Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 199 Online

A destituição de Cesare do cargo de Comandante Supremo era exatamente o que o Duque Farbellini desejava. Ele queria que o Imperador tomasse controle do Exército Imperial que Cesare construíra tão cuidadosamente. Naturalmente, esperava uma resistência feroz do Arquiduque. Planejava usar o julgamento para destruir completamente a honra da família Erzet, voltando o povo do Império contra seu herói. Pretendia aproveitar aquele momento de caos público para agir contra Cesare, mas…
Ninguém poderia ter previsto que o Arquiduque Erzet renunciaria voluntariamente ao seu cargo.
O Duque Farbellini sentiu o olhar de Leone sobre si, mas evitou encará-lo, passando a examinar freneticamente o tribunal. Seu pomo de adão moveu-se enquanto engolia em seco, uma percepção crescente revirando seu estômago. Quanto mais observava os rostos dos jurados e do público, mais compreendia que algo estava terrivelmente errado.
Os rostos estavam marcados por puro choque. Embora alguns talvez desejassem secretamente a queda de Cesare, jamais imaginaram que aconteceria daquela maneira — que ele abriria mão do seu poder militar por vontade própria. Não era o Império abandonando o Arquiduque, mas o Arquiduque abandonando o Império. Era inevitável que isso os abalasse profundamente. As pessoas sempre consideraram garantido que o Arquiduque Erzet protegeria Traon.
Além disso, os jurados e o público já haviam sido influenciados pelo analgésico da Arquiduquesa. O Conde Domenico, um homem renomado por seu amor à esposa, abandonara o funeral dela para correr ao tribunal e testemunhar, arriscando punição para si mesmo. E agora Cesare estava abrindo mão de seu comando militar.
Os presentes ali, não conseguiam deixar de pensar: quão milagroso era aquele medicamento para que o Presidente do Senado e o Arquiduque sacrificassem tanto para protegê-lo? A ideia de que Morpheu talvez fosse realmente um medicamento que mudaria a história se instalou em suas mentes.
Percebendo seu erro, o Duque Farbellini tentou retomar o controle e trazer o foco do julgamento de volta para o suposto crime da Arquiduquesa. Tentou dar um sinal aos juízes, mas antes que pudesse fazê-lo, Leone falou:
— É realmente isso que o Arquiduque deseja? — perguntou o Imperador, a voz tremendo de fúria contida. — Abandonar o Império por causa de uma simples mulher?!
Sua voz, geralmente tão gentil, era um rugido que ecoou por toda a sala do tribunal.
Cesare respondeu com um sorriso torto:
— Não era isso que Vossa Majestade desejava?
Leone estava prestes a gritar novamente, mas o Duque Farbellini rapidamente o interrompeu, lançando olhares aos juízes para que continuassem o julgamento.
Eileen, que permanecera em silêncio todo aquele tempo, sentiu os lábios tremerem. Cesare fora soldado a vida inteira; se ele não fosse o Comandante Supremo do Império Traon, quem poderia ser? No entanto, ele havia desistido da glória que construíra durante toda a vida.
Sua visão ficou embaçada, e ela quis falar, mas uma mão agarrou seu braço, com um aperto forte que a impediu de se mover. Ela olhou para o lado.
Senon balançou a cabeça, com uma expressão severa no rosto. Em seguida, pediu permissão para falar em defesa da Arquiduquesa.
Em meio ao caos, o julgamento foi retomado, embora poucos estivessem realmente concentrados. Senon, suando profusamente sob o olhar furioso do Imperador, manteve-se firme. Falou sobre as petições apresentadas pelos professores da Universidade de Palerchia e a eficácia de Morpheu, persuadindo os juízes e jurados.
O júri devolveu um veredito de “inocente”, mas os três juízes declararam unanimemente que ela era culpada. Contudo, não impuseram a pena de morte. Em vez de conceder um perdão, retiraram do Arquiduque Erzet sua autoridade militar e permitiram, que a produção e venda de Morpheu prosseguissem sob supervisão estatal.
Após o julgamento, o Arquiduque e a Arquiduquesa foram os primeiros a sair.
Os repórteres, já sabendo do resultado, avançaram imediatamente, mas foram contidos pelos soldados. Aqueles reunidos do lado de fora murmuravam ao ver os espaços vazios no peito de Cesare, onde as medalhas haviam sido arrancadas. O significado daquilo seria conhecido por todo o Império antes do fim do dia.
Eileen foi empurrada para dentro do carro enquanto tentava evitar a multidão. Cesare a escoltou e habilmente a conduziu até o assento interno antes de sentar-se ao seu lado.
Finalmente haviam escapado da loucura do tribunal.
O veículo seguiu para a residência Erzet, mas apenas Eileen permaneceria lá; Cesare deveria retornar imediatamente ao Palácio Imperial para resolver questões relacionadas à sua destituição. Lotan estava dirigindo o carro, uma tarefa geralmente reservada a um motorista, mas hoje ele mesmo assumiu o volante por segurança.
Quando se afastaram da multidão, o carro mergulhou em silêncio.
O ar estava quente, mas Eileen sentia frio.
Cesare, que observava pela janela, perguntou como quem atira uma pedra num lago imóvel:
— Você está com raiva?
Eileen, com a cabeça baixa, respondeu com outra pergunta:
— Por que fez aquilo?
Ela não esperava resposta. Já sabia o que ele diria.
Sem esperar, sussurrou:
— Eu… estou com muita raiva de você, Cesare.
Seus olhos vermelhos vacilaram. Provavelmente esperava que ela chorasse ou se culpasse, mas não aquilo.
— Se vai jogar tudo fora como se realmente estivesse acabado…
Ver Cesare se sacrificar daquela maneira era um castigo para Eileen. As marcas rasgadas em seu uniforme eram como cortes em seu próprio coração, cada uma confirmando a morte iminente dele.
Ela mordeu os lábios, tentando falar claramente, tentando controlar a respiração irregular.
De repente, Cesare a puxou para si.
Ela caiu em seus braços, ele a beijou sem dizer uma palavra. Só então percebeu que estava à beira de hiperventilar. Ele devolvia ar aos seus pulmões. Apertada firmemente em seus braços, lentamente recuperou a compostura.
— Ngh…
Ele não a soltou. Beijou-a profundamente até que ela sentisse uma leve dor, e só então se afastou.
Seus olhos baixos encontraram o olhar carmesim do homem, que estivera sobre ela o tempo todo.
— Eileen — falou o homem, acariciando suavemente sua bochecha. — Você vai visitar o templo?
Ela suspirou suavemente. Imaginando se Lotan havia contado a ele, mas Cesare apenas riu e disse que simplesmente adivinhara.
— Vá — disse, concedendo permissão prontamente.
Eileen piscou, incapaz de acreditar no que ouvira. Por que o homem que tanto odiava suas tentativas de salvá-lo a enviaria tão facilmente ao templo?
— Lotan, estou confiando Eileen a você — falou, dando uma breve instrução a ele.
— Sim, Vossa Graça.
Cesare sorriu enquanto a soltava dos braços. Afastou delicadamente uma mecha de cabelo do rosto dela.
— Não estou jogando tudo fora por você, Eileen. Na verdade, é exatamente o contrário. — Ele se inclinou para perto, sua voz um sussurro. — Hoje é o dia em que pretendo te dar tudo.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
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Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui