Ler Pivô Profundo (Novel) – Capítulo 116 Online

Deep Pivot — Capítulo 116
Era o terceiro dia desde que eles retornaram do local de Sinheui-dong.
— Tenente, isso aqui não está nada quente. Já esfriei para o senhor.
Yeonwoo mexeu o mingau lentamente em uma tigela branca e estendeu-o em direção à cama enquanto falava. Seojoon, que havia puxado o cobertor até o pescoço, estremeceu ao se recostar.
— Eu disse que comeria mais tarde.
Só o cheiro daquele maldito mingau o deixava enjoado.
“Pirralho monstro nojento.”
Soluço. Ele ofegou bruscamente, batendo a palma da mão contra os ouvidos para afastar os ruídos fantasmagóricos que arranhavam seus tímpanos.
Atrás de Yeonwoo, que estava sentado na cama, observando-o, uma sombra negra tremeluzia e oscilava. O olhar de Seojoon congelou, fixo no lugar.
Grito, rangido.
…Ele nem tinha certeza se era uma alucinação. “Aquilo” estava em toda parte, e como ele fazia parte “daquilo”, talvez…
Não é uma alucinação.
É real.
— Só um pouquinho.
Uma voz suave interrompeu seus pensamentos caóticos. Forçando-se a desviar o olhar da sombra atrás de Yeonwoo, Seojoon se concentrou nele.
— Você disse que comeria depois de dormir, não é?
Seojoon empurrou a colher que estava perto de sua boca, balançando a cabeça.
— Não… não agora. Mais tarde. Por favor, tire isso daqui. O cheiro está me deixando enjoado.
Mas Yeonwoo, sabendo que seu amante não comia há três dias, não parecia inclinado a recuar.
— Mesmo assim, tenha paciência e coma um pouco.
Os olhos determinados de Yeonwoo, como se alimentar Seojoon fosse seu único propósito na vida, o imobilizaram.
— O senhor prometeu que comeria depois de dormir. Cumpra a sua palavra, Tenente.
A sombra atrás de Yeonwoo inchou e deslizou para cima da cama, com seus tentáculos rastejando entre eles.
— Eu não quero isso.
O vapor que subia da tigela teimosamente estendida roçou o queixo de Seojoon.
— Só uma mordida…
— Quantas vezes eu tenho que te dizer para—!
Naquele momento, Seojoon recuou como se tivesse sido escaldado, com a expressão distorcida de repulsa. Ele golpeou o braço de Yeonwoo, fazendo a tigela de porcelana se espatifar no chão. O estrondo ecoou pelo quarto. O cobertor da cama, o chão, tudo estava salpicado de mingau branco.
A sombra, que se contorcia em direção à cama, espalhou-se em todas as direções com um farfalhar arrepiante ao som repentino. Seojoon, pálido, ofegou em choque.
— …
Sem dizer uma palavra, Yeonwoo se levantou. Só então Seojoon tirou o cobertor do pescoço e se moveu para sair da cama.
— Desculpe, Yeonwoo. Eu… eu estava errado…
Yeonwoo, agachado para recolher os pedaços, agarrou as pernas de Seojoon e as empurrou de volta para debaixo do cobertor.
— Não desça.
Seus olhos azuis examinaram os cacos e a bagunça de mingau no chão com uma expressão de impotência. Yeonwoo saiu do quarto e retornou logo em seguida com lençóis limpos. Ele removeu o cobertor sujo e colocou um limpo sobre Seojoon.
— Fique aqui um instante. Vou limpar isso.
À medida que Yeonwoo se afastava, a sombra negra começou a se infiltrar novamente no cômodo, subindo cada vez mais alto. Seojoon, paralisado pelo medo, só conseguia observar Yeonwoo limpando o chão em silêncio.
Um silêncio pesado pairava no ar. Yeonwoo se movia silenciosamente, varrendo e limpando os cacos. Seus lábios, que normalmente fariam beicinho quando chateados, permaneceram pressionados em uma linha firme.
Depois de limpar o mingau derramado, Yeonwoo saiu do quarto novamente. Quando voltou, a sombra já havia subido até o pescoço de Seojoon.
“Está em todo lugar. Mas você consegue sentir, né? É inofensivo e assustador, real e irreal.”
“Está em todo lugar. Você pode sentir. Não está em lugar nenhum, mas está em todo lugar.”
…Não seja ridículo.
Isto é uma alucinação.
É apenas uma visão criada pela minha culpa.
É um absurdo.
Seojoon se repreendeu, agarrando-se desesperadamente à razão. Se recomponha. Você não pode mais agir assim. Não mostre um lado tão vergonhoso para Yeonwoo, por favor…
Por fim, Seojoon passou as pernas por cima da cama e pisou no chão limpo. A sombra que acompanhava seus movimentos enrolou-se em seus tornozelos.
— Yeonwoo, me desculpe. Eu estava realmente errado. Por favor, não fique bravo.
Seojoon gritou enquanto entrava na sala de estar, procurando por Yeonwoo.
— Eu estava muito sensível. Eu não devia ter… Yeonwoo?
Um silêncio sufocante pairava na casa.
— …Yeonwoo.
Sala de estar, cozinha, lavanderia… Yeonwoo não estava em lugar nenhum.
Com as mãos trêmulas, Seojoon pegou o celular. Antes que o segundo toque terminasse, o som do toque de Yeonwoo ecoou pela casa.
Seu olhar em pânico se voltou para a entrada.
— …
Os sapatos de Yeonwoo sumiram.
“Eu queria que o portal simplesmente desaparecesse.”
Soluço. A respiração de Seojoon ficou presa quando as sombras se fecharam, engolindo a casa inteira.
✽✽✽
— Olá.
O segurança que cuidava do lounge avistou Seojoon e o cumprimentou. Seojoon, aproximando-se apressadamente, perguntou sem demora:
— Você viu Cha Yeonwoo?
O guarda, lançando-lhe um olhar um pouco confuso, assentiu.
— Sim, eu o vi sair há um tempo.
— …Há quanto tempo ele não sai?
— Vamos ver… cerca de 20 minutos?
— Em que direção ele foi?
— Por ali.
Seojoon assentiu, tentando manter a calma, e saiu da sala. O vento cortante do inverno o atingiu assim que saiu.
Ele só percebeu que Yeonwoo tinha saído vinte minutos depois. Nem percebeu que ele estava saindo de casa. Em vez disso, estava encolhido de medo, encolhido em sua cama quentinha.
— Doutor Kang, por acaso Yeonwoo está aí?
— Hein? Não? Por que o Yeonwoo estaria aqui?
— …
― Ei, Seojoon, você está—
Seojoon encerrou a ligação abruptamente, sua respiração saindo no ar frio.
Quem deve ter ficado mais devastado no local de Sinheui-dong foi ninguém menos que Cha Yeonwoo. Era sua responsabilidade confortar e cuidar de Yeonwoo… mas ele se deixou consumir pela culpa e se comportou como lixo.
Seojoon resmungou um palavrão baixinho. Em que ele era diferente de Cha Kyungsoo? Um parasita repugnante, nada mais, nada menos, atormentando Yeonwoo e fazendo-o sofrer.
Observando a multidão agitada percorrendo as ruas geladas, Seojoon soltou um suspiro pesado. Continuou andando na direção indicada pelo guarda, mas, com Yeonwoo esquecendo o celular, não fazia ideia de por onde começar a procurar.
Enquanto vagava sem rumo, seus passos pararam abruptamente. Entre os transeuntes de casaco cinza, uma figura familiar surgiu de repente, uma cabeça mais alta que as demais.
— …Yeonwoo!
Seojoon disparou em sua direção, ignorando os olhares ocasionais das pessoas por onde passava. Naquele momento, nenhum olhar o perturbava.
— Tenente?
Envolto em um longo casaco acolchoado fechado até o pescoço e com um capuz sobre a cabeça, Yeonwoo se virou e piscou surpreso ao ver Seojoon. Antes que pudesse dizer uma palavra, Seojoon o agarrou em um abraço forte.
Yeonwoo, pego de surpresa, ficou atordoado, piscando enquanto retribuía o abraço. Ao contrário do que Seojoon supunha, seu rosto não demonstrava nenhum sinal de raiva ou desespero.
— Tenente, foi assim que o senhor saiu?
— Onde você estava, Yeonwoo… Eu estava errado. Me desculpe… Por que você foi embora sem dizer uma palavra? Por que você deixou seu celular para trás? Se você simplesmente desaparecer assim, o que eu vou fazer? Hein? Sem dizer nada… Me desculpe, Yeonwoo, me desculpe…
Yeonwoo segurou delicadamente o rosto de Seojoon, encontrando seus olhos, e abriu o zíper de seu próprio casaco acolchoado.
— Espere um momento, Tenente.
Ele tirou algo de dentro do casaco e entregou a Seojoon antes de cobri-lo com o casaco. Seojoon olhou para o que lhe fora dado, com a descrença estampada no rosto.
Um aroma doce e quente emanava do pequeno saco de papel cheio de “bungeoppang”.
O rosto de Seojoon se contorceu, sua voz trêmula quebrou com incredulidade.
— …Você saiu para comprar isso?
Yeonwoo, agachado na frente dele para fechar o zíper do casaco, parou e olhou para cima, seus olhos alegres se curvando em um sorriso brilhante.
— A loja aqui perto sempre tem fila. Você gosta de doces, Tenente. Achei que você comeria isso mesmo sem querer mingau…
A mão quente de Yeonwoo pousou sobre o pé descalço dele. Só então Seojoon percebeu que estava lá fora, de pijama, descalço, exceto pelos chinelos.
— Você se assustou porque eu tinha sumido? Desculpe. Não te contei porque era só uma viagem curta por perto. Da próxima vez, te aviso antes de ir.
Enquanto falava, Yeonwoo tirou os tênis e os colocou na frente de Seo-joon.
— Estou usando meias, então me deixe ficar com os chinelos.
— …Yeonwoo.
Com um suspiro silencioso, Seojoon afundou no chão. Seu coração despedaçado se despedaçou ainda mais diante do afeto inabalável de Yeonwoo e de sua bondade, que o cortavam como uma lâmina.
— Por que você é assim? …Por que você é tão tolo?
— Por que você não está bravo comigo, Yeonwoo? Por que eu sou tão importante para você ir tão longe?
— Por que eu ficaria bravo com você, Tenente?
Yeonwoo piscou, sua expressão inocente perplexa com as palavras amargas que saíam da boca dele. Cobrindo os pés de Seojoon com as mãos, Yeonwoo se desculpou discretamente.
— Olhando para trás, acho que fui teimoso demais. Você disse claramente que não queria o mingau, mas eu continuei te pressionando para comê-lo.
A visão de Seojoon ficou turva. Através do véu de lágrimas, ele viu o rosto preocupado de Yeonwoo.
— Oh, Tenente, você está chorando…?
— Por que você está chorando assim de repente? Ah, não… É a primeira vez que te vejo chorar. Será que te assustei tanto assim? Me desculpe mesmo. Eu deveria pelo menos ter levado meu celular comigo, né?
Yeonwoo puxou o capuz sobre a cabeça de Seojoon para protegê-lo dos olhares curiosos dos transeuntes.
— Tenente, vamos para casa agora. Você vai pegar um resfriado.
Lágrimas escorriam silenciosamente sob o capuz. Yeonwoo, sem saber o que fazer, só conseguiu tentar aquecer os pés congelados de Seojoon com as mãos.
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna
Ler Pivô Profundo (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Devido a um trauma, o esper Ji Seo-joon se recusava a ter um guia exclusivo. Por causa de sua aversão ao contato com guias e das constantes baixas taxas de compatibilidade, ele vinha recebendo guiamentos de baixa qualidade há anos.
Diante de Seo-joon, que estava à beira de explodir devido ao acúmulo de fadiga, surgiu um guia com uma taxa de compatibilidade milagrosa.
【98,8%】
O protagonista com um número sem precedentes, Cha Yeon-woo, ainda era um estudante do ensino médio que nem sequer havia se formado. Ele foi lançado ao campo sem passar por treinamento, como se não se importassem se ele morresse.
“Ah, eu não sou uma criança. Tirei um ano de folga, então tenho vinte anos… Espero que você não diga que sou muito novo, mesmo que não saiba os outros motivos.”
Seo-joon não pôde deixar de sentir um aperto no peito diante da aparência inocente e dedicada do guia novato…
Nome alternativo: Piv Profundo Deep Pivot