Ler Pôquer Sangrento (Novel) – Capítulo 01 Online

Blood Poker 01
Após a notificação de detecção de pulso, não demorou muito para que o alerta de surgimento de um Cubo Oni ecoasse. A situação não era boa. O local era um hospital psiquiátrico consideravelmente afastado do centro de Haon, que também era o último lugar onde o carro de Daniel, rastreado por CCTV, havia desaparecido.
Uma equipe de vanguarda foi formada principalmente por Espers cujo nível de risco de amplificação era seguro, ou seja, abaixo de 20%. Jaeil, que estava acima de 30%, decidiu receber o guia dos gêmeos.
Diferente de outros Espers, cujas taxas não eram constantes, Jaeil costumava entrar em ação mesmo estando abaixo de 40%, mas, desta vez, ele mesmo solicitou o guia. Era um fato sem precedentes.
Assim que entrou na sala de guias, Jaeil tirou o traje de combate. Em seu corpo repleto de músculos, havia cicatrizes espalhadas, vestígios de como ele havia negligenciado a própria segurança até então.
Era um corpo que ele nunca revelou prontamente a ninguém. Sendo alguém que não permitia o acesso ao seu corpo tanto quanto ao seu coração, era a primeira vez que ele se mostrava tão determinado. O rosto do homem, que tentava receber o guia da forma mais eficiente possível, estava terrivelmente sombrio.
Joy não conseguiu nem cumprimentar Jaeil adequadamente. Além da energia, as emoções do homem estavam tão intensas que ela ficou paralisada de medo.
Ela se escondeu atrás de Rowan, deixando apenas as mãos à mostra. As pequenas mãos dos gêmeos se sobrepuseram ao coração do homem. Rowan segurou firmemente a mão de Joy e disse:
— Vou começar.
A energia do homem, emanando de um coração que batia forte com excitação e fúria, fluiu através das palmas das mãos deles.
Como tratava-se apenas de baixar o nível até onde a habilidade dos gêmeos permitia, não era um grande fardo para ninguém. No entanto, o coração de todos estava inquieto, preocupados com o bem-estar de Ji Seunghyun. Durante o processo, nenhum dos três ousou quebrar o silêncio.
Após alguns minutos, o homem rompeu o silêncio pesado e disse:
— Ele disse que precisava do… sangue de Ji Seunghyun.
— …….
Atrás de Rowan, Joy tremeu, e Rowan franziu o cenho.
Rowan, que parecia concentrado no guia por um longo tempo, finalmente abriu a boca. Sua voz profunda ecoou pela sala.
— Jaeil.
Jaeil olhou para o rosto endurecido de Rowan sem dizer nada.
— Deve haver uma razão para ele ter precisado te provocar.
— …….
— Tome cuidado.
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A equipe de vanguarda, que chegou o mais rápido possível em um helicóptero militar, observou com horror o hospital transformado em um Cubo Oni.
Embora soubessem que ele se manifestaria assim que o pulso fosse detectado, era impossível não sentir calafrios ao vê-lo. Massas de terra pretas e viscosas fervilhavam como vermes seguindo um fluxo constante. Em suma, era algo asqueroso e horrendo. Todos na equipe de vanguarda, incluindo Bern, expressaram seu desconforto e choque de diferentes maneiras.
O ex-ministro da Saúde e Bem-Estar, exonerado há sete anos por acusações de suborno, e Odin, que apoiava a Nature do Setor 13, confessaram tudo após serem presos.
O local, identificado por essas confissões como a base dos inimigos, estava operando normalmente até hoje. O hospital, que abrigava mais de 80 pacientes, fora engolido pelo Oni e perdera completamente sua forma original.
A maioria das pessoas no hospital devia ser mentalmente instável. Mesmo que uma equipe de busca fosse enviada agora, era duvidoso que encontrariam sobreviventes, mas se houvesse a menor esperança, o certo era resgatar.
E o mais importante: Ji Seunghyun estava lá dentro.
Os pesquisadores de Haon, que analisaram os dados de pesquisa de Daniel entregues por Odin, não conseguiram esconder o choque. Os documentos não visavam a coexistência com Onis e Gons, mas sim métodos para transformá-los exclusivamente em armas.
A maior conquista da pesquisa era a tecnologia de condensar a energia física dos monstros em um núcleo para explodi-lo no momento e lugar certos, além do método de transferir a localização do núcleo contido nos Gons.
Os inimigos tiraram centenas de vidas com extrema facilidade, apenas para manifestar suas intenções. Por mais que insistissem em sua própria justiça, o fato de serem egoístas e cruéis não mudava. É claro que Neo também precisava admitir seus erros. Deveriam ter previsto que o clamor deles, ignorado por décadas, um dia explodiria dessa forma.
— Delta 1. Vou entrar.
— Delta 2. Subirei direto para o segundo andar.
De acordo com os dados de pesquisa, os Gons evoluídos que consumiam humanos não se tornavam tipos deformados. Portanto, havia uma alta probabilidade de que os Gons que agora infestavam o hospital fossem, em sua maioria, espécies comuns.
Mesmo assim, não podiam baixar a guarda. Isso porque o laboratório onde Daniel criava os tipos deformados e a base principal deles ficavam no subsolo do hospital psiquiátrico.
A equipe de vanguarda ficou encarregada da busca e resgate de sobreviventes, enquanto a retaguarda tinha como objetivo confirmar a sobrevivência de Ji Seunghyun e a aniquilação total de quaisquer tipos deformados que pudessem surgir.
Jaeil, que baixou seu nível para 25% após o breve guia dos gêmeos, saltou do helicóptero. O som dos motores e hélices se misturava ao barulho de tiros e bombardeios.
Cerca de vinte Espers fortemente armados seguiram Jaeil. Entre eles estavam Kiju e Seokwoo.
Bern estava recebendo relatórios da situação da equipe de vanguarda via rádio. Ao avistar Jaeil, ele acenou para que se aproximasse.
— …….
— …….
Um olhar apreensivo percorreu a postura ereta de Jaeil.
Em menos de dois dias, o guia de Jaeil estava novamente em perigo. Embora não tivesse contado a ele, Ji Seunghyun estava sob suspeita apenas por ser do Setor 13. Bern, que ouvira várias informações através de kiju, era cauteloso ao dirigir a palavra a ele.
— No momento, a localização exata do guia Ji Seunghyun é incerta. A velocidade da busca será muito mais lenta do que se houvesse um sinal de resgate.
— …….
— O pior cenário é, bem… se aquele psicopata já tiver usado outro plano ou, hum, se ele tiver sido pego pelo Oni.
Isso significava que, se Seunghyun tivesse sido usado para os propósitos de pesquisa de Daniel ou se já tivesse sido engolido pelo Oni, nem mesmo o corpo seria encontrado. Como todas as hipóteses eram negativas, a voz de Bern falhava constantemente.
— Capitão.
A voz baixa de Jaeil soou enquanto ele ouvia calmamente.
— Como estou atualmente em estado de sincronia (branding) com o guia Ji Seunghyun, posso identificar vagamente suas coordenadas. Acho que ficará mais preciso à medida que a distância diminuir.
— O quê? Sincronia? — A boca de Bern se abriu de espanto, mas o interessado estava incrivelmente calmo.
— Des-desde quando?
— Tive certeza há dez minutos.
“Dez minutos atrás.” Os olhos de Bern se arregalaram novamente. Ele já desconfiava quando o encontrou no alojamento do Setor 1. A imagem dele transbordando vitalidade, algo que nunca vira antes, fora impressionante. Pensando no fato de ele ter quase matado Go Jung-yeol anteriormente, não era de se estranhar, mas Ha Jaeil realizar uma sincronia… Mesmo pensando bem, não parecia combinar com ele.
— Por favor, organize uma equipe com Espers de sistema físico de nível médio ou superior que tenham boa pontaria. Para o sistema mental, qualquer nível serve, desde que tenham excelente capacidade de defesa.
— Onde ele está?
— Embaixo.
Ele devia estar ouvindo as batidas do coração. Bern não conseguia saber se Jaeil estava tão resoluto por saber que ele ainda estava vivo ou se já havia se conformado. As palavras e ações do homem eram quietas e estáticas.
Como colega e superior que acompanhou Jaeil por muito tempo, Bern tinha uma montanha de perguntas, mas esforçou-se para manter a compostura. Então, começou a montar a equipe considerando os níveis de habilidade e a compatibilidade com Ha Jaeil.
A equipe de Jaeil era composta por oito pessoas no total. O grupo, formado por Espers que já haviam trabalhado com ele em várias missões, incluía Kwon kiju, Luis Winter e Jin Seokwoo.
Ao contrário de outras equipes que eliminavam os Gons sequencialmente conforme as ordens, a equipe de Jaeil tinha permissão para operar de forma independente. E Bern, ao dar autoridade total a Jaeil, apresentou uma única condição a todos os membros. Era uma diretriz superior.
— Caso julguem que Ji Seunghyun tem envolvimento com a organização terrorista, executem-no imediatamente.
Assim que Bern terminou de falar, a maioria dos membros da equipe demonstrou desconforto.
— Is-isso não vai acontecer.
kiju foi o primeiro a se manifestar, horrorizado, balançando as mãos. Ele engoliu o pensamento: “Cuidado, o senhor está dizendo algo que vai causar um desastre”.
— Sim, o guia Ji Seunghyun não tem estômago para isso. Ele nem sabe mentir.
Em seguida, Luis Winter concordou com um sorriso amigável.
— Ele? Duvido muito.
Jin Seokwoo foi o último a inclinar a cabeça em dúvida. Ele guardou para si a impressão de que o homem era apenas gentil e um pouco ingênuo. Mesmo Seokwoo, que costumava falar o que queria sem filtro, valorizava a própria vida. O motivo era que Ha Jaeil, sincronizado com Ji Seunghyun, estava bem ali na frente dele segurando uma arma.
A reação deles era natural, baseada na suposição de que a situação de Seunghyun não era tão diferente da deles.
Antes de entrar em Neo, Ji Seunghyun teve que passar por uma inspeção minuciosa, até o último fio de cabelo. Ele era monitorado em cada passo através do celular usado para contato, e seus pertences, até mesmo transações financeiras, foram expostos detalhadamente.
Acima de tudo, ele estava em estado de sincronia com Ha Jaeil.
— Os figurões lá de cima não sabem o que a sincronia significa?
A pergunta ranzinza veio de Jin Seokwoo.
Não era apenas Seokwoo. Todos estavam fartos da atitude do alto comando, que desconfiava dele até o fim.
Ao realizar a sincronia, não apenas as batidas do coração, mas também a localização e a condição física são compartilhadas com o parceiro. Se o Esper sincronizado sente dor, esse sofrimento é transmitido ao guia — não necessariamente como um conceito físico, mas ao compreender a dor do Esper melhor do que ninguém, gera uma ansiedade mental extrema.
O guia sincronizado precisa manter seu Esper em segurança o tempo todo. Caso contrário, a dor do Esper tortura o guia incessantemente.
É algo sentido a todo momento, mesmo sem ver ou tocar. Dizem que, em casos graves, torna-se difícil até levar uma vida normal, o que é razão suficiente para que aqueles guias orgulhosos evitem a sincronia a todo custo.
Se Ji Seunghyun fosse um Esper, seria outra história, mas ele era um guia. E de nível máximo. Se tivesse más intenções, poderia ter usado seu nível para qualquer outra conspiração, mas ele se subordinou a um único Esper. O alto comando realmente não entendia o que isso significava? Que prova poderia ser mais clara que essa?
— Desde quando vocês ficaram tão amigos para ficarem defendendo ele assim?
Era para ser uma ordem, mas todos estavam negando antes mesmo de aceitar. Bern, incrédulo, deu um grito perguntando quem eles pensavam que eram para retrucar daquela forma.
— …….
Jaeil, sincronizado com Seunghyun, não disse nada. Ele apenas olhou para cada um de seus membros de equipe como se os gravasse na memória e depois baixou o olhar silenciosamente.
Remover o Oni que envolvia o prédio sem danificar a estrutura era algo sutilmente complicado. Especialmente quando a maioria dos internos não pôde ser evacuada. Enquanto não houvesse um sinal claro de que não havia sobreviventes, o prédio não poderia ser demolido. Parecia que seria mais uma longa batalha.
Os passos de Jaeil, que entrava no prédio seguindo o caminho aberto pelos paranormais de sistema mental, subitamente tornaram-se lentos.
O cano da arma apontava para a frente e ele não baixava a guarda, mas Jaeil franziu levemente o cenho. Ele baixou os olhos e esmagou o chão de cimento com sua bota militar.
Bem abaixo de seus pés, ele sentia a presença de Seunghyun. A pulsação acelerada que vibrava em suas veias o incomodava profundamente.
— Deveria apenas explodir tudo?”
Ele não tinha paciência suficiente para evitar pensamentos absurdos como esse.
Jaeil ouvira o coração de Seunghyun dentro do helicóptero. No início, ficou bastante confuso sem saber que fenômeno era aquele, apenas movendo os olhos inquieto.
Era a primeira vez na vida que experimentava algo sendo sentido pela pele e reconhecido como som. Dentro do helicóptero barulhento, Jaeil apenas piscava os olhos. Mas, após o susto inicial, ele saboreou calmamente sua percepção. Ele conhecia o dono daquela pulsação forte e reconfortante.
— Esper.”
Se ele estivesse com o ouvido encostado no peito dele, seria essa a sensação? Jaeil apegou-se ao sinal que ele enviava para segurar sua razão que ameaçava desmoronar inúmeras vezes.
— Quero te dar tudo.”
Se estivessem juntos, Ji Seunghyun teria mostrado a reação que ele imaginava. Se ele mesmo achava aquilo incrível, imagine Seunghyun. No entanto, Jaeil não podia ver a imagem de Seunghyun nem ouvir sua voz no momento. A única evidência de que ele estava vivo eram as batidas do coração.
Se até isso parasse de ser ouvido… De repente, a ansiedade ergueu a cabeça e não o largou mais. Jaeil sentiu uma fúria crescente contra tudo o que lhe causava aquela sensação complexa e desagradável.
— Porra.
Com o rosto distorcido em uma expressão feroz, ele finalmente soltou um palavrão. A palavra lançada como um escarro exalava uma aura vulgar e grosseira.
As emoções que ele não demonstrava por não ver necessidade ou valor explodiram em um único xingamento. Ele era um homem que costumava usar linguagem polida mesmo com os tipos mais desprezíveis que testavam sua paciência, mas não agora. Mal conseguia conter a raiva.
Por outro lado, kiju, que o seguia, apenas observava cautelosamente. Não importava o quanto Jaeil tentasse se controlar, o limite havia chegado. Ele lembrou-se subitamente do dia em que Jaeil redespertou, há sete anos.
O homem reconhecia como inimigo qualquer um que tentasse contê-lo, fosse civil ou paranormal. A imagem de seu rosto inexpressivo enquanto apertava o pescoço de um colega de classe estava vívida em sua mente. Se kiju não tivesse se agarrado a ele, implorando e quase chorando, pelo menos um teria morrido. kiju tinha o mesmo pressentimento hoje. Parecia que o que seria eliminado pelas mãos do homem não seriam apenas monstros.
— Espero que nada grave aconteça…”
Há sete anos, incapaz de suportar o surto, ele acabou sofrendo uma parada cardíaca. Também sofreu com febres altíssimas que o deixaram entre a vida e a morte por vários dias.
— …….
Uma energia turva e avermelhada oscilava nas costas largas do homem. kiju olhou para as costas dele com preocupação, mas logo voltou a vigiar os arredores aguçadamente.
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Jaeil estava na vanguarda. Embora fosse o papel mais perigoso, tinha a vantagem de permitir encontrar o inimigo mais rapidamente. Para ele, que possuía capacidade de defesa própria e excelente pontaria, o papel de vanguarda era, na verdade, benéfico.
As batidas do coração de Seunghyun anunciavam sua presença nas profundezas do subsolo. Mesmo na situação precária de ter que encontrar Seunghyun apenas com uma direção vaga, os passos dos homens não hesitaram.
Recebendo apoio de retaguarda de outras equipes, o grupo de Jaeil desceu imediatamente, atravessando a escuridão total apenas com óculos de visão noturna.
À medida que desciam, os ataques de Gons tornavam-se mais frequentes, mas felizmente eram espécies comuns. Além disso, como a equipe fora equilibrada com Espers experientes em combate, a capacidade de reação era mais habilidosa do que a de qualquer outra equipe.
Sem baixar a guarda por um segundo, os homens entravam na saída de emergência do quarto subsolo.
Jaeil, percebendo o ambiente com agilidade, fez um sinal com a mão, e os membros da equipe que estavam dispersos nos dois corredores apontaram suas armas para os Gons que avançavam. Com tiros precisos, os Gons caíam um após o outro, com cabeças ou peitos perfurados.
Mal tiveram tempo de respirar e mais Gons surgiram, rastejando como aranhas pelo teto e pelas paredes. Eram tão rápidos que seria difícil para um civil acompanhá-los com os olhos. Jaeil, com os joelhos dobrados, mirou o alvo com precisão.
Fagulhas brotaram do cano firme da arma. kiju, protegendo os arredores de Jaeil, também não baixava a guarda.
*Bang!*
No momento em que a cabeça do Gon que liderava o ataque foi jogada para trás e ele caiu morto…
Os Gons que rastejavam em massa pelos dois corredores pararam subitamente. E começaram a farejar, movendo os narizes.
— …….?
Era estranho. Jamais fariam isso com tantos Espers bem na frente deles. Jaeil, percebendo o comportamento bizarro dos Gons, sentiu um tremor nas pálpebras.
Após o susto inicial com a reação dos monstros, Jin Seokwoo, o Esper de sistema mental de nível mais alto, franziu o nariz. Ele limpou a parte inferior do nariz com as costas da mão, tentando manter o foco diante de um aroma inebriante.
— Isso não é cheiro de sangue? Argh, é extremamente doce.
As palavras que saíram da boca de Jin Seokwoo, cujos sentidos eram os mais aguçados, foram o pior dos presságios. Jaeil mordeu os lábios ressecados em silêncio, e kiju fez uma expressão de derrota.
— Não me diga que…”
A atitude inesperada dos monstros não parou por aí.
Como se tivessem identificado a origem do cheiro, eles subitamente inflaram seus corpos, incapazes de conter a excitação. Moviam as cabeças de um lado para o outro e tremiam os membros. Saliva escorria de suas bocas abertas, e o branco de seus olhos sem pupilas brilhava.
O silêncio bizarro foi curto. Uma das criaturas girou os pés e subitamente disparou em uma direção como se fosse arremessada. Logo em seguida, os outros começaram a correr freneticamente atrás dela.
↫────☫────↬
— Você está ouvindo.
— …….
— O som do coração dele.
Seunghyun, que olhava fixamente para o teto, finalmente baixou a cabeça. Não querendo olhar para Daniel, ele virou o corpo e mordeu os lábios com força.
Por fora, fingia estar calmo, mas na verdade estava exausto tentando se adaptar às sensações estranhas que o inundavam. Ele tentava se distrair e desviar o olhar.
— O que é isso?”
As batidas do coração que sentira ao procurar o corredor vibravam por toda parte. Embora não passassem pela audição, sua presença era clara. Seria essa a sensação de ter o ouvido colado ao peito dele? Era como se estivesse em seus braços, em contato direto.
— Será que a sincronia que eu tanto temia realmente aconteceu? De verdade?”
Seunghyun tocou a testa febril e tentou raciocinar. Ao mesmo tempo, começou a procurar sensivelmente pela presença dele. Tinha certeza de que estava acima, a leste, mas além disso era impossível precisar.
Ao concentrar-se um pouco mais, sentiu a energia do homem. Era serena, porém agressiva. O fato de conseguir sentir isso apenas por procurar era uma sucessão de surpresas.
Mas não podia simplesmente ficar feliz. A prova da sincronia sentida na pele apenas informava a Daniel que Jaeil havia chegado ali.
— Ele não deveria vir. O que eu faço? O que eu realmente faço…?”
Apesar de se esforçar para não demonstrar o rosto desolado, a ansiedade era demais. Aquele era o território de Daniel. Ele o prendera em um lugar de estrutura estranha e estava apenas o aterrorizando. Como ele pretendia segurar o homem? A mente de Daniel, que agia fora do senso comum, era impossível de imaginar.
Daniel, observando a reação de Seunghyun com interesse, disse em tom emocionado:
— Às vezes penso se você é um paranormal que despertou não para o Jaeil, mas para mim.
Besteira. Ele precisava repelir esse tipo de asneira antes que entrasse em seus ouvidos.
— Pare com essa palhaçada.
Seunghyun rebateu a piada de Daniel asperamente. E começou a forçar as mãos para tirá-las das algemas que jamais se abririam.
— Não vai adiantar nada fazer isso.
Ele ignorou o tom sarcástico. Não era hora para aquilo. Agora que ouvira o plano louco de Daniel, não podia ficar apenas assistindo.
Seunghyun girava os pulsos aleatoriamente e os sacudia com violência. No entanto, quanto mais tentava tirar as algemas, mais sua pele ficava vermelha e até começava a descascar. Mas ele precisava fazer algo. Mesmo sabendo que aquilo era inútil e pura teimosia, ele insistia em tentar tirar as mãos.
Se ele vier para cá… Seunghyun olhou para as mãos que não saíam de jeito nenhum e apertou os lábios. Por que as batidas do coração tinham que ser ouvidas logo agora? Por que justamente agora?
A tristeza nascida da saudade aqueceu sua garganta. Controlando as emoções a custo, Seunghyun desta vez puxou a corrente de ferro.
Um olhar de desprezo recaiu sobre sua resistência inútil.
— Já disse para não gastar energia.
— Eu disse para calar a boca.
Por mais que ele ameaçasse Daniel, a corrente de ferro presa nas profundezas do chão não sairia. Seunghyun, após lutar com a corrente por um tempo, rangeu os dentes. Incapaz de conter a raiva súbita, ele bateu com o que tinha em mãos no chão. *Clang!*
— Eu vou mesmo te matar.
— Pois tente.
De nada adiantava uma pessoa amarrada fazer ameaças. Daniel respondeu com desdém. Seunghyun, bufando, repetiu a mesma ação com ainda mais força. Era um desabafo de fúria.
Daniel, que observava com olhos entediados Seunghyun começar a se debater como um animal em uma armadilha, soltou um “Ah!”. Algo lhe ocorrera subitamente.
— Se você quer tanto ver o Jaeil, eu tenho um jeito.
— …Eu disse para não fazer nada!
Seunghyun gritou furioso. No entanto, Daniel parecia apenas estar se divertindo com a situação. Ele remexeu nos bolsos com um sorriso radiante.
— Eu retirei um pouco enquanto você dormia, Seunghyun.
Seunghyun sentiu medo do que sairia das mãos daquele homem. Seu olhar ansioso dirigiu-se ao bolso do paletó que fazia barulho.
O que saiu de sua mão foi uma pequena bolsa de sangue. O homem a ergueu e a balançou como se quisesse mostrar.
— Os Gons reagiram de forma especialmente sensível.
Isso significava que não era a primeira vez. O rosto de Seunghyun, em choque, distorceu-se em desespero.
Vasculhando suas memórias, lembrou-se do exame do sono. Ele usara aquilo como pretexto para tirar seu sangue. Rangeu os dentes por ter confiado facilmente apenas por ele ser seu médico responsável, um membro da equipe médica do centro mais seguro e rigoroso de Haon. Como pôde se deixar enganar dessa forma?
— Com essa quantidade, eles virão como uma matilha de cães. E como já provaram antes, virão com mais vontade.
Murmurando isso, Daniel abriu a bolsa de sangue enquanto caminhava para a frente. Ele cantarolava. Em seguida, deu uma olhada rápida no palco que preparara e inclinou a bolsa de sangue perto da porta de ferro.
Daniel caminhou observando o líquido cair em um fluxo contínuo. Seu cantarolar ficou mais alto. Uma trilha de sangue se formou seguindo seus passos.
O homem jogou a bolsa quase vazia no chão e voltou para perto de Seunghyun. Quando Daniel parou mantendo uma certa distância de Seunghyun, uma parede transparente começou a descer do teto. Atravessando o espaço completamente, ela separou com segurança o local onde Daniel espalhara o sangue do lugar onde Seunghyun e ele estavam.
— Eu sou assim.
Havia pequenas gotas de sangue na mão de Daniel. Ele olhou para a sujeira com nojo e a limpou meticulosamente com um lenço.
— Eu só fiquei curioso.
No momento em que Daniel terminou de falar…
*Clang!*
Um som surdo, porém agudo, ecoou de algum lugar.
— …….!
Os ombros de Seunghyun subiram num sobressalto. Seu olhar dirigiu-se instantaneamente para a origem do som. Lá longe, o centro da porta estava estufado. Ao ver a porta de ferro amassada, seu rosto empalideceu.
— …….
Os poucos segundos de silêncio foram como a calmaria antes da tempestade. Antes mesmo que pudesse inspirar, a presença que estava lá fora golpeou a porta com força destruidora.
*Bang, bang, bang, BOOM!*
Saliências surgiram na superfície antes lisa. Incapaz de suportar a força violenta, uma mão atravessou subitamente a superfície. E então, começou a rasgar o buraco da porta como se fosse papel alumínio. A pessoa que entrou agachada pelo espaço arredondado criado era um homem de meia-idade vestindo roupas de paciente.
Aquilo não era humano. Era um Gon mimetizando a forma humana. Sem nenhuma arma, e com um Gon tão perto! Seunghyun, recuando aterrorizado, acabou encostando na parede.
— O que você pretende fazer?!
Seunghyun virou a cabeça e gritou para Daniel.
— Aqui é seguro.
Apesar do grito de Seunghyun, Daniel respondeu com total indiferença.
O Gon, movendo os olhos em todas as direções sem foco, farejou o ar e ajoelhou-se. Ao descobrir o sangue espalhado no chão, começou a lambê-lo vorazmente. Então, parou subitamente, como se tivesse detectado algo. Seus movimentos tornaram-se subitamente lentos.
Erguendo o corpo e olhando vagamente para o vazio, o Gon virou a cabeça para onde Seunghyun estava. Era mais assustador por ser lento.
Algo mais intenso que o sangue. Algo vivo. Algo quente.
Gons e Onis não tinham boa visão, mas detectavam o cheiro de sangue com perfeição. O que aquela criatura, com audição e olfato extremamente desenvolvidos, desejava era óbvio. Não havia como não notar estando tão perto.
O som do coração de um guia de classe A batendo forte. O Gon, inclinando levemente a cabeça, subitamente começou a correr. Encurtou a distância com uma velocidade assustadora e jogou todo o corpo contra a parede transparente.
*Bang!*
Por não considerar a estrutura humana, o rosto do Gon foi o primeiro a ser esmagado. Rangendo os dentes por não conseguir o que queria, ele soltou respirações quentes e pesadas.
A parede contra a qual o Gon se chocou com força permaneceu incrivelmente intacta. Uma resistência superior à da porta de ferro. Seunghyun tentou raciocinar em meio ao pânico. Se nem um Gon consegue atravessar, um Esper conseguiria? Naquele momento, seu coração parou por um instante.
É uma armadilha. Este lugar é uma armadilha.
O som da respiração era arrepiante. O Gon procurava por Ji Seunghyun com olhos que eram mais de metade brancos. Ao encontrá-lo, começou a golpear a parede freneticamente. Sem se importar se suas mãos explodiam, ele batia com os punhos e arranhava com as unhas. A parede transparente foi coberta de sangue em instantes.
A imagem da criatura faminta e descontrolada era horrenda e bizarra. O Gon excitado batia a cabeça contra a parede. *Tum, tum, tum!* Seu olhar estava fixo obsessivamente em Seunghyun.
Embora não devesse estar vendo, a obsessão enviada por aquele olhar turvo era imensa. Como Daniel dissera, a parede parecia robusta, mas por ser transparente, não havia noção de distância. Parecia que eles o atacariam a qualquer momento.
Talvez pela sensação de perigo causada pela proximidade, sua respiração não se acalmava. Seunghyun levou as mãos presas à boca, tentando conter o pânico, inspirando e expirando apressadamente. No momento, não havia Jaeil para confortá-lo. Tinha que suportar tudo sozinho.
Pelo buraco da porta, outros Gons com forma humana entraram sucessivamente. E repetiram o mesmo processo de reconhecer o sangue e Seunghyun. Não levou nem cinco minutos para que eles cercassem completamente a parede.
— É realmente incrível. Tanto os Espers quanto essas criaturas ficam loucos por um guia.
Os olhos de Seunghyun, tomados pelo choque de várias formas, dirigiram-se ao homem. Mesmo agindo como carniceiros agora, todos tinham sido humanos. Foram engolidos pelo Oni e perderam seus corpos, seus egos, e deviam estar sofrendo pesadelos intermináveis.
— …Você acha isso divertido?
Diante da censura de Seunghyun, o canto da boca de Daniel subiu.
— O que é divertido ainda está por vir. Ele já não deve estar quase chegando?
Um espasmo que começou no peito espalhou-se rapidamente pelos membros. Suas mãos e pés tremiam descontroladamente. Seunghyun desejava Jaeil desesperadamente, mas sabia que não deveria. Sentimentos contraditórios o assolavam. O que eu faço? O que eu devo fazer aqui…?
Seunghyun, respirando com dificuldade, encarou Daniel. Entre as respirações que ele mal conseguia conter, sua voz saiu entrecortada:
— Seu… desgraçado louco…
— …….
Daniel deu batidinhas na parede transparente. Olhando para os Gons obcecados por Seunghyun, murmurou indiferente:
— Eu quero ver com meus próprios olhos.
Sua voz permanecia tranquila mesmo naquela situação grave.
— Apenas isso.
Daniel deu um sorriso largo. Um sorriso maníaco que ele nunca mostrara antes preencheu seu rosto.
— Que tipo de Gon nascerá depois de devorar você e o Jaeil. É só isso que eu quero saber.
Parecia que ele finalmente havia retirado a máscara humana que o demônio usava.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Pôquer Sangrento (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?
Nome alternativo: Blood Poker Pquer Sangrento