Ler Projection (Novel) – Capítulo Parte 08 Online


Modo Claro

Projection Vol. 1.8

E no dia seguinte, Cheon Seju deparou-se com uma pessoa inesperada dentro de casa.

Às 9 horas da manhã, como não era dia de ir à academia e havia acordado tarde, terminou a ligação com Moon Sunhyuk e, após checar o andamento do trabalho, Cheon Seju dirigia-se ao banheiro da sala sem roupas para tomar banho. No entanto, no momento em que girou a maçaneta para abrir e entrar, ouviu um estalo vindo de algum lugar.

Prendendo a respiração e puxando o corpo para trás, Cheon Seju correu os olhos pelo corredor. O olhar afiado procurou os rastros do invasor. No entanto, nenhuma mudança visível saltou aos olhos de imediato. Mas ele tinha ouvido claramente o som de uma porta se fechando agora há pouco.

Ele estreitou os olhos e moveu o olhar em direção ao lado onde ficava o quarto de Sejin. Havia entregado o cartão de transporte para Kwon Sejin ir para a escola. E ontem, o momento em que encontrou Sejin em casa foi no final da tarde.

Como era um horário em que se pensaria que ele havia voltado da escola, Cheon Seju não havia desconfiado em nada da ida e vinda dele. No entanto, Sejin já havia faltado à escola enquanto permaneceu brevemente em sua casa, e a casa era tão grande que Cheon Seju não conseguia sequer sentir a presença dele se Sejin ficasse trancado apenas em seu quarto.

Ele foi em direção ao quarto de Sejin vestindo um roupão no banheiro com o sentimento de “não é possível”, esperando que tivesse ouvido errado…

— O que você está fazendo aqui?

Assim que abriu a porta do quarto de Sejin de uma vez, cruzou os olhos com Kwon Sejin, que estava parado prendendo a respiração diante dela. Ficava evidente para qualquer um que olhasse que ele ia sair para o corredor mas entrou de novo para se esconder ao ver Cheon Seju. Cheon Seju, que entendeu a situação em um piscar de olhos, soltou uma risada sem graça e passou a mão pelos cabelos. Controlando a perplexidade enquanto movia a língua dentro da boca, perguntou para Sejin como se cobrasse explicações.

— Você, porra, não foi para a escola?

— …Fui.

— Fendeu o quê! Mesmo se tivesse apenas assinado a presença e saído, não conseguiria chegar em casa a essa hora. Voltou voando?

— …

Sejin pareceu que ia responder diante da cobrança de Cheon Seju mas, logo em seguida, fechou a boca com força e exerceu o direito de permanecer calado. Cheon Seju olhou para aquele rosto emburrado com uma expressão de absurdo e, logo em seguida, balançou a cabeça vendo que não dava mais. Qual dinheiro da passagem o quê, era óbvio que ele simplesmente não foi porque não queria ir. Esse garoto enlouqueceu de verdade. Sem saber o que era importante…

O sermão que queria despejar em Sejin subiu até a ponta da garganta. Sentia que conseguiria falar por 10 horas se o fizesse sentar na sua frente de verdade. No entanto, Cheon Seju aguentou firme. Sabia que, mesmo que desse um sermão em um garoto de 18 anos na adolescência, apenas sua boca doeria e aquilo não surtiria nenhum efeito. No entanto, não conseguia conter uma única coisa sobre a qual tinha muita curiosidade.

— Você não foi ontem também, não é?

— …

Dessa vez, Sejin virou a cabeça para o lado oposto ao de Cheon Seju, fingindo desentendimento. A intenção de não responder era clara. Cheon Seju soltou um suspiro contido e segurou a nuca. A pressão subiu… No entanto, começar uma discussão arrastada aqui não levaria a nada. Vamos manter a calma… Como havia um grupo que maltratava Kwon Sejin na escola, podia ser que ele não quisesse ir por causa disso.

Ao pensar dessa forma, a perplexidade que havia subido até o topo da cabeça diminuiu. Cheon Seju, que conseguiu não despejar o sermão nele finalmente, pôde puxar assunto com Sejin com o rosto relativamente normal.

— Que bom.

Bom o quê.

— Já que está em casa, vamos ao shopping agora mesmo.

Se dependesse da sua vontade, queria perguntar de verdade se ele não ia à escola por causa daqueles desgraçados ou se não ia porque não queria ir. Para falar a verdade, vendo a personalidade de Sejin de responder à altura, parecia que não seria o primeiro motivo.

De qualquer forma, o mundo não desabaria apenas por não ir à escola por um ou dois dias, ou melhor, quatro dias contando até a semana passada? …quase uma semana. Pensando que Kwon Sejin também precisava de tempo para se adaptar ao ambiente transformado, Cheon Seju controlou o coração.

— Vou tomar banho e já volto, espere.

Diante das palavras dele, Sejin olhou para Cheon Seju com o rosto de quem se perguntava por que ele não estava bravo. Em seguida, balançou a cabeça e respondeu baixinho dizendo que entendeu. Como seria bom se ele agisse comportadamente assim, independentemente do que dissessem.

Cheon Seju pensou dessa forma, virou o corpo e dirigiu-se ao banheiro novamente. Tomou banho daquela forma, vestiu as roupas e dirigiu-se à garagem levando Sejin consigo.

Assim que chegou ao shopping, dirigiu-se às lojas e não ao setor de alimentação. Kwon Sejin o seguia com a expressão de quem perdia tempo sem necessidade mas, no momento em que as roupas escolhidas por Cheon Seju foram colocadas nas sacolas e entregues em suas mãos, percebeu que algo estava estranho e parou os passos. Diante da loja de marcas esportivas, Sejin, segurando duas sacolas grandes em ambas as mãos, olhou para Cheon Seju com a expressão de quem perguntava se ele havia enlouquecido.

— Por que eu tenho que receber isso?

Havia muito o que responder para aquela pergunta. Poderia perguntar até quando ele pretendia vestir aquele único moletom de forma miserável, poderia dizer que comprou as roupas porque se lembrou da sua irmã ao olhar para ele e sentiu vontade de dar as roupas, ou poderia dizer que fez aquilo simplesmente porque se importava com o fato de ele usar a mesma roupa repetidamente. Mas mesmo que dissesse isso, era óbvio que não ouviria palavras boas de Kwon Sejin.

Como era certo que ele não receberia as roupas se dissesse a verdade também dessa vez, Cheon Seju mentiu para ele de novo.

— Então, eu deveria deixar o hóspede que mora de favor na minha casa andar por aí parecendo um mendigo?

— …

— De qualquer forma, vou cobrar tudo da sua mãe. Se você não vestir, vou jogar as roupas fora e receber o dinheiro de qualquer jeito, então jogue na lixeira se não quiser.

Parecia ouvir uma voz sussurrando que ele era um canalha. Kwon Sejin olhou para as roupas em suas mãos desolado diante da fala de que cobraria de sua mãe e, logo em seguida, mudou o olhar encarando Cheon Seju.

Se o motivo era esse, poderia ter comprado roupas mais baratas e limpas, de modo que o rosto dele demonstrava ressentimento e rancor em relação a Cheon Seju, que havia comprado roupas de marcas caras totalizando centenas de milhares de won sem sequer perguntar a ele. Sejin fechou a boca com a expressão de quem aguentava firme a vontade de xingá-lo de vigarista desgraçado.

Cheon Seju, que dominou completamente a forma de lidar com ele, sorriu satisfeito. Não se importou se ele xingava por dentro ou não, arrastou-o e fez as compras do mercado também. Diante da fala de que pagaria pelos ingredientes já que aquilo era um trabalho de cozinheiro nominalmente, Sejin encheu o carrinho como se fizesse uma vingança. Vendo-o escolher o molho de soja mais caro e maior mesmo sendo o mesmo tipo de molho, Cheon Seju não conteve e soltou um riso contido. Vendo que ele fraquejava diante de comida apesar de fingir ser maduro e não ser jovem, criança era criança.

Os dois passaram o dia dessa forma. Depois de voltar do shopping, Kwon Sejin preparou os acompanhamentos como se estivesse esperando e encheu a geladeira, e Cheon Seju surpreendeu-se internamente com a habilidade acima das expectativas. O que Sejin preparou combinava mais com o seu paladar do que a comida de Moon Sunhyuk, que havia preparado acompanhamentos para ele por vários anos. Surgiu o pensamento de que havia feito bem em trazê-lo como cozinheiro.

E no dia seguinte.

Cheon Seju resolveu orientar Sejin com uma ação que combinava vigilância no lugar de um sermão. O estúdio, a Shinsa Capital e a escola que Sejin frequentava ficavam todos perto de qualquer forma. Como podia passar o tempo indo para o estúdio mesmo sem ter o que fazer, ele acordou cedo de manhã, terminou o exercício e acordou Sejin, que não parecia ter a menor intenção de ir à escola.

— Levante-se. Vou levar você.

Sejin entrou no banheiro com o rosto emburrado, mas não parecia ter a intenção de resistir dizendo que não iria. Menos mal.

Cheon Seju, que tomou banho, vestiu o terno e saiu para a sala. Durante esse tempo, Sejin tomou o café da manhã e esperava por ele sentado no sofá vestindo o moletom com zíper recém-comprado por cima do uniforme escolar. Como era natural, não havia nenhuma mochila. Vendo-o de pé de forma leve como alguém que ia dar uma volta, Cheon Seju estalou a língua, soltou um “tsk” e virou o corpo. Sejin o seguiu de perto.

Como era o horário de pico no trânsito, demorou 40 minutos para percorrer os 10 km. O carro chegou em frente ao portão da escola por volta das 9 horas, e Sejin desceu. Cheon Seju disparou uma palavra que queria muito dizer para ele em direção às costas dele, que ia fechar a porta.

— Vá e estude.

— …

A frente da escola estava movimentada por ser o horário de entrada. Vários estudantes diante do portão da escola demonstraram interesse por Sejin, como se ele fosse uma celebridade descendo de um carro esportivo todo branco. Sejin puxou o capuz com força como se estivesse sem graça, fingiu não ouvir as palavras de Cheon Seju e deixou o lugar.

Sejin misturou-se entre os estudantes, e Cheon Seju ia se dirigir direto para o estúdio mas, de repente, por algum pensamento, moveu o carro para a parte de trás da escola. Depois de estacionar, desceu do carro e dirigiu-se novamente para o beco de onde dava para avistar o portão principal.

Ele permaneceu fumando um cigarro calmamente naquele lugar, observando o portão da Escola de Ensino Médio Dongseoul Nam. Quantos minutos teriam se passado daquela forma? De repente, Cheon Seju soltou uma risada nasal como se achasse aquilo um absurdo e moveu os passos sem hesitar. Passava pouco das 9 horas. Ao longe, deu para ver Kwon Sejin deixando a escola como um salmão que subia contra a correnteza entre os estudantes que entravam atrasados.

A intuição estava perfeitamente certa. Sabia desde o início que ele não ouviria. Cheon Seju aproximou-se a passos largos em direção à nuca pequena que se movia de forma bastante rápida. E então, colocou-se ao lado de Sejin, que esperava para atravessar a faixa de pedestres após deixar a escola. Apoiou o braço no ombro de Sejin, que levou um susto ao sentir a presença tardiamente e olhou para cima, e sorriu. Um sorriso frio estampou-se no rosto magnífico. Ele perguntou com a voz suave.

— Está indo para a escola?

O rosto bonito congelou rigidamente. Kwon Sejin piscou os olhos mantendo os lábios cerrados como uma pessoa que havia sido pega cometendo um roubo. Cheon Seju exibiu um sorriso gentil para ele e disse.

— Vai se atrasar. Tem que entrar logo, Sejin.

Havia a intenção de relevar apenas uma vez na voz que perguntava com gentileza. Sem conseguir vencer a força de Cheon Seju que parecia pressioná-lo, Sejin olhou para ele com o rosto contrariado e, logo em seguida, virou o corpo. Sendo empurrado por Cheon Seju, moveu os passos à força e dirigiu-se ao portão da escola novamente.

O horário aproximava-se das 9 horas e 10 minutos. Sejin parou os passos de repente diante do portão que estava meio fechado. Soltou um suspiro como se estivesse realmente irritado e abriu a boca.

— Você não tem o que fazer?

Como se ele fosse um desocupado. Cheon Seju, que entendeu perfeitamente a fala que Sejin realmente queria dizer, exibiu aquele mesmo sorriso de ator. Passou a mão pelos próprios cabelos que haviam escorregado levemente e disse dando leves batidinhas na bochecha do estudante do ensino médio que estava na adolescência e exibia o mundo cheio de insatisfações.

— Estude bastante. Você tem que dar uma vida boa para a sua mãe.

Mencionar o assunto da mãe sempre surtia um bom efeito. Diante da fala que parecia uma ameaça estranhamente, Sejin franziu a testa, afastou a mão de Cheon Seju com um tapa e deixou o lado dele. Cheon Seju pôde deixar o lugar somente depois de ver Sejin entrar no prédio da escola.

Cheon Seju, que conduziu o carro deixando o beco com um som de escapamento barulhento, dirigiu-se direto para o estúdio. Durante os dois dias em que ele ficou à toa em casa, os membros da sua equipe investigaram minuciosamente a situação financeira do entregador. Vasculharam todas as contas que o entregador possuía, os históricos de recibos de dinheiro e até os históricos de uso de cartões de mais de um ano atrás. No entanto, nada foi descoberto.

Como receber dinheiro em nome de terceiros era algo comum nesse meio, Yoon Chulju, o hacker, desconfiou da sobrinha que o entregador tanto adorava; ele chegou a abrir a conta poupança habitacional e a conta de poupança com o dinheiro de Ano Novo que haviam sido criadas para ela quando tinha apenas 1 ano de idade. No entanto, o resultado foi o mesmo. O dinheiro não foi depositado para ninguém ao redor do entregador, incluindo a sobrinha, e tampouco foi repassado a ele.

Cheon Seju só então percebeu o seu erro. No dia em que foi buscar a mercadoria, ele ouviu a conversa repentina de que Kwon Sejin estava morando na rua e, na pressa, entregou o entregador a Dalma sem fazer uma verificação adequada. Ele deveria ter confirmado os fatos com um pouco mais de precisão.

Mas agora já era tarde demais para voltar atrás. Quando Seonhyuk ligou hoje de manhã, a situação já era irreversível, e como ele próprio tinha ido verificar até o cadáver, não havia mais informações que pudessem ser extraídas. A única saída era juntar os fragmentos de informação que possuía para encontrar a resposta correta…

Cheon Seju passou a língua lentamente pelo interior da boca enquanto examinava, uma a uma, as peças que lhe foram dadas. O entregador havia sustentado sua inocência até o fim no porão. Mesmo com a pele derretendo e chorando lágrimas de sangue, ele não abriu a boca sobre a sua dor até o último momento.

— Ele disse que só fez o que mandaram de cima… Foi isso.

Cheon Seju murmurou baixinho. Yoon Chulju estava sob o seu olhar desfocado. Seguindo as instruções de Cheon Seju, ele estava verificando mais uma vez a conta do entregador, que era extremamente limpa e miserável.

— Sim.

A resposta veio de Moon Seonhyuk, e não de Chulju. Seonhyuk também estava presente no local onde o entregador tossia sangue. Diante da resposta concisa dele, Cheon Seju soltou um gemido curto e moveu o pé levemente. Suas pernas longas estendidas sobre a mesa balançaram devagar, e Cheon Seju mergulhou em pensamentos novamente.

Desde que ele assumiu a equipe de limpeza, incidentes semelhantes haviam acontecido cerca de três vezes. No entanto, nenhum deles tinha desviado a droga sem um motivo. O primeiro cara estava atolado em dívidas de jogo; o segundo precisava do dinheiro para o tratamento da segunda filha, que sofria de uma doença rara. E o terceiro cara era um viciado que, ao ficar sem dinheiro e sem conseguir obter a droga, acabou desviando o que estava transportando. Todos tinham os seus próprios motivos. Podia não parecer grande coisa para os outros, mas eles estavam desesperados à sua própria maneira.

Contudo, o cara desta vez não era assim.

O entregador não tinha dívidas, não tinha família para sustentar e não era um viciado. As conversas que restaram no aplicativo de mensagens eram, no geral, comuns. Falar mal do chefe, conversar sobre jogos com os amigos e bater um papo sobre mulheres era tudo. Não havia absolutamente nenhum motivo para ele desviar a droga.

Ele sentiu que estava deixando passar algo.

Se a droga fosse desviada, quem ficaria na situação mais complicada seria o próprio entregador. Então, quem seria a próxima pessoa a ter problemas?

A pessoa que deveria receber a droga era o braço direito de Shin Jihan. Mas não havia razão para que esse braço direito ou Shin Jihan ficassem em apuros só porque a entrega da droga atrasou um pouco. Pelo contrário, quem sofreria prejuízos caso a droga não chegasse a tempo seria a pessoa que estava na posição de assumir a responsabilidade pela falha do entregador. Por assim dizer, o distribuidor.

— Dalma…

Havia vários tipos de drogas distribuídas através do clube. O cristal que causou o problema desta vez era de responsabilidade e gestão de Dalma. Sendo o intermediário, Dalma se comunicava com o fabricante que apenas ele conhecia e era encarregado de distribuir o cristal feito por ele no país.

Como a entrega não chegou a tempo, Shin Jihan com certeza deve ter entrado em contato com Dalma. Provavelmente ele levou uma bronca daquelas. Se houvesse pessoas que passaram pela situação mais complicada por causa desse incidente, com certeza seriam o entregador e Dalma.

Cheon Seju se levantou e verificou o notebook de Haeung. Ele examinou o comportamento absurdo do chefe de que o entregador havia desabafado com um amigo no aplicativo de mensagens. Como não podia chamá-lo de intermediário para os outros, ele apenas se expressou como chefe, mas o chefe de quem ele falava claramente se referia a Dalma. Naquele instante, a expressão Donggwieojin (同歸於盡)1) lhe veio à mente. Será que o alvo do entregador não era Dalma?

Pensando até ali, Cheon Seju franziu o cenho devido a uma dor de cabeça que se aproximava. Ele deitou o corpo no sofá, levantando uma das pernas. Após pensar em silêncio, ele logo pegou o celular que havia deixado em cima da mesa.

A repercussão do assunto estava indo para baixo. Por mais que pensasse, esse assunto não tinha qualquer relação com Shin Kyoyeon e Shin Jihan. O trabalho que Cheon Seju fazia era conter e resolver os assuntos causados por aqueles que prejudicavam a organização. Como a mercadoria havia sido recuperada, o seu dever estava cumprido. Não haveria nada a ganhar para eles mesmo que investigassem mais.

Além disso, se isso fosse realmente algo que o entregador fez para causar prejuízos a Dalma, não havia mais necessidade de se envolver. Afinal, Dalma não pertencia à organização.

Cheon Seju tocou na tela como se fosse fazer uma ligação imediatamente. No entanto, após hesitar por um longo tempo acima do botão de chamada, seus dedos acabaram não pressionando o botão e se direcionaram para um canto de sua testa. Ele apertou com força, como se massageasse um lado de sua cabeça onde a dor latejava.

Durante todo o interrogatório, a fala do entregador permaneceu consistente. Ele dizia que tinha feito o que mandaram “de cima”. E a pessoa que mandou ele fazer o trabalho foi Dalma. O entregador jogou a sua responsabilidade para Dalma. Disso não havia dúvidas.

A resposta era uma das duas. O entregador respondeu daquela forma para incriminar Dalma, ou Dalma realmente tinha se aproveitado do entregador. A primeira opção era mais plausível do que a segunda. Como a pessoa que sofreria um grande prejuízo prático caso a droga fosse perdida era Dalma, não havia razão para ele atrair o próprio risco.

Além disso, apenas Dalma conhecia a identidade do fabricante. Sendo ele o único canal de contato, se outra pessoa quisesse a droga, bastaria abrir um novo negócio. Como era apenas uma questão de aumentar a produção, ele não tinha a necessidade de desviar a droga que havia sido acordada inicialmente para negociar com Shin Jihan.

Todas as circunstâncias apontavam para uma ação solo do entregador. Mesmo assim…

— Porra.

Praguejando diante de uma sensação desconfortável, ele se levantou do lugar. Ignorando os olhares dos membros da equipe que o observavam de relance, Cheon Seju pegou o cigarro e o isqueiro do paletó do terno que havia tirado. Ele precisava de ar fresco. Como o prédio do estúdio não tinha nenhuma janela, ele abriu a porta, saiu e se dirigiu às escadas.

Ao contrário de sua aparência desgastada, o prédio do estúdio tinha uma segurança rigorosa. Após passar pela porta de ferro firmemente trancada e por duas portas de entrada que exigiam reconhecimento de íris, ele saiu, deu a volta na lateral do prédio e se acomodou em um beco onde ficava uma lata de zinco usada como cinzeiro.

Foi quando ele bagunçou o cabelo rudemente, colocou o cigarro na boca e ia acender o isqueiro. Diante do som de passos pesados passando ao lado do beco, Cheon Seju olhou de relance para aquela direção e, de repente, fechando o semblante, guardou o isqueiro. Com o som do clique da tampa do isqueiro Zippo se fechando, a pessoa que passava pela rua segurando um jornal desviou o olhar.

— …

Os olhos dos dois se cruzaram. Cheon Seju soltou uma risada sarcástica e levou a mão à testa.

— Ei.

— …

Um olhar rigidamente estático examinou Cheon Seju. Recebendo aquele olhar, Cheon Seju amassou o cigarro que estava em sua boca e o jogou na lata de zinco. Quando ele deu um passo à frente, Sejin, que o olhava fixamente, se sobressaltou e estremeceu. O jornal repleto de anúncios de emprego foi dobrado com cuidado. Sejin escondeu o jornal de classificados atrás das costas e abaixou a cabeça.

— Eu te disse para estudar.

Era um absurdo. Ele tinha colocado o garoto para dentro de novo quando ele tentou fugir de manhã, e não sabia quando ele tinha saído novamente para ficar andando daquele jeito pelo bairro. Não era nem a porra de um vira-lata.

Cheon Seju ficou sem palavras e olhou para Sejin. Diante da expressão que questionava se o estudante estava louco, Sejin pareceu sentir o peso na consciência e moveu a boca, mas logo evitou o olhar de Cheon Seju e exerceu seu direito de permanecer calado novamente.

— Quando você saiu?

— …

— Estou perguntando quando você saiu. Não pense em mentir e fale a verdade.

Diante de sua voz assustadora, Sejin franziu levemente o cenho e olhou para cima para encarar Cheon Seju, mas hesitou ao descobrir que ele estava ali com uma expressão ainda mais gélida. A pessoa era tão transparente que tudo o que pensava ficava visível.

“Quem você pensa que é para se meter? Sendo que você mesmo está escondido no beco fumando um cigarro, pouco importa se eu vou à escola ou não…” Mesmo que não falasse, parecia que a voz de Sejin podia ser ouvida. Cheon Seju, com uma das sobrancelhas arqueada, olhou fixamente para Sejin, que estava diante dele. Sejin tentou ignorar aquele olhar, mas acabou não aguentando a pressão silenciosa e abriu a boca.

— Depois do almoço…

— Ah, então você pelo menos ficou na escola até o almoço?

Isso foi muito bem feito. Cheon Seju rebateu com uma voz sarcástica e tomou o jornal que estava na mão de Sejin. Embora ele nem sequer carregasse os livros didáticos, os anúncios de emprego estavam cuidadosamente marcados com círculos e xis. No entanto, mesmo que fosse o horário do almoço, seriam uma da tarde caso ele saísse após comer como da última vez, mas agora eram apenas duas da tarde. Percebendo algo estranho na linha do tempo desenhada em sua mente, Cheon Seju atirou o jornal no chão e estendeu a mão em direção a Sejin.

— O, o que é isso!

Curvando a cintura, ele enfiou a mão profundamente no bolso da calça de Sejin. Diante do contato repentino, Sejin torceu o corpo tentando escapar, mas não havia como vencer a força de Cheon Seju.

A mão grande tateou a parte interna da coxa de Sejin. Ele confirmou que o bolso de Sejin estava vazio e, em seguida, revistou o bolso do casaco de moletom com zíper. Retirando dali o celular pré-pago que ele mesmo havia entregado, ele logo ligou a tela e abriu o histórico de chamadas.

Havia registros de chamadas feitas para outro número que não era o dele. Os horários eram 09h58 e 10h29.

— Devolve!

Quando Sejin estendeu a mão, Cheon Seju ergueu o braço bem alto para que ele não conseguisse pegar o celular pré-pago e, tirando o próprio celular, abriu o navegador de internet. Ao digitar no campo de busca do portal o número que tinha acabado de ver, surgiram os nomes de um restaurante próximo e de um estabelecimento comercial de identidade incerta. Pelo visto, ele tinha ligado após ver os anúncios de emprego.

No entanto, com certeza as duas mãos de Sejin estavam vazias quando ele foi para a escola de manhã. Como não haveria motivos para a escola distribuir jornais de classificados, era certo que ele tinha saído da escola depois que ele foi embora para pegar o jornal. Era de uma audácia sem tamanho.

— Esse moleque realmente…

Um clamor cheio de perplexidade foi solto.

O dia de Kwon Sejin foi desenhado. Após ser levado por ele para dentro da escola, ele confirmou que ele tinha deixado o local, saiu para pegar o jornal de classificados, entrou de novo na escola deixando o estudo de lado para procurar vagas de emprego e, depois de apenas encher a pança com a comida, saiu da escola.

Ele havia se preocupado, mesmo que por um instante, pensando que Sejin pudesse estar recusando ir à escola por causa do grupo que o perseguia, mas, como esperado, parecia que com certeza não era aquilo. Se fosse realmente recusa escolar, o correto seria ele abandonar a escola assim que ele fosse embora. E não ficar mantendo a posição como quem espera o horário de abertura de um restaurante que costuma frequentar para apenas comer e sair.

Para Cheon Seju, que costumava ficar em primeiro lugar nacional nos simulados como quem come um prato de comida, aquela era uma conduta totalmente intolerável. Se Kwon Sejin fosse o seu irmão mais novo, seria algo pelo qual levaria uma bronca de morte.

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Projection – Novel Yaoi Mangá Online

Cheon Sejoo, que não teve escolha a não ser se juntar à organização para vingar sua irmã falecida, em meio a uma vida sem esperança, conhece um jovem que o lembra de sua irmã, o que o leva a praticar um pequeno ato de gentileza.
Se ele soubesse que essa intenção leviana se tornaria tão pesada, ele não o teria trazido para sua vida.
* * *
“Eu te disse. Sempre foi você primeiro…”
Seus olhos, normalmente penetrantes, pareciam gentis hoje. O olhar de Cheon Sejoo era suave, doce e persistente.
“Então assuma a responsabilidade.”
Era sempre Cheon Sejoo quem dava o primeiro passo. Era ele quem estendia a mão para ele primeiro, quem o olhava primeiro. Sejin simplesmente pegava sua mão porque ele a oferecia, e olhava para ele porque ele lhe dava o olhar. E, ao fazer isso, ele se apaixonou por aquele homem gentil.
Sejin não queria mais ver Cheon Sejoo se afastando dele.
Se você não pode vir até mim, então eu irei até você.
“Você é tudo o que me resta agora…”
Nome alternativo: Projection

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