Ler Projection (Novel) – Capítulo Parte 11 Online

Projection Vol. 2.11
A transição para a função de assistente residencial remunerado trouxe mudanças na rotina de Sejin. A compensação financeira gerou maior dedicação tanto nos estudos quanto nos afazeres domésticos.
Ademais, surgiu um interesse em compreender melhor Cheon Seju.
As dúvidas a respeito do homem persistiram nos primeiros dias. Diante do histórico da relação, aceitar a nova dinâmica de forma natural exigia esforço.
Será que ele é apenas um tolo generoso? Essa foi a indagação inicial. A partir dali, Sejin sentiu o desejo de desvendar a personalidade daquele homem de boa aparência, dono de bens de alto valor, mas que mantinha preferências por coisas simples.
Após finalizar a limpeza da louça do jantar, Sejin acomodou-se na mesa para resolver exercícios de matemática do ensino fundamental. Cheon Seju permanecia deitado no sofá ao lado, observando uma animação na TV com o som mutado. Sejin o observava discretamente.
O homem vestia trajes confortáveis de algodão. Seus pés descalços exibiam traços firmes e veias saltadas sob a pele clara. A camiseta levemente erguida revelava marcas de cicatrizes na região abdominal. Por que tantas marcas? A atividade de cobrança envolve tantos riscos?, questionou-se Sejin em pensamento, mantendo o olhar fixo até que Cheon Seju virou o rosto em sua direção. Confrontado pelo olhar negro do homem, Sejin percebeu o próprio deslize.
— ….
Tomado por um embaraço repentino, Sejin sentiu as bochechas aquecerem. Cheon Seju o avaliou com desconfiança e comentou:
— Você está disperso. Foque nos estudos, último da classe. Distrações resultarão em descontos no pagamento.
— O quê…
Devido à ausência na prova final por motivos de saúde, o apelido relacionado à sua classificação escolar permanecia. Sejin conteve a resposta irritada, mordeu o lábio e questionou:
— Por que você tem tantas cicatrizes?
— Que cicatrizes?
— Na barriga…
Cheon Seju arqueou uma sobrancelha e sentou-se, adotando uma postura séria.
Habituado a identificar o interesse alheio devido ao histórico de abordagens que recebera ao longo da vida, ele vinha notando a persistência dos olhares de Sejin em diversas situações cotidianas. Embora não identificasse uma conotação maliciosa, a conduta recente do garoto difere do padrão anterior.
Adotando um tom direto, ele perguntou:
— Você por acaso tem interesse em homens?
A indagação abrupta assustou Sejin. Diante do mal-entendido, ele largou o objeto de escrita na mesa com força e rebateu de forma enérgica:
— Por que essa pergunta agora? Eu perguntei sobre sua vida pessoal por acaso? Só indaguei a respeito das cicatrizes!
— Se não for o caso, bastava negar sem exaltação. Essa reação gera suspeitas.
— Não há nada suspeito! Foi apenas uma curiosidade comum. Por que pensar logo nessa direção? Diálogos entre homens sempre caminham para isso agora?
Com o rosto aquecido, Sejin buscou afastar qualquer equívoco, enfatizando que sua curiosidade partia do fato de nunca ter visto marcas semelhantes em outras pessoas de seu convívio, concluindo:
— Apenas evite esse tipo de suposição. É uma ideia desconfortável.
— Para mim também. Por que o espanto? Eu também não tenho esse interesse — rebateu Cheon Seju, demonstrando desagrado. Sejin pigarreou e conteve os comentários seguintes.
— É porque você está dizendo coisas estranhas…. De qualquer forma, não diga bobagens! Isso é nojento entre os homens.
— Certo….
Será que era impressão minha? Cheon Seju apoiou o queixo na mão, sem se importar com a declaração homofóbica de Sejin. Olhando para o adolescente curioso que voltou a se concentrar intensamente na resolução do livro de exercícios, ele passou a língua por dentro da boca, achando aquilo tudo muito estranho, mas virou a cabeça ao ouvir o celular vibrar.
Na manhã seguinte, estava chovendo. As gotas de chuva, congeladas de forma incompleta pelo frio que ainda não havia passado, transformaram-se em chuva com neve em vez de neve pura, e Sejin teve certeza de que Cheon Seju iria sair hoje. Ele arrumou a cama, foi para a sala e preparou o café da manhã. Como ainda não havia recebido nenhuma mensagem de Cheon Seju dizendo que passaria o dia fora, ele preparou o shake de proteína para o homem tomar e, enquanto comia, Cheon Seju voltou para casa após terminar os exercícios.
Apesar de ser inverno, Cheon Seju vestia apenas uma camiseta fina molhada de suor. Ele foi direto para a cozinha, bagunçou o cabelo de Sejin, que estava comendo, e virou o shake que Sejin havia preparado de um só gole. A imagem dele se virando após deixar o copo na pia atraiu a atenção. Através da camiseta colada nas costas largas, era possível ver de relance uma tatuagem enorme de tigre. Era a prova que não o deixava esquecer que aquele homem pertencia a uma organização.
De repente, Sejin se lembrou dos capangas da Shinsa Capital. Naquele prédio antigo, havia homens tão altos quanto Cheon Seju e outros com o porte físico ainda maior. Será que as costas daqueles caras também tinham tatuagens como aquela? Ele tinha visto vagamente algo nos braços ou nas pernas, mas, sinceramente, não dava para saber sobre as costas. No entanto, independentemente do que fosse, sentia que Cheon Seju estava em uma posição fundamentalmente diferente da deles.
O homem com o cargo mais alto que Sejin tinha visto naquele lugar era um careca que parecia um porco de família rica. Sempre que ele aparecia, os capangas ficavam se curvando e o chamando de chefe, chefe. Mas quando Cheon Seju aparecia, eles não se curvavam, apenas o cumprimentavam com uma voz tão alta que parecia que ia estourar os tímpanos. Aquilo estava em um nível totalmente diferente do cumprimento murmurado que os capangas davam ao careca.
De qualquer forma, pensando por vários ângulos, parecia que Cheon Seju não era um mero agiota que trabalhava naquela empresa de crédito. Ao contrário do careca que dirigia um carro nacional, ele pilotava dois carros extremamente caros, além de morar em uma casa tão grande e boa como aquela….
O que será que aquele homem fazia? Sejin parou de comer e, com o queixo apoiado na mão, seguiu Cheon Seju com os olhos. O homem havia saído do banheiro da sala após o banho e estava voltando para o próprio quarto vestindo apenas um roupão folgado. Mesmo tendo um banheiro em seu próprio quarto, ele sempre se lavava no da sala. Quando Sejin perguntou por que ele se lavava ali, o homem respondeu que o banheiro do quarto era desconfortável porque a janela era grande demais. Quem iria ver no 41º andar? Não fazia sentido. Para Sejin, aquele banheiro enorme com vista panorâmica para o Rio Han era simplesmente maravilhoso.
Ele entrou no quarto e, pouco depois, saiu com as roupas trocadas. Vestindo um moletom com capuz grande com o boné bem enterrado na cabeça e calças de moletom, ele parecia perfeitamente um estudante universitário. Quantos anos ele tinha? Sejin tentou se lembrar do ano de nascimento que vira no documento de identidade de Cheon Seju, mas falhou. Não sabia a idade, apenas se lembrava de ter achado curioso o fato de o aniversário dele ser no dia 1º de janeiro. De qualquer forma, ele tinha um rosto jovem. Quando vestia terno, até parecia estar no final dos vinte anos, mas quando usava roupas casuais, parecia apenas um estudante universitário.
— Talvez eu não consiga voltar para casa por alguns dias.
Cheon Seju fez o comunicado e colocou na mesa de jantar os livros com os quais Sejin estudava. Abrindo o livro de exercícios onde a lapiseira estava presa, ele colou um pequeno post-it a cada três páginas dali em diante, anotando as datas para indicar o que Sejin deveria resolver. Sejin observou a cena em silêncio com os palitinhos na mão. Enquanto fazia isso, Cheon Seju olhou para ele achando estranho e perguntou.
— Você está doente? Está comendo há uma eternidade.
Ele disse isso porque Sejin, que normalmente já teria limpado a mesa antes mesmo de ele sair do banho, ainda estava com os palitinhos na mão. Só então Sejin percebeu que não havia terminado a refeição direito por ficar observando Cheon Seju, e começou a encher a colher de forma combativa. Vendo-o comer os acompanhamentos juntos de boca cheia, Cheon Seju deu uma risadinha, fechou o livro de matemática e, desta vez, abriu o livro de vocabulário de inglês. Sejin voltou a observar aquela cena, esquecendo-se até de mastigar o que estava na boca.
Cheon Seju é inteligente. Era um fato que ele não queria admitir, mas era obrigado a aceitar. Embora fizesse muito tempo desde que ele havia estudado, ele não tinha esquecido nenhuma fórmula matemática e adivinhava o significado das palavras em inglês num piscar de olhos. Não hesitava na interpretação de poemas clássicos dos quais Sejin não entendia absolutamente nada, e explicava a matéria ainda melhor do que o gabarito comentado do livro de exercícios.
Era um homem que, quanto mais se conhecia, mais dúvidas gerava. Sejin não conseguia entender por que uma pessoa assim andava por aí agindo como capanga. Não, será que ele realmente agia como capanga? Sejin bebeu água enquanto olhava de soslaio para Cheon Seju.
Não dava para imaginar ele invadindo a casa de alguém e gritando para entregarem o dinheiro como os brutamontes da Shinsa Capital faziam. Seria mais provável ele estar sentado na sala da presidência de um grande edifício balançando um taco de golfe, como nos filmes de ação de gângsteres…. Será que as cicatrizes na barriga surgiram por causa de alguma disputa secreta entre organizações? Para ser isso, eram muitas. Quando Sejin estava pensando nisso, os olhos dos dois se cruzaram.
— …O que foi?
— Nada.
Havia outro fato que Sejin sabia vagamente sobre Cheon Seju. Cheon Seju não ficava de bom humor em dias de chuva. Do final de dezembro ao início de janeiro, choveu muito na previsão do tempo disfarçada de neve. Sempre que isso acontecia, Cheon Seju mostrava um semblante muito mais abatido do que o habitual. Ele falava metade do que costumava falar e fumava bastante.
And nos dias assim, sem falta….
— Estou indo.
— Sim.
Terminada a verificação dos livros de exercícios, Cheon Seju bagunçou o cabelo de Sejin e se retirou. Sejin esquivou o corpo para o lado para escapar da mão dele e fixou o olhar nas costas que se distanciaram. O homem desapareceu no corredor e ouviu-se o som bem baixo da porta interna se fechando. Deixado sozinho, Sejin olhou para a casa ampla e vazia, levantou-se e limpou a mesa.
Depois de terminar de lavar a louça e preparar todos os acompanhamentos, ele tomou banho e sentou-se à mesa da sala. Apoiando as costas no sofá, colocou o livro de exercícios marcado por Cheon Seju e começou a estudar. Como era um estudo pelo qual recebia dinheiro, ele precisava se esforçar. Quando Sejin terminou de resolver todas as questões do dia, a hora do jantar já havia passado há muito tempo.
Após terminar a refeição tardia, Sejin parou diante da grande janela da sala antes de ir para a cama. Agora estava chovendo. Sob o céu escuro, observando as gotas de chuva do outro lado do vidro iluminadas pela luz fraca, Sejin pensou no homem que deveria estar em algum lugar daquela cidade. Onde e o que estaria fazendo agora Cheon Seju, que combinava excessivamente bem com o ar úmido e frio? Pensando nisso em silêncio, ele apagou a luz e voltou para o próprio quarto. Cheon Seju não voltou para casa até quarta-feira.
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Fim do Volume 2
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Cheon Sejoo, que não teve escolha a não ser se juntar à organização para vingar sua irmã falecida, em meio a uma vida sem esperança, conhece um jovem que o lembra de sua irmã, o que o leva a praticar um pequeno ato de gentileza.
Se ele soubesse que essa intenção leviana se tornaria tão pesada, ele não o teria trazido para sua vida.
* * *
“Eu te disse. Sempre foi você primeiro…”
Seus olhos, normalmente penetrantes, pareciam gentis hoje. O olhar de Cheon Sejoo era suave, doce e persistente.
“Então assuma a responsabilidade.”
Era sempre Cheon Sejoo quem dava o primeiro passo. Era ele quem estendia a mão para ele primeiro, quem o olhava primeiro. Sejin simplesmente pegava sua mão porque ele a oferecia, e olhava para ele porque ele lhe dava o olhar. E, ao fazer isso, ele se apaixonou por aquele homem gentil.
Sejin não queria mais ver Cheon Sejoo se afastando dele.
Se você não pode vir até mim, então eu irei até você.
“Você é tudo o que me resta agora…”
Nome alternativo: Projection