Ler Pôquer Sangrento (Novel) – Capítulo 02.3 Online

Blood Poker 02, Parte 03
Ao verem Jaeil acordar do coma, as pessoas ao redor diziam uníssonas que era um milagre. Os órgãos internos foram severamente danificados pela febre alta e o surto que atingiu o ápice empurrou o homem inúmeras vezes para o abismo. Durante o transporte para o hospital, seu coração parara várias vezes. A equipe médica, que previra que lesões cerebrais seriam inevitáveis caso ele acordasse, não conseguia esconder a surpresa.
Não havia precedentes históricos assim. Como era possível tal coisa no mundo? Eles estavam prontos para escrever até teses sobre o homem que se recuperava em uma velocidade assustadora.
Jaeil treinou novamente os músculos que haviam atrofiado por não terem sido usados por dois meses e suportou bem os tratamentos agressivos que não podiam ser feitos quando estava inconsciente.
A equipe médica supunha que sua recuperação monstruosa se devia à marcação com Ji Seunghyun. Além disso, o parceiro da marcação era um Backspell de classe A. Um guiding de alta qualidade, feito com todo o empenho, era fornecido diariamente e, graças a isso, a data prevista para a alta do homem era antecipada dia após dia.
Ao chegar ao hospital, Seunghyun pegou o elevador para ir à sala de reabilitação para sensitivos. Quando ia fechar a porta, viu duas pessoas, que pareciam ser mãe e filho, caminhando apressadamente.
Ao descobri-los, os olhos de Seunghyun se arregalaram levemente e depois diminuíram. Foi porque o caminhar da criança não era normal. A sala de reabilitação infantil também ficava no mesmo andar onde Jaeil estava. Seunghyun esperou silenciosamente com o botão de abrir pressionado.
— Obrigada.
A mãe da criança agradeceu. Seunghyun respondeu com um curto “por nada”.
Assim que a porta do elevador se fechou, a criança balançou levemente a mão da mãe. O olhar meigo da criança dirigiu-se para cima.
— Mamãe, se eu fizer bem o tratamento hoje, você me dá o cartão do desejo?
A voz era límpida e sonora, o que naturalmente atraiu o olhar.
— É verdade. Como o Eun-seok se esforçou tanto até agora, a mamãe com certeza vai te dar o cartão do desejo.
— Sim! Mas não vou usar hoje mesmo.
— Sim. Use quando o Eun-seok quiser. A mamãe vai esperar.
Vozes ternas e fofas ecoaram alternadamente no elevador. Só pela conversa, podia-se sentir o amor. Seunghyun, sentindo um formigamento na região do peito, desviou o olhar para outro lugar.
Logo, a porta se abriu com um aviso sonoro alegre. A criança e a mãe saíram primeiro, seguidas por Seunghyun. Como Seunghyun previra, eles entraram pela porta da sala de reabilitação infantil. Seunghyun, que acompanhou o trajeto deles sem querer, murmurou para si mesmo:
— Cartão do desejo…
Seu olhar, que caíra até o chão do corredor, subiu lentamente. Em seus lábios, já havia um sorriso travesso.
Seunghyun abriu a porta da sala de fisioterapia e colocou apenas o rosto para fora. Os olhos de Seunghyun, que procuravam pelo homem, varreram amplamente o interior.
O homem estava conversando com um fisioterapeuta. O cabelo um pouco comprido não estava arrumado e, como os outros, ele vestia o pijama de hospital com listras brancas. Embora fosse a aparência mais simples que ele já mostrara, Seunghyun conseguiu encontrá-lo facilmente. Era por causa do porte físico e da aparência que não podiam ser escondidos por tais coisas e eram incomparáveis.
Jaeil, ao descobrir Seunghyun, fez um sinal com a mão para ele vir, sem demonstrar surpresa.
Enquanto caminhava até ele, Seunghyun sentiu um leve arrependimento. A brincadeira de aparecer de surpresa para assustá-lo não funcionaria mais com ele daqui para frente. Claro, isso incluía a si mesmo também.
O homem, que trocou cumprimentos com o fisioterapeuta, levantou-se. Agora ele caminhava bem, o que diminuía a preocupação.
— O senhor se saiu bem hoje também?
Quando Seunghyun puxou assunto, o homem o observou com um olhar suave.
— Sim, saí. Você já comeu?
— Queria comer com o senhor.
Embora soubesse que ele caminhava bem, Seunghyun naturalmente apoiou a cintura do homem e segurou sua mão. Foi uma ação feita com segundas intenções, mas o homem, não se sabe se não percebeu ou se fingiu não perceber, não rejeitou a consideração de Seunghyun. Pelo contrário, segurou firmemente a mão estendida para não soltar.
No caminho para o quarto de hospital do homem, Seunghyun falava confortavelmente sobre a primeira coisa de que se lembrava.
— Hoje, o Esper Joo Seung-se me ensinou a atirar.
— É mesmo.
— Sim, mas eu não via nada e ele ficava mandando eu acertar, foi um pouco difícil.
— …….
Parando subitamente, Jaeil olhou fixamente para Seunghyun.
— É o Sargento Joo Seung-se, certo?
E ele murmurou o nome e a patente de Joo Seung-se como se estivesse gravando-os. A atmosfera que mudou subitamente era um tanto sombria. Seunghyun sentiu uma ansiedade vaga de que talvez tivesse cometido um deslize ao falar.
— Mas foi divertido.
— …….
O olhar que examinava a expressão de Seunghyun, temendo que fosse mentira, era persistente. A energia que era calma ardeu em vermelho. Compreendendo o motivo, Seunghyun aproximou-se sutilmente do homem.
Era um contato que seria constrangedor até chamar de toque, mas o homem ficou visivelmente abalado.
— O qu-quê… foi isso.
A voz calma ficou levemente alterada. Seunghyun esfregou suavemente o nariz no pijama de hospital do homem e disse:
— Esper.
— Sim.
— Existe algo chamado cartão do desejo.
Um olhar de estranheza foi lançado na bochecha de Seunghyun. Seunghyun sorriu abertamente e encontrou o olhar dele.
— …….
Jaeil, surpreso com o sorriso indefeso, franziu a testa em seguida. Sua palma grande bagunçou o topo da cabeça de Seunghyun.
Sem saber o que se passava em seu íntimo, ele estava tentando seduzi-lo. Sem escolher hora nem lugar. Cada vez que o via, seu coração quase caía, mas ele não podia dizer isso e era realmente complicado.
Ji Seunghyun andava distribuindo sorrisos por aí ultimamente a ponto de parecer leviano. Ele não agiria assim em outros lugares, agiria? Diante do sorriso lindo que causava até ansiedade, Jaeil conteve sua raiva secretamente. Para começar, aquele Joo Seung-se ou algo assim já o incomodava há tempos.
— No dia em que o Esper receber alta, eu lhe darei um cartão do desejo. Se houver algo que o senhor queira ter ou comer, por favor, me diga.
— …….
Jaeil, que olhou atravessado para Seunghyun com uma expressão de incredulidade, caminhou em silêncio. Seunghyun, que previra que ele não teria uma grande reação, mas achou que aquilo fora demais, exibiu seu poder financeiro.
— É verdade. Agora eu recebo salário e posso gerir meu dinheiro sozinho.
— É mesmo.
— Pode falar algo caro. Recentemente, descobri a ótima função chamada parcelamento.
Foi logo após chegar à frente do elevador e apertar o botão. Sentindo um olhar intenso, Seunghyun ergueu o rosto.
— Então…
Jaeil, após um momento de reflexão, abriu a boca lentamente.
— Quantos você me dá?
— …….
Seunghyun ficou sem palavras por um instante. Não esperava que ele mencionasse a quantidade. Passada a surpresa, ele olhou de soslaio para o homem com olhos semicerrados.
— Espeeer… Eu não esperava isso do senhor.
— Me dê dois.
Ele pede descaradamente, como se estivesse cobrando algo que lhe pertencesse. E, por serem poucos, uma risada escapou involuntariamente.
Seunghyun, honestamente, pretendia dar quantos ele pedisse. Claro, com um prazo generoso. Seunghyun, que sentiu uma onda de satisfação apenas ao ver o olhar expectante do homem, apertou os lábios. Quase o incentivara a pedir mais. No entanto, desperdiçar desejos preciosos não condizia com o propósito, então o certo era se conter ali.
— Sim. Como é para o Esper, darei dois especialmente.
— Obrigado.
— …….
“Obrigado”, ele disse. Seunghyun sentiu as pontas das orelhas esquentarem subitamente com a forma de falar direta e educada do homem. Seria melhor se ele desse algum aviso antes de entrar assim. Era um absurdo que qualquer coisa fizesse seu coração gelar.
— …….
Consciente do homem, Seunghyun subiu a mão e mexeu na orelha. Com certeza estaria vermelha. Ele queria que o outro não percebesse. E, mesmo que percebesse, que fingisse que não viu. Seunghyun desejou intimamente.
Desde que admitiu seus sentimentos, Seunghyun tentava intencionalmente mostrar um ar de tranquilidade. Do contrário, suas emoções oscilariam descontroladamente. Cada vez que perdia o controle para o homem, como agora, sentia uma sensação de derrota inexplicável. Ao mesmo tempo, surgia um ceticismo sobre se esse tipo de medição de forças tinha algum significado.
Quando pensava no homem, ficava simplesmente feliz, mas também acabava batendo o pé de uma ansiedade desconhecida. Quanto mais pensava, mais achava ser um sentimento estranho e difícil.
Felizmente, o elevador chegou na hora certa. Seunghyun fingiu estar calmo e deu o passo acompanhando o ritmo do homem. Queria que as emoções que palpitavam sem juízo se acalmassem logo.
A porta se fechou. E foi no momento em que ergueu a cabeça para olhar o painel indicador. Seunghyun, que olhou de relance para o homem sem querer, arregalou os olhos. O rosto estava excessivamente perto. Quando foi que ficou assim?
— Oh?
Com uma pequena exclamação, seu queixo foi erguido. Foi porque o homem segurou o queixo de Seunghyun e uniu seus lábios. Seguindo uma leve inspiração, as bocas se encontraram com ímpeto. Antes que pudesse processar a situação, as línguas se tocaram. Foi um beijo repentino e unilateral, a ponto de fazê-lo arregalar os olhos.
— …….!
Seunghyun, assustado, deu meio passo para trás. O homem puxou de volta Seunghyun, que recuara como se estivesse fugindo. Mal sustentou a cintura com firmeza e já inclinou o queixo para entrar novamente.
O homem, que envolveu suavemente a língua rígida, abriu os olhos languidamente. Coisas eróticas transbordavam em suas pupilas.
Seunghyun, que recebia o homem distraidamente, debateu-se às pressas. Pela brecha que conseguiu criar, soltou uma frase urgente.
— Ar… fôlego.
No entanto, por algum motivo, ele foi implacável. O homem invadiu ainda mais agressivamente. Após morder levemente o lábio que ele tentava fechar para que se abrisse, ele entrelaçou até a base da língua.
Tudo o que era transmitido era estonteante e quente. Como ele despejava como uma chuva passageira, era difícil apenas acompanhar. A cintura de Seunghyun foi se inclinando cada vez mais e o homem inclinou o tronco seguindo-o. No fim, sem chance de fazer nada, as partes baixas se tocaram.
— Ugh…
Apenas pela pressão nos órgãos genitais, sua visão pareceu derreter. Seunghyun, que ficou vermelho num instante, estendeu o braço para trás e apoiou-se na parede do elevador. Foi porque perdeu a força no corpo.
Embora esse tipo de contato tenha sido raro por um tempo, ali era um local público e pleno dia. Não era um comportamento esperado de um homem silencioso e racional. Sendo um choque por vários motivos, Seunghyun apenas arquejava em busca do fôlego que lhe faltava.
O homem puxou bruscamente a região lombar de Seunghyun. A parte inferior do corpo ficou ainda mais colada.
— Posso usar um hoje?
— …O quê?
Seunghyun, que nem em sonho imaginou que aquilo se referia ao cartão do desejo, arregalou os olhos. Pensar que o senhor usaria a gentileza que ofereci desta forma. A conversa pura entre a criança e a mãe veio à mente. Seunghyun, sentindo-se culpado e constrangido à toa, cobriu o rosto com as duas mãos.
— Isso… só depois da alta…
A porta do elevador estava se abrindo novamente. O homem afastou o corpo lentamente, como se nunca tivesse avançado sobre ele. Pensando bem, ele nem sequer havia apertado o botão. Jaeil, que olhou indiferente para as pessoas que esperavam do lado de fora, puxou suavemente o braço de Seunghyun, que ficara grudado na parede.
— Então, depois da alta.
— …….
— O quanto eu quiser.
Com a frase que selou a questão, Seunghyun ficou com a mente confusa. Não era apenas pelas palavras de dar vergonha. O homem também era implacável em suas ações. Parecia que o coração palpitante ia atravessar as costelas.
— …….
— …….
Dentro do elevador em movimento, Seunghyun teve que sofrer até com uma tontura repentina.
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Após o homem acordar, Seunghyun refez o exame e passou com facilidade, inclusive com uma nota próxima da pontuação máxima. Como tinha alguém de confiança protegendo seu corpo e mente, sua habilidade progredira rapidamente.
Com o coração satisfeito, comia bem e dormia bem. Sempre que sentia saudades, podia ver Jaeil. Se quisesse, podia dormir ao lado dele. Seunghyun estava passando por uma rotina mais satisfatória do que em qualquer outro momento nos últimos anos.
— Novato, aqui… ah, agora também tenho que mudar a forma de chamar.
Joy, por hábito, ia chamar Seunghyun, mas cobriu a própria boca.
— Tudo bem.
Ao chamado de Joy, Seunghyun aproximou-se dela. Ele vestia um uniforme de tom preto, mas seu caminhar exalava um desconforto. Era porque era a primeira vez na vida que usava uma roupa tão formal.
Claro, apenas o próprio interessado se sentia desconfortável. Ji Seunghyun, que tinha boas proporções e pele clara, vestia muito bem o uniforme que usava pela primeira vez. No caminho para o auditório principal com Joy, ouviu-se várias vezes o murmúrio de “quem é aquela pessoa?”, mas Seunghyun nem imaginou que aquilo pudesse ser sobre ele.
Seunghyun olhou de relance para as dragonas em seu paletó e ergueu bem o peito. Sua postura tornou-se ereta naturalmente.
— Tudo bem nada, você não é mais um recruta. Sente-se aqui.
Eles estavam reunidos em uma sala de descanso localizada no primeiro andar do auditório. Sentado na cadeira, Seunghyun observou em silêncio as ações dela. De uma bolsa pequena, saíram várias coisas de utilidade desconhecida. Mais surpreendente que o que eram, era o fato de que tudo aquilo cabia ali dentro.
Joy colocou um pouco de cera na mão e esfregou as palmas. Em seguida, ela puxou para cima, sem hesitar, o cabelo de Seunghyun, que ele havia arrumado para se produzir.
Com isso, a testa redonda e o rosto suave, porém com ângulos adequados, revelaram-se de forma refrescante. A pele límpida e os olhos grandes atraíam o olhar de forma singular. Joy, que pôde desfrutar por um momento da aparência plena de Seunghyun, sorriu com os olhos.
— Nosso Sargento tem um visual radiante.
— …….
— Eu nem tinha percebido.
Embora ele fosse quem mais desfrutava das conversas divertidas com ela, hoje ele não conseguiu manter a serenidade. Baixou o olhar, sentindo-se envergonhado com o título que lhe deram. Por ter recebido até elogios sobre sua aparência, algo que não esperava, ficou ainda mais encabulado.
— Erga a cabeça.
— Siiim…
Com alguns toques das mãos dela, Seunghyun transformou-se em um homem de aparência limpa e sofisticada. Seunghyun, que se observou no pequeno espelho de mão que ela lhe deu, ficou bastante surpreso. Não imaginava que poderia mudar tanto apenas com o estilo do cabelo.
— Obrigado.
Ela fizera tudo o que podia, mas o problema era a postura. Joy, com uma expressão de insatisfação, o apressou.
— No palanque, não fique assim encolhido, entendeu?
— Sim.
— O Jaeil disse que te ensinou a continência.
— Sim.
— Faça.
— Er… assim.
Ao levantar a mão de forma desajeitada, Joy conteve o riso. A continência aprendida com o Esper mais excelente do Centro era precária ao extremo.
— O Jaeil deixou isso passar?
— Ele disse que era o suficiente. Quer que eu tente de novo?
— Deixa para lá. É só cumprir o básico.
Hoje era um dia importante por vários motivos. O maior era a cerimônia de condecoração dos sensitivos e, o segundo, a cerimônia de nomeação simbólica de Seunghyun. Por fim, era também o dia em que Jaeil finalmente receberia alta.
— E o Jaeil?
— Ele disse que viria a tempo. Falamos por telefone de manhã.
Joy pegou o quepe que estava sobre a mesa. Entregou um para Seunghyun e colocou o outro preso à sua cintura. Ela também vestia o mesmo uniforme que Seunghyun.
— Certo, vamos agora?
— Sim.
O auditório estava lotado, tanto de sensitivos fardados quanto de altos oficiais. Não era exagero dizer que era um evento com um significado especial, além de ser apenas uma cerimônia de condecoração. Era também um local de celebração da paz recuperada em Haon após a eliminação dos terroristas.
Claro, ainda não era uma situação de segurança total. Até que todos os remanescentes da Nature infiltrados no Distrito 13 fossem capturados, o estado de alerta de Neo seria intensificado.
A cerimônia de condecoração de hoje serviu para honrar os esforços dos sensitivos e, ao mesmo tempo, funcionou como uma pequena pausa para que Neo pudesse avançar para a próxima fase.
Seunghyun, sem perceber, ficou rígido e seus passos tornaram-se lentos. As energias coloridas emanadas pelos Espers e a multidão agitada confundiam seus olhos. Era desolador pensar que teria que subir naquele palanque diante de tanta gente para receber até um certificado de mérito.
O certificado era dado em reconhecimento ao mérito de ter protegido os sobreviventes na loja de departamentos, mas Seunghyun, se pudesse, gostaria de recusar.
Tudo o que fizera foi seguir o homem. Quem protegeu a todos, inclusive a si mesmo, fora o homem. Seunghyun sentia-se desconfortável até hoje por receber uma honra que considerava vazia.
Ontem à noite, como achava que não tinha mérito para tal, desabafou seus sentimentos com o homem. No entanto, Jaeil negou com um tom firme, como se ele nem devesse ter tais preocupações.
‘Guia. Eu não sou uma pessoa tão boa assim. O fato de eles terem sobrevivido é todo graças ao guia, então não diga isso.’
Mas por que ele dizia não ser uma pessoa boa? Ele era realmente uma boa pessoa. Seunghyun, não gostando disso para começo de conversa, fechou bem a boca.
Então, o homem, dizendo que não havia o que fazer mesmo que ele fizesse aquela expressão, deu-lhe outro beijo sem permissão. Ele entrelaçou a língua sem aviso e o fez perder o juízo. Após o beijo no elevador, ele nem conseguia contar quantas vezes fora pego. Ha Jaeil, que acordara do longo sono, tornara-se um criminoso habitual muito atrevido.
— Oh, olha o Rowan ali.
Joy puxou a manga de Seunghyun e desceu as escadas.
— Você veio?
Rowan, ao descobri-los, moveu-se duas cadeiras para o lado para abrir espaço.
— E o Jaeil?
— Ele está vindo. Acho que já está quase chegando.
Seunghyun sentia vagamente a localização dele.
— Você consegue sentir onde ele está?
— Se eu me concentrar, sim.
— É conveniente isso da marcação. É até um pouco assustador.
A impressão honesta de Rowan era a pura verdade. Seunghyun, assentindo, pensou que deveria perguntar ao homem mais tarde. Se ele não se sentia desconfortável. Se sim, que se esforçaria para fingir que não sabia. Então, deixou os ombros caírem. Foi pelo ceticismo de que o momento para perguntar aquilo já passara há muito tempo.
Seunghyun, que olhava para o chão com o rosto desanimado, ergueu a cabeça ao sentir uma sensação repentina. O batimento cardíaco do homem aproximou-se. Ao começar a ter consciência, ele tornava-se ainda mais forte. Cada fibra de seu ser apontava em uma direção. Seunghyun esticou o pescoço procurando pelo homem.
Uma porta não muito longe, à direita do palanque, abriu-se e o homem apareceu.
Por um instante, o ar ao redor do homem pareceu parar. Foi porque os olhares de todos, sensitivos ou não, concentraram-se nele. Seunghyun, que o descobriu de longe, teve a mesma reação. Apenas piscou os olhos.
Jaeil vestia o uniforme para Espers e o porte que exalava de seus ombros largos e corpo firme era superior. No olhar languido, na ponte do nariz proeminente e na linha do queixo bem definida, havia uma mistura adequada de masculinidade e sensualidade.
Então é assim que fica quando o Esper famoso por ser o mais bonito do Centro decide se produzir. Aqueles que o viram estavam ocupados sussurrando com quem estava ao lado. O conteúdo era óbvio. Admiração e aclamação seriam a maioria.
O homem, assim que entrou, varreu amplamente o auditório e caminhou atravessando-o em direção ao lugar onde sua equipe estava.
Apenas caminhar com o quepe preso à cintura fina transbordava elegância. Embora o estilo do cabelo fosse apenas tê-lo penteado para trás de forma limpa, ele emanava um charme completamente diferente.
Como pode uma pessoa ser tão bonita assim? Seunghyun, que o observava como se estivesse enfeitiçado, baixou a cabeça bruscamente. Foi porque o homem olhou para aquela direção logo antes de se sentar.
O motivo de o interesse se concentrar em Jaeil não era apenas o charme externo. Ele, que todos achavam que morreria, apareceu normal, ou melhor, ainda mais saudável. A aparição de Ha Jaeil, que detinha o maior mérito desta guerra e tinha uma promoção de duas patentes prevista, era suficiente para atrair o olhar de todos.
O homem olhou fixamente para Seunghyun e depois desviou o olhar para kiju. Algumas palavras foram trocadas.
No bolso de Seunghyun, que estava confuso sem saber para onde olhar, o celular vibrou. O remetente da mensagem era, obviamente, o homem.
[Guia. Você está sentindo dor em algum lugar?]
Seunghyun apertou o peito com tanta força que o uniforme chegou a amassar. O problema era este coração. Por ele estar palpitando sem saber o que se passa na mente de seu dono, o homem percebera. Esfregando as bochechas ardentes, Seunghyun apertou as teclas como se estivesse descontando a raiva.
[Não há nada de errado. É apenas que eu me surpreendi porque o Esper está muito bonito.]
Ao verificar a mensagem, o homem virou a cabeça bruscamente. Ele encarou o topo da cabeça de Seunghyun com uma expressão peculiar e depois ergueu o queixo. Parecia até que soltara um suspiro.
[Hoje eu terei que usar os dois cartões do desejo que o guia me deu.]
Seunghyun, que recebeu a resposta, baixou profundamente a cabeça. Havia esquecido.
[Qual é o outro?]
A equipe do palanque movia-se apressadamente, indicando que o evento estava prestes a começar.
[Eu lhe direi mais tarde.]
Parecia que a voz saía da mensagem e o conteúdo era como uma declaração de guerra. Seunghyun, segurando firme o celular, ignorou o homem. Não sabia o que era, mas o que quer que ele dissesse, o pegaria de surpresa.
— …….
Seunghyun, com o cotovelo e o queixo apoiados no braço da cadeira, estava com o rosto vermelho até o pescoço. Joy cutucou sua bochecha. Ela começou a provocá-lo, sussurrando que o rosto dele parecia que ia explodir a qualquer momento. No entanto, Seunghyun não tinha sanidade para acompanhar a brincadeira dela.
A cerimônia de condecoração seguiu sem problemas. Seunghyun e Jaeil ficaram lado a lado e receberam os certificados. No peito de Jaeil, brilhava a insígnia entregue pessoalmente pelo Ministro da Defesa. Seunghyun, que recebeu oficialmente a patente de sargento, não escondeu o sorriso. Era um dia tão feliz e gratificante que não podia ser descrito com palavras.
No caminho para fora do auditório após terminar todos os compromissos, Seunghyun tirou o quepe e olhou para o céu.
— …….
O vazio azul, sem uma única nuvem, era ensolarado e refrescante, ao contrário de seus sonhos. Seunghyun, desta vez, baixou o olhar lentamente para as pontas de seus pés.
Mesmo que o chão em que pisava fosse duro, parecia que agora ele conseguiria criar raízes. Ele florescerá abundantemente e superará o mau tempo sem dificuldades.
Não estava mais sozinho. Havia a mentora que criara um guia novato sem nada até aquele ponto, as pessoas que o julgaram apenas por sua habilidade, e o homem que acolheu suas feridas dolorosas e seu inconsciente quebrado. Não estava vazio. Não estava triste nem solitário.
— O tempo está bom.
Seunghyun puxou assunto com o homem que já se aproximara. O homem, acompanhando o ritmo de Seunghyun, respondeu baixo com um “é verdade”.
Enquanto caminhava com postura ereta, a ponta do dedo de Seunghyun entrelaçou-se cuidadosamente com a do homem. O batimento cardíaco de Seunghyun, que fingia indiferença enquanto buscava o contato, sussurrava alegremente nos ouvidos do outro. O homem olhou para o perfil de Seunghyun com uma expressão de quem estava em apuros. A frase “não me provoque mais” chegou à ponta de sua língua.
Como se lembrasse de algo, Seunghyun sorriu radiante e ergueu os olhos.
— Esper. Qual é o segundo desejo?
— …….
Jaeil não disse nada. Apenas segurou com força os dedos que estavam frouxamente entrelaçados.
— …….?
Os ombros de Seunghyun, que desfrutava do toque do homem com um sorriso bobo, subiram de susto.
— O quê?
Suas bochechas, ao perguntar de volta surpreso, pareciam ter sido pintadas com tinta vermelha.
O homem ocasionalmente mostrava suas intenções a Seunghyun através de pensamentos, e desta vez ele usou esse método novamente. Seunghyun, que ficou vermelho até as orelhas, virou a cabeça para o lado oposto.
O homem olhava para baixo para Seunghyun com um olhar intenso, como se buscasse uma resposta. Podia-se saber sem precisar olhar. Era um olhar impossível de suportar.
Seunghyun colocou o quepe de volta e o puxou para baixo. Foi um esforço para não mostrar o rosto ardente. Seu rosto, que já era pequeno, ficou pela metade escondido pelo quepe inclinado.
Seunghyun tentou dizer algo. Então, o homem apertou a mão que segurava. Uma forte intenção de que ele não aceitaria um “não”, independentemente do que fosse dito, foi transmitida.
— …….
— …….
Seunghyun não conseguiu nem responder, nem tirar a mão, apenas continuou caminhando. O que o homem dissera não era algo vergonhoso nem constrangedor. No entanto, abalou todas as suas emoções por completo. Não queria interpretar demais, mas o significado transmitido pelo homem era excessivamente grande. O interior de seu peito não parava de inflar suavemente.
Joy aproximou-se por trás com passos alegres.
— O que vocês dois estão fazendo hoje? Jaeil, não vai ter confraternização?
— Hoje ficarei com o guia.
Joy, erguendo um canto da boca maliciosamente, perguntou de forma provocadora:
— Só os dois?
— Sim. Só os dois.
Por causa do homem que respondia sem qualquer hesitação, apenas Seunghyun ficava inquieto. Dizendo para terem um bom tempo e pedindo para comerem juntos mais tarde, ela se afastou, e o silêncio retornou.
Seunghyun ainda não conseguira acalmar sua agitação. O homem puxou a mão de Seunghyun para perto de si e disse:
— Não pode voltar atrás.
— …….
O pensamento do homem que deixou Seunghyun tão atordoado foi: ‘Vamos morar juntos, Seunghyun-ah.’
Seunghyun sabia melhor do que ninguém que a proposta dele continha muitos significados. Provavelmente seria uma extensão da frase “você é precioso”.
O homem, que não era bom com as palavras, transmitiu seu coração em poucas palavras. Aquele era um pedido sincero de que ele queria Seunghyun perto, e ainda mais profundamente, em sua vida. Por isso, foi ainda mais emocionante e desconcertante.
No entanto, Seunghyun decidiu agir de acordo com o que seu coração mandava. A vida era curta e preciosa demais para ser vivida de outra forma. Seunghyun tinha muito o que dizer ao homem. Tinha tantas outras coisas que desejava fazer ao lado dele. O que queria compartilhar e a conexão que desejava sentir eram sentimentos que transbordavam.
Portanto, não havia razão para recusar a sinceridade dele. Mesmo que houvesse, não seria hoje.
Ele segurou firme a mão do homem que, ainda hoje, tentava acolhê-lo. E, através daquela pequena área de contato, deixou fluir sua energia límpida. Era uma permissão tímida.
Sobre os ombros dos dois homens uniformizados, a luz derramava-se lado a lado.
⌀ Fim da história principal de Blood Poker ⌀
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Pôquer Sangrento (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?
Nome alternativo: Blood Poker Pquer Sangrento