Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 180 Online

Assim como a mãe dos gêmeos, Leone se enforcou no quarto. Foi um fim lamentável para o imperador de uma nação.
Cesare verificou o corpo de Leone e leu o testamento que ele havia deixado. O curto testamento continha apenas palavras dirigidas a Cesare.
Junto com um pedido de desculpas, Leone pediu que seu corpo fosse usado como a primeira oferenda para o sacrifício em holocausto.
[Me desculpe, Cesare.]
O homem encarou por um tempo as palavras finais deixadas por seu último familiar. Era o testamento de um irmão que havia pago por seus pecados com a morte.
Mas nada podia ser desfeito. Cesare deu início à oferenda.
Os sacerdotes tentaram impedi-lo, mas não tinham devoção suficiente para arriscar suas vidas. Eles também eram humanos e curvaram sua vontade diante das armas e lâminas dos soldados.
Cesare construiu um altar diante do Panteão Imperial, colocou sobre ele as penas de um leão alado e acendeu as chamas. Como primeira oferenda, deu seu próprio sangue e o cadáver de seu irmão.
O fogo furioso engoliu o corpo humano em um instante. Mesmo tendo queimado a carne de seu próprio parente, o deus não respondeu. Cesare encarou o relógio de bolso quebrado diante das chamas.
Sete anos haviam se passado sem que ele percebesse. Não era pouco tempo. Poderia se pensar que algum esquecimento teria surgido, mas Cesare ainda via e ouvia Eileen.
O homem via a pequena Eileen rindo enquanto chamava pelo príncipe, Eileen à beira da vida adulta corando com um sorriso, e Eileen que veio até ele chorando e batendo em sua porta pouco antes dele partir para conquistar Kalpen.
Aos seus olhos, Eileen não havia desaparecido nem por um minuto. De repente, se perguntou como ela reagiria se o visse agora. Tnha um palpite, mas não havia como confirmar.
As chamas ardentes se gravaram em sua retina. Faíscas, agitadas pelo vento, se espalhavam em todas as direções. Cesare, observando o fogo, falou:
“Ainda pretendem me seguir?”
Então ele lentamente virou as costas para o fogo. Lotan, Diego, Michelle e Senon estavam esperando por ele em silêncio.
Os cavaleiros que serviram Cesare por toda a vida obedeceram às suas ordens e juraram lealdade. Mesmo quando o homem caiu em feitiçaria e cometeu atos estranhos na mansão, eles não o abandonaram.
No entanto, oferecer um sacrifício em holocausto a um deus era algo que abalava os próprios alicerces do Império Traon. Mesmo que o imperador fosse apenas uma figura decorativa, queimar seu corpo sem sequer realizar um funeral de estado era um ato grave.
A partir de agora, até mesmo o povo do império seria sacrificado. Cesare não podia ter certeza de que seus cavaleiros aceitariam isso.
Mesmo que apontassem suas armas contra ele naquele momento, não seria surpreendente. O próprio homem sabia que suas ações eram anormais.
Uma oferenda humana realizada pelo Arquiduque Erzet — sete anos atrás, isso teria sido impensável. Cesare havia mudado, e o homem em quem os cavaleiros acreditavam já não existia mais.
Ainda assim, diante do fogo ardente, os cavaleiros juraram lealdade mais uma vez.
“Nós o serviremos até o último momento, Vossa Graça.”
Não havia um traço de hesitação em seus olhos. Mesmo sabendo que estavam trilhando o caminho errado.
Só então Cesare percebeu. Ao longo de sete anos, os cavaleiros também haviam sido destruídos. Quebrados decidiram realizar um último réquiem para Eileen.
Cesare realizou o segundo sacrifício. Ofereceu dez homens, decapitando-os e queimando seus corpos. As chamas se ergueram como se quisessem alcançar os céus, mas ainda assim o deus não respondeu.
O terceiro sacrifício levou cem homens. O sangue correu como um rio, e cabeças e corpos decepados estavam espalhados por toda parte. Corvos se reuniram como nuvens de tempestade para bicar os cadáveres, mas o calor das chamas os mantinha afastados.
“Amanhã oferecerei mil vidas.”
No momento em que prometeu mil mortes, o deus respondeu. As chamas carmesim se transformaram em fogo sagrado dourado. O brilho tremulante era tão belo que era difícil acreditar que havia queimado tantos. O deus finalmente respondeu ao chamado do homem.
Cesare se aproximou lentamente do fogo sagrado. Ele o encarou, depois fechou os olhos. Após recuperar o fôlego por um momento, abriu-os novamente e fez o desejo que tanto ansiava:
“Que Eileen Elrod seja trazida de volta à vida.”
O fogo sagrado dourado brilhou com mais intensidade dentro de seus olhos vermelhos. Cesare tirou um relógio de bolso de platina do peito. Em sua mão, ele parecia quente como se contivesse as chamas em seu interior. Sentindo o calor como se fosse queimar sua carne, ele o apertou com força uma última vez antes de lançá-lo no fogo sagrado.
Era a última lembrança que tinha de Eileen. Se até aquilo falhasse e terminasse em vão…
A oferenda final para o sacrifício seria ele mesmo.
E Cesare desmaiou.
Quando recobrou a consciência, o homem soltou uma risada curta e vazia. Mesmo vendo com os próprios olhos, mal podia acreditar.
Em seus braços estava Eileen.
Era o momento em que ele a encontrou pela primeira vez. Eileen, de dez anos, se agarrou a ele, chorando. Seu pequeno corpo estava quente, e o aroma de lírios do campo de flores pairava no ar.
Cesare acalmou gentilmente a criança que soluçava. Era um sonho doce do qual ele nunca desejaria acordar. Mas, instintivamente, ele sabia. Aquilo era uma falsa ilusão, nada além de uma Eileen criada a partir de suas memórias.
O imperador fundador havia feito um pacto com o deus e suportado sete provações para reviver os mortos. Cesare percebeu que aquela era a provação concedida a ele pelo deus.
Ainda assim, para uma prova, era um momento dolorosamente doce. Cesare segurou Eileen por um tempo antes de sussurrar:
“Vamos fechar os olhos por um momento?”
A pequena criança fechou os olhos com força. Cesare puxou uma arma de dentro do casaco, encostou na própria têmpora e puxou o gatilho. No instante em que o disparo ecoou, o mundo se despedaçou como vidro.
A próxima ilusão foi de Eileen aos doze anos. Ela estava sendo mantida refém por um sequestrador em um armazém, olhando para Cesare — que veio resgatá-la — como se ele fosse um deus. Um amor próximo à adoração brilhava em seus olhos.
Novamente, Cesare disse a Eileen para fechar os olhos, e mais uma vez atirou em si mesmo. Outra Eileen surgiu, e Cesare quebrou a ilusão novamente ao morrer.
Após repetir o suicídio até a exaustão, ele começou a se perguntar: Como poderia encerrar aquilo?
Ele sabia desde o início que era uma prova do deus. Mas o imperador fundador havia passado por apenas sete provações. O fato de as ilusões continuarem sem fim significava que ele estava fazendo algo errado.
Cesare testou muitos métodos. Nada o libertava do ciclo de ilusões. Apenas sua própria morte o levava à próxima visão.
Então ele encontrou Eileen aos dezessete anos.
Eileen olhou para ele com o rosto pálido, suando frio. Cesare sabia exatamente que momento era aquele.
“Preciso fazer o funeral…”
Eileen tremia como se estivesse com frio e implorou:
“Por favor, me empreste algum dinheiro. Sinto muito. Eu prometo que vou te pagar de volta.”
A garota, que até havia esquecido como chorar, parecia apática. Cesare a observou em silêncio. Havia um método que ele não tentou, apesar de ter quebrado inúmeras ilusões.
Era a morte de Eileen.
Cesare soltou uma risada vazia ao pensar nisso. Então, sem hesitar, agarrou o pescoço de Eileen com a mão.
Ela chutou e se debateu, mas Cesare observou friamente.
Aquilo era apenas um truque baixo e vil conjurado pelo deus. Ele não tinha intenção de ficar preso ali para sempre, sendo influenciado por uma mera Eileen criada a partir de suas próprias memórias.
Cesare matou Eileen, quebrando seu pescoço em um instante.
Mesmo sabendo que tudo era uma ilusão, ver a vida desaparecer dos olhos brilhantes de Eileen lhe causou uma sensação estranha. Uma dor aguda surgiu em seu coração, mas Cesare suportou. Ele pensou ser algo que pudesse aguentar.
Não levou muito tempo para perceber que essa crença era arrogância.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui