Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 182 Online

As mãos de Eileen estavam amarradas com corda enquanto ela caminhava em direção à guilhotina, suas pernas cedendo tanto que mal conseguia dar passos adequados. Seu andar cambaleante parecia prestes a desabar a qualquer momento.
Seu rosto assustado estava pálido como papel e coberto de suor frio. Seu cabelo, grudado e embaraçado, colava-se a ela por estar encharcado de sangue espesso. Um rastro vermelho vivo escorria por sua bochecha, talvez de uma pedra que a atingira.
Mas Eileen não chorou.
Ela não gritou de terror, não implorou por sua vida, não soluçou em protesto contra a injustiça. Embora tremesse de medo, recusou-se a derramar uma única lágrima.
Ao colocar o pé nos degraus que levavam à plataforma onde a guilhotina estava, seu passo falhou e seu joelho cedeu, fazendo seu corpo balançar perigosamente.
Os carrascos que caminhavam em ambos os lados franziram a testa com irritação e a puxaram para frente. Suas roupas esfarrapadas se esticaram, expondo um vislumbre de pele pálida, e a multidão reunida riu com escárnio, apontando dedos.
Mas o barulho tumultuado não durou muito. O tratamento brusco a fez inclinar-se para trás, e seus óculos, mal equilibrados, caíram, afastando o cabelo que escondia seu rosto.
Quando o rosto de Eileen foi totalmente revelado, a multidão apenas encarou em silêncio vazio. Até os carrascos se esqueceram de apressá-la, os olhos fixos nela.
Sob o peso daqueles olhares, Eileen encolheu os ombros. Ela sempre achara seus olhos dourado-esverdeados grotescos. Baixando o olhar para que ninguém pudesse vê-los, subiu mais uma vez os degraus da guilhotina.
Quando seu pequeno corpo começou a se mover novamente, o silêncio foi quebrado. A multidão irrompeu em gritos de entusiasmo, ainda mais altos do que antes.
Um dos carrascos afastou completamente seu cabelo para que os espectadores pudessem ver claramente seu rosto. Aqueles ansiosos para despedaçar o corpo da condenada como lembrança a observavam como predadores escolhendo seu corte.
(Elisa: Doloroso. Mais do que aceitável todo o massacre que ele fez. Adoro que até mesmo quem apedrejou ela morreu.)
Por fim, Eileen ficou diante da guilhotina. Seu corpo tremia em pequenos espasmos, mas seu rosto, enquanto aguardava a execução, permanecia sereno. Com um olhar mais resoluto do que qualquer um que Cesare já havia visto nela, ela fitou a lâmina.
Cesare sabia exatamente o que se passava na mente da garota. Eileen pretendia aceitar sua sentença sem desculpas ou resistência para não manchar o nome do Arquiduque Erzet.
Se ela mostrasse medo ou covardia agora, deve ter pensado que isso poderia manchar a honra de Cesare, ainda que só um pouco.
Ela sempre fora uma garota tímida e chorona. No entanto, ali estava ela, suportando o terror da morte, apenas por causa dele.
O homem não conseguia tirar os olhos dela. O que precisava fazer era claro. Bastava esperar.
Se simplesmente ficasse parado, a cabeça de Eileen cairia sob a lâmina da guilhotina e o sétimo julgamento terminaria. Ele finalmente escaparia das ilusões intermináveis e retornaria à realidade.
Ele só precisava observar. Apenas um momento de paciência e tudo acabaria.
“Iniciem a execução de Eileen Elrod!”
Um carrasco ergueu o machado para cortar a corda que mantinha a lâmina no lugar. Cesare não suportou. Mesmo sabendo que era a escolha errada, um fracasso, ainda assim deu um passo à frente. O tique-taque dos ponteiros do relógio grudava nele como uma alucinação auditiva.
Cesare correu em direção à guilhotina, mais desesperadamente do que em qualquer momento de sua vida.
“Vossa Graça…?”
Quando chegou à plataforma, o carrasco o encarou com os olhos arregalados. O machado erguido não conseguiu golpear e caiu desajeitadamente ao lado. A multidão, que antes vibrava, murmurou confusa, surpreendida pela aparição repentina do Arquiduque Erzet, que deveria estar em Kalpen.
“Interrompam a execução.”
Cesare não olhou para Eileen. Seu olhar permaneceu fixo no carrasco enquanto dava sua ordem.
“Invocarei o decreto de perdão da família Arquiducal Erzet.”
“Mas… mas o decreto de perdão só pod—”
O carrasco gaguejou, olhando nervosamente para Cesare. Todos no Império Traon sabiam que o decreto só podia ser usado para membros da família Arquiducal.
Cesare olhou para as próprias roupas. Ele vestia o uniforme completo do exército imperial: medalhas e condecorações brilhando ostensivamente em seu peito, uma capa carmesim esvoaçando atrás dele, um traje digno de um desfile de vitória.
Ele tirou a capa. O símbolo da glória do Império Traon esvoaçou antes de repousar sobre os ombros de Eileen. Sua voz saiu baixa, mas firme como a lâmina da guilhotina.
“Ela é minha noiva.”
A declaração chocante deixou os espectadores momentaneamente sem palavras. Após um breve silêncio suspenso, murmúrios cresceram como um enxame de abelhas. Só então Cesare baixou o olhar. Seus olhos carmesins caíram sobre a figura ajoelhada diante dele.
Eileen o encarava, boquiaberta, incrédula:
“Vossa Graça…”
Mas sua expressão não era de pura alegria. Mesmo tendo sua vida poupada, havia dor em seu rosto. Dos olhos que permaneceram secos mesmo diante da lâmina da guilhotina, agora lágrimas escorriam livremente. Uma por uma, caíam, deixando marcas circulares no chão.
“Me desculpe… hhh, eu… eu…”
Seus soluços interrompiam suas palavras. Cesare a observou por um momento, então se ajoelhou. Encontrando seu olhar, ele examinou silenciosamente seus olhos verde-dourados. Eileen tremeu levemente enquanto sussurrava:
“Mas… você não deveria… hhh, eu continuei esperando, sabendo…” — Com olhos repletos de devoção absoluta, um amor próximo à adoração, ela confessou sua fé nele: “Que você viria me salvar…”
Cesare não respondeu. Apenas estendeu a mão e a puxou para seus braços. Ela ainda parecia pequena em seu abraço, não diferente da garotinha de dez anos que ele conhecera nos campos de lírios.
O calor dela em seus braços era como segurar uma chama ardente. Cesare apertou levemente mais. O momento era arrebatador, como segurar uma estrela nas mãos, exatamente o que ele realmente desejara.
O incessante tique-taque do relógio enfraqueceu em seus ouvidos, até desaparecer completamente. Mas Cesare não se esforçou para ouvi-lo novamente. Ele concentrou toda sua atenção ao ser diante dele.
Cesare escolheu permanecer na ilusão.
O Arquiduque Erzet usou o decreto de perdão, alegando que estava noivo de Eileen Elrod antes de partir para a campanha, e a salvou da guilhotina.
Mas poupar sua vida não significava que o assunto estava resolvido. Os verdadeiros problemas começaram naquele momento.
Eileen Elrod havia violado a lei imperial, não apenas possuindo narcóticos, mas também os fabricando e distribuindo.
As leis relativas a narcóticos haviam sido implementadas sob a própria liderança de Cesare. Ao anular a ordem que ele mesmo estabelecera, deu a seus inimigos uma arma política letal.
Os nobres da assembleia, naturalmente, não o deixaram ileso. Denunciaram a arrogância do Arquiduque, e a imprensa publicava diariamente artigos zombando do “herói desonrado”.
Assim, Cesare decidiu pagar o preço por usar o indulto.
“Você… está abrindo mão do Arquiducado? Cesare, o que está dizendo!”
Leone arregalou os olhos em choque enquanto gritava. Mas Cesare já havia tomado sua decisão. Ele renunciaria ao título e deixaria o exército, escolhendo em vez disso viver como um cidadão comum do império.
Ao ouvir isso, Leone sentiu não apenas confusão, mas medo. Cesare liderou a conquista de Kalpen rumo à vitória, ele agora poderia desfrutar apenas de glória, ainda assim declarara abruptamente que se casaria com Eileen.
Embora o decreto de perdão o colocasse em uma posição política vulnerável, era um problema que poderia ser superado com dificuldade. Mas jogar fora todo o poder completamente…
“Você… está em seu juízo normal? Sabe o que foi preciso para chegarmos até aqui…”
Cesare lhe entregou uma caixa. Dentro estavam todas as medalhas que recebera em sua carreira militar.
“Me desculpe, irmão.”
Esse breve pedido de desculpas foi tudo. Ele não acrescentou explicações ou justificativas. Cesare deixou o palácio imperial. Leone observou sua figura se afastando em descrença vazia, incapaz de chamá-lo de volta.
Ao retornar à casa de tijolos, Cesare contemplou a laranjeira balançando ao vento. Um leve aroma cítrico pairava no ar.
Enquanto observava as folhas balançando, a porta se abriu. Eileen saiu, caminhando rapidamente em sua direção.
“Vossa Graça…”
Ela agarrou a barra de suas roupas e olhou para ele, olhos tensos de ansiedade. Cesare deu um leve sorriso.
“Agora você deve me chamar pelo nome, Eileen.”
Finalmente saboreando a felicidade que havia alcançado, ele sussurrou para ela:
“Estou de volta.”
(Elisa: Esse capítulo foi intenso, doloroso. Meu bebê se contentado com uma ilusão é de partir o coração )
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui