Ler Projection (Novel) – Capítulo Parte 04 Online

Projection Vol. 1.4
No dia em que descobriu que Sejin era um garoto, Cheon Seju também soube, através dos registros de entrada e saída, que ele não ia à escola direito. Para Cheon Seju, que ia para a escola de ônibus mesmo com quarenta graus de febre, aquilo era incompreensível.
No entanto, Cheon Seju não interferiu no fato de Kwon Sejin não frequentar as aulas. Ele julgou que aquilo não era mais assunto seu. Por isso, embora tenham comido juntos mais duas vezes após a discussão, nenhuma conversa ocorreu entre os dois.
E assim chegou a quarta-feira.
O Lee Hwa Gak, onde a mãe de Kwon Sejin começou a trabalhar, ficava em uma montanha nos arredores de Seul. Acordando cedo, Cheon Seju terminou o treino com Shin Kyoyeon na academia, tomou um banho rápido, trocou de roupa para um terno e buscou Kwon Sejin.
— Coloque o cinto de segurança.
Seu braço direito, que fora atingido durante o treino, estava dolorido. Cheon Seju girou o braço para relaxar os músculos e deu partida no carro. Sejin usava a mesma roupa de quando se encontraram pela primeira vez. Como ele prometera emprestar roupas no domingo e não o fizera, Sejin teve que vestir o moletom que exalava o cheiro de umidade por ter sido lavado no banheiro.
Clique, assim que Sejin colocou o cinto sem dizer nada, o carro partiu. Nem Cheon Seju nem Kwon Sejin disseram uma palavra sequer durante o caminho para o Lee Hwa Gak. Os dois deixaram Seul em meio a um silêncio gélido.
Pegaram uma via expressa curta e seguiram por uma estrada vicinal por um bom tempo. E depois de percorrerem uma estrada sinuosa na montanha por mais de dez minutos, uma imponente residência tradicional Hanok revelou-se.
Como hoje era o único dia de folga da semana, não havia carros no estacionamento em frente ao Lee Hwa Gak. Havia apenas funcionários movimentando-se atarefados, limpando a poeira sobre os muros e descarregando ingredientes de caminhões. Cheon Seju passou pela entrada principal do Lee Hwa Gak e levou o carro para a entrada lateral. Eram exatamente dez da manhã, conforme o combinado, quando ele estacionou no estacionamento dos funcionários. Sejin seguiu Cheon Seju ao descer do banco do motorista.
— Chefe Cheon, olá.
Diante do muro baixo que levava ao alojamento dos funcionários, uma mulher vestindo um Hanok elegante cumprimentou-os alegremente, apesar de ser seu dia de folga. Era Han Jiwon, a gerente do Lee Hwa Gak. Cheon Seju, agindo de forma diferente do habitual, exibiu um sorriso amigável e retribuiu o cumprimento.
— Olá, faz tempo que não nos vemos. Obrigado por aceitar o favor.
— Oh, imagine. Se o Chefe Chae pede, e ainda diz que foi um pedido seu, eu não poderia recusar.
A mulher sorriu com os olhos e assentiu. Então, ela olhou para Sejin e sorriu.
— Então você é o Sejin. Olá.
— …Olá.
Diante daquela resposta polida com um rosto de anjo, Cheon Seju olhou de relance para Sejin. Parecia que o orgulho de Kwon Sejin era direcionado apenas a humanos que lhe causavam mal. Não foi surpresa perceber que ele também estava incluído naquela categoria. Cheon Seju desviou o olhar com indiferença e seguiu Han Jiwon.
Os dois foram conduzidos ao alojamento dos funcionários. Como era dia de folga, os funcionários que não saíram estavam na sede principal ajudando na limpeza dos ingredientes ou no trabalho, e dentro da sala aquecida havia apenas uma jovem de bochechas encovadas.
— Sejin…!
Assim que Kwon Sejin entrou, a mulher correu até ele e o abraçou. Logo, ela começou a soluçar e chorar como se fosse perder o fôlego. Deixando para trás mãe e filho em um reencontro emocionante, Cheon Seju dirigiu-se à cozinha ao lado da sala com Han Jiwon. A mesa de jantar era o único lugar para sentar. Assim que ele se acomodou onde lhe indicaram, Han Jiwon lhe entregou um café com gelo que já havia preparado.
— Chefe, beba um café. Vou até a sede principal rapidinho.
— Obrigado, Gerente.
Cheon Seju observou os dois enquanto bebia o café que a gerente lhe deixara. Como o alojamento era pequeno, a conversa que os dois tinham na sala chegava até ele sem filtro nenhum.
— Você sabe o quanto a mamãe ficou preocupada?
Kim Hyeon-gyeong, a mãe de Sejin, parecia ter sofrido muito emocionalmente na última semana. Era natural. Separar-se subitamente do filho; que mãe no mundo manteria a sanidade? Suas bochechas estavam encovadas e via-se o cansaço típico de quem não dormia direito.
— E o celular? Por que você não atendeu as ligações?
Mesmo assim, parecia que ver o filho a fazia sentir-se viva, pois sua voz era firme. Assim que Sejin parou de chorar, Kim Hyeon-gyeong deu um tapa nas costas dele. Diante da bronca dela, Kwon Sejin limpou os olhos vermelhos e respondeu em voz baixa:
— Naquela época… eu não tinha pago a conta, então só conseguia receber chamadas, mas depois até isso foi cortado…
— …Então você deveria ter falado com a mamãe…!
— Desculpe…
O conteúdo da conversa não era nada agradável. Ele sentia vontade de tapar os ouvidos se pudesse. Parecia óbvio que, embora ela dissesse para ele falar com ela, ela também não teria como resolver o problema da conta do celular. Caso contrário, ela não teria aquela expressão de coração despedaçado.
Não dava nem para imaginar o quão miserável Kim Hyeon-gyeong devia estar se sentindo agora. Eu deveria ter esperado lá fora… Ele se arrependeu de ter se sentado na cozinha e pegou o celular. Ele tentava não ouvir a conversa deles entrando e saindo de aplicativos de mensagens, mas as vozes continuavam atingindo seus ouvidos.
— Sejin, e a casa… você voltou lá?
— Naquela época, as pessoas que foram em casa levaram o dinheiro do depósito, então não consegui entrar. O dono da casa me expulsou e não consegui pegar nenhuma das suas coisas. Desculpe…
— Não precisa se desculpar por isso. As minhas coisas eram todas baratas mesmo. O que importa é que você está seguro. Eu realmente implorei para a gerente e tentei ligar, mas você não atendeu, sabe o quanto eu fiquei assustada?
— Eu errei…
Aquele que agia como um estudante de ensino médio rebelde e cheio de reclamações contra o mundo, diante da mãe, era a imagem de um cachorrinho dócil. Sejin pediu desculpas e se encolheu no abraço da mãe. Ele enterrou o rosto no ombro dela, como se pedisse para ser olhado. Dezoito anos era uma idade tão jovem assim? Cheon Seju pensou nisso enquanto os observava de relance.
Eles eram uma dupla de mãe e filho que chamava a atenção. Kim Hyeon-gyeong era linda como uma pintura, mesmo com o cabelo preso de forma simples e uma aparência modesta. Ninguém que não soubesse da situação imaginaria que ela trabalhava na cozinha de um restaurante por causa de dívidas. Parecia alguém que deveria estar em um lounge VVIP de uma loja de departamentos.
Além disso, ela parecia ter se casado cedo, pois não aparentava ter muita idade. Trinta e cinco anos, no máximo. Poderia ser considerada da mesma faixa etária de Cheon Seju.
— E para dormir? Onde você ficou esse tempo todo? Sobrou algum dinheiro? Dormiu em uma sauna? Foi para a escola sem faltar, não foi?
As mãos magras acariciavam incessantemente as bochechas e o cabelo de Sejin. Ela verificava se havia algum ferimento no corpo do filho e o abraçava novamente com lágrimas nos olhos.
— Eu fui para a escola… Alguém me deixou dormir na casa dele… Fiquei devendo a essa pessoa.
Kwon Sejin mentiu sem nem piscar. Além disso, referiu-se a ele como “aquela pessoa”, mesmo estando no mesmo ambiente. Cheon Seju sorriu internamente com desdém e balançou a cabeça. Enquanto isso, ela afastou Sejin e disse com preocupação:
— Quem? Quem te deixou dormir lá? Um amigo? Você não tem amigos. Você não recebeu ajuda de alguém estranho, recebeu? Ele não te pediu nada em troca por te deixar dormir lá, pediu? Não foi nada disso, foi?
Parecia que a desconfiança e a cautela de Kwon Sejin vinham de sua mãe. Afinal, uma vida sem posses e com apenas um rosto bonito como herança devia ser bastante sofrida. Talvez ela tivesse incutido deliberadamente a desconfiança em Sejin para que ele não repetisse a vida que ela levara.
— Não. Ele me ajudou sem esperar nada em troca. Aquela pessoa…
Ele achou que Sejin fingiria não conhecê-lo até o fim, mas Kwon Sejin hesitou e virou a cabeça para apontar para Cheon Seju. Ele, que estava com o queixo apoiado na mão olhando para o celular com a tela desligada, sentiu o olhar voltado para si e ergueu a cabeça. Então, trocou olhares com Kim Hyeon-gyeong e cumprimentou-a com um leve movimento de queixo.
Kim Hyeon-gyeong observou Cheon Seju com um olhar de análise. Ao saber que ele cuidara de seu filho, parecia estar dividida entre a gratidão e a desconfiança de que ele não teria ajudado sem um motivo oculto. Embora parecesse ter uma personalidade parecida com a de Sejin, não apenas no rosto, ela conhecia as boas maneiras. Kim Hyeon-gyeong logo se levantou e fez uma reverência profunda para ele.
— Senhor, obrigada por deixar o Sejin dormir na sua casa. Como ele está na puberdade, deve ter agido de forma sensível… Mesmo sendo mal-educado, ele não é um garoto mau. Obrigada por ajudá-lo.
— Ah… sim.
Ela acabou de dizer que ele nem tem amigos… Parecia que o ditado de que toda mãe acha seu filho perfeito era coisa do passado; diante da avaliação fria sobre Kwon Sejin, Cheon Seju ficou sem o que dizer. Enquanto ele assentia sem jeito, ela sorriu e deu um tapa na coxa do filho, dizendo:
— Kwon Sejin. Por que você chama a pessoa que te deu um teto de “aquela pessoa”? Olhando bem, a diferença de idade nem parece ser tanta, por que não o chama de irmão mais velho…
— Que irmão mais velho o quê.
Diante das palavras dela, Sejin retomou aquela voz emburrada que Cheon Seju conhecia bem. Cheon Seju sorriu, trocou olhares com Sejin e levantou-se. Era o momento perfeito para se retirar. Parecia que sua presença ali apenas atrapalharia o reencontro entre mãe e filho, então era melhor sair e fumar um cigarro. E ele também tinha um recado a dar agora que estava ali.
O SORRISO DO DIABO
Cheon Seju, que se despediu com um leve sorriso, calçou os sapatos e saiu do alojamento dos funcionários. Antes de procurar o gerente para fazer o recado, ele se sentou no muro de pedra onde havia um cinzeiro, fumou um cigarro vagarosamente e ligou para Moon Sunhyeok, que lhe havia deixado uma mensagem.
— Sim, Diretor.
— E então? Encontrou?
— Sim, pegamos ele em Incheon. Estamos levando-o agora.
— Bom trabalho. Deixe-o no escritório.
Embora o trabalho sujo tivesse diminuído quase por completo à medida que se tornavam uma corporação, a DG, à qual ele pertencia, ainda era uma empresa com raízes em gangues de rua. A história da Daegam Construction, que elevou a DG ao patamar atual, foi praticamente uma luta de sangue; não seria exagero dizer que a sede da DG, que vale centenas de bilhões de won, foi erguida sobre uma montanha feita de cadáveres de membros da organização.
Com o passar dos anos, as subsidiárias como DG Construction, DG O&M e DG Entertainment perderam muito do estigma de gangue, mas a DG ainda possuía muitos negócios sombrios operando clandestinamente. Empresas de empréstimo como a Shinsa Capital e clubes que distribuíam drogas eram alguns exemplos.
Cheon Seju e sua equipe de limpeza lidavam principalmente com os incidentes que ocorriam nesses locais sob as ordens de Shin Kyoyeon. Recentemente, estavam investigando o desaparecimento de cristal (metanfetamina) ocorrido em um clube. O caso do entregador que fugiu com a droga teve um desfecho em dois dias. Agora que haviam capturado o culpado, era hora de descobrir por que ele fizera aquilo. Parecia que hoje ele teria que ver sangue.
Após desligar o telefone, Cheon Seju apagou o cigarro e foi procurar a gerente do Ihwagak. Chae Beomjun havia pedido para ele buscar alguns acompanhamentos com ela como retribuição pelo favor concedido.
— Ah, Diretor Cheon.
Ele logo encontrou a gerente perto da cozinha do Ihwagak. Ela estava saindo da cozinha carregando pacotes de acompanhamentos em ambas as mãos. Parecia que ela havia acabado de preparar o que Chae Beomjun pediu no momento exato.
— Eu carrego.
Cheon Seju estendeu as mãos e pegou o que ela segurava. Han Jiwon lançou-lhe um olhar sedutor enquanto entregava os pacotes. Cheon Seju percebeu facilmente o significado daquele olhar, mas, infelizmente, como seu corpo não reagia a mulheres, ele teve que virar o rosto e ignorá-la. Diante disso, Han Jiwon deu um sorriso curto, como se já esperasse por aquilo, e mencionou Kim Hyungyeong.
— A senhora Hyungyeong trabalha muito bem. Eu não imaginava, mas parece que ela tem muita experiência em cozinha.
Han Jiwon mencionou a mãe de Kwon Sejin com uma expressão de pena. Cheon Seju também conseguia entender o sentimento de Han Jiwon. Embora estivesse abatida, o rosto de Kim Hyungyeong era tão belo que sua aparência exausta chegava a ser atraente. Pela aparência, não parecia alguém que tivesse vivido uma vida de dificuldades. Dando um suspiro baixo, Han Jiwon continuou com o rosto pesaroso.
— E como servir as mesas rende muito mais dinheiro do que ficar na cozinha, a senhora Hyungyeong disse que queria trabalhar no salão. Mas o senhor sabe, Diretor Cheon. Todo tipo de lixo frequenta este lugar.
— É verdade.
Para trabalhar como gerente em um lugar como o Ihwagak, parece que não se pode ter uma personalidade comum. Cheon Seju engoliu o riso e assentiu ao ouvir a palavra “lixo” saindo da boca da gerente Han Jiwon, cuja conduta era extremamente refinada.
— Se a senhora Hyungyeong começar a servir as mesas, vai ser um caos imediato. É melhor ela ficar na cozinha do que cair nas mãos de sujeitos assim.
O Ihwagak era como um quarto nos fundos para várias figuras do mundo político e empresarial. Todo tipo de gente entrava e saía para fazer acordos obscuros, e raramente algum deles possuía um caráter decente. Embora o Ihwagak dissesse proteger seus funcionários, isso tinha um limite, então, para quem não tinha onde se apoiar, o melhor era não chamar a atenção. Cheon Seju concordou com as palavras dela e olhou para Han Jiwon.
— Então a gerente também deveria ir para a cozinha.
Diante da piada que ele lançou, Han Jiwon arregalou os olhos e caiu na gargalhada. Cheon Seju riu junto com ela e conversaram um pouco mais. Sua intenção era passar o tempo até que a hora combinada terminasse.
Após cerca de trinta minutos, quando Cheon Seju, que já havia deixado os acompanhamentos em seu carro, retornou ao dormitório, Kwon Sejin e Kim Hyungyeong já estavam do lado de fora, indicando que o tempo havia acabado. Cheon Seju caminhou em direção a eles em um passo mais lento que o habitual. A imagem da mãe e do filho, com rostos idênticos, entrou em seu campo de visão. Kim Hyungyeong acariciava a bochecha de Sejin, aconselhando-o, enquanto Sejin apenas balançava a cabeça com uma expressão emburrada.
Mesmo querendo tanto vê-la, ele poderia simplesmente concordar, por mais que não gostasse… Cheon Seju aproximou-se deles com esse pensamento ranzinza em mente. No entanto, no momento em que ele ia fazer um sinal para Kwon Sejin indicando que era hora de ir, Kim Hyungyeong aproximou-se primeiro e segurou suas mãos.
— Professor.
— …Sim?
As duas mãos que envolviam o dorso da sua mão estavam quentes. O tratamento estranho, porém familiar, o fez recordar o passado. “Professor”, um título que ele havia esquecido; naquele instante, Cheon Seju não conseguiu afastar as mãos de Kim Hyungyeong, que era uma cabeça menor que ele, e seu rosto se tingiu de perplexidade. Mantendo as mãos dele firmemente presas, Kim Hyungyeong disse com um sorriso gentil:
— Como eu o acostumei desde pequeno, o nosso Sejin cozinha bem e limpa bem também. Ele é um pouco mal-educado, mas, apesar de falar daquele jeito, ele tem muito coração e cuida bem das pessoas.
— Ah, sim…
Ele não entendia o que ela estava dizendo de repente. Queria retirar as mãos, mas seus braços não tinham força. Cheon Seju engoliu a perplexidade e assentiu lentamente. Vendo-o assim, Kim Hyungyeong continuou:
— Embora ele pareça frágil, ele é saudável e quase não adoece, e faz recados muito bem. Não precisa dar dinheiro a ele para fazer as tarefas domésticas, e não precisa ligar o aquecimento nem o ar-condicionado para ele. Mesmo que ele diga que não quer, ele é obediente, então o senhor não precisará se preocupar.
— …….
Através daquelas palavras que soavam como uma recomendação, ele começou a entender vagamente, muito vagamente, o que ela queria dizer. Cheon Seju franziu o cenho e ficou em silêncio. Quanto mais sua expressão se endurecia, mais força Kim Hyungyeong colocava nas mãos. Com aquela atitude desesperada e fervorosa, ela finalmente pediu com um sorriso:
— Por isso, apenas até eu sair daqui… o senhor não poderia ficar com o Sejin?
Cheon Seju sentiu a voz dela tremer levemente no final. Com os lábios cerrados, ele olhou para baixo, para Kim Hyungyeong, que curvava a cabeça diante dele.
Uma mulher vários anos mais velha que ele, com a nuca tingida de vermelho pela humilhação, suportava a vergonha para implorar a Cheon Seju. Que, por favor, cuidasse de seu filho que não tinha para onde ir…
Anteriormente, quando Cheon Seju perguntou sobre seus planos futuros, Sejin dissera que tudo se resolveria se ele encontrasse sua mãe. Mas, vendo agora, não havia pensamento mais otimista que aquele.
O que ela poderia fazer? Ela não podia sair do Ihwagak, nem fazer contato com o exterior; estritamente falando, a situação de Kim Hyungyeong era pior que a de Kwon Sejin. Por isso, ela não teve escolha a não ser curvar a cintura e implorar, tratando um homem que acabara de conhecer como sua última esperança. Pedindo que, por favor, tivesse piedade de seu filho desamparado…
— …….
Mas como eu poderia.
Cheon Seju não conseguiu dizer nada devido ao desconforto que subia em seu peito. Sejin, que os observava de longe, viu a expressão dele e aproximou-se com o cenho franzido. Sejin segurou o braço de sua mãe, que estava com a cabeça baixa, e a forçou a se levantar.
— Pare com isso, mãe.
— Fique quieto, Kwon Sejin!
No entanto, Kim Hyungyeong afastou Sejin e colocou ainda mais força nas mãos que seguravam Cheon Seju. Se ele sair agora, não nos veremos novamente, ela murmurou como se fizesse uma promessa a si mesma.
Através da conversa com o filho, ela percebeu que, se não fosse por Cheon Seju, nem mesmo aquele encontro teria acontecido. Kim Hyungyeong sabia que, para continuar vendo o filho, Kwon Sejin não poderia ir para nenhum outro lugar que não fosse a casa de Cheon Seju. Foi por isso. Pelo seu filho, ela não teve escolha a não ser curvar a cabeça descaradamente para um homem que parecia muito mais jovem que ela.
— Eu lhe peço… apenas dois anos, não, apenas até ele se tornar adulto. Se o senhor ficar com ele, eu com certeza retribuirei o favor quando sair.
A imagem da mulher abandonando seu orgulho e curvando-se ficou gravada intensamente em sua mente. O desespero de uma mãe lutando para não perder o filho atingiu o coração de Cheon Seju como um raio. Ele sentiu como se tivesse ouvido o som de algo se quebrando.
— Eu lhe peço, Professor…
Contudo, ele pretendia mandar Kwon Sejin embora de sua casa assim que o encontro de hoje terminasse. Tendo desistido da ideia de entregá-lo a um orfanato, ele nunca cogitara acolher um rapaz daquele tamanho em sua casa. Quando ele, em apuros, olhou para Kwon Sejin franzindo o cenho, Sejin, que o encarava, mordeu os lábios. Em seguida, com um gesto mais brusco, ele afastou Kim Hyungyeong dele.
— Eu disse para parar!
No intervalo em que ela foi afastada pelo grito feroz de Sejin, Cheon Seju aproveitou para se retirar. Sua cabeça doía. Massageando a testa por causa da dor latejante e insuportável, ele fingiu não ouvir a voz suplicante que pedia para que esperasse apenas um momento.
Ao retornar ao estacionamento, Cheon Seju sentou-se no capô do carro e acendeu um cigarro. Enquanto inalava a fumaça acre, organizava seus pensamentos em silêncio.
…Na verdade, acolher um agregado em casa não era algo tão difícil. Ele também precisava de alguém para fazer as tarefas domésticas. Como a casa era grande demais para ele gerenciar sozinho, Cheon Seju tinha dificuldades só para limpar a sala, o quarto e a cozinha. Ele costumava ganhar acompanhamentos de Moon Sunhyeok ou pedir comida, mas já estava enjoado de ambas as opções.
Não. Ao chegar nesse ponto do pensamento, Cheon Seju balançou a cabeça e soltou um suspiro. Era melhor contratar alguém; colocar aquele garoto em casa era algo fora de questão. Sentindo o peito sufocado, ele abriu mais um botão da camisa e virou o rosto para onde o vento soprava.
No final de setembro, no Ihwagak situado na montanha, soprava um vento gélido. Apesar do sol forte, recebendo o vento frio o suficiente para causar arrepios no pescoço, Cheon Seju repetia as mesmas palavras em sua mente.
Não é problema meu.
Ainda assim, a imagem de Kim Hyungyeong curvando-se diante dele enquanto suportava a humilhação não saía de sua mente. Cheon Seju culpou sua própria mentalidade fraca e esfregou repetidamente um lado da testa com a ponta dos dedos que seguravam o cigarro.
Desde que jurou ser o cão de Shin Kyoyeon, Cheon Seju teve que abandonar a si mesmo. Ele teve que matar com as próprias mãos o Cheon Seju que tinha o coração mole por crianças, o Cheon Seju que se tornava fraco diante de mulheres, o Cheon Seju que abria o coração facilmente por compaixão e o Cheon Seju que se esforçava para salvar vidas. No entanto, por mais que matasse e matasse, com o passar do tempo, sua natureza remanescente brotava como erva daninha.
Para esconder sua verdadeira face, que não desaparecia por mais que tentasse apagá-la, Cheon Seju usou muitas máscaras, mas ainda assim havia rostos que atravessavam tudo aquilo. Nesses momentos, ele sentia profundamente o fato de que as pessoas não mudam facilmente.
Porém, acolher Kwon Sejin em casa apenas por não conseguir ignorar aquela compaixão trazia muitas preocupações. Fosse como empregado ou faxineiro, levar Sejin para casa significava que o próprio Cheon Seju assumiria, ao menos em parte, a responsabilidade por ele. Assumir a responsabilidade por outra pessoa quando já era difícil cuidar de si mesmo. Era algo impensável.
— Haa…
Porra. Eu não devia ter ajudado desde o começo…
Enquanto murmurava palavrões em voz baixa devido à frustração, Cheon Seju subitamente ouviu o som de cascalho sendo pisado e virou o rosto. Ele viu Kwon Sejin, cujos olhos já estavam vermelhos como os de um coelho novamente, vindo em direção ao carro com o olhar carregado de força. Cheon Seju virou a cabeça para verificar a frente do alojamento dos funcionários. Kim Hyungyeong não estava em lugar nenhum, talvez tivesse entrado no alojamento.
— …….
Kwon Sejin aproximou-se até ficar bem perto e, sem dizer nada a Cheon Seju, subiu no banco do passageiro. E no breve instante em que Cheon Seju abriu a porta do motorista, Sejin levantou a mão e esfregou os olhos cheios de lágrimas com a manga da blusa.
O moletom com capuz preto, que Sejin baixara após esfregar os olhos, estava levemente molhado. Cheon Seju percebeu aquilo ao dar a partida e franziu o cenho. Mãe e filho faziam o homem se sentir desconfortável em conjunto.
— Para onde você vai.
Entretanto, Cheon Seju esforçou-se para ignorar aquele desconforto. Quando ele perguntou com uma voz fingidamente indiferente, Sejin respondeu rispidamente, como se não esperasse nada.
— Me deixe perto da sua empresa.
O tom de voz, como se não quisesse nada dele, fez uma irritação desnecessária subir. Foi Kwon Sejin quem fez Kim Hyungyeong e Cheon Seju se angustiarem, mas o próprio interessado parecia não se importar muito. Soltando um suspiro, Cheon Seju pisou no acelerador sem dizer uma palavra. Enquanto passavam pela província de Gyeonggi, entravam em Seul, cruzavam o rio Han e seguiam para Gangnam, os dois não trocaram uma única palavra.
Muito tempo depois, após um silêncio gélido, o carro parou em frente à Shinsa Capital. Sejin apenas segurava a maçaneta, como se pedisse para abrir a porta. Para Kwon Sejin, que estava prestes a descer do carro sem nenhum comentário adicional, Cheon Seju finalmente falou primeiro.
— Ei. Você não tem nada para me dizer?
Diante dessas palavras, Sejin, que olhava pela janela segurando a maçaneta, virou o rosto. Era uma face plenamente descontente. Ele mordeu os lábios e encarou Cheon Seju com uma expressão amarrada antes de desviar o olhar novamente e murmurar:
— …Obrigado por ajudar.
Não era isso… Uma frustração repentina o atingiu. De alguma forma, parecia que ainda restavam outras palavras que ele deveria ouvir. Cheon Seju observou Kwon Sejin. O movimento de seus lábios pequenos indicava que ele ainda tinha algo a dizer. Mas Sejin acabou desistindo de abrir a boca. Como se fosse apenas aquilo, ele assentiu e abriu a porta do passageiro.
— É sério que isso é tudo o que tem a dizer?
No fim, Cheon Seju o deteve. Ao perguntar aquilo, sentiu-se como se estivesse implorando miseravelmente por uma oportunidade de ajudá-lo. Ele já não sabia mais quem era a pessoa que precisava de ajuda.
Contudo, Sejin apenas franziu o cenho diante da pergunta de Cheon Seju. Como se questionasse que outros cumprimentos ele ainda esperava, lançou-lhe um olhar irritado e desceu do carro.
Acabou ali. Sejin desapareceu dobrando a esquina sem sequer olhar para trás. Foi uma atitude fria que tornava o pedido de Kim Hyungyeong insignificante.
Por isso, Cheon Seju pensou que Kwon Sejin tivesse algum plano. Pensou que houvesse uma maneira de ele viver bem o suficiente para não preocupar Kim Hyungyeong. Mas ele descobriu que não era o caso antes mesmo de passar uma semana.
─── ✧・゚: * ✧・゚:* ───
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Cheon Sejoo, que não teve escolha a não ser se juntar à organização para vingar sua irmã falecida, em meio a uma vida sem esperança, conhece um jovem que o lembra de sua irmã, o que o leva a praticar um pequeno ato de gentileza.
Se ele soubesse que essa intenção leviana se tornaria tão pesada, ele não o teria trazido para sua vida.
* * *
“Eu te disse. Sempre foi você primeiro…”
Seus olhos, normalmente penetrantes, pareciam gentis hoje. O olhar de Cheon Sejoo era suave, doce e persistente.
“Então assuma a responsabilidade.”
Era sempre Cheon Sejoo quem dava o primeiro passo. Era ele quem estendia a mão para ele primeiro, quem o olhava primeiro. Sejin simplesmente pegava sua mão porque ele a oferecia, e olhava para ele porque ele lhe dava o olhar. E, ao fazer isso, ele se apaixonou por aquele homem gentil.
Sejin não queria mais ver Cheon Sejoo se afastando dele.
Se você não pode vir até mim, então eu irei até você.
“Você é tudo o que me resta agora…”
Nome alternativo: Projection