou o botão de enviar e entrou em um beco. Felizmente, o lugar para onde Han Jong-hyun o estava levando não ficava muito longe da Shinsa Capital. Ao chegarem em frente a um restaurante japonês, enquanto esperava o manobrista, chegou a resposta de Sejin.

> Vira-lata
> ㅡㅡ
> 15:47
> Te vejo mais tarde (daqui a pouco) [Nota: Sejin errou a grafia em coreano]
> 15:48

Enquanto estalava a língua por causa do erro de ortografia, ouviu batidas na janela. Tock, tock. Cheon Seju mudou o carro para o modo manobrista, saiu do banco do motorista e respondeu a Sejin: “Não é ‘있다’ (haver), é ‘이따’ (mais tarde).” A notificação de lido desapareceu instantaneamente, mas não houve tréplica. Imaginando a expressão irritada no rosto de Sejin, Cheon Seju guardou o celular no bolso do paletó. Quando ergueu os olhos, seu acompanhante já havia sumido de vista.

Pensar em Han Jong-hyun entrando correndo na frente lhe dava um nó no estômago. Por que diabos ele queria comer de repente? Que tipo de bobagem ele ia falar? A irritação já começava a crescer. Mesmo assim, arrastando os pés contra a vontade, Cheon Seju entrou no edifício.

— Por aqui, por favor.

Um funcionário de terno indicou o fundo do corredor. O restaurante japonês tinha uma estrutura privativa. Com um corredor central, havia salas com portas de correr de ambos os lados. Cheon Seju foi conduzido à sala mais ao fundo. Parecia que haviam feito uma reserva ou que Han Jong-hyun era um cliente habitual, pois mesmo sendo claramente o horário de intervalo do restaurante, o funcionário os recebeu sem demonstrar incômodo.

— O que você vai querer?

A sala tinha um estilo japonês com abertura sob a mesa para acomodar as pernas. Han Jong-hyun, já sem o paletó, estava sentado. Acima do colete que ajustava seu torso esguio, seu rosto exibia um sorriso. Era um sorriso inquietante, de intenções ilegíveis. Cheon Seju balançou a cabeça negativamente e sentou-se na frente dele.

— Acabei de comer com o presidente. Peça o que o diretor desejar.

Ao ouvir isso, Han Jong-hyun deu de ombros e pediu um combinado de atum ao funcionário. Quando ele acrescentou um pedido de saquê quente, Cheon Seju ficou ainda mais tenso. Não conseguia imaginar o que ele queria dizer a ponto de precisar beber.

Assim que o funcionário confirmou o pedido e fechou a porta, Han Jong-hyun disparou uma pergunta direta:

— Sobre o que você conversou com o presidente durante a refeição?

— Não posso revelar.

Ele perguntou sabendo exatamente que aquela seria a resposta. Han Jong-hyun soltou um risinho de desdém, como se já esperasse por aquilo, e encostou-se no encosto do assento.

O silêncio tomou conta do ambiente. Cheon Seju tirou o paletó, colocou-o no chão, serviu o chá e colocou o copo diante de Han Jong-hyun. Serviu o seu também e, segurando o copo quente, encarou o homem à sua frente. Han Jong-hyun parecia incapaz de falar sóbrio, pois já estava virando o saquê. Um copo, dois copos… A garrafa foi esvaziando e, só depois de um bom tempo, ele finalmente abriu a boca.

— Você… não ouviu nada?

— ….

Ouvido ele tinha, e muito. As tarefas que Shin Kyo-yeon ordenava eram variadas e, ao ouvir as explicações do contexto por trás delas, era impossível não entender os planos e o panorama que ele estava desenhando. No entanto, tudo aquilo eram informações confidenciais. Assuntos que ele não debatia nem mesmo a sós com Chae Beom-jun não seriam discutidos na presença de Han Jong-hyun.

Bebendo o chá lentamente, Cheon Seju ergueu os olhos e rebateu:

— O que exatamente?

A menos que Han Jong-hyun desse uma pista, Cheon Seju não mencionaria nenhum assunto por conta própria. Diante de sua contrapergunta, Han Jong-hyun pareceu hesitar por um momento, tocando a própria bochecha, e então perguntou em voz baixa:

— A notícia sobre a construção de um resort urbano perto do Monte Bukhansan, você já ouviu falar?

Resort urbano? Os olhos de Cheon Seju se estreitaram levemente. De fato, ele tinha ouvido falar disso muito recentemente. Mais especificamente, cerca de uma ou duas horas atrás, durante o almoço com Shin Kyo-yeon e Chae Beom-jun. No entanto, tudo o que Cheon Seju sabia era que eles estavam enfrentando dificuldades para comprar o terreno. O que isso tinha a ver com Han Jong-hyun? Vendo que Cheon Seju permanecia imóvel, apenas observando, Han Jong-hyun olhou para ele de soslaio e voltou a falar:

— Isso, por acaso…

— Com licença.

Naquele momento, houve uma batida na porta e a voz do funcionário ecoou do lado de fora. Han Jong-hyun calou-se, e a porta de correr abriu-se sem fazer barulho. Por hábito, Cheon Seju olhou para o rosto do funcionário que trazia a comida. Em seguida, segurando o copo de chá, ele franziu a testa e voltou a olhar em direção ao corredor. Ao perceber que não havia se enganado, um suspiro escapou de seus lábios.

— Haa…

Um rosto familiar estava no corredor. Kwon Sejin, que dissera que ia encontrar um amigo que nem existia, estava vestindo uma camisa branca e calças pretas, descarregando com agilidade os pratos de um carrinho de serviço para o suporte móvel. O avental amarrado na cintura estava um pouco úmido, e a camisa exibia um crachá com seu nome bem visível, indicando que ele não trabalhava ali há apenas um ou dois dias. Era de enlouquecer.

Felizmente, ele não parecia ser o responsável por servir a mesa diretamente, pois não entrou na sala. Apenas moveu a bandeja para o suporte em silêncio e se retirou. Cheon Seju olhou para o local onde Sejin estava com uma expressão de total incredulidade. Devido a esse olhar perfurante, o funcionário que arrumava os pratos na mesa acabou ficando sem jeito.

— O que foi? Viu algum homem conhecido?

Percebendo o clima, Han Jong-hyun perguntou com uma expressão insatisfeita, como quem pedia atenção. Cheon Seju soltou um suspiro frustrado e voltou a atenção para o interior da sala. Queria capturar aquele vira-lata desobediente imediatamente, mas lidar com Han Jong-hyun era a prioridade no momento. Não queria dar motivos para ele implicar.

— Não é nada. Vamos comer.

Acalmando os ânimos, Cheon Seju bebeu o chá devagar e encarou Han Jong-hyun, que o olhava com desconfiança. Fingindo total serenidade, ele sustentou o olhar até que, felizmente, o outro desviou o foco.

Contudo, uma vez que o clima foi quebrado, parecia difícil retomar a conversa. Han Jong-hyun continuou virando o saquê em silêncio, e o tempo passou de forma inútil. Resort urbano. Por causa de Han Jong-hyun, que hesitava em falar sobre aquilo, Cheon Seju também foi obrigado a manter o silêncio.

— Então… Aquilo que eu falei antes… Você já ouviu falar, não é?

Após mais um longo período, Han Jong-hyun perguntou com a voz ligeiramente arrastada. Era impossível entender o que ele realmente queria saber. Controlando a irritação, Cheon Seju respondeu:

— Só ouvi dizer que estão comprando o terreno. O que exatamente o senhor quer saber?

Com tantos executivos sob o comando de Shin Kyo-yeon, por que ele me arrastou até aqui? Pensando nisso, Cheon Seju começou a suspeitar de Han Jong-hyun. Lembrou-se de que, mais cedo, Shin Kyo-yeon havia mencionado a palavra “fraqueza”.

Será que Han Jong-hyun sabe da existência de Kwon Sejin e me trouxe aqui para me testar? A ideia surgiu ao pensar em qual seria a probabilidade de o restaurante escolhido por Han Jong-hyun coincidir exatamente com o local onde Kwon Sejin trabalhava. Seria mesmo apenas uma coincidência?

Cheon Seju questionou-se internamente enquanto observava o homem à sua frente. Mas, contrariando suas suspeitas, Han Jong-hyun continuava bebendo de forma totalmente vulnerável. Seus olhos já estavam semicerrados pela metade e os músculos faciais relaxados, dando-lhe um aspecto quase patético.

Refletindo melhor, Cheon Seju descartou a ideia. Era Han Jong-hyun, afinal. Como ninguém o seguia, ele não tinha facção própria e, consequentemente, carecia de uma rede de informações, tornando quase nula a chance de ele saber sobre Sejin. Mesmo deixando esse histórico de lado, não parecia que aquela mente simplória seria capaz de bolar um plano assim.

Com a desconfiança dissipada, sua concentração também relaxou. Cheon Seju bebeu o chá morno e pensou:

Mas desde quando Kwon Sejin está mentindo para mim? Terá sido desde que começou a falar sobre as aulas de reforço? Sim, era difícil de acreditar que uma escola daquelas daria aulas extras. Então ele vinha trabalhando aqui todos os dias das 11h às 15h? Eu passei quase um mês encontrando com ele na frente da escola para levá-lo para casa, e esse moleque…

— Eles não disseram… quem vão colocar como presidente do resort?

— O quê?

Saindo de seus pensamentos sobre o mentiroso inacreditável, Cheon Seju ergueu os olhos diante da pergunta repentina. Viu Han Jong-hyun olhando para a mesa, evitando seu olhar. Havia um claro constrangimento nele. Diante dessa atitude incomum, Cheon Seju sentiu um desconforto crescente e o encarou fixamente. De repente, olhando para fora da janela, Han Jong-hyun soltou um longo suspiro e falou em um tom quase inaudível:

— O presidente… por acaso… não comentou onde pretende me usar?… Porra…

— ….

Cheon Seju franziu os olhos, incapaz de esconder o descontentamento. Vendo aquela expressão, Han Jong-hyun praguejou sozinho mais uma vez e encheu o copo com saquê. Virando um copo atrás do outro, ele foi perdendo a postura aos poucos.

A embriaguez ficava evidente à medida que o álcool entrava. O rosto antes alinhado desmoronou e as palavras começaram a se arrastar. Vendo Han Jong-hyun retornar ao estado que ele bem conhecia, Cheon Seju permaneceu em silêncio até que o outro, como se estivesse explodindo de frustração, disparou:

— Você… levou o quê, uns 3 anos para virar gerente?… Porra, eu entrei direto como diretor…

Era o tom típico de um bêbado. Um mau pressentimento surgiu. O medo terrível de que, se continuasse ali sentado, teria que aguentar os lamentos de Han Jong-hyun até o amanhecer. Obviamente, Cheon Seju não tinha a menor intenção de ouvir os desabafos bêbados daquele homem em particular. Não tinha curiosidade alguma sobre os problemas dele. Com o rosto inexpressivo, ele confiscou o copo de bebida diante dele e explicou:

— Se o assunto for o resort urbano, tudo o que sei é que estão comprando o terreno. Também nunca ouvi o presidente falar sobre o senhor. Mesmo se tivesse ouvido, não poderia falar. Mas a verdade é que ele nunca o mencionou. Acho que nossa conversa termina aqui, eu já vou…

— É por isso… Por que ele nunca fala de mim?…

Ele tentou encerrar a conversa e se retirar, mas Han Jong-hyun foi mais rápido. Cheon Seju fechou os olhos lentamente ao ver o homem revelando suas inseguranças. Ele realmente detestava aquilo. Toda vez que se cruzavam, ele agia com grosseria dizendo que Seju era um homossexual nojento, e agora tinha a cara de pau de desabafar justamente com ele.

— Sou diretor há 5 anos, por que o presidente não me dá nenhum cargo real?…

No entanto, a expressão de Han Jong-hyun ao resmungar amargamente era preocupante. Com o rosto avermelhado pelo álcool, ele contraiu os lábios e seus olhos se encheram de lágrimas, como se fosse desabar no choro a qualquer momento. Cheon Seju esqueceu a intenção de levantar-se e assistiu à cena com perplexidade.

Esse cara enlouqueceu de vez…

— Eu também… sei comandar os garotos por aí… igual a você…

Han Jong-hyun não fazia ideia do que Cheon Seju realmente fazia. Provavelmente, a maioria das pessoas da organização não sabia como ele auxiliava Shin Kyo-yeon. Se soubessem, ele jamais diria algo assim.

Com um sorriso sarcástico, Cheon Seju cruzou os braços e recostou-se confortavelmente na cadeira, indicando para que ele continuasse falando. Totalmente bêbado, Han Jong-hyun começou a fungar como um viciado e despejou sua história.

Embora não houvesse o menor interesse da parte de Seju, a história resumia-se a isto: Han Jong-hyun era o filho caçula mimado de uma família rica, um vagabundo que passava os dias sem fazer nada até que, frequentando boates em Cheongdam-dong, conheceu Shin Ji-ho. Através dele, conheceu Shin Kyo-yeon e, ao demonstrar interesse pela organização, Shin Kyo-yeon o convidou a entrar. Han Jong-hyun aceitou prontamente e, como recebeu o título de diretor logo de cara, achou que teria um papel de destaque no Grupo DG.

Sendo um playboy comum que agora era chamado de “diretor”, Han Jong-hyun esbanjou a nova posição cometendo todo tipo de contravenções, incluindo o uso de drogas. Quando deu por si, cinco anos haviam se passado. Refletindo melhor, percebeu que não fizera absolutamente nada como membro da organização. Culpando-se tardiamente, ele procurou Shin Kyo-yeon para pedir perdão e solicitar qualquer tarefa, mas o presidente apenas sorriu e disse para ele esperar. Isso foi há seis meses, no dia em que ele recebeu e entregou uma mercadoria trazida por Cheon Seju.

No entanto, desde aquele dia até hoje, nenhuma função lhe fora atribuída. Cansado de não fazer nada, ele andava rondando vários lugares na tentativa de se envolver em algo. Como parte disso, foi à Shinsa Capital exercer autoridade sobre Kim Dong-gil, que era mais velho que ele, mas como Kim Dong-gil apenas respondia “sim, sim” da boca para fora e ignorava suas ordens, o “diretor” Han Jong-hyun teve seu orgulho gravemente ferido.

Foi então que, por coincidência, ele cruzou com Cheon Seju, o braço direito de Shin Kyo-yeon. Sentindo inveja da posição dele, a frustração de Han Jong-hyun acabou transbordando.

Ouvindo aquela história longa e sem substância, Cheon Seju o rotulou internamente como um tremendo idiota. Se ele jogou cinco anos de vida no lixo deslumbrado com o título de diretor, deveria tentar recuperar o juízo agora em vez de ficar bebendo e resmungando. Era patético.

— E por isso… Porra… Você sempre fica me olhando com essa cara de nojo…

Resmungando assim, Han Jong-hyun começou a revistar o bolso do paletó que estava ao seu lado. Cheon Seju observou a cena com indiferença até ver o homem puxar um pó branco, presumivelmente drogas. Ele franziu a testa e cerrou os lábios.

Ficou na dúvida se deveria impedi-lo ou não. Discutir com um bêbado poderia resultar em um escândalo e atrair os funcionários, mas deixá-lo fazer aquilo ali também não era o ideal, dado o local. Contudo, o dilema durou pouco: antes mesmo de aspirar o pó, Han Jong-hyun desabou com a cabeça na mesa e apagou.

— Mas que porra…

Achando a situação ridícula, Cheon Seju praguejou. Soltando um longo suspiro, ele bagunçou os próprios cabelos e depois os ajeitou lentamente enquanto acendia um cigarro. Han Jong-hyun não deu sinais de acordar mesmo após o término do cigarro. Percebendo que teria que cuidar daquela bagunça, Cheon Seju levantou-se com uma expressão de profundo asco.

— Diretor.

Ele deu alguns tapinhas mais fortes no rosto de Han Jong-hyun, descontando um pouco da raiva, mas o homem não reagiu. Cheon Seju passou o braço pela cintura surpreendentemente fina dele e o deitou no chão. Em seguida, pegou um lenço, limpou a droga espalhada na mesa, apertou o botão e chamou o funcionário. Explicou que o acompanhante havia bebido demais e pediu para chamarem um táxi, entregando uma gorjeta. O funcionário agradeceu educadamente e prometeu avisar assim que o veículo chegasse. A intenção de Seju era despachá-lo diretamente para a boate em Cheongdam-dong, o habitat natural dele. O carro de Han Jong-hyun que se explodisse.

Enquanto esperava o táxi, ele bebeu o resto do chá já frio. Seu olhar pousou sobre o rosto adormecido daquele bêbado patético. Embora Han Jong-hyun fosse um idiota completo, para ser honesto, Cheon Seju também achava a situação intrigante.

A família de Han Jong-hyun, dona de uma empresa de médio porte, era abastada, mas não ao ponto de ser crucial para a organização. Além disso, o próprio Han Jong-hyun era alguém sem qualquer utilidade prática para o grupo.

Por que manter no cargo de diretor alguém que só causava problemas por onde passava? Ainda mais considerando que Shin Kyo-yeon detestava pessoas incompetentes. Não havia motivos para acolher a personificação da incompetência que era Han Jong-hyun.

Ele sempre tivera dúvidas sobre o motivo de Han Jong-hyun ser diretor, e ouvir aquela história só aumentou sua curiosidade. Cheon Seju decidiu que perguntaria a Chae Beom-jun sobre isso em uma oportunidade futura.

— O táxi chegou.

Ouvindo a batida na porta e o aviso do funcionário, Cheon Seju respondeu que já estava saindo e tentou acordar Han Jong-hyun mais uma vez. “Diretor, diretor, seu filho da puta”, chamou várias vezes, mas o homem não se moveu. Se não aguenta beber, que ficasse na cerveja, para que inventar de tomar saquê quente? Praguejando mentalmente, Cheon Seju acabou colocando Han Jong-hyun nos ombros.

— Oh, deixe que eu carrego!

— Não, tudo bem.

O funcionário aproximou-se assustado, mas Cheon Seju fez um sinal com a mão dispensando a ajuda. Já bastava terem incomodado o restaurante no horário de intervalo, não havia necessidade de dar mais trabalho aos funcionários. Felizmente, Han Jong-hyun não era tão pesado quanto parecia. Sem qualquer musculatura, seu corpo parecia leve como um boneco de papel. Cheon Seju segurou-o pelas nádegas e saiu do estabelecimento.

— Nnn…

Se Han Jong-hyun não tivesse recuperado a consciência parcialmente no meio do caminho, a experiência teria sido menos terrível. Afinal, graças ao incidente, ele acabou descobrindo que Sejin estava mentindo e trabalhando ali. No entanto, com o impacto da descida das escadas, Han Jong-hyun acordou um pouco e, fazendo jus ao ditado de que velhos hábitos não mudam, começou a apalpar o peito de Cheon Seju, que estava bem diante de suas mãos.

— Você… Haa, é um pouco pequeno…

— Ah, seu desgraçado, sério…

— Tudo bem… O oppa também gosta de peito pequeno…

O sussurro perto do ouvido acompanhado do aperto firme em seus músculos peitorais definitivamente não parecia a atitude de alguém inconsciente. Engolindo o xingamento, Cheon Seju conteve o impulso de jogá-lo no chão e apressou o passo. Em seguida, jogou Han Jong-hyun, que exibia um sorriso bobo com os olhos entreabertos, no banco de trás do táxi.

— Nossa, ele bebeu bastante. Para onde vamos?

O taxista olhou para Cheon Seju com um olhar de julgamento sobre o comportamento do jovem. Após respirar fundo para conter a raiva, Cheon Seju informou o endereço da boate em Cheongdam-dong. Assim que o táxi partiu, ele foi para o estacionamento. No caminho, sentiu uma vontade imensa de quebrar o carro de Han Jong-hyun ao meio, mas controlou-se. Se fizesse isso ali, a culpa cairia sobre os manobristas.

Saindo do estacionamento, Cheon Seju parou o carro em um beco próximo ao restaurante. Com o rosto tenso, soltou um suspiro e pegou o celular. Com o bêbado despachado, era hora de resolver o próximo problema. Enviou uma mensagem para Sejin.

> Vou atrasar no escritório hoje e ficarei até tarde. Até que horas vai o encontro com seu amigo?
> 17:29
> Se der o horário, vamos juntos para casa.

> Vira-lata
> 10 horas. Você vai ficar até a noite?
> 17:43

A resposta demorou mais de dez minutos para chegar. Vendo que o horário de retorno era diferente do habitual, ele deduziu que Sejin deveria estar cobrindo o turno de alguém. O expediente parecia terminar às 10 horas. Apesar de ter mentido, parece que ele não quer voltar de metrô, pensou. Cheon Seju sorriu de lado e respondeu:

> 17:45 blz, me manda uma mensagem às 10 dizendo onde te busco.

> Vira-lata
> Tá bom, te vejo daqui a pouco (있다 봐) [Nota: erro mantido]
> 17:47

> 17:47 Não é “있다”, é “이따”

> Vira-lata
> ㅡㅡ
> 17:48

Encerrada a conversa com Sejin, Cheon Seju reclinou o banco do motorista e deitou-se. Olhando para a iluminação dos postes refletida no beco agora escuro, vários pensamentos vieram à tona. As reflexões que haviam sido interrompidas pelo encontro com Han Jong-hyun recomeçaram.

Diversas emoções estavam emaranhadas em seu peito como um novelo de lã confuso. Como fazia muito tempo desde a última vez que olhara para si mesmo, ele não conseguia identificar com precisão o que sentia, mas a certeza que tinha era de que a camada externa daquele novelo era o sentimento de mágoa. Naquele momento, Cheon Seju sentia-se magoado pelo fato de Sejin ter trabalhado em segredo sem lhe dizer nada.

Por que estou magoado por causa disso? Como eu não o deixava trabalhar, faz sentido ele ter escondido. Ele tentou racionalizar para afastar o absurdo de seus sentimentos, mas seu coração confuso não parecia ceder facilmente.

O motivo era claro. Em dezembro passado, ao resolver o incidente de violência de Sejin, ele achou que tinha conseguido entrar no círculo de confiança do garoto. Descobrir que não era o caso trazia a sensação de que a proximidade que julgava ter alcançado fora apenas uma ilusão de sua parte.

Era evidente que Sejin havia se aberto mais em comparação ao primeiro encontro. Embora ambos demonstrassem irritação mútua às vezes, isso era prova de que se sentiam confortáveis um com o Executivo, e Cheon Seju não sentia mais nenhum incômodo na presença de Sejin. Ele imaginava que o mesmo valia para Kwon Sejin…

Será que era só eu? Será que só eu achei que tínhamos ficado amigos? Sentia-se uma criança do ensino fundamental alimentando aquele tipo de drama sentimental. Cheon Seju soltou uma risada sarcástica de si mesmo diante de tamanha infantilidade.

De qualquer forma, se um fato banal gerava mágoa, a conclusão era uma só: ele se importava com Sejin mais do que admitia a si mesmo. Para alguém que vivia dias instáveis como Cheon Seju, o afeto era um fardo. Mesmo em relação aos membros de sua equipe de execução — a quem ele mais estimava —, o sentimento era apenas de apreço, nunca tendo sentido mágoa por eles. Desde a perda de Hye-in, aquela era a primeira vez que experimentava tal emoção.

Sentia medo de nutrir esse sentimento por um garoto que iria embora dali a um ano. Sendo honesto, parecia um sentimento e uma relação excessivos para a sua realidade. Mas, por outro lado, talvez por ser apenas um ano, estivesse tudo bem. Sendo um período tão curto, não haveria problema em dar-lhe todo o afeto possível. Afinal, quando Sejin partisse, seria um afeto que não teria mais para onde ir…

Com o ecoar dessas ponderações internas, Cheon Seju tomou uma decisão. Pouco antes de Sejin sair do beco, ele o chamou em voz alta:

— Kwon Sejin.

A voz fria fez o garoto estancar. Kwon Sejin virou-se devagar com uma expressão de quem via um fantasma. Observando o rosto pálido sob a luz do poste, Cheon Seju exibiu um sorriso calmo e perguntou em tom descontraído:

— Você disse que ia encontrar um amigo. Aquela mulher de antes é sua amiga? Sua namorada?

— ….

As pupilas de Sejin tremeram. Vendo-o imóvel, de lábios cerrados, parecia que ele tentava distinguir se aquilo era realidade ou ilusão. Obviamente, era real. Cheon Seju caminhou lentamente até ele e estendeu a mão. Puxando o zíper do casaco de Sejin até o queixo, comentou:

— Suas aulas de reforço acontecem em um lugar bem peculiar.

— Não… Não é isso.

— Não é?

Cheon Seju inclinou a cabeça com um sorriso leve. Ele estava dando a Sejin a chance de corrigir a mentira. Se ele confessasse a verdade agora, estava plenamente disposto a relevar o assunto.

Contudo, assumindo que Cheon Seju apenas o vira saindo do restaurante, Sejin preparou-se para negar o trabalho. Engolindo em seco, assentiu e justificou-se:

— As aulas acabaram e eu estava indo para casa, mas um amigo… um amigo me chamou para comer. Por isso…

— Foi mesmo?

— É…

Limpando os lábios secos, Cheon Seju sorriu docemente. Passou os dedos frios pelo vento pelos cabelos de Sejin, que haviam sido penteados com capricho. Apesar de ter o cabelo bagunçado pelas mãos dele, Sejin permaneceu estático devido à culpa. Olhando para ele, Cheon Seju sussurrou:

— Você estava até usando um crachá.

— O quê?…

— Trabalhando duro desde cedo. Muito dedicado.

— ….

Claro que era um blefe.

Cheon Seju só havia avistado Sejin no restaurante após as 15h. A história de ter comido com um amigo era mentira, mas o trabalho de Sejin poderia ter sido uma exceção pontual hoje. Afinal, ele poderia muito bem ter estado na escola antes do horário em que Seju o vira.

Contudo, a julgar pela conversa com a garota e o crachá na camisa, estava evidente que Sejin vinha trabalhando ali desde o início das férias.

Diante do blefe que desmascarou suas ações, Sejin processou a informação em silêncio. Em seguida, erguendo os olhos com irritação, reagiu na defensiva:

— Você estava me vigiando?

— Sabia que você ia reagir assim.

— O quê?

Suas belas sobrancelhas se franziram. Suspirando, Cheon Seju virou as costas e caminhou em direção ao carro, dizendo:

— Siga-me. O carro está logo ali.

— Estou perguntando se você estava me vigiando!

Para Sejin, a situação justificava a desconfiança. Parecia que Cheon Seju o havia seguido o dia todo, então a irritação era compreensível. Ignorando a reclamação familiar, Cheon Seju continuou andando pelo beco. Sejin bufou furioso no mesmo lugar por um instante, mas acabou seguindo os passos dele. Só depois de acomodar o garoto irritado no banco do passageiro é que ele explicou a situação:

— Eu não estava te vigiando. Fui ao restaurante por acaso, te vi e fiquei te esperando.

— ….

Achando que ele estava mentindo, Sejin o encarou com os olhos semicerrados de raiva. Ignorando o olhar, ele acrescentou:

— Se não acredita, pergunte aos funcionários de lá. Pergunte se um homem extremamente bonito não esteve na sala ao fundo do primeiro andar.

— Quanta audácia…

Ao ver Sejin demonstrar aversão à menção de “homem extremamente bonito”, Seju sorriu de forma relaxada. Dando a partida no carro e pisando no acelerador para sair do beco, ele perguntou:

— Sejin, pense bem. Um garoto que diz estar estudando muito nas aulas de reforço aparece servindo mesas em um restaurante japonês. Quem deveria estar indignado aqui: eu ou você?

— ….

Sejin calou-se. Kwon Sejin tinha o hábito de recorrer ao direito de permanecer em silêncio sempre que estava em desvantagem. Como aquele silêncio era a prova inequívoca de sua culpa, Cheon Seju soltou uma risada contida.

— Sem argumentos, certo?

Diante do tom provocativo, Sejin mordeu o lábio inferior. Suas bochechas alvas contraíram-se. Parecia querer dizer algo, mas acabou optando por manter o silêncio.

No final, coube a Cheon Seju fazer a pergunta:

— Por que mentiu?

Ao ouvir o questionamento, Sejin, que olhava para os próprios joelhos, ergueu a cabeça. Havia um motivo perfeitamente compreensível para ele ter começado a trabalhar, mas era algo que ele não desejava revelar a Cheon Seju. Explicar a razão feriria seu orgulho e soaria um pouco humilhante.

Ele jamais conseguiria confessar que queria comprar uma casa iluminada e calorosa como aquela quando tivesse que sair da residência de Seju. Tinha medo de que ele risse e, por alguma razão… era difícil dizer aquilo diante de Cheon Seju.

— Não quer me contar?

Como Sejin não respondia, Cheon Seju acabou encostando o carro na lateral da pista. Parados sobre a ponte que cruzava o Rio Han, os veículos da noite passavam zunindo por eles, mas o interior do carro permanecia estático. No silêncio que parecia ter congelado o tempo, Cheon Seju foi o primeiro a falar novamente:

— Kwon Sejin. Eu não tenho sequer esse direito com você?

— …O quê?

Esperando ouvir broncas ou sermões, Sejin ficou atônito com a pergunta inesperada. Seus olhos bem abertos voltaram-se para Cheon Seju. O homem o encarava com uma expressão que carregava um leve cansaço. A cada veículo que passava ao lado, a luz dos faróis iluminava e escurecia seu rosto consecutivamente.

— O direito de entender a sua situação… Eu não tenho?

— ….

A pergunta feita em voz baixa trazia um Cheon Seju sério, desprovido de qualquer traço de deboche. Olhando para aquele semblante que lhe parecia ao mesmo tempo familiar e distante, Sejin tentou se lembrar de quando vira aquela expressão antes.

Uma memória surgiu naturalmente. O dia em que Cheon Seju foi à sua escola apresentando-se como seu responsável. Diante daqueles que tentavam rotular Sejin como agressor, ele assumira a posição de protegê-lo, chamando-o de vítima. Naquele dia, Cheon Seju exibia exatamente o mesmo rosto.

— Kwon Sejin, pense bem.

No entanto, quem o chamara naquele dia fora o próprio Sejin. Fora ele quem dera o número de Seju para Seo Bo-hyung e se escondera atrás dele para escapar do problema sem sequer pedir desculpas.

Confrontando a percepção de Sejin, Cheon Seju questionou:

— Eu não sou o seu responsável?

— ….

— Ainda não?

Os olhos frios dele pareciam profundos. Diante do tom grave de Cheon Seju, Sejin permaneceu calado.

Não havia espaço para dúvidas. Cheon Seju o havia protegido, e sob seus cuidados Sejin vinha desfrutando de uma vida confortável.

Embora no início a convivência fosse desconfortável, a situação mudara. Sejin havia se integrado à rotina com Cheon Seju, e o homem preenchia grande parte de seus dias. Se ele conseguia visitar a mãe sem preocupações, era porque Cheon Seju cuidava dele; o mesmo valia para a interferência em suas refeições e aspectos gerais da vida. Eles compartilhavam o direito mútuo de zelar um pelo outro de forma justa.

Debater quem definira esses papéis primeiro era inútil a essa altura. Independentemente de quem começara, Cheon Seju era de fato o responsável por Kwon Sejin. Sejin precisava dar a ele a chance de compreender a situação. Ele tinha o direito de entender. Compreendendo isso, Sejin olhou para ele e começou a falar em voz baixa:

— O dinheiro…

Ele sentiu o rosto queimar. Com o peito aquecido de uma forma intensa, Sejin revelou a verdade com esforço:

— Eu precisava de dinheiro. Quando eu for maior de idade, terei que sair da sua casa… Queria comprar uma casa iluminada pelo sol para morar com a minha mãe.

Ao contrário do receio de ferir o orgulho, expor seus sentimentos não foi tão difícil quanto imaginava. Sejin limpou a garganta e sustentou o olhar com Cheon Seju. Encarando aqueles olhos negros e melancólicos, a marca de sua pobreza não parecia algo vergonhoso. Uma confiança repentina surgiu; sentia que aquele homem não zombaria de sua pobreza ou de seu desejo simples. Com a voz mais firme, continuou:

— Nós sempre moramos em subsolos. Eram lugares escuros, mal ventilados e cheios de mofo. Mas vivendo na sua casa, ver a luz do sol entrando foi tão bom… Uma casa arejada e calorosa é tão maravilhosa que pensei em dar um lugar assim para a minha mãe quando ela sair. Embora eu vá me alistar no exército assim que fizer dezoito anos, a poupança militar não seria suficiente para conseguir uma casa dessas. O trabalho… na verdade, passei na entrevista no dia em que você não voltou para casa. Quando eu estava bravo com você em dezembro… E depois… achei que se dissesse que comecei a trabalhar sem sua permissão…

Nesse ponto, Sejin corou levemente ao concluir a explicação:

— Fiquei com medo de levar uma bronca, por isso não contei…

Confessar que escondera o fato por medo de abalar a relação com Cheon Seju gerou um forte constrangimento. Terminada a breve explicação, Sejin calou-se. Sob a noite da cidade, com as luzes dos postes e dos carros fluindo como uma galáxia na avenida, ele concentrou toda a atenção na reação do homem ao lado.

— ….

Aliviado por saber que não fora o único a sentir a aproximação e satisfeito por Sejin finalmente ter revelado seus sentimentos genuínos, Cheon Seju sorriu discretamente e ponderou sobre o relato.

Sonho. Ele já havia perguntado a Sejin sobre seus sonhos no passado. Na ocasião, o garoto não respondera, mas a história de agora era essencialmente a descrição de seu sonho. Um sonho não precisava ser algo grandioso. O que se deseja ter, o que se deseja ser, a rotina que se deseja desfrutar — a união dessas pequenas coisas formava um sonho.

O mesmo valera para Cheon Seju. Coisas que ele desconhecia no orfanato tornaram-se acessíveis na faculdade, permitindo-lhe desenhar objetivos mais claros. O desejo de proporcionar boa comida, boas roupas e uma boa casa para Hye-in nascera de suas próprias vivências.

Saber que o padrão de vida que oferecia a Sejin estava despertando ambições no garoto trazia-lhe satisfação.

Afinal, são esses desejos que movem a vida. Dizem que antes de morrer, as pessoas se lembram do que deixaram de fazer. Quanto mais desejos e metas Sejin tivesse, maior seria sua determinação para valorizar a vida diante de eventuais crises futuras.

Pensar assim preencheu o vazio que ele sentia no peito. A mágoa de antes havia desaparecido por completo.

— Então, vamos fazer o seguinte.

Uma casa calorosa e iluminada… O sonho de Sejin ainda era pequeno e modesto, mas a realidade mostrava que as coisas mais simples eram as mais difíceis de conquistar. Para obter um imóvel assim em Seul, era preciso acumular uma boa quantia, como o próprio Sejin mencionara. O salário do restaurante não seria suficiente.

No entanto, ele não permitiria que o garoto voltasse a trabalhar ali. Além do desgaste físico, o fato de alguém ter tocado nas nádegas de Sejin gerava um profundo incômodo. A vida de jovens bonitos e desamparados era facilmente ameaçada nas mãos de frequentadores prepotentes. Cheon Seju não queria deixá-lo exposto em um ambiente frequentado por esse tipo de público.

— Se precisa de dinheiro, eu te dou.

— …Está brincando comigo?

Diante da proposta feita após tanta reflexão, Sejin alterou o tom de voz.

Depois de me abrir desse jeito, ele simplesmente oferece dinheiro? Está me tratando como mendigo? Ele não havia contado aquilo para receber esmola. Tomado por uma raiva repentina, Sejin lançou um olhar furioso para Cheon Seju.

Em resposta, Cheon Seju balançou a cabeça indicando que ele deveria escutar e explicou:

— Sei que vai gritar perguntando se estou te tratando como um necessitado, mas seu cálculo está errado desde o início. Tecnicamente, você atua como um funcionário residente na minha casa, então é justo que eu te pague. Você não está fazendo tarefas domésticas em troca de abrigo; o correto é receber um salário como assistente residencial.

— O quê?…

Sejin franziu o rosto demonstrando indignação. Contudo, para Cheon Seju, a lógica era perfeitamente válida. Na verdade, ele se sentia tolo por não ter pensado nisso antes.

O salário de um assistente residencial que mora no emprego passava dos 3 milhões de won. Embora Sejin não limpasse e lustrasse a casa de forma exaustiva diariamente, o ambiente tornara-se impecável desde sua chegada. Ele merecia a remuneração.

— Você trabalha apenas 4 horas por dia no restaurante. Mesmo calculando o salário mínimo por hora…

— São doze mil won por hora.

— …Certo, doze mil won.

Olhando de forma irônica para Sejin, que se mostrava ágil nos cálculos apenas nessas horas, Cheon Seju prosseguiu:

— São apenas 48 mil won por dia. Cerca de 250 mil por semana, totalizando pouco mais de 1 milhão de won por mês. Mas se você trabalhasse prestando serviços residenciais em outras casas, mesmo sem morar lá, ganharia mais de 2 milhões. Como suas tarefas aqui não cobrem o dia todo, não posso pagar o valor integral, mas vou te pagar o dobro do que você recebia no restaurante. A condição é cooperar e focar nos estudos durante as férias.

— ….

Sejin encarou Cheon Seju com uma expressão ambígua. Com os olhos semicerrados e uma das bochechas infladas, parecia processar vários argumentos. Vendo aquela reação, Seju suspirou. Sejin parecia incapaz de aceitar uma situação vantajosa para si sem antes questionar. Qualquer outra pessoa aceitaria de imediato, mas ele insistia em desconfiar e debater.

Ele lamentava aquilo. Achava injusto que o histórico de vida de um jovem de apenas dezenove anos o tivesse moldado para ser tão desconfiado.

— Qual é o problema agora?

Se estivesse no lugar de Sejin, já teria aceitado e perguntado quantas horas de estudo seriam necessárias. Diante de sua indagação, Sejin estreitou os olhos e disparou:

— Você por acaso é um psicopata?

— O quê?

— Pense um pouco.

— ….

Sem esperar ouvir um conselho reflexivo vindo de quem ocupara a última posição na sala de aula, Cheon Seju calou-se e olhou para o garoto. Suspirando, Sejin argumentou:

— Coloque-se no meu lugar e analise. Um sujeito com histórico duvidoso aparece do nada se oferecendo para ajudar: dá moradia, alimentação, carona para a escola quando os horários coincidem, supervisiona os estudos e agora promete dinheiro se eu estudar bem! Como não desconfiar? Qualquer um acharia suspeito. O estranho seria aceitar isso de braços abertos; quem fizesse isso seria o verdadeiro idiota, não acha?

Analisando a situação de forma externa a partir do argumento de Sejin, Cheon Seju reconheceu que o cenário parecia suspeito. Sob a ótica do garoto, justificava-se o receio de golpes ou atividades ilícitas.

Contudo, Cheon Seju conhecia os motivos por trás de sua generosidade excessiva para com Sejin. Assim, mantendo sua posição, argumentou:

— Esse sujeito é o seu responsável. A principal referência de um responsável são os pais. Pense na sua mãe: ela te alimentou, te deu abrigo, te educou e te dava dinheiro. Qual é a diferença? Não acha que isso faz parte das obrigações de quem zela por você?

A resposta de Cheon Seju soava coerente. No entanto, apesar do argumento convincente, Sejin ainda hesitava em aceitar totalmente.

— Mas você não é meu pai. Nem a minha mãe agia assim; eu raramente recebia dinheiro dela. Não faz sentido você me dar dinheiro sem termos nenhum vínculo de sangue.

— Por que não faria sentido? Você não está recebendo de graça; limpa a casa, cozinha e lava as roupas. Por que não faria sentido?

— As tarefas domésticas nem dão tanto trabalho assim.

Diante da resistência contínua de Sejin, a frustração de Cheon Seju aumentou. Soltando um breve suspiro, ele passou a mão pelos cabelos e encarou o garoto com firmeza, rebatendo:

— Você está desvalorizando a função dos milhares de profissionais domésticos do país? Está afirmando que o trabalho residencial não tem valor e não merece uma remuneração justa?

— O quê? Eu nunca disse isso!

Diante do argumento distorcido de Cheon Seju, Sejin protestou em voz alta. Contudo, refletindo melhor, percebeu que a lógica fazia sentido. Cozinhar, lavar e limpar eram tarefas habituais para ele, visto que sempre realizara tais atividades quando morava com a mãe.

Porém, como ele próprio pontuara, Cheon Seju não era sua família. Fornecer sua mão de obra gratuitamente resultaria em prejuízo próprio e desvalorizaria o trabalho de quem exercia a função profissionalmente em restaurantes ou lavanderias. Se todos oferecessem trabalho gratuito, os profissionais do setor seriam prejudicados.

Ao compreender essa lógica econômica, Sejin assentiu. A linha de raciocínio de Cheon Seju estava correta. Ele deveria receber uma compensação justa pelo trabalho realizado na casa. Contudo, sentindo-se injustiçado em um ponto, acrescentou:

— Tudo bem, entendi. Mas como o estudo não é uma escolha minha e sim uma exigência sua, isso também deve ser considerado parte do trabalho. Sendo assim, durante as férias trabalharei cerca de dez horas por dia, então o valor deve ser maior.

— ….

Em termos estritos, o cálculo fazia sentido. O ato de estudar não partia da vontade de Sejin; tratava-se de uma extensão das exigências impostas. Percebendo que Cheon Seju tentara desconsiderar o estudo como atividade laboral, Sejin orgulhou-se de sua perspicácia e sorriu de lado, ameaçando:

— Se não pagar o valor correto, vou denunciar por violação das leis trabalhistas na delegacia de polícia. Faça as contas direito.

Denunciar na delegacia em vez do Ministério do Trabalho… Observando a audácia daquele jovem de postura firme, Cheon Seju não conteve um riso abafado.

— Por que está rindo?

Momentos após demonstrar total desconfiança, o garoto mudava de postura com rapidez, mostrando-se uma figura quase cômica em sua teimosia. Segurando o volante, Cheon Seju olhou para fora. Enquanto ele ria, Sejin, possivelmente ciente de sua própria audácia, protestava com o rosto corado pedindo para ele parar de rir.

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Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Projection – Novel Yaoi Mangá Online

Cheon Sejoo, que não teve escolha a não ser se juntar à organização para vingar sua irmã falecida, em meio a uma vida sem esperança, conhece um jovem que o lembra de sua irmã, o que o leva a praticar um pequeno ato de gentileza.
Se ele soubesse que essa intenção leviana se tornaria tão pesada, ele não o teria trazido para sua vida.
* * *
“Eu te disse. Sempre foi você primeiro…”
Seus olhos, normalmente penetrantes, pareciam gentis hoje. O olhar de Cheon Sejoo era suave, doce e persistente.
“Então assuma a responsabilidade.”
Era sempre Cheon Sejoo quem dava o primeiro passo. Era ele quem estendia a mão para ele primeiro, quem o olhava primeiro. Sejin simplesmente pegava sua mão porque ele a oferecia, e olhava para ele porque ele lhe dava o olhar. E, ao fazer isso, ele se apaixonou por aquele homem gentil.
Sejin não queria mais ver Cheon Sejoo se afastando dele.
Se você não pode vir até mim, então eu irei até você.
“Você é tudo o que me resta agora…”
Nome alternativo: Projection

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