Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 207 Online

Uma nova Imperatriz havia assumido o trono do Império Traon. Uma mulher de uma família nobre menor que, desde jovem, subiu nas fileiras militares. Diziam que ela conquistara a confiança dos soldados e comandava quatro cavaleiros leais. Era a heroína que levara o império a uma vitória impossível contra o Reino de Kalpen e, com o apoio do exército e do povo, tomou para si o título de Imperatriz.
Era um mundo repleto de inconsistências, uma história que não fazia sentido. Mas Eileen era a única que sentia as rachaduras na realidade. Ninguém mais parecia notar. Ninguém se lembrava de que Cesare tinha existido. Toda a glória que ele havia construído, sua vida inteira, foram atribuídas a ela.
Eileen, que nada sabia sobre guerra ou comandar, era exaltada como heroína, a salvadora da nação. Como se todos ignorassem deliberadamente os buracos da história. Simplesmente juntavam as peças e a colocavam no trono com uma narrativa que parecia tão errada.
Não importava o quanto negasse, nem quantas vezes gritasse que fora Cesare quem fizera tudo aquilo; olhavam para ela com uma confiança absoluta e inabalável. Mesmo que abandonasse seus deveres, alguém surgiria para cuidar dos assuntos do Estado. Os nobres, que deveriam estar conspirando contra ela, eram estranhamente obedientes. Era verdadeiramente um mundo feito apenas para ela.
— A construção do Arco do Triunfo começou — anunciou Senon, com a voz cheia de orgulho.
Eileen, que estava olhando pela janela do gabinete imperial, virou-se para encará-lo. Quando o fez, o rosto dele se iluminou.
— O nome de Vossa Majestade será gravado bem no centro do arco — continuou ele. — Para celebrar a grande vitória sobre Kalpen…
Lágrimas brotaram dos olhos de Eileen. Senon parou de falar, a alegria desaparecendo de seu rosto. Ele deu um passo à frente e lhe ofereceu um lenço, mas ela não o pegou. Apenas deixou as lágrimas caírem silenciosamente.
Ele permaneceu ali, impotente, até que Michelle pegou o lenço de sua mão e enxugou delicadamente as lágrimas em seu rosto. Lotan e Diego observavam com expressões sombrias. Os cavaleiros, que haviam vindo para celebrar, agora pareciam perdidos e preocupados.
O rosto de Diego se contorceu ao vê-la chorar. Depois de trocarem olhares preocupados, Lotan finalmente falou por todos:
— A senhora ainda… está procurando por ele?
Eileen apenas fechou os olhos. Sabia que não era culpa deles, mas a pergunta a fez querer gritar. Como puderam esquecê-lo? Cesare, entre todas as pessoas… Mesmo sabendo que aquilo era algum truque dos deuses, a raiva ainda ardia dentro dela.
Ela se lembrou de Cesare dizendo que queria gravar o nome dela no Arco do Triunfo, e na época aquilo lhe parecera tão estranho. Agora entendia o motivo. Ele queria garantir que sua existência jamais pudesse ser apagada. Ela já havia sido apagada uma vez, e ele fora deixado sozinho, assistindo à memória dela desaparecer. Agora era a vez dela. Não tinha nenhuma lembrança concreta à qual se agarrar, nenhum pequeno objeto. Ele havia desaparecido completamente, e apenas ela se lembrava dele. Suas memórias pareciam nebulosas, como se o esquecimento coletivo do mundo estivesse contaminando sua mente.
Eileen enxugou as lágrimas.
— Vou rezar.
Sua voz era educada, quase hesitante. Os cavaleiros não argumentaram nem discutiram. Simplesmente concordaram em escoltá-la até o Panteão. Não conseguiam compreender suas palavras, sua súbita necessidade de rezar, mas podiam ver seu desespero e decidiram respeitá-lo.
A Imperatriz do Império Traon caminhou em direção ao Panteão, que fora magnificamente reconstruído após um desastre. Ela ergueu os olhos para a estátua do leão alado, o símbolo do império, uma criatura tida como capaz de conectar humanos e deuses. Após um longo momento, ela seguiu em frente.
O altar do Panteão estava sempre preparado para um holocausto, pois a Imperatriz vinha até ali todos os dias. Os sacerdotes, solícitos, acenderam as chamas. Eileen observava o fogo vermelho com olhar perdido. As chamas consumiam avidamente as ofertas, mas não se tornavam douradas.
— Cesare… — sussurrou ela para o fogo.
‘Eu quero morrer. Não quero viver em um mundo sem você. Por favor, me deixe te seguir.’ As palavras giravam dentro dela, mas ela não as pronunciou. Sabia que, se o fizesse, perderia o controle. Já havia tentado antes, pegado uma faca, apontado a lâmina para o próprio pescoço, para o pulso. Mas não conseguia morrer. As últimas palavras de Cesare, sua última ordem, eram como uma maldição:
“Viva, Eileen.”
Então, em vez de pedir para morrer, ela vinha ao templo implorar por perdão.
— Eu errei… Por favor, me perdoe… — Suplicava a ele, sabendo que suas preces jamais o alcançariam. Se não fizesse isso, enlouqueceria. Ou talvez já estivesse.
Ela estava chorando diante do altar quando sua visão subitamente escureceu. Ouviu a voz urgente de Lotan.
— Vossa Majestade!
Ela desabou, seu corpo se desmanchando no chão. Quando acordou, estava na cama da Imperatriz, olhando fixamente para o teto. ‘Desmaiei.’ Não era surpresa. Não vinha comendo nem bebendo direito. Já tinha resistido mais do que deveria.
— Eileen — disse uma voz.
Ela se assustou, virando a cabeça. Os cavaleiros estavam ajoelhados no chão de seu quarto. Havia tanto tempo desde que alguém a chamara pelo nome que aquilo a abalou. Ficou ainda mais chocada com a visão deles ajoelhados. Sentou-se rapidamente, gesticulando.
— P-por favor, levantem-se…
Sua voz estava rouca, mas a intenção era clara. Ainda assim, eles não se moveram.
Diego olhou para ela e disse:
— Nós o encontraremos.
Um sorriso fraco tocou seus lábios. Era o que ela queria acreditar. Se tivesse um pouco menos autocontrole, teria concordado na hora. Mas não tinha ilusões.
— Vocês não podem encontrá-lo.
Ele fora apagado do mundo. Se pudesse ser encontrado, ela teria usado todo o poder que o homem lhe dera para fazê-lo.
Odiava a pessoa que fizera aquilo com ela. Mas também, pela primeira vez, começava a compreender o amor dele. Se ele a amou com o mesmo desespero, teria feito qualquer coisa para voltar no tempo. Assim como ela estava fazendo agora.
— Mesmo assim… vamos tentar. Por favor, nos dê uma chance — suplicou Diego novamente.
Eileen respirou fundo e saiu da cama. Os cavaleiros olharam para ela, surpresos.
— Não. Eu farei isso. Eu… mesma preciso fazer. — Ela decidiu lutar. — Então, por favor, me ajudem.
Reuniu os pedaços destruídos do próprio coração e os endureceu novamente. Precisava encontrar um jeito de trazê-lo de volta, uma maneira que não envolvesse o sangue de inocentes. Parecia impossível, mas ela precisava tentar. Assim como seus cavaleiros, que mesmo sem qualquer lembrança dele, estavam dispostos a procurá-lo.
E quando o homem retornasse, queria entregar a ele um verdadeiro império, não a bagunça que herdara. Faria o possível para torná-lo glorioso novamente.
E assim, sete anos se passaram.
Continua …
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui