Ler Pivô Profundo (Novel) – Capítulo 129 Online

Deep Pivot — Capítulo 129
Rangido, rangido—
O calor opressivo do verão era tão forte que até as cigarras pareciam exaustas.
Um ônibus partiu lentamente da estação, transportando um punhado de estudantes uniformizados, uma mãe segurando seu bebê e uma idosa sentada ao lado de uma sacola de compras com rodinhas. Eles balançavam suavemente com o movimento do veículo, entregando seu peso aos assentos de balanço.
A luz do sol entrava pelas janelas, revelando partículas flutuantes de poeira suspensas no ar. Cha Yeonwoo apoiou o queixo na palma da mão, encostado na janela, enquanto olhava distraidamente para fora. Uma brisa leve despenteava seus cabelos escuros, roçando sua testa.
— Olá! Meu nome é Huggy Wuggy! Sou amigo de todos! Encontre Huggy Wuggy na Hora da Brincadeira da Poppy!
O rádio tocava um anúncio espalhafatoso de um jogo de aventura e terror, despertando Yeonwoo de seu devaneio. Ele virou a cabeça quando uma criança nos braços da mãe o olhou de volta, com os olhos cinzentos brilhando. A covinha em sua bochecha se aprofundou adoravelmente enquanto ela sorria.
Yeonwoo retribuiu o sorriso fracamente, seus lábios levemente curvados.
Ding-dong. Um aluno com o mesmo uniforme apertou a campainha na parede, sinalizando para pararem.
Bip. “Tarifa de estudante”, anunciou o leitor de cartão enquanto Yeonwoo batia em seu cartão de transporte e se levantava. O anúncio do ônibus estalava:
Próxima parada, cruzamento da Escola Myunghyun .
Os olhos azuis de Yeonwoo percorreram um anúncio colado no encosto de um assento enquanto ele se firmava no poste do ônibus.
Hospital Agnes St. Mary
Dor no joelho? Especialistas em articulações.
O ônibus parou, suas portas se abrindo com um chiado. Yeonwoo e um grupo de estudantes vestidos de forma semelhante desembarcaram.
A luz do sol filtrava-se pelas árvores de ginkgo que ladeavam a rua, batendo com força no rosto de Yeonwoo. Ele estremeceu, erguendo a mão para proteger os olhos. Era de manhã cedo, mas o calor já era insuportável.
Ranger.
Olhando para baixo, Yeonwoo viu um gato cor de queijo esparramado de costas, com a barriga exposta. Como se estivesse em transe, agachou-se e acariciou delicadamente o pelo macio.
O gato ronronou, satisfeito, achatando as orelhas enquanto seus olhos cinzentos se fechavam.
— Miau. – Yeonwoo murmurou silenciosamente. O gato respondeu com um chilrear suave, fazendo-o sorrir involuntariamente.
A criatura se esfregou em suas pernas, enrolando o rabo em volta dele, antes de girar alegremente. Yeonwoo coçou o queixo antes de se levantar e limpar as calças. Ao instintivamente enfiar a mão no bolso, tirou um cartão amassado.
Serviço de lavanderia
Sapatos/Cobertores/Casacos de inverno
Retirada e entrega disponíveis.
(8995) 8995-8995
— Hyung! Yeonwoo hyung!
Uma voz chamou atrás de si. Yeonwoo se virou e viu alguém correndo em sua direção. O cartão desapareceu de volta em seu bolso, amassado mais uma vez.
— Você chegou agora? Tá atrasado, cara.
Os olhos cinzentos do recém-chegado refletiam a luz do sol, seus cabelos escuros esvoaçavam ao vento. Yeonwoo olhou para o celular. A tela rachada exibia uma hora absurdamente distorcida:
[AM 89:95]
— Sim. Estou atrasado.
— Sério, vamos nos atrasar! Corra!
Os dois saíram correndo. Mais à frente, o portão da escola começou a fechar, e o professor de plantão iniciou uma contagem regressiva, erguendo a mão para os atrasados verem.
— Dez, nove, oito — fechem o portão lateral, crianças! Sete, seis, cinco…
— Ah, não, não vamos conseguir!
O companheiro de Yeonwoo gemeu, acelerando. Yeonwoo seguiu o exemplo, indo ao limite. Eles mal conseguiram passar pelos portões estreitos, desabando logo dentro do terreno da escola.
Bufa, bufa…
Yeonwoo se curvou ao meio, ofegando, seu coração batendo furiosamente como se fosse explodir do peito.
Suspiro, engasgo… tosse.
Cada respiração raspava sua garganta, seus pulmões se contraindo de pânico. Quanto mais ele tentava inalar, pior era a sensação de sufocamento, como se seus órgãos estivessem prestes a sair do corpo.
Engasgar, vomitar—
— Ajude-me… – Yeonwoo engasgou, sua voz trêmula perdida no calor opressivo do verão.
✽✽✽
— Uh, uh, uh!
Songhee de repente apontou para o monitor da câmera e gritou. Assustados, o Coronel Jin e Hee-min viraram a cabeça rapidamente. Na tela piscante, Cha Yeonwoo apareceu, seu corpo coberto de anomalias retorcidas.
— …
Os três ficaram sem palavras, boquiabertos. Naquele momento, nenhum deles conseguia gritar ou sequer emitir um som. Cha Yeonwoo foi engolido em um instante.
Diante de seus olhos, o portal se abriu com seus tentáculos, engolfando-o por completo. Começou a convulsionar violentamente. Por reflexo, o Coronel Jin agarrou seu rádio, tentando fazer contato.
— Bebê, responda. Bebê, me responda.
Mas, é claro, não havia como funcionar. Mesmo que Yeonwoo tivesse reconectado o rádio, nenhum sinal conseguiria passar do Portal.
Songhee, que cobria a boca com os olhos arregalados, virou-se para o monitor de sinais biológicos. Seu rosto se fechou e ela soltou um leve suspiro de desespero.
O equipamento não exibia nada além de silêncio. Todas as leituras — frequência cardíaca, sinais vitais — estagnaram até zero, deixando a tela em um vazio negro e silencioso.
— A conexão foi interrompida.
— Claro. Como equipamentos remotos poderiam funcionar além do portal? Achamos que a tecnologia da NASA seria algum tipo de milagre?
Enquanto Songhee enxugava o rosto pálido de frustração, o Coronel Jin desabou pesadamente na cadeira, derrotado.
Hee-min olhou rapidamente para o biomonitor antes de voltar a focar na imagem da câmera. Não podia se dar ao luxo de se sentir decepcionado ou se entregar ao desespero. Não havia tempo.
— Por favor… Por favor, Yeonwoo.
Eles precisavam fazer essa aposta insana dar certo. No entanto, sua própria incompetência os levara a depositar todas as suas esperanças em um guia jovem e ingênuo, cego por uma fé desesperada.
Isso não poderia terminar em vão. Ele nunca acreditou de verdade que o equipamento funcionaria além do portão, mas, no mínimo, Cha Yeonwoo, que havia sido engolido inteiro, precisava sobreviver. Ele precisava estar vivo.
— Ah!
Songhee de repente soltou outro grito agudo. Os olhos do Coronel Jin e Hee-min se voltaram para o biomonitor.
A tela piscante, atormentada pela conexão instável, começou a tremer ameaçadoramente.
Bip, bip, bip.
A linha plana explodiu em uma onda de sinais, as leituras subindo e gerando uma curva acentuada e íngreme.
✽✽✽
— Cha Yeonwoo.
Rangido. Grito.
— Cha Yeonwoo.
O som ensurdecedor das cigarras gritava do lado de fora da janela, um barulho insuportável.
— Cha Yeonwoo!
Seu olhar vazio finalmente se desviou da janela, e ele virou a cabeça. Olhando para a frente, Yeonwoo encontrou dezenas de olhos cinzentos o encarando diretamente. Tarde demais, ele percebeu que o professor o encarava.
— Leia o terceiro parágrafo, por favor? Você não está prestando atenção na aula.
— Ah, sim. Eu… sinto muito.
Yeonwoo ficou de pé, mexendo no livro.
— A princesa sonhou com uma fada lhe ensinando uma melodia. Ao acordar, ela tocou sua flauta, e o som era tão puro que…
Bufa. Suspiro. “Alguém me salve. Por favor. Não, por favor, não. Pare. Por favor. Alguém, qualquer um…”
— Yeonwoo, você está bem?
— …Huh?
As cigarras lá fora faziam seus ouvidos zumbirem.
— O que você está fazendo? Continue lendo.
Yeonwoo forçou sua atenção de volta às palavras impressas, sua voz tremendo levemente.
— Uh, hum… seu som era tão puro que ninguém no mundo jamais ouvira uma melodia assim antes. O imperador e a imperatriz viúva…
O sinal tocou, sinalizando o fim da aula. Apoiada no pódio, a professora lançou um olhar exasperado para Yeonwoo.
— Cha Yeonwoo, você desperdiçou a aula inteira.
— Desculpe.
A professora, agora mais calma, gesticulou em direção à porta com um leve sorriso.
— Venha para a sala dos professores, Yeonwoo!
— Sim.
— Ah-ah, você está encrencado agora. – provocou um colega próximo, rindo. Yeonwoo riu baixinho, dando um tapinha no ombro deles de brincadeira, o que só os fez rir ainda mais alto.
— Hyung, o almoço de hoje é omelete de arroz e linguiça vienense.
— Sério?
— Depois do almoço, quer sair com o grupo?
Enquanto o garoto sorria, Yeonwoo instintivamente estendeu a mão, acariciando a covinha rasa abaixo do seu olho esquerdo. Assustado, o garoto se afastou, franzindo a testa.
— O que você está fazendo, Hyung?
— Huh?
Ele deu um passo para trás, evitando o toque de Yeonwoo.
— Vá logo, Yeonwoo.
“Pare com isso. Por favor. Pare. Não.”
A mão de Yeonwoo caiu lentamente, e ele saiu da sala de aula em direção à sala dos professores.
Rangido. Rangido. Um aluno limpando vigorosamente as janelas do corredor parou para acenar para Yeonwoo. Seus olhos cinzentos e curvados encontraram os dele enquanto ele acenava de volta. Adeus.
“Yeonwoo.”
Dentro da sala dos professores, Yeonwoo estava em pé diante de seu professor. Levantando os olhos do livro de presença, o professor o encarou com gentileza, com os olhos cinzentos cheios de ternura.
— Você ainda está trabalhando até tarde no seu emprego de meio período?
— Oh sim…
— Imaginei. Você parecia cansado mais cedo.
— …Desculpe.
O olhar de Yeonwoo pousou na mesa, onde repousava um copo de papel com café pela metade. As bordas estavam mastigadas e desfiadas. Enquanto o observava, a voz da professora o chamou de volta.
— Não precisa se desculpar. Você deve estar exausto, mas mesmo assim vem à escola todos os dias. Isso é louvável.
Os olhos cinzentos da professora se enrugaram em um sorriso gentil.
Bufa. Suspira.
— Contanto que não haja nada de errado, era só isso que eu queria verificar. Cuide-se.
— …Obrigado.
— Você pode ir agora, Yeonwoo.
“Cha Yeonwoo. Cha Yeonwoo. Cha Yeonwoo. Cha Yeonwoo. Cha Yeonwoo.”
Rangido. Grito.
“Por favor, vá embora, Yeonwoo.”
“Não.”
Curvando-se levemente, Yeonwoo saiu da sala dos professores.
Rangido. Rangido. O aluno limpando as janelas. As crianças se empurrando e se acotovelando enquanto brincavam. O corredor barulhento estava cheio de alunos cuidando de suas vidas. Os passos de Yeonwoo diminuíram gradualmente, até que pararam.
Sua mão inerte ergueu-se levemente. Olhos azuis fitavam seus dedos.
Dois anéis idênticos nos dedos anelar e mindinho.
— …
Sua mão ficou manchada de vermelho, pingando bastante no chão.
— Oh.
Yeonwoo abriu a boca para falar, mas o corredor ficou em silêncio mortal.
Levantando a cabeça, ele viu os alunos ao seu redor paralisados em meio ao movimento. Lentamente, todos viraram a cabeça para encará-lo.
Dezenas de olhos cinzentos fixaram-se nele.
O mesmo uniforme. Os mesmos rostos.
Como cera derretida, o ambiente ao redor se distorceu e se retorceu em uma bagunça grotesca.
Bufando. Suspirando. Gritando. “Me salve. Por favor, não. Alguém. Me salve. Me salve. Me salve.”
Ofegante, arfante.
Gritos irrompiam de sua garganta ensanguentada, cheirando a ferro e podridão. Suas mãos manchadas de carmesim arranhavam entranhas retorcidas. Bufando, ofegando, sua respiração ecoava, superficial e frenética. Costelas estilhaçadas perfuravam seus dedos trêmulos enquanto ele tentava se firmar.
A agonia de suas entranhas rasgadas e rompidas transbordava em tosses sufocantes, com sangue espirrando em gotas grossas.
Baque. A escuridão começou a tomar conta de sua visão. Sangue acre e metálico se acumulou em seus pulmões, queimando enquanto o preenchia.
“Yeonwoo.”
“Cha Yeonwoo.”
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna
Ler Pivô Profundo (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Devido a um trauma, o esper Ji Seo-joon se recusava a ter um guia exclusivo. Por causa de sua aversão ao contato com guias e das constantes baixas taxas de compatibilidade, ele vinha recebendo guiamentos de baixa qualidade há anos.
Diante de Seo-joon, que estava à beira de explodir devido ao acúmulo de fadiga, surgiu um guia com uma taxa de compatibilidade milagrosa.
【98,8%】
O protagonista com um número sem precedentes, Cha Yeon-woo, ainda era um estudante do ensino médio que nem sequer havia se formado. Ele foi lançado ao campo sem passar por treinamento, como se não se importassem se ele morresse.
“Ah, eu não sou uma criança. Tirei um ano de folga, então tenho vinte anos… Espero que você não diga que sou muito novo, mesmo que não saiba os outros motivos.”
Seo-joon não pôde deixar de sentir um aperto no peito diante da aparência inocente e dedicada do guia novato…
Nome alternativo: Piv Profundo Deep Pivot