Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 181 Online


Modo Claro

Cesare olhou para a Eileen que acabara de matar. Segurando o corpo sem vida, ele esperou em silêncio. Com a morte de Eileen, o mundo se despedaçou. O cadáver se dispersou em fragmentos junto com o mundo que colapsava.

Então, uma cena que ele nunca tinha visto antes se desenrolou. Era um espaço completamente preenchido por escuridão. Enquanto ele permanecia ali, no breu absoluto, uma luz dourada caiu. Cesare a pegou quando ela veio em sua direção como uma estrela cadente.

Em sua mão, sentiu o toque duro do metal. O que parecia ser uma chuva de meteoros era um relógio de bolso de platina, a lembrança de Eileen que ele havia oferecido como sacrifício.

Sem dizer uma palavra, Cesare abriu o relógio. Os ponteiros das horas e dos minutos estavam perfeitamente sobrepostos às doze horas. No momento em que verificou, o ponteiro das horas avançou com um clique para uma hora.

Ao mesmo tempo, a luz rasgou a escuridão e um novo mundo apareceu. Cesare deu um sorriso distorcido ao ver a cena diante dele.

“…Ha.”

Uma risada vazia escapou do homem. Eileen havia aparecido novamente. Era outro momento que ele conhecia bem.

Ela caminhava com cuidado, os braços cheios de livros empilhados bem alto. Seus óculos grandes escorregavam pela ponte do nariz e, incapaz de usar as mãos, ela franzia o nariz tentando empurrá-los de volta para cima.

Quando isso falhou, ela soltou um suspiro pesado e inclinou levemente a cabeça para trás. Então começou a andar um pouco mais rápido.

Era a Eileen dos tempos de universidade.

Naquela época, Cesare a visitara brevemente. Ele tinha negócios na província onde ficava a Universidade de Palerchia e passou por lá, embora não tivesse contado a ela. Achou que isso apenas a distrairia dos estudos, então apenas a observou de longe e foi embora.

Naquele dia, com o capuz do manto puxado para baixo, ele passou por ela do outro lado da rua. Eileen, sobrecarregada com sua montanha de livros, parou no meio do passo e se virou para olhar para ele.

Não poderia imaginar que o homem encapuzado era Cesare, e mesmo assim o observou por um longo tempo. Ainda se lembrava da sensação do olhar dela sobre ele.

E agora, aquele momento de sua memória se desenrolava diante dele. Cesare parou no meio da rua, olhando para Eileen que se aproximava do lado oposto com seus livros.

Quando notou o homem parado, a expressão de Eileen ficou inquieta. Mas no instante em que Cesare abaixou o capuz, seus olhos e sua boca se abriram.

“Vossa Graça!”

Ela exclamou e deixou os livros caírem. Apesar do amor e cuidado que tinha por eles, ignorou-os enquanto rolavam pela terra e correu em sua direção.

Mas quando chegou perto, não conseguiu dizer nada, apenas olhou para cima, para ele. Seu rosto estava profundamente corado de alegria.

“Eileen.”

Quando disse seu nome, ela sorriu tão radiante quanto um botão de flor se abrindo. Era um sorriso puro, tão limpo que doía olhar. Antes que sua voz animada pudesse continuar, Cesare agarrou seu pescoço.

A expressão que passou pelo rosto de Eileen não foi medo ou terror, mas surpresa e confusão. Tão firme era sua crença de que Cesare nunca a machucaria que, mesmo com ele apertando seu pescoço, ela não entrou em pânico. Cesare sussurrou baixinho:

“Não vai doer.”

Enquanto apertava mais, os olhos que antes estavam cheios de confiança vacilaram. Ainda assim, ele não conseguiu sustentar aquele olhar por muito tempo. Cesare a matou. O corpo sem vida de Eileen caiu em seus braços.

Ele a segurou por um tempo, até que o mundo mais uma vez se despedaçou.

Foi mais fácil matar Eileen pela segunda vez do que pela primeira, ou mais difícil? Cesare não conseguia dizer.

O ponteiro do relógio avançou para duas horas, depois três. Quando chegou ao quarto mundo, Cesare percebeu algo estranho.

Quanto mais vezes ele matava Eileen, mais difícil se tornava, mesmo sabendo muito bem que não passava de mentira.

“Ugh… uh… Vossa Graça…”

Do lado de fora da porta, Eileen chorava com a voz engasgada. Suas pequenas mãos ensanguentadas batiam desesperadamente na porta de madeira. Era a Eileen de dezoito anos que viera até ele antes de sua partida para Kalpen.

Cesare ficou sentado em silêncio por um tempo, ouvindo seus soluços, então se levantou. Desta vez, ele abriu a porta que antes não conseguira.

Eileen, prestes a bater novamente, olhou para cima surpresa. Ele lançou um olhar para as lágrimas rolando por suas bochechas, depois para suas mãos. Suas pequenas mãos estavam em estado lamentável, ensanguentadas e machucadas. Pensar que ela arruinara justamente as mãos destinadas a fazer remédios… que tolice.

Cesare a levou para dentro. Enxugou as lágrimas de seu rosto, passou pomada em suas mãos e as enfaixou.

Eileen fungava, mas obedientemente deixou que ele cuidasse dela. Depois de hesitar, olhou para ele com cautela.

“Por favor… não vá…”

Sua voz era tão fraca quanto a chama de uma vela prestes a se apagar. Mas, mesmo ofegante, repetiu:

“Por favor, não vá.”

Cesare a observou por um longo tempo em vez de responder. Quanto mais ele hesitava, mais tempo era desperdiçado. Ainda assim, não conseguia agir rapidamente. Lentamente, fechou e abriu a mão.

Enquanto permanecia em silêncio, os ombros de Eileen caíram visivelmente. Se ela fosse um cãozinho, sua cauda e orelhas estariam murchinhas.

Justo quando ela abriu a boca para dizer algo, Cesare finalmente agarrou seu pescoço. Mas suas mãos não tinham força.

O coração do homem batia violentamente. O som ecoava em seus ouvidos como um tambor, acompanhado por uma respiração ofegante. Só então Cesare percebeu que era a própria respiração.

Aquele mundo, era tudo falso. Apenas uma ilusão construída a partir de suas memórias. Se convencendo disso, Cesare lentamente aplicou pressão. Quando começou a estrangulá-la, Eileen soltou um gemido de dor. Para poupá-la, precisava terminar isso rápido. Ele cerrou os dentes. No momento em que estava prestes a colocar toda sua força nisso, uma voz muito fraca o alcançou:

“Me desculpa…”

Ela não implorou por sua vida. Mesmo não tendo cometido pecado algum, morreu se desculpando com Cesare, acreditando que o homem, que era como um deus para ela, jamais poderia estar errado e, portanto, o erro só podia ser dela.

Cesare matou Eileen pela quarta vez.

Sua mão afrouxou, seu corpinho caiu no chão.

“Haa… haa…”

Paralisado, ofegante, Cesare de repente se assustou e puxou o corpo dela contra o seu. Tremia enquanto a segurava, ainda quente. A dor em seu peito dificultava a respiração.

O mundo colapsou novamente. Cesare olhou para o relógio de bolso com os olhos injetados de dor. Os ponteiros agora marcavam quatro horas.

A quinta vez foi quando Cesare venceu a luta pelo trono e recebeu o título de Arquiduque. Eileen, filha de um barão, não pôde comparecer ao banquete de celebração.

Foi apenas muito depois do fim do banquete que ele a viu. Como ainda não havia se mudado para a mansão Arquiducal, ela foi ao palácio imperial, trazendo um pequeno buquê — flores e pequenas laranjas da árvore da casa de tijolos.

As pontas de suas orelhas estavam vermelhas enquanto ela o parabenizava, envergonhada com seu presente humilde. Cesare retribuiu tocando o piano que ela amava, todas as músicas que ela queria ouvir, e disse para ela passar a noite no palácio em vez de ir para casa.

Embora tremesse com a possibilidade de escândalo, ele insistiu e a manteve em seus aposentos. Naquela noite, Cesare observou Eileen dormindo por um longo tempo. Antes que a manhã chegasse, ele a matou.

A sexta Eileen estava chorando. Ao vê-la em lágrimas diante da casa de tijolos, Cesare foi direto para a Rua Fiore. Ele encontrou o Barão Elrod, bêbado e drogado, enroscado com uma mulher, e o espancou até a morte no local.

Com sangue ainda nas mãos, ele voltou até Eileen. Segurando o corpo nos braços, ele riu, depois esfregou o rosto nas bochechas molhadas de lágrimas dela, saboreando o calor.

“Eu matei seu pai. Você ainda gosta de mim?”

Eileen permaneceu rígida como uma tábua. Quando ela não conseguiu responder, Cesare perguntou novamente:

“Mesmo se eu te matar?”

Ela tremia tanto que era doloroso de ver, mas ainda assim conseguiu responder:

“…Sim.”

Mesmo com lágrimas escorrendo pelo rosto, ela não desviou o olhar dele.

“Eu gosto de você…”

Cesare a matou enquanto ela confessava seus sentimentos. Observando o ponteiro do relógio se mover para seis horas, ele riu com os ombros tremendo.

Agora restava apenas um. Cesare esperou pelo sétimo mundo. Mas o último era um momento que ele não conhecia.

A sétima Eileen estava diante da guilhotina.

Continua …

Tradução e Revisão: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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