Ler Projection (Novel) – Capítulo Parte 09 Online

Projection Vol. 1.9
Como pode existir um cara que vive a vida sem qualquer solução desse jeito? É claro que ao redor dele, especialmente na Shinsa Capital, havia uma abundância de caras que viviam de qualquer jeito e arruinavam a vida, mas Cheon Seju não podia simplesmente assistir Kwon Sejin se tornar assim. Não importava como tenha sido o começo, agora ele era o garoto que ele estava protegendo. Ele não podia ficar apenas olhando diante de seus olhos a situação em que Kwon Sejin tratava a escola como um refeitório gratuito e desperdiçava a sua oportunidade.
— É meu, por que está rasgando!
Zás, zás, quando Cheon Seju rasgou o jornal, Sejin soltou um grito bufando de raiva. Como a sua pele alva era fina a ponto de ser transparente, os cantos de seus olhos costumavam ficar vermelhos facilmente com o mínimo de agitação. Desta vez também, com os olhos vermelhos como se fosse chorar a qualquer momento, Sejin encarou Cheon Seju. Obviamente, não era nem um pouco assustador. Mantendo o olhar fixo nele, Cheon Seju perguntou em tom de ameaça:
— Você não quer ver a sua mãe?
— …
Diante daquela pergunta, a linha fina do maxilar que não evidenciava muito a forma de um homem revelou um contorno mais nítido. Sejin encarou Cheon Seju com os dentes cerrados.
— Eu devo ter dito que você tinha que frequentar bem a escola enquanto estivesse na minha casa para eu te levar lá de novo. No seu critério, isso aqui agora é frequentar bem a escola?
— Aaah…
As palavras de Cheon Seju pareciam soar apenas como sermão para Sejin. Ele soltou um suspiro curto e, irritado, passou a mão pelo cabelo. O cabelo comprido e desalinhado ficou bagunçado, e os olhos semelhantes aos de um gato ficaram um pouco mais pontudos. Sejin logo abriu a boca.
— O que afinal é frequentar bem a escola? Não basta apenas ter presença?
— É acordar cedo de manhã para não se atrasar, assistir às aulas com dedicação sem faltar e voltar só depois do estudo noturno. E não apenas encher a pança e fazer outras coisas como você.
— Que estudo noturno…
Já acabou faz tempo. Sejin murmurou como se achasse um absurdo e logo explicou como se estivesse realmente sufocado de frustração.
— É porque você não conhece a nossa escola. Aqui não tem nenhum aluno que estuda no horário das aulas. Os professores nem sequer dão aula direito. Em vez de ficar enfiado lá o dia todo, é mais vantajoso para mim completar os dias de presença e sair para fazer pelo menos um trabalho de meio período. Eu só preciso conseguir o diploma. Do meu ponto de vista, isso é frequentar bem a escola.
— Não fale merda.
Cheon Seju rebateu a desculpa de Sejin com uma única frase.
— Não, estou dizendo que não é a atmosfera que você está pensando!
Sejin rebateu argumentando, mas para Cheon Seju as palavras dele pareciam apenas desculpas. Alunos que não estudam existem em qualquer lugar. Dizer que não conseguia estudar por ser influenciado por aquela atmosfera era o mesmo que uma desculpa. A menos que o próprio Kwon Sejin fosse um daqueles “alunos que não estudam”, o aprendizado dependia inteiramente de sua própria vontade.
Era um pensamento consideravelmente antiquado, mas Cheon Seju estava falando sério. Ele era a pessoa que tinha conquistado o primeiro lugar nacional estudando o fim de semana inteiro em um orfanato onde vinte crianças faziam barulho e conversavam alto. Pof, enfiando o jornal rasgado na lata de zinco, ele abriu a boca com uma expressão de desagrado.
— A atmosfera da escola, porra. É tudo a mesma coisa em qualquer lugar. Vai continuar de conversa fiada?
— É sério que um lugar assim…!
As palavras não se comunicavam. Foi quando Sejin, frustrado, ia gritar.
— Chefe.
Uma sombra imensa se projetou atrás das costas de Sejin. Diante da voz grave vinda de trás, Sejin virou a cabeça com o rosto assustado. Um homem vestindo um terno de gângster, igual a Cheon Seju, estava parado ali. Era o homem que veio procurar Cheon Seju, Moon Seonhyuk.
Seonhyuk olhava de cima com olhos gélidos para Sejin, que ousava levantar a voz para Cheon Seju sem qualquer temor. Como ele estava parado ali com o rosto inexpressivo, exalava uma sensação assustadora como se fosse matar alguém. No entanto, Kwon Sejin não se intimidou. “Está olhando o quê?” Ao ver Sejin encarar Moon Seonhyuk de volta com os olhos erguidos e com aquela expressão, Cheon Seju sentiu a cabeça doer por completo.
— O que foi. Tem algo a dizer?
Antes que os dois, especialmente Kwon Sejin, dissessem palavras inúteis e gerassem um problema mais cansativo, Cheon Seju abriu a boca primeiro. Diante de sua voz, Moon Seonhyuk retornou para um semblante taciturno como se nada tivesse acontecido e fixou os olhos em Cheon Seju. Ele respondeu em tom respeitoso:
— Não, senhor. Como você não entrava, saí para procurá-lo.
— Sim. Mais alguma coisa, não surgiu mais nada?
Olhando de relance, a pergunta feita consciente da presença de Sejin recebeu um balançar de cabeça negativo. Olhando para Seonhyuk, Cheon Seju soltou um suspiro curto e logo acenou com a mão para ele.
— Entendido. Pode ir. Eu vou primeiro, então diga aos outros para verem apenas o que estão fazendo e encerrarem o trabalho. Eu mesmo farei o relatório para o Diretor.
— Entendido, senhor. Quer que eu o leve?
— Não precisa.
Diante da recusa curta, Moon Seonhyuk assentiu com a cabeça. Em seguida, inclinando a cabeça profundamente, cumprimentou respeitosamente com um “até logo, senhor” e virou o corpo. Seonhyuk desapareceu de vista, e Cheon Seju colocou a mão sobre a cabeça pequena de Sejin, que tentava escapar de mansinho pelo beco. Os fios de cabelo macios e finos envolveram a sua mão.
— Tira.
Sejin tentou sair daquele lugar demonstrando irritação, mas não conseguiu evitar o toque habilidoso de Cheon Seju. Sem conseguir vencer a força de Cheon Seju, que fingia acariciar sua cabeça enquanto o empurrava, ele acabou sendo arrastado até o estacionamento do primeiro andar do estúdio. Cheon Seju praticamente enfiou Sejin dentro de seu carro e subiu no banco do motorista. Com o cinto de segurança afivelado, ele olhou para Sejin, que inflava as bochechas alvas com descontentamento, e disse enquanto pisava no acelerador:
— Acho que você entendeu mal alguma coisa. Eu não te trouxe para cá para fazer como quem abriga um vira-lata de rua por uma noite.
Parecia haver a necessidade de fazer Sejin reconhecer a sua própria situação. É claro que não era como se Cheon Seju quisesse forçá-lo, mas morando juntos, também era complicado ele agir com arrogância dizendo que seguiria o seu próprio caminho. Porque se algo acontecesse a Sejin nesse meio tempo, com certeza ele se arrependeria. Ele queria ter a certeza de que Sejin estava sob a sua influência, mesmo que não fosse visível aos olhos.
— …
Diante da expressão vira-lata de rua, Sejin franziu a testa. Sem se importar com isso, Cheon Seju continuou a falar:
— Enquanto estiver na minha casa, faça o que eu mandar. Por acaso eu te pedi para conseguir o primeiro nível no simulado? O que há de tão difícil nisso para fazer esse escândalo?
— Não. Se eu frequento bem a escola ou não, eu não sei o que afinal isso tem a ver com você. Eu vou fazer os acompanhamentos, vou limpar a casa, e acho que estou pagando o suficiente pela minha estadia na sua casa, então por que tenta interferir até na minha vida privada?
A resposta que retornou para o que foi dito de forma pacífica foi, como esperado, torta. Cheon Seju fechou os olhos firmemente e, controlando o seu íntimo, acalmou a respiração devagar. Embora ele soubesse que não devia dar sermões a um garoto na adolescência, ele não sabia como ter uma conversa profunda.
Antes de morrer, Cheon Hyein era uma criança silenciosa que aceitava e assentia com a cabeça para o que quer que Cheon Seju dissesse, e os irmãos do orfanato também basicamente não contestavam as palavras de Seju, por isso esta situação atual era ainda mais desconhecida. Sentia apenas o desejo de agir por instinto.
Será que ele ouviria se levasse uma surra? Cheon Seju mordeu os lábios com firmeza e olhou para o lado. No entanto, Sejin era um garoto que não tinha sequer um lugar para ser agredido. Com um rosto tão pequeno que poderia ser coberto apenas pela palma da mão de Cheon Seju, um rosto tão alvo que se destacaria muito mesmo se fosse cortado por uma folha de papel, lábios do tamanho de uma fração e bochechas magras… Ele parecia tão frágil que, se levasse uma única pancada, a culpa o impediria de dormir por alguns dias. Embora o corpo fosse apenas como o de um garoto comum.
Olhou com a intenção de bater, mas apenas percebeu o fato de que Sejin havia nascido com um rosto bonito o bastante para fazê-lo hesitar. Cheon Seju acabou fechando a boca, restando apenas o pensamento de que deveria ter uma conversa séria quando chegasse em casa. Como Sejin também não o pressionou por uma resposta, o caminho em direção a casa permaneceu submerso no silêncio.
Na tarde de um dia de semana, o congestionamento de trânsito era quase inexistente. O carro que corria pela estrada não demorou muito para entrar no estacionamento subterrâneo. No entanto, enquanto se dirigia para a vaga de estacionamento reservada, Cheon Seju avistou um sedã familiar seguindo atrás de seu carro e praguejou. O carro de Shin Kyoyeon estava entrando.
Tarde de quarta-feira, era um horário muito cedo para o Diretor Executivo sair do trabalho, mas como era um ser humano que agia conforme o que a sua própria pica desejava, não era de se estranhar. Fui pego pelo azar. Cheon Seju estalou a língua e parou o carro em uma vaga que estava vazia. Vendo o sedã preto que passou por ele estacionar em frente ao elevador, ele virou a cabeça em direção a Sejin.
— Ei.
A linha dos lábios estendida em linha reta estava emburrada. Sejin o encarou de volta com um olhar cheio de insatisfação, sem responder. Não havia nada de bom em fazer aquele garoto abusado chamar a atenção de Shin Kyoyeon. No entanto, se ele não descesse do carro, ele desconfiaria ainda mais, então precisava fazê-lo ficar parado como se estivesse ali e não estivesse ao mesmo tempo. Pensando assim, ele falou para Sejin:
— Desfaça essa cara. Fique de boca fechada até pegar o elevador e subir para casa.
— Eu pretendo fazer isso mesmo que você não mande.
— …
Esse moleque realmente. Cheon Seju olhou com desagrado para Sejin, que respondeu com altivez, e desceu do carro. Confirmando que Sejin descia logo atrás dele, ele ajeitou as vestes e se aproximou do elevador. Shin Kyoyeon estava parado com o rosto inexpressivo diante do elevador que acabava de abrir as portas.
— Diretor, boa tarde.
Cheon Seju o chamou com uma voz contida e abaixou a cabeça. Diretor? Diante da atitude respeitosa, Sejin, que estava atrás dele, expressou um semblante desconfortável e olhou de relance para Shin Kyoyeon. No entanto, a esta altura, um sorriso tênue estava estampado no rosto que antes estava inexpressivo. Quando Sejin cruzou os olhos com o homem que o examinava de cima a baixo com uma expressão gentil, ele hesitou, mas inclinou a cabeça cumprimentando com uma reverência. “Olá”, diante das palavras que acabou soltando sem perceber, ele também sorriu com os olhos e inclinou a cabeça para Sejin, desviando em seguida o olhar para Cheon Seju.
— Boa tarde. Chefe Cheon, a sua saída do trabalho está adiantada.
— …É porque o trabalho urgente terminou.
