Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 198 Online

A corte inteira ficou atordoada com a aparição do Conde Domenico. Os jurados e espectadores não estavam ali apenas por curiosidade; aquele julgamento definiria o destino do próprio Império. O resultado poderia significar a queda da família Erzet ou os veria se livrar da desgraça da desonra e emergirem mais fortes do que nunca. Todos os presentes haviam acompanhado atentamente cada detalhe do caso, e todos já sabiam da morte da Condessa. Simplesmente presumiram que o Conde, tão conhecido pelo amor que tinha pela esposa, não compareceria para testemunhar. E no entanto, lá estava ele, um homem que deveria estar consumido pelo luto, em pé no tribunal.
— …
Os olhos do Duque Farbellini se estreitaram. Ele pensara que a morte da Condessa tornaria tudo mais fácil, mas agora a situação se complicara. Ele engoliu um palavrão enquanto olhava para a Arquiduquesa Erzet. Seus olhos estavam arregalados, seu rosto cheio de choque; ela claramente não esperava que o Conde viesse. O Duque não conseguia compreender. Testemunhar pela Arquiduquesa era mais importante do que a morte de uma esposa que ele amara tanto? Ele achava ainda mais desconcertante porque sabia o quão firmemente neutro o Conde Domenico sempre fora; não era um homem leal ao Arquiduque Erzet.
O Duque examinou cuidadosamente o Conde. Sua pele estava pior do que na última Grande Consulta, e era fácil perceber por seus olhos vermelhos o quanto ele havia chorado. Parecia alguém prestes a desabar a qualquer instante. E ainda assim, mesmo em seu luto, seus olhos eram afiados. Eram os olhos de um general que tomara uma resolução desesperada, apesar de ter manejado apenas uma caneta a vida inteira. O Duque Farbellini zombou interiormente, mas ao mesmo tempo sentiu um desconforto instintivo. Enquanto essa sensação desagradável o inundava, o Conde Domenico subiu no banco das testemunhas e fez seu juramento.
— Juro diante de Deus que direi apenas a verdade.
Então, com voz calma, confessou o próprio crime:
— Dei à minha esposa analgésicos feitos com ópio pela Arquiduquesa Erzet.
Suas palavras chocaram todos no tribunal. Ele não tinha nenhuma indulgência, mas admitiu seu crime tão prontamente. Murmúrios de confusão se espalharam enquanto todos se perguntavam por que ele se lançaria voluntariamente ao fogo.
— À medida que a doença de minha esposa piorava, nenhum analgésico conseguia aliviar seu sofrimento. Eu era obrigado a vê-la agonizar, impotente. Mas ela foi salva quando recebeu o analgésico feito pela Arquiduquesa. Graças àquele medicamento…
O Conde Domenico fez uma pausa, a voz carregada de emoção. Pela primeira vez desde que entrara no tribunal, olhou para Eileen. Seus olhos avermelhados exibiam um sorriso fraco.
— Minha esposa pôde deixar este mundo em paz hoje.
O coração de Eileen afundou. Sentiu como se soubesse tudo o que o Conde suportara apenas olhando para aquele sorriso frágil. Ele fez uma pausa para acalmar suas emoções, então desviou o olhar de volta para os juízes.
— Aceitarei de bom grado a punição por violar a Lei Imperial — declarou, agora com voz firme. — Mas ouso jurar, em nome dos Domenico, que o analgésico criado pela Arquiduquesa salvará muitos outros do sofrimento.
Seu testemunho havia terminado.
O tribunal permaneceu em silêncio. Ninguém ousava falar.
Senon rapidamente pediu para falar, e o terceiro juiz, que estava atordoado pelo testemunho chocante do Conde, tardiamente concedeu seu pedido. Senon se levantou confiante, mas não conseguiu dizer uma palavra.
— Arquiduquesa Erzet. — Leone apontara diretamente para Eileen, os olhos azuis congelados numa frieza cortante. — Como pretende justificar o fato de ter tratado a Lei Imperial tão levianamente, confiando numa indulgência?
Ele interrompera Senon, sabendo que, se a eloquência do cavaleiro se somasse ao impacto causado pelo testemunho do Conde, perderia o controle da situação. Conhecendo Eileen desde a infância, Leone compreendia sua natureza. Provavelmente acreditava que, se a pressionasse, ela seria incapaz de responder adequadamente.
Mas Eileen não sentia mais medo.
Os olhares penetrantes já não a abalavam. O Conde Domenico criara aquela oportunidade para ela, e não podia permitir que seu sacrifício fosse em vão.
— Nunca tratei a lei com leviandade. Compreendo a gravidade disso, mas fiz o medicamento porque acreditava que era absolutamente necessário — respondeu ela, encarando diretamente os olhos do Imperador.
As sobrancelhas de Leone se moveram levemente. Eileen, falando como criadora de Morpheu, continuou com convicção:
— A guerra acabou, mas os soldados que lutaram por Traon ainda sofrem. Para tratá-los adequadamente… mesmo que acabem morrendo, um novo analgésico é urgentemente necessário. A Lei Antidrogas foi criada para evitar danos ao Império. O ópio é um entorpecente, mas, se usado corretamente, com finalidade medicinal—
— Não tenho interesse no analgésico da Arquiduquesa — interrompeu Leone novamente. — Não importa quão grandioso seja o medicamento, o fato de um crime ter sido cometido não desaparece. A Arquiduquesa pretende dizer que não aceitará punição alguma?
No instante em que Eileen ia responder, uma voz grave interrompeu o Imperador:
— Eu assumirei esse crime.
Embora tivesse falado sem permissão, ninguém ousou impedi-lo.
Leone murmurou, como se estivesse em agonia:
— Arquiduque…
Cesare lentamente se levantou. Sua figura alta agora era visível para todos. As numerosas medalhas em seu uniforme militar brilhavam intensamente, cada uma representando seus feitos, como a Espada de Traon.
— Retirem de mim a autoridade de Comandante Supremo — declarou calmamente.
Os olhos de Leone se arregalaram, e o Duque Farbellini saltou de seu assento. Todos no tribunal estavam chocados, mas Cesare permanecia sereno. Seus profundos olhos carmesins encaravam Leone diretamente.
— Apoiei a pesquisa da Arquiduquesa porque acreditei que isso também era uma forma de proteger Traon.
Não havia palavras elaboradas nem apelos emocionais. Ele apenas declarava uma simples verdade.
Cesare agarrou sua medalha mais brilhante — uma cruz dourada que comemorava a grande vitória de Kalpen. Arrancou-a do uniforme sem se importar com o tecido rasgando.
— Mas, como Vossa Majestade disse, um crime não pode ser apagado. Portanto, como marido e Arquiduque, assumirei o crime no lugar dela. — Ele caminhou até a bancada dos juízes e colocou a medalha diante do Imperator. — Solicito autorização para o analgésico da Arquiduquesa, Morpheu. A família Erzet assumirá toda responsabilidade pelos danos causados por ele, e eu também renunciarei à posição de Comandante Supremo. —Um sorriso fraco e distorcido apareceu nos lábios de Cesare. Ele proferiu uma palavra que não combinava com ele: — Lamento profundamente ter violado a Lei Imperial.
Leone, que permanecera imóvel, lentamente olhou para baixo para a medalha. Ele a encarou por um longo tempo, então se virou para o Duque Farbellini.
O Duque, ainda de pé, tardiamente abriu os lábios. Jamais imaginara uma situação em que Cesare voluntariamente abriria mão do próprio poder. Não conseguia encontrar palavras.
Os juízes não eram diferentes. As ações de Cesare deveriam ter sido repreendidas, mas só podiam prender a respiração, esperando que aqueles olhos vermelhos não se voltassem para eles.
Continua…
Tradução e Revisão; Elisa Erzet
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Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui