Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 204 Online

O Duque Farbellini permaneceu parado como se seus sentidos o tivessem abandonado, uma expressão de absoluto espanto gravada em seu rosto. Isso não pode ser real. Isto deve ser algum pesadelo induzido pela febre. Queria reagir, esbofetear a si mesmo para voltar à realidade, mas seus membros não obedeciam. Não conseguia sentir um único resquício de força em seu corpo.
— Imperador… — sussurrou, a palavra dita pelos lábios do Arquiduque Erzet repetindo-se em sua mente como um mantra.
Os soldados entraram marchando, suas botas produzindo um trovão rítmico e ameaçador pelo terreno do palácio. Um jovem nobre, cuja mente finalmente processando a cena diante dele, gritou:
— Seu traidor…!
Aquele jovem era uma estrela em ascensão entre os anti-monarquistas, uma figura ambiciosa e eloquente. Mas sua fúria foi inútil.
BANG!
O disparo da pistola ecoou. O jovem nobre cambaleou e caiu, uma mancha carmesim se espalhando pelos degraus de mármore. Cesare nem sequer olhou para o homem. Seu olhar permaneceu voltado para frente, como se nada tivesse acontecido.
A mente do Duque girava. Ele estivera tão certo de sua vitória naquele dia. Claro, esperava algum tipo de retaliação do Arquiduque e havia se preparado para todas as possibilidades. Mas isto? Uma rebelião súbita e violenta no próprio dia do julgamento? Este não era o Arquiduque que conhecia. Era um homem completamente diferente.
‘Este não é o Erzet que estudei por anos. Este não é o homem que observei e contra o qual calculei por tanto tempo.’
O Duque olhou para o homem que um dia considerou previsível com um novo e aterrorizante receio.
Assim que os soldados avançaram implacavelmente para dentro do palácio, o próprio Imperador apareceu.
— Cesare!
Leone, o Imperador, parecia pálido como um cadáver. Alguns poucos cavaleiros o seguiam, mas sua expressão era de absoluto choque, como se jamais tivesse imaginado tal traição vinda de seu próprio sangue. Uma pistola tremia em sua mão. Ele apontou a arma para o irmão, sua voz falhando:
— Você… você fez isso comigo.
Os olhos azuis de Leone, turvos de angústia, fitavam o Arquiduque. Os últimos raios do pôr do sol desapareceram, apagando a intensidade das cores. Os cavaleiros do Arquiduque também levantaram suas pistolas, mas Cesare apenas fez um gesto para que baixassem as armas.
— Leone, — disse ele, sua voz firme como uma pedra. — Largue sua arma e se renda.
O comando era tão frio, tão desprovido de emoção, que parecia estar falando com um inimigo qualquer. O Imperador soltou uma risada quebrada, quase um soluço:
— Se esse era o seu plano, deveria ter tomado o trono desde o início! Em vez de me colocar nesta posição miserável… — Lágrimas brotaram em seus olhos avermelhados enquanto sua risada se tornava mais maníaca. — Você… você finalmente se voltou contra o seu irmão… o próprio sangue…!
Leone era um homem desmoronando, suas emoções uma tempestade que ele não conseguia controlar. Mas Cesare nem sequer vacilou. Apenas encarou calmamente o homem que estava derrubando de forma tão brutal. Observava como se estivesse arrastando um estranho do trono, e não o próprio irmão.
— Você não é eu, Leone.
As palavras atingiram Leone, e seus olhos se arregalaram. Ele abriu os lábios, como se fosse falar, mas nenhum pensamento coerente veio. Em vez disso, um rugido ressentido escapou dele enquanto puxava o gatilho.
O disparo soou agudo, claro e definitivo. A distância era curta, e Leone, não sendo estranho às armas de fogo, acertou diretamente o coração de Cesare.
O sangue floresceu sobre a impecável camisa branca do Arquiduque.
Mas algo macabro e impossível se seguiu.
Cesare não caiu. Nem sequer cambaleou.
Apenas permaneceu ali, encarando Leone, como se nada tivesse acontecido. Olhou para o sangue em seu peito com um sorriso breve e incompreensível e, então, fez um gesto para seus cavaleiros.
O tiroteio começou.
Os cavaleiros do Imperator e as forças do Arquiduque se confrontaram em uma saraivada de disparos.
Mas os cavaleiros de Leone não conseguiram lutar. Estavam paralisados pelo horror que acabaram de testemunhar. Alguns deles caíram de joelhos, murmurando orações em estado de transe, clamando a Deus:
— Ele não é humano.
— Como lutar contra um homem que não pode morrer?
— Ele é imortal, um deus!
Sua vontade de lutar evaporou. Um a um, se renderam, suas armas caíram no chão com um barulho metálico.
Leone ficou sozinho, os olhos desfocados enquanto sussurrava:
— Como…?
Implorou por uma resposta, mas Cesare não ofereceu nenhuma. Os cavaleiros do Arquiduque dominaram facilmente o Imperator, forçando-o a se ajoelhar ao lado do
aterrorizado Duque Farbellini. O mesmo homem que, apenas algumas horas antes, estivera no tribunal e condenara seu irmão agora estava ajoelhado na terra, lágrimas escorrendo por seu rosto. Era impossível dizer se eram lágrimas de raiva ou arrependimento.
O olhar de Cesare permaneceu sobre ele por um momento, então se voltou para o mar de nobres reunidos diante dele. O julgamento daquele dia trouxera ao palácio as figuras mais poderosas do império, e agora todos estavam presos.
Não conseguiam gritar, nem fugir. Só podiam permanecer ali, atordoados e em silêncio, diante daquele espetáculo inacreditável.
A luz final do pôr do sol sangrou no horizonte:
— Ouçam, Império Traon, — a voz de Cesare ecoou, onipotente e fria. — A partir deste momento, ascenderei à posição de Imperador.
Ele pronunciou o título de Imperador com tamanha casualidade, como se estivesse apenas tomando aquilo que sempre lhe pertenceu por direito. Um leve e arrepiante sorriso tocou seus lábios:
— Aqueles que desejam me impedir, resistam.
Não havia ninguém capaz disso.
Não existia uma única pessoa em todo o império que pudesse se opor ao homem.
Os cavaleiros foram os primeiros a se ajoelhar diante de seu novo Imperador, inclinando a cabeça.
— Imperator. — Eles entoaram, conferindo o título que apenas o verdadeiro governante do Império Traon poderia ostentar.
Este foi o momento em que Cesare Traon Karl se tornou Imperador.
A notícia da rebelião do Arquiduque Erzet se espalhou como fogo em palha seca. O império já estava abalado pelo choque de sua renúncia como Comandante Supremo, mas isso? Um golpe de estado em toda a sua extensão? Uma mudança cataclísmica de poder, tudo em um único dia.
Alguns nobres, cegos pelo pânico, tentaram fugir da capital, mas descobriram que todos os portões haviam sido selados. Mercenários estrangeiros, falando uma língua gutural e desconhecida, bloquearam todas as rotas de fuga.
Nobres com exércitos particulares na cidade tentaram resistir, mas foram abatidos antes mesmo de conseguir reunir suas forças. Aqueles que reagiram nas ruas foram massacrados sem piedade. As forças do Duque Farbellini, o maior exército privado do império, não conseguiram contra-atacar; seu líder era prisioneiro no Palácio Imperial.
A capital outrora pacífica agora ecoava com sons de tiros e o marchar pesado das botas dos soldados. As elegantes ruas de pedra estavam manchadas de sangue.
Ninguém ousava sair.
Cidadãos se escondiam em suas casas, tremendo, esperando o fim.
Veículos militares pretos, cinco em uma fileira, com duas escoltas na frente e atrás, atravessavam em alta velocidade as ruas desertas.
No veículo do meio, Eileen estava em completo estado de choque.
“O Arquiduque Erzet iniciou uma rebelião!”
Ela ouvira aquelas palavras de um homem que invadira o templo, e sua mente ficou em branco. A brilhante chama sagrada dourada que girava acima dela vacilou e se apagou no instante em que a notícia foi dada. Não havia notado, e os sacerdotes também não. Todos estavam atordoados demais pela magnitude absurda do anúncio.
Eileen virou lentamente a cabeça para olhar Lotan.
Ele estava completamente calmo, sem nenhum sinal de surpresa.
Fez um sinal para Alessia, que se adiantou para levar Eileen para longe do altar. Lotan se ajoelhou diante dela, um joelho tocando o chão.
“Vossa Majestade, a Imperatriz.”
O título pareceu estranho, irreal. A voz de Lotan era firme e controlada.
“A senhora precisa ir ao Palácio Imperial.”
Elisa: Estão preparadas?
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui