Ler Projection (Novel) – Capítulo Parte 02 Online


Modo Claro

Projection Vol. 1.2

Havia um motivo pelo qual Kwon Sejin insistira tanto no prédio da Shinsa Capital. Ela não tinha para onde ir.

Após a mãe ser levada, a casa para onde voltou já estava vazia, e o proprietário gritou com ela dizendo que os marginais haviam levado o depósito e para ela nem entrar. Tudo o que ela possuía era o cartão de transporte no bolso e, mesmo assim, o saldo era de apenas 4 mil won. Para piorar a situação, Kwon Sejin não tinha parentes nem amigos a quem pudesse pedir ajuda para passar uma noite.

Naquela situação, havia apenas uma coisa que Kwon Sejin poderia fazer. Encontrar a mãe.

Onde dormiria, se deveria ir à escola, se deveria ganhar dinheiro ou o que deveria fazer agora. Para Kwon Sejin, que estava perdida, havia apenas uma pessoa que poderia lhe dar as respostas. Kwon Sejin não conhecia nenhum adulto “decente” que pudesse lhe dar respostas, exceto sua mãe.

Foi por isso. Foi por isso que Kwon Sejin esperou por quatro dias naquele corredor.

No primeiro dia, Kwon Sejin foi até os homens que levaram sua mãe e pediu para vê-la. O que recebeu de volta foi um deboche por tal audácia. Mas Kwon Sejin não recuou. Ela sentou-se no corredor que levava ao escritório deles como se fizesse um protesto e gritava para ver a mãe toda vez que eles passavam. Não houve resultado. Sentiu fome. Assim se passou um dia.

No segundo dia, um dos agiotas deu um pão que ele comera pela metade e, achando que ele a via como uma mendiga, ela o ignorou. Então os homens, como se quem tivesse sido ignorado fosse o próprio líder deles, passavam deliberadamente ameaçando bater nela toda vez que cruzavam seu caminho.

Queria gritar para irem embora, mas com medo de ser espancada pelos homens, Kwon Sejin calou a boca. Não era por medo de apanhar, mas pelo medo das despesas médicas que resultariam disso. Por isso, ela não teve escolha a não ser suportar em silêncio, encolhida.

Conforme o tempo passava, a fome transformava-se em agonia. Bebendo água da torneira do banheiro, Kwon Sejin arrependeu-se de ter recusado o pão, e esse arrependimento a tornou miserável.

No terceiro dia, a fome era muito mais suportável do que no segundo dia. No entanto, não tinha forças para gritar pedindo para ver a mãe. Kwon Sejin ficou agachada no corredor fuzilando com o olhar os homens que passavam. Eles agora nem sequer olhavam para Kwon Sejin. “Será que vou morrer antes de ver minha mãe?”, pensou Kwon Sejin em meio àquele desprezo gélido.

E no quarto dia. Finalmente, apareceu um homem que atendeu à exigência obstinada de Kwon Sejin.

A presença do homem foi sentida antes mesmo de ele aparecer. Foi porque ouviu-se do corredor o som de saudações vigorosas vindas de fora do prédio. “Alguém importante está vindo”, pensou Kwon Sejin, imaginando um homem de meia-idade com barriga e aparência intimidadora. Ela jurou que, quando esse homem entrasse no corredor, gritaria para ver a mãe. Não podia perder essa oportunidade.

No entanto, ouviu-se o som de passos e o que surgiu diante dos olhos de Kwon Sejin foi um homem alto e bonito, como se tivesse saído de um filme noir. Diante do homem que passou por ela lançando um olhar gélido, Kwon Sejin não conseguiu abrir a boca. Apenas ficou olhando para as costas dele se afastando com um olhar vago.

Só após ele entrar no elevador é que Kwon Sejin recuperou os sentidos. E pensou: “Certamente não é esse homem”. Afinal, se tivesse a cabeça no lugar, não faria sentido alguém com um rosto tão bonito ser um agiota. Se ela tivesse aquela aparência, tornaria-se uma celebridade imediatamente e ganharia rios de dinheiro.

Mas, infelizmente, o elevador parou no terceiro andar, onde ficava a Shinsa Capital, e o agiota careca que apareceu muito tempo depois fez quase um apelo para Kwon Sejin ir embora e não irritar o chefe que havia chegado. Estava claro que o homem que aparecera antes era o chefe do careca.

Kwon Sejin xingou-se internamente por ter julgado alguém apenas pela aparência. Naquele breve instante, a ideia de que aquele homem não poderia ser alguém ruim apenas pelo rosto pareceu-lhe verdadeiramente estúpida.

Enquanto xingava internamente desse jeito, o homem apareceu diante de Kwon Sejin novamente.

“Levante-se”, disse o homem para Kwon Sejin, com um rosto de ator bonitão como os de filmes antigos de Hong Kong. E ao descobrir o nome do homem através da identidade que ele entregara, Kwon Sejin julgou que aquela identidade era falsa. Tanto o fato de entregá-la sem hesitar quanto o nome que combinava perfeitamente demais causavam uma estranheza, como se fosse um pseudônimo.

Alguém com aparência de marginal e identidade falsa. Como poderia acreditar nas palavras de um homem assim? Mas para Kwon Sejin não havia outra alternativa. Ela esperara por quatro dias ali, e aquele homem fora o primeiro a mencionar o assunto da mãe. Por isso, Kwon Sejin não teve escolha a não ser segui-lo, mesmo sabendo que o homem tinha alguma intenção oculta.

Quando o homem tentou cometer assédio sexual sob o pretexto de colocar o cinto após entrarem no carro, ela se arrependeu por um momento. Mas, de qualquer forma, o homem era diferente dos outros sujeitos. Ele parecia ter poder para ajudá-la. Prova disso era o fato de os brutamontes na entrada do prédio terem se curvado para cumprimentá-lo. Por isso, Kwon Sejin conseguiu suportar e não fugir do carro, apesar da ameaça insuportável do homem mencionando sua mãe. Ela tinha que encontrar a mãe. Aquele homem era sua única corda de salvação.

A casa do homem, que fingia ser bonzinho com intenções óbvias, era enorme. Ela sentiu-se mal ao pensar que ele vivia muito bem com o dinheiro que ganhara passando os outros para trás.

Portanto, Sejin decidiu agir de forma um pouco desavergonhada. Como todo o dinheiro daquele homem devia ter vindo dos bolsos de pessoas como ele, achou que não haveria problema em extorquir um pouco.

Depois de comer o seolleongtang que o homem lhe pagou, Sejin sentiu o desconforto em seu corpo e entrou no banheiro. Ao confirmar que havia toalhas suficientes para durar alguns dias, ele se despiu. Quando tirou o moletom, a camisa do uniforme escolar escondida por baixo foi revelada. A camisa com o crachá azul bordado com o nome Kwon Sejin era o uniforme da Escola Masculina Dongseoul.

— Você é uma menina, certo?

Havia apenas um motivo para Kwon Sejin ter dado uma resposta vaga à pergunta do homem. Pelo visto, o homem parecia ser um desgraçado pervertido que gostava de garotas jovens. Como se o tivesse confundido com uma menina, o olhar que o percorria de cima a baixo era sombrio. Sejin pretendia se aproveitar desse equívoco. Ele detestava ser confundido com uma garota, mas se pudesse usar esse mal-entendido como um degrau para encontrar sua mãe, suportaria o quanto fosse necessário.

Mas e se ele descobrisse que eu sou homem mais tarde? Será que eu apanharia? Sejin pensou no homem enquanto lavava o cabelo que havia deixado crescer dando desculpas à mãe, apenas para economizar o dinheiro da barbearia.

As mãos dele no volante eram grandes. Parecia haver muitas cicatrizes pequenas nelas. Se apanhasse de um homem assim, doeria. Doeria muito mais do que apanhar daquele maldito humano que ele se recusava a chamar de pai. Sejin lavou o corpo pensando que deveria esconder ao máximo o fato de ser homem.

Enquanto se lavava, também lavou à mão a cueca e a camisa. Sejin as pendurou cuidadosamente dentro do box do chuveiro, onde o homem não pudesse ver. Apesar do desconforto, vestiu a calça do uniforme novamente e colocou o moletom por cima. O moletom estava mais sujo, mas não dava para lavá-lo. Como ele não tinha seios, se estivesse apenas com a camisa fina, ficaria óbvio num instante que era um garoto.

Ao sair do banho, o cansaço o atingiu de forma relaxante. Como não sabia onde sua mãe estava ou o que estava fazendo, não queria dormir tranquilamente sozinho, mas não conseguia resistir ao sono que o invadia. Sejin acabou pegando no sono enquanto estava sentado no chão, encostado na cama.

— Posso entrar?

Ele acordou muito tempo depois. Sejin abriu os olhos ao ouvir uma voz vinda de algum lugar. O quarto, antes iluminado, estava mergulhado na escuridão. Ao perceber que tinha dormido profundamente até o anoitecer, ele se levantou abruptamente e puxou o capuz do moletom às pressas. Puxou os cordões das extremidades, fazendo um laço no pescoço, e abaixou a cabeça para que o pomo de adão não ficasse visível.

— Estou entrando.

O homem, que parecia um delinquente, abriu a porta e entrou sem esperar resposta. Sejin não sabia que ele havia batido na porta por dez minutos. Apenas ficou extremamente tenso com o fato de que, tarde da noite, ele estava tentando entrar no quarto onde estava alguém que ele acreditava ser uma menina jovem.

Como não havia nada que pudesse usar como arma, Sejin apertou o travesseiro com força e se sentou na beirada da cama. Naquela posição, ele encarou o homem que entrava sem piscar os olhos. Ele usava, como antes, uma camiseta de algodão branca folgada e calças cinzas também folgadas. As pernas esguias e o peito firme revelavam seus contornos sob o tecido fino. Parecia ser um traje intencional. Suas intenções eram sujas.

Enquanto Sejin franzia o cenho, o homem observou o quarto como se o estivesse analisando e, em seguida, estendeu o que tinha nas mãos. Curioso, Sejin olhou e viu que era uma sacola de papel. Dentro havia algo embalado em plástico.

— Roupas e roupas íntimas… bem, essas coisas. Achei que você não teria roupas para trocar.

— …

Kwon Sejin ergueu os olhos e encarou o homem fixamente. O rosto dele, sombreado pela luz fraca, tinha traços tão admiráveis que chegavam a causar inveja. Com um rosto tão bonito que faria qualquer um exclamar de admiração, ele entregava as roupas com uma expressão indiferente e fria; não havia ninguém que não as aceitaria com gratidão. Sejin pegou a sacola como se estivesse hipnotizado e só então caiu em si.

Sua mãe costumava dizer que homens bonitos faziam valer a aparência. E o maior exemplo desse comportamento não era seu terrível pai? Sejin lembrou a si mesmo que o homem à sua frente, que parecia um ator, era um agiota que havia levado para casa uma menina perdida, e abriu a boca.

— Obrigado.

Talvez, apenas talvez, o homem estivesse tentando ajudá-lo por pura boa vontade. Mas Sejin pensava que o mundo não seria tão fácil assim. O homem certamente tinha segundas intenções.

O fato de ele permitir que alguém muito mais jovem continuasse usando linguagem informal já era estranho. Se não esperasse algo em troca, Sejin já teria levado várias surras dele. Enquanto Sejin alimentava sua desconfiança, o homem perguntou:

— O que você quer comer no jantar? Tem algo que você goste? Devo pedir frango frito?

— …Tanto faz, qualquer coisa…

Sejin respondeu abaixando a cabeça para evitar o olhar do homem. Isso porque sentiu vontade de rir ao ver o homem tentando ganhar o favor de uma criança oferecendo frango frito. Quem cairia nisso hoje em dia?

— Então vou pedir qualquer coisa. Quando eu chamar mais tarde, saia.

Ao assentir, o homem se virou sem hesitar. Através da camiseta fina ajustada, a forma de uma tatuagem transpareceu levemente nas costas do homem. Quando ele girou a maçaneta, uma cauda longa com listras pretas se moveu sobre a escápula saliente. Como era de se esperar de um gângster, ele fazia questão de mostrar.

Sejin soltou um riso sarcástico e abriu a sacola de papel. Independentemente das intenções do homem, ele estava grato. Afinal, as roupas que estava usando há dias já estavam bastante desconfortáveis.

— …

No entanto, essa gratidão evaporou rapidamente. Sejin franziu o cenho ao tirar as roupas embaladas de dentro da sacola.

O que o homem comprou foi um pijama de peça única, de mangas compridas, com um personagem estranho estampado. Além disso, o tamanho não parecia servir de jeito nenhum. Sejin viu a indicação “170” na embalagem e jogou a roupa no chão.

— Ele é burro?

170 era um tamanho que servia em crianças. Comprar uma roupa que até um aluno do primário usaria… Com essa idade e essa altura, ele achou que esse tamanho faria sentido? Será que ele pensou que aquele 170 indicava a altura?

Sejin vasculhou a sacola com impaciência. Queria ver se havia alguma camiseta ou algo do tipo. Logo encontrou as roupas íntimas embaladas, mas nem aquilo era algo que ele pudesse usar. As calcinhas com decorações delicadas de renda e laços brancos eram rosa, amarela e lilás, respectivamente. Em seguida, ao encontrar um sutiã bege com corações desenhados, Sejin não aguentou mais e arremessou o que tinha nas mãos no chão.

Era tudo lixo. Sejin praguejou internamente e empurrou o pijama e as roupas íntimas caídas para um lado. Era melhor continuar usando o que estava vestindo há dias.

Com o humor azedo, Sejin se sentou encolhido no chão, encostado na cama, e pensou.

Será que esse pervertido pode mesmo me fazer encontrar minha mãe? Parece que ele não tem nada além dessas coisas na cabeça, será que ele realmente tem capacidade de atender ao meu pedido…

A desconfiança crescia, mas não havia outra alternativa. Já que ele foi o único que sequer mencionou o assunto, restava apenas esperar com esperança… Sejin soltou um suspiro e apoiou o queixo na mão. Talvez por falta de energia nos últimos dois dias, ele não conseguia pensar em nada, mas depois de colocar algo no estômago e dormir um pouco, uma sensação de angústia começou a brotar.

Ele estava curioso para saber o que era o Lee Hwa Gak e o que sua mãe estaria fazendo. Queria saber se ela estava passando fome como ele, se o trabalho era difícil e o que ele deveria fazer de agora em diante. No entanto, por mais que pensasse sozinho, não havia resposta.

Se ao menos pudesse ouvir a voz dela, mas seu celular não fazia nem recebia chamadas, e o celular de sua mãe, para o qual ele ligou várias vezes de telefones públicos, estava desligado. Era uma situação sombria. Após pensamentos agonizantes, Sejin enterrou o rosto nas mãos devido ao ressentimento que naturalmente surgia. Seus lábios pequenos, escondidos nas palmas das mãos, soltaram xingamentos ferozes.

Ficou assim por um longo tempo até que, a certa altura, ouviu a voz do homem acompanhada de batidas na porta.

— Saia para jantar.

Apesar de se sentir sem vergonha, a menção à comida trouxe uma fome avassaladora. Sejin suspirou e se levantou. Seguindo o homem até a sala, viu duas caixas de frango frito sobre a mesa onde havia comido o seolleongtang antes. O aroma doce e picante que atingiu seu nariz o fez salivar involuntariamente. Sejin engoliu em seco e aproximou-se do sofá como se estivesse hipnotizado. Enquanto ele se sentava, o homem foi à cozinha e trouxe um arroz instantâneo que havia aquecido no micro-ondas.

— Você come arroz, não come?

Ao assentir prontamente, o homem colocou um arroz na frente de Sejin. Devia estar quente, mas ele segurou pelas laterais e até removeu o plástico. Depois, pegou os hashis embalados e até serviu refrigerante no copo. Kwon Sejin encarou fixamente o perfil do homem que cuidava dele com um rosto indiferente, mas logo desviou o olhar.

Não precisava agradecer por aquilo. Os homens da Shinsa Capital levaram sua mãe embora apresentando um contrato que ela nunca havia assinado. Sendo alguém a quem eles serviam, o homem era o mesmo tipo de lixo que eles. Talvez fosse até pior.

Portanto, tudo aquilo era uma hipocrisia e um fingimento nojentos. Pensando assim, Sejin abriu a boca. Com a ideia de extorquir o homem ao máximo enquanto estivesse ali, ele movimentou os hashis. O frango estava gostoso.

Depois de jantar, Sejin voltou para o quarto para descansar. Por estar na casa de um estranho e suspeitar das intenções do homem, achou que não conseguiria dormir direito, mas, apesar da preocupação, o sono o dominou.

Sejin caiu em um sono profundo, sem perceber que o homem batia à sua porta. Quando acordou assustado, já era o início da noite do dia seguinte. Sejin ficou surpreso ao perceber que havia dormido quase vinte horas. Como podia estar tão indefeso? Ficou horrorizado com sua própria apatia.

Sentindo fome e sede tardias, Sejin saiu para a sala em busca de água. E encontrou o homem estirado no sofá como um cadáver, tirando um cochilo. Sejin parou a cerca de dez passos de distância e o observou.

A mão direita relaxada do homem segurava o controle remoto precariamente, e a esquerda estava sobre o abdômen. Devido à camiseta levemente desalinhada, a pele branca do homem estava visível. Uma de suas pernas longas estava dobrada sobre o sofá, o que fez com que a calça subisse, revelando o tornozelo.

Por ele ser alto, Sejin achou que tudo nele seria grande, mas a estrutura óssea era mais fina do que imaginava. O osso do tornozelo proeminente tinha um leve tom rosado, e o peito do pé, com veias azuladas, era reto como se tivesse sido desenhado com uma régua. Apesar da altura, do jeito de falar de delinquente e da atitude desleixada, o homem, que parecia apenas um gângster bonitão, tinha um lado inesperadamente refinado. Sejin o encarou fixamente sem perceber.

— O tio não está dormindo.

Com a voz que ouviu de repente, Sejin deu um sobressalto como uma criança pega fazendo algo errado. Não sabia quando ele havia aberto os olhos, mas o olhar alongado e sonolento estava voltado para ele. O homem encarou Sejin fixamente com um rosto indiferente e logo bocejou enquanto se sentava. Sua voz saiu baixa e rouca.

— Que tanto sono é esse?

— …Estava cansado.

Era natural, já que não dormia direito há quatro dias. Mas nem ele sabia que dormiria por tanto tempo. Diante da resposta de Sejin, o homem apenas assentiu levemente, levantou-se e disse: “Sente-se”. Com isso, Sejin logo se acomodou no sofá onde o homem estivera deitado até agora. Como ainda havia calor ali, seu quadril ficou aquecido. Sentindo um desconforto desnecessário, Sejin se mudou para a ponta do sofá quando ouviu uma voz vinda da cozinha.

— Você come sanduíche?

— …Sim.

Ao assentir, o homem voltou com um sanduíche embalado que havia guardado para Sejin. Enquanto comia o sanduíche e bebia o leite que ele lhe entregou, Sejin o observava de relance através da tela da TV desligada.

— Por que não vestiu as roupas que eu comprei?

Sejin, que havia terminado o sanduíche rapidamente e estava amassando a embalagem suja de molho enquanto bebia o resto do leite, foi pego de surpresa pela pergunta do homem. Ao lembrar do pijama rosa de peça única, ele se engasgou e tossiu por um longo tempo, antes de virar o rosto para o lado.

O homem o olhava com uma expressão de curiosidade genuína. Como ele poderia vestir aquela roupa? Queria retrucar, mas Sejin evitou o olhar dele e respondeu. Não seria bom irritar o homem.

— …O tamanho não serve. É para criança…

— Para criança?

Com isso, o homem estreitou os olhos e percorreu Sejin de cima a baixo. Antes que Sejin pudesse sentir desconforto com aquele olhar, ele fez outra pergunta.

— Quanto você pesa? Eu pedi para comprarem algo que servisse em alguém de 1,70m com uns 45kg.

— …

Incrédulo, Sejin encarou o homem fixamente. Não sabia o que ele estava dizendo, mas, infelizmente, ele não parecia estar brincando.

Que bom que foi um erro. No entanto, por algum motivo, Sejin sentiu seu orgulho ferido. Embora fosse baixo, ele ainda estava em fase de crescimento e era quase um adulto com bem mais de 50kg; como ele podia falar em 45kg?

Ele disse claramente que tinha dezoito anos, como aquela altura e aquele peso fariam sentido? Sejin logo respondeu em tom ríspido.

— Eu peso 58kg.

— O quê…?

“Você?” O homem o analisou novamente, parecendo surpreso. Tinha uma expressão de quem não entendia como alguém tão pequeno pesava tanto. Com o orgulho ferido pela segunda vez, Sejin conteve a vontade de se levantar bruscamente e cerrou os dentes. Sua vontade era tirar o moletom e mostrar como seus ossos eram grossos, mas como estava fingindo ser uma menina, não podia fazer isso e sentiu-se frustrado.

Soltando um curto suspiro, Sejin disse com voz emburrada:

— Apenas me empreste algo que você usa. Uma camiseta e um shorts de elástico…

— Vai ficar meio grande, não?

— Vai servir!

Diante da resposta indiferente do homem, Sejin finalmente não aguentou e retrucou. Já era irritante ser pequeno, e ser tratado como criança o tempo todo o deixava de mau humor. No entanto, logo após gritar aquilo, seu coração disparou.

Ele tinha me dito para não ser mal-educado… Lembrou-se tardiamente do que o homem havia dito e fechou a boca com o rosto pálido. Era o medo de que o homem pudesse fazer algum mal à sua mãe. Se ele usasse sua mãe contra ele, como fizera no carro, Sejin não conseguiria dizer nada.

Mas, apesar de sua preocupação, a reação do homem foi suave.

— Entendi, desculpe por ter te menosprezado.

— …

Jamais esperava receber um pedido de desculpas. Diante daquela atitude sensata e inesperada, Sejin ficou sem palavras. Logo, uma leve ruga se formou entre suas sobrancelhas.

Ele era um homem imprevisível. Quando Sejin disse que não ia comer, ele ficou bravo mencionando sua mãe, mas agora pedia desculpas por tê-lo menosprezado por causa de um grito. Sejin não sabia como reagir, então apenas mudou de assunto.

— O que você queria me dizer…?

— Ah.

O homem, que dissera ter algo a falar depois do jantar de ontem, adiou a conversa ao ver Sejin bocejando. Diante da pergunta que o fazia lembrar do fato, o homem ficou em silêncio por um momento. Ele encarou Sejin por tanto tempo que chegava a ser constrangedor e, de repente, mudou de posição, encostando-se no encosto do sofá, e perguntou:

— O que você vai fazer sobre o lugar para morar?

— …O quê?

Sem entender o que o homem queria dizer, Sejin ergueu a cabeça e rebateu. “O que quer dizer com isso?” Diante daquele olhar, o homem franziu uma sobrancelha, alongou os lábios e logo mudou as palavras para perguntar novamente:

— Você não tem casa. Então, onde pretende ficar daqui para frente?

— …

Com isso, uma ruga se formou entre as sobrancelhas de Sejin. Um desconforto transpareceu em seus olhos delicadamente desenhados.

Era natural que ele se sentisse ofendido com o homem dizendo que ele não tinha casa. Foram os mesmos agiotas e gângsteres como ele que levaram sua mãe embora sob o pretexto de uma fiança que ela nunca assinou e tomaram o dinheiro do depósito da casa. Então, com que direito ele se preocupava com a moradia dele? A voz de Sejin saiu ríspida pela raiva.

— Quando eu encontrar minha mãe, ela vai dar um jeito de qualquer forma.

Kwon Sejin se conhecia bem. Sabia que se o homem dissesse mais algumas palavras sobre a casa, ele não conseguiria se conter e despejaria tudo o que estava sentindo.

Sejin sempre recebia broncas da mãe por não ter paciência. Como não queria xingá-lo e ser expulso à toa, Sejin foi forçado a usar sua mãe como desculpa. No entanto, diante de sua resposta vaga, o homem fez uma careta de desaprovação e disse:

— Dezoito anos não é uma idade tão pequena. Você não tem plano nenhum?

— …

O homem falava de um jeito muito desagradável. Era assim desde ontem. Sejin encarou o homem com os dentes cerrados. “Pare”, dizia com o olhar, mas ele não entendeu. O homem continuou em tom de reprovação:

— O que sua mãe pode fazer lá? Ela é alguém que terá que trabalhar por anos sem descanso, sem ter nada nas mãos. Você deveria pensar em algo…

— …O que você sabe?

A parca paciência de Kwon Sejin se esgotou rapidamente. Antes que pudesse se conter, um questionamento afiado disparou. Sejin encarou o homem com os punhos cerrados.

Eu sabia que seria assim. Sabia que se ele falasse esse tipo de merda na minha cara, eu não aguentaria. Sejin percebeu que seu plano de enganar o homem para encontrar sua mãe iria por água abaixo. No entanto, não conseguia acalmar a fervura interna. A emoção que ele mal continha começou a transbordar como uma barragem rompida diante dos sermões do homem.

— Por que eu fiquei assim? Por que minha mãe foi parar lá? É por causa de pessoas como você, que vivem de extorquir os outros sem consciência. E o quê? Onde vou ficar? Com que direito você diz esse tipo de coisa?

Diante da voz exaltada de Sejin, o rosto antes indiferente do homem sofreu uma rachadura. Como quando ele dera aquele sermão ridículo no carro, o homem começou a revelar sua face fria. Eu não deveria irritá-lo mais. O pensamento surgiu, mas sua boca não parecia querer fechar. Encarando o homem que franziu os olhos, Sejin vomitou todo o ressentimento que tinha no coração.

— Plano? Se você queria que eu fizesse um plano, deveria ter me dado tempo! Fui expulso de casa da noite para o dia enquanto vivia normalmente, como e o que eu deveria pensar? Eu não quis que as coisas ficassem assim, que tipo de plano você quer que eu faça?

— …

A raiva subiu até o topo da cabeça. Entre as respirações ofegantes, os olhos de Sejin ficaram vermelhos. Ele tentou conter as lágrimas mordendo os lábios com força, mas não conseguiu. Uma lágrima escorreu pela bochecha de Sejin, que bufava de raiva.

— O que, o que você quer que eu faça…

O coração de Sejin era muito pequeno e, ao menor sinal de emoção, ela logo transbordava. E depois de chorar assim, Sejin recuperava a calma rapidamente, como se nada tivesse acontecido. Era como se ele tivesse jogado tudo fora com aquela única lágrima; ele se irritava e se acalmava em um piscar de olhos.

Sejin odiava esse seu lado. Achava que parecia uma pessoa burra e fútil. Desta vez não foi diferente. Assim que a lágrima caiu, ele recuperou a razão e percebeu a realidade.

Ele não tinha o direito de culpar o homem. Sejin não recebera esse direito. O homem diante dele era alguém que, com uma única palavra, poderia decidir o destino de sua mãe. Ao perceber a situação tardiamente, sentiu como se tivesse levado um banho de água fria. Seu coração batia como se fosse explodir e ele despertou para a realidade. “Merda”, praguejou baixinho. Sejin esfregou o rosto com força com a manga da roupa e começou a falar:

— Você só está tentando fingir que é uma pessoa boa de qualquer jeito. Então não se meta onde não foi chamado com papo de casa ou comida e apenas me deixe encontrar minha mãe. É só isso que eu quero. Se fizer isso, eu me lembrarei de você como uma pessoa boa. Se não for possível, diga agora. Eu vou embora…

Kwon Sejin não sabia falar de maneira bonita. A única coisa que aprendera com aquele humano chamado pai, que destruía o coração de sua mãe e a magoava com poucas palavras, fora como expor seus sentimentos de forma nua e sincera.

Ao terminar de falar, Sejin fechou a boca com força e abaixou a cabeça. Suas palmas estavam suadas. Talvez ele apanhasse. Sejin cerrou os punhos para esconder o tremor, lembrando-se das mãos grandes do homem.

Mas, por mais que esperasse, não houve impacto, nem ouviu xingamentos.

— …

O homem apenas ficou em silêncio e se levantou. Sejin ergueu o olhar atordoado e observou as costas do homem se afastando. Ao mesmo tempo, não baixou a guarda, temendo que o homem, ao entrar no quarto, voltasse com um taco de beisebol. No entanto, o homem saiu de seu quarto apenas com a chave do carro. Ao sair da sala, ele deixou algumas palavras para Sejin:

— Tem sanduíche e marmita na geladeira, pegue e coma. O cartão magnético está no armário de sapatos na entrada, leve-o quando for para a escola amanhã.

E foi só.

O homem não ficou bravo. Não xingou. Nem bateu em Sejin. Apenas disse para ele se alimentar bem e se retirou. Kwon Sejin observou as costas dele se afastando, confuso. Ele seguiu o homem com o olhar até que ele desapareceu pelo corredor e distorceu o rosto como se não pudesse entender.

Sejin achava que o homem queria algo dele. Caso contrário, não haveria motivo para um homem que não precisava de nada ser gentil e fingir desnecessariamente.

Mas agora que ele havia gritado como um animal ingrato e dito palavras maldosas, ele simplesmente se retirava sem demonstrar raiva nenhuma; aquilo era incompreensível para ele.

Todos os homens que Sejin conhecera na vida eram os piores. Desde os mais próximos, como seu pai, que era viciado em jogos, esbanjara os bens da família e batia nele e em sua mãe; o tio, que fingira salvá-los do pai apenas para levar o selo oficial de sua mãe e fazer um empréstimo; até os mais distantes, como os agiotas gângsteres e os colegas de escola que o perseguiam. Todos eram lixo humano.

Por isso, ele pensou que aquele homem não seria diferente deles. Tanto a primeira impressão quanto as conversas seguintes deram a Sejin a certeza disso.

Mas por que ele não ficou bravo?

Era estranho.

Por que não me xingou? Por que não me expulsa? Por que não me bate? As perguntas borbulhavam na cabeça de Sejin. Ele não conseguia de jeito nenhum decifrar as intenções do homem. Kwon Sejin cerrou os dentes diante da confusão crescente.

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Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Projection – Novel Yaoi Mangá Online

Cheon Sejoo, que não teve escolha a não ser se juntar à organização para vingar sua irmã falecida, em meio a uma vida sem esperança, conhece um jovem que o lembra de sua irmã, o que o leva a praticar um pequeno ato de gentileza.
Se ele soubesse que essa intenção leviana se tornaria tão pesada, ele não o teria trazido para sua vida.
* * *
“Eu te disse. Sempre foi você primeiro…”
Seus olhos, normalmente penetrantes, pareciam gentis hoje. O olhar de Cheon Sejoo era suave, doce e persistente.
“Então assuma a responsabilidade.”
Era sempre Cheon Sejoo quem dava o primeiro passo. Era ele quem estendia a mão para ele primeiro, quem o olhava primeiro. Sejin simplesmente pegava sua mão porque ele a oferecia, e olhava para ele porque ele lhe dava o olhar. E, ao fazer isso, ele se apaixonou por aquele homem gentil.
Sejin não queria mais ver Cheon Sejoo se afastando dele.
Se você não pode vir até mim, então eu irei até você.
“Você é tudo o que me resta agora…”
Nome alternativo: Projection

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