Diante do tratamento respeitoso de Shin Kyoyeon, Cheon Seju respondeu com uma voz hesitante. Então, os olhos que carregavam um tom de riso passaram por Cheon Seju e se direcionaram a Sejin. Cheon Seju moveu o corpo sutilmente para esconder Sejin atrás de suas costas e, estendendo o braço, segurou a porta do elevador.
— Suba primeiro, por favor.
— Obrigado.
— …
Era uma atitude bastante educada. Diante da imagem mascarada de Shin Kyoyeon que não via há muito tempo, Cheon Seju não conseguiu esconder o seu desconforto.
Bloqueando a visão de Shin Kyoyeon de forma astuta, ele estendeu a mão silenciosamente e puxou o pulso de Sejin. Piq, junto com o som do tênis deslizando no piso do elevador, Sejin, que foi puxado sem forças, ficou parado em um canto, atrás das costas de Shin Kyoyeon.
— O qu…
Antes mesmo que pudesse abrir a boca para perguntar o que ele estava fazendo, sua mão foi segurada.
Sejin perdeu a fala ao ver a mão grande que entrelaçava os dedos nos seus. Não tinha qualquer afeto, e apenas doía quando o polegar pressionava a sua articulação aplicando um sinal silencioso. Só então Sejin se lembrou das palavras de Cheon Seju para ficar de boca fechada até subir para casa e moveu os olhos.
De relance, o olhar de Sejin se direcionou para as costas de Shin Kyoyeon, que estava parado na diagonal. Ao contrário do gângster Cheon Seju, ele parecia uma pessoa educada e sensata, mas vendo que ele mandou não dizer nada, aquele homem também parecia ter algo suspeito. Pensando assim, Sejin fechou a boca firmemente e ergueu a mão com cuidado, empurrando a palma da mão de Cheon Seju.
— …
Enquanto o elevador subia, os olhares de Cheon Seju e Sejin se cruzaram através do espelho. Cheon Seju assentiu com a cabeça com um olhar que dizia que ele fez bem e, em seguida, afastou completamente a mão dele.
Plim, logo acompanhado pelo som do gongo, o elevador anunciou a chegada ao 41º andar. Cheon Seju estendeu a mão novamente como antes. Empurrando os ombros de Sejin, que estava parado obedientemente, ele o fez sair do elevador. Sejin olhou para trás com o rosto confuso.
— Entre primeiro.
Respondendo àquele olhar evidente que questionava o que era aquilo, Cheon Seju pressionou rapidamente o botão de fechar. Logo, Sejin, que exibia uma expressão de absurdo, desapareceu de sua vista.
Assim que restaram apenas os dois no interior, uma corrente de ar subitamente gélida se instalou. Shin Kyoyeon, que passou a ter o rosto inexpressivo diferentemente de quando Sejin estava presente, virou-se para Cheon Seju e disse:
— Não sabia que você tinha um gosto tão perigoso.
Era uma voz que não carregava qualquer emoção específica, mas era por isso que era mais sinistra. Ele não permitia que os seus subordinados tocassem em menores de idade. Ele não sabia por que apenas Han Jonghyun era uma exceção, mas de qualquer forma era assim. Cheon Seju balançou a cabeça negativamente e desfez o mal-entendido dele.
— Não é nada disso. É um garoto de quem estou cuidando temporariamente por causa de algumas circunstâncias.
— …Entendo.
Diante de sua explicação, Shin Kyoyeon olhou para Cheon Seju com um olhar calmo e logo assentiu com a cabeça. Diante da atitude que não abrigava desconfiança, Cheon Seju soltou um suspiro de alívio internamente e logo segurou com a mão a porta do elevador que se abria.
— Pode descer, por favor.
Shin Kyoyeon residia no 43º andar, dois andares acima do apartamento de Cheon Seju. Era uma distância que permitia correr imediatamente para conter a situação caso algum problema acontecesse. Apesar da visita repentina de Cheon Seju, Shin Kyoyeon não perguntou o motivo. Ele apenas abriu o teclado numérico em silêncio, entrou e desapareceu para o interior da casa.
Seguindo atrás dele, Cheon Seju olhou para o interior imutável da casa. A harmonia das pinturas vivas que não combinavam com o design de interiores em tons de cinza monótonos era extremamente bizarra. Era uma casa que combinava perfeitamente com um psicopata como Shin Kyoyeon. Embora a sua própria casa estivesse vazia por não ter móveis, era mais cheia de humanidade do que aquilo.
— Uísque?
O homem que tirou o paletó e o pendurou sobre a cadeira perguntou olhando para Cheon Seju. “Estou bem”, quando Cheon Seju balançou a cabeça negativamente, ele serviu apenas uma dose pura para si mesmo e, em seguida, moveu os passos a passos largos. O lugar para onde o homem se dirigiu foi o escritório localizado no interior do corredor. Cheon Seju foi e parou atrás do monitor ao vê-lo se acomodar em frente ao computador do escritório.
— A origem dos fundos.
Como se não houvesse necessidade de introduções, Shin Kyoyeon, que movia o mouse, perguntou aquilo. Cheon Seju respondeu olhando nos olhos dele:
— Não há. O dinheiro que entrou para o entregador é inexistente.
— …Não há.
Shin Kyoyeon também estava dedicando uma atenção consideravelmente grande a este acidente de entrega. O que era natural, pois era a questão mais sensível entre os negócios realizados na DG. Mesmo que houvesse conexões com os oficiais da polícia, se a história sobre a droga viesse à tona através da boca de alguém, haveria um limite para a contenção. Embora o interior estivesse podre, a Coreia do Sul era, na aparência, um país limpo de drogas, e havia uma abundância de seres humanos que tremiam diante de uma única maconha, que era legalizada em alguns países. No instante em que uma única matéria jornalística fosse publicada, era preciso estar preparado para enfrentar um grande alvoroço.
Portanto, para não gerar problemas com os parlamentares do meio político e empresarial que faziam vista grossa para a frequência de seus filhos nos clubes, a gestão precisava ser rigorosa naquela mesma medida.
— A droga foi desviada, mas não há dinheiro que entrou…
Shin Kyoyeon repetiu as palavras que Cheon Seju disse e tamborilou na mesa com as pontas dos dedos. Toque, toque, diante do som que fluía regularmente, Cheon Seju esperou parado com as mãos nas costas. Então, Shin Kyoyeon perguntou:
— Então, qual é a conclusão.
— Presume-se que seja uma ação individual do entregador.
Enquanto se dirigia para casa em meio ao silêncio com Sejin a bordo ao seu lado, Cheon Seju chegou a uma conclusão. Havia muitas pessoas que nutriam antipatia pela DG. No entanto, não havia ninguém entre elas que conduziria as coisas de forma tão descuidada.
A droga não chegou no horário combinado. Assim que esse fato se tornou conhecido, Shin Jihan capturou o primeiro entregador. O entregador, que foi arrastado enquanto dormia em sua própria residência, sustentou a sua inocência e, quando essa alegação foi confirmada como verdadeira, Shin Jihan procurou o segundo entregador. No entanto, como o segundo entregador já havia desaparecido, ele solicitou a ajuda de Shin Kyoyeon.
Seguindo as ordens de Shin Kyoyeon, a equipe de limpeza de Cheon Seju rastreou o segundo entregador que havia se escondido. Ele foi descoberto enquanto estava escondido nas proximidades do Porto de Incheon e, desde que foi arrastado para o estúdio, exerceu o seu direito ao silêncio. Contudo, sob as torturas cruéis deles, ele acabou abrindo a boca, e o conteúdo era consistente.
O entregador revelou a localização da droga dizendo que apenas fez o que mandaram de cima. Como ele revelou de forma audaciosa que havia escondido a droga no interior do clube de Shin Jihan, quando perguntaram por que ele resistiu se ia falar de qualquer jeito, ele acrescentou que a liderança mandou jamais falar. O “de cima” de quem o entregador falava aqui era Dalma.
Portanto, a conclusão era uma só.
Isso foi algo que o entregador cometeu por nutrir rancor contra Dalma.
— Tem certeza?
Se perguntassem por que pensava assim, havia muitas palavras para explicar. No entanto, Shin Kyoyeon fez apenas uma única pergunta a Cheon Seju. Era uma pergunta sobre o quanto ele confiava em seu próprio julgamento. Embora o homem a quem Cheon Seju servia fosse um psicopata, ele costumava zelar e confiar infinitamente em seus subordinados diretos. Por isso, ele pôde acrescentar os seus pensamentos sem hesitação.
— Tenho cerca de 90% de certeza.
Diante daquela resposta, Shin Kyoyeon soltou uma risada curta e ergueu os olhos. Os olhos sanpaku assustadores encararam Cheon Seju diretamente. Cruzando os braços de forma relaxada, ele perguntou:
— O que são os 10% restantes.
— Dalma tentou desviar a droga e falhou, jogando a culpa nas costas do entregador.
No entanto, havia muitas lacunas consideráveis naquela suposição. Aquilo era algo que Shin Kyoyeon poderia perceber imediatamente, mesmo que Cheon Seju não explicasse detalhadamente. O homem que inclinou a cabeça devagar disse a Cheon Seju:
— Não há motivos para isso, há.
— Sim. Por isso são 9%.
Havia ainda a probabilidade de 1%. Shin Kyoyeon ergueu os cantos dos lábios como se achasse interessante e moveu o queixo como quem diz para ele explicar. Diante disso, Cheon Seju estabeleceu a última hipótese.
— Parece que um dos executivos da organização se envolveu.
— A menos que esteja louco.
— O meu pensamento é o mesmo.
Se o “de cima” mencionado pelo entregador fosse um dos executivos da organização, a sua atitude seria compreendida. Como um executivo mandou, ele não teria conseguido abrir a boca até o fim. No entanto, não havia ninguém entre os executivos da organização que se levantaria contra Shin Kyoyeon de forma tão descuidada. Aqueles que expressaram insatisfação ao Presidente Shin Kyungju a respeito da indicação dele como sucessor já não eram pessoas deste mundo.
Faziam menos de 2 anos desde que o vento de sangue soprou, e não existia um cara audacioso o bastante para planejar algo mesmo vendo aquela situação diante de seus olhos. Além disso, agora Shin Kyoyeon estava em uma posição em que não sofreria impactos, não importava o que alguém fizesse. Portanto, a menos que estivesse louco, não havia como algo assim acontecer.
— Cheguei a ver o Diretor Han Jonghyun no local onde encontramos a droga, mas não creio que esteja relacionado com este assunto.
Cheon Seju acrescentou com uma voz cheia de convicção. Diante disso, Shin Kyoyeon arqueou as sobrancelhas e sorriu com desdém. Ele também demonstrava uma atitude de nem sequer se importar com Han Jonghyun. Ele pareceu pensar por um instante e logo assentiu com a cabeça.
— Bom trabalho.
Sem acrescentar outras palavras além disso, ele desviou o olhar para o monitor. Significava que não havia necessidade de investigar mais sobre este assunto. Pelo visto, ele parecia acreditar na probabilidade de 90%. Diante disso, Cheon Seju inclinou a cabeça silenciosamente em uma reverência e saiu do escritório. Fechando a porta, ele soltou um suspiro naquele lugar e moveu os passos.
À medida que se afastava do espaço desolado, o ar voltava a circular em seus pulmões. Ele o via há 5 anos, mas aquele homem gerava desconforto toda vez que o via. Cheon Seju bagunçou o cabelo rudemente, fechou a porta do apartamento 4300 e saiu. E pegando o elevador que estava parado naquele local, retornou ao 41º andar.
No entanto, quem o esperava diante do elevador de portas abertas era a imagem de Sejin agachado ao lado da porta da frente, igual à última vez. O cenho de Cheon Seju se contraiu de forma feroz ao se deparar com a imagem que era extremamente melancólica.
Por que ele tem que sentar justamente naquela postura. O descontentamento aflorou.
— O que está fazendo. Eu te disse para entrar.
Com a voz gélida e contida, Sejin se levantou do lugar e rebateu:
— Não sei a senha.
— Não pegou o cartão magnético?
Ele havia dito para usar o cartão magnético que ficava dentro da sapateira da entrada, mas parece que ele não pegou. Pensando bem, como até agora ele tinha andado junto com ele quando saía e tinha ficado enfiado em casa fingindo apenas ir à escola, era compreensível que não soubesse onde o cartão magnético estava. Cheon Seju soltou um suspiro curto e pressionou o teclado numérico.
— 2580*. Decore.
Eram números que bastava deslizar em linha reta para baixo. Sejin olhou para Cheon Seju como se questionasse se ele sofria de insensibilidade à segurança e logo assentiu com a cabeça. “Decorei”, diante da resposta curta, Cheon Seju soltou palavras silenciosas e entrou primeiro.
— Você não é tão burro assim.
— …
O rosto bonito refletido na porta intermediária exibia claramente o sinal de mau humor. Sentindo que a irritação se dissipava um pouco diante da reação viva de Sejin, Cheon Seju moveu os passos em direção à sala de estar. Ele apontou para o sofá dizendo para Sejin, que entrava logo atrás dele, se sentar. Havia a necessidade de terminar a conversa que não pôde ser concluída há pouco.
Quando ele se acomodou no lugar com o rosto amarrado, Cheon Seju revistou o peito do terno e retirou o cigarro. Olhando hesitante para o cinzeiro que já estava limpo, ele acendeu o fogo e fumou o cigarro. Organizando os pensamentos por um instante, Cheon Seju logo perguntou a Sejin o que o intrigava:
— Qual é a sua classificação na escola?
— …21º lugar.
Diante das palavras inesperadas, Cheon Seju arqueou as sobrancelhas. Os cantos de seus olhos se elevaram e um brilho diferente envolveu as suas pupilas. Ele faltava tanto à escola e estava em 21º lugar? Mais inteligente do que eu pensava? Cheon Seju pensou assim por um instante, mas percebeu algo estranho ao ver Sejin desviar o olhar, evitando os seus olhos.
— Você está falando de 21º lugar da escola inteira, certo?
— …
Não houve resposta para a pergunta feita para confirmação. Cheon Seju franziu o cenho com o sentimento de “não pode ser”. Não, mas se aquilo fosse a classificação da sala, ele pelo menos ficava na metade, não ficava? No entanto, aquele era um pensamento que ele podia ter porque havia cerca de 41 alunos na sala quando ele era estudante do ensino médio. Sem saber desse fato, Cheon Seju perguntou:
— Quantos alunos têm na sua sala?
Ainda assim, ele achava que cerca de 30 alunos estaria bom. Se fosse nessa faixa, daria para tratá-lo como um ser humano por enquanto. Diante do que foi dito enquanto fumava o cigarro relaxadamente, ouviu-se a voz que respondia em tom hesitante e baixo:
— Vinte e um alunos.
Cheon Seju não pôde dizer absolutamente nada.
[Notas de Rodapé]
1. Expressão que significa retornar juntos à ruína, referindo-se ao ato de investir contra o oponente com a intenção de morrerem juntos ou ao ato de morrer junto com o oponente.
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Fim do Volume 1
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Cheon Sejoo, que não teve escolha a não ser se juntar à organização para vingar sua irmã falecida, em meio a uma vida sem esperança, conhece um jovem que o lembra de sua irmã, o que o leva a praticar um pequeno ato de gentileza.
Se ele soubesse que essa intenção leviana se tornaria tão pesada, ele não o teria trazido para sua vida.
* * *
“Eu te disse. Sempre foi você primeiro…”
Seus olhos, normalmente penetrantes, pareciam gentis hoje. O olhar de Cheon Sejoo era suave, doce e persistente.
“Então assuma a responsabilidade.”
Era sempre Cheon Sejoo quem dava o primeiro passo. Era ele quem estendia a mão para ele primeiro, quem o olhava primeiro. Sejin simplesmente pegava sua mão porque ele a oferecia, e olhava para ele porque ele lhe dava o olhar. E, ao fazer isso, ele se apaixonou por aquele homem gentil.
Sejin não queria mais ver Cheon Sejoo se afastando dele.
Se você não pode vir até mim, então eu irei até você.
“Você é tudo o que me resta agora…”
Nome alternativo: Projection