Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 197 Online


Modo Claro

Eileen engoliu em seco lentamente. Cesare riu baixinho, então desviou o olhar. Cercado por multidões desde o nascimento, ele considerava natural receber atenção — fosse ela movida por malícia, inveja ou adoração. Apenas seguia em frente com uma postura imponente e distante, uma escultura viva de indiferença. Não era diferente agora, caminhando para um julgamento que poderia condenar sua Arquiduquesa à morte, como fora durante a procissão triunfal que reescrevera a história do Império Traon.

Eileen caminhava próxima a ele, protegida por uma muralha de soldados contra a multidão enlouquecida. Sua tensão permanecia, e ela se sentia oprimida, as pernas tremendo sob o vestido. Ainda assim, forçou-se a seguir em frente, mantendo o queixo erguido com dignidade. Aquele não era apenas seu julgamento, mas também uma luta para proteger a honra de Cesare.

‘Cada movimento meu reflete diretamente na reputação de Cesare.’

Precisava ser corajosa, mesmo que apenas na aparência.

A sala do tribunal era o prédio do parlamento, escolhido por seu tamanho. Mesmo assim, as pessoas foram forçadas a ficar em pé, ocupando cada centímetro de espaço, e do lado de fora, repórteres gritavam perguntas, disputando posição.

— É verdade que Aspiria contém narcóticos?!

— Qual é a razão para fabricar ópio?!

— Há alegações de que o Arquiduque Erzet encobriu o crime da Arquiduquesa!

Cesare ignorou todos eles, entrando com Eileen diretamente no prédio. Mas o interior não era mais silencioso. Os nobres que se reuniram para o julgamento do século os observavam como hienas, prontas para despedaçá-los. Eileen queria se esconder atrás de Cesare, mas suportou a pressão e permaneceu ao lado dele. Os nobres os encaravam com curiosidade insolente, embora não ousassem se aproximar. Cesare, por sua vez, não se preocupava em socializar, mas não podia ignorar o homem parado à sua frente. Ele inclinou levemente a cabeça, e Eileen fez o mesmo.

— Saudamos Vossa Majestade, o Imperador — disseram.

Os lábios de Leone se moveram lentamente:

— …Arquiduque Erzet.

Eileen olhou para o Imperador com o coração pesado. Após a disputa pelo trono, Cesare havia colocado Leone sobre ele. Sempre dissera que pretendia tornar o irmão imperador, mas se Cesare tivesse sequer um pingo de desejo por poder, o trono seria dele. Estava claro que Leone agora procurava usar este julgamento para diminuir a autoridade de Cesare. Era uma aposta perigosa, mesmo entre irmãos. Eileen, que testemunhara Leone estimar Cesare por tanto tempo, não conseguia entender por que ele havia escolhido romper o vínculo entre eles.

Os dois irmãos gêmeos se encararam em silêncio, um abismo entre eles. Embora nascidos do mesmo ventre no mesmo dia, agora eram como estranhos. Leone não conseguia encontrar palavras para falar, e Cesare apenas observava o irmão com uma expressão vazia. Por fim, Leone desviou o olhar sem dizer nada.

Todos ocuparam seus lugares. Leone sentou-se na cadeira do juiz, o assento mais alto. O julgamento seria decidido por três pessoas: o próprio Imperador e mais dois escolhidos entre senadores e representantes qualificados. Além disso, nobres de famílias prestigiadas atuariam como jurados. O advogado de Eileen era Senon, cavaleiro do Arquiduque. O Duque Farbellini, como seu acusador, sentou-se em frente a ela..

Eileen engoliu em seco e lançou um olhar para Senon, que usava óculos e encarava a frente com o rosto rígido. Ele lhe ofereceu um pequeno sorriso tranquilizador. Ela forçou um outro em resposta e voltou o olhar para Cesare, esperando por um último olhar. Mas ele encarava Leone diretamente. Como se estivesse esperando, seus olhos estavam prestes a se encontrar, Leone anunciou o início do julgamento, e Eileen rapidamente desviou o olhar.

— Que se inicie o julgamento de Eileen Elrod Karl Erzet.

Após a declaração do Imperador, o Duque Farbellini foi o primeiro a falar, apresentando as acusações contra a ré.

— A Arquiduquesa Erzet violou a lei nacional do Império ao fabricar drogas.

Ele percorreu o salão com um olhar confiante, tentando influenciar os presentes com suas palavras.

— Como todos sabem, foi o próprio Arquiduque Erzet quem aprovou a lei antidrogas. Está claro que o casamento foi realizado às pressas para esconder o crime da Arquiduquesa, de forma que ela pudesse receber uma indulgência.

Sua voz ecoou pelo salão silencioso como um túmulo.

— Contudo, a tentativa de drogar o povo de Traon é um crime gravíssimo, um ato que não deve ser perdoado. Já que estabeleceram uma farmácia em nome do Arquiducado Erzet e venderam medicamentos ao povo, devem ser punidos com mais severidade.

Ele voltou seu olhar para Eileen. A encarou por um instante, então seus lábios se curvaram. 

— A Arquiduquesa Erzet deve ser condenada à morte e levada à guilhotina.

O tribunal entrou em alvoroço ao ouvir a palavra pena de morte. Mas o Duque Farbellini ainda não havia terminado.

— Além disso, o Arquiduque Erzet consentiu com isso, portanto é justo que seja destituído de sua autoridade como Comandante Supremo.

Ele encarou o Arquiduque, seu olhar o desafiando a mostrar qualquer emoção. A cabeça de Eileen se virou para Cesare sem que ela mesma percebesse. Ele não mostrou nenhuma mudança de expressão. Seus olhos estavam fixos nela, como se procurasse sinais de medo.

‘É claro que estou com medo.’

Ela não esperava que o Duque Farbellini fosse tão agressivo, e o fato dele também atacar o poder militar de Cesare apenas intensificou seu medo. Mas este era um julgamento que precisava vencer, a qualquer custo. Eileen superou seu terror e olhou para frente, inabalável.

— A ré deve responder às alegações da acusação — declarou o juiz em tom seco.

Eileen levantou-se lentamente, segurando a barra do vestido ao fazê-lo. Respirou fundo. À sua frente estavam os juízes; atrás dela, dezenas de nobres cujos olhares pareciam flechas afiadas. Quando era estudante na Universidade Palerchia, apresentações eram sua maior fraqueza. Sua natureza tímida dificultava falar na frente dos outros. Mas agora era hora de encontrar uma coragem que ela não possuía.

— O medicamento que criei é um analgésico à base de ópio.

Quando Eileen admitiu prontamente o crime, um murmúrio, de um tipo muito diferente do anterior, percorreu a sala do tribunal.

— Mas é um medicamento para o Império. Foi criado para aqueles cuja dor não pode ser aliviada por outros medicamentos, para ajudar soldados que sofreram ferimentos graves. Também para pacientes em estado terminal…

— É permitido usar ópio?! — gritou o Duque Farbellini, a voz carregada de indignação.

Eileen se encolheu involuntariamente. Os gritos de seu pai a tinham deixado com medo de homens altivos e irritados. O juiz imediatamente advertiu o Duque. Eileen acalmou seu coração surpreso e continuou.

— …É um medicamento útil. A papoula é usada há muito tempo como analgésico. Não acredito que devamos ignorar os efeitos benéficos de um ingrediente simplesmente porque o ópio é perigoso.

— Pode provar a eficácia desse medicamento? — interrompeu o juiz, impaciente.

Senon levantou-se imediatamente.

— Como advogado dela, eu vou…

Foi então que as portas da sala do tribunal, que deveriam estar firmemente fechadas, se abriram. Todos os olhos voltaram para o fundo.

— Peço desculpas pelo meu atraso.

Os lábios de Eileen se abriram em surpresa.

Um homem pálido e abatido estava parado na entrada.

Era o Conde Domenico.

Ele falou com a voz rouca pela tristeza:

— Meritíssimos juízes, solicito permissão para testemunhar à favor de Eileen Elrod Karl Erzet.

Continua…

Tradução e Revisão: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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