Ler Pôquer Sangrento (Novel) – Capítulo 01.2 Online


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Blood Poker 01, Parte 02

— Isso não é cheiro de sangue? Argh, é extremamente doce.”

Não era certo se era o cheiro do sangue de Seunghyun. O aroma era fraco, tanto que apenas Jin Seokwoo o sentira. No entanto, os Gons estavam deixando os Espers para trás e correndo para algum lugar, como água sendo sugada por um ralo. Com um cheiro de sangue de tal impacto, havia uma alta probabilidade de ser o de Ji Seunghyun.

Jin Seokwoo até descrevera o aroma como “doce”. A equipe de Jaeil seguiu apressadamente os Gons que se aglomeravam em uma velocidade assustadora.

— Ainda está tudo bem. Ele está vivo.”

Jaeil repetia as batidas do coração de Seunghyun para si mesmo, acalmando a ansiedade crescente.

Ao dobrar a esquina, uma luz fraca atingiu sua visão. Os Gons estavam indo naquela direção.

O fato de haver luz ali já era estranho. Quando um Cubo Oni se forma, toda a energia e os sinais de comunicação são cortados. Então, o que diabos era aquela luz?

E, de forma muito sinistra, as batidas do coração de Ji Seunghyun também estavam se tornando cada vez mais nítidas.

Dobraram outra esquina. A luz, que ficava mais intensa, escapava de uma sala. Do outro lado da esquina, viu-se Gons saltando e entrando apressadamente na sala. Eles nem se importavam com os Espers.

A porta da sala onde os Gons entraram fora arrancada brutalmente. Jaeil apontou sua arma para o buraco de onde vinha a luz.

— …….?

Os olhos do homem, que mirava pela alça de mira, arregalaram-se subitamente. Parecia que todos os Gons deste andar estavam reunidos ali. Contando por cima, pareciam ser mais de dez.

Havia um cheiro intenso, familiar e adocicado vindo do sangue espalhado pelo chão. E as batidas do coração, a presença dele… Não havia dúvidas.

Jaeil pendurou o fuzil no peito e arrancou à força a porta de ferro que exigiria que ele se abaixasse para entrar. Era uma força muscular monstruosa.

Quando o trinco, relativamente fraco, quebrou, a porta inteira caiu. Com o campo de visão ampliado, o homem examinou o interior novamente. Através dos Gons que arranhavam a parede transparente, ele viu Seunghyun amarrado e Daniel. Só de ver aquela cena, Jaeil sentiu o sangue ferver.

No momento em que Jaeil, coberto por uma aura assassina, ia entrar sem hesitar, alguém segurou seu ombro às pressas por trás. Não era apenas uma pessoa. Kwon kiju e Jin Seokwoo detiveram o avanço do homem com urgência.

— Comandante! Não pode entrar!

— Es-espera um pouco.

Jaeil lançou um olhar feroz para trás. O olhar que alternava entre sua cintura e o ombro ardia intensamente. Ele transmitia sua fúria por estar sendo impedido.

A voz de Jin Seokwoo tremeu. Não era por culpa do homem.

— Acho que… não devemos entrar aí.

— Do que você está falando?

A voz do homem soou sombria. Era ameaçador, como se fosse desferir um golpe a qualquer momento se eles não soltassem.

— É estranho.

— …….

Expressões vagas apenas irritariam Jaeil ainda mais. Rangendo os dentes, ele se virou novamente. Jin Seokwoo agarrou desesperadamente o braço que ele tentava soltar com violência.

— Comandante. É sério. Tem algo errado lá dentro. A sensação é uma merda. Acalme-se e observe.

— É verdade, Jaeil. É sério. Senti até calafrios.

kiju também reforçou. O homem, contendo a custo a fúria que fervia em seu interior, finalmente examinou o local com calma.

Como disseram, havia uma sensação de estranheza. Uma corrente elétrica bizarra fluía mantendo uma distância constante. Era tão fraca que passaria despercebida se não estivesse com os sentidos aguçados, mas era forte o suficiente para ser sentida por alguém de nível médio-alto ou superior.

— Deve haver uma razão para ele ter precisado te provocar. Tome cuidado.”

Lembrando subitamente do aviso de Rowan, Jaeil respirou fundo e soltou o ar.

Daniel estava usando todos aqueles Gons não para neutralizar os Espers, mas para ameaçar Seunghyun. Talvez aquela situação também fosse uma forma de provocá-lo. Se fosse assim, precisava entrar no jogo dele por enquanto.

Jaeil avaliou a situação rapidamente.

Se os Gons não conseguiam atravessar, a parede transparente devia ter uma resistência considerável. Mas ser cauteloso nunca era demais. Jaeil, com um olho semicerrado, mirou com precisão a cabeça de um Gon. Com o disparo da bala, um dos Gons que se debatia caiu morto.

Mesmo enquanto Jaeil atacava sucessivamente os Gons que estavam totalmente focados em Seunghyun, Daniel apenas os observava. Era claro que ele tinha outros planos, mas monstros deviam ser eliminados quando houvesse oportunidade.

— Ah, aquele psicopata.

kiju informou imediatamente a situação via rádio e pediu reforços.

Ao lado de Jaeil, Luis também ajudou, e os Gons, que não revidavam, morriam com uma facilidade frustrante. À medida que caíam um a um, a imagem de Seunghyun, que estava escondida por eles, começou a aparecer gradualmente. Seunghyun, que tremia com mãos e pés amarrados, também avistou Jaeil. No momento em que seus olhos se cruzaram, Seunghyun gritou para Jaeil com o rosto pálido:

— Não venha!

Era uma voz misturada com afeto e desespero. Diante da agitação de Seunghyun, os Gons restantes se excitaram e avançaram contra ele.

Arranhando com as unhas e roendo com os dentes, eles golpeavam a parede transparente repetidamente com espinhos que brotavam de seus corpos. Parecia que a parede ia quebrar. Quando Jaeil, ansioso, deu um passo à frente, Seunghyun balançou a cabeça freneticamente de um lado para o outro.

Daniel, que observava a sucessão de eventos parado como um manequim, finalmente começou a se mover lentamente. Ele levou calmamente a mão ao bolso traseiro.

Após testemunhar a morte do último Gon, ele acenou a outra mão para Jaeil. O rosto inexpressivo, como se nada tivesse acontecido, abriu-se em um sorriso largo. Daniel chamou o homem em voz alta, em tom brincalhão:

— Jaeil!

A mão que saiu do bolso traseiro segurava uma pistola. Assim que Daniel puxou o ferrolho para engatilhar, estendeu o braço suavemente. O cano da arma apontava para a cabeça de Seunghyun.

— Eu quero que só você entre! E os outros, parem com os tiros!

— Aquele desgraçado…

kiju explodiu de indignação.

Por outro lado, Jaeil não conseguiu dizer uma única palavra, apenas olhou para Seunghyun. A situação que via diante de seus olhos não parecia real. Por que aquela arma estava apontada para Ji Seunghyun? Por que Ji Seunghyun estava sendo ameaçado por um humano, e não por um monstro? Por que ele estava ali, amarrado e preso, em vez de estar ao seu lado? Tudo aquilo era inacreditável.

Ji Seunghyun também não percebeu em que situação estava por estar olhando para Jaeil. Apenas balançava a cabeça repetidamente com olhos que imploravam para ele não vir. A imagem de um Seunghyun indefeso entrou inteiramente na visão de Jaeil. Assim como sua expressão, as batidas do coração também saltavam ansiosamente.

— Seunghyun.”

As pupilas de Jaeil oscilaram perigosamente. Por mais excelentes que fossem as habilidades de Ji Seunghyun, ele possuía um corpo comum que poderia morrer com uma única bala.

— Eu preciso ir.

Jaeil deu um passo em direção à sala. Jin Seokwoo segurou a gola de sua roupa.

— Porra, isso é uma armadilha. Você sabe disso.

Jaeil soltou a mão de Jin Seokwoo e disse rigidamente:

— Sim, eu sei.

— Como você pode ir sabendo o que aquele psicopata pode fazer?

Daniel, observando a discussão deles, baixou os olhos. Ficou submerso em pensamentos por um instante e logo baixou a arma levemente.

— Eu não estava passando nenhuma sensação de perigo, não é?

Ele buscou uma concordância (que não veio) de Seunghyun e tapou os próprios ouvidos com a mão que não segurava a arma. Então, dobrou levemente o dedo indicador e puxou o gatilho.

*Bang!*

A arma, disparada com uma empunhadura incorreta, teve um forte recuo. A bala raspou superficialmente a panturrilha de Seunghyun. Por um instante, pareceu que uma coluna de fogo o atingira. Incapaz de soltar um gemido, o rosto de Seunghyun, que desabou, distorceu-se em agonia.

— Ah, errei.

“Uma perna estaria tudo bem”, murmurou Daniel para si mesmo, e gritou novamente para o homem:

— A próxima é na cabeça! Só o Jaeil entra!

Diante das palavras de Daniel, Jaeil, que não conseguia mais se conter, disse a kiju:

— Assim que eu entrar, divida a equipe em duas e procure outro corredor.

— Jaeil.

— Eu preciso ir para ganhar pelo menos um pouco de tempo.

Mesmo com a tentativa de kiju de convencê-lo, Jaeil foi irredutível. Não podia mais demorar. Confiar apenas em reforços era uma desvantagem grande demais para a situação de Seunghyun. Além da ameaça de Daniel, se o alto comando soubesse da situação, poderiam ordenar a execução simultânea de Ji Seunghyun sob o pretexto de que era inevitável.

O objetivo prioritário de Neo é aniquilar os monstros e tornar esta terra segura. Se julgassem que Ji Seunghyun era quem causava discórdia e atrasava esse processo, ele poderia ser eliminado mesmo sendo um guia de classe A.

Jaeil, que ia entrar após dar algumas instruções aos soldados, hesitou.

— …….

Inúmeros pensamentos cruzaram sua mente em pouco tempo. A prioridade estava decidida. O importante era a probabilidade. Prevendo até o pior cenário, o que realmente o preocupava era Ji Seunghyun.

— Se eu ficar em um estado irreversível…

Jaeil olhou nos olhos de kiju e de cada um dos outros soldados.

— Protejam-no.

O tom calmo, porém afetuoso, carregava muitos significados.

— Eu lhes peço.

Caso algo aconteça comigo, façam com que pelo menos Ji Seunghyun possa criar raízes nesta terra. Que ele tenha mais dias de riso do que de choro. Se houver quem o despreze ou o trate mal, que vocês o protejam como fizeram hoje. Jaeil não teve escolha a não ser confiar na fé que eles demonstraram por Ji Seunghyun momentos atrás.

Logo em seguida, retirando o olhar, o homem caminhou a passos largos para dentro da sala.

Não precisava mais conter a fúria. O lado de lá é que havia provocado a briga. A bala que Jaeil disparou foi certeira para a cabeça de Daniel. Como o material era muito forte, a bala apenas ricocheteou, mas ao atirar no mesmo lugar repetidamente, pequenas rachaduras começaram a surgir.

— Eu disse para não atirar! Não tenho intimidade com armas, mas desta vez eu vou acertar em cheio!

A arma de Daniel apontou novamente para Seunghyun.

Bastou mencionar Ji Seunghyun para que a ameaça fizesse efeito. Jaeil, estremecendo os ombros, parou suas ações. Mirando Daniel com um olhar afiado, ele não pôde mais atirar.

Daniel deu alguns passos e apertou um botão instalado na parede. Com isso, outra parede transparente desceu. Era para prender Jaeil e impedir que outros Espers entrassem.

Os Espers que tentaram impedir a descida da porta retiraram as mãos num sobressalto assim que as colocaram dentro da sala. Foi devido à corrente elétrica, antes fraca, que subitamente fluiu com força.

O espaço criado por Daniel era chocante. O instinto dos Espers os alertava ferozmente. Que, se fossem expostos àquele espaço, morreriam por algum princípio. Que um monstro pior do que a energia que às vezes os consumia estava aninhado ali.

Naquele momento, o Esper que vigiava os dois corredores gritou:

— São Gons!

Jin Seokwoo criou imediatamente uma barreira. Gons que corriam em velocidade assustadora foram derrubados por balas por pouco.

— Eles aparecem de repente e fazem essa porra! Merda!

kiju, que explodiu a cabeça de um Gon que rastejava pelo teto, também franziu o cenho com irritação. Como Jaeil dissera, precisavam enviar alguns para procurar outro corredor e os outros deviam quebrar aquela parede, mas os monstros estavam vindo todos de uma vez, como se tivessem combinado.

No tempo certo, no lugar marcado.

O olhar de kiju, que mergulhou em pensamentos por um instante, dirigiu-se a Daniel, que permanecia parado de forma altiva mirando Seunghyun.

O plano daquele lunático parecia mais meticuloso e astuto do que imaginavam. Não era exagero dizer que aquele era o quartel-general da Nature. Se ele levou anos para atrair Jaeil para aquele espaço, o comportamento atual dos Gons fazia sentido. Quantos Gons, soltos em intervalos de tempo, seriam atraídos pelo sangue de Ji Seunghyun e por quanto tempo viriam para cá? kiju sentiu o futuro sombrio diante de seus olhos.

Se tivessem balas o suficiente, poderiam tentar conter, mas era impossível ajudar Jaeil também. E não podiam simplesmente atirar na parede. Se fizessem isso e Daniel atingisse alguma parte de Ji Seunghyun… kiju balançou a cabeça, horrorizado só de imaginar.

— Venham logo. Rápido.

kiju, que enviara novamente um pedido de reforços, murmurou ansiosamente.

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— Por favor, pare com isso!

Seunghyun gritou desesperado. Daniel finalmente conseguira fazer o homem entrar ali por vontade própria.

Os pulsos de Seunghyun já estavam em farrapos de tanto atrito e escoriações. Mesmo que implorasse com os olhos marejados, Daniel apenas balançava a cabeça levemente.

— Está apenas começando. O que eu deveria parar?

Seunghyun tentou avançar impensadamente contra o homem, mas vacilou. Ele caiu de forma tola para a frente por não considerar os grilhões. O sangue escorria da panturrilha atingida pela bala e ensopava sua calça. A dor aguda parecia queimar sua pele.

No entanto, era mais humilhante do que doloroso. Seunghyun, caído no chão, apenas cerrou os punhos vazios. Devia ter havido muitos momentos mais impotentes do que este. Inúmeros, mas ele não entendia por que nunca se tornava imune a essas coisas. Seunghyun gritou desesperadamente para o homem:

— Não venha!

Dizer coisas masoquistas como “não se preocupe comigo” ou “posso morrer” poderia, na verdade, ferir o homem. Ele dissera que Seunghyun era precioso e que o protegeria com a vida de agora em diante. Ao considerar e acolher os sentimentos do homem, a única coisa que realmente podia dizer era aquilo.

— Seunghyun, vou te mostrar como eu caçava Espers no Setor 13.

As palavras enigmáticas de Daniel logo se tornaram realidade. O corpo do homem que caminhava a passos largos subitamente fraquejou.

Por um tempo, ele fez um esforço hercúleo para não perder o equilíbrio, mas parecia que o homem mal conseguia ficar de pé. O tremor em seu corpo era evidente. Era como se ele estivesse sendo esmagado por uma pedra gigante e invisível.

As mãos que seguravam os joelhos para resistir acabaram tocando o chão. O fuzil que segurava também caiu desleixadamente. Seu “gear” (dispositivo de medição), que ele tentava levantar a todo custo enquanto cerrava os punhos, piscava rapidamente. Apenas por resistir à pressão, o nível, que não chegava a 40%, subiu exponencialmente. Devido à velocidade anormal, um alarme de aviso soou estridentemente no dispositivo.

A energia que oscilava ao redor do homem expandiu-se agressivamente. Formas negras, como os espinhos de um Oni, brotaram de suas costas e começaram a fervilhar ao seu redor. Devia estar em mais de 70%. A velocidade era excessiva.

— É perigoso…

Diante do sussurro vago de Seunghyun, Daniel sorriu satisfeito.

— É perigoso! Pare com isso!

Seunghyun gritou furioso. Em seus olhos vermelhos e congestionados, o medo e o desespero se misturavam.

Seunghyun sentia nitidamente a dor de Jaeil. A dor maldita que ele apenas imaginava vagamente… Não era algo suportável. Parecia que ia morrer de dor. Para ser exato, era insuportável porque ele entendia a dor e sentia pena dele. Seunghyun torceu novamente os pulsos ensanguentados. Ele precisava ir. Se não tocasse o homem, seu próprio coração poderia parar primeiro.

O homem tentou tatear para segurar o fuzil novamente. O tremor de quem resistia ao surto entrou inteiramente na visão de Seunghyun. Mesmo mal conseguindo respirar, ele estendia o braço desesperadamente para chegar até ali.

Daniel, que alternava o olhar entre a ação inútil do homem e seu relógio de pulso, ergueu o canto da boca de forma enviesada. Era um deboche explícito.

— É realmente uma cena de chorar. Mesmo sendo apenas mutantes.

Ele não escondeu o olhar de desprezo.

A mão que agarrava a arma perdeu a força antes mesmo de tentar mirar. Ao lado do fuzil que caiu com um som metálico, o homem apenas agarrava o chão inutilmente.

— Ugh…

Foi no momento em que Seunghyun subitamente sentiu náuseas. O homem, como se estivesse sofrendo, agarrou o próprio peito e arquejou. Logo em seguida, incapaz de conter uma tosse convulsiva, ele cuspiu sangue. O sangue escorreu em cascata de sua boca aberta. Como o sangue fluía quase como se estivesse sendo despejado, uma poça logo se formou sob o homem.

Daniel, checando as horas novamente, continuou a falar em tom monótono:

— Quando ele entrar em estado de animação suspensa, vou injetar o núcleo. E pretendo oferecer você como a primeira refeição dele.

Daniel despejava palavras cruéis sem parar. Seunghyun não tinha forças nem para responder. Estava sendo exaustivo suportar a mesma dor que o homem.

— Vou apreciar à vontade até o momento em que ele estiver descontrolado. O que acha? É muito diver…

*BOOM!*

Com o barulho repentino, Daniel levou um susto e recuou meio passo. O homem, que estava jogado no chão e parecia acabado, já estava encostado na parede transparente.

— Seunghyun.”

Seunghyun parou de respirar por um instante. A voz baixa e serena penetrou em sua pele.

— …….

Ele achou que as batidas do coração tivessem enfraquecido e que ele estivesse morrendo. Mais uma vez, ele queria desistir de tudo por não poder fazer nada, mas ouviu a voz do homem que estava morrendo.

— Seunghyun.”

Ao ser chamado novamente, ele ergueu a cabeça lentamente. Então, o homem ensanguentado fez um pequeno sinal com os olhos para Seunghyun.

— Vá para o canto e encolha-se o máximo que puder.”

— …….

Seunghyun moveu-se lentamente e encostou-se na parede. Então, abraçou os joelhos e olhou para o homem.

O homem, encarando Daniel como se fosse matá-lo, cuspiu sangue espesso mais uma vez.

— Feche os olhos.”

— …….

Seunghyun balançou a cabeça. Estava ansioso. Com que intenção ele pedia para fechar os olhos? Quando Seunghyun não obedeceu prontamente, o homem transmitiu sua voz novamente:

— Eu prometi, não prometi?”

— …….

Seunghyun ficou à beira das lágrimas. Ele ergueu as duas mãos trêmulas e cobriu todo o rosto. As algemas tilintaram acompanhando o tremor das mãos.

Estava com tanto medo e ansiedade que os soluços subiram, mas ele os engoliu com força. A respiração ofegante molhou as palmas das mãos. “Será que é aquela pessoa agora? Vou perdê-la diante dos meus olhos? Vou perdê-la de novo?” Todas as suas memórias dolorosas e tristes estavam se misturando. Desta vez também. Desta vez de novo.

— Isso, mantenha-os bem fechados.”

Quanto mais ele compreendia o motivo do homem pedir para fechar os olhos, a sensação de perda do passado e o desespero de ontem apertavam seu coração. Acima de tudo, ele não suportava a impotência que o ridicularizava incessantemente. O homem que deveria ser curado em seus braços estava sofrendo. Estava sofrendo tanto que parecia que seu coração pararia a qualquer momento. E ele não podia fazer nada. Seunghyun, cobrindo o rosto, soluçou sem emitir som. O sangue de seus pulsos, tornozelos e panturrilha se espalhou como lágrimas enquanto ele estava encolhido.

Daniel, percebendo a comunicação entre os dois homens, debochou:

— Parece que a sincronia foi bem-feita, não é?

O sangue continuava a escorrer do nariz e da boca do homem que não respondia. Mal ele limpava o rosto com a palma da mão e o sangue voltava a escorrer. Aquilo era o prenúncio de um surto que ultrapassava os limites. Provavelmente, suas vísceras estavam queimando.

— Deve ser difícil até mover um dedo. Mas, como esperado, você é diferente.

Após fazer esse comentário curto e seco, Daniel aproximou-se de Jaeil sem medo.

— Está doendo muito?

Debochando novamente, Daniel não economizou no sorriso hipócrita. Ele desmoronaria de qualquer jeito. Aquele era um dispositivo para Ha Jaeil, construído calculando suas habilidades. Por mais que ele lutasse, só aceleraria a velocidade do surto, mas ele agia de forma muito teimosa.

Quanto tempo ele esperara por aquele dia? Ele queria que o coração parasse logo. Queria apreciar a imagem dele descontrolado após plantar o núcleo que possuía.

No entanto, por algum motivo, o homem não desmoronou. Ele, que alternou o olhar entre Daniel e os arredores, espalmou a mão na parede. E, por alguma habilidade que estava usando, teve-se a ilusão de que o porte físico do homem aumentara. Daniel franziu o cenho.

— Não gaste energia. Só você vai sofrer.

— Não.

Sentia-se uma força incompreensível na voz firme do homem. Era uma força que jamais deveria ser demonstrada naquele espaço que sugava a energia e esmagava os membros.

— Você vai morrer pelas minhas mãos.

O homem, que assim afirmou, cuspiu violentamente o sangue que ensopava sua garganta. O olhar dele brilhava intensamente com intenção assassina. Chamas negras e vermelhas rodopiavam atrás de seu enorme porte físico.

Com as pupilas vermelhas de vasos rompidos e coberto de sangue, ele parecia um “Yaksha” (demônio guerreiro). Daniel, ao enfrentá-lo, ficou momentaneamente sem palavras diante da aura terrível que ele emanava.

— Como eu deveria te matar?

As palavras venenosas do homem fluíram como se ele as rangesse.

— Devo te rasgar em pedaços?

Tendões saltaram nas costas de sua mão e uma energia imaterial começou a emanar da ponta de seus dedos. O homem, que encarava Daniel com a testa encostada na parede transparente, parecia não ter mais rastro de racionalidade.

— Devo te mastigar e te comer, até que não reste forma?

No momento em que a voz do homem rachou asperamente, carregada de dor, uma rachadura surgiu a partir do lugar onde Jaeil havia feito marcas anteriormente. A superfície da parede começou a se quebrar com um som estridente.

— Jaeil. Por favor.

Daniel soltou uma risada sarcástica ao descobrir a rachadura. Ele ia dizer para ele parar com aquele esforço inútil. No entanto, o som de algo se partindo vindo da parede não era comum.

Daniel recuou um passo e examinou a parede inteira, franzindo o cenho. Na parede transparente, incapaz de suportar a força aplicada pelo homem, surgiam fissuras como teias de aranha.

— …….

— …….

Daniel encontrou os olhos do homem lentamente.

Ele não achava que fosse arrogância. Aquele era um local construído após inúmeras tentativas e erros. Fora projetado de forma ainda mais rigorosa considerando o corpo saudável dele. Por mais forte que fosse, Ha Jaeil também não era um Esper? Ele não passava de uma criatura inferior inevitavelmente limitada pelo surto, então por quê…?

“Houve algo que eu deixei passar?” Foram sete longos anos. Ele achava que, durante esses sete anos, descobrira tudo o que havia para saber sobre o homem. A tranquilidade que preenchia o rosto de Daniel estava se transformando em ansiedade.

Não havia exemplos de habilidades que se tornassem mais fortes por causa de uma sincronia. Mesmo que Ji Seunghyun estivesse por perto, ele não o tocara, então não se podia dizer que ele exercera influência. Então, de onde vinham aquela concentração e força? Daniel recuou dois passos, com olhos que não podiam acreditar no que viam.

Embora o sangue jorrasse incessantemente de cada orifício, o homem não desistia. Mesmo que a dor devesse ser inimaginável por usar a habilidade além do limite, ele não parava.

— Você, realmente…

No instante em que a desolação e o alívio se misturaram no rosto de Daniel, a parede transparente que resistia precariamente desmoronou em milhares de fragmentos.

O corpo de Daniel oscilou com a lufada de vento causada pelo homem. Ele tentou baixar a mão que cobria o rosto e abrir um pouco os olhos, mas seu pescoço foi agarrado e torcido violentamente.

— Urgh!

Daniel debateu-se tentando soltar o pulso que estava mais do que firme, estava rígido. A pistola que ferira Ji Seunghyun era inútil diante do homem. Seu pescoço parecia prestes a quebrar diante da força que até outros Espers evitavam enfrentar. Ele, um humano comum, não conseguia mover sequer um dedo do homem e apenas arquejava.

O espécime de teste que Daniel achava tão interessante tornara-se uma fera incontrolável. Os dedos de Jaeil cravaram-se impiedosamente sob o maxilar de Daniel. Parecia que ia perfurar a pele. O homem apertou a traqueia quase a esmagando e o empurrou contra a parede. Ele não moderou a força. O som de ossos quebrando ecoou simultaneamente.

Jaeil não transmitiu sua intenção por voz, mas o significado da ação foi plenamente comunicado. Seus olhos vermelhos e cheios de veneno lançavam uma maldição indescritível.

Daniel, que praticava massacres sob o pretexto da curiosidade, não passava de um humano extremamente frágil. Ele, que apenas babava de forma patética, logo ficou inerte. Não por falta de ar, mas porque seu pescoço fora quebrado.

Mesmo confirmando que ele parara de respirar, Jaeil não se sentiu satisfeito e, com a outra mão, segurou a cabeça dele e a torceu. Só depois de ouvir o som dos ossos se cruzando é que ele arremessou o corpo que segurava.

— Haa… fuu…

A respiração de Jaeil não se acalmava facilmente. Parecia que correntes de ferro esmagavam seus pulmões.

Ele ergueu o pulso para checar o dispositivo. O número que ultrapassava 92% piscava borrado. Subitamente, sentiu uma dor como se alguém golpeasse sua nuca com um formão. Com o cenho franzido pela dor lancinante, o sangue fluiu de seu nariz como água.

No entanto, Jaeil não conseguiu se aproximar de Seunghyun. Por mais habilidoso que fosse, havia uma alta probabilidade de não conseguir controlar aquele nível. Mesmo com a sincronia, se o guia não conseguisse acompanhar a velocidade do surto e, porventura, a bomba plantada atrás de sua cabeça explodisse, Seunghyun poderia se ferir. Ele odiaria isso mais do que a morte.

Precisava tomar uma decisão. Respirações ofegantes saíam aleatoriamente de Jaeil, que deixara a cabeça pender enquanto se apoiava nos joelhos.

Foi então que Seunghyun, encolhido, começou a procurar por Jaeil.

— Esper…

Ele não tinha certeza se lera os pensamentos do homem apenas pelo chamado melancólico.

— Venha aqui.

Era uma voz tão encharcada de lágrimas que sua forma parecia ter se dissolvido.

— Eu não vou abrir os olhos. Por favor, aproxime-se só um pouco.

Mesmo diante do chamado angustiante, Jaeil apenas tossiu sem responder. Seus joelhos fraquejaram e seu corpo cedeu. Mesmo na posição de um joelho no chão, seu corpo continuava a afundar. Jaeil apoiou a mão no chão. O sono o invadiu. Não tinha força nenhuma. Após resistir o máximo que pôde, cuspiu sangue novamente. O monstro dentro de seu corpo parecia decidido a beber todo o sangue de Jaeil, bombeando-o sem parar.

— Eu consigo… Eu consigo fazer bem.

Seunghyun estendeu a mão em direção ao homem, com os olhos fechados. Ele sabia, mesmo sem confirmar com os olhos. Nunca houvera um momento tão perigoso e instável. Ele precisava tocá-lo, nem que fosse um pouco. Seu interior se corroia por saber onde ele estava e ele não se aproximar. Por entender o coração do homem, ele não podia abrir os olhos. Seunghyun apenas o chamava.

— Por favor… me salve.

Sua voz desesperada tremia violentamente.

— *Hic*, por favor…

Jaeil limpou o rosto com a palma da mão sob o pretexto de remover o sangue. Ele também limpou meticulosamente a boca, que certamente se encheria de sangue novamente.

— Eu…

Jaeil soltou uma voz embargada enquanto se aproximava de Seunghyun quase rastejando.

— Estou muito quente.

Suas vísceras estavam tão quentes que pareciam derreter. Ele temia que transmitir aquilo pudesse fazer mal a ele. No entanto, ele não podia ignorá-lo enquanto ele chorava daquela forma. Fora assim desde o início. Sempre que Ji Seunghyun agia com teimosia daquela maneira, Jaeil era sempre quem acabava cedendo.

— Espero que não se assuste.

Sentindo a presença do homem, Seunghyun estendeu os braços apressadamente. E puxou o traje de combate ensanguentado com força. Seunghyun esforçou-se ao máximo para colocar a cabeça do homem entre seus braços amarrados e unir seus corpos.

Ele acolheu o corpo que pendia sem forças e segurou sua nuca. As peles se tocaram e o cheiro do sangue de ambos se misturou. A energia agressiva que emanava do homem envolveu densamente tanto Seunghyun quanto ele, ardendo em chamas.

O homem tentou afastar as mãos de Seunghyun. A nuca era perigosa. Seunghyun balançou a cabeça negativamente com força e o abraçou sem hesitar.

— Agora está tudo bem. Está tudo bem. Está tudo bem.

Seunghyun abraçava o homem e sussurrava repetidamente. Ele nem sabia para quem eram aquelas palavras. Ao mesmo tempo, ele injetava energia pura em todos os lugares possíveis e sugava a energia pesada.

— Fuu, haa, haa.

O homem arquejou, como se fosse difícil suportar. A cada respiração ofegante, o calor se espalhava pelo pescoço de Seunghyun. A dor que chegava ao limite dos limites era transmitida inteiramente.

— Está tudo bem. Está tudo bem.

— Urgh…

O homem, que era tão bom em suportar, não conseguiu esconder seus gemidos de dor. Gemidos baixos e dolorosos ecoavam nos ouvidos de Seunghyun. A dor que parecia rasgar todo o corpo envolveu o homem como uma serpente. O homem, preocupado com Seunghyun, mal conseguia abraçá-lo e ofegava. As pontas de seus dedos trêmulos e as pontas de suas botas militares arranhavam o chão. Era uma cena insuportável de se ver.

“Não. Não.”

Embora a velocidade da troca de energia fosse mais rápida do que nunca, a habilidade de Seunghyun não conseguia acompanhar o surto. A respiração ofegante tornou-se fraca e as batidas do coração também diminuíram. Não importava o quanto ele se esforçasse e aguçasse os ouvidos, elas tornavam-se cada vez mais tênues.

Desejando segurá-lo de qualquer jeito, ele abraçou o homem com todas as forças. No entanto, a energia explosiva não conseguia penetrar em Seunghyun e apenas escapava por entre seus dedos.

— Não, por favor…

As lágrimas transbordavam como uma cachoeira. Ele não conseguia conter os soluços.

Seunghyun gritava em seu coração: “Resista, por favor, resista, só mais um pouco. Você só precisa cumprir sua promessa, eu farei o resto, então apoie-se em mim”.

No entanto, apesar de seu apelo desesperado, o corpo do homem subitamente ficou inerte.

— …….

Lágrimas voltaram a encher os olhos que olhavam obstinadamente para o teto. As bochechas de Seunghyun, que mordia o lábio inferior como se fosse arrancá-lo, inflaram levemente.

Tudo ao redor ficou em silêncio.

— …….

Ele, que parecia prestes a desmoronar a qualquer momento, fechou os olhos com força e os abriu. Por um instante, pareceu que seu raciocínio parara. Ou melhor, pareceu que o tempo parara, mas Seunghyun empurrou o desespero que subia até sua garganta para o fundo de seu estômago.

— …Pode ir devagar.

— Vamos dormir juntos.

— Tape os ouvidos e feche os olhos para o resto.

Em apenas alguns segundos, o rosto de Seunghyun, que antes estava ocupado em guiar sem saber o que fazer, tornou-se incrivelmente calmo. Ele retirou lentamente os braços que envolviam o pescoço do homem. E colocou a cabeça dele sobre suas coxas.

— Posso pedir o guia?

— Você é precioso.

— Sinto muito.

Seunghyun observou o rosto com as pálpebras pesadas e beijou a testa exposta. Lágrimas silenciosas caíram gota a gota, deixando rastros no rosto pálido do homem. Os lábios trêmulos de Seunghyun também tocaram o cenho franzido pela dor.

— Eu prometo.

Após o beijo carregado de afeto, suas duas mãos manchadas de sangue cobriram amplamente o coração do homem.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Pôquer Sangrento (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?
Nome alternativo: Blood Poker Pquer Sangrento

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