Ler Projection (Novel) – Capítulo Parte 01 Online

Projection Vol. 2
Ele tornou a abrir a boca apenas quando se passaram quase três minutos. Tendo apagado o cigarro, Cheon Seju abria e fechava a boca como alguém que havia perdido o fio da meada, até que finalmente perguntou a Sejin:
— É brincadeira, né?
— …
No entanto, a expressão de Sejin indicava que o que ele havia dito não era, de forma alguma, uma mentira. Cheon Seju, parecendo genuinamente surpreso, passou as duas mãos pelo rosto antes de levantar a cabeça para olhar para Sejin. Ao olhar para aquela cabecinha, ele pensou:
Será que a cabeça é pequena porque o cérebro também é? Não, não pode ser. Por um momento, um pensamento absurdo passou por sua mente, mas não havia possibilidade disso. O próprio Cheon Seju sempre ouviu que tinha um rosto pequeno, mas ele não era burro. Aquilo era apenas…
— Você não estudou ou não conseguiu estudar?
— Por que raias você tem tanto interesse nas minhas notas?
Sejin estava sentado de braços cruzados, como se o excesso de intromissão de Cheon Seju o irritasse. Parecia até indicar que tentar se importar com coisas daquele tipo era um abuso de autoridade. Ao notar a atitude de Sejin em estabelecer limites, Cheon Seju hesitou.
Ele havia decidido se responsabilizar por Sejin. O escopo da responsabilidade a que ele se referia incluía o suporte para todo o cotidiano e o futuro de Sejin. Uma vez que ele o trouxera para dentro de casa, se fosse para interferir mais do que fazia com Hyeein, ele o faria; não tinha a menor intenção de negligenciá-lo.
Quando Kwon Sejin se tornasse adulto e deixasse sua casa, Cheon Seju queria que ele carregasse certeza e estabilidade. Não queria que ele partisse do seu lado consumido pela ansiedade e pelo medo, como Hyeein. Por essa razão, já que estava cuidando de Sejin, Cheon Seju queria proporcionar a ele tudo o que não pôde dar a Hyeein. Era uma espécie de satisfação vicária.
Contudo, tudo aquilo eram circunstâncias do próprio Cheon Seju. Ele não tinha intenção de contar todos os motivos a Sejin, com quem passaria pouco mais de um ano. Portanto, as únicas palavras que ele podia oferecer eram algo um tanto descaradas e parecidas com ameaças. E, para o teimoso Kwon Sejin, isso funcionava muito melhor. Cheon Seju informou a Sejin com um tom de voz sério:
— Na minha casa, é proibida a entrada de quem não tem nota 1 em todas as matérias.
— …Você está falando um absurdo.
— Então estude. Eu vou te ensinar.
Mesmo que quisesse mandá-lo para um cursinho de repente, não haveria nenhum que aceitasse um idiota daquele. Até um aluno do primário seria melhor do que ele; um cursinho voltado para crianças não aceitaria um rapaz tão grande numa turma básica. Então, não havia outra opção. Enquanto as notas não atingissem um certo nível, não restava alternativa a não ser ensinar ele mesmo.
Durante seus tempos de escola, ele havia dado aulas particulares o suficiente, e ensinar um idiota vestido de humano não era nada demais. No entanto, as palavras de Cheon Seju foram recebidas com escárnio por Kwon Sejin.
— Você? Me ensinar?
“Ha”, ao ver aquele sorriso de descrença, as sobrancelhas de Cheon Seju se contraíram tortas. Sem se importar com isso, Sejin disse, franzindo o cenho:
— O que você vai ensinar? Como passar a perna nos outros? Como falsificar documentos de empréstimo? O que você aprendeu para me ensinar? Não tenho a menor intenção de aprender a ser agiota ou gângster.
— …
Cheon Seju nunca havia tocado em um documento alheio na Shin-sa Capital. Não importava o que Sejin pensasse dele, então estava tudo bem se ele o confundisse com um agiota. Mas, do ponto de vista dele, ser colocado na mesma categoria que os idiotas da Shin-sa Capital era algo extremamente desagradável.
Aqueles brutamontes que trabalhavam lá eram caras cujas cabeças soariam como latas vazias se fossem golpeadas. Além disso, o fato de ser o último da turma e, mesmo assim, olhar para ele como se fosse um ignorante pior que ele mesmo, deixou Cheon Seju secretamente ofendido. E naquele momento, embora fosse um pensamento infantil, ele ficou curioso para saber que expressão Sejin faria se descobrisse que ele era formado em Medicina pela Universidade da Coreia.
— Você acha que eu…
No entanto, assim que começou a falar, percebeu rapidamente que era um esforço inútil. Precisava mesmo provar quem ele era? Já era tudo passado. O caminho que ele havia percorrido não tinha mais nenhum significado. Afinal, fazia muito tempo que ele havia abandonado esse caminho.
Ele apagou a expressão aos poucos e olhou para Sejin. Seus olhos, que se esfriaram em um instante, voltaram-se para a criança que exibia um olhar triunfante.
— Pensei bem e percebi que não adianta nada mostrar minha carteirinha de estudante para um idiota como você.
— Quem é o idiota!
Com a provocação que ele jogou, Sejin se enfureceu e fechou os punhos. Cheon Seju deu uma risadinha e gesticulou para Sejin com o queixo.
— Você sabe soletrar University?
— Se eu disser, você vai saber se está certo?
— Se eu sei ou não, apenas responda isso.
— Claro que sei!
Diante do grito confiante de Sejin, Cheon Seju ergueu as sobrancelhas e encarou-o diretamente. Como ele continuava olhando silenciosamente, como se pedisse para ele dizer, Sejin abriu a boca como se fosse soletrar a palavra a qualquer momento, mas logo estreitou os olhos. Então, com um tom rápido e cortante, como se não conseguisse entender, disparou:
— Você não acha que está sendo exagerado? Você também sabe que isso não vai durar muito. Você não me adotou; só está me ajudando um pouco porque sentiu pena e quer fazer uma caridade, não é? Então, pare por aqui. Eu já estou recebendo bastante ajuda sua agora, então não precisa fingir que se importa com o meu futuro.
Sejin, que disse aquilo com esforço, passou as duas mãos pelo cabelo, como se achasse tudo um absurdo. Embora tivesse terminado de falar de um jeito minimamente decente, na verdade, ele queria ironizar perguntando se ele de repente tinha virado um santo, já que ele próprio tinha tentado vendê-lo. Contudo, ao ver o rosto sério do homem, ele não conseguiu proferir tal acusação. Sejin questionou Cheon Seju, carregando toda a sua frustração naqueles dois olhos que prendiam o olhar de qualquer um:
— Não é ridículo que eu tenha que discutir sobre futuro e essas coisas com você? Não somos nada um do outro.
— O que é ridículo são as suas notas.
— …
Mas Cheon Seju não se importava com o que quer que ele estivesse resmungando. Além disso, percebendo que ficar ali só levaria a discussões inúteis, decidiu deixar clara sua vontade para Sejin.
— Você está enganado sobre algumas coisas. Como disse antes, não te trouxe aqui por pena. Meu excesso de atenção te incomoda? Em vez de me mandar parar, acostume-se com isso. Vou ser responsável por você até o momento em que você sair do meu lado.
Ao ouvir isso, Sejin sentiu uma repulsa agitando o fundo de seu coração.
O pai que deveria ser verdadeiramente responsável por Sejin o abandonou e partiu. Em seguida, o tio que apareceu dizendo que cuidaria deles também acabou indo embora. Então, quem é você para dizer que será responsável por mim? As palavras do homem nem sequer soavam como hipocrisia. Pareciam apenas bobagens.
Enquanto Sejin estava sentado com os dois punhos cerrados, Cheon Seju falou como se estivesse encerrando o assunto:
— Vou dizer mais uma vez. Desde que entrou na minha casa, você deve me obedecer em tudo. Se não gosta disso, vá embora. Mas, para ser sincero, não vou deixar você sair, e farei o que eu quiser, não importa o que você diga.
— …
A pergunta sobre que tipo de desgraçado era aquele surgiu no rosto de Sejin. Cheon Seju explicou imediatamente com uma voz calma:
— Mas pense bem, Sejin. Se você me obedecer bem, não terá prejuízo nenhum. Pode ser desagradável receber ajuda de um lixo humano como eu, mas seus sentimentos dependem apenas de como você decide encarar. Eu te dou onde dormir, te dou comida, te levo para a escola quando os horários batem, e ainda estou me oferecendo para ensinar seus estudos, então por que motivos você odiaria isso?
— Isso é, obviamente…!
Havia uma montanha de motivos para rebater. Mas, com o que Cheon Seju disse em seguida, Sejin não teve escolha a não ser calar a boca silenciosamente.
— Não, na verdade, não importa qual seja o motivo. Mas saiba de uma coisa. Se você disser que não quer, você nunca mais verá sua mãe.
— …
Sejin cerrou os dentes. Foi uma ameaça um tanto desprezível, mas Cheon Seju não tinha outra opção. Se ele tivesse que discutir toda vez que quisesse fazer algo, ele ficaria exausto, e como ele viveria assim? Cheon Seju percebeu que precisava segurar as rédeas de Sejin com mais firmeza. Não havia nada mais eficaz para lidar com aquele vira-lata teimoso do que mencionar Kim Hyung-kyung.
Ao ver Sejin com a boca bem fechada, Cheon Seju exibiu um sorriso raramente gentil. Nessa condição, ele perguntou de volta:
— Você vai me obedecer, não vai?
— …
Sejin não tinha opções. A única pessoa que podia fazê-lo encontrar sua mãe era aquele agiota sujo e desprezível à sua frente. Portanto, mesmo que fosse adequado dizer imediatamente que sim, Sejin não conseguia concordar facilmente, pois o fato de Cheon Seju usar sua mãe contra ele o deixava furioso.
— Responda.
No entanto, diante da insistência de Cheon Seju, Sejin finalmente cuspiu um “tá bom” com os dentes cerrados. Só então Cheon Seju acenou com a cabeça satisfeito.
— Ótimo. Amanhã, no caminho de volta da escola, pegue todos os seus livros didáticos. Você tem mochila?
— …Está no armário.
À resposta curta de Sejin, Cheon Seju olhou para ele com uma expressão de quem se perguntava que tipo de pessoa lamentável ele era. Então, soltando um suspiro curto, disse:
— Entendido. Vamos sair juntos amanhã. E a que horas acabam as aulas da escola? Não o horário que você sai, mas o horário normal das aulas.
— …
— Não me diga que você não sabe.
Sejin moveu os olhos sem dizer nada. Como saía todos os dias logo após o almoço, nem o próprio Sejin sabia a que horas as aulas terminavam. Diante dessa cena, Cheon Seju contraiu os lábios, sentindo desta vez, de fato, que estava olhando para algo vestido de humano. Depois de balançar a cabeça silenciosamente, enviando um olhar de desaprovação, ele se levantou do assento e apontou para o lado do quarto de Sejin.
— Já que entendeu, entre e descanse. Amanhã, vá à escola, tire uma foto da grade horária e me mande por mensagem. Vou te buscar na hora em que acabar, então não pense em fugir. Mesmo que não entenda nada, ouça o que o professor diz durante a aula. Entendeu?
— Entendi.
— Não fique deitado dormindo, tente pelo menos fingir que quer entender. Garotos como você precisam ser educados por métodos de repetição.
— Eu já disse que entendi!
— Não grite. Quem é o último da turma não tem o direito de gritar na minha casa.
— …
Às reclamações intermináveis de Cheon Seju, Sejin exibiu uma expressão de estar farto. Enquanto estava de pé, ouvindo as palavras de Cheon Seju entrar por um ouvido e sair pelo outro, ao ouvir a ordem para ir para o quarto, ele rapidamente saiu dali. Assim que Cheon Seju ficou fora de vista, um ar de perplexidade surgiu em seu rosto, que antes estava franzido.
Embora nunca tivesse expressado com palavras, Sejin era muito grato ao homem. Apenas pelo fato de ter conseguido um lugar para ficar para que sua mãe não se preocupasse, já era motivo suficiente para ele se curvar. No entanto, mesmo que quisesse dizer “obrigado pela ajuda”, toda vez que via o homem tentar se meter tão profundamente em sua vida, o espírito de contradição surgia. Ele era um ser humano ridículo quanto mais pensava nele. Era desprezível o jeito que ele agia como se fosse algo importante só porque cedeu um quarto. Nem sua mãe dava tantas reclamações assim. Sejin sentiu repulsa pelo homem que tentava agir como um pai, sendo que nem pai ele era.
Ser bonito é tudo? O que ele vai ensinar, se ele próprio não sabe nada…? Sejin, ignorando ao máximo Cheon Seju, que parecia apenas um vigarista de rua, entrou em seu quarto e fechou a porta.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Projection – Novel Yaoi Mangá Online
Cheon Sejoo, que não teve escolha a não ser se juntar à organização para vingar sua irmã falecida, em meio a uma vida sem esperança, conhece um jovem que o lembra de sua irmã, o que o leva a praticar um pequeno ato de gentileza.
Se ele soubesse que essa intenção leviana se tornaria tão pesada, ele não o teria trazido para sua vida.
* * *
“Eu te disse. Sempre foi você primeiro…”
Seus olhos, normalmente penetrantes, pareciam gentis hoje. O olhar de Cheon Sejoo era suave, doce e persistente.
“Então assuma a responsabilidade.”
Era sempre Cheon Sejoo quem dava o primeiro passo. Era ele quem estendia a mão para ele primeiro, quem o olhava primeiro. Sejin simplesmente pegava sua mão porque ele a oferecia, e olhava para ele porque ele lhe dava o olhar. E, ao fazer isso, ele se apaixonou por aquele homem gentil.
Sejin não queria mais ver Cheon Sejoo se afastando dele.
Se você não pode vir até mim, então eu irei até você.
“Você é tudo o que me resta agora…”
Nome alternativo: Projection