Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 206 Online

A luz dourada na ponta de seus dedos tinha a mesma cor do fogo sagrado que queimava sobre o altar. No momento em que Cesare a viu, ele parou. Tentou puxar a mão para trás, mas Eileen a segurou, sua mãozinha agarrando a dele como se quisesse impedir que escapasse.
Permaneceram em silêncio. A respiração de Eileen era irregular e tomada pelo pânico, enquanto a de Cesare permanecia calma e controlada. Ele a observou, seus olhos percorrendo cada detalhe: os olhos verde-dourados, os cílios molhados de lágrimas, o pequeno nariz e os lábios trêmulos. As lágrimas acumuladas em seus olhos brilhavam como luz do sol sobre a água. Eram os olhos que ele amava, os olhos que os bardos elogiavam como os de uma fada. Pensou em seu desejo feito ao deus — que ela vivesse, que sobrevivesse no mundo que ele construiria apenas para ela.
No começo, acreditou que poderia abrir mão de tudo para salvá-la. Mas, com o passar do tempo, sua ganância cresceu. Sabia que seu tempo estava acabando, ainda assim desejava apenas mais um pouco. Quando se tratava dela, nunca esteve no controle sobre si mesmo.
Mas Deus sabe de tudo. Quando o Panteão caiu, Cesare foi arrancado de seus desejos egoístas. Ele abriu mão de tudo pela única coisa que mais queria: a sobrevivência dela.
‘Contanto que ela viva. Que viva feliz no mundo que criei para ela… isso será suficiente.’
Mas vê-la chorando fez sua determinação ruir. Sentiu uma dor mais intensa do que qualquer ferimento de bala.
‘Como posso confortá-la quando não há flores?’
Ele não sabia. Então apenas chamou seu nome.
— Eileen.
— …Não? — ela perguntou, sua voz parecendo uma súplica. Apertou a mão dele com mais força, o corpo tremendo. — Não é… Não pode ser…
As lágrimas começaram a cair.
Ela era uma criança outra vez, chorando em um campo de lírios, em seus braços, agarrada a ele.
— Não! Não… não vá. Agora não. Espere só mais um pouco. E se… e se eu oferecer outro sacrifício?
Cesare a segurou, puxando-a para perto. O calor dela era seu último conforto. Ele passou os dedos pelos cabelos Eileen, memorizando a sensação, o cheiro, tudo.
— Não me deixe, Cesare. Foi minha culpa. Eu… eu fui uma tola…
Ela soluçava, prometendo fazer qualquer coisa que ele quisesse, obedeceria cada palavra sua. Até ameaçou segui-lo na morte caso ele morresse.
Mas ele sabia que ela não faria isso. Eileen valorizava tudo o que ele lhe dera. Nunca abandonaria imprudentemente o mundo que o ele havia criado.
Ele abriu os lábios, a luz dourada brilhava cada vez mais forte em seu corpo.
— Se você fez algo de errado — disse o homem, então a beijou: os lábios molhados de lágrimas, os olhos marcados pelo choro. — Foi ter me escolhido naquele campo de lírios.
Ele se perguntou: e se ela tivesse escolhido outra pessoa? E se tivesse escolhido um cavaleiro como Lotan ou Diego? Talvez houvesse um caminho diferente. Mas aquele era o único que conhecia. Ele lhe dera uma vida de tristeza, sabendo que seu coração acabaria despedaçado.
— Fora isso… você não fez nada errado.
Ela não havia pecado.
Ele sentiu um profundo arrependimento. Deveria ter lhe dado um presente final melhor do que uma coroa e uma capa. Mas não havia como voltar atrás no tempo. A luz estava ficando mais intensa, ele a abraçou com força, egoisticamente, só por mais um instante.
Queria dizer as palavras que ainda não tinha dito.
— Eu te amo.
Ela gritou em protesto.
Ele sorriu, sabendo que ela não diria de volta. Não importava.
Seu desejo mais profundo havia sido realizado. Ele a abraçou, ferozmente uma última vez.
— Viva, Eileen.
Acabou.
A luz dourada, agora um inferno ofuscante, brilhou uma última vez antes de desaparecer completamente. Eileen gritou, protegendo os olhos.
O corpo sólido que ela estava abraçando desapareceu. Num instante, a luz que preenchia o salão sumiu. Se desfez em milhões de fragmentos, cintilando como ondulações na água, e então até eles desapareceram.
A pessoa à qual ela se agarrava não existia mais.
Ela perdeu o equilíbrio e caiu.
— Cesare…
Estava sozinha no chão de mármore frio.
— Ce-Cesare. Cesare…
Não houve resposta.
Ela rastejou, o corpo enfraquecido pela dor. Encontrou a coroa que havia jogado longe e a colocou de volta na cabeça. Envolveu a capa sobre os ombros.
— Eu estava errada… Eu farei… farei qualquer coisa. Então…
Suas súplicas desesperadas se espalharam pelo ar vazio. A coroa, torta sobre sua cabeça, caiu no chão novamente. Ela nem sentiu. Apenas ficou ali, entorpecida.
‘Ele realmente se foi. Só para me salvar.’
Tentou pensar. Precisava haver uma maneira de trazê-lo de volta, assim como ele a havia salvado. Mas sua mente estava escura, vazia.
Um sorriso maligno surgiu em seus pensamentos:
‘Se eu fizer um sacrifício… se sacrificar outras pessoas, não posso trazer o Cesare de volta?’
Assim como o homem, cobriria o altar de sangue.
Ela, que nunca desejara ferir uma única alma, agora estava consumida pelo desejo de matar. Queria queimar sua própria vida e a vida dos outros, se isso significasse trazê-lo de volta.
Pela primeira vez, compreendeu verdadeiramente o coração do homem, porque ele havia sacrificado seu império.
Eileen apertou a capa em suas mãos e se levantou cambaleando. Precisava fazer alguma coisa. O que fosse. Não sabia o quê, mas precisava tentar.
Ao dar um passo, a porta do salão se abriu de repente. Lotan e Alessia entraram correndo.
— Vossa Majestade! — gritou Lotan.
Ela abriu a boca, querendo contar o que havia acontecido. Mas as palavras não saíram.
Ambos estavam agora ajoelhados diante dela.
— A senhora está bem? — perguntou Lotan. — Ouvimos um grito e viemos imediatamente.
— Cesare… se foi… — ela disse, sua voz um sussurro quebrado.
Lotan a olhou, confuso.
— Desculpe, Vossa Majestade. Quem é a pessoa que se foi?
Ele olhou para Alessia em busca de resposta, mas ela apenas balançou a cabeça.
Ao ver os olhos perplexos dos dois que Eileen finalmente entendeu.
O mundo que ele criou existia apenas para ela. Não havia mais nenhum vestígio dele.
Nem mesmo em suas memórias.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui