Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 201 Online


Modo Claro

Os sacerdotes congelaram, os olhos arregalados em choque. Então, recusaram friamente o pedido de Eileen.

— Não podemos permitir isso. — Não fizeram questão de esconder sua raiva. — Realizar um holocausto por motivos pessoais… e de forma tão repentina. Ignorar o templo já é grave, mas isso é um absurdo!

Criticaram ferozmente a arrogância da família Erzet. Um holocausto era um rito sagrado, que precisava ser feito com grande cuidado. O altar usado no festival de caça havia sido preparado meses antes, com cada galho e flor escolhidos meticulosamente. Mas simplesmente invadir o templo e exigir uma oferenda imediatamente… mesmo sendo a Arquiduquesa, tamanha grosseria não poderia ser tolerada.

Diante da recusa, Eileen mordeu o lábio. Ela entendia a posição deles, mas estava sem alternativas. Não tinha meses para esperar. Em vez de recuar, falou em voz baixa:

— Senhor Lotan.

Havia uma razão para ela ter pensado em trazê-lo ao templo. Lotan entendeu seu significado imediatamente. Ele sacou a pistola do casaco e pressionou o cano contra a testa do sacerdote à sua frente. A arma, disparada não muito tempo antes, ainda estava quente. A voz de Lotan foi seca.

— Preparem o altar.

Os sacerdotes, que estavam furiosos momentos antes, instantaneamente ficaram dóceis. Com os rostos pálidos, gaguejaram:

— O templo protestará formalmente contra a família Erzet…

Mas não ofereceram mais resistência. O templo era pequeno e havia poucos guardas, e mesmo os presentes estavam aterrorizados demais com Lotan para agir. Eles também ouviram os tiros do lado de fora.

Os sacerdotes, oferecendo apenas uma resistência frágil, começaram a preparar o altar. Os guardas foram reduzidos a ajudar a carregar as oferendas. Empilharam cuidadosamente madeira de sândalo e flores sobre o altar, o aroma perfumado preenchendo o ar.

Eileen, ainda segurando a caixa de vidro, observava-os trabalhar. Lotan, que a guardava em silêncio, perguntou de repente:

— O que oferecerá como sacrifício?

— Meu sangue — respondeu ela.

A expressão de Lotan se fechou imediatamente.

— Isso é tudo o que pretende oferecer? — perguntou, com a voz pesada.

Ele e os outros cavaleiros viveram vidas distantes dos deuses. Sabiam pouco sobre holocaustos, mas conheciam que um sacrifício vivo precisava ser oferecido. Ele temia que Eileen pudesse fazer alguma escolha extrema. Queria impedi-la de oferecer seu sangue, mas agora ela era sua senhora, e não podia desobedecê-la.

Eileen olhou para ele. Viu a mistura caótica de esperança e medo em seus olhos. O homem esperava que ela pudesse salvar Cesare, mas também temia que pudesse fazer uma escolha terrível por causa dele. Lotan tinha uma expressão feroz, sua grande estatura e as cicatrizes de queimadura o faziam parecer intimidador, mas naquele momento, seus olhos estavam tão assustados quanto os de uma criança.

Eileen respondeu para tranquilizá-lo.

— Não pretendo morrer.

‘Ainda não’, — pensou consigo mesma.

Enquanto esteve longe da residência, Eileen devorou livros sobre os deuses. Leu mitos e histórias sobre os holocaustos realizados pelo Imperador fundador, e também vira Cesare realizar um em seu sonho. Sabia que ele havia oferecido humanos como sacrifício para invocar os deuses. Então decidiu fazer a maior aposta de sua vida: invocaria os deuses oferecendo a si mesma.

Não pretendia entregar sua vida apenas para chamá-los. Se fosse possível fazer um acordo, talvez, mas simplesmente morrer por morrer seria sem sentido.

‘Talvez os deuses tenham interesse em mim.’

Os deuses lhe enviaram sonhos e provocaram o colapso do Panteão. Já havia entrado em contato com eles antes. Julgou que valia a pena apostar nessa mínima possibilidade.

Não tinha confiança para realizar a oferenda sozinha, então procurara o templo para seguir a forma adequada do ritual com a ajuda dos sacerdotes, assim como Cesare fizera diante do Panteão.

Eileen olhou para a pena de leão dentro da caixa de vidro, sua luz dourada brilhando suavemente. As palavras enterradas no fundo de seu coração escaparam.

— Senhor Lotan… na verdade, estou apavorada. — As pontas de seus dedos, apertando a caixa de vidro, estavam pálidas. — Tenho tanto medo de que até isso seja inútil…

E se ela não conseguisse invocar os deuses? Estava disposta a fazer qualquer coisa, mas talvez não tivesse tempo para encontrar outro caminho.

Eileen revelou seus sentimentos mais profundos.

— Ainda parece um sonho que Cesare fez tudo isso por mim.

Lotan, que ouvira em silêncio, finalmente falou:

— Você sempre foi uma exceção para Sua Graça.

Ele lançou o olhar para o altar, onde os sacerdotes entoavam orações enquanto empilhavam cuidadosamente a madeira de sândalo.

— Tenho certeza de que conseguirá.

Havia uma convicção inexplicável em suas palavras honestas e desajeitadas. Os lábios de Eileen se abriram levemente, depois se fecharam novamente.

— Obrigada, senhor Lotan.

Com aquelas palavras, ela conseguiu esperar o início da cerimônia com um pouco menos de medo.

O holocausto exigia uma preparação meticulosa. Quando tudo ficou pronto, o sol já havia se posto, tingindo o mundo com sua luz carmesim. 

Seguindo a orientação dos sacerdotes, Eileen subiu ao altar e colocou a pena de leão sobre a pilha de madeira de sândalo e flores. Os sacerdotes entoavam suas preces e acenderam o altar.

Chamas imediatamente subiram, o calor tão intenso que sua pele parecia queimar. A relíquia sagrada desapareceu completamente.

Os sacerdotes deixaram escapar baixos gemidos de pesar. Eileen, ignorando o sofrimento deles, arregaçou as mangas para a próxima oferenda. Seu braço branco, com veias delicadas, foi revelado.

Ela pegou a adaga entregue por eles e parou para recuperar o fôlego. Então, sem hesitar, cortou sua palma.

A lâmina parecia gelo, e então uma dor ardente e abrasadora se espalhou. Era tão quente que lágrimas vieram a seus olhos.

Ela pensou em Cesare, em como ele havia cortado a própria palma muitas vezes. Mesmo que seu corpo se regenerasse, deve ter sentindo essa dor.

 ‘Ele deve ter sentido tanta dor.’ 

O homem sofrera muito mais do que ela, que só se cortara uma vez. Engolindo as lágrimas, inclinou a mão, deixando o sangue pingar na tigela que os sacerdotes seguravam abaixo. A sangria continuou até que ela começou a sentir tontura.

Quando os sacerdotes derramaram o sangue sobre o altar, as chamas não diminuíram. Pelo contrário, queimaram ainda mais ferozmente.

Eles trocaram olhares, confusos diante daquele fenômeno estranho.

Eileen pegou o relógio de bolso, aquele que havia dado a ele e recebido de volta, passou o dedo sobre sua superfície lisa uma última vez antes de jogá-lo nas chamas. Enquanto o fogo lambia e consumia o objeto, Eileen juntou as mãos para fazer uma oração.

— Os deuses! — os sacerdotes gritaram, caindo de joelhos.

Os olhos de Lotan e Alessia arregalaram.

As chamas se transformaram em um dourado brilhante, um fogo sagrado, um sinal de que os deuses haviam chegado. Os sacerdotes choravam lágrimas de alegria, louvando o momento milagroso. Mas Eileen não conseguia compartilhar daquela alegria. Ela ouviu um som que ninguém mais podia: o leve e constante tique-taque de um relógio, e uma gargalhada incompreensível.

Um arrepio percorreu sua espinha. Ela soube, com uma certeza terrível, que aquilo não era um bom sinal.

Naquele momento, a porta do templo se escancarou violentamente. Os sacerdotes, enfurecidos com a interrupção, viraram-se para repreender o intruso. Mas o homem que invadira o templo não se importou. Ele estava consumido demais pelo que acabara de presenciar. Gritou sem sequer notar as chamas douradas.

— O Arquiduque Erzet iniciou uma rebelião!

Continua…

Tradução e Revisão: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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