Ler Projection (Novel) – Capítulo Parte 07 Online


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Projection Vol. 2.7

Sejin estava sentado na sala de aconselhamento com um rosto ansioso. Seo Bo-hyung saiu do lugar enquanto ligava para Cheon Seju, e não voltou depois disso. Podia ter telefonado a Cheon Seju para perguntar se tinha recebido o contacto do professor de turma, mas Sejin não o fez. Foi porque tinha medo do que o homem iria dizer.

Enlouqueci, a sério. Perante o arrependimento tardio, Sejin bateu com a testa na mesa. A pele, que estava mais quente do que de manhã, doía. Parecia que a dor do físico, incluindo a vertigem, que viria após a luta, estava a inundar agora. Ele suspirou e fechou os olhos.

Não irá para a prisão, pois não? Não pode ser… Lee Haegyun, embora tivesse sido atingido pelo tabuleiro, estava de pé de forma saudável. Embora o lábio estivesse um pouco rasgado, o mesmo acontecia com Sejin, e Sejin podia garantir que, se tirassem a roupa, ele teria duas ou três vezes mais nódoas negras no corpo do que Lee Haegyun ou Kim Byungjun.

No entanto, tal como disse o professor de turma, ele tinha sido o primeiro a atacar. Além disso, não foi com os punhos, mas com um tabuleiro… Sejin lembrou-se de um conteúdo que viu na televisão, sobre uma agressão especial se atingisse o oponente com uma arma que não fosse o punho, e gemeu enquanto tentava lembrar-se disso. Embora pensasse que não poderia ser, não podia ficar parado devido à ansiedade por acaso.

Como é que ele soube que a mãe tinha sido arrastada? Sejin lembrou-se do senhorio que estava a observar a mãe, agarrada por homens de grande porte, a subir para a carrinha com um rosto pálido. Aquele humano tinha a boca suja. Era ao ponto de não haver ninguém no bairro que não soubesse que mãe e filho viviam num quarto de subsolo cheio de bolor, pagando 350.000 wones por mês. Por isso, provavelmente, aquele humano andava a espalhar por todo o lado que a mãe tinha sido arrastada por agiotas. Foi isso que chegou ao ouvido de Lee Haegyun… Seu cão…

Sejin pensou, mesmo assim, que era uma sorte a mãe não ter ouvido aquilo. A mãe trabalhava com orgulho na cozinha do Ihwagak, por isso, se tivesse ouvido a palavra prostituta, teria ficado realmente ferida. Ele, que enterrou a testa na mesa, preocupou-se com a mãe durante algum tempo. Mesmo que fosse ele próprio quem estava prestes a ser arrastado para a polícia, preocupava-se com ela, que estaria a trabalhar enquanto suava naquela distante Gyeonggi-do.

Tu vives a pensar em alguma coisa? Sejin franziu o sobrolho perante a voz que surgiu de repente na sua mente. Ele, que levantou o corpo bruscamente e apoiava a bochecha que tinha ficado vermelha ao avançar com a febre alta, olhou para a porta de entrada.

Sejin informou o número de Cheon Seju ao professor de turma porque não podia fazer com que a mãe, que trabalhava arduamente, recebesse um contacto a dizer “o teu filho espancou um colega com um tabuleiro, por isso vem pedir desculpa de joelhos”. Enquanto informava, Sejin não alimentava expectativas de que Cheon Seju viesse. Sejin pensava, de forma sem medidas, que bastaria ter apenas um adulto contactável com o professor de turma.

O professor de turma falou-lhe de centro de detenção de menores, mas, pensando de forma sensata, não havia hipótese de ir para a prisão por este tipo de assunto. Pensando num humano que o espancava a ele e à mãe até quase à morte e depois recebia uma medida de repreensão na esquadra, era ainda mais assim. Por isso, seria suficiente se aquele homem recebesse o telefone e dissesse apenas uma palavra, que não era assunto dele, por isso trataria de si mesmo.

Apesar de os pais de Lee Hae-gyun terem falado sobre um comitê de violência escolar ou algo assim, Sejin repetia para si mesmo que a delegacia não aceitaria uma briga boba daquelas.

— ……

No entanto, um frio repentino na barriga fez com que Sejin mordesse os lábios. Olhando de relance para a porta de entrada a todo momento, ele tremia a perna que ainda latejava de dor.

“Mas eu bati nele com a bandeja de metal. E se me levarem de verdade para a delegacia…? E se os pais do Lee Hae-gyun tiverem advogados? Ou se forem podres de ricos?” Pensando bem, Lee Hae-gyun sempre usava roupas caras. Ele não conhecia muito bem as marcas, mas dava para notar só pelo fato de Kim Byung-joon, cuja mãe era médica, ficar admirando as roupas que Lee Hae-gyun usava. Se filhinhos de papai como ele resolvessem agir, não seria moleza me colocar atrás das grades?

Sentindo um medo repentino, Sejin começou a suar frio e soltou um suspiro ansioso. “Que porra…” Só agora ele começava a se arrepender um pouco de ter batido neles com a bandeja. Claro que não se arrependia de ter atacado Lee Hae-gyun primeiro. Se tivesse deixado passar aquele desgraçado falando aquilo sobre a sua mãe, ele não conseguiria descansar em paz nem depois de morto e sairia do túmulo de tanta indignação. Por outro lado, o medo de que essa briga acabasse prejudicando ainda mais a sua mãe o afligia inevitavelmente.

“Não dá. Tenho que ir pedir desculpas agora mesmo.” Hesitante, Sejin acabou não aguentando e se levantou. Como não tinha nada, não teria como pagar uma indenização. De qualquer forma, como os dois lados se agrediram, dava para fingir que as despesas médicas de cada um se anulavam. Mas, como ele tinha dado o primeiro soco, precisava dizer que sentia muito por ter batido primeiro. Se Lee Hae-gyun exigisse que ele se ajoelhasse, ele se ajoelharia. Sejin não era do tipo que se apegava a esse tipo de orgulho.

Foi bem na hora em que ele caminhava mancando e abriu a porta. Ele viu alguém bloqueando a entrada, como se estivesse prestes a entrar. Sejin ergueu a cabeça ao sentir um aroma familiar. Ali estava Cheon Seju, vestindo terno e com uma expressão fria no rosto.

— ……

— ……

Os dois permaneceram em silêncio, apenas encarando os olhos um do outro. Sejin, que não esperava que ele viesse, ficou extremamente sem graça, enquanto Cheon Seju parecia, à primeira vista, apenas irritado. Quem quebrou o silêncio primeiro foi Cheon Seju.

— Onde você vai?

O tom de voz parecia questionar para onde ele achava que ia depois de ter a audácia de causar uma confusão daquelas e fazê-lo vir até ali. Diante daquela situação constrangedora, Sejin encolheu os ombros e respondeu com a voz sumida:

— Pedir desculpas para o Lee Hae-gyun…

— Por que você pediria desculpas? Entra.

Cortando a fala como se não houvesse mais nada para ouvir, ele virou Sejin pelos ombros. Com uma expressão atordoada, Sejin caminhou conforme era empurrado. O homem conduziu Sejin até a cadeira e pressionou seus ombros para fazê-lo sentar. Porém, assim que ele encostou a bunda no assento, a cadeira de rodinhas mudou de direção abruptamente.

Antes que o assustado Sejin pudesse perguntar o que ele estava fazendo, Cheon Seju se ajoelhou com uma das pernas dobradas à sua frente e segurou o tornozelo de Sejin com um toque cuidadoso. Era o tornozelo esquerdo, o mesmo que Sejin estava mancando. Os músculos latejaram quando as pontas dos dedos frios roçaram a pele quente. Sejin encolheu os dedos dos pés e ficou olhando feito bobo para o topo da cabeça do homem sentado à sua frente.

— Dói?

Movimentando o tornozelo de Sejin para um lado e para o outro, Cheon Seju perguntou com a voz friamente rígida. Sejin respondeu com um “ah…” demonstrando a dor que sentia e ficou observando o homem que havia surgido de repente.

Estava diferente de quando se despediram pela manhã. Na verdade, estava diferente de tudo até agora. Com o cabelo penteado para trás impecavelmente, os botões fechados até o pescoço e uma gravata azul-marinho escura, o homem vestia trajes formais que Sejin nunca tinha visto antes. Ver aquela imagem lhe dava uma sensação estranha. Parecia até outra pessoa.

— Rompeu o ligamento.

Ele não tinha cabeça para ironizar perguntando o que o homem sabia, já que ele dava o diagnóstico como se fosse médico. Ao ver o hematoma arroxeado no tornozelo de Sejin, Cheon Seju puxou a barra da calça dele para verificar a batata da perna. A perna esguia e sem gordura também estava cheia de hematomas. Sem notar que o olhar de Cheon Seju se tornava ainda mais gélido ao ver aquilo, Sejin verbalizou a dúvida que estava em sua mente de forma distraída:

— Por que você veio?

— ……

Cheon Seju ergueu uma das sobrancelhas e olhou para Sejin. O rosto incrivelmente bonito estava mais frio que o normal, e ele parecia estar de péssimo humor. Só então Sejin se lembrou de que havia tido uma leve discussão com ele pela manhã. Tendo dito para ele não se meter mais na sua vida, quão absurdo deve ter sido para ele receber a ligação do professor logo em seguida?

“…Mas por que este homem veio aqui? O certo seria ele ter dito que não tinha nada a ver com isso e desligado o telefone.”

— Por que você veio aqui?

“Você nem é meu responsável.” Sejin perguntou novamente a Cheon Seju. Diante daquela situação repentina, seu coração ficou inquieto. Tomado por um tremor e uma agitação inexplicáveis, ele apenas olhava para Cheon Seju com uma expressão de total incompreensão.

— Me disseram que você bateu primeiro. É verdade?

— …O quê?

Cheon Seju não respondeu à pergunta de Sejin. Apenas franziu os olhos e perguntou novamente, querendo confirmar se o que tinha ouvido era verdade. Sem entender direito a situação, Sejin ficou apenas encarando Cheon Seju até que, ao ser questionado mais uma vez se era verdade que tinha batido primeiro, finalmente assentiu com a cabeça. “Sim”, ao ouvir isso, Cheon Seju desfez a expressão séria e sorriu.

— Fez bem.

Uma mão grande se estendeu e bagunçou o cabelo de Sejin. O vento provocado pelo homem trazia o cheiro dele. Sejin abriu a boca feito bobo ao sentir o aroma de baunilha misturado com um leve cheiro de cigarro. O ferimento no canto de sua boca se abriu, deixando escorrer uma gota de sangue, mas ele nem conseguiu prestar atenção nisso.

Sem conseguir digerir facilmente aquela situação absurda que acontecia consigo, Sejin apenas olhava de cima para o homem que já exibia uma expressão indiferente de novo enquanto examinava seu tornozelo.

“Ele enlouqueceu? Por que você veio aqui? O que você é, por acaso é da minha família? Sendo que não temos nem uma gota de sangue em comum. Somos só pessoas em que você me cedeu um quarto em troca de eu fazer as tarefas domésticas, com que direito você vem aqui…”

As palavras que queria dizer ao homem rondavam sua boca. No entanto, Sejin não teve coragem de falar. Ficou com medo de que, se dissesse aquilo, o homem fosse embora; com medo de que ele saísse da sala de orientação reclamando que o moleque insolente não sabia nem ser agradecido e falava daquele jeito.

— Senhor, será que vocês já terminaram de conversar?

E bem nessa hora, junto com o som de batidas na porta, aquela voz veio de fora. Era a voz do professor de sala, Seo Bo-hyung. Sejin ficou confuso ao perceber que o tal “senhor” a quem o professor se referia era Cheon Seju.

Ao ouvir a voz dele, Cheon Seju se levantou e abriu a porta. Um sorriso cortês surgiu em seu rosto atraente e, com uma postura impecável, ele checou o relógio em seu pulso direito antes de falar com Seo Bo-hyung:

— Deu o horário. Vamos agora.

— Sim, sim. Podem ir com calma!!

Ao contrário de antes, quando parecia achar tudo um incômodo, a atitude do professor agora era prestativa. Respondendo com um largo sorriso como se estivesse muito feliz, Seo Bo-hyung cruzou o olhar com Sejin, que assistia a tudo sem entender nada atrás de Cheon Seju. O professor pareceu um pouco sem graça e logo se retirou com um sorriso sem jeito.

Cheon Seju voltou para perto de Sejin deixando a porta aberta. Olhando para Sejin, que estava com os olhos arregalados de surpresa, bem diferente de como costumava reagir feito um peixe arisco, ele estendeu a mão e a colocou na testa dele para medir a temperatura. Estalando a língua brevemente em seguida, ele afastou a mão que logo ficou aquecida e foi para trás de Sejin. Então, começou a empurrar a cadeira de rodinhas.

— O-o que você está fazendo!

Só depois Sejin olhou para cima para questioná-lo. Mas, em vez de parar de empurrar a cadeira, Cheon Seju disse a Sejin:

— Quando chegarmos lá, fique de boca fechada. Não diga bobagens.

— O quê…?

Não houve tempo nem para perguntar o que aquilo significava. Cheon Seju empurrou a cadeira saindo da sala de orientação até o destino que ficava bem próximo. Antes que Sejin pudesse se assustar ao avistar a placa da diretoria, a porta se abriu.

Era possível ver as pessoas reunidas na diretoria, onde dois sofás grandes ficavam de frente um para o outro com uma mesa baixa no meio. No assento de honra estava o diretor; de cada lado dele, o vice-diretor e Seo Bo-hyung; no sofá da direita, Lee Hae-gyun e sua mãe; e no sofá oposto, um homem de meia-idade vestindo um terno perfeitamente passado. O pai de Kim Byung-joon já tinha ido embora após passar na escola e deixar a decisão com o lado de Lee Hae-gyun por não ter tempo para esperar.

Cheon Seju se aproximou daquele homem de meia-idade levando Sejin, que ainda estava atônito demais para conseguir falar direito.

— O senhor chegou, chefe.

Ao notar Cheon Seju, o homem de meia-idade se levantou e fez uma reverência cortês. Cheon Seju acenou com a cabeça em cumprimento e, logo em seguida, virou-se e pegou Sejin no colo. Assustado, Sejin pensou em gritar perguntando que palhaçada era aquela, mas fechou a boca. Os olhos dele, bem de perto, pareciam implorar para que ficasse quieto.

Cheon Seju colocou Sejin, que segurava no colo, no sofá. Foi uma atitude cuidadosa, como se tratasse de um paciente. Depois disso, ele endireitou o corpo e, com um movimento leve, ajeitou o paletó amassado do terno. Era um gesto natural e sem pressa alguma.

Antes de se sentar em seu lugar, ele tirou um cartão de visitas do bolso interno do paletó. Entregou o cartão totalmente branco preso entre os dedos para o diretor, que o recebeu com um semblante tenso e logo demonstrou uma expressão de visível espanto ao ler o conteúdo.

— Desculpe o atraso. Fui avisado enquanto estava no meio do expediente.

Em seguida, Cheon Seju encostou as costas no sofá, cruzou as pernas e acenou com a cabeça em direção ao lado onde estava Lee Hae-gyun. A mãe de Lee Hae-gyun franziu a testa diante daquela postura prepotente, mas logo ficou com uma expressão perplexa e desconfortável ao receber o cartão que ele havia colocado sobre a mesa e empurrado para o outro lado. Sejin ficou curioso para saber o que diabos estava escrito no cartão, mas como Cheon Seju não lhe deu nenhum, a única opção era ficar quieto.

— ……

A mãe de Lee Hae-gyun também entregou seu cartão para Cheon Seju. Sem nem ao menos checar direito, Cheon Seju o repassou para o homem de meia-idade sentado ao seu lado. Terminada aquela imposição de autoridade disfarçada de apresentações, quem abriu a boca primeiro foi o diretor.

— Bem, então o motivo de estarmos reunidos hoje aqui é que houve um incidente lamentável entre os nossos alunos…

Assim que ele começou a falar, a mãe de Lee Hae-gyun protestou olhando para Cheon Seju como se cobrasse satisfações:

— Incidente lamentável? O garoto foi espancado com uma bandeja de ferro a ponto de sangrar, e o senhor chama de incidente lamentável?! Isso foi uma agressão unilateral!

— Com licença, mas as bandejas usadas nas escolas de ensino médio hoje em dia são de aço inoxidável. Ferro é um termo incorreto, por favor, evite expressões imprecisas.

Quem interrompeu a fala dela foi o homem de meia-idade sentado ao lado de Cheon Seju. Atraindo os olhares de todos ao corrigir o termo bandeja de ferro, ele tirou um gravador preto da bolsa e o colocou sobre a mesa. Em seguida, olhou para os presentes e disse:

— A partir de agora, vou gravar a conversa. Gravar o conteúdo de uma conversa na qual você mesmo está participando não é ilegal, por favor, fiquem cientes disso.

— Ah! Francamente!

— Os participantes da conversa são: eu, Lee Young-hoon, advogado parceiro do Escritório de Advocacia Seongsan; o chefe Cheon Seju, da DG O&M; o diretor e o vice-diretor do Colégio Masculino Dongseoul; a vítima, o jovem Kwon Sejin; o agressor, o jovem Lee Hae-gyun, acompanhado de sua responsável; e o professor de sala de ambos os envolvidos.

Assim que o advogado terminou de falar olhando para o gravador, como se registrasse uma ata, o caos se instalou.

— Agressor? Quem é o agressor aqui?! Mais de dez pessoas viram o Hae-gyun apanhando primeiro, como o meu filho pode ser o agressor?!

A mãe de Lee Hae-gyun alterou a voz, questionando como Kwon Sejin poderia ser a vítima. Diante disso, o advogado Lee Young-hoon rebateu sem mudar um único traço da fisionomia:

— A vítima, Kwon Sejin, vinha sofrendo bullying contínuo por parte de Lee Hae-gyun e Kim Byung-joon desde o início do ano letivo. Embora Kwon Sejin tenha recorrido à violência contra os dois primeiro no dia de hoje, este episódio de violência também é uma extensão desse bullying, tendo ocorrido porque ele não aguentava mais a violência verbal excessiva dos dois. Portanto, sustentamos que os agressores são Lee Hae-gyun e Kim Byung-joon.

— Bullying? Quem está fazendo bullying com quem? Escute aqui, não fale bobagens sem provas! Quem é o agressor aqui?! Está bem claro diante dos olhos de todos quem foi que brandiu a bandeja sem ter educação, quem você está chamando de agressor?

— Se o problema são as provas, nós as temos. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Lee Hae-gyun e Kim Byung-joon intimidavam o jovem Sejin em frente à escola, e nosso escritório já garantiu as evidências. Se desejarem, podemos apresentá-las no tribunal.

— Não, mas que…!

Ao ouvir falar em câmeras de segurança, ela ficou vermelha e soltou uma risada sarcástica. Ela se virou para Lee Hae-gyun com os olhos arregalados, exigindo saber se aquilo era verdade, e Lee Hae-gyun deu de ombros fingindo que não sabia de nada. Dava para ver que ele nunca imaginou que aquilo serviria de prova.

Foi então que Cheon Seju, que vinha apenas observando a situação em silêncio, interveio na conversa.

— Como isso pode ser considerado agressão unilateral? O garoto sofreu uma agressão coletiva a ponto de não conseguir nem andar. Sendo bem benevolente, foi legítima defesa; na pior das hipóteses, foi uma briga mútua.

“Eu não estava a ponto de não conseguir andar…” Quem ficou abismado com aquela declaração exagerada não foi apenas Sejin.

— Escute aqui!! O garoto de vocês bateu primeiro, como isso pode ser legítima defesa?

A mãe de Lee Hae-gyun perguntou aquilo indignada e logo cruzou os braços, soltando um suspiro de descontentamento. Em seguida, apontou levemente com o queixo para Sejin e perguntou a Cheon Seju:

— Você nem é o responsável por esse garoto, com que autoridade está nesta sala? Eu quero conversar com os pais do tal Sejin ou seja lá qual for o nome dele. Ele não deve ser um órfão, deve?

O tom de desprezo em relação a Sejin era evidente. Era uma fala que demonstrava o motivo de ela estar gritando tanto até agora.

Ao ligar para a mãe, Lee Hae-gyun havia passado apenas informações fragmentadas. Que Sejin não tinha pai e que a mãe dele também não morava com ele. Por isso, ela achava que seu filho tinha apanhado de um moleque sem educação e sem pais.

O fato de a pessoa que se dizia responsável por Sejin ser alguém do setor de planejamento estratégico de uma grande empresa como a Daegam era algo que nem Lee Hae-gyun nem a mãe dele esperavam. No entanto, ela achava que, no máximo, Cheon Seju seria apenas um patrocinador de Sejin. Como não tinha ouvido nada do filho, e os sobrenomes e as aparências eram diferentes, os dois não pareciam ter laços de sangue.

Quanto alguém assim se importaria com um garoto que não tinha onde cair morto? Provavelmente estava ali só para fazer cena. No entanto, Cheon Seju ergueu as sobrancelhas diante da pergunta e respondeu como se achasse aquilo um absurdo:

— Sou o responsável, sim. Se eu não fosse o responsável pelo Sejin, haveria algum motivo para eu tirar um tempo do meu expediente corrido para vir até aqui trazendo um advogado?

Não havia nenhum tom de brincadeira na voz de Cheon Seju ao dizer aquilo; estava sério a ponto de demonstrar irritação, como se estivesse ouvindo um tremendo absurdo.

Ao lado dele, Sejin arregalou os olhos e olhou de baixo para o perfil de Cheon Seju. Ver aquele rosto atraente com os lábios firmemente cerrados fazia sua visão vacilar. Responsável, Sejin foi sendo dominado aos poucos pelo eco que aquelas quatro sílabas provocavam.

— A senhora tem ideia de quantas vezes eu mesmo vi o seu filho importunando o meu garoto?

Cheon Seju disse isso enquanto descia a mão naturalmente e a sobrepunha à de Sejin. Diante daquela temperatura morna que aplacava o calor de sua pele, Sejin mordeu o lábio com força e abaixou a cabeça.

Meu garoto, era um tratamento realmente estranho. Seu rosto ardia e ele sentia uma falta de ar sufocante. Sejin respirou fundo devagar, esforçando-se para recuperar a lucidez. Enquanto isso, a voz de Cheon Seju continuava:

— Deixando de lado o que eu vi com os meus próprios olhos, ele deve se lembrar de ter esbarrado comigo em frente ao mercado do outro lado da escola. E há pouco tempo, ele também ia bater no Sejin em frente ao portão da escola e só parou por minha causa. …Não foi, Lee Hae-gyun?

A voz que explicava tudo pausadamente cessou, e Cheon Seju lançou um olhar feroz para Lee Hae-gyun ao fazer a pergunta. Lee Hae-gyun pensou em rebater, mas acabou não dizendo nada porque a mãe segurou sua coxa mandando-o ficar quieto. Soltando uma risada nasalada ao ver a reação dele, Cheon Seju fez uma pergunta em tom descontraído:

— Pense bem. Um garoto que vinha sendo atormentado há dez meses, desde o início do ano letivo, não aguentou e resolveu dar uns cascudos com uma mera bandeja nessa cabeça cheia de merda, faz algum sentido querer alegar briga mútua por causa disso?

— C-cabeça cheia de merda? Escute aqui! Meça suas palavras!

O clima ficava cada vez mais gélido conforme as falas brutais de Cheon Seju prosseguiam. A mãe de Lee Hae-gyun gritou enquanto segurava firme a mão do filho. Mas estava longe de ser suficiente para acalmar um Cheon Seju enfurecido. Erguendo a mão para calar a boca da mulher como se indicasse que ainda não tinha terminado, ele sorriu e disse com a voz tomada pela frieza:

— Mesmo se ele tivesse aberto a barriga dele com uma faca de sashimi, eu ainda diria que ele fez bem. Se vai ficar de conversinha fiada sobre briga mútua ou agressão unilateral por causa de uma bobagem dessas, deixe o seu filho aqui e saia. Porque eu posso fazer isso acontecer de verdade.

— ……

— P-p-professores, por favor, acalmem-se……

Limpando o suor que escorria como chuva, o diretor tentava acalmá-los, mais especificamente a Cheon Seju.

Hoje em dia os jovens conheciam apenas o nome DG, mas para quem já passava dos quarenta anos, o nome Daegam era muito mais familiar. Costumava-se dizer que o sangue derramado para que a gangue Daegam se estabelecesse como Construtora Daegam seria mais do que suficiente para cobrir o riacho Yangjae. Na época em que a gangue Daegam expandia ferozmente sua influência, os noticiários exibiam quase diariamente cenas de brigas generalizadas de organizações criminosas.

Cenas de banhos de sangue que nem o efeito de mosaico conseguia esconder. Tanto a mãe de Lee Hae-gyun quanto o diretor e o vice-diretor eram da geração que cresceu assistindo àquelas notícias. Portanto, era natural que eles pensassem na gangue Daegam ao receberem um cartão com o logotipo da DG. Diante disso, as únicas pessoas naquela sala que conseguiriam encarar as palavras de alguém que ocupava um cargo na DG O&M, uma subsidiária da Daegam, como uma mera piada de mau gosto eram Seo Bo-hyung, que ainda estava na casa dos vinte anos, e os três estudantes de ensino médio.

— Se resolverem encerrar o assunto por aqui, garanto que receberão uma compensação bem generosa pelas despesas médicas. Se não gostarem da ideia, fiquem à vontade para levar isso aos tribunais.

Naquele ambiente tomado por um silêncio sepulcral, Cheon Seju disparou aquelas palavras com a voz relaxada e preguiçosa. Diante daquela ameaça disfarçada acompanhada de um leve riso que deixava claro que não havia margem para negociação, a mãe de Lee Hae-gyun mordeu os lábios com uma expressão de puro impasse.

— Bom, como existe a possibilidade de o agressor sofrer um acidente lamentável e nem conseguir chegar ao julgamento, pensem bem e tomem uma boa decisão.

A última frase que Cheon Seju soltou casualmente para ela foi praticamente uma bomba. Com o rosto pálido, a mãe de Lee Hae-gyun olhou para o filho e, em seguida, pigarreou antes de se dirigir a Cheon Seju:

— Um momento, preciso conversar com o meu filho……

— Fique totalmente à vontade.

Assim que Cheon Seju assentiu com a cabeça exibindo um sorriso, ela deu um pulo da cadeira, segurou a mão de Lee Hae-gyun e saiu da diretoria. Ouviu-se o estalo da porta se fechando e, logo em seguida, o som de sua voz berrando com o filho no corredor. A voz esbravejava com Lee Hae-gyun chamando Sejin de moleque sem pai nem mãe, o que fez Sejin ranger os dentes. Tal mãe, tal filho.

Depois disso, os dois continuaram discutindo por um bom tempo. Através de termos como “bandido”, “seu pai” e “negócios” que ecoavam na discussão, as pessoas que estavam lá dentro conseguiram prever qual seria a decisão deles. Só depois de dez minutos a mãe e o filho voltaram para a diretoria. Com uma expressão rigidamente séria de raiva, ela se sentou e perguntou a Cheon Seju:

— Então, quanto vocês podem pagar pelas despesas médicas?

— Mãe!

Lee Hae-gyun gritou como se não conseguisse entender de jeito nenhum. Dava para ver a mãe apertando a mão de Lee Hae-gyun com força. Cheon Seju observou aquela cena em silêncio por um instante e logo se levantou com um sorriso largo no rosto. Apontando com o queixo para Lee Young-hoon, que se levantava junto com ele, disse:

— Conversem sobre os detalhes com o advogado, eu preciso ir porque estou com o expediente corrido.

Mesmo ele falando de forma tão insolente, ninguém tentou conter Cheon Seju. Ele pegou novamente no colo Sejin, que o olhava de baixo com uma expressão atônita. Acomodou-o de volta na cadeira de rodinhas que estava ao lado, curvou o corpo para empurrar a cadeira e saiu da diretoria.

Junto com o som do estalo da porta se fechando, um breve suspiro ecoou pelo corredor. Sejin olhou para Cheon Seju com um olhar ansioso. Cheon Seju manteve o olhar fixo no vazio por um momento e, ao notar o olhar de Sejin, abaixou a cabeça. Soltando uma risada contida, ele acariciou o cabelo de Sejin com um toque suave e disse:

— Não se preocupe. Não há nada com que você precise se esquentar.

Sejin simplesmente não conseguia entender aquela situação. Desde a aparição de Cheon Seju naquele lugar até o fato de ele ter saído em sua defesa, tudo estava repleto de coisas incompreensíveis para ele. No entanto, havia uma preocupação que vinha antes de tudo.

“Sério que acabou só com isso?”

Tendo imaginado até a pior das hipóteses, como ser levado para um reformatório juvenil ou para a delegacia por causa das palavras do professor de sala, Sejin mal conseguia acreditar que toda aquela situação tinha se resolvido com apenas algumas poucas palavras ditas por Cheon Seju. Enquanto Cheon Seju se dirigia à sala de orientação para devolver a cadeira ao lugar, Sejin, que ouvia o barulho do rolamento das rodinhas, murmurou:

— …Eu bati neles com a bandeja. Bati muito mesmo……

“Tudo se resolveu com uma conversa dessas?” Como se tivesse entendido a pergunta oculta de Sejin, Cheon Seju assentiu levemente com a cabeça. O olhar frio dele pousou sobre a bochecha avermelhada de Sejin. Ele acariciou visualmente aquele rosto que carregava as marcas da violência.

— Não era nada demais. Uma coisa que dava para resolver tão fácil assim……

Cheon Seju sussurrou como se falasse consigo mesmo. Sejin topou com o olhar dele, que o observava em silêncio. Por algum motivo… Cheon Seju parecia profundamente irritado.

Ele abriu a porta da sala de orientação, entrou e levou Sejin de volta ao lugar onde ele estava sentado originalmente. A bochecha de Sejin, que havia sido atingida em cheio por Lee Hae-gyun, ficava cada vez mais arroxeada com o passar do tempo. Cheon Seju ficou parado de forma desleixada, encarando fixamente aquele hematoma, e soltou um breve suspiro. Em seguida, perguntou:

— A sua mochila está na sala de aula? Por onde eu subo?

— Sobe as escadas da direita e entra na sala logo à esquerda…. Sala 3 do 2º ano.

— Onde fica a sua carteira?

— Logo em frente à porta de trás.

Assim que Sejin respondeu sem jeito, Cheon Seju abriu a porta da sala de orientação e saiu. Não demorou muito para que ele voltasse trazendo a mochila de Sejin. Segurando a mochila velha de Sejin com uma das mãos, Cheon Seju se ajoelhou em frente à cadeira onde Sejin estava sentado. As costas largas vestidas de terno se estenderam diante de seus olhos. Sem entender a intenção, Sejin ficou apenas olhando para as costas dele de forma distraída. Diante disso, Cheon Seju acenou levemente com a mão e apressou-o:

— Sobe.

— …Consigo andar.

Só estava um pouco difícil, mas dava para andar. Quando Sejin recusou timidamente, Cheon Seju virou a cabeça mantendo aquela mesma postura e encarou seus olhos. Em seguida, ofereceu as opções com a voz mansa:

— Quer ir carregado feito uma princesa ou quer subir nas costas?

— ……

Sejin também já sabia muito bem que era impossível vencer a teimosia de Cheon Seju. No final, com a nuca corada de vergonha, Sejin inclinou o corpo em direção às costas de Cheon Seju. O peito de Sejin se encostou às costas largas e firmes, e a nuca que exalava um aroma adocicado ficou bem diante de seu nariz. Cheon Seju segurou as coxas de Sejin e disse ao se levantar:

— Entrelace bem os braços no meu pescoço. Se não quiser cair.

Mesmo hesitante, Sejin envolveu o pescoço dele com os braços e o abraçou. Da linha do pescoço que agora estava um pouco mais próxima, exalava um leve cheiro de cigarro. Logo em seguida, seu campo de visão se elevou abruptamente. Cheon Seju caminhou mantendo uma postura estável enquanto carregava Sejin nas costas. Saindo da sala de orientação e descendo as escadas devagar, Sejin logo se acostumou à posição nas costas de Cheon Seju. Encostando a bochecha direita, que não havia sido atingida, sobre o paletó de terno esticado dele, Sejin fechou os olhos suavemente.

Era uma sensação realmente estranha. Sejin nunca imaginou que chegaria o dia em que seria protegido por um homem adulto em sua vida.

Os homens que cruzaram seu caminho ao longo da vida tinham sido todos uns verdadeiros lixos. Seu pai batia e maltratava Sejin e Kim Hyun-kyung desde a infância, e Sejin cresceu pensando que precisava proteger a mãe daquele pai desde pequeno.

O tio, que passou a frequentar a casa depois que o pai foi embora, pareceu tratá-lo por um tempo como o pai com quem Sejin sempre sonhara, mas logo destruiu completamente as ilusões de Sejin ao fugir roubando o carimbo registrado de Kim Hyun-kyung. Assim eram os homens mais próximos, como o pai e o tio, e os mais distantes, como os policiais que ignoraram Sejin quando ele pediu ajuda desesperadamente….

Os homens na vida de Sejin eram todos farinha do mesmo saco. Havia uma infinidade de indivíduos que, se pudessem, o atacariam, mas que nunca pensaram em protegê-lo sequer uma vez.

No entanto, Cheon Seju, logo Cheon Seju, protegeu Kwon Sejin. Protegeu-o da maldade de Lee Hae-gyun e da negligência do professor, e também da vulnerabilidade que ameaçava desabar sobre o indefeso Sejin.

Era um sentimento inédito. Não precisar se antecipar para se defender, não precisar abrir a boca primeiro para se justificar, poder ficar em silêncio observando as costas do homem que bloqueava a sua frente… era algo que parecia genuinamente desconhecido.

Mas por que diabos…?

Sejin não conseguia compreender Cheon Seju. Como algo tão inacreditável estava acontecendo, aquela situação não entrava na sua cabeça facilmente. Sejin ainda sentia a mente nublada, como se caminhasse em um sonho. A ponto de pensar se não teria levado uma pancada errada na cabeça no refeitório. Chegou a cogitar se tudo aquilo não passava de um delírio seu.

No entanto, tanto o cheiro do homem que instigava seu íntimo quanto o calor corporal do homem que aquecia seu peito eram claramente reais. Sejin piscou os olhos lentamente e fixou o olhar na nuca que estava logo à frente. Ouviu-se o som de passos firmes acompanhado do ranger de uma porta de vidro velha se abrindo, e um vento gelado soprou contra os dois.

Era um vento de inverno frio o suficiente para resfriar instantaneamente a bochecha febril. Contudo, pelo menos agora, o cheiro de folhas secas despedaçadas e a sensação do vento seco e cortante não eram percebidos. Sejin colocou força nos braços entrelaçados no pescoço de Cheon Seju e abriu a boca:

— ……Por que veio?

Eram apenas três palavras, mas bastavam como pergunta. Cheon Seju interrompeu os passos por um instante e logo voltou a caminhar em direção ao estacionamento ao lado do portão da escola, ajeitando Sejin que escorregava. O corpo balançou com o solavanco, e a nuca que havia se afastado voltou a se aproximar. Sejin registrou meticulosamente em sua memória os cabelos pretos de Cheon Seju dispostos diante de si e as costas largas que sustentavam todo o seu corpo, e perguntou novamente:

— Por que você veio aqui?

— …E quanto a você? Por que passou o meu número?

Em vez de responder, Cheon Seju devolveu uma pergunta difícil. Sejin se esqueceu de que havia perguntado primeiro e fechou a boca.

Não havia nenhum motivo muito especial para ter passado o número de Cheon Seju para o professor de sala. Fez isso porque pensou que, se passasse o número da mãe, ela não conseguiria vir à escola imediatamente e ficaria preocupada demais com ele. E também porque ficou com medo de acabar indo para a delegacia se não passasse número nenhum.

— ……

“Será que foi só isso mesmo?”

Sejin fechou los olhos e relaxou o corpo. Sem demonstrar cansaço, Cheon Seju firmou a força nas mãos que o seguravam. Uma sensação de segurança nunca antes experimentada envolveu todo o seu corpo. Sentindo as mãos grandes que sustentavam firmemente suas coxas, Sejin soltou uma respiração ofegante pelo rosto febril.

A voz de Cheon Seju ecoou em sua mente.

“Se não estiver aguentando os abusos daquele miserável, me avise. Eu resolvo isso.”

Ele havia desdenhado das palavras de Cheon Seju. Havia zombado daquela fala questionando que diferença havia entre ele e Lee Hae-gyun. Apesar disso, parecia que aquelas palavras tinham se instalado em um canto do seu coração como uma garantia.

Dizer que não tinha se apoiado naquela promessa de Cheon Seju de que resolveria a situação seria mentira. Ao passar o número de Cheon Seju para o professor, Sejin havia alimentado uma ponta de expectativa sem perceber. A expectativa de que, assim como dissera naquela vez, aquele homem pudesse ajudá-lo.

Claro que aquela expectativa não tinha uma forma definida. “Impossível. Logo aquele bandido viria me ajudar? Com certeza foram só palavras jogadas ao vento. Tenho que confiar em quem merece confiança. Ele já perdeu o interesse em mim, por que viria aqui? Esse tipo de coisa não vai acontecer.”

Para não se machucar caso ele não viesse, Sejin havia criado inúmeros mecanismos de defesa e escondido bem no fundo aquela expectativa que restava como um punhado de cinzas. Por isso, mesmo sabendo que Cheon Seju realmente tinha vindo, ele não conseguiu acreditar facilmente. Por achar que era tudo um sonho. Por achar que era fruto da imaginação criada pela sua expectativa que certamente não se realizaria.

No entanto, Cheon Seju realmente veio. Ele entendeu o sinal de socorro enviado por Sejin e veio até aqui para proteger o garoto em apuros.

“Você é diferente de qualquer outro.”

Sejin colocou força nos braços que envolviam Cheon Seju. Agarrando-se firmemente a ele, soltou a própria voz que parecia quase imperceptível em meio ao vento de inverno:

— Achei mesmo que você não viria……. Achei que ignoraria dizendo que não tinha nada a ver com você e que eu me virasse……

— Você deve ter tomado um susto quando me viu chegar, já que achava que eu não viria.

Ele rebateu de forma indiferente com uma leve risada. É claro que tinha tomado um susto. Na verdade, mal conseguia acreditar até agora. No entanto, apoiando o peso do corpo nas costas largas de Cheon Seju, Sejin não tinha como não acreditar no fato de que ele o havia resgatado. Teve que aceitar o fato de que aquele homem, de quem ele achava que seria tão ruim ou até pior que o tio e o pai, foi o único homem a responder ao seu sinal de socorro.

Seus olhos arderam. Sem saber o que fazer com a enxurrada de emoções que vinha à tona, Sejin mordeu os lábios com força. Sentimentos complexos em relação ao homem borbulhavam. Sentia ressentimento e raiva dele, mas também gratidão.

Na verdade, a gratidão era o maior sentimento. Embora tivesse recebido muito de Cheon Seju, Sejin, que achava que tudo o que ele possuía vinha do bolso de pessoas como ele, não havia dito nada para manter o orgulho. Todos os agradecimentos que havia feito a ele até então tinham sido palavras vazias.

Por isso, só agora.

Só agora surgia a oportunidade de agradecer de verdade, mas os lábios simplesmente não se moviam. Era assim porque se sentia um pouco envergonhado, injustiçado e ressentido. Quem fez Sejin conseguir abrir a boca foi a frase dita por Cheon Seju ao chegarem em frente ao estacionamento.

— Fez bem.

— …O quê?

Diante da pergunta confusa de Sejin, Cheon Seju respondeu demonstrando sinceridade:

— Não fique só apanhando, bata de volta da próxima vez também. Não deixe que caras como aqueles atormentem você. Não importa o que você faça, está tudo bem, então não sofra sozinho.

— ……

A voz de Cheon Seju ao dizer aquilo parecia um pouco aliviada, e também um pouco chateada. Seu peito oscilou. Sejin fechou a boca sem conseguir responder nada. Afundando o rosto no ombro dele que se movia lentamente, ele se esforçou para se preparar psicologicamente.

Ao chegar em frente ao carro, Cheon Seju abriu a porta do passageiro e acomodou Sejin. Segurando o banco e subindo no assento com a perna capenga, Sejin estendeu a mão e segurou a barra da roupa de Cheon Seju antes que ele fechasse a porta. O paletó rígido do terno se amarrotou na mão de Sejin que estava úmida de suor. Segurando firme como se aquilo fosse uma corda de salvação, Sejin sussurrou:

— Obrigado……

Não era a primeira vez que ouvia um agradecimento de Sejin, mas Cheon Seju ergueu os cantos da boca e sorriu, como se achasse bonito o garoto demonstrando gratidão. Ele olhou fixamente para Sejin, que estava com as bochechas coradas de vergonha, e logo soltou uma risada baixa, estendendo a mão para bagunçar o cabelo dele.

Sentindo os dedos que acariciavam suavemente os fios de cabelo, Sejin ergueu a cabeça com cuidado. Ele estancou ao deparar com Cheon Seju olhando para baixo com um sorriso no rosto. O olhar frio suavizado por um riso contido, o nariz bem delineado e os cantos da boca curvados de forma gentil, sem ironia, pareciam desconhecidos. Cheon Seju sorrindo sem reservas parecia muito mais atraente do que o habitual.

Naquele instante, o coração pareceu se espremer e uma sensação vertiginosa de queda livre percorreu seu corpo. Diante do calor que subiu instantaneamente da ponta dos pés ao topo da cabeça, Sejin abriu a boca sentindo tontura. Os lábios que carregavam uma crosta de sangue se abriram, e uma fumaça branca cobriu o campo de visão.

No meio daquilo, Cheon Seju permanecia nítido de forma isolada. Era uma memória que nunca seria apagada pelo resto da vida.

— Acho que a sua febre está subindo.

Ao ver Sejin completamente vermelho, Cheon Seju franziu o cenho e disse aquilo. Enquanto o toque frio dele passava pela testa, Sejin continuava de boca aberta, sem conseguir conter o coração que batia forte. Sem tempo para identificar o que era aquela sensação estranha, Cheon Seju desapareceu de sua vista.

Só depois que ele começou a dirigir é que Sejin recuperou os sentidos, mas continuava zonzo. A febre que era baixa pela manhã agora subia totalmente como reflexo da violência e da agitação. Diante do calor que se propagou num piscar de olhos e dos calafrios que faziam o corpo tremer logo em seguida, Sejin sentiu vertigem.

Ficou cerca de trinta minutos apenas respirando com as costas apoiadas no banco e, ao chegarem em casa sem pegar trânsito, Cheon Seju carregou Sejin nas costas como antes. Com as forças totalmente esgotadas no curto trajeto da escola até em casa, ele subiu sendo carregado debilitadamente por Cheon Seju. Quando foi deitado em sua cama, já estava quase semi-inconsciente.

— Kwon Sejin.

Percebendo que o estado dele era preocupante, Cheon Seju o balançou para acordá-lo. Sejin ergueu os olhos turvos e olhou para o homem que estava de cenho franzido. Por algum motivo, os olhos do homem demonstravam pura preocupação. Exibia uma expressão de quem temia que ele tivesse sido atingido em algum lugar errado.

Se fosse em tempos normais, olharia para aquele rosto e pensaria que era pura falsidade. Mas agora não conseguia mais pensar assim. Ao perceber que Cheon Seju estava preocupado com ele, Sejin abriu a boca devagar:

— É só… dor de crescimento….

Olhando bem, parecia mesmo. A febre baixa contínua que subia de repente era exatamente igual aos sintomas de dor de crescimento que guardava na memória. No entanto, diante das palavras de Sejin, Cheon Seju desfez o cenho franzido e soltou uma risada de incredulidade, começando a tirar as roupas dele em seguida:

— Você virou médico por acaso? A dor de crescimento é o seu desejo?

— ……

Sejin sentiu uma ponta de irritação com aquela atitude que havia retornado ao normal num piscar de olhos. Porém, não tinha forças para rebater nada para Cheon Seju. Ele ergueu a mão para conter Cheon Seju que tentava trocar suas roupas e balançou a cabeça. “Vou tomar banho”, ao ouvir o murmúrio breve, o homem olhou para baixo com uma expressão desconfiada.

— Consegue tomar banho sozinho?

— Acho que sim….

Diante da resposta fraca de Sejin, Cheon Seju demonstrou um semblante ligeiramente hesitante e logo assentiu com a cabeça. Levantando Sejin para deixá-lo sentado apoiado na cama, ele abriu os botões do uniforme escolar e correu para a cozinha, voltando em seguida trazendo uma cadeira alta de bar. Posicionou a cadeira debaixo do chuveiro para que Sejin pudesse tomar banho sentado e carregou Sejin, que já estava sem o uniforme, acomodando-o ali.

— Se sentir tontura ou ânsia de vômito como se o estômago estivesse revirando, me chame.

— Sim….

Sejin assentiu com a cabeça exibindo o rosto vermelho de febre e ligou a água. Ao confirmar o fluxo de água morna caindo do chuveiro, Cheon Seju saiu do banheiro. Ouviu-se o estalo da porta se fechando e ele soltou o ar que vinha prendendo.

Enquanto Sejin tomava banho, ele checou a temperatura do quarto de Sejin e encontrou um antitérmico que estava jogado pela casa. Por volta do momento em que organizou os comprimidos junto com um copo de água morna na cabeceira da cama, ouviu-se o som da porta se abrindo e Sejin saiu após terminar o banho. Cheon Seju soltou um breve suspiro e entrou no closet que dava acesso ao banheiro.

Lá estava Sejin, com o corpo todo avermelhado. Com o cabelo desgrenhado e encharcado caindo sobre o rosto, ele tentava vestir a cueca apoiando-se na parede, o que fez Cheon Seju apertar o passo.

— Segure em mim.

Ele se ajoelhou em frente ao cambaleante Sejin. Embora tenha hesitado por um instante, afinal Kwon Sejin era jovem demais para despertar qualquer desejo sexual nele. Cheon Seju se tranquilizou com o fato de não sentir nenhuma oscilação ao ver o corpo magro e bonito de Sejin e o ajudou a vestir a cueca. Depois de colocar a camiseta nele também, levou-o e o sentou na cama.

Apesar de ter secado o cabelo dele aplicando um vento quente, Sejin não parecia seco, e sim úmido. Gotas de suor frio brotavam em sua testa. Cheon Seju o ajudou a tomar o antitérmico, deitou-o na cama e o cobriu com o edredom. Sejin, que piscava os olhos distraidamente, não demorou muito para adormecer soltando uma respiração regular.

Cheon Seju não se retirou imediatamente e ficou observando Sejin em silêncio. Tendo visto apenas expressões de cenho franzido, olhos semicerrados e bochechas infladas até então, vê-lo dormindo daquele jeito fazia-o parecer um verdadeiro anjo vindo do céu.

— Durma bem.

Cheon Seju se despediu de Sejin em voz baixa e se levantou. No entanto, houve um toque que o conteve quando tentava deixar o quarto. Olhando para baixo, viu a mão pequena de Sejin segurando a barra de sua roupa. Parecia ter segurado no momento em que o transferiu do closet para a cama, e a força nos dedos não havia se esvaído mesmo estando em sono profundo agora. Cheon Seju segurou a mão de Sejin para afastá-la.

A pele de Sejin que tocava a ponta de seus dedos estava quente. Era um fato óbvio, mas por que aquilo mexia tanto com o seu íntimo…? O calor que provava claramente que ele estava vivo parecia preencher o vazio de seu coração. No fim, Cheon Seju desistiu de deixar o lado de Sejin e se sentou apoiando as costas na cama.

O dia de hoje havia sido longo demais. O cansaço tardio desabou sobre ele. Cheon Seju bagunçou o cabelo bruscamente com os dedos e fechou os olhos.

Para Cheon Seju, era comum passar dias perseguindo alguém ou resolvendo pontas soltas. Desta vez também havia surgido um alvo para monitorar cada passo, o que o fez passar várias noites em claro antes de voltar, e ele não imaginava que Sejin ficaria chateado por causa disso.

Como ele parecia irritado achando que a promessa de ensiná-lo a estudar havia sido descumprida, sugeriu que seria melhor ele frequentar um cursinho se fosse assim, e Sejin demonstrou ainda mais irritação, xingando Cheon Seju sozinho antes de ir embora.

Enquanto achava aquela situação um tanto absurda, voltou para o escritório para organizar e enviar relatórios quando recebeu uma ligação de um número desconhecido. Achando estranho, não atendeu, e logo em seguida chegou uma mensagem de texto.

“Olá, sou Seo Bo-hyung, professor de sala da sala 3 do 2º ano do Colégio Masculino Dongseoul. Você seria o responsável pelo aluno Kwon Sejin? Preciso falar urgentemente com o senhor sobre um assunto do Sejin, por favor, me ligue assim que visualizar a mensagem.”

O coração de Cheon Seju disparou ao ler a mensagem de Seo Bo-hyung. Como a escola não teria como saber o seu número, e era improvável que Kwon Sejin o tivesse apresentado como responsável, pensou que algo grave pudesse ter acontecido e que tivessem mexido no celular dele para descobrir o contato. Cheon Seju saiu do escritório e ligou imediatamente para ele, recebendo uma notícia impactante logo em seguida.

— O motivo do contato é que… o Sejin agrediu bastante um colega de sala com uma bandeja no refeitório.

“…O quê?”

Atônito, Cheon Seju pediu mais detalhes e logo descobriu que Kwon Sejin havia desferido golpes com a bandeja nos infelizes que usavam calça justa e o atormentavam. Seria mentira dizer que não achou aquilo absurdo. Achou ridículo o moleque que não conseguia nem se sustentar arrumando sarna para se coçar com indenizações. No entanto, o sentimento de surpresa e orgulho foi muito maior do que isso.

“Kwon Sejin é diferente da Hye-in”, um sorriso amargo surgiu no rosto de Cheon Seju ao pensar nisso. Ao contrário de Hye-in, que murchou diante da violência das crianças, Sejin jamais se dobrava… Naquele instante, ele sentiu um profundo alívio.

Assim que terminou a ligação com o professor, Cheon Seju ligou para o advogado que o havia defendido no julgamento de cinco anos atrás e o convocou. Depois disso, ordenou que Yoon Chul-joo garantisse as imagens das câmeras de segurança do dia em que Sejin havia sofrido bullying por parte de Lee Hae-gyun. Como ele se lembrava do local e da data, e o servidor de banco de dados do órgão público tinha uma segurança pífia, não demorou muito para garantir as evidências. Em seguida, trocou de roupa imediatamente e se dirigiu à escola. Não havia motivos para hesitar. Kwon Sejin estava sob a proteção de Cheon Seju. Era natural que ele fosse buscar Sejin.

E ao chegar à escola e deparar com um Kwon Sejin destruído, Cheon Seju sentiu uma fúria genuína. O estado daquele garoto cujo tom de voz informal e gritos pareciam apenas piados de um pintinho para ele estava lamentável. O cabelo estava desgrenhado, a bochecha atingida estava inchada e arroxeada, e havia hematomas por todo o tornozelo e batata da perna.

Ver aquele garoto orgulhoso olhando para ele sem dizer nada, com um rosto desamparado, fez seu peito doer intensamente. Se o impacto da violência era tão devastador assim, como Hye-in conseguiu aguentar isso por mais de dois anos? Só de suportar aquele tempo sozinha, Hye-in já tinha feito o máximo que podia. Junto com essa constatação, sentiu um orgulho renovado por Sejin.

E no decorrer da conversa subsequente, Cheon Seju também constatou uma profunda futilidade.

Tudo foi fácil. Era um problema que se resolvia de forma tão simples, e ele deixou Hye-in partir daquele jeito por não ter feito isso, por não ter conseguido resolver uma bobagem dessas. Claro que a situação daquela época era diferente. Na ocasião, Cheon Seju era apenas um residente, não tinha condições de contratar um advogado do melhor escritório do país e nem estava em posição de pressionar os agressores com poder de coerção.

No entanto, o ele daquela época tinha inúmeras pessoas ao redor. Entre seus amigos, havia quem tivesse advogados na família, quem tivesse um pai chefe de polícia e quem tivesse irmãos promotores. Eram pessoas que entregariam de bom grado tudo o que tinham se Cheon Seju estendesse a mão pedindo ajuda.

Mas agora não restava mais ninguém ao seu lado. Por isso, Cheon Seju pensou em morrer pela primeira vez em muito tempo. Pensou em morrer sozinho e despencar direto para o inferno. Sentia-se sufocar, mesmo sem estar chovendo.

Quem puxou Cheon Seju de volta para a superfície foi o calor de Sejin que estava em suas costas. O garoto de dezoito anos agarrado ao seu pescoço mostrando sua presença de forma marcante com o corpo febril trouxe facilmente de volta para este mundo o Cheon Seju que pensava na morte.

“Não fique só apanhando, bata de volta da próxima vez também. Não deixe que caras como aqueles atormentem você. Não importa o que você faça, está tudo bem, então não sofra sozinho.”

Aquelas eram, na verdade, as palavras que queria ter dito a Hye-in. Mas Hye-in já não habitava mais este mundo, e Cheon Seju disse aquilo a Sejin em nome dela.

Desde que perdeu Hye-in, Cheon Seju vivia com o pensamento no coração de que o mundo não o deixava se tornar uma pessoa boa. Pois o mundo inteiro se opunha ferozmente a ele sempre que tentava ingressar no caminho que Hye-in desejava. Com a morte de Hye-in e o encontro com Shin Kyo-yeon, o futuro que Cheon Seju imaginava para si desapareceu, restando apenas sombras escuras. Restou apenas uma vida implacável onde precisava arriscar a própria vida para matar alguém.

Para alguém assim, Sejin parecia uma oportunidade. A oportunidade de apagar a culpa que restava como uma dívida em seu coração após a partida de Hye-in; a oportunidade de se tornar, mesmo que por um momento, a pessoa que ela queria; a oportunidade de ser uma pessoa boa para pelo menos uma única pessoa no mundo…….

Ignorando o peito que latejava, Cheon Seju ergueu o rosto que estava afundado nas palmas das mãos. Com um olhar marcado pelo cansaço profundo, virou a cabeça e observou Sejin deitado na cama.

Embora não tivesse absolutamente nada parecido com Cheon Hye-in, a presença de Sejin agora parecia não diferir em nada de uma irmã mais nova para Cheon Seju. Ele projetava Hye-in em Sejin. Sendo assim, Cheon Seju decidiu se empenhar com todas as forças pela felicidade de Sejin a partir de agora. Para que Sejin não partisse de seu lado carregando apenas solidão como Hye-in…….

Shadow (4)

A febre alta de Sejin durou uma semana inteira. Bastava tomar o remédio para a febre ceder por um momento, mas logo voltava a subir depois de uma ou duas horas, e Cheon Seju chegou a aplicar uma injeção antitérmica trazida do escritório em Sejin, que estava com a garganta inchada e não conseguia engolir comprimidos.

Ele perdeu cinco quilos naquela semana, mas a sua estatura aumentou visivelmente como num passe de mágica. Parecia que todo o peso perdido tinha ido para os ossos. Cheon Seju tomou um susto ao ver a linha do olhar de Sejin significativamente mais alta quando ele se recuperou. A linha do maxilar, que havia perdido a pouca gordura infantil que restava, exibia claramente os traços de um homem.

— Eu não te disse? Que era dor de crescimento.

Disse Sejin, esforçando-se para puxar e esticar a barra da camiseta que havia encurtado de repente. Aquela voz também estava diferente da de uma semana atrás. A voz andrógina e rouca devido à mudança de voz agora se tornara uma voz masculina totalmente limpa. O rosto dele continuava muito bonito, mas aquela impressão de menina de quando se conheceram havia desaparecido. Sejin havia se tornado simplesmente um garoto extremamente bonito.

— É, parece que não era só um desejo seu……

Murmurou Cheon Seju enquanto examinava Sejin demonstrando surpresa. Qualquer um ficaria irritado com aquele olhar, mas Sejin apenas soltou uma breve risada nasalada de desdém.

A atitude de Sejin havia mudado drasticamente desde o dia em que Cheon Seju foi à escola. Ele já não ficava descarregando fúria excessiva em Cheon Seju e nem disparava palavras crueis como se disputasse um cabo de guerra desnecessário. Vendo Sejin agir assim, Cheon Seju sentiu que havia adentrado o limite de proteção dele. Assim como Cheon Seju passara a ver Sejin como um irmão mais novo, ele também parecia reconhecê-lo como seu responsável. Aquela mudança não era ruim.

— Você vai precisar comprar um uniforme novo.

Após passar uma semana acamado e o fim de semana terminar, Sejin se recuperou totalmente. Na manhã de segunda-feira, ao retornar à rotina e sair de casa junto com Sejin, notou que o tornozelo dele ficava totalmente exposto sob a calça do uniforme. Cheon Seju observou o tornozelo fino de Sejin, cujo hematoma desbotava para um tom amarelado, e logo ergueu o olhar para encarar os olhos dele. Como a linha de visão que subira cerca de meio palmo também era estranha para Sejin, ele olhava fixamente para os lábios próximos de Cheon Seju.

— Tem uniformes que os veteranos deixam na escola quando se formam. É só procurar e usar um daqueles.

Hoje em dia, a cultura de doação de uniformes após a formatura era muito comum para ajudar alunos em situações financeiras difíceis. Dezenas de uniformes lavados em lavanderias profissionais ficavam estocados no depósito da escola, então bastava falar com o professor de sala para encontrar uma calça do tamanho certo. No entanto, Cheon Seju franziu a testa diante das palavras de Sejin.

— Você ainda vai ter que usar por mais de um ano, compre um novo de uma vez.

Sejin também franziu o cenho diante daquela fala.

— Por que eu usaria por mais de um ano? Duvido que dure seis meses.

— …Por quê?

— Como por quê? Porque eu vou crescer mais, ué.

Diante daquela resposta dada como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, Cheon Seju olhou para Sejin com uma expressão que misturava um leve riso. Dizia-se que os homens cresciam mesmo após os vinte anos, mas se ele mal havia passado dos 1,70 m aos dezoito anos, seria difícil crescer mais do que isso. Geralmente os garotos que passavam dos 1,80 m já atingiam essa marca antes de chegarem ao terceiro ano.

— Existe a chance de você não crescer mais. Acho que você já atingiu a média nacional atual.

Diante da fala de Cheon Seju enquanto caminhavam em direção ao carro, Sejin cerrou as sobrancelhas. Olhando para as costas dele que pareciam passar dos 1,80 m, pensou com quem ele achava que estava jogando praga… mas logo balançou a cabeça e o seguiu.

— Eu vou crescer.

Acompanhado de uma frase que parecia uma promessa para si mesmo.

Após uma leve discussão sobre crescer ou não, os dois entraram no carro como se tivessem combinado. Sejin se sentou no banco do passageiro abraçando firme a mochila, e Cheon Seju dirigiu de forma brutal como sempre, deixando qualquer motoqueiro no chinelo. Chegaram em frente ao Colégio Masculino Dongseoul no mesmo horário de sempre após quarenta minutos de trajeto. Assim que Cheon Seju estacionou o carro, Sejin abriu a porta do passageiro e desceu como de costume. Então, hesitou um pouco antes de fechar a porta e se despediu dele:

— Até mais tarde…

— …É, até.

Como o moleque que sempre descia sem dizer nada resolveu se despedir, Cheon Seju também ficou sem jeito. Ele arregalou os olhos, assentiu com a cabeça e acenou com a mão sem perceber. Ao ver a mão de Cheon Seju balançando de um lado para o outro feito uma criança, Sejin esticou os cantos da boca e logo fechou a porta do carro em silêncio, desaparecendo em seguida. Era o início de uma nova rotina.

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Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Projection – Novel Yaoi Mangá Online

Cheon Sejoo, que não teve escolha a não ser se juntar à organização para vingar sua irmã falecida, em meio a uma vida sem esperança, conhece um jovem que o lembra de sua irmã, o que o leva a praticar um pequeno ato de gentileza.
Se ele soubesse que essa intenção leviana se tornaria tão pesada, ele não o teria trazido para sua vida.
* * *
“Eu te disse. Sempre foi você primeiro…”
Seus olhos, normalmente penetrantes, pareciam gentis hoje. O olhar de Cheon Sejoo era suave, doce e persistente.
“Então assuma a responsabilidade.”
Era sempre Cheon Sejoo quem dava o primeiro passo. Era ele quem estendia a mão para ele primeiro, quem o olhava primeiro. Sejin simplesmente pegava sua mão porque ele a oferecia, e olhava para ele porque ele lhe dava o olhar. E, ao fazer isso, ele se apaixonou por aquele homem gentil.
Sejin não queria mais ver Cheon Sejoo se afastando dele.
Se você não pode vir até mim, então eu irei até você.
“Você é tudo o que me resta agora…”
Nome alternativo: Projection

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