Ler Projection (Novel) – Capítulo Parte 03 Online

Projection Vol. 1.3
— Chefe, o senhor acordou?
Moon Seonhyeok chamou Cheon Seju com uma voz cautelosa. Seju, que estava deitado no sofá com os olhos fechados, respondeu naquela mesma posição. “Sim”, com essa resposta curta, Moon Seonhyeok acendeu a luz da sala e saiu do quarto.
No décimo andar do mesmo prédio, no apartamento onde moravam os membros da equipe de campo, Cheon Seju estava resolvendo suas necessidades básicas há dois dias. Por causa de Cheon Seju, que insistia teimosamente em não deitar na cama de outra pessoa e se acomodara no sofá, os membros da equipe estavam ocupados tentando entender por que ele estava ali, tendo uma casa perfeitamente boa, e por que seu humor estava tão ruim.
— Devo preparar a refeição?
Mas Moon Seonhyeok agia como sempre. Como ele era o tipo de pessoa que cortaria o próprio pescoço se Cheon Seju ordenasse, ele agia como seu servo, pensando apenas em servir da melhor forma possível a Cheon Seju, que viera visitá-los em casa.
— Hoje é terça-feira?
— Sim.
Respondendo à pergunta indiferente, Seonhyeok acendeu a luz da cozinha. Observando-o silenciosamente lavar o arroz e se preparar para cozinhar, Cheon Seju viu que o relógio marcava quase seis da manhã e se levantou. Havia um lugar onde ele precisava ir às terças. Ele entrou no banheiro ao lado da sala, lavou o rosto rapidamente, escovou os dentes e saiu.
— Vou à academia. Coma primeiro.
— Sim, tenha um bom treino.
Moon Seonhyeok, usando um avental com estampa de flores cor-de-rosa, assentiu vigorosamente. Com um sorriso de canto, Cheon Seju bagunçou o cabelo de Seonhyeok, que ficava a um palmo acima dele, e dirigiu-se à entrada.
Enfiando os pés sem meias nos tênis, ele saiu pela porta da frente e, em vez do elevador, abriu a porta que dava para a escada de emergência. Tum, tum, ele desceu pulando os degraus de cinco em cinco e parou no sétimo andar. Com um clique, ele abriu a porta corta-fogo e entrou no saguão, onde viu um homem guardando a porta da unidade 701. Assim que viu Cheon Seju, o homem se curvou para cumprimentá-lo.
— O senhor chegou, Chefe.
— E o Diretor?
— Está lá dentro.
Cheon Seju entrou na unidade 701 pela porta que o homem abriu. Ele viu dois pares de sapatos sociais na entrada, tirou seus tênis e os colocou organizadamente no lado oposto. Girando os ombros tensos, ele entrou e viu o interior totalmente iluminado.
Aquele edifício residencial e comercial fora construído pela DG Construções e, desde o início da obra, fora projetado para a conveniência da organização.
No sétimo andar do prédio, havia uma instalação de fitness e uma academia usadas pelo Diretor Shin Kyoyeon, a quem ele servia, e no andar de baixo ficava a sala de treinamento físico usada pelos membros da organização. Para proteger o 43º andar, onde Shin Kyoyeon residia, os alojamentos dos membros da organização estavam espalhados por todo o prédio e, nos três andares da cobertura, existiam passagens secretas que conectavam cada casa. Era um fato conhecido por pouquíssimas pessoas, incluindo os herdeiros da DG, Shin Kyoyeon e Chae Beomjun, além de Cheon Seju.
Shin Kyoyeon treinava com Cheon Seju na academia do sétimo andar duas ou três vezes por semana. O treino dos dois, que aprenderam todos os tipos de artes marciais, incluindo Jiu-Jitsu e Krav Maga, era assustador só de olhar; eles usavam principalmente facas falsas, cuja lâmina entrava no cabo ao sofrer uma certa pressão, ou pistolas de brinquedo como armas.
Por causa disso, a unidade 701 estava longe de ter a forma de uma residência comum. O interior, criado pela derrubada das paredes da sala e do quarto principal, era amplo. Perto da janela, havia um ringue enorme e, ao lado dele, armários para guardar pertences e um sofá. No lado oposto, ficavam a sala de treinamento com o essencial, o banheiro e o closet. Não havia quartos ou cozinha necessários para moradia.
— Diretor.
Perto da janela, ao lado dos armários, um homem que trocara de roupa para uma camiseta preta e calças de moletom estava parado fumando. Era Shin Kyoyeon, o herdeiro da DG e o homem que detinha a vida de Cheon Seju em suas mãos. Ao lado dele estava seu Secretário Chefe, Chae Beomjun, que verificava as facas falsas.
— O senhor chegou.
Quando ele fez uma reverência, os olhos de Shin Kyoyeon, frios e penetrantes, voltaram-se para Cheon Seju e logo retornaram à posição original. Cheon Seju não se importou se Shin Kyoyeon ignorou ou não seu cumprimento, foi até seu armário e enrolou as faixas protetoras nas mãos. Era algo essencial para proteger as palmas, já que o treino era mais intenso do que se imaginava.
— Tudo pronto.
Enquanto isso, ouviu-se a voz de Chae Beomjun, que terminara a inspeção das facas. De relance, Cheon Seju olhou para onde vinha o som e viu Chae Beomjun piscando um olho com um sorriso sutil. Ele enlouqueceu? Diante da piscadela repentina, Cheon Seju franziu o cenho e se virou.
Parado diante do espelho, Cheon Seju subiu a calça que estava caída nos quadris e puxou os cordões com força, fazendo um laço para garantir que não se soltassem. Ele girou os pulsos para relaxar os músculos e se preparou para o combate.
Shin Kyoyeon já estava sobre o tatame empunhando uma faca. Ao estender a mão esquerda enquanto o encarava fixamente, Chae Beomjun colocou a faca na palma da mão de Cheon Seju. Como se fosse morrer se passasse um único dia sem agir como se fosse puro, Chae Beomjun não esqueceu de dobrar os dedos de Cheon Seju com gestos insinuantes para fazê-lo segurar a faca. Diante do toque pegajoso, ele suspirou e sacudiu a mão.
— Venha.
Ele ia soltar um xingamento, mas Shin Kyoyeon, parado no tatame, o chamou naquele exato momento. Sentindo um calafrio com a voz suave, mas totalmente desprovida de emoção, Cheon Seju saltou para dentro do ringue.
Cheon Seju estava treinando há cinco anos, mas Shin Kyoyeon, criado como herdeiro da organização, aprendera artes marciais por quase vinte anos desde a infância. No entanto, apesar dessa longa diferença de tempo, Cheon Seju não ficava atrás de Shin Kyoyeon. Depois de perder todos os dias, chegou um momento em que os dias de vitória aumentaram e, agora, era uma repetição de perdas e ganhos. No último ano, nenhum dos dois conseguira obter mais de duas vitórias consecutivas.
Ele recebera muitos convites para ser atleta quando era jovem, mas nem ele sabia que tinha um talento tão excepcional para usar o corpo. Usando as palavras do instrutor de Krav Maga que o ensinou, Cheon Seju nascera com o dom de matar pessoas.
— Estou indo.
Não houve aquecimento. Com o som dos pés descalços pisando no tatame de borracha, a faca cortou o ar imediatamente. Acreditando que a melhor defesa é o ataque, tanto Cheon Seju quanto Shin Kyoyeon visavam apenas os pontos vitais, como se fossem matar um ao outro. Era o início de um combate acirrado.
Vapt, a lâmina rombuda roçou seu pescoço. Abaixando a cabeça para desviar da faca, Cheon Seju deliberadamente desequilibrou o corpo e infiltrou-se entre as pernas de Shin Kyoyeon. Evitando a lâmina que o perseguia obstinadamente, ele se moveu para trás do homem.
Então, como se estivesse chutando um rato, Shin Kyoyeon desferiu um chute. Estendendo o braço, Cheon Seju agarrou o tornozelo do homem que voava em sua direção e desestabilizou seu centro de gravidade. Com o impacto do corpo grande caindo sobre o tatame, ele desferiu um golpe com a faca. A lâmina atingiu o ombro de Shin Kyoyeon, deslizou e cravou-se pesadamente no tatame.
Era raro ocorrer um golpe real durante o treino. Por causa disso, os olhares dos dois se voltaram para o mesmo ponto.
— …
Logo, os lábios de Shin Kyoyeon formaram um arco. O que o atingira fora uma faca falsa, mas a pressão necessária para a lâmina entrar era alta. Portanto, a dor devia ser considerável, mas Shin Kyoyeon apenas sorriu e golpeou a lateral do corpo de Cheon Seju com a faca que segurava.
— Argh!
Shin Kyoyeon não demonstrava misericórdia em seus golpes. Embora Cheon Seju fosse alguém que não sentia muita dor por motivos psicológicos, a sensação de opressão que prendia sua respiração era vívida.
Desgraçado. Cheon Seju praguejou internamente e imobilizou o braço de Shin Kyoyeon, que segurava a faca, com uma das mãos. Em seguida, desferiu um soco em seu ombro. Era o mesmo lugar onde a faca o atingira antes. Sua vontade era acertar o queixo, mas como não podia tocar ali, aquela foi a alternativa escolhida.
Vendo o olhar de Shin Kyoyeon se distorcer minimamente, Cheon Seju recuou. Assim que ele inclinou a cintura para trás, a faca de Shin Kyoyeon rasgou o ar. Se não tivesse desviado, teria sido atingido na bochecha.
Em um instante, a raiva subiu e Cheon Seju franziu o cenho, desferindo um chute na virilha do homem. Como estava descalço, o impacto não seria tão grande, mas por ser a região que era, a partir dali tornou-se uma luta caótica.
De qualquer forma, em uma situação real, o caos seria ainda maior. Todo tipo de truque e artimanha era usado para cortar a garganta do oponente. No entanto, ver dois homens com corpos perfeitos se movimentando com facas era, honestamente, uma cena que não se podia deixar de observar.
Geralmente terminava com os dois quase se tocando, sem grandes contatos, mas hoje, por algum motivo, havia muito o que ver. Chae Beomjun, o velho amigo de Shin Kyoyeon, observava a cena encostado na janela enquanto fumava tranquilamente. Então, quando se passaram vinte minutos, ele tocou o sino barulhentamente, anunciando o fim do treino. Era um dispositivo criado porque, se não houvesse limite de tempo, eles acabariam vendo sangue.
— O tempo acabou.
Assim que ele terminou de falar, a faca atingiu o peito de Cheon Seju. O impacto foi tremendo. Seju praguejou baixinho, “merda”, e tossiu. Sentando-se ali mesmo, ele tentava recuperar o fôlego enquanto massageava a região do peito que ainda latejava.
— Bom trabalho.
Com o rosto inexpressivo, Shin Kyoyeon disse aquilo enquanto limpava as gotas de suor que molhavam seus olhos. “Bom trabalho, senhor”, Cheon Seju retribuiu o cumprimento e levantou a camiseta para limpar o rosto molhado. Logo ouviu-se o som da sola dos pés suados grudando e desgrudando do tatame. Sentindo Shin Kyoyeon se retirar, Seju deitou-se ali mesmo no tatame.
— Haa, haa, merda…
Seu coração parecia que ia explodir. Em meio às batidas que ecoavam em seus ouvidos, Cheon Seju tentava acalmar sua respiração ofegante. Fazia pouco tempo que acordara, mas o cansaço o invadia. Sua vontade era desmaiar e dormir ali mesmo. Com os olhos fechados, sua consciência começava a se dispersar, mas, de repente, ele despertou com o cheiro de perfume vindo de perto. Ao abrir os olhos, um rosto familiar o olhava de cima.
— É alguém que você conhece?
De repente, Beomjun fez uma pergunta sem contexto. Seju viu o olhar intenso dele voltado para seu baixo ventre, franziu o cenho e abaixou a camiseta para cobrir a barriga. Naquela posição, olhou para ele e rebateu:
— Quem?
— Kwon Sejin. Por que de repente você está agindo como babá?
Eu só mencionei o Lee Hwa Gak, como ele já sabe disso? Perguntou ao Kim Donggil? Cheon Seju olhou para o rosto sarcástico de Beomjun e soltou as palavras:
— O que você vai fazer se souber?
— Porque estou curioso. Fiquei pensando se o ético Cheon Seju agora também sai pegando qualquer coisa para comer.
Dizendo isso, Chae Beomjun estendeu a palma da mão diante de Cheon Seju, como se dissesse para ele segurar sua mão e se levantar. Sem chance. Cheon Seju afastou a mão de Beomjun com as costas da sua e levantou-se apoiando-se no chão. Em seguida, encarou fixamente os olhos de Beomjun, que estavam meio palmo acima dos seus, e respondeu:
— Pare de falar bobagem. É uma criança. Uma menina.
— …Uma menina?
As sobrancelhas de Beomjun se franziram. Com os braços cruzados e aquele rosto refinado de apresentador de TV, ele soltou uma risada vulgar. Enquanto ele gargalhava, Cheon Seju virou-se e desceu do ringue. Dizem que loucos riem muito; Chae Beomjun não parou de rir até que Seju se mudasse para a sala de treinamento físico.
— Ele enlouqueceu logo cedo…
O som da risada era extremamente irritante. Ao abrir a porta semitransparente da sala de treinamento e entrar, Cheon Seju mostrou o dedo do meio para Chae Beomjun, que estava longe. Beomjun retribuiu com o mesmo gesto e um sorriso no rosto.
Ele conhecia Chae Beomjun há cinco anos. Aos vinte e seis anos, Chae Beomjun fora visitá-lo no centro de detenção e sugerira que ele trabalhasse sob as ordens de Shin Kyoyeon; esse fora o primeiro encontro deles. Depois disso, Seju encontrou Chae Beomjun mais vezes do que o homem a quem servia e, a partir de certo ponto, eles se esbarravam quase todos os dias.
A relação formada assim era composta de companheirismo e desprezo, ódio e um certo pingo de admiração. Chae Beomjun era para Cheon Seju como um irmão, mas também um objeto de sentimentos complexos que o deixavam de mau humor só de trocar olhares.
Ao entrar na sala de treinamento, Cheon Seju correu na esteira até ficar sem fôlego novamente. Ele não parou as pernas até que seus pulmões parecessem inflar ao ponto de explodir e todos os pensamentos em sua cabeça fossem apagados.
Quando terminou o exercício e saiu, tanto Shin Kyoyeon quanto Chae Beomjun já haviam ido embora. Cheon Seju pensou se deveria tomar um banho para tirar o desconforto do corpo, mas decidiu ir para casa trocar de roupa e dirigiu-se ao elevador.
Eram oito e quarenta da manhã, horário em que Kwon Sejin já deveria ter ido para a escola. Era covardia, mas Cheon Seju decidiu aproveitar essa brecha.
“Com que direito você diz esse tipo de coisa?”
A pergunta que Sejin fizera no último domingo atingira a culpa e a autoaversão enterradas no fundo do coração de Cheon Seju. Ao reconhecer esses sentimentos, ele não conseguiu encarar o rosto de Sejin e refugiou-se imediatamente no décimo andar.
Como Sejin dissera, Cheon Seju não tinha o direito de se preocupar com sua moradia. Como fora a organização à qual pertencia que deixara Sejin naquela situação, ele era alguém que não deveria se preocupar ou cuidar de Sejin. Ele esquecera disso por um breve momento, imerso em seu papel de “irmão mais velho” após tanto tempo.
Ao perceber esse fato, pensou que precisava mandar Sejin embora logo. Para encaminhar a criança para o orfanato imediatamente após a visita ao Lee Hwa Gak amanhã, Cheon Seju planejava ligar para a freira diretora hoje à tarde.
No entanto, esse pensamento desapareceu sem deixar rastros no momento em que viu os sapatos velhos na entrada. Cheon Seju franziu o cenho e olhou para os tênis estranhos.
Ele não foi para a escola? Cheon Seju piscou os olhos atordoado e foi até o interfone no corredor. No interfone multifuncional, era possível verificar várias informações. Manipulando o painel, ele exibiu o registro de entrada e saída da porta principal na tela. Mas, por mais que olhasse, a porta só havia sido aberta duas vezes entre domingo e hoje. Ambas eram rastros deixados pelo próprio Cheon Seju.
No momento em que percebeu isso, um ar frio envolveu seu corpo. Virando-se, Cheon Seju foi até a cozinha, abriu a geladeira e contou o número de sanduíches e marmitas lá dentro. Nove no total. Não faltava nenhum em relação à quantidade que ele deixara no domingo.
— Ah…
Seu rosto inexpressivo desmoronou debilmente. Suas pupilas negras ficaram turvas e, diante de seus olhos, a imagem de Kwon Sejin encolhido no corredor sobrepôs-se à última imagem de sua irmã, Cheon Hyein, que ele vira no vídeo.
Hyein esperara por ele no corredor escuro e depois se atirara do prédio. Foi suicídio.
Ao lembrar do fim dela, a cabeça de Cheon Seju virou-se para uma direção. Era o lado onde ficava o quarto que ele cedera a Kwon Sejin. Por um instante, ele ficou parado como se estivesse pregado no chão, mas logo começou a caminhar quase correndo. Correndo até o quarto onde Sejin estava, ele girou a maçaneta sem hesitar.
Porta aberta escancarada, sem bater; a primeira coisa que viu foi a cama. Os cobertores arrumados impecavelmente e o travesseiro sobre eles fizeram seu coração despencar. Felizmente, a janela que se via atrás estava bem fechada, mas não havia rastro de ninguém em lugar nenhum do quarto. Seju mordeu os lábios e virou a cabeça.
A luz do closet que levava ao banheiro estava apagada. Caminhando a passos largos, Cheon Seju confirmou que o armário estava vazio. Não restava nenhum rastro de Sejin em lugar nenhum da casa. Como se fosse alguém que organizara tudo e partira.
Mas a porta principal desta casa nunca fora aberta. Cheon Seju praguejou silenciosamente diante da cena terrível que imaginou. Em seguida, girou a maçaneta da última porta que ainda não verificara. Sshhh, de repente, o som da água do chuveiro penetrou em seus ouvidos entupidos.
Será que está tomando banho? Quando o pensamento surgiu, já era tarde demais.
O vapor saía pela fresta da porta do banheiro escancarada. Cheon Seju finalmente encontrou quem procurava. Kwon Sejin estava limpando o chão com o chuveirinho dentro do box aberto. Seus olhos, que demonstravam cautela, ficaram paralisados de surpresa.
Kwon Sejin estava vivo e bem. Mas que merda.
— Desculpe…
Antes mesmo de sentir alívio, Cheon Seju fechou os olhos e pediu desculpas rapidamente, pensando que fizera algo terrível com uma menina. No entanto, a nudez de Sejin, que fora registrada em sua mente em apenas um segundo, o mergulhou em um mar de confusão.
O que eu acabei de ver?
— …Você enlouqueceu?
Diante da voz rouca que o incomodava, Cheon Seju abriu os olhos abruptamente. Não fora um engano. Uma menina de dezoito anos tinha algo que não deveria ter ali.
— Saia!
Enquanto ele encarava fixamente o membro viril de Kwon Sejin, uma voz trêmula ecoou pelo banheiro. Tardiamente, Cheon Seju recuperou a razão e ergueu a cabeça. Mesmo tendo confirmado que ele tinha um pau, o rosto bonito era tão inacreditável que parecia não ser de um garoto, e estava cheio de humilhação. Com as bochechas e os olhos vermelhos, Sejin o encarava com fúria.
— Desculpe.
Ao ver aquele rosto, por algum motivo sentiu que ele é quem estava errado, então Cheon Seju pediu desculpas e fechou a porta. Ouviu-se o som da maçaneta encaixando e a visão foi bloqueada, mas ele não conseguiu se mexer e ficou parado ali por um bom tempo.
— É um garoto…?
Devido ao choque, a pergunta que surgia em sua cabeça acabou saindo em voz alta. Cheon Seju soltou o comentário idiota com a boca aberta. O órgão genital de Kwon Sejin, com evidências claras de puberdade e pelos escuros, flutuava diante de seus olhos.
— Merda…?
Sentindo as energias se esvaírem, Cheon Seju caminhou debilmente e sentou-se na penteadeira do closet. Um suor frio escorreu por sua espinha. O coração, que antes batia de susto pensando que algo acontecera com Kwon Sejin, agora batia de uma forma diferente.
Cheon Seju inspirou e expirou lentamente, acalmando o coração. Assim que a frieza retornou às suas pupilas negras, seu olhar vagou pelo ar por um momento e parou em um ponto.
Quem é esse garoto…?
Uma vez entendida a situação, o absurdo da coisa o atingiu. Kwon Sejin era um garoto? Quando perguntei se era uma menina, ele certamente…
— Se… você olhar, não dá para ver?
Cheon Seju estreitou os olhos, resgatando a memória de alguns dias atrás. Realmente, ele nunca dissera com as próprias palavras que era uma menina. Apenas perguntara de volta se ele fazia aquela pergunta mesmo vendo com os próprios olhos.
Mas, merda…
Quem olharia para aquele rosto e pensaria que ele é um garoto? Além disso, Sejin não disse nada mesmo vendo o pijama de peça única e as roupas íntimas que Cheon Seju comprara. Significava que ele permitiu que o mal-entendido continuasse, mesmo sabendo que ele estava enganado.
Cheon Seju soltou uma risada incrédula diante do absurdo. De todas as pessoas, logo ele não reconhecer um homem. Fora completamente enganado.
Para se justificar, Cheon Seju nunca vira um homem com um rosto tão bonito em lugar nenhum. Como tudo nele era esguio e delicado, não se via nenhum traço masculino, então ele naturalmente assumiu que era uma menina. Pensar que era apenas um garoto que ainda não terminara de crescer.
— Ah…
Será que o fato de ele parecer fofo mesmo sendo mal-educado era porque Kwon Sejin era um garoto? Intuição instintiva de gay…? Provavelmente não. Eu não deveria ser tão fissurado em rostos bonitos assim… Enquanto Cheon Seju sentia autoaversão por não ter reconhecido Sejin de imediato, algo aconteceu.
De repente, ouviu-se o som da porta do banheiro abrindo e ele virou a cabeça rapidamente. Kwon Sejin colocava o rosto para fora pela fresta da porta aberta. Ao trocar olhares, ele mordeu os lábios e saiu.
Como se não pretendesse mais esconder agora que fora descoberto, Sejin usava a calça do uniforme e a camisa com alguns botões abertos. Era a primeira vez que o via sem o moletom. Assim, ele finalmente parecia um garoto.
Apesar de magro, os ombros de Sejin eram retos e, como ele pensara, sua estrutura não era tão pequena. O cabelo, que fizera Cheon Seju acreditar piamente que ele era uma menina, agora que ele sabia o sexo, parecia apenas um estilo comum de garoto com o corte desalinhado. Embora o rosto continuasse sendo lindo, saber que Sejin era um garoto explicava aquela voz e a atmosfera andrógina que ele sentira ocasionalmente.
— Ah.
Cheon Seju encarou Kwon Sejin fixamente e logo soltou um suspiro de incredulidade. Diante do suspiro profundo, Sejin deu um sobressalto e olhou apenas para as pontas dos próprios pés. Ao mesmo tempo, ele levantava a cabeça secretamente para observar Cheon Seju. Aquela cena parecia a de um cachorrinho observando o dono, temendo levar uma bronca.
— Eu vou te bater? Por que está me olhando assim?
Sem aguentar mais, Cheon Seju falou primeiro. Diante daquela voz indiferente, Kwon Sejin abaixou a cabeça profundamente e aproximou-se dele. Vendo-o tão solene como se realmente estivesse preparado para apanhar, Cheon Seju ficou sem palavras enquanto o olhava de cima.
O cabelo preto estava uma bagunça por não ter sido seco direito, e a camisa e o pescoço visíveis estavam parcialmente molhados. Como ele se lavara com água quente, suas orelhas e bochechas tinham um tom rosado como pêssegos; parecia que, se tocasse com a mão, o suco da fruta sairia dali. Seju praguejou internamente ao ver a clavícula de Sejin aparecendo por entre a gola da camisa velha e retirou-se.
— Seque o cabelo e saia.
Sem esperar resposta, Cheon Seju saiu do quarto de Sejin. Foi à cozinha, virou duas garrafas de água mineral de uma vez e, após amassar e jogar fora as garrafas, sentou-se no sofá para esperar. Sejin saiu poucos minutos depois. Obedientemente, seus cabelos negros já estavam completamente secos.
Colocando uma garrafa de água que trouxera na frente de Sejin, Cheon Seju pegou o cigarro que estava sobre a mesa da sala. Ele tivera todo tipo de consideração por achar que era uma menina, mas agora não havia mais necessidade disso.
Clique, o isqueiro abriu e fechou, e a ponta do cigarro queimou em um tom alaranjado. Após inalar a fumaça profundamente, Cheon Seju massageou a testa com a ponta dos dedos, sentindo uma dor de cabeça começar. Logo, soltou a fumaça como um suspiro e abriu a boca:
— Por que me enganou?
Mesmo perguntando, sentia que aquele pirralho temperamental não daria uma resposta decente. E sua previsão estava correta.
— …Eu nunca disse com a minha boca que era uma menina. Você que se enganou.
Mesmo naquela situação, ele continuava usando linguagem informal. Cheon Seju soltou uma risada sarcástica. Ele sentira isso desde a última vez, mas esse garoto era um pouco, ou melhor, muito desavergonhado e mal-educado. Se ele estivesse naquela situação, aguentaria até um humano desagradável se ele lhe desse comida, teto e prometesse encontrar sua mãe, mas Kwon Sejin agia como se a opção de aguentar sequer existisse.
Mas aquilo não o incomodava. Dava para considerar fofo. Convicção, fé, valores. Todo mundo tinha uma coisa da qual nunca abria mão, e para Sejin podia ser aquele orgulho. Cheon Seju assentiu, reconhecendo parte do que ele dissera.
— Sim, você nunca disse com a própria boca que era uma menina. Mas você ficou calado mesmo sabendo que eu pensava que você era. Por que fez isso?
— …
Diante da pergunta específica, Sejin manteve silêncio por um bom tempo e Cheon Seju esperou pacientemente por ele. O motivo que Sejin finalmente confessou foi este:
— Achei que se soubesse… que eu não era menina, seria expulso.
Sejin respondeu com aquela voz rouca de quem estava na mudança de voz. “E então?” Cheon Seju não disse nada, apagou o cigarro no cinzeiro e apoiou o queixo na palma da mão. Enquanto ele apenas o encarava fixamente, Sejin acrescentou uma explicação:
— Achei que você fosse um pervertido que gosta de meninas novas… Achei que você só me ajudaria a encontrar minha mãe se continuasse pensando que eu era uma menina, por isso não falei nada de propósito…
Fez de propósito. Cheon Seju massageou a bochecha com a ponta do dedo e girou a língua dentro da boca. O mais estranho era que, mesmo sendo claramente enganado, ele não sentia raiva. Apenas achava tudo um absurdo.
Na verdade, se soubesse desde o início que Kwon Sejin era um garoto, Cheon Seju não o teria trazido para casa. Como ele sabia que Han Jonghyun era hétero até a medula, ele nunca tocaria em um garoto, por mais bonito que fosse.
Se tivesse sido assim, Sejin ainda estaria naquele lugar? …Considerando aquela personalidade desavergonhada e teimosa, que o chamava de pervertido na sua cara, provavelmente sim.
E se ele continuasse guardando aquele lugar, o resultado seria óbvio. Kwon Sejin desmaiaria de fome e seria levado para o hospital. Depois disso, seria entregue à polícia e, como Sejin mencionaria a Shinsa Capital, as coisas ficariam complicadas.
Portanto, independentemente do processo, ele ter vindo com ele fora a coisa certa. Kwon Sejin fizera a melhor escolha em meio à pior situação.
— Agora que você sabe, vai me expulsar…?
Enquanto ele estava perdido em pensamentos, Sejin perguntou com voz ansiosa.
Era uma pergunta válida. Se fosse homem, ele não o teria recolhido em primeiro lugar, então deveria expulsá-lo agora? Cheon Seju pensou cuidadosamente e chegou a uma conclusão.
Ele não tinha intenção de expulsar Kwon Sejin imediatamente. Já que o recolhera, o que poderia fazer? Agora que até pedira o favor a Chae Beomjun, não podia simplesmente dizer para ele cair fora porque era um garoto. No entanto, Cheon Seju mudou seus planos. Ele pensou que, após Sejin encontrar a mãe, em vez de entregá-lo ao orfanato, ele apenas o mandaria embora de casa.
Ele podia ser compreensivo com mulheres, mas era rígido com homens. Diferente de meninas que não conseguem se proteger quando algo ruim acontece. Mesmo que fosse um pensamento discriminatório, não havia o que fazer. Para um homem, dezoito anos já era uma idade em que se podia dizer ser um adulto, então ele era perfeitamente capaz de se virar sem sua ajuda.
Cheon Seju já fizera seus próprios planos de vida quando tinha dezoito anos. Embora tudo tenha dado errado, naquela época ele tinha capacidade de se responsabilizar. Portanto, ele não tinha escolha a não ser aplicar o mesmo critério a Sejin, sendo ele também um homem. No entanto, antes que Cheon Seju pudesse acrescentar algo sobre isso, Sejin implorou a ele:
— Eu errei… Se me bater, eu aceito. Como você deve estar bravo, pode me expulsar… Mas, por favor, me deixe ver minha mãe apenas uma vez. Se fizer isso, eu esperarei na frente da sua casa até amanhã…
A voz emburrada, que sempre demonstrava insatisfação, tornava-se surpreendentemente frágil ao mencionar a mãe. Significava que Kwon Sejin estava desesperado. No entanto, o que chamou a atenção de Cheon Seju foi outra coisa. Ele olhou para Sejin com um olhar frio.
— Se eu te bater, você aceita?
Ele se perguntou se aquilo era algo que um jovem de dezoito anos diria. No entanto, diante da pergunta que soava fria, Kwon Sejin mostrou uma reação ainda mais absurda.
Mudando de lugar, Sejin aproximou-se de Cheon Seju, ajoelhou-se e, com as duas mãos unidas sobre os joelhos, ergueu a cabeça. Ele fechou a boca e abaixou o olhar naquela posição; Cheon Seju estava além de perplexo, estava quase irritado.
— …
Em vez de dar uma lição em Kwon Sejin por tê-lo enganado audaciosamente, ele não conseguia dizer nada vendo-o agir daquela forma. Sentindo o peito cheio de palavras que não conseguia proferir, Cheon Seju levantou-se para aliviar o sufoco. O olhar de Sejin seguiu as costas dele enquanto ele saía da sala em direção à cozinha.
Kwon Sejin olhava para Cheon Seju com uma expressão difícil de decifrar. Era um rosto que dizia não entender por que Cheon Seju, mesmo tendo descoberto que fora enganado, não o batia, não o xingava e sequer demonstrava raiva.
Cheon Seju voltou da cozinha com uma lata de cerveja. Após abrir a lata de 500ml e beber metade sem respirar, ele se sentou de pernas cruzadas no sofá e apoiou o queixo na mão novamente. A bochecha pressionada pela palma da mão grande fazia um de seus olhos se franzir. Enquanto ele apenas observava Sejin naquela posição, Kwon Sejin finalmente falou primeiro:
— Você não está bravo?
— …
Cheon Seju não respondeu. Apenas ficou em silêncio com uma expressão de quem não sabia o que fazer com Sejin.
— …Nem vai me xingar?
— …
Ele já o xingara o suficiente mentalmente. Não precisava verbalizar.
— Realmente não vai me bater? Eu te enganei. Se for bater, bata logo…
Ao ouvir aquilo, ele ficou realmente pasmo. Se ele estava preocupado em apanhar por ter enganado, não seria correto consertar aquele jeito de falar primeiro?
— Conserte primeiro essa sua falta de educação ao falar com quem está te ajudando.
— …
Com isso, Sejin franziu o cenho. Embora tenha relaxado o rosto logo em seguida, o tempo foi suficiente para ler o pensamento de “por que ele está dizendo essa merda?”. Cheon Seju sentiu novamente a desfaçatez de Kwon Sejin e estalou a língua. Então, perguntou:
— Você apanhou enquanto crescia?
— O quê…
Sejin evitou o olhar e assentiu levemente. Como ele parecia não querer conversar sobre aquele assunto, Cheon Seju alongou os lábios com insatisfação. Então, vendo Sejin que ainda perguntava com o rosto “por que você não está bravo?”, ele disse:
— Não saia por aí mostrando que apanhava. Não há nada que faça alguém parecer mais ridículo do que isso.
— …
Sejin franziu o cenho novamente e ficou em silêncio por um momento. Então, como se fosse muito irritante ouvir aquilo logo de Cheon Seju, ele respondeu:
— Eu disse que aceitaria apanhar apenas de você porque você disse que me faria ver minha mãe, eu não sou assim com as outras pessoas.
— Sei. É um grande orgulho, de fato.
— …
O rosto bonito se franziu novamente.
Sejin olhava para Cheon Seju com uma expressão emburrada, como se estivesse cheio de reclamações até o pescoço. Era um rosto que parecia querer dizer algo, mas não ousava. Após mexer as mãos inquieto por um bom tempo, Sejin soltou um suspiro baixo e fez a última pergunta:
— Realmente não vai me expulsar?
— Você está perguntando tanto porque quer ser expulso, não é?
— Não!
— Então cale a boca. Estou pensando.
Diante da resposta irritada de Cheon Seju, Sejin gritou. Mesmo assim, o olhar que ele dirigia a Cheon Seju continuava o mesmo. Era óbvio que ele o considerava um tipo de pessoa impossível de entender. Cheon Seju massageou a testa onde uma dor de cabeça começava a surgir enquanto sustentava aquele olhar.
Se houvesse um motivo para expulsar Kwon Sejin imediatamente, seria porque ele era um gay cujo tipo ideal era justamente homens pequenos e bonitos como ele. No entanto, Cheon Seju não tinha intenção de tocar em um menor de idade e, para ser mais específico, não tinha interesse em crianças com mais de cinco anos de diferença.
Embora o choque de ver um rosto tão lindo — que o fizera esquecer instantaneamente o rosto de Doyun, com quem mantinha uma relação há anos — fosse grande, Kwon Sejin era um menor de idade. Como ele era um garoto que nunca usara linguagem formal mesmo em uma clara relação de poder, ele também estava bem longe das preferências de personalidade de Cheon Seju.
Enfim, se tivesse que dar um motivo, seria apenas esse; caso contrário, não havia razão para expulsar Sejin de casa imediatamente. O fato de uma criança ter mentido para ver a mãe era algo que ele podia relevar como uma mentira fofinha, e não faltavam quartos. Na verdade, ao ver que ele fingira ser uma menina para encontrar a mãe, ele sentia até um certo orgulho em um canto do coração. Deve ter sido vergonhoso. Enquanto ele pensava nisso, Sejin o observou e perguntou:
— …Você me trouxe para casa realmente apenas para me ajudar?
Nos olhos de Sejin, que fazia aquela pergunta, viu-se um vislumbre de expectativa. Cheon Seju percebeu aquele sentimento facilmente e endureceu a expressão.
Ele vira o fim de Hyein no Sejin que estava encolhido no corredor e, desejando que Sejin tivesse um desfecho diferente do de Hyein, estendera-lhe a mão. E no caminho para casa, ele sentira piedade ao ver Sejin dobrando o orgulho com o único desejo de encontrar a mãe.
Foram esses sentimentos que moveram Cheon Seju. Era o desejo de consertar o passado e a compaixão, nunca uma ação vinda de uma bondade ou favor que Sejin esperava.
Cheon Seju olhou para Sejin enquanto bebia o resto da cerveja na lata de uma vez. Os olhos castanhos da criança brilhavam como esferas de vidro. Naquele momento, Cheon Seju sentiu seu sangue esfriar instantaneamente.
Ele sabia qual era o sentimento que Sejin nutria por ele agora. Era expectativa. Baseado no fato de que Cheon Seju tentara ajudá-lo sem esperar nada em troca, ele criara a expectativa de que ele talvez não fosse uma pessoa tão ruim quanto imaginava. Talvez até o equívoco de que ele pudesse ser uma pessoa boa.
Mas agora Cheon Seju não queria receber a expectativa de ninguém. Ele decepcionara todos os que nutriram expectativas sobre ele. Ele não queria mais passar por isso. Embora os sentimentos pertençam apenas a quem os sente, ele detestava até o fato de alguém ter expectativas sobre ele.
O rosto que estava perdido em pensamentos tornou-se inexpressivo num instante. A frieza retornou aos olhos de Cheon Seju.
— Não.
Crac, a lata vazia foi esmagada em sua mão. Cheon Seju arremessou a lata amassada barulhentamente sobre a mesa, emitindo um som assustador. Em seguida, afundou o corpo no sofá. Naquela posição, ele elevou o canto dos lábios e respondeu:
— Como você é bonito, eu ia te vender, mas o plano deu errado.
Era mentira. No entanto, com aquelas palavras, a expressão de Sejin desmoronou em um segundo. Recuando o corpo, ele cerrou os punhos e encarou Cheon Seju com fúria. Ele viu a expectativa nos olhos dele ser quebrada e dar lugar à hostilidade. Observando aquilo, Cheon Seju continuou calmamente:
— Caso contrário, você acha que eu estaria louco para pagar comida para um pirralho que nem tem os pelos da cabeça secos e ainda me chama por nomes informais…? Eu não sou um filantropo.
— …
Com o mesmo rosto de quando se encontraram pela primeira vez, Sejin mordeu os lábios. Vendo os lábios rosados ficarem vermelhos de raiva, Cheon Seju pegou outro cigarro.
— Enfim, como foi o prometido, eu vou te deixar ver sua mãe. Fique quieto até lá. Iremos amanhã.
Como na última vez, seu tom de voz fingido era extremamente frio. Cheon Seju apoiou o queixo no braço do sofá e desviou o olhar. Como se não tivesse mais interesse nele, observou a Seoul Forest e o Rio Han através da janela de vidro transparente. Enquanto estava assim, ouviu Sejin se levantando ao seu lado. Ele disse sem sequer virar a cabeça:
— Quando eu chamar mais tarde, saia. Vou pedir o almoço.
— …
Sejin saiu sem dizer nada. Cheon Seju observou as costas dele se afastando e aumentou o tom de voz:
— Não vai responder?
— …Está bem.
Sejin respondeu sem sequer olhar para Cheon Seju. Em seguida, caminhou silenciosamente e desapareceu.
Sozinho na sala, Cheon Seju levou as mãos à cabeça diante da dor que sentia. Ele sentiu que fizera algo desnecessário agora. Pela primeira vez em muito tempo, o arrependimento dominou sua mente.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Projection – Novel Yaoi Mangá Online
Cheon Sejoo, que não teve escolha a não ser se juntar à organização para vingar sua irmã falecida, em meio a uma vida sem esperança, conhece um jovem que o lembra de sua irmã, o que o leva a praticar um pequeno ato de gentileza.
Se ele soubesse que essa intenção leviana se tornaria tão pesada, ele não o teria trazido para sua vida.
* * *
“Eu te disse. Sempre foi você primeiro…”
Seus olhos, normalmente penetrantes, pareciam gentis hoje. O olhar de Cheon Sejoo era suave, doce e persistente.
“Então assuma a responsabilidade.”
Era sempre Cheon Sejoo quem dava o primeiro passo. Era ele quem estendia a mão para ele primeiro, quem o olhava primeiro. Sejin simplesmente pegava sua mão porque ele a oferecia, e olhava para ele porque ele lhe dava o olhar. E, ao fazer isso, ele se apaixonou por aquele homem gentil.
Sejin não queria mais ver Cheon Sejoo se afastando dele.
Se você não pode vir até mim, então eu irei até você.
“Você é tudo o que me resta agora…”
Nome alternativo: Projection