Ler Pôquer Sangrento (Novel) – Capítulo 01 Online

Blood Poker, Extra
Um vento quente soprava de algum lugar. Afastando a franja que voava desordenadamente com os dedos, Jaeil olhou para o horizonte. O céu, onde as luzes do pôr do sol e da aurora se misturavam, tocava a terra e se estendia infinitamente. Era misterioso e vasto.
Nos olhos lânguidos de Jaeil, que observava os arredores, havia apenas uma sensação de alívio.
Seu olhar se dirigiu para baixo. Grãos de areia penetravam entre os dedos de seus pés descalços.
— …
Um céu de cores peculiares cercado pela lua minguante, estrelas e nuvens. O horizonte distante que chegava a provocar uma sensação de vazio. Aquele lugar era um deserto árido. Embora o sol já tivesse se posto, um vento quente soprava ali, contrariando o senso comum, mas Jaeil não achou aquilo estranho.
O silêncio que o cercava era simplesmente agradável. Ele não se perguntava onde estava ou por que estava ali. Ali não havia ruídos desagradáveis nem dores de cabeça persistentes como sanguessugas. Era perfeitamente pacífico e sereno.
— Eu já estive aqui antes? — Ele mexeu os dedos dos pés como se estivesse brincando.
— …
Jaeil levantou lentamente sua mão grande e cobriu a testa. A dor de cabeça que sempre o deixava tenso havia desaparecido. Ele se sentia excessivamente lúcido e revigorado, como se nunca tivesse sofrido de tal mal.
— Este é um bom lugar — pensou com satisfação. Ali não havia ninguém para incomodá-lo ou feri-lo. O fato de estar sozinho se impunha com força, mas isso era um pensamento desnecessário.
Ele sempre estivera sozinho. Relembrar esse fato não trazia nenhuma novidade.
Um impulso agradável de caminhar um pouco surgiu. Jaeil moveu seus passos lentamente.
O vento que fazia cócegas em sua palma era morno. A sensação da areia rangendo sob seus pés também era muito boa. Como os grãos de areia eram finos, ele chegava a ter a ilusão de estar pisando em nuvens. Ele continuou a ter impressões puras, como uma criança dando seus primeiros passos.
Curiosamente, não havia nada que não o agradasse. Tudo o que relaxava seus cinco sentidos era assim.
Jaeil levantou suavemente um canto da boca. De fato, era bom. Surgiu até o desejo ganancioso de permanecer ali para sempre, se pudesse.
Ao erguer a cabeça, a cena diante dele havia mudado um pouco. Um edifício que bloqueava o horizonte surgira de repente. Seu olhar indiferente se dirigiu ao prédio cinza-escuro. Assemelhava-se à aparência de edifícios que ele bem conhecia, mas era estranhamente diferente.
Jaeil caminhou em direção ao local e presumiu: — Será que aquela não é uma fortaleza precária construída pelos sobreviventes do Setor 13 para resistir?
— Setor 13.
Ao pensar nessas palavras, um leve clarão surgiu em sua mente. Parecia que havia perdido algo importante. Jaeil franziu ligeiramente o cenho e olhou novamente para o edifício.
O prédio, com paredes e janelas cobertas por cimento, tinha uma superfície irregular e desgastada, o que lhe conferia uma atmosfera sombria. Comparado ao andar inferior, onde o cimento fora aplicado de forma mais espessa, os andares superiores tornavam-se mais frágeis à medida que subiam.
— De qualquer forma, a existência de um prédio assim significa que este lugar também não é seguro?
— …
Jaeil às vezes pensava nisso. Se os monstros não existissem, ele teria algum valor para existir?
O passado em que quase foi reduzido a um item descartável era apenas doloroso. Se não fosse pelo despertar, ele teria vivido de forma ainda mais miserável do que agora. Teria sido uma sucessão de uma vida marginalizada, incapaz de se infiltrar tanto em sua família quanto no mundo dos despertos.
Por outro lado, ele também pensava que o despertar que o permitiu se proteger era como uma maldição. Nunca teve uma noite de sono adequada e seu corpo e mente se retorciam com os níveis crescentes de estresse. Especialmente quando precisava ter contato com guias arrogantes, o desgosto era imenso. Ele não queria ser tocado nem lido, mas eles não hesitavam em tratá-lo de qualquer jeito sob o pretexto de realizar o *guiding*.
As memórias ruins acumuladas camada sobre camada o tornaram ainda mais silencioso e polido. Era o seu aviso e a sua barreira para que ninguém se aproximasse rudemente sem permissão.
No entanto, os guias de alto escalão não o entendiam. Para começar, nem sequer faziam o esforço de entender. Pelo contrário, consideravam sua recusa gentil como um insulto a eles. Eles sufocavam Jaeil e o subjugavam com suas habilidades. E vasculhavam seu interior como se estivessem tomando um espólio de guerra. Alguns chegavam a ser sarcásticos e a zombar, perguntando se ele realmente tinha esse tipo de pensamento.
As memórias que ele possuía eram todas assim. As raras memórias boas eram tão poucas que podiam ser contadas nos dedos, e mesmo essas perdiam o brilho facilmente.
— …
A desolação desceu sobre seu rosto que estava relaxado. O sentimento momentâneo de alegria estava prestes a se tornar sombrio novamente. Jaeil apressou o passo. Era um esforço para afastar os pensamentos através do movimento.
Ao chegar à entrada do prédio, ele tateou a porta. Felizmente, a porta de ferro bastante grossa não estava trancada. Abriu-se facilmente com um pouco de força.
O interior era escuro e silencioso. Ele encontrou uma lanterna velha usando a luz da lua que filtrava pela fresta da porta. Logo, a luz da lanterna iluminou precariamente o caminho à frente. A bateria parecia estar quase no fim.
Dependendo da luz fraca, ele passou pelo primeiro, segundo e terceiro andares, e no momento em que subia as escadas do quarto andar, Jaeil parou, percebendo tardiamente a estranheza.
— Qual o motivo de subir aqui? Por que estou fazendo isso? Este lugar também é perigoso, pois não há informações. Haveria uma razão para investigar com tanto esforço?
— …
As pálpebras de Jaeil se fecharam pesadamente e se abriram. O tempo de hesitação foi apenas esse.
— Mesmo que seja perigoso, o que importa? — Ele pisou nos degraus novamente com os pés descalços.
Como não possuía nada, não tinha nada a perder. Se os monstros aparecessem, ele os mataria; se sua força se esgotasse antes disso, ele simplesmente morreria. Ali não havia ninguém para proteger, nem regras, nem deveres.
Ou seja, não havia necessidade de dar um significado a esse impulso vago de querer subir até o topo. Jaeil varreu os arredores calmamente com a lanterna.
Já estava no oitavo andar. Ao contrário dos andares inferiores, onde era difícil garantir a visão sem a lanterna, uma luz fraca oscilava ali.
A luz vinha de um quarto situado no fim do corredor. Jaeil caminhou até lá e, empurrando a porta entreaberta, examinou o interior.
— …
No canto do quarto para onde Jaeil olhou, havia um homem deitado.
O homem sobre o colchão velho estava encolhido, e o som de sua respiração ofegante parecia preocupante. Suas costas, onde os ossos se sobressaíam a cada respiração, lembravam alguém. — Quem era mesmo? — Jaeil franziu o cenho novamente. Por mais que tentasse lembrar, a imagem era turva.
Nesse intervalo, o homem, sentindo uma presença, moveu o corpo com dificuldade. Era uma velocidade lenta e aparentemente penosa. Assim que o rosto vermelho de febre, as pupilas nubladas e os lábios secos foram revelados em sequência, Jaeil piscou os olhos surpreso.
Era um rosto familiar.
O homem, encharcado de suor frio, parecia ter dificuldade até para se mexer minimamente. Ele finalmente conseguiu virar o corpo de frente e, olhando para Jaeil, estendeu a mão.
Quando o homem fechou e abriu os olhos, lágrimas escorreram pelo canto de seu rosto. Ele parecia estar com muita febre. A cada respiração que exalava, o calor era sentido nitidamente. Mesmo sem emitir som, o homem dizia com todo o corpo que estava sentindo dor.
— Consigo sentir apenas ao olhar… — A impressão que surgiu foi complexa. Jaeil voltou a encará-lo com uma expressão confusa.
Embora seu olhar estivesse fixo no homem, ele não conseguia se mover prontamente. Mesmo sem saber quem ele era, sentia uma familiaridade excessiva.
Foi no momento em que a mão do homem, estendida com dificuldade para Jaeil, caiu sem forças sobre o colchão frio. O homem, que soluçou por um longo tempo, moveu os lábios rachados. Ao mesmo tempo, os pensamentos do homem começaram a atingir Jaeil como ondas.
— Não quero ficar sozinho.
— Você prometeu.
— Por que não acorda?
Os olhos de Jaeil se arregalaram e suas pupilas tremeram.
— Sinto sua falta.
Este lugar é silencioso e confortável. Não há mais dor nem memórias sofridas. Ele pensou que gostaria de ficar ali por muito tempo se pudesse.
— Sinto sua falta…
A lanterna caiu da mão sem força e rolou pelo chão. Muitas coisas oscilaram em seus olhos arregalados. Os lábios de Jaeil tremeram enquanto ele balançava a cabeça negativamente.
— Vamos… dormir juntos?
— Para mim… é difícil apenas ficar olhando.
— Quero te abraçar.
— Vou esperar.
Tudo ao redor de Jaeil começou a rachar e desmoronar.
— Pensei que isso não existiria mais.
— Não quero outra pessoa.
— Quero te dar tudo.
No momento em que Jaeil deu um passo em direção ao homem, o corpo dele, que chorava lamentavelmente, começou a desaparecer. As paredes desabaram com um estrondo ensurdecedor. O chão também se inclinou. O corpo de Jaeil pendeu e caiu no vazio.
No instante em que ele se apoiou com as mãos ao perder o equilíbrio, o cenário diante de seus olhos mudou abruptamente. Ao recobrar os sentidos, estava no lugar onde o vira pela primeira vez.
Jaeil olhou ao redor apressadamente.
— Não é aqui.
Não era aqui.
Mesmo sem receber ordens de ninguém, Jaeil naturalmente cobriu os ouvidos e fechou os olhos. E concentrou todos os seus sentidos em um único ponto.
Então, as memórias que haviam perdido a força momentaneamente buscaram algo desesperadamente. Pouco tempo depois, o som de batimentos cardíacos foi transmitido de um lugar muito, muito distante. Ao perceber de quem era aquele som, a expressão de Jaeil desmoronou levemente.
— Seunghyun-ah.
As memórias, que gradualmente se tornaram completas, envolveram seus cinco sentidos como o vento.
— Por favor, resista. Por favor. Por favor… Por favor.
A imagem dele soluçando dolorosamente foi a última. O som dele clamando que não podia ser assim ecoou como se fosse real. As lágrimas que caíam incessantemente sobre seu rosto e a respiração úmida. Os gritos e súplicas golpeavam a pele e o coração de Jaeil simultaneamente.
Ji Seunghyun, enquanto enfrentava o monstro que o agredia cruelmente, enviava sua energia límpida. Incessantemente, incansavelmente, ele entregava tudo de si.
— Uhuu… não me deixe sozinho.
— Não vou te deixar.
Jaeil apoiou as mãos nos joelhos e levantou-se abruptamente.
O som do coração que ele ouvia era muito fraco, mas a direção de onde vinha era clara. Isso era o suficiente. Era o bastante.
Ele não estava naquele lugar. Assim que Jaeil percebeu a ausência dele, aquele lugar onde, até há pouco, ele desejava permanecer por muito tempo, tornou-se sufocante.
Não era ali. O ser que poderia lhe dar o verdadeiro descanso estava fora daquele mundo. O mundo onde ele deveria permanecer, pelo qual deveria ser ganancioso, era apenas ele.
Ao dar um passo, o vento soprou. Soprou com força, como se quisesse deter Jaeil, que tentava partir. Mas ele avançou firmemente em direção a um único lugar. Nem devagar, nem apressado.
Talvez não houvesse fim. Talvez acabasse não conseguindo alcançá-lo. Os grãos de areia daquele lugar, que ele considerara macios, algum dia arranhariam as solas de seus pés, e o vento árido roubaria sua umidade. Talvez, aguardando uma oportunidade, roubasse até a força vital restante.
Mas Jaeil pretendia não parar. Até que seu fôlego se esgotasse, e mesmo depois disso, ele seguiria em direção a ele. Ele precisava cumprir a promessa. Ele não podia se tornar uma memória dolorosa para ele.
Ele era alguém que não hesitaria em dar a vida por Seunghyun. Aquele vento não era nada.
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Após caminhar pelo longo deserto e finalmente conseguir abraçar seu guia, Jaeil acolheu Seunghyun, que o esperara durante todo aquele tempo.
— …Me desculpe o atraso.
Ele não sabia quanto tempo esteve deitado ou quanto tempo havia passado. Ao ver que era difícil até mover um dedo, parecia ter passado mais tempo do que o esperado.
Jaeil não conseguia parar de acariciar e confortar o corpo de Seunghyun. Seus músculos, que haviam ficado rígidos nesse meio tempo, estavam todos rangendo e tensos. Embora estivesse em um estado em que uma pessoa comum não conseguiria mover um dedo, Jaeil reuniu as forças que lhe restavam para acalmá-lo.
— Uhuu, hugh, uhuuu.
O corpo que havia emagrecido era simplesmente digno de pena. Jaeil sentia o tremor de Seunghyun. Ele chorava tanto que nem conseguia respirar direito.
Ele sabia que dizer para não chorar não adiantaria nada. Jaeil esperou silenciosamente que as emoções explosivas de Seunghyun se acalmassem naturalmente.
Quanto tempo se passou? Seunghyun, que chorou por um longo tempo, limpou o rosto apressadamente.
— Uh, uh… Eu, eu…
Ele tenta limpar a garganta totalmente úmida para dizer algo. Tosses secas escaparam repetidamente. Engolindo os soluços que subiam sem parar, Seunghyun mal conseguiu continuar a falar.
— Eu. Há, há algo que não consegui dizer.
Depois de soltar apenas algumas palavras, ele explodiu em lamento novamente. Jaeil deu tapinhas nas costas de Seunghyun. Ele poderia falar devagar, mas parecia estar com muita pressa.
— Para mim, o senhor Esper também é muito precioso.
— …
— Precioso… Uhuuu.
— …
Não havia como ele não saber disso. Como ele poderia não saber, se Seunghyun lhe dava apenas coisas tão puras e límpidas? Jaeil respondeu com voz rouca: — Eu sei.
Seunghyun apenas deixava as lágrimas caírem. A voz que ele ouviu novamente era real. Não era a imaginação que ele repetia sempre em sua cabeça. O calor corporal e o porte físico robusto, que ele continuava a recordar por medo de que se tornassem turvos ou fossem esquecidos, estavam todos em seus braços.
— Ah, ele está vivo. Está vivo. Ele cumpriu a promessa. Sim. Ele era uma pessoa várias vezes mais forte que eu. Eu sabia. — Mesmo afirmando isso com convicção, Seunghyun tinha a expressão de uma criança que não quer que lhe tirem um doce. Nas pontas dos dedos que agarravam a roupa de hospital, havia um desespero profundo.
— Porque eu senti sua falta…
E, após hesitar várias vezes, as palavras que ele reprimira inúmeras vezes fluíram de sua boca.
— Achei que fosse morrer.
— …
A sinceridade transmitida por Seunghyun era mais explícita do que o imaginado. Mesmo sem forças, as orelhas de Jaeil esquentaram. Como ele podia penetrar tão profundamente em seu peito sem nenhuma vergonha? A expressão de Ji Seunghyun havia se tornado tão imensa quanto o tempo em que estiveram separados.
Jaeil enterrou o rosto na nuca dele. Esfregou a ponta do nariz e inalou o cheiro de seu corpo. O lugar realmente bom era ali.
— Senti muito a sua falta…
O pomo de Adão de Seunghyun, onde os lábios e a bochecha de Jaeil tocavam, vibrou suavemente.
Abraçando Seunghyun, Jaeil sussurrou baixinho: — Eu também. — Então Seunghyun o abraçou ainda mais forte.
O choro de Seunghyun, que ele mal estava contendo, tornou-se intenso novamente. Através do canal devidamente conectado, a energia límpida de Ji Seunghyun era transmitida incessantemente. Talvez por ter passado muito tempo, estava fluindo de forma avassaladora. Ji Seunghyun parecia ter crescido ainda mais enquanto ele estava dormindo.
Jaeil soltou um suspiro confortável, porém precário, nos braços dele.
— Haa…
As emoções transbordantes não se acalmavam facilmente.
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Enquanto Jaeil recebia tratamento e recuperava as forças, Seunghyun frequentava o hospital de Jaeil com assiduidade. Ele aparecia pelo menos uma vez a cada dois dias e, cerca de duas vezes por semana, passavam a noite juntos. O número de noites passadas juntos tornava-se mais frequente à medida que o corpo de Jaeil se recuperava.
O corpo de Seunghyun, que acabara de sair do banho, exalava o mesmo perfume de sabonete líquido de Jaeil. Assim que Seunghyun saiu do banheiro, Jaeil transmitiu sua intenção apenas com o olhar.
Jaeil estava sentado no sofá lendo um livro. Embora pudesse estar relaxado, sua postura era muito correta. Seunghyun caminhou em direção a ele mexendo no cabelo sem motivo. Foi porque o olhar do homem era desnecessariamente intenso.
— Já sequei tudo.
Diante da presunção de Seunghyun, Jaeil apenas soltou um leve suspiro.
Quando Seunghyun se acomodou naturalmente ao lado do homem, seus ombros e braços se tocaram levemente. Eles estavam se acostumando um ao outro em seu próprio ritmo.
— Deixe-me ver.
Uma palma grande estendida sem cerimônia penetrou entre os cabelos de Seunghyun. O cabelo preto, seco de qualquer jeito, foi penteado pelos dedos do homem e a testa arredondada foi revelada.
O toque do homem era sempre agradável. Quando Seunghyun sorriu abertamente, Jaeil virou o corpo e tateou a cabeça redonda com as duas mãos.
A pele clara de Seunghyun tinha cor e brilho. O olhar do homem que examinava seu rosto totalmente revelado era sério. Parecia até sério demais.
Seunghyun, que recebia o toque silencioso e persistente, começou a falar.
— Senhor Esper.
— Sim.
Com um barítono atraente, o polegar do homem pressionou firmemente o canto da sobrancelha de Seunghyun.
— Eu me lavei bem, por que o senhor está com essa expressão?
— Como está a minha expressão?
Mesmo diante de algo que claramente era uma piada, o homem respondeu honestamente com um olhar sério.
— Simplesmente… parece que o senhor está um pouco irritado.
Com essa resposta, o dedo que acariciava a pele úmida como se a apreciasse, tornou-se lento. O homem, para quem a resposta hesitante de Seunghyun foi inesperada, franziu o cenho. Ele chegou a mergulhar em pensamentos por um momento, perguntando-se se sua expressão era mesmo aquela.
— Você errou… feio.
— Sim. Eu sei que não seria o caso, mas…
Seunghyun murmurou baixando o olhar. Como a energia estava calma, ele sabia que o homem não estava irritado. Mas ele perguntou porque não foi apenas uma ou duas vezes que o homem o olhou com aquela expressão.
— …
— …
Jaeil estalou a língua baixinho sem responder.
A personalidade silenciosa de Jaeil devia-se em grande parte ao desamparo aprendido e ao tédio. Ou seja, se algo não valesse a pena responder individualmente, ele simplesmente fechava a boca.
Claro, Ji Seunghyun era a exceção. Ele estava disposto a responder a qualquer pergunta com toda a sinceridade a qualquer momento, mas esse tipo de coisa era um tanto embaraçoso.
— Já que não posso fazer nada, estou apenas acariciando o rosto ou o cabelo. Já que não posso tocá-lo mesmo quando ele se aproxima com esse rosto de quem não sabe de nada, estou fazendo pelo menos isso. — As diversas explicações que surgiram em sua cabeça apenas giravam em sua boca.
Outro motivo era simplesmente porque ele não conseguia tirar os olhos dele. Ele gostava da pele que envolvia a ponta de seus dedos ou do olhar dele concentrado em si. Seus traços delicados como uma castanha descascada, seus cílios longos e o canto da boca que subia sem suspeitas, tudo atraía seu olhar.
Jaeil não era descarado o suficiente para dizer palavras embaraçosas como “eu olho porque sua existência é sempre fascinante e bonita”. Ele sentia vergonha de revelar seus sentimentos internos de forma desavergonhada e, mesmo que falasse, era certo que Ji Seunghyun apenas ficaria confuso.
Quando Jaeil parou de falar e abaixou a mão, Seunghyun também não insistiu e relaxou o corpo no sofá. Ele deu um grande bocejo. Como já era tarde da noite e ele acabara de tomar um banho morno, parecia que o sono estava chegando.
— O senhor esteve ocupado hoje? — disse Jaeil, encostando as costas no sofá acompanhando-o. Seunghyun respondeu que sim e encostou a cabeça no ombro do homem.
— Só hoje à tarde foram três *guidings*. Acho que é porque concentraram a agenda nos dias em que o senhor Esper está bem.
Um guia que realizou o *imprinting* só podia fazer o *guiding* de outros Espers se o seu próprio Esper estivesse em um estado seguro.
Embora tivessem eliminado os terroristas, os materiais de pesquisa sobre o princípio da ocorrência de teratomas e Onycube já haviam se espalhado. Neo, enfrentando uma nova fase, reforçou ainda mais o estado de alerta.
Além disso, Neo aceitou humildemente as consequências trazidas pela exclusão rígida e decidiu mudar a rota que vinha mantendo. Daqui para frente, haveria uma inclusão parcial em relação ao Setor 13.
Este método também era útil para identificar todos os terroristas que se esconderam em várias partes do Setor 13. Embora uma história um pouco mais perigosa e árdua começasse em comparação ao passado, em que apenas barravam tudo cegamente, seria possível evitar desastres maiores.
No momento atual, a cúpula, julgando que Seunghyun era um talento desperdiçado se ficasse apenas ao lado de Jaeil, estava ávida para utilizar suas habilidades ao máximo. Hoje também, Seunghyun passou um dia ocupado cuidando de outros Espers, exceto pela noite com Jaeil.
— Se for difícil…
Jaeil ia dizer que, se fosse difícil, ele poderia se esconder sob sua sombra. No entanto, Seunghyun não era fraco o suficiente para depender de Jaeil e, acima de tudo, era alguém distante desse tipo de facilidade.
— Está tudo bem. E serve como prática.
A intenção de Seunghyun era simples. Ele disse isso para que Jaeil não se preocupasse, mas o canto da boca de Jaeil endureceu silenciosamente.
O homem, que olhou fixamente para o chão por alguns minutos, estendeu a mão para Seunghyun. Sua mão grande também era forte. Ele subitamente agarrou a cintura relaxada de Seunghyun e o levantou. Foi um tanto arbitrário.
— Hm?
Seunghyun estava no momento exato em que ia cair no sono. Ele foi conduzido sem cerimônia pela mão do homem com uma expressão confusa. Sua mente nebulosa clareou em um piscar de olhos. Ele estendeu as mãos apressadamente e agarrou o braço e o ombro do homem.
Ao recobrar os sentidos, estava sentado sobre a coxa do homem, de frente para ele. — Quando foi que isso aconteceu? — As mãos de Seunghyun, apoiadas nos ombros largos, tremeram levemente.
A força física capaz de levantar um adulto crescido num piscar de olhos se quisesse, era surpreendente toda vez que a experimentava. De qualquer forma, ele podia usar tanta força assim? Seunghyun preocupou-se primeiro.
Ele decidiu verificar primeiro se o homem estava bem. A energia que oscilava ao redor de Jaeil era de um tom vermelho sombrio. Mesmo sem palavras, o sentimento era transmitido. Ele nem sequer fazia contato visual, irritado por algum motivo. Desta vez, parecia realmente zangado. Seunghyun observou sua reação e abriu a boca cautelosamente.
— Bem… a prática será apenas com o senhor Esper.
— Que prática? — O tom de voz solto foi um tanto ríspido.
— A prática de fazer assim.
— …
Seunghyun infiltrou os braços sob as axilas do homem e envolveu levemente a região lombar. Com apenas um pequeno movimento de puxar os braços, os peitos se tocaram facilmente. O homem estremeceu e ficou tenso.
Abrir e fechar o canal à vontade tornou-se possível após confirmarem os sentimentos um do outro. Como o sangue que circula entre veias e artérias, as energias densas e límpidas cruzaram-se rapidamente seguindo o caminho definido por Seunghyun.
— Haa…
Um suspiro lânguido escapou da boca de Jaeil.
Ao sentir novamente por que o *guiding* de um Classe A, e ainda por cima um *backspell*, era chamado de *guiding* de luxo, Jaeil sentiu um aperto no coração. “Ele faz isso tão bem, agora não está mais no nível de praticar comigo, que prática o quê?”
No entanto, o fato de Seunghyun estar em seus braços acalmou seu coração. O sentimento desagradável e brusco que surgiu subitamente derreteu-se suavemente. “Que falta de orgulho.” Em meio ao descanso infinito proporcionado por Seunghyun, apenas a mente de Jaeil tornou-se complexa.
Ao mesmo tempo em que lamentava não poder vencê-lo, um desejo mesquinho de como poderia monopolizar essa pessoa fervia.
Mesmo tendo-o em seus braços, ele estava ansioso. Será que apenas o *imprinting* não era suficiente? “Que tipo de sentimento é este?” O cenho de Jaeil, apenas confuso, franziu-se e relaxou repetidamente. “E se o *imprinting* não for suficiente? Como diabos posso tornar essa pessoa completamente minha…”
Naquele momento, a voz de Seunghyun, embriagada de sono, acariciou seu ouvido.
— Não quero… outra pessoa.
Seunghyun esfregou a bochecha no ombro de Jaeil como se estivesse fazendo manha. Jaeil segurou firmemente suas costas para que ele, que estava relaxando, não desabasse.
— …
Logo, ouviu-se o som de uma respiração regular. A expressão de Jaeil, que dava tapinhas carinhosos nas costas de Seunghyun, estava mais séria do que nunca.
“Não dá. Tenho que possuí-lo. Se possível, tudo.”
A partir daquele momento, todos os tipos de suposições e planos foram criados e desfeitos na mente de Jaeil. Para possuir algo além do *imprinting*, parecia que seria necessário um trabalho de bastidores minucioso. Jaeil abraçou Seunghyun com força, com um rosto que exalava até solenidade.
— Está… sufocante…
Mesmo que Seunghyun murmurasse franzindo o cenho, ele não o soltou. Que ele percebesse seu afeto, que chegava a ser assustador, um pouco mais tarde. O homem decidiu levar o tempo que fosse necessário, já que seu desejo era imenso.
No entanto, alguns dias depois, Seunghyun se atreveria a mencionar o “Cartão de Desejo” ao homem.
— Senhor Esper. Existe algo chamado Cartão de Desejo.
Ji Seunghyun contou sobre seu cotidiano para que Jaeil, que estava apenas no hospital, não ficasse entediado. Jaeil também costumava ouvir atentamente a voz dele, independentemente do conteúdo, mas desta vez teve uma reação um tanto relutante.
“Cartão de desejo, ele não é uma criança.” O pensamento de ignorar durou apenas um momento.
Aquilo era como um aliado inesperado. O que importava se era infantil ou qualquer outra coisa, se pudesse antecipar a data? Jaeil agarrou a piada pura de Seunghyun de forma indiferente e astuta.
— Dê-me dois.
Para usar aquele tal cartão de desejo como quisesse, precisava de pelo menos dois.
— Sim. Darei dois especialmente para o senhor Esper.
Ji Seunghyun não tinha como saber das intenções sombrias e meticulosas dele.
— Obrigado.
Como ele embalava tudo de forma tão educada, não havia como saber.
O plano de Jaeil, que conseguiu antecipar a data mais do que o esperado, foi cumprido sem problemas.
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Jaeil, que recebeu alta a tempo para a cerimônia de condecoração, chegou ao grande auditório separadamente de Seunghyun, pois seus horários não coincidiram. Enquanto caminhava seguindo o som pacífico do coração de Ji Seunghyun, ouviu a voz de Berne atrás de si. Jaeil cumprimentou-o formalmente assim que o viu.
— Bom dia.
Berne sorriu satisfeito ao ver o aspecto saudável de Jaeil.
— Você será designado para o Departamento de Comando Estratégico Geral. Claro, continuará sendo enviado para operações. Você sabe, não existe talento como você em Haon. As coisas ficarão ocupadas por um tempo até que o estado de alerta seja suspenso, mas considere que valorizaram sua habilidade. Parabéns antecipadamente. Selecionado para o comando já na sua idade. O futuro de Haon é brilhante!
Ele, que já sabia da promoção de Jaeil, alegrou-se como se fosse com ele mesmo. Não poupou risadas calorosas enquanto dava tapinhas no ombro de Jaeil. Isso porque ele pensava que finalmente Ha Jaeil estava ocupando o lugar adequado para ele.
Embora seu nível de habilidade básico ou sua percepção estratégica já fossem suficientes para subir de cargo há muito tempo, Jaeil enfrentou dificuldades durante esse tempo com resultados medíocres por não se dar bem com guias. De vez em quando, causava incidentes de forma insolente e realizava tentativas de suicídio sádicas sob o pretexto de exterminar monstros. Com um rosto entediado que dizia que não importava se morreria ou não, ele se levava ao limite.
Mas agora era diferente. Um guia Classe A, com quem ele fizera o *imprinting*, o apoiava firmemente, e Jaeil também não evitava seu crescimento excessivo.
— É melhor não criar inimigos se puder.
— Sim.
Diante da resposta claramente desinteressada de Jaeil, Berne franziu o cenho. O que seria esse sentimento peculiar de estar preocupado, mas ao mesmo tempo não estar?
— Para responder você é bom.
Berne apenas lançou uma leve crítica.
Como Berne disse, a velocidade de crescimento de Jaeil poderia ser um espinho nos olhos de alguém. No entanto, Jaeil planejava subir mais rápido do que qualquer um se tivesse a oportunidade. Daqui para frente, teria que ser assim. Para o futuro de Ji Seunghyun e o seu próprio, precisava de poder acima de tudo. Um poder forte o suficiente para enfrentar a maldita família que o pressionava. Jaeil sentia o desejo de crescer arder mais intensamente do que nunca.
— Desse jeito, devo tratá-lo como superior ou não?
Quando Berne brincou de forma arrogante, o canto da boca de Jaeil subiu levemente. Era um sorriso sincero vindo de uma abundância mental.
— Não. Pode me tratar como de costume.
— Publicamente, é claro. Eu também sou uma pessoa com senso comum.
Berne baixou o olhar e apreciou o sorriso de Jaeil. Além da patente, como um colega que esteve com ele em inúmeros campos de batalha, ele estava apenas orgulhoso. “Aquele cara também sabe fazer essa expressão, vivi para ver isso.” Kwon Kiju disse que Ha Jaeil era alguém que recebia toda a sorte, e parecia ser verdade.
— Vamos fazer uma refeição algum dia.
— Sim.
— Não, não. Temos que tomar um drinque. Caramba, eu poder beber com você!
Diante do tom excitado de Berne, as pupilas de Jaeil deram uma volta completa.
Um Esper só podia consumir álcool se o nível de risco de amplificação estivesse abaixo de 5%, o que era um sonho para Jaeil, cujos níveis oscilavam muito. Nada que causasse dependência lhe era permitido. Para piorar as coisas, como o despertar ocorreu assim que se tornou adulto, ele nunca tinha tomado sequer um gole de cerveja.
Não era algo que ele lamentasse ou desejasse particularmente. No entanto, como era um mundo que ele não experimentara, surgiu uma curiosidade. Já que agora era possível, surgiria uma oportunidade algum dia. “De qualquer forma, aquele Kwon Kiju não vai me deixar em paz.” Jaeil já imaginava em sua cabeça a figura idiota dele empurrando um copo de bebida.
Com isso, naturalmente pensou em Ji Seunghyun.
Era um curso inevitável. Em um canto da mente de Jaeil, ele sempre estava lá. Eles, que estavam vinculados mais fortemente do que qualquer um, compartilhavam a consciência como uma música de fundo suave.
— …
Apenas o pensamento “Será que Ji Seunghyun bebe?” passou por sua cabeça e ele já não ouvia mais a voz de Berne.
Como ele seria quando estivesse bêbado? Mesmo os Espers fisicamente fortes costumam fazer coisas idiotas e estranhas quando uma quantidade excessiva de álcool se espalha pelo corpo. Jaeil também sabia que esses comportamentos eram chamados coletivamente de “hábitos de embriaguez”. O hábito de Ji Seunghyun. Uma curiosidade impura misturou-se ao seu olhar fixo no chão.
— Ei, você está me ouvindo?
— Sim. Tudo o que o senhor disse está correto.
Quando Jaeil respondeu descaradamente, Berne empurrou levemente o peito dele com o punho.
Deixando Berne para trás, que disse para ele entrar primeiro, Jaeil caminhou em direção a Kiju, que acenava para ele.
Simultaneamente à aparição de Jaeil, olhares intensos e interesse não filtrado foram derramados. Embora fosse tão flagrante que o próprio interessado pudesse sentir, Jaeil não dirigiu sequer um olhar para aquele lado. Eram interesses sem o menor valor. No entanto, como o som do coração de Ji Seunghyun tornou-se intenso, Jaeil olhou para Seunghyun logo antes de se sentar.
Mas Jaeil não conseguiu fazer contato visual com ele. Foi porque Ji Seunghyun desviou o olhar abruptamente.
Ji Seunghyun parecia estar fazendo todo o esforço possível para não encontrar o olhar dele. Diante do comportamento visivelmente inquieto de olhar alternadamente para o chão e para o ar, Jaeil soltou um murmúrio baixo. Deixando tudo o mais de lado, ele estava prestes a ficar descontente apenas pelo fato de Seunghyun não olhar para ele.
Todo tipo de pensamento infantil surgiu, até o impulso rude de “não seria melhor apenas deixá-lo sentado ao meu lado?”. No momento em que ele pensava seriamente em colocar isso em prática, Kiju puxou a barra da roupa de Jaeil.
— O que está fazendo? Senta.
Sentado após a insistência de Kiju, Jaeil enviou-lhe uma mensagem.
[Senhor Guia. Está sentindo alguma dor?]
Primeiro, ele precisava resolver o som barulhento do coração. Será que algo aconteceu enquanto ele esteve ausente? Ou será que algum idiota veio arrumar briga? Mas era uma preocupação desnecessária. O rosto de Jaeil endureceu de forma peculiar ao verificar a resposta que Ji Seunghyun enviou imediatamente.
[Não há nada de errado. É apenas que fiquei surpreso porque o senhor Esper está muito bonito.]
Por causa da faceirice que Seunghyun não percebia, o coração de Jaeil não aguentava. Jaeil olhou para trás abruptamente de novo. A frase “não me provoque” ferveu em sua garganta.
Ji Seunghyun continuava ocupado desviando do olhar de Jaeil desta vez também. E Joey cutucava a bochecha dele.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?
Nome alternativo: Blood Poker Pquer Sangrento