Ler Pôquer Sangrento (Novel) – Capítulo 08 Online


Modo Claro

Blood Poker, Extra. Parte 08

Os olhos de Jaeil se arregalaram ao sair pelo portão do aeroporto. Foi porque o celular vibrou continuamente assim que ele desativou o modo avião. Ele já pretendia entrar em contato com Seunghyun de qualquer forma. Ele tocou na tela para entrar na caixa de mensagens.

O remetente era inteiramente Ji Seunghyun. Será que algo acontecera nesse meio tempo? Ele verificou o conteúdo às pressas e arregalou os olhos novamente.

[Esper. Eu cheguei. Estou nervoso.]

[Quando você vem?]

[Onde você está?]

[Ond eest pof avr venha loog]

— ……

Era uma situação que ele já previra quando Seunghyun disse que fora convidado para a casa de Joey. Isso porque naquela casa morava um grande mestre da bebida. Alguém sociável que fazia amizade com qualquer pessoa, independentemente da idade ou sexo.

[Estou com saudade]

Jaeil esfregou com o polegar a última mensagem que Seunghyun havia enviado. Seus olhos, que se arregalaram de surpresa ao receber o contato, voltaram lentamente ao tamanho normal.

Entre as mensagens de Seunghyun, que parecia resmungar, havia também um contato de Joy.

[Jaeil, quando chegar, venha aqui em casa buscar o Seunghyun. Ele está um pouco bêbado. Sinto muito. É por causa do meu pai.]

— Ji Seunghyun. Está bêbado, então.

Jaeil sentiu como se o sangue voltasse a circular em seu cérebro e coração, que pareciam ter apodrecido enquanto ele lidava com seus parentes em Erto.

— …

Apesar disso, suas ações foram contidas. Primeiro, ele enviou uma resposta a Joy dizendo que acabara de chegar e que estava indo para lá. Ele também enviou uma frase elaborada para Seunghyun, embora duvidasse que ele seria capaz de visualizá-la.

↫────☫────↬

[Avisa quando estiver chegando perto. Eu o levo lá embaixo. Não venha até o estacionamento, fique apenas na entrada.]

Joy insistiu com Jaeil. Mesmo agora, seu pai transbordava animação. Ele começou a procurar por Jaeil assim que as respostas de Ji Seunghyun se tornaram arrastadas e ele passou a errar o copo com frequência. Joy ficou tonta ao ouvir o que ele dizia.

— Jovem Ha Jaeil, ele já não pode beber? Se os níveis dele estiverem bons, que tal eu ensiná-lo a etiqueta da bebida desta vez?

— Pai, não diga coisas assim, é perigoso. Os Espers estão sob lei seca ultimamente. Mesmo que o Seunghyun esteja de folga amanhã.

Joy omitiu propositalmente a agenda de Jaeil. Se bobeasse, seu pai poderia acabar fazendo Seunghyun dormir naquela casa.

— Hahaha! É brincadeira, brincadeira! Então vamos apenas conversar. Eu gosto tanto desse jovem Ha Jaeil. O que nossa filha acha dele?

— Pai, por que você fica assim quando bebe? É de morrer de ranço. Além disso, não vejo charme nenhum em gente ríspida daquelas.

— Por queee? Ele é tão bonitãooo.

— Rosto bonito põe comida na mesa?

Em algum momento, Ji Seunghyun, já relaxado, misturou-se a eles, contando piadas e aceitando as brincadeiras. Eram todos boas pessoas. Não havia motivo para não aproveitar.

No entanto, a bebida que ele aceitava prontamente não tinha um teor alcoólico baixo. Ele acabou ultrapassando seu limite. Embora sua mente parecesse intacta, seu corpo estava mole. A teimosia em insistir que estava bem também se acalmou.

Joy estava preocupada. A preciosa folga que Seunghyun recebeu após semanas parecia destinada a ser gasta com uma ressaca. Jaeil pode acabar me matando. Ji Seunghyun pode nunca mais vir à nossa casa. Nos divertimos, mas será que acabei cometendo um erro? Todo tipo de pensamento passava por sua cabeça.

— Seunghyun. Você está bem?

Seunghyun, que estava estirado no sofá, esfregou os olhos ao ouvir o chamado de Joy. Seus movimentos eram lentos e pesados.

— Mentora…

— Sim? Quer água?

Seus olhos nublados voltaram-se vagarosamente para Joy.

— Eu gosto, mesmo que seja ríspido…

— …

— Eu achei bom…

Joy deu um peteleco suave na testa de Seunghyun. Se gosta, gosta, mas por que choramingar de um jeito que parte o coração de quem vê? Ela se lembrou do incidente com os Guias atrevidos antes de virem para casa. Ele parecia ter guardado aquilo no coração, mesmo fingindo que não era nada por fora.

— É uma preocupação inútil.

— Sim… eu sei.

Murmurando, Seunghyun soltou um longo suspiro.

↫────☫────↬

Jaeil conseguiu avistar facilmente os três parados na entrada do apartamento.

Rowan, que apoiava Ji Seunghyun, estava prestes a desabar. Ele era menor e mais magro que Seunghyun e, acima de tudo, era um intelectual que não cultivava força física.

Assim que Jaeil desceu do carro, Rowan resmungou com uma expressão sofrida.

— Faz alguma coisa logo. Argh.

— O dia deve ter sido corrido hoje.

— É.

Respondendo secamente à saudação de Joy, o homem estendeu a mão para Seunghyun.

— Hum, não quero…

Seunghyun, erguido facilmente pela força de Jaeil, teimou por algum motivo. Ele não soltou os braços do pescoço de Rowan; pelo contrário, apertou-o com mais força.

Diante daquela cena inconsciente, a expressão de Jaeil se endureceu silenciosamente.

— Acho que é porque ele está com frio.

Rowan, após ser separado à força de Seunghyun, disse enquanto girava os ombros doloridos.

— …Deve ser.

Caso contrário, eu ficaria furioso. Engolindo as palavras seguintes, Jaeil abraçou Seunghyun completamente, virando-o para si.

— …

— …

O som familiar e vigoroso de um coração tocou sua consciência. Seunghyun, que havia perdido os sentidos por um momento, piscou os olhos entorpecidos.

Alguém sustentava sua cintura. Com firmeza suficiente para que ele sentisse que podia relaxar o corpo inteiro. Diante de sua visão turva, surgiu uma linha de mandíbula elegante. Ele sentiu um aroma refrescante, embora tênue.

Seunghyun envolveu a cintura dele sem dizer nada e enterrou o nariz perto da clavícula. No lugar onde peito com peito se tocavam, o calor um do outro se infiltrava.

Jaeil abriu a porta do passageiro enquanto segurava Seunghyun.

— Entro em contato amanhã.

— Certo, por enquanto, paramos por aqui.

Deixando os gêmeos para trás, o carro deslizou suavemente pela estrada deserta. Parado momentaneamente em um sinal, o olhar de Jaeil se voltou para Seunghyun. Seunghyun, que mal conseguia levantar as pálpebras pesadas, olhava vagamente para fora da janela.

— Você está bem?

— Estou bem.

Jaeil afastou o cabelo de Seunghyun com sua mão grande. Então, Seunghyun tateou a mão dele e a puxou para verificar a marcha. Sem precisar olhar, ele confirmou os níveis seguros e só então beijou a ponta de cada dedo.

Jaeil roçou os lábios de Seunghyun com as costas da mão e voltou a segurar o volante.

O tempo de Jaeil em Erto foi curto e urgente. Isso porque a folga que ele dedicou a qualquer pessoa que não fosse Ji Seunghyun foi de apenas um dia.

As memórias marcadas por uma infância sombria evocavam desconforto e tédio. Sempre que ia para a casa principal, Jaeil costumava se comparar a um boi sendo levado ao matadouro. Mesmo agora, quando ninguém mais ousava dizer nada a ele, que havia ganhado poder, a relutância permanecia a mesma.

Três horas de avião. Ao chegar em Erto, ele entrou em um carro que o esperava e viajou por mais umas duas horas.

O motivo pelo qual a família de Jaeil obteve poder foi o despertar coletivo de Guias de classe ultra-alta.

Como se tivessem recebido uma revelação, eles começaram a ficar morbidamente obcecados pelo poder e pelo conceito de dominação. E, unindo-se aos detentores de privilégios que fundaram Neo, expandiram sua influência. Em um mundo onde monstros dominavam, a capacidade de controlar e manipular Espers era diretamente ligada ao poder.

Eles sabiam muito bem como manter a posição poderosa que haviam construído. Um dos métodos mais fáceis era ter despertos de alto escalão. Ou seja, a produção de sucessores de alta qualidade. Com o passar das gerações, isso se intensificou a ponto de tratarem alguns despertos como garanhões, mas os cegos pelo poder não percebiam.

Atualmente, quem estava no topo desse poder era seu avô, originário de um Guia Backspell. Ele vivia em um lugar que parecia uma fortaleza, capaz de resistir mesmo se hordas de Oni e Gon atacassem. Mesmo sendo velho, doente e com pouco tempo de vida, seu desejo de sobrevivência parecia intacto.

Jaeil queria encontrá-lo imediatamente, mas no local para onde foi guiado, havia uma mulher que ele nunca vira antes.

Não era algo que ele não esperava. Não era a primeira vez que faziam uma mediação rude desse tipo, mas Jaeil deu as costas sem nem cumprimentar a mulher que o recebia com um sorriso suave.

Como não sabia o que poderia sair de sua boca, ele cortou o mal pela raiz desde o início. Essa era a melhor consideração que ele, que não queria oferecer nenhum afeto a eles, poderia ter.

Jaeil sentia uma náusea insuportável diante do comportamento desumano que eles impunham. Ele não queria mais ser manipulado por eles.

Encontrando finalmente o avô, que agia como se fosse valiosíssimo, Jaeil não tomou um gole sequer do chá que lhe foi oferecido. Ele não desviou o olhar agudo que o vigiava. Não se deixou abater pela figura autoritária que antes tanto temia. Isso porque em seu peito residia uma convicção que jamais seria quebrada.

Ele queria que Ji Seunghyun não sofresse. Queria protegê-lo. Queria viver adequadamente com ele. Jaeil estava confiante de que suportaria qualquer coisa por isso.

Jaeil endireitou as costas como uma fera que se infla diante de um predador natural. E começou a proferir as palavras que havia preparado para aquele dia.

— Não tenho intenção de me casar. Não pretendo me misturar ou dar minha semente a alguém por quem não sinto nada.

Este era um argumento que ele mantinha desde que atingiu a idade núbil. Como ele era firme nisso mesmo quando Ji Seunghyun não existia, o avô de Jaeil apenas soltou um suspiro, perguntando se era aquela conversa de novo.

O avô parecia pensar que era apenas mais uma das inúmeras rebeldias repetidas. Diante da reação indiferente dele, a mão de Jaeil sob a mesa se fechou com força. Ele queria insultá-lo, independentemente de ser sangue do seu sangue ou um ancião, mas aquele não era um método eficiente.

— Se você usar Ji Seunghyun como motivo para isso, eu me tornarei seu inimigo. O poder que tenho, e o que passarei a ter, será usado exclusivamente para me opor a você.

Ele sabia que seria ridicularizado. Jaeil continuou a falar.

— Um Esper que sobreviveu a 98% de um surto tem alto valor de pesquisa. Se você não atender ao meu pedido, pretendo me entregar a preço de banana para a Neo ou Haon. O que acha disso?

Ele estava dizendo que se tornaria propriedade do Estado e material de pesquisa. Diante da ameaça de se tornar um cão da Neo para cortar laços com a família, seu avô mostrou um leve sinal de hesitação.

— Ou existe o método de simplesmente desaparecer. Morrer também é uma opção.

Quando ele não hesitou em mencionar meios extremos, o avô estalou a língua. Reclamou que não entendia por que ele agia de forma tão incômoda, quando tudo era para o bem dele. Seguiu-se uma bronca dizendo que seu pai também era teimoso assim, e que Jaeil o puxara logo nisso para atormentá-lo.

— Eu… quero que essa pessoa fique ao meu lado por muito tempo.

Diante da sinceridade pesada de Jaeil, o avô franziu o cenho.

— Se você garantir minha vida sem tocar em Ji Seunghyun, eu me tornarei mais forte do que qualquer um. E compartilharei esse poder. Crescerei para ter valor de uso suficiente, mesmo que você mude a finalidade.

Aquilo era uma ameaça disfarçada de pedido e negociação. Se o avô não aceitasse seus termos, bastava mudar para uma linha dura. Sendo alguém que, com menos de trinta anos, tornou-se responsável pela segurança de Haon, não era um negócio em que ele sairia perdendo.

Portanto, Jaeil disparou para que não o chamassem mais para propósitos merdas como aquele e deixou o lugar sem remorsos.

— Chegamos.

Ele havia caído no sono por um instante. Seunghyun esfregou o rosto com as duas mãos e olhou ao redor lentamente. Sem que percebesse, já estavam no estacionamento subterrâneo.

O homem desligou o motor e soltou o cinto de segurança de Seunghyun.

— Consegue caminhar?

Diante da voz perguntada baixinho, Seunghyun, surpreendentemente, hesitou. Imerso em pensamentos por um momento, Seunghyun lentamente encontrou o olhar do homem. Ele parecia estar bem, mas ao mesmo tempo com algum “parafuso a menos”.

— Você me carrega nas costas?

— …

Ele se perguntou o que Seunghyun diria, e o que saiu foi um pedido descarado. Carregar nas costas. Jaeil franziu levemente a testa, mas logo assentiu. Seria um novo tipo de manha? Não era um pedido difícil e, acima de tudo, eles estariam se tocando, então a condição não era ruim.

Seunghyun abriu a porta do passageiro e colocou apenas uma perna para fora. E esperou pelo homem. Ao soltar um “fuuu”, o forte cheiro de álcool parecia deixá-lo bêbado novamente. Enquanto ele esfregava as bochechas quentes e os olhos, sentiu a presença de alguém.

— …

Seunghyun olhou fixamente para as costas largas do homem sentado a seus pés. Ele sentiu que aquilo o lembrava de alguém e, por isso, um sentimento mais melancólico surgiu.

— Então, com licença.

Com uma saudação educada, o corpo de Seunghyun tombou sobre o homem. Ele era forte, então aquilo não seria nada. Mesmo que fosse mais pesado, ele o carregaria com facilidade. Logo, seu corpo flutuou. Seunghyun encostou a bochecha no ombro do homem.

Seguindo os passos do homem, que eram mais cuidadosos do que o normal, o corpo de Seunghyun balançava suavemente. Seunghyun murmurou com a voz embriagada de sono.

— É a primeira vez que bebo neste lugar.

— Você se excedeu.

— Não. Foi divertido e bom.

— Então está tudo bem.

Ao entrar no hall, o homem colocou Seunghyun no chão e tirou os sapatos dele pessoalmente. Uma voz gentil perguntando se ele não estava com sede soou distante nos ouvidos de Seunghyun.

— Então, por favor, apenas um copo de água.

Deixando para trás o homem que foi para a cozinha, Seunghyun entrou direto no banheiro, lavou as mãos, os pés e escovou os dentes. Embora tenha cambaleado e tropeçado várias vezes, Seunghyun terminou sua rotina diária até o fim. Era um hábito de bêbado diligente, condizente com sua personalidade.

Claro que não foi perfeito. Pelo contrário, foi excessivamente desajeitado. Após ficar parado por alguns minutos com o rosto pingando água, o homem, incapaz de esperar mais, bateu à porta.

Seunghyun, equilibrando-se por um triz, abriu a porta. A visão de alguém que não se sabia se tinha se lavado ou apenas brincado na água preencheu a visão de Jaeil.

— É um hábito de bêbado bem convincente.

As palavras do homem eram um pouco difíceis de interpretar. Seunghyun olhou para ele com dúvida. Seus olhos semicerrados estavam entorpecidos.

— Isso é um elogio?

— Se soa assim para você, deve estar mesmo bêbado.

Jaeil imediatamente carregou Seunghyun nos ombros e o colocou na cama. Após secar o corpo dele superficialmente com uma toalha, retirou as roupas molhadas. Seunghyun murmurou que era bom as mãos dele serem quentes e entregou-se prazerosamente ao toque de Jaeil.

Só depois de fazê-lo beber todo o copo de água é que Jaeil pôde recuperar o fôlego. Pensou que deveria deitá-lo primeiro e depois se lavar.

Foi no momento em que ele empurrou levemente o peito branco de Seunghyun com sua palma grande. As pontas dos dedos ásperos de Seunghyun se estenderam e agarraram a manga da camisa impecavelmente abotoada de Jaeil.

— Esper.

Com uma atmosfera de certa forma desesperada, ele parecia ter algo a dizer. Jaeil deixou de lado tudo o que tinha para fazer e se concentrou em Seunghyun.

— Sim, Guia.

Os dedos de Seunghyun se infiltraram timidamente para dentro da manga do homem. O movimento em busca do lugar onde o pulso pulsava era inconsciente.

— Eu sei por que nos sintonizamos.

Diante daquelas palavras, o olhar de Jaeil se acalmou profundamente. A forma como ele iniciava o assunto era incomum.

— É porque somos preciosos um para o outro.

— …

Como se fosse algo realmente importante, a voz de Seunghyun era tão séria quanto seu olhar.

Qual seria o motivo para expressar em voz alta um fato que ambos sentiam plenamente, mesmo sem palavras? Jaeil olhou profundamente nos olhos de Seunghyun.

— E acho que isso é um pouco mais profundo do que o sentimento de gostar.

— Se você sabe bem, por que fica ansioso?

Diante da frase lançada, os olhos relaxados de Seunghyun se arregalaram.

— Eu estava ansioso? Ele levantou a mão que tocava o pulso do homem e coçou a cabeça. Eu… estava ansioso. Por causa do álcool, seu raciocínio estava lento. Como o silêncio se prolongou, Jaeil falou primeiro.

— Preciso dizer novamente?

A frase para ele tapar os ouvidos, fechar os olhos e ouvir apenas as palavras dele. Jaeil estava confiante de que repetiria aquilo milhares, milhões de vezes, se necessário. Se palavras não bastassem, através de ações; se nem isso bastasse, mesmo usando suas habilidades mesquinhas. Ele estava disposto a ser astuto e cruel no processo, contanto que Seunghyun pudesse se sentir seguro, mesmo que isso deixasse cicatrizes em algum lugar de seu corpo.

No entanto, Seunghyun balançou levemente a cabeça.

— Não, está tudo bem. Eu me lembro de tudo o que o Esper disse.

Era uma fala que só poderia ser descrita como linda. A afirmação de Seunghyun acalmou facilmente a obsessão de Jaeil.

O toque afetuoso de Jaeil tocou o cabelo e a bochecha de Seunghyun e se afastou. Enquanto observava fixamente o toque do homem, outra frase saltou da boca de Seunghyun.

— Eu não posso ter filhos.

Ao contrário do tom calmo, o impacto do que Seunghyun disse foi considerável. Jaeil arregalou os olhos, mas Seunghyun estava ocupado demais lutando consigo mesmo.

— Não é que eu tenha que ter filhos obrigatoriamente. Ou é? Mas eu sou quem recebe o sêmen dele.

Sua mente estava em total confusão. Não deveria ter dito isso primeiro. Seunghyun, que balançava a cabeça negativamente, levantou os olhos como se outro pensamento tivesse surgido.

— Eu gosto de fazer com o Esper.

As palavras e ações eram desconexas e imprevisíveis. A conversa mal conseguia prosseguir. O que é Ji Seunghyun bêbado… Jaeil repetiu para si mesmo, franzindo o cenho.

— Você gosta de fazer o quê?

Diante da pergunta maliciosa de Jaeil, as pupilas de Seunghyun giraram. Ele também mordeu o lábio inferior. Seu rosto estava cheio de constrangimento. Após hesitar por um momento, Seunghyun inclinou o tronco furtivamente. E moldou as mãos em concha ao redor da orelha do homem.

— Sexo.

O sussurro no ouvido também deixou Jaeil desconcertado. Ele sabia bem que Seunghyun seduzia as pessoas sem perceber, mas ser tão explícito assim era a primeira vez. Jaeil não conseguiu responder imediatamente. Apenas o choque de que o hábito de bêbado de Ji Seunghyun era incrível girava em sua cabeça.

Seunghyun voltou a olhar nos olhos de Jaeil.

— Mas… isso é algo que pessoas que se gostam fazem.

Disse como se desse um sermão ou um conselho.

— Isso é verdade. O homem afastou o cabelo de Seunghyun com um olhar de concordância.

— Por isso, nós gostamos um do outro. Claro que é algo maior que gostar, mais pesado, hum… e um pouco exaustivo também…

Seunghyun, que se esforçou por um longo tempo com sua mente que não funcionava direito, soltou um suspiro como se tivesse desistido. Com os olhos entorpecidos, tocou os lábios do homem.

— Eu também gosto de beijar.

A conversa não tinha sequência e os tópicos eram aleatórios. Era puro fluxo de consciência. Jaeil puxou suavemente o queixo de Seunghyun. E sugou os lábios superior e inferior dele, fazendo um som estalado.

Seunghyun, que aceitava docilmente o beijo do homem, voltou a ficar com o rosto confuso e piscou as pálpebras.

— Esper, eu… nós, sobre filhos e tal.

Seunghyun repetiu a mesma coisa novamente.

A cabeça de Jaeil inclinou-se levemente. Agora ele estava realmente curioso. De onde teria surgido esse senso de responsabilidade reprodutiva rude e imprevisível? O que mais ele teria ouvido para repetir esse tipo de fala? Embora a forma indireta dele falar fosse ridícula, um sentimento de pena surgiu subitamente. Alguém certamente andou falando demais.

— Filhos da puta, devo rasgar aquelas bocas? Ou esmagá-las?

Mas isso era algo para se fazer depois. Jaeil decidiu, antes de tudo, tranquilizar o Seunghyun atual.

— Guia.

A voz baixa e firme bateu no fundo da consciência de Seunghyun. O olhar de Seunghyun, que estava baixo, seguiu-o docilmente.

— Você é precioso para mim.

Seunghyun assentiu. Isso significava que ele sabia bem. Como se tivesse ficado feliz de repente, ele pressionou seus lábios com força contra os de Jaeil e os afastou.

— É natural que o Guia não possa… engravidar. Vamos tratar de não pensar mais nessas coisas.

Como se aquilo também estivesse correto, Seunghyun balançou a cabeça em silêncio. Sim, mesmo que o céu se partisse em dois, isso nunca aconteceria.

— Por fim, eu só farei sexo com o Guia.

— Hein? Então, e com a pessoa com quem você vai se casar?

— Besteira.

O que diabos ele andou pensando com essa cabecinha minúscula? Quanto mais ele tentava imaginar, mais absurdo parecia. Jaeil negou bruscamente a suposição de Seunghyun. Esse tipo de assunto não deveria nem ser mencionado. Jaeil tapou a boca dele com a mão como se o estivesse punindo.

— Se por acaso eu tiver que me casar, será com o Guia.

Achando que ouviu algo um pouco estranho, Seunghyun piscou. Moveu os lábios e inclinou a cabeça.

Foi a frase mais difícil que o homem já disse. Após pensar profundamente por um longo tempo, Seunghyun voltou a encontrar o olhar dele intensamente. Suas pupilas límpidas eram como a superfície da água refletindo a luz do sol.

Seunghyun pegou a mão do homem que tapava sua boca e a abaixou. O que ele vai dizer agora? Jaeil olhou para Seunghyun com os olhos semicerrados.

— Isso é possível?

Ao encontrar o olhar cheio de expectativa, Jaeil soltou uma risada sarcástica. O que era esse hábito de bêbado de Ji Seunghyun?

— Você tem essa intenção?

Quando Jaeil disparou a pergunta levemente, Seunghyun desviou o olhar e empurrou a própria bochecha com as costas da mão. Era incrível como, mesmo em uma situação onde a consciência ia e vinha pela embriaguez, ele conseguia distinguir o que era vergonhoso.

A ponta da orelha, que aparecia entre os cabelos molhados, estava vermelha. Suas pupilas, que não ousavam olhar para o homem, giravam desordenadamente. As pontas dos dedos entrelaçados também se moviam sem parar. Ele estava respondendo que sim com o corpo todo.

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Pôquer Sangrento (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?
Nome alternativo: Blood Poker Pquer Sangrento

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