Ler Pivô Profundo (Novel) – Capítulo 131 Online

Deep Pivot — Capítulo 131
A vida de Cha Yeonwoo raramente teve dias bons.
— Cha Yeonwoo, certo?
Um homem de jaleco branco se aproximou com um sorriso cordial. Sua vestimenta por si só não deixava claro se ele era pesquisador ou médico.
— Nossa, seu perfil me surpreendeu, mas você é ainda mais deslumbrante pessoalmente.
Yeonwoo presumiu que estava sendo provocado. A foto enviada ao centro para avaliação do guia não era nada lisonjeira — tirada após dias de jejum, exames médicos intermináveis e sob o efeito da anestesia.
Imperturbável pela falta de resposta de Yeonwoo, o homem continuou alegremente:
— Parece que seus sinais de manifestação apareceram de uma forma que realmente combina com você. Até parecendo um >>idol.
Ele gesticulou para a própria cabeça, referindo-se ao cabelo desgrenhado de Yeonwoo.
Yeonwoo timidamente passou a mão pelos cabelos rebeldes e desviou o olhar.
— Você deve ter ficado surpreso com a ligação repentina. Você já tinha seu cronograma de treinamento definido, certo?
— Sim, um pouco…
Yeonwoo respondeu suavemente.
— Sou Kang Hee-min, pesquisador-chefe aqui. Todos me chamam de Dr. Kang. – disse ele, estendendo a mão.
Yeonwoo apertou a mão educadamente, seus olhos disparando em direção ao corredor desconhecido.
— Você sabe por que está aqui hoje, certo?
Ele tinha um teste de compatibilidade marcado com um >>Esper. A identidade do parceiro não havia sido revelada.
— Disseram-me que é para um teste de compatibilidade.
— Isso mesmo, mas…
Hee-min parou de falar, coçando a sobrancelha com um toque de inquietação.
— O estado atual do >>Esper é… complicado.
Ele pressionou seu documento de identidade contra um scanner, e a porta se abriu com um clique. Ele guiou Yeonwoo para dentro do quarto.
— Olá.
Uma mulher de cabelos azuis, presos impecavelmente, o cumprimentou. Sentada na beira da cama, ela sorriu calorosamente e estendeu a mão.
— Olá. – Yeonwoo respondeu cautelosamente.
— Kang Mi-yeon.
— Eu sou Cha Yeonwoo.
Ele pegou a mão dela, embora cada fibra do seu ser gritasse o contrário.
“Não.”
Yeonwoo baixou os olhos para o próprio corpo, agora coberto apenas por um avental médico e conectado a uma infinidade de dispositivos de monitoramento.
— Este é meu laboratório particular.
Hee-min explicou, gesticulando ao redor.
— Os dispositivos servem para monitoramento do seu estado em tempo real.
Os olhos azuis de Yeonwoo percorreram a cama, o equipamento, Mi-yeon e, finalmente, Hee-min.
— Vamos começar o teste.
Hee-min disse, batendo palmas para recuperar o foco de Yeonwoo.
Mi-yeon subiu na cama, gesticulando bruscamente.
— O que você está esperando? Vamos.
Movendo-se hesitantemente, Yeonwoo sentou-se na beira da cama. A mão de Mi-yeon estendeu-se em sua direção, tentando ajustar a gola do seu vestido.
Mas antes que ela pudesse tocá-lo, Yeonwoo estremeceu violentamente, afastando a mão dela e se levantando de um salto.
— Não, não é isso.
Mi-yeon franziu a testa profundamente.
— O que?
— Isso não está certo!
Ele repetiu, com a voz trêmula.
Hee-min, ocupado ajustando o equipamento, virou a cabeça diante da comoção. A atmosfera leve da sala se adensou, pressionando-os como um peso sinistro.
— Onde está meu tenente?
Yeonwoo exigiu, recuando até encostar as costas na parede. Sua pergunta o atingiu como um golpe repentino, silenciando os dois.
Baque. Rangido. Estalo.
As paredes começaram a escorrer e ruir como argila molhada, substituídas por uma torrente de um líquido espesso e vermelho. O ar tornou-se sufocante, e o cheiro forte de sangue invadiu seus pulmões.
— Yeonwoo.
Uma voz sussurrou, doce e inebriante, roçando seus ouvidos.
Só o som do seu nome foi suficiente para fazê-lo cambalear. Ele se rendeu à voz, e seu mundo desmoronou em puro êxtase.
Não era mais Mi-yeon.
Não era um laboratório estéril.
Era o calor inebriante dos braços de Ji Seojoon — o amor de sua vida, sua existência divina e insubstituível.
— Eu te amo, Tenente. Estou tão feliz, tão feliz.
Yeonwoo sussurrou reverentemente, suas mãos trêmulas segurando Seojoon como se ele pudesse se estilhaçar. Eram duas peças de um quebra-cabeça, dolorosamente quebradas, mas perfeitamente interligadas.
Mas enquanto suas respirações se confundiam, enquanto seus corpos se entrelaçavam em seu reencontro desesperado, a mente de Yeonwoo se fragmentava ainda mais.
— Yeonwoo.
A voz de Seojoon era terna, porém firme. Ela perfurou o delírio de Yeonwoo como uma tábua de salvação.
— Vamos viver juntos.
O apelo era simples, cheio de sinceridade. Os lábios de Yeonwoo se abriram para responder, mas sua voz falhou. Suas mãos, trêmulas, porém resolutas, agarraram-se com mais força ao corpo de Seojoon.
Sua resposta não foi dita, mas gravada no fervor de seu toque.
Ele nunca desistia.
✽✽✽
A explosão ensurdecedora varreu o canteiro de obras como um maremoto. O Dr. Kang Hee-min agarrou seu capacete com força, garantindo que ele não voasse, enquanto Songhee cambaleava e lutava para acompanhar os soldados em retirada.
― Calor alto detectado dentro da torre principal!
― Explosão iminente!
― Todas as equipes evacuem a área da torre principal imediatamente!
― Os sistemas de monitoramento de temperatura falharam!
— Saiam agora! Saiam, saiam!
Vozes urgentes se entrelaçavam na cacofonia da situação, ecoando pelos comunicadores do Coronel Jin. O chão tremia violentamente, as estruturas metálicas dos prédios desmoronavam em um colapso em cascata. Songhee caiu pesadamente em meio ao caos, soltando um grito.
Hee-min, junto com os soldados, correu para puxá-la de volta. Kang Chaewon apareceu de repente, colocando Songhee sem esforço no ombro.
BOOM! BOOM-BOOM! O som era apocalíptico, como se centenas de raios tivessem caído simultaneamente. Os holofotes se estilhaçaram em faíscas, mergulhando a cena em flashes intermitentes de luz e escuridão.
Uma pressão comprimida irradiou do epicentro da torre principal, e sua força jogou Hee-min para longe, a vários metros de distância.
Com os ouvidos zumbindo devido ao silêncio, ele se esforçou para abrir os olhos. Tudo estava envolto em uma nuvem sufocante de poeira, tornando sua visão quase inútil.
— Dr. Kang! O senhor está bem?
Uma mão o sacudiu bruscamente. Ele mal conseguia ouvir as vozes frenéticas dos outros através da estática das comunicações interrompidas.
[Movimento não identificado. Possível entidade detectada.
Armas prontas. Aguardando ordens.
Aguardando confirmação visual.]
Tiros irromperam novamente, ostaccato de disparos rápidos rompendo a névoa. À frente, Chaewon se aproximou de Songhee, agora envolta em um cobertor térmico de emergência. Hee-min se firmou e ajudou Songhee a se levantar.
Então, ele veio — fraco no início, um som distante, mas penetrante.
— Ajude… alguém, por favor ajude…
Não era um chamado normal. Era cru, primitivo, como o grito de alguém que se esforçou para sair do inferno e percebeu que ainda estava preso em suas mandíbulas. Hee-min se esforçou para localizar a fonte.
E então ele ouviu novamente, dessa vez inconfundível.
— Socorro! Por favor! Alguém, me salve!
A lanterna de Kang Chaewon acendeu, cortando a escuridão enquanto ela se movia em direção ao som. Hee-min a seguiu instintivamente, apenas para ser puxada para trás pelo aperto firme do Coronel Jin.
— Cessar fogo! CESSAR FOGO, SEUS DESGRAÇADOS!
O rugido de Jin sacudiu o ar enquanto ele berrava no comunicador. Hee-min se deixou levar para mais perto do epicentro da explosão.
Em meio à poeira que se dissipava, algo começou a tomar forma — uma figura se contorcendo fracamente em meio aos destroços. Hee-min limpou os óculos apressadamente, apertando os olhos para entender o que estava vendo.
— Por favor, ajude… ajude-me!
Não era uma criatura.
Era Cha Yeonwoo.
Seus passos vacilaram e ele congelou.
Lá estava ele, coberto da cabeça aos pés de sangue, sangue coagulado e dos resíduos viscosos das consequências do portão. Cha Yeonwoo, rastejando debilmente pelos escombros, agarrava algo desesperadamente contra o peito.
Não era uma arma. Não eram destroços. Eram os restos mutilados de um corpo — não mais humano em nenhum sentido reconhecível, apenas carne dilacerada e forma fragmentada.
Antes que Hee-min pudesse se mover, Chaewon já estava em cima dele, jogando um cobertor térmico sobre o corpo trêmulo de Yeonwoo. Ele o embalou protetoramente, com a voz embargada enquanto gritava para os outros.
— Peguem uma maca! AGORA!
Soldados e médicos corriam de um lado para o outro, seus gritos e passos se misturando ao pandemônio. Hee-min, empurrado para o lado no frenesi, só conseguiu ficar imóvel, um observador paralisado do milagre que se desenrolava diante dele.
Pela primeira vez na vida, ele estava testemunhando um verdadeiro e inexplicável “milagre”.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna
Ler Pivô Profundo (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Devido a um trauma, o esper Ji Seo-joon se recusava a ter um guia exclusivo. Por causa de sua aversão ao contato com guias e das constantes baixas taxas de compatibilidade, ele vinha recebendo guiamentos de baixa qualidade há anos.
Diante de Seo-joon, que estava à beira de explodir devido ao acúmulo de fadiga, surgiu um guia com uma taxa de compatibilidade milagrosa.
【98,8%】
O protagonista com um número sem precedentes, Cha Yeon-woo, ainda era um estudante do ensino médio que nem sequer havia se formado. Ele foi lançado ao campo sem passar por treinamento, como se não se importassem se ele morresse.
“Ah, eu não sou uma criança. Tirei um ano de folga, então tenho vinte anos… Espero que você não diga que sou muito novo, mesmo que não saiba os outros motivos.”
Seo-joon não pôde deixar de sentir um aperto no peito diante da aparência inocente e dedicada do guia novato…
Nome alternativo: Piv Profundo Deep Pivot