Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 205 Online

A ideia de ir ao Palácio Imperial em vez da casa de Cesare parecia estranha, completamente errada. Eileen ficou sem fala, os olhos fixos no altar.
A chama sagrada, antes um farol de brilhante luz dourada, havia desaparecido, substituída por um fogo simples e inquieto. Os sacerdotes, agora conscientes do que havia sido perdido, clamavam em desespero. Choravam para seu deus, implorando pelo retorno do milagre, acreditando que, se aquele momento sagrado não tivesse sido interrompido, tudo teria sido diferente.
Mas Eileen sabia. Teve a certeza que, naquele instante fugaz, havia sido a única a tocar o divino. O som de um tique-taque de relógio, misturado a uma risada cruel e maliciosa, ainda ecoava em seus ouvidos.
Uma onda repentina e avassaladora de náusea a tomou. Ela abriu a boca para falar, mas só conseguiu esboçar um suspiro irregular e desesperado. Seu corpo, já enfraquecido pelo choque e pelo medo, começou a ceder. Alessia a segurou, seus braços fortes oferecendo o único suporte que Eileen tinha. Eileen se apoiou nela, seus olhos procurando por Lotan.
— Cesare… — murmurou, sua voz um sussurro quase inaudível. — Preciso ver o Cesare… agora mesmo…
Precisava vê-lo.
Necessitava confirmar com seus próprios olhos que ele estava vivo, que seu coração ainda batia.
Alessia viu o rosto pálido de Eileen e percebeu que ela não conseguia ficar de pé sozinha. Sem dizer uma palavra, pegou Eileen nos braços como se ela não pesasse nada. Suas passadas longas e decididas as levaram para fora do templo em um instante.
Haviam chegado em um único veículo, mas agora outros quatro estavam esperando. Lotan colocou Eileen no carro do meio. Ele se sentou no banco do passageiro, sua mão nunca deixando a arma em seu colo. Alessia sentou ao lado de Eileen no banco de trás. No momento em que as portas se fecharam, partiram em alta velocidade rumo ao Palácio Imperial.
As ruas da capital estavam assustadoramente silenciosas. Um lugar normalmente transbordando de vida encontrava-se completamente deserto. O som distante de tiros apenas ampliava o terror.
Mas Eileen mal percebia isso. Ela apenas tremia levemente, esperando o carro parar.
Alessia a observava constantemente, massageando suas mãos para impedir que entrasse em pânico. Os olhos de Lotan permaneciam fixos na estrada à frente. Felizmente, nada bloqueou seu caminho.
Quando chegaram ao palácio, Eileen estava tão frágil, parecia prestes a desmaiar. Alessia a carregou mais uma vez, seu passo inabalável. Normalmente, ninguém teria permissão para entrar no palácio daquela maneira, especialmente uma mulher de posição tão incerta quanto a dela.
Mas o Palácio Imperial já não era um lugar de regras normais. Era uma fortaleza de soldados uniformizados
Os soldados imediatamente ficaram em posição de sentido e saudaram Lotan enquanto ele liderava o caminho. O homem apenas retribuiu com um leve aceno casual, conduzindo Eileen para dentro do salão principal.
Ao entrar, ela o viu. Ele estava no fundo do salão, sentado no trono. A distância era grande, mas o homem sentado ali era tão claro, tão real. Ele usava a coroa do Imperador, embora estivesse vestido apenas com uma camisa simples. Uma pesada capa vermelha, bordada com leões dourados alados, repousava sobre seus ombros.
A visão de sua camisa encharcada de sangue contrastava fortemente com a coroa e a capa majestosas.
E ainda assim, tudo parecia certo nele. Como se tivesse nascido para aquilo. Como se a coroa e a capa tivessem sido feitas apenas para ele.
Ele era perfeito.
— Me coloca no chão. — sussurrou para Alessia.
Eileen começou a caminhar. A cada passo, sentia como se seu coração estivesse se desfazendo em poeira. Mas não podia negar.
Somente ele pertencia ali.
Finalmente, parou diante do trono. Seus lábios secos e pálidos se moveram para pronunciar o título mais apropriado para o homem sentado ali.
— Saúdo o Imperador…
Os olhos carmesins de Cesare se estreitaram levemente.
— Você deveria me chamar pelo meu nome.
De Arquiduque a Imperador, parecia que nada havia mudado. Mas Eileen não conseguia pronunciar seu nome em voz alta. Não naquele lugar, não com ele usando aquela coroa. Até mesmo seu irmão, Leone, só o chamava de Cesare em particular.
Mas agora ele estava no topo absoluto.
Eileen era a única pessoa em todo o império que podia chamá-lo pelo nome, e o peso daquela verdade parecia sufocante.
Cesare se levantou do trono, e desceu até ela. Ele a puxou para seus braços. Seu peito estava quente, uma prova sólida de que estava vivo. Eileen permaneceu em seus braços por um momento, então se afastou, os olhos fixos no sangue manchando sua camisa.
Ela agarrou o tecido rasgado, desesperada para ver o ferimento. Já havia cicatrizado.
Seus olhos, cheios de medo, olharam para ele.
— Leone atirou em mim. — disse o homem, como se fosse um simples fato. Não parecia mais se importar em esconder nada. Falou sobre o tiro no coração como se fosse um arranhão insignificante, enquanto suas mãos foram até ela, verificando o ferimento em sua mãozinha.
Mas aquele tiro no coração não era um arranhão insignificante. Certamente era uma sentença de morte. O ferimento, sinal do que deveria ter sido sua despedida final, já havia desaparecido. Ela o vira se curar no ombro durante o festival de caça, mas aquilo era diferente.
A velocidade de sua recuperação era aterrorizante. Ele estava se tornando cada vez menos humano.
Ela tremeu, os olhos desviando para o local onde a bala o atingira. Cesare a puxou novamente para seus braços, escondendo a cicatriz de sua visão. Eileen o empurrou, uma tentativa desesperada e fraca de escapar de seu toque.
Para sua surpresa, ele realmente cambaleou para trás.
Então o homem a pegou nos braços e carregou até o trono, colocando-a gentilmente sobre o assento.
Eileen olhou para ele, atordoada. Ela, de todas as pessoas, estava sentada no trono do Império Traon. Era um lugar onde nunca, jamais, se imaginou ocupar. Um lugar que não lhe pertencia.
Cesare retirou a coroa imperial da própria cabeça e a colocou sobre ela. Em seguida, removeu a pesada capa e a depositou sobre seus ombros.
Ela olhou para ele através das lágrimas que enchiam seus olhos.
A coroa e a capa eram tão pesadas, tão sufocantes.
O peso de tudo aquilo caiu sobre ela, e então se lembrou das palavras dele.
“Não estou desistindo de tudo por você, Eileen. É o contrário. Hoje será o dia em que pretendo te dar tudo.”
Agora, ela compreendia.
Ele queria lhe dar tudo, mas ela não queria nada daquilo. Todas as emoções que havia reprimido, todo o medo e desespero, vieram à tona. Ela saltou do trono, segurando a coroa. E a arremessou para longe. Arrancou a capa dos ombros e a lançou ao chão.
Eileen o encarou, lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
— Eileen, — disse ele, suas mãos segurando suas bochechas. — Não fique com raiva… certo?
Mas ela afastou as mãos dele.
— Eu vi o fogo sagrado no templo. Ele queimava dourado, mas… mas…!
Ela não conseguia dizer que ouvira risadas, aquela risada sinistra acompanhada pelo som do relógio. Mas Cesare parecia já saber.
— Me diga, — ela exigiu, sua voz elevando-se até um grito. — Quanto tempo resta?!
Ela gritou com ele, a razão perdida em uma onda de desespero. Jamais ousara falar com ele daquela forma, gritar, atirar coisas.
Mas agora não conseguia se controlar.
Mesmo enquanto se agarrava a ele e gritava, o homem apenas a observava calmamente.
Então, estendeu a mão para ela.
Uma fraca luz dourada pulsava em suas ponta dos dedos.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui