Ler Pivô Profundo (Novel) – Capítulo 130 Online


Modo Claro

Deep Pivot — Capítulo 130

Era um conjunto absurdo de leituras.

Para um ser humano típico, uma frequência cardíaca acima de 100 batimentos por minuto já era considerada irregular. Mas a frequência cardíaca de Cha Yeonwoo ultrapassava 400. Sua temperatura corporal oscilava intensamente entre 20 e 60 graus Celsius, e seus sinais de ondas cerebrais oscilavam entre os de um paciente em coma e picos erráticos que pareciam quase vivos de caos.

Esses números simplesmente não poderiam pertencer a um ser humano vivo.

— Esta é a frequência cardíaca, e aqui está a atividade das ondas cerebrais. Abaixo, a temperatura corporal e os níveis hormonais. Mas essas leituras são…

Songhee apontou para o monitor, tentando explicar ao Coronel Jin.

Doze horas se passaram desde que Cha Yeonwoo entrou no portal, com seus biossinais enviando padrões inexplicáveis de forma intermitente. Enquanto isso, o Coronel Jin enfrentou inúmeros desafios, incluindo confrontos com agentes enviados pelo Major-General Park.

Arrancar sua insígnia de patente e xingar um superior era motivo para severas medidas disciplinares, mas a operação do “Portal final” era altamente sigilosa. Substituir Jin ou introduzir terceiros teria sido um pesadelo logístico e de segurança.

Tirando o conflito inicial sobre o acesso à torre principal, a adesão de Jin à missão permaneceu praticamente inquestionável. O Major-General Park, relutantemente, permitiu que ele mantivesse o comando da operação, desde que todas as atividades permanecessem sob rigorosa vigilância.

Se os superiores soubessem a verdadeira intenção desta missão — guiar e potencialmente reviver um agente Sem Nome — jamais teriam permitido que isso continuasse. Felizmente, esses detalhes permaneceram ocultos.

Jin tomou um gole de seu forte café instantâneo, e o amargor o acordou bruscamente. Seus olhos vermelhos se fixaram no monitor. O portão, que se expandira erraticamente e transbordara de atividade logo após a entrada de Cha Yeonwoo, finalmente se aquietara com a aproximação do amanhecer.

Os tiros incessantes que ecoaram ao longo do dia também diminuíram. Os agentes permaneceram em seus postos, aguardando ou lidando com as poucas anomalias restantes.

Depois de ouvir o colapso de Songhee, o Coronel Jin apontou para parte do monitor.

— Então, o que isso significa? O garoto está com morte cerebral agora?

— Bem, se você olhar apenas as leituras das ondas cerebrais, parece que sim, mas a frequência cardíaca dele está—

— Over Pivot.

Hee-min, que encarava o monitor sem piscar, murmurou o termo. Songhee se virou para ele, intrigada.

— Over Pivot? Mas isso só acontece com >>Espers.

Os biopadrões exibidos lembravam os sinais reveladores de um >>Esper à beira da sobrecarga. Endireitando-se abruptamente, Songhee bateu palmas como se tivesse percebido algo.

— Ah, então o chip do Yeonwoo poderia estar ligado ao do Ji?

Ainda grudado no monitor, Hee-min respondeu em um tom uniforme e minimalista, como se falar interrompesse seu foco.

— Ji Seojoon já está sobrecarregado.

Era quase como se mover os lábios para falar fosse um obstáculo para observar os dados.

— Então… deve ser o equipamento com defeito?

Songhee assentiu para si mesma, sua explicação aparentemente fazendo mais sentido. Mas Hee-min não respondeu.

Seu olhar se voltou para a imagem da câmera captando o Portal. Sua expressão era fantasmagórica, como se estivesse testemunhando algo além da compreensão.

…O que você está fazendo aí, Cha Yeonwoo?

✽✽✽

— Cha Yeonwoo.

Um empurrãozinho da ponta do pé cutucou suas costas encolhidas. Os olhos de Yeonwoo se abriram de repente, e ele instintivamente olhou para o bebê em seus braços, sentando-se rapidamente.

— Minhas palavras não significam nada para você? Hein?

— E-eu sinto muito, sinto muito…

Yeonwoo se desculpou por reflexo, agarrando o bebê com força contra o peito.

— Quantas vezes eu tenho que perguntar? Tem ramen em casa? Seu pirralho, me ignorando porque está ocupado demais mimando o menino, hein?

— N-não tem lámen…

Os olhos frios e cinzentos se contorceram de raiva.

— Por que não?

Yeonwoo engasgou, recuando no chão, ainda sentado.

— Por que não, seu desgraçado! Eu devia arrancar seus malditos olhos, não é?

Um golpe violento desceu sobre sua cabeça.

Baque.

Um globo ocular deslocado rolou pelo chão.

Huff, engasgando. “Salve-me, salve-me, por favor, salve-me, alguém me salve.”

Mãos trêmulas se ergueram para sentir seu rosto, em busca de segurança. Lentamente, Yeonwoo recuou em direção à porta da frente. Seus olhos ainda estavam intactos, mas o chão sob suas mãos estava coberto de centenas de globos oculares esmagados e esmagados.

— Cha Yeonwoo.

Um chute violento lançou seu corpo para fora da porta, batendo contra a beirada da escada de cimento frio. O impacto estilhaçou suas costelas e a dor lancinante atingiu seus pulmões.

— Seu pedaço de lixo inútil, hoje você está morto! Acha que consegue comer lámen sozinho enquanto eu nem comi ainda? Hein?

— E-eu não comi, eu juro…

— Sim, bem, descobriremos quando eu abrir sua barriga, não é?

Agarrando o bebê com força, enrolando o cobertor em volta dos dois, Yeonwoo subiu as escadas de quatro, freneticamente.

— Pare aí, Cha Yeonwoo! Se eu te pegar, você morre, ouviu?

As maldições venenosas pareciam agarrar seus tornozelos, perseguindo-o com um pavor arrepiante. Descalço e desesperado, Yeonwoo correu pelo beco gelado, segurando o bebê como se sua vida dependesse disso.

Bufando, engasgando. “Me salve, me salve, me salve. Por favor, alguém, qualquer um, por favor, alguém. Por favor, salve você.”

O mundo se tornou branco ofuscante enquanto flocos de neve rodopiavam no ar gélido. O frio enchia seus pulmões, sufocando-o, pressionando suas entranhas.

Suspiro, arfar, engasgar. Vermelho, verde, amarelo, azul. As cruzes da igreja alinhadas ao longo do beco inclinado brilhavam em cores deslumbrantes.

Vermelho, verde, amarelo, azul. Vermelho, verde, amarelo, azul. Vermelho, verde, amarelo, azul.

“Vamos morrer juntos.”

Morram juntos, morram, morram, morram, morram, juntos, juntos, juntos, juntos.

Os pés trêmulos de Yeonwoo cederam, e ele desabou no chão. Enrolando-se firmemente no bebê enrolado no cobertor, ele o encarou, como se estivesse verificando algo.

— …

Os flocos de neve grudavam em seus cílios, frios e delicados, balançando levemente enquanto ele piscava.

Não era Jungwoo. O que ele estava segurando todo esse tempo não era Jungwoo.

Era um coração vermelho brilhante e pulsante.

— Não.

O grito que saiu de sua garganta era quase humano, um lamento gutural que ecoava como o uivo de uma fera.

A neve branca imaculada tornou-se carmesim, encharcada e pegajosa. O mundo manchado de vermelho sangrava diante de seus olhos, e a carne e as vísceras mutiladas em suas mãos trêmulas se contorciam e pulsavam, contorcendo-se grotescamente.

“Yeonwoo.”

“Pare, por favor.”

“Salve-me.”

✽✽✽

Dia 3 da Armadilha de Cha Yeonwoo

Enrolada num cobertor e cochilando agitadamente, Songhee acordou com um piscar de olhos. O equipamento de comunicação, que vinha interrompendo e interrompendo a transmissão de forma irregular, voltou a captar vagamente traços do sinal biológico de Cha Yeonwoo.

Ela se sentou, com movimentos grogues, mas determinados, e olhou para Hee-min, que não tinha dormido um segundo e encarava fixamente o sinal flutuante com foco inabalável.

— Diretor…?

Sua voz era baixa, hesitante.

— Você conseguiu dormir? – Ela se levantou e gentilmente cutucou Jin Dae-ryeong para acordá-lo, despertando-o de seu cochilo leve. Ele se levantou de um pulo, ligando o rádio imediatamente.

— Preparando-se para confirmar o fim do Portal em breve.

— Ainda não. …Ainda não. Fiquem em espera. – rosnou Jin no rádio, com a voz rouca de exaustão. Sentou-se ereto, alongando o corpo que parecia um peso de chumbo.

O Portal, que havia parado de expulsar mais monstros desde o primeiro dia, agora parecia calmo. Algumas equipes já haviam recebido ordens de retirada, enquanto outras permaneciam monitorando qualquer imprevisto. Todos, incluindo Jin, estavam exaustos.

Ele se virou para o monitor que mostrava um tênue traço de sinais biológicos.

— Cara, a NASA realmente sabe como fazer baterias… – ele murmurou, suas palavras mais um reflexo exasperado do que um comentário propriamente dito.

Sem a resistência milagrosa do dispositivo, eles já teriam declarado o Portão fechado e aceitado a morte de Cha Yeonwoo, recuando as forças restantes. No entanto, sempre que pensavam em partir, o sinal — por mais fraco que fosse — reaparecia, puxando-os de volta para o círculo vicioso da esperança.

Mas chamar isso de esperança parecia generoso demais.

Os bipes erráticos e as flutuações bruscas do sinal biológico não eram humanos — nem de longe. Até mesmo alguém como Jin, que não tinha experiência médica, conseguia perceber que aquelas não eram as leituras de uma pessoa saudável.

Ele se virou para Hee-min, que parecia paralisado no lugar como uma estátua.

— Diretor Kang, você conseguiu descansar?

Jin colocou a mão firme no ombro do outro homem, seu tom mais tenso do que simpático.

— Isso… é inacreditável. – murmurou Hee-min, sua voz quase um sussurro.

— O que é?

— Isso… não deveria ser possível…

Songhee se aproximou, semicerrando os olhos para o monitor. O sinal biológico errático — ainda em estado de Over Pivot — lhe parecia uma falha técnica. Afinal, os humanos nem sequer dominavam a observação de buracos negros, muito menos a compreensão do que havia além de um Portal. Talvez tudo aquilo fossem dados sem sentido, um erro cruel que alimentava suas esperanças equivocadas.

Mas o murmúrio de Hee-min tinha um peso diferente.

— Isso é… muito provavelmente…

Antes que ele pudesse terminar, o chão tremeu violentamente.

Bum. Estrondo, estrondo—

Poeira caía do teto enquanto pequenos pedaços de detritos caíam no chão.

Os olhos de Jin se voltaram para a imagem do Portal no monitor da câmera. A estrutura, que havia se acalmado por um dia, agora convulsionava violentamente. Fissuras se formavam; partes dela pareciam prestes a se romper novamente.

— Saiam. Saiam todos, agora!

Jin latiu, agarrando Hee-min e Songhee para empurrá-los em direção à saída. Um aviso soou no rádio.

— Onda de portal detectada. Esperando vibrações de escala máxima.

As vibrações percorreram o prédio, sacudindo até as estruturas próximas. Não eram apenas tremores de rotina — era catastrófico.

— Andem! Saiam antes que o prédio desabe!

O grito de Jin fez Songhee correr freneticamente. Ela puxou Hee-min, que ainda não conseguia tirar os olhos do monitor. O guincho assustador de metal se dobrando sob pressão ecoou perigosamente perto.

— Diretor Kang! Vamos! Por favor, agora! – gritou Songhee, com o pânico se apoderando de sua voz. Mas Hee-min, cambaleando levemente enquanto se levantava, encarava o monitor com um olhar de clareza sinistra.

Não se trata de um erro técnico. Não se trata apenas de uma mudança de direção.

É um Deep Pivot.

Uma ressonância desesperada e primitiva de sobrevivência.

Em outras palavras—

Cha Yeonwoo está guiando Ji Seojoon agora.

 

 

 

 

 

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna

Ler Pivô Profundo (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Devido a um trauma, o esper Ji Seo-joon se recusava a ter um guia exclusivo. Por causa de sua aversão ao contato com guias e das constantes baixas taxas de compatibilidade, ele vinha recebendo guiamentos de baixa qualidade há anos.
Diante de Seo-joon, que estava à beira de explodir devido ao acúmulo de fadiga, surgiu um guia com uma taxa de compatibilidade milagrosa.
【98,8%】
O protagonista com um número sem precedentes, Cha Yeon-woo, ainda era um estudante do ensino médio que nem sequer havia se formado. Ele foi lançado ao campo sem passar por treinamento, como se não se importassem se ele morresse.
“Ah, eu não sou uma criança. Tirei um ano de folga, então tenho vinte anos… Espero que você não diga que sou muito novo, mesmo que não saiba os outros motivos.”
Seo-joon não pôde deixar de sentir um aperto no peito diante da aparência inocente e dedicada do guia novato…
Nome alternativo: Piv Profundo Deep Pivot

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