Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 203 Online

— Maldição…!
O Duque Farbellini praguejou ao chegar aos seus aposentos privados no Palácio Imperial. Seu assistente, caminhando atrás dele, olhou ao redor nervosamente. O Duque havia conseguido o que queria ao vencer o julgamento contra a Arquiduquesa Erzet. O Arquiduque agora abriria mão de sua autoridade militar e ao título de Comandante Supremo. Isso certamente seria um golpe fatal para o homem que havia construído seu poder em torno das forças armadas.
No entanto, apesar da vitória, o Duque não sentiu alegria alguma, apenas um amargo sentimento de derrota. Os juízes haviam declarado a Arquiduquesa culpada, mas o júri a considerou inocente. Quando o julgamento terminou, não havia raiva contra a família Erzet nos rostos dos jurados e dos espectadores.
“O motivo do meu apoio à pesquisa da Arquiduquesa é porque também a considerei uma forma de proteger Traon.”
No momento em que o Arquiduque Erzet fez aquela declaração e renunciou voluntariamente ao cargo de Comandante Supremo, ele venceu o julgamento. O Arquiduque cravou o último prego no caixão dos cidadãos imperiais que já haviam sido influenciados pela Arquiduquesa e pelo Conde Domenico. E não foram apenas eles cujos corações vacilaram. Após o julgamento, o Duque Farbellini conversou com o Imperador e vários nobres. O Imperador parecia atordoado, e até mesmo os nobres que anteriormente detestavam o Arquiduque estavam em estado de choque. Ninguém jamais imaginara que o Arquiduque abandonaria o Império primeiro.
Ao recordar aquilo, o Duque Farbellini ofegou, incapaz de conter sua fúria. Tirou um charuto do bolso, cortou a ponta com um cortador e o acendeu. Soltou uma baforada, estreitou os olhos e murmurou:
— Eu deveria tê-lo destruído naquela época.
Quando o Arquiduque Erzet esteve ausente durante a conquista de Kalpen, aquela havia sido a oportunidade perfeita. Ele deveria ter usado a Arquiduquesa, uma mera filha de um barão, para manchar sua reputação. Poderia tê-la incriminado como espiã de Kalpen e então surgido para salvar a situação, e assim não teria precisado ir ao tribunal e passar por um espetáculo tão humilhante.
‘A família Erzet também não teria recebido uma reação tão favorável.’
A aparição pública da Arquiduquesa e o crescente afeto do povo por ela tornaram tudo mais difícil.
‘Se ao menos Kalpen não tivesse caído…’
O Arquiduque, como se tivesse enlouquecido, decapitou o Rei de Kalpen e rapidamente esmagou a resistência liderada pelo Príncipe Herdeiro, dispersando todos os seus espiões. Foi a partir desse momento que o Arquiduque, que vivera tão quieto como um cão de caça, de repente começara a agir descontroladamente.
‘Ele não vai deixar isso passar quieto.’
Sendo um homem astuto, o Duque sabia que Cesare devia estar tramando algo nos bastidores. Por precaução, planejava dobrar o número de guardas em sua residência. O pensamento de seu lar trouxe sua filha à mente.
‘Agora que penso nisso, Ornella também tem estado estranha.’
Ela era naturalmente sensível e exigente, e sempre que o nome da Arquiduquesa surgia, explodia em fúria.
“O lançamento do novo medicamento é em breve, certo? Adie”, — ela disse.
A Ornella que lhe pediu para adiar o novo medicamento parecia não ter sua habitual agressividade. Ela estava daquele jeito desde que ficou presa no Templo dos Deuses Miríades junto da Arquiduquesa. E então havia o Conde Domenico, que chegou até a adiar o funeral da própria esposa para testemunhar… ele também estava agindo de forma estranha.
Ele não conseguia entender o que havia na Arquiduquesa, com aquele rosto inocente, que fazia todos ao seu redor agirem de forma tão irracional. Depois de fumar o charuto por um tempo, o Duque olhou pela janela. O sol estava se pondo, e sua luz vermelha lhe lembrou os olhos de alguém. Ele franziu a testa e tirou o relógio do bolso. Estava tão absorvido pelas consequências do julgamento que não percebeu quanto tempo havia passado. Sentiu uma pontada de fome, já que não comera o dia inteiro. Levantou-se do sofá e ordenou ao assistente que se preparasse.
— Vamos para casa.
Ele caminhava pelo corredor quando sentiu que algo estava errado. Uma sensação próxima ao isolamento. Parou de andar. O assistente, confuso, também parou.
— Você não acha que tem algo estranho? — perguntou o Duque.
O assistente piscou, sem entender.
— Quero dizer… não está silencioso demais? — o Duque reformulou.
— Ah… realmente parece mais silencioso do que o normal, — disse o assistente, finalmente percebendo a estranheza. — Os guardas não estão à vista.
Os soldados que deveriam estar vigiando cada esquina do Palácio Imperial haviam desaparecido. Enquanto o Duque e seu assistente estavam ali, o sol começou a se pôr ainda mais. A luz vermelha cobriu o mundo inteiro, fazendo tudo parecer encharcado de sangue. O Duque começou a andar rapidamente, depois passou a correr, com o fôlego preso na garganta. Não conseguia parar. O Palácio Imperial estava completamente vazio, silencioso como uma floresta onde todas as feras ficavam à espreita.
O Duque parou abruptamente em frente ao palácio principal. Nobres, tão desorientados quanto ele, paralisaram como estátuas de pedra, olhavam em uma direção. O Duque seguiu seus olhares.
Lá estava o Arquiduque Erzet, vestido apenas com uma camisa branca. A luz do pôr do sol o tingia de vermelho, como se estivesse banhado em sangue.
Ele se movia com o mesmo passo tranquilo de quando entrou no tribunal, seguido por três homens e uma mulher. Vestiam ternos, mas eram inconfundivelmente os cavaleiros do Arquiduque. Em suas mãos, carregavam armas totalmente carregadas, e espadas pendiam de suas cinturas. Atrás deles, dezenas de soldados do Exército Imperial em uniforme os seguiam, todos armados da mesma forma.
O Duque não conseguia compreender aquela situação. Armas eram proibidas no Palácio Imperial. Ainda assim, eles as carregavam descaradamente dentro do próprio palácio principal.
O Duque encontrou os olhos do Arquiduque. Cesare olhou para ele como se estivesse vendo um inseto insignificante. Incapaz de se controlar, o Duque deu um passo para trás. Abriu a boca, com a voz trêmula:
— Arquiduque Erzet… o que significa isso? Como ousa cometer um ato tão ultrajante…!
Um sorriso torto apareceu nos lábios de Cesare.
— Você já me disse essas palavras uma vez, — falou ele, com a voz carregada de diversão.
O Duque tropeçou, pisou errado em um degrau e caiu. No mesmo instante, os cavaleiros do Arquiduque avançaram e o imobilizaram.
— A partir de hoje, — disse Cesare, olhando de cima para o homem trêmulo, — estou pensando em me tornar o Imperador, Duque.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui