Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 200 Online

Eileen não conseguiu compreender as palavras dele. Mas Cesare não as havia dito para que ela entendesse.
Ele parou o carro no meio do trajeto, antes que chegassem à residência Erzet, e foi para outro veículo que o aguardava. Eileen, deixada com Lotan, observou-o partir, sentindo um leve mal-estar se agarrando ao seu coração.
‘Eu deveria ter segurado ele?’
Cesare lhe dera a oportunidade de ir ao templo, e sabia que deveria ir, mas ainda assim sentia uma ansiedade profunda.
— Senhor Lotan… — chamou ela, com a voz fraca.
Ele era o mais confiável entre os quatro cavaleiros, e Cesare o deixara ao lado dela. Em tempos normais, ela não teria pensado duas vezes nisso, mas agora até aquilo era motivo de ansiedade. Eileen mordeu o lábio aflita.
Lotan, sentado no banco do motorista, deu uma resposta simples.
— Não vamos ao templo?
Suas palavras eram verdadeiras. Não importava o que Cesare estivesse fazendo, encontrar um jeito de salvá-lo era sua prioridade. Nada era mais importante do que isso.
Eileen fortaleceu seu coração.
— Há algo que quero levar comigo — disse ela.
Ela sempre carregava o relógio de bolso, mas a pena do leão alado estava na residência. Agora que tinha a permissão de Cesare para ir ao templo, ela a levaria consigo. O plano que tinha em mente era algo que a Eileen original nunca teria feito. Mas, neste momento, ela precisava se agarrar até à menor possibilidade.
— Iremos direto ao templo — disse Lotan.
Ele não permitiria que ela fosse até a residência. Em vez disso, enviou um subordinado de confiança para buscar a pena. Enquanto esperavam, explicou calmamente a situação.
— Como já sabe, não é mais possível receber apoio do Exército Imperial.
Como Cesare abrira mão de sua autoridade militar, não podia mais comandar o Exército Imperial. Lotan explicou que os cavaleiros também haviam entregue suas cartas de renúncia naquele dia, tornando-se todos civis.
Pensar que aqueles homens, que viveram a vida inteira como soldados, agora deixariam seus uniformes… e tudo por causa dela. O coração de Eileen estava pesado como um bloco de ferro.
— Não poderei mais vê-lo fardado a partir de amanhã… — murmurou.
Lotan apenas sorriu sem responder. Então falou num tom ainda mais gentil:
— Portanto, como acredito que será difícil protegê-la sozinho, contratei outra escolta.
Eileen inclinou a cabeça, confusa. Cesare sempre fora extremamente cuidadoso com as pessoas colocadas ao lado dela, escolhendo-as sob critérios rigorosos. E agora, um novo guarda-costas?
— A identidade dela é limpa — explicou Lotan, escolhendo cuidadosamente as palavras. — E suas habilidades são… indiscutíveis. Eu mesmo confirmei isso.
Eileen ainda tentava entender a situação estranha quando uma mulher alta, de passos silenciosos e ágeis, aproximou-se do carro. Ela abriu a porta, sentou-se imediatamente no banco do passageiro e então virou-se para Eileen, que a observava surpresa.
— Sou Alessia. A partir de hoje, serei sua escolta.
Alessia era sua nova guarda-costas.
Eileen sentiu alívio e felicidade, mas logo uma nova preocupação tomou conta dela. Sabia que Alessia era habilidosa desde os dias na taverna, mas uma dançarina famosa como Malena certamente também precisava de alguém confiável ao seu lado. Queria saber se Alessia fora obrigada a sair, mas então lembrou-se das palavras de Malena em seu último encontro:
“Houve algum desconforto em tê-la ao seu lado?”
Parecia que Malena já havia organizado tudo, confiando Eileen à pessoa em quem mais confiava.
‘Como poderei retribuir isso algum dia?’
Ela vinha recebendo ajuda demais de Malena. Seu coração era uma mistura complicada de gratidão avassaladora e profunda preocupação. Mas primeiro, decidiu, simplesmente aceitaria a gentileza de Malena.
— Por favor… cuide de mim — disse Eileen, corrigindo-se antes que usasse uma formalidade exagerada.
Alessia respondeu apenas: — Sim.
Um momento de silêncio passou, e então os olhos de Alessia e Lotan se encontraram. O olhar de Alessia parecia quase rude, e o homem o sustentou sem piscar. Os rostos de ambos permaneciam inexpressivos, e Eileen sentiu um medo repentino.
Ela sabia que Lotan mantivera Malena como refém no dia em que deixaram a taverna, e agora, pelas palavras dele, parecia ter testado pessoalmente as habilidades de Alessia.
Os dois provavelmente haviam lutado.
Eileen os encarou, tomada pela ansiedade. Felizmente, após uma breve troca de olhares, Alessia desviou o olhar primeiro.
— Também espero trabalhar bem com a senhora — disse Alessia, cumprimentando Eileen novamente.
Pouco depois, um mensageiro da residência Erzet entregou a pena do leão. Com ela em mãos, o carro partiu em direção ao templo de Morpheu, o deus dos sonhos.
O templo ficava nos arredores da capital. Era pequeno e encantador, e naquele dia estava vazio. Toda a atenção do Império estava voltada para o julgamento, então ninguém viera rezar.
Aquilo era uma sorte para Eileen.
Quando Alessia se moveu para abrir a porta do carro, ela parou, fechando-a novamente.
Eileen, abraçando o estojo de vidro que continha a pena, levantou os olhos para ela, imóvel.
Alessia se inclinou ligeiramente para encontrar o olhar de Lotan no banco do motorista. Um gesto silencioso passou entre os dois. Lotan assentiu antes de se virar para Eileen.
— Não há motivo para se preocupar — disse ele suavemente.
A atmosfera a deixou muito preocupada, e ela apertou a caixa de vidro contra o peito, paralisada. Lotan lhe deu um sorriso radiante.
Mas então puxou uma pistola.
— Poderia fechar os olhos por um momento?
Ela sabia que devia obedecer.
Eileen fechou os olhos com força.
Pouco depois, um tiro ecoou. Eileen estremeceu enquanto os sons ensurdecedores enchiam o ar, um após o outro. Mas não duraram muito. Assim que contou até cem em sua mente, a porta do carro se abriu novamente.
Havia sangue respingado no rosto de Alessia.
Ela o limpou com o dorso da mão antes de encontrar o olhar de Eileen.
— Pode sair agora.
Eileen saiu do carro tremendo.
Lotan, que estava parado a certa distância, aproximou-se rapidamente.
— Você está bem? — perguntou.
— Sim… — gaguejou ela, caminhando em direção ao templo. — O que está acontecendo? Cesare está bem…?
— Não há motivo para preocupação — respondeu ele firmemente. — Por favor, acredite em mim, Vossa Graça.
Já que ele não parecia disposto a explicar, Eileen não perguntou novamente. Apenas assentiu.
O templo de Morpheu era muito menor que o Panteão, mas era bem cuidado. Os sacerdotes, que haviam se escondidos dos tiros, gritaram assim que a porta se abriu, com medo de também serem mortos. Quando viram a Arquiduquesa Erzet, seus rostos empalideceram. Esfregaram os olhos como se vissem um fantasma.
— A senhora é… a Arquiduquesa Erzet? — perguntaram, cheios de incredulidade.
Eileen assentiu.
Os sacerdotes pareceram ainda mais confusos. Com o Império inteiro abalado pelo julgamento, não conseguiam entender por que a Arquiduquesa viera ao templo. Além disso, a relação entre a família Erzet e o templo jamais fora boa.
Eileen mostrou o estojo de vidro que segurava nos braços.
A pena do leão alado espalhava uma luz dourada deslumbrante.
Ela falou aos sacerdotes atordoados:
— Estou aqui para oferecer um holocausto ao deus.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